quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O PAN-AFRICANISMO EM SI MESMO


Por Jose Raimundo dos S. Silva. Pan-africanista
Pseudônimo: Thembi Sekou Okwui.
Estudante de Direito e membro do CNNC – SP


Primeiro, devemos entender o pan-africanismo em sua forma literal: pan vem do grego, que denota “todo”, “tudo”; africanismo significa: 1 – Estudo das coisas da África; 2 – Influência da África; 3 – Costumes ou modos próprios da África; 4 – Palavra ou expressão oriunda das línguas africanas; 5 – Sentimento de amor ou fidelidade às tradições, interesses ou idéias africanas. Em suma, pan-africanismo é o “tudo” ou “todo” relativo à África. Isso, quando analisamos a palavra pan-africanismo no seu sentido literal.
Historicamente, o pan-africanismo consiste na proclamação da organização, unidade e solidariedade entre negros do mundo todo, tantos os que vivem na África como os de sua Diáspora, na luta contra o racismo e supremacia racial dos brancos. Entenda a palavra Diáspora como todas as regiões fora do continente africano que abrigou, em seus territórios, os descendentes de africanos, tenham sido eles escravizados ou não.
No começo, o pan-africanismo era uma simples manifestação de solidariedade fraterna entre os negros de ascendência africana das Antilhas Britânicas e dos E.UA. Teve, como um dos seus precursores, o advogado negro da Ilha de Trinidad, Sylvester Williams, que foi o primeiro a usar o termo pan-africanismo, no final do século XIX. Muitos outros “apóstolos” caíram no esquecimento. E a lista deles seria não somente comprida e difícil de estabelecer, mas também pouco instrutiva. No entanto, dá para destacar os precursores das suas principais correntes.
· W.E. Burghardt Du Bois, considerado “pai do pan-africanismo político”. Ele tem um famoso livro intitulado “Almas da Gente Negra” que foi traduzido para o português. Neste livro ele responde com um categórico “não” à seguinte pergunta: “Será possível, será provável que possam milhões de homens realizar, no plano econômico, verdadeiros progressos, quando privados de direitos políticos, quando reduzidos apenas a uma casta servil, e quando não se lhes concede a mais mínima oportunidade de desenvolver os seus jovens intelectualmente bem dotados?
. Marcus Garvey foi o precursor do pan-africanismo messiânico. Fez um grande movimento popular em torno da repatriação dos negros à África, tendo criado uma linha de navegação, a Black Star Line, com essa finalidade. Seus discursos foram tão fortes que chegaram a influenciar o processo de libertação das nações africanas. Também, foi produto das manifestações lideradas por Marcus Garvey a “Declaração dos Direitos dos Povos Negros do Mundo”. Como esta é a corrente que nos importa para abordagem do tema, veremos mais sobre ele no próximo tópico.
. Jean Price-Mars foi o precursor do pan-africanismo cultural. Ele era grande humanista em toda extensão do termo. A sua obra mais importante, observada pelo ângulo pan-africano, foi “Assim Falou o Tio...”. Esta obra era um grande ensaio etnográfico publicado na França em 1928, cujas idéias revolucionárias eram bastante compreensivas. Assim, trago à luz um dos seus pensamentos mais importantes: “Houve, em dado momento, no continente africano, centro de civilização negra dos quais não somente se encontram vestígios, mas cujo brilho se irradiou além da estepe e do deserto”
Vários foram os acontecimentos na história mundial que representaram a concepção ideológica pan-africana. No Brasil, por exemplo, podemos destacar a resistência cultural das religiões de matriz africana, a capoeira, as fugas, as revoltas, as rebeliões, a musicalidade negra e tantas outras, como a formação dos Quilombos. Estes últimos, por exemplo, representam os verdadeiros princípios pan-africanos de solidariedade, unidade e autodeterminação (a liberdade propriamente dita). Os Quilombos não eram somente comunidades de negros fugidos, mas sim um lugar onde os negros procuraram resgatar os valores, concepções e modo de vida africanos.

5 comentários:

Mauro disse...

Grande Artigo!

Fiquei realmente interessado pelo tema. Compreendo ser um grande movimento para o nosso povo preto no Brasil, em especial para os cristãos.

Biko disse...

Ah! se esse conhecimento fosse compreendido pela nossa casta servil e humilhada não proponho uma revolta violenta tipo homens e armas de fogo, mas sim homem idguinação nafuria conciente para dizer basta minha vida é igual ao do verdadeiro homem de cor, como eles nos chamam, para que possamos tomar as redeas num país que construimos com muito suor e sangue nossa hora tende a chegar.
Reinaldo Biko.

[denise abramo] disse...

importante exposição, mas gostaria de saber mais: quais são as principais correntes pan-africanistas hoje? o que se organiza, politicamente? o que se escreve, o que se publica desses autores?

viva a luta do povo negro em todo o mundo!
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stela disse...

Tas mesmo de parabens pelo artigo
Foi-me util na medida em que me servi dele pa ter as linhas gerai sobre o pan-africanismo na perpectiva de DuBois, Garvey porque meu trabalho de defesa cinge se mesmo neles ate ao grande Kwame Appiah...Sucesso

claudia varela disse...

lindo...
cada vez que ouso falar da história do povo africano,de tudo que sofreram para poderem ter poder sinto-me feliz e com mais vontade de ir longe,n importa a raça,porque todo o homem tem o direito de ser feliz...

a historia do pan-africanismo,serviu também para provar que o homem negro tem tambem de valor para o outros meios na so para a escravatura,enfim o homem negro é por sua natureza inteligente,com a facto de uns explorarem mais a sua inteligencia do que os outros...


sou africana com orgulho angolana com prazer,apesar de nao ser filha de angolanos...

cláudia de sousa varela

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