domingo, 13 de abril de 2008

Martin Luther King, Jeremiah Wright e Barack Obama – Profecia e Esperança


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com

No fundo, tanto a segregação nos Estados Unidos quanto o colonialismo na África foram baseados na mesma coisa: superioridade branca e desprezo pela vida.
Martin Luther King Jr.

Existe toda uma mídia contra os militantes pretos que falam a verdade, e agem com voz profética para dirimir as dúvidas do grande engodo mundial que estamos próximos a era do aquário, e todos viverão bem e o racismo já é uma falácia e caminhamos para uma grande superação. Barack Obama traz em muito de suas falas uma nova concepção de paz e crescimento dentro dos USA para todas as cores epiteliais, usando o exemplo de sua ancestralidade, filho de um preto africano do Quênia e de uma branca norte-americana criado com uma avó branca, e é casado com uma mulher preta. Na sua concepção o discurso antigo não deve ser repetido como se entrássemos em uma área de aquários. Obama referindo à comunidade branca disse:
-“Na comunidade branca, o caminho para uma união mais perfeita significa reconhecer que os problemas da comunidade negra não existem apenas na cabeça dos negros; que o legado da discriminação --e incidentes atuais de discriminação, embora menos escancarados do que no passado-- existe e precisa ser corrigido. E não apenas com palavras, mas por meio de fatos --investimento em nossas escolas e comunidades, defesa dos direitos civis e de julgamento justo nos tribunais criminais...”
Seu pastor Jeremiah Wrigth em discursos proféticos alertou que os ataques terroristas de 11 de novembro foram às conseqüências das práticas genocidas da América contra os palestinos, na África do Sul sendo vítima do seu próprio terrorismo. Defensor e praticante da Teologia Negra de Libertação, o reverendo mostrou que nem tudo que reluz é ouro e em dezenas de sermões alertou a realidade de uma América racista. A grande censura ao Reverendo Jeremiah é porque ele é um afrocentrado, um defensor da família preta e não um eurocêntrico.
A mídia atacou Obama por ser membro de uma igreja afrocentrada e ter por pastor um militante preto. E foi um momento impar para atacar as igrejas pretas nos USA e a Teologia Negra. Obama teve que retrucar, mas, ele sabe que o seu pastor não mentiu e sabemos nós que caso ele seja escolhido e venha a ganhar a presidência os USA continuarão com a sua política imperialista no mundo através dele. Qualquer presidente dos USA representará os interesses de dominação mundial, independente de cor epitelial.
O sermão não agradou aos brancos e nem os pretos que acham que os problemas foram superados, não somente nos USA; também no Brasil. Os que concordaram com o reverendo são considerados radicais, anticristãos e procurando problemas onde não existe. O racismo acabou! Dizem eles, ou está em fase de superação. Por que colocar sal e vinagre nas feridas que já estão fechadas? Nos dizeres de Barack Obama:
- “Mas asseverei minha forme convicção --enraizada em minha fé em Deus e no povo dos Estados Unidos-- de que trabalhando juntos seremos capazes de curar algumas de nossas velhas feridas raciais, e que de fato não nos resta escolha se desejamos continuar no caminho de uma união mais perfeita”.
Novamente a vítima se torna algoz e nós, povo preto, fazemos o impossível “Racismo ao contrário”. Nós somos os culpados da escravidão. Nós somos os culpados da pobreza. Nós somos os culpados da violência. Nós, e somente nós, somos os culpados de nossas mazelas. Nós que escolhemos viver uma vida subumana nas periferias e guetos. Nós e nós. Nada eles fizeram. Nós fizemos tudo e hoje teríamos que sorrir e viver felizes agradecendo aos descendentes dos que seqüestraram os nossos ancestrais as migalhas atiradas ao chão. Nós que não queremos aprovar o “Estatuto de Igualdade Racial”. “Nós” que votamos em partidos como o DEM que quer acabar com a migalha das cotas e do Prouni. Nós e Nós somos mal agradecidos porque recusamos a esquecer o passado de violência e o presente de exclusão.
A grande questão é que o Afrocentrismo tem demonstrado o bem civilizatório das populações pretas no planeta, a amorosidade, a criação de todas as tecnologias e ciências. Não foram os povos pretos que jogaram bombas atômicas e invadiram territórios equilibrados para escravizar e se apropriar de riquezas de outrem; e as nações caucasianas e aliadas tentam destruir o planeta com a destruição da biodiversidade como se daqui não fizessem parte.
Há 40 anos ocorreu o assassinato de Martin Luther King Jr, um dos maiores líderes pretos contemporâneos. Ainda hoje, suas frases são repetidamente citadas por membros de diversas religiões, cores epiteliais e filosofias distintas. Na campanha presidencial nos USA é um referencial aos candidatos democratas, especialmente Barack Obama.
Dentro da história e militância preta há aqueles que admiram o método integracionista e pacifista usado por ele, outros discordaram. Independente dos posicionamentos, Martin Luther King Jr incomodou a América Branca e se tornou exemplo de dedicação e luta para o povo preto em todo o mundo.

No Brasil, as Igrejas pouco falam e se omitem sobre a vida de King. Posso afirmar, pois, cresci em igreja protestante e nunca ouvi em sermões dos pastores pretos e brancos nada sobre a luta deste pastor nos USA, nem de colegas de seminário. Na verdade, os pastores pretos foram bem domesticados por missionários dos USA e por pastores brancos brasileiros que não aceitam a realidade de discriminação racial na sociedade brasileira. A conseqüência é não desejarem conhecer a vida de King para o não comprometimento com a questão racial que assola ao Brasil. Omitir e não comentar nas igrejas é não se envolver com a luta da justiça entre todos os homens e mulheres. No dia 04 de abril li diversos jornais online de denominações protestantes e nada encontrei. Por que será que os grandes meios de comunicação protestante brasileiro omitem Martin Luther King? Por que as faculdades de teologia e seminários não organizaram semanas para discutir o seu legado? Por que os Colégios protestantes não fizeram gincanas de solidariedade inspirados sobre a sua vida? Por que a juventude preta de todas as igrejas o ignora?
- Omissão e descompromisso com a realidade de 15 milhões de pretas e pretos no Brasil, covardia dos pastores pretos e pretas protestantes em lutar contra o racismo nesse país e a denunciar dentro de suas igrejas e estruturas denominacionais a situação de prisão mental que vive a comunidade preta.
- Repetidores e repetidoras de teologias dogmáticas escravizadoras, anunciadores de céu e inferno, descompromissados com o bem comum do seu povo tornando-se embaixadores e embaixatrizes dos mais estranhos interesses de teologias caucasianas
Para a meditação de Bispos, Bispas, pastores, pastoras, presbíteros, presbíteras, diáconos, diaconisas, missionários, missionárias, obreiros e obreiras deixo-vos duas frases de Martin Luther King Jr:
- Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Não posso ficar no meio de todas essas maldades sem tomar uma atitude.
- Por mais que eu deteste a violência, existe uma mal pior do que a violência: a covardia.
Na sua época Martin Luther King Jr. foi um radical e após 40 anos de sua morte ele é um símbolo da paz e fratrernidade para brancos e negros. Grande inspiração para Obama. Mas, esse simbolismo de paz na concepção de muitos brancos é que a população preta aceite passivamente as poucas reformas que o poder branco oferece, isso faz com que o sonho de Martin Luther King tenha se transformado um pesadelo, discorro sobre esse sonho-pesadelo no livro que lançarei ainda este mês: Afro-Reflexões.
Na campanha presidencial dos USA a mídia caucasiana ataca veementemente o Reverendo Jeremiah Wrigth porque afirmou que as feridas feitas pela escravidão, pelas racistas leis do Jim Crow e da atual exclusão da população preta estavam abertas. Palavras verdadeiras incomodam e ele seguidor de Yeshua que não se conformou com a situação de exploração do poder romano e da covardia dos sacerdotes, os chama de “raça de víboras e sepulcros caiados”.
E nas palavras de Barack Obama:
-“Não posso renegá-lo porque não posso renegar a comunidade negra”
Refletindo o anseio maior dentro da comunidade preta: as palavras do Reverendo Jeremiah Wright. O discurso não podia ser diferente como líder religioso experiente e comprometido com a população preta, ele tinha duas opções: omitir-se, esquecer os ensinamentos africanos de Yeshua e renegar seu povo ou alertar a sua igreja sobre as grandes mentiras preparadas para a comunidade preta nos USA, fazê-la enxergar a situação atual de 25% da sua população atrás das grades, dos problemas do Furucão Katrina, que para muitos pretos americanos foi um atentado, pela segregação racial ainda vigente, pela pobreza , drogas, Aids e todos os males que afetam os pretos e pretas. Ele tinha que ser um profeta ou um sacerdote. Ele optou para ser um profeta e denunciar as mazelas da sociedade racista da America. O profeta é aquele que está acima da instiutição religiosa e se preocupa em denunciar a verdade e isso o Reverendo Jeremiah fez e com muita praticidade; amigo de Farrankhan e com sua concepção panafricanista consegue superar as diferenças religiosas em prol do desenvolvimento e da verdadeira liberdade; colocou o poder americano em cheque-mate e podemos concluir que todos os questionamentos do reverendo Jeremiah demonstra que após 40 anos da morte de King; os brancos não permitem que as crianças dêem as mãos e subam fraternalmente as montanhas da Georgia.

Um comentário:

farao disse...

E verdade quando citado que não ha nada pra ser encinado aqui no Brasil sobre martin , infelismente não so ele mais Cheik Anta Diop entre outros ,a midia nunca nos faz enchegar que a uma militancia pro Afocentrista ,eu mesmo tive que busca por estudos por que até um tempo atras eu nem sabia que existia tal estudo ,e muitos Brasileiros negros como eu ,nem sabem que a outros caminhos cabe a nós liberta nosso povo da amnesia mental ! abraço

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