segunda-feira, 10 de março de 2014

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO - FILME



Walter Passos - Historiador
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O filme '12 anos de Escravidão' (EUA/Inglaterra, 2013) entrou para a história como sendo o primeiro filme de um diretor preto a ganhar a maior honraria da industria cinematográfica desde a sua criação: o Oscar de Melhor Filme.

O drama retrata a vida de Solomon Northup, um homem preto e livre que foi sequestrado em Washington, D.C., depois de ser atraído de Saratoga Springs, Nova Iorque, em 1841, e vendido como escravo. Ele trabalhou em plantações no estado de Louisiana por 12 anos antes de sua libertação.

O filme retrata a autobiografia de Salomon Northup, de nome homônimo ao filme, e foi agraciado com mais dois Oscar: o de melhor atriz coadjuvante (Lupita Nyong'o) e de melhor roteiro adaptado.

Steve McQueen (diretor do longa) declarou no recebimento do Oscar que  “a escravidão não é só uma chaga histórica. Em 2014, milhões de pessoas seguem em regime de servidão em todo o mundo”, ressaltou o cineasta.

Cópias do longametragem serão distribuídas em escolas públicas dos Estados Unidos a partir de setembro, juntamente com o livro que inspirou o filme, escrito pelo próprio Northup.

A ideia da distribuição é coordenada pelo apresentador e ativista Montel Williams. Trata-se de uma parceria entre os produtores do filme, a editora do livro e a Nacional School Boards Association (NSBA).

“Acreditamos que oferecer aos estudantes das escolas públicas da América a oportunidade de testemunhar uma visão tão impiedosa dos males da escravidão é essencial para garantir que essa história nunca seja esquecida e que nunca se repita”, justificou o presidente da NSBA, David A. Pickler ao anunciar o projeto.

“Desde que li ’12 anos de escravidão’ pela primeira vez tinha o sonho de que esse livro fosse usado em escolas. Sou imensamente grato a Montel Williams e a National School Boards Association por transformar esse sonho em realidade e por compartilhar a história de Solomon Northup com a geração atual”, disse Steve McQueen.


Assista o filme online clicando aqui.



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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

FLORISVALDO E A FESTA DE NATAL



 








Walter Passos - Historiador
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Seu Florisvaldo andava com o coração sentido. Na Igreja, a sua filha caçula e predileta havia pedido para participar da peça de Natal:

- Tia, eu quero ser anjinho!

A tia - professora das crianças, uma mulher da cor de ébano, uma preta turututu – disse, com a voz de censura:

- Queridinha, você já viu anjinho preto?

A menina respondeu cabisbaixa:

- Tia, nunca vi.  E saiu chorando.

Esse fato deixou seu Florisvaldo muito aborrecido e ele resolveu não participar do culto natalino. Foi a primeira vez que o seu sousafone ficaria mudo na Cantata Natalina. Ele sabia do racismo na Igreja e reagiu dessa forma, até o dia que explodiu. Essa é outra história.

- Era muito fundamento! Assim dizia a esposa de seu Florisvaldo, Da. Gracinha, no preparo da festa natalina. 

A casa ficava bem arrumada com galhos de pitanga, sorriso de maria e bananinha.

 
Um presépio bem enfeitado e uma grande árvore de natal com pisca-pisca complementavam a decoração do lar.

Era uma troca de cartões com a vizinhança, os pais, irmãs e irmãos e “demais parentes”. Ninguém podia ficar de fora. As livrarias e os camelôs vendiam muito, a fila do Correios ficava imensa, até as crianças de seu Florisvaldo e Da. Gracinha pediram cartões para os coleguinhas.

As crianças ficavam em polvorosa, sabiam que quando acordassem no dia 25 de dezembro, iam encontrar os presentes dados por Papai Noel. E ainda colocavam os sapatinhos na janela. Mas, seu Florisvaldo, não aprovava esse procedimento. Dizia com muita galhardia:

- Não tem essa história de Papai Noel. Quem dá duro sou eu, pareço um burro de carga. Eu que compro os presentes dos meus filhos e não acredito em Papai Noel.

Da. Gracinha retrucava:

- Flor, deixa os meninos sonharem, no nosso tempo foi assim!

Seu Florisvaldo permitia que os presentes ficassem nos sapatinhos, mas na primeira oportunidade lhes contava a verdade, ele não era homem de meia conversa e conformes.

Os meninos ganharam carrinhos de rolimã, feitos por seu Florisvaldo, que tinha noção de carpintaria. Iriam se esbaldar nas ladeiras. Da. Gracinha teria que fazer curativos nos joelhos e braços, com mercúrio e merthiolate (ardia muito).

As crianças, choramingando após se ralarem, perguntavam as suas mães:

- Mainha, vai arder?

Elas respondiam:

- Se arder, eu sopro.
 
Usava-se pó antisséptico para secar rápido as feridas e criar logo o cascão.

As meninas não receberam as bonecas brancas que eram compradas nas lojas da Avenida Sete e Baixa dos Sapateiros. Naquele natal, ganharam de presente bonecas de panos, bonecas pretas. Essa mudança radical nos presentes das meninas teve um motivo: a resposta do Seu Florisvaldo ao problema da igreja. Disse ele:

- Essas bonecas são lindas, parecem com vocês e com os anjinhos do céu.
As crianças com roupas novas, ostentando os brinquedos dados pelo Papai Noel, sorriam felizes. Natal é época de presentes e de alegria.

As crianças sonhavam com o frio e como ficariam branquinhas como a neve. As festas brancas levam às viagens de negação identitária, que podem marcar as vidas e formar futuros adultos de “almas brancas”.

A ceia do natal era um dos melhores momentos para as crianças, pois saboreavam fatia de parida (rabanada), bolos, biscoitos natalinos, queijo de cuia, avelãs, nozes, castanha do pará, panetone, guaraná da fratelivita, refrigerante de pêra, crush, grapette e outras guloseimas. Nos dias não festivos era usado ki-suco. Na casa de Seu Florisvaldo não se bebia fubuia.


Após olharem os presentes, hora de arrumar as crianças e enfrentar o buzu, caminho para casa dos pais de Seu Florisvaldo. Em nenhum momento, ele aceitava ir à casa dos sogros almoçar no Natal. Passava lá no crepúsculo. Uma visitinha rápida. Da. Gracinha ficava triste, mas, nada comentava. 

Quando encontrava os familiares era uma bacafuzarda. Entrega de presentes, troca de cartões e, como de costume, o samba natalino e o jogo de dominó. 

O Natal para Seu Florisvaldo era uma festa de família. Mas, estava com o coração triste. Não havia superado a humilhação que sofrera a sua menina.




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terça-feira, 2 de julho de 2013

O OSSO DE LEBOMBO – MULHERES AFRICANAS AS PRIMEIRAS MATEMATICAS DO MUNDO



Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano
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Infelizmente, quando estudamos os nossos professores não citaram a África como o berço do conhecimento matemático. Apesar de a maioria reconhecer que a humanidade surgiu na África eles ficam embaraçados por causa de questões raciais e discriminatórias de ensinarem que toda gênese do conhecimento humano é africano.

O conhecimento é poder.

É necessário que os educadores entreguem os instrumentos de utilização desse “poder” para as nossas crianças e adolescentes, especialmente aquelas que têm dificuldades no aprendizado da matemática, ensinando-os que os nossos ancestrais dominaram essa ciência que, para nós, não é um conhecimento europeu.

Em 1970, Caverna Border, nas montanhas Libombos entre África do Sul e Suazilândia, foi encontrado um pedaço da fíbula de um babuíno após escavações realizadas.


Este artefato ficou conhecido como o osso lebombo, artefato de 7.7 cm e possui 29 entalhes bem definidos datado de 37 mil anos ou 35 mil anos A.C.

Peter Beaumont, um arqueólogo que fez um extenso trabalho na área, observou que os 7,7 centímetros de osso longo assemelham-se a varas do calendário ainda em uso hoje por clãs bosquímanos na Namíbia. Os antigos Bosquímanos usavam para calcular números e medir a passagem do tempo.

O osso Libombos é uma ferramenta de medição de período de seis sugerindo uma visão de mundo binário. É um contador de fase lunar, possivelmente para ajudar as mulheres a manter o controle dos ciclos menstruais, mas é mais provável que ele representa um calendário de binário.

Calendários binários correlacionar às realidades antitéticas como masculino-feminino, a vida-vida após a morte e no verão-inverno. Como tal, os calendários binários são metafísicos na natureza e refletem a mitologia da sociedade.


O osso de Lebombo sugere que a divisão binária do calendário para o verão e inverno, com a primavera e o outono, como fases de transição, é muito mais antiga do que se supunha anteriormente.


Calendários binários refletir uma visão do mundo em que existem vetores correspondentes às oposições. Um vetor é o princípio feminino (nascimento, uma nova vida), que domina a metade das estações / períodos. O vector oposto é o princípio macho (caça, a execução do julgamento) que domina a outra metade das estações / períodos.

Você, caro (a) leitor (a), pode também se interessar por outro artefato matemático encontrado na África, é só ler o meu artigo: