sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O RESPEITO AO IDOSO NO CRISTIANISMO E NAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA



Por Walter Passos, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Poeta
Nesses dias andando por certa rua, uma senhora com mais de 80 anos de idade reclamava do mesmo modo que a minha falecida mãe sobre o abandono de irmãos, irmãs e líderes religiosos os quais não a visitavam. 


A minha mãe abandonou o modo de cultuar o Criador conforme ensinamentos dos ancestrais e permitiu ser convertida a religião eurocentrada (protestantismo calvinista), sofrendo todas as formas de discriminação racial por ser preta e baiana, comungando a sua fé no cristianismo em uma cidade do Rio de Janeiro. A minha mãe sentiu-se abandonada já em Salvador da presença dos chamados “irmãos e irmãs” de fé. 

O cristianismo desenvolveu uma concepção antibíblica de abandono dos seus idosos e doentes, de falta de respeitabilidade aos mais velhos. Não conheço relato bíblico de abandono dos ancestrais no Tanach, é triste ouvir dessas pessoas que só possuíam valor quando contribuíam financeiramente. Realidade antagônica aos cultos afro-brasileiros ou de matriz africana, fica ao gosto da ledora e do ledor essa conceituação.
A civilização ocidental possui um hábito de colocar os seus pais, tios, tias e avós em asilos porque eles atrapalham a vivência familiar. Na verdade, uma forma de se livrar do idoso, agora considerado um entrave para o bem da família. Esses fatos são utilizados por membros de igrejas. Evidente, o cristianismo é branco apesar de certas igrejas possuírem quase 100% de membros pretos. O que impera é a concepção europeia de vida e falta de amorosidade aos mais velhos.
São duas concepções de vida:
1- A branca cristã que ojeriza os idosos e não possuem tempo e
2- A africana que respeita os idosos e possuem todo o tempo porque sem idoso não tem ancestralidade.


Nos cultos afro-brasileiros ou de matriz africana só podem existir com a presença dos mais idosos, porque eles que transmitem o conhecimento e quanto mais idoso, mais sábio e digno de maior reverencia.
Eu gosto de ir ao candomblé pedir a benção aos mais velhos, sinto-me honrado quando uma senhora ou um senhor conversa comigo ensinando-me sobre a vida, sobre as energias, sobre a cosmologia africana. 
Infelizmente, muitos pretos catequizados e convertidos se voltam contra os seus antigos e amaldiçoam a sua ancestralidade para serem bem vistos pelos seus líderes brancos ou líderes pretos embranquecidos.
Acredito que o temos de aprender com os cultos afro-brasileiros ou de matriz africana a forma de tratar os que nos deram a vida e transmitiram os genes abençoados oriundos da África mãe.
Um texto despretensioso só para reflexão.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

MODA AFROCENTRADA - CONVERSA DE PRETO


É importante possuir uma roupa bonita e que mostre a nossa pretitude, o orgulho de ser africano no Brasil. Nós da CONVERSA DE PRETO sabemos o quanto somos belos. Então organizamos uma grife que juntamente com tantas outras que já estão nessa caminhada oferecendo roupas afrocentradas ao nosso belíssimo povo.
Observe como são maravilhosas as nossas camisas:


Você também pode colocar a sua foto em uma camisa usando a frase:



As mulheres pretas sabem muito bem disso. São as mais belas do planeta.

E nós sabemos que a pretitude é uma benção por isso temos essa camisa para mulheres e homens :
- Se a coisa tá preta é mais bonita.



Convido-vos a conhecer alguns dos nossos lançamentos. Em breve estaremos colocando para vocês outros modelos.


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sexta-feira, 8 de julho de 2016

ESCURECENDO A TEOLOGIA





Por Walter Passos,
Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Poeta


Toda religião tem um pensar teológico. Acredito que fazer teologia é explicitar o nosso compreender das divindades. O entendimento da comunidade e todos os conceitos não explicáveis tornam-se dogmas, proibidos de serem questionados ou modificados. Isso afeta a minha inteligência. Sou totalmente antidogmático. 
Desde a minha tenra infância tento entender os mistérios das religiões, os ensinamentos que aceitei e nunca os compreendi e muito menos os achei justos. Cresci preocupado com as coisas das divindades e por isso bem novo fui estudar teologia em Campinas-SP e na cidade do Rio de Janeiro. Tornei-me um defensor e propagador do calvinismo, aceitando inconteste os seus ensinamentos, especialmente da eleição, predestinação e soberania de Deus. 
Um dia, sempre tem um dia, cansei-me da igreja eurocêntrica e desisti de ser pastor presbiteriano. Não me tornei um ateu porque sou melaninado e todos os melaninados possuem o poder transcendental de contato com as forças espirituais. Somos os seres originais e possuímos como os antigos africanos esse dom proporcionado pela melanina e glândula pineal. Enxergamos através das estrelas como os Dogons do Mali. Olhamos através da sorte como os hebreus, povo africano. Por falar em hebreus continuo desafiando teólogos e historiadores que me digam um personagem branco do Tanach (Velho Testamento). Somos descendentes dos primeiros cientistas, dos inventores da matemática, da filosofia, da medicina e de todas as ciências. Inclusive da teologia, porque fomos criados a imagem e semelhança de Nzambi Mu Pungu, Olodumare ou YHWH. Depende da sua cultura, da sua nação e de milhares de nomes que a sociedades dão ao Eterno e Misericordioso.
As pessoas me perguntam: Qual é a sua religião? 
Respondo: - Nenhuma. 
Sou um hebreu-israelita com um pé no candomblé. 
Não entenda porque nem eu quero entender. Quero apenas viver sobre a proteção dos meus antepassados.
O fazer teológico é como se fosse uma conversa de crianças sobre assuntos de adultos. Parece não entenderem, elas entendem tudo, mas, não dão a importância que damos. Tudo é uma verdadeira brincadeira.
Eu escolhi uma pessoa para ser minha Yá, por enquanto. Yá na nação Ketu é mãe, a cuidadora e aconselhadora das nossas coisas espirituais, aquela que a gente senta e conversa os nossos segredos, aquela que joga os búzios e nos orienta como viver melhor com os nossos odus. Eu tenho uma mãe. Gosto muito dela, não sei se ela será a minha mãe espiritual, quem sabe. .Depende dos meus ancestrais. Mas, eu gosto dela. A Dadá, minha Yá, a minha gratidão.
Uma coisa eu não entendo no candomblé é o sincretismo com o catolicismo. Conheço muita gente que não concorda, mas, por hierarquia e respeito com as Yas não questionam. Eu questiono qualquer coisa que me incomode na teologia. Sou livre porque livres são os meus antepassados.
Não entendo gente de asè ir à igreja católica, assistir missa, pedir a benção de padre, se ajoelhar e implorar favores aos pés das imagens dos eguns brancos. Solicitar orientação à igreja católica que foi cúmplice e obteve lucros com a escravidão dos nossos antepassados. As mãos da igreja católica, os pés o corpo estão sujos dos sangues dos nossos ancestrais.
Um dia desses conversando com uma senhora de asè, ela me falou da Santíssima Trindade. Respondi que não acreditava. Ela olhou-me indignada e quis me explicar como caminhos dos orixás. Disse assim:
- Oxalá tem novo, tem velho, tem assim, tem acolá. Isso é igual à trindade.
Olhei para ela, ternamente perguntei:
Olorum pode nascer da barriga de uma mulher?
Ela indignada, asseverou:
- Não!
Continuei amorosamente:
Olorum não pode. Mas YHWH pode?
A trindade não é ensinamento dos hebreus e nem africano.
A trindade é uma invenção eurocêntrica.
Já se viu Nzambi Mu Pungu nascer da barriga de uma mulher..


CONVERSA DE PRETO - MODA AFROCENTRADA




      https://www.facebook.com/conversadepreto/

quinta-feira, 26 de maio de 2016

I SEMANA PAN-AFRICANA EM VITÓRIA - ÁFRICA E DIÁSPORA AFRICANA

Programação Completa Dia 01 de Junho – Quarta-Feira Evento.png
08h15 - Credenciamento
09h00 – Abertura Solene  
Local: Auditório do IC II - Ufes


09h30 às 12h00
Tema I – Historiografia dos Povos Africanos


Convidado  -  Profº Drº Henrique Cunha,  Universidade Federal do Ceará (1994).
“Origem dos Povos Bantus, Migrações e Ocupação do Continente Africano.”


Convidado - Pedro Matos, Doutorando em Relações Internacionais PUC/MG “Desafios das Realidades Africanas ao Conceito de Estado Moderno.”


Convidado  -  Profº Drº Jair Silva, UFES
“A Importância da Formação dos Profissionais Africanos Pelo Programa Estudante Convênio de Graduação e de Pós-Graduação (PEC-G e PEC-PG) para o Desenvolvimento das Nações Africanas.”


Intervalo para o almoço – 12h00-14:00


14h00 às 16h00
Tema II – Educação Afrocentrada
Moderadora - Sarita Faustino


Convidada - Profª Drª Jurema de Oliveira, UFES/Nafricab
“A Literatura Africana de Língua Portuguesa”


Convidado  - Profº Drº Jorge Nascimento, UFES/PPGL
           “Racismo, violência e resistência na literatura contemporânea e na música popular”


Lançamento: Programa Afroeducacional ‘Eskurecendu’ com Nicodemus N’djungu


16h00 - Coffee Break


16h15 às 19h00 – Minicursos e Oficinas
Minicursos (16h15 às 17h00)
Yorubá
Por: Abdou Malik Abdou
Local: sala 04 do IC IV
Kriol de Guiné-Bissau
Por: Hodair Brandão
Local: sala 05 do IC IV

Oficinas  de Capoeira (17h00 às 19h00)
Por: Rofer Neves
Local: Ao lado da Biblioteca Central
Oficina de Abayomi (bonecas de pano)
Por: Leila Silva
Local:Elefante Branco


19h15 às 20h00
Tema III – Ações Afirmativas
Moderadora: Mirts Sants


Convidado – Profº Drº Sérgio Pereira dos Santos
“Branquidade, relações raciais e autodeclaração: conveniências e conflitos no Brasil”


Convidado – Profº Drº Amauri Mendes Pereira
“Ações Afirmativas enquanto políticas públicas em seus diversos aspectos”


Dia 02 de Junho – Quinta-Feira
Local: Auditório do IC II - Ufes


10h00 às 20h00
Tema I - Patrimônio Digital e Informação: tradição, cultura e diversidade na Diáspora Africana
Convidado – Profº Akim Olori de Ogum ‘PC’, Centro Cultural Coco De Umbigada: Projeto NUFAC / Nucleo Olinda - PE
Game Afrobrasileiro  ‘Contos de Ifá’

Tema II – Kilombos, Resistência e Direito às Terras
Moderadora: Patrícia Rufino


Convidada Profª Olindina Serafim, São Mateus - ES
“Diretrizes Curriculares para a Educação Escolar Quilombola”


Convidado –  Arilson Ventura, Coordenador Nacional e Estadual da Conaq “Políticas Governamentais de Titulação dos Territórios Quilombolas do Espírito Santo”


Convidada Kátia Penha, Integrante da Coordenação Estadual dos Quilombos do ES: “Povos Quilombolas e Direito às Terras: Desafios e Conquistas”


15h00 às 16h00
Tema III – Mulherismo Africana e Mulher Preta no Enfrentamento ao Racismo
Moderadora: Eliane Quintiliano


Convidada – Gilza Marques, Pan-africanista e ativista do Movimento Reaja ou Será Morta(o).  
Introdução ao Mulherismo Africana”


ConvidadaSônia Rodrigues Penha, Psicóloga e psicanalista integrante do Grupo Raiz Forte e militante do Movimento de Mulheres Negras Capixaba.
“Psicologia Afrocentrada: O Impacto dos Traumas Raciais na Vida das Mulheres Pretas”


16h00 - Coffee Break


16h15 às 19h00 – Minicursos e Oficinas
Minicursos (16h15 às 17h00)
Lingala
Por: Alfred Dango
Local:sala 04 do IC IV
Afrocentricidade
Por: Gabriel Swahili,Doutorando pela UFBA e membro da Afrocentricidade Internacional
Local:sala 27 do IC IV


Oficinas (17h00 às 19h00)
Oficina Duafe (tranças,turbantes,maquiagem,pinturas e cuidados)
Por: Drusille Fagnibo
Local:Cantina do Onofre
Oficina de Dança e Corporeidade (Kuduro,Decalé,Azonto e Gumbé)
Por: Adey Ikaro
Local: Cantina do Onofre


19h15 às 20h00
Tema IV – O Pan-africanismo no Brasil
Moderador - Guiné Ribeiro


Convidado - Hamilton Onirê Borges, Pan-africanista e Ativista do Movimento Reaja ou Será Morta(o).
“Pan-africanismo e a luta de Base Comunitária”


Dia 03 de Junho – Sexta-Feira
08h00 às 14h00
Local: Mucane, Centro de Vitória


08h30 às 10h00
Tema I -  Cinema Africano e o Cinema Negro
Moderadora:  Gabriela Santos
Convidado - Adriano Monteiro, Mestrando em Comunicação da UFES.
“O Cinema Negro e o Movimento Afrofuturísta”


Convidado - Dr. Adama Onédraogo, Cineasta Pan-africano
“História do FESPACO e Desafios Encarrados nas Produções Cinematográficas Antirracistas”


10h00 às 12h00
Tema II - Diáspora Africana nas Antigas Colônias Espanholas
Moderador(a): Vitor Taveira


Convidado - Maurício Alejandro, Doutorando em História pela Ufes e antropólogo com experiência em estudos latinoamericanos:


Convidado - Manuel R. Alfonso Sánchez, Doutorando em Engenharia Elétrica do Programa Pós-Graduação pela Ufes
“El movimiento negro y la diaspora africana en Colombia”


Convidado - Yordan Lopez, Médico Geral
“Os Afrocubanos”


14h00 às 15h00
Tema I – Contribuições Culturais Africanas Para o Mundo
Moderador(a):


Convidado – Walter de Oliveira Passos, Professor e Escritor
“Conhecimentos Africanos como Valores de Preservação da ancestralidade, Resgate e Afirmação da Identidade Preta”


15h00 às 16h00
Tema II – Afroemprendimento e Fomentação da Economia Preta no Cenário Nacional
Moderador(a):


Convidada – Ana Paula Tongo, Empresária  
“Mulheres Negras Emprendedoras: Afroemprendimento e Participação Ativa na Militância Antirracista”


Convidado – Profº Akim Olori de Ogum PC
"Centro Cultural Coco De Umbigada : Game Afro brasileiro  Contos de Ifa - Projeto NUFAC / Nucleo Olinda - PE


Convidado – Flávio Tongo, Empresário
“Empresário Negro e Ações Afirmativas: oportunidades e desafios”


16h00 - Coffee Break
16h15 às 19h00
Minicursos e Oficinas
Minicursos (16h15 à 17h00)
Kicongo
Por: Billy Bantu
Local: Mucane
Kriol de Cabo Verde
Por: Beatriz Batalha
Local: Mucane


Oficinas (17h00 à 19h00)
Vivência das danças de Cabo Verde (Zouk, Funaná, Batuque)
Por: Priscilla Rocha e Celsa Tavares
Local: Mucane


Percussão e Rítmos
Por: Renato Santos
Local: Mucane

19h15 às 20h00
Tema III –  As Demandas, Organizações e Perspectivas Afirmativas do Povo Preto


Convidada – Miriam Cardoso, Militante do Movimento Negro Capixaba
“Histórico e Desafios do Movimento Negro e a Questão de Gênero”.


Convidado - Luiz Carlos Oliveira, Coordenador Geral da CECUN, Militante do Movimento Negro Capixaba
“Panorama da Luta e Organização do  Movimento Negro.”


Dia 04 de Junho – Sábado
07h30 às 12h00
Torneio Pan-Africano “Henry Sylvester Williams”
Local: Quadra poliesportiva de Bairro República
Endereço: Av. Presidente Costa e Silva, SN, Bairro República, Vitória, ES, Brasil


15h00 às 22h00
Confraternização das Áfrikas
Local: Adufes

PRETAS POESIAS

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Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias