sábado, 10 de janeiro de 2015

BRIGA DE MARIDO E MULHER ORIXÁ METE A COLHER.



Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano
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Salvador é a terra do preto doutô, das mais formosas  pretas faceiras, das belas praias, de Itapuã a Ribeira, do Pelourinho e de um povo bonito e festeiro. Dos terreiros e candomblés. Salvador é a terra do asè.

Salvador é uma terra contraditória, sendo extremamente machista e dominada pelo poder matriarcal nos mais importantes candomblés. Daqueles, inclusive, há alguns que ainda hoje é vedada aos homens a iniciação. Não há Yaô do sexo masculino para manifestar as energias da natureza.

Sendo uma população machista, a violência contra a mulher é manifestada pelos adeptos de todas as manifestações religiosas, inclusive entre os seguidores das religiões de matrizes africanas. Fatos esses que não deveriam ocorrer por causa dos ensinamentos de estabilidade e respeito entre os gêneros.

Contam os mais antigos que nessa bela cidade preta, viveu um ogã, mulherengo, não podia ver os rabos de saia que ia com o seu “bico doce” dá uma cantada.

Gabava-se de a sua companheira ser uma mulher delicada, serena, sensual, atenciosa, de um sorriso doce e eximia cozinheira, filha da Dona da Panela e das Águas Doces.
Oxossi é um orixá que gosta de festejos, o seu paó não é em segredo, é com festas, muita comilança e foguetório.

O nosso Ogã, sendo um devoto do Grande Caçador, soltava os mais potentes foguetes na festa de Odé. Era só sorrisos, vestido de branco. Só Alegrias e foguetes. Há anos ele fazia isso e sabia que o Orixá aprovava a sua homenagem.


Em uma das festas, o ogã queimava os foguetes e um deles explodiu em suas mãos. O grito de dor atravessou Salvador e o impacto da explosão fora tão forte...

As perguntas começaram:

- O que houve?

- O que a comunidade fez?

A respeitadíssima Iakekerê exclamou:

- Será que o meu pai não gostou da festa?
                                  
Enquanto as indagações continuaram, a festa reiniciou e foi dado socorro médico ao afamado ogã que teve os quatro dedos da mão amputados pela explosão do foguete.
Ninguém é bobo. Dias depois, consultaram no jogo de búzios o motivo da explosão do foguete nas mãos do Ogã mais considerado da roça.

A resposta de Oxossi foi direta e incisiva:

- Diga a “fulano de tal” que nunca mais ele levantará as mãos pra agredir mulher alguma, principalmente em sua esposa, a filha de Oxum.

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A VINGANÇA DO PRETO GARANHÃO

Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano
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Papeando com um amigo em um bar, no Pelourinho, sobre o racismo conseguimos chegar a conclusões bem parecidas a respeito dos retrocessos e avanços da população preta no Brasil. O meu amigo é um homem “bem estudado” como diziam os meus antigos, cursou faculdade, pós-graduado, vida financeira bem estabilizada, possui casa de veraneio em uma boa praia do litoral baiano, carro do ano e uma família preta. Uma bela esposa da cor de ébano.


O meu amigo é um preto bonito, já quarentão, filho de Xangô com Osun, se orgulha da ascendência Yoruba. Como bom filho de Xangô é um exímio conquistador dos rabos-de-saia como gosta de afirmar e diz que tem a doçura de Oxum que encantas as mulheres.

Conversa vem e conversa vai. Conversamos sobre as pretas bonitas, as rainhas do universo, e ele sorria feliz e disse-me:

- Nada mais belo que uma mulher preta. É a minha preferida!

- "Há outras preferências?". Retruquei:

- "Sim!". Afirmou.

Explique meu brother, pedi estarrecido. Interessado em entender o que um homem preto de mais de 1.90m de altura entendia por “outras preferidas”. Quando o olhei nos olhos, o vi olhar de soslaio, sorria no canto da boca para a mesa ao lado, e duas loiras com “flertes secos“ sorriam para a nossa mesa.

Disse:

- Entendi meu amigo! Não concordo contigo!

Então, ele falou com uma cara descarada:

- É vingança, meu preto!

Quase me engasgo com a roska de umbu-cajá. Olhei abismado e indaguei à meia-voz:

- Namorar mulher branca é vingança?

Ele respondeu empafioso e energicamente:

- Com certeza, meu brother! Vingo o que as pretas sofreram na escravidão. Os abusos, a humilhação. Tudo de ruim. Quando eu “pego” uma mulher branca eu escancaro. Faço barba, cabelo e cavanhaque. A minha vingança maligna. Boto pra lá! Afirmava prazeroso.

Continuou dizendo:

- Você, um preto até bem afeiçoado, devia também se vingar.  Conheço muitos pretos do movimento negro que também são guerreiros vingativos. Botam pra lá!

Olhei seriamente e disse:

- Irmão, cada um inventa o que quer e não vai ser por isso que vamos deixar de ser amigos. Vá se vingar! Eu vou descer o Pelô, irei à roda de samba apreciar mulheres que eu não vá me vingar. As belezas das descendentes das terras d’alem mar.

O que você acha dessa vingança? Dê a sua opinião.




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

PARADISE LOVE – PROSTITUIÇÃO MASCULINA NO QUÊNIA

 
Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano
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Quando falamos em turismo sexual temos a concepção de exploração do gênero feminino em diversas faixas etárias, especialmente nos países das Américas, África e Ásia.

A exploração e os abusos sexuais dos africanos e seus descendentes, infelizmente, foram e são práticas constantes no continente africano e nos países americanos. As relações sexuais forçadas ocorreram em diversas faixas etárias, praticados por senhores de escravizados, escravizados reprodutores, padres e todos os que detinham algum poder no sistema produtivo escravagista.  As mulheres e as meninas foram as maiores vítimas desses monstros da escravidão.

Chama a atenção também o abuso sexual de meninos escravizados e, não podemos esquecer que homens também eram usados sexualmente por senhoras de escravizados, fatos esses pouco comentados na historiografia, mas, citados na oralidade.

Nos dias atuais, ao falarmos de turismo sexual na África pensamos imediatamente na prostituição feminina, na facilidade imposta pela pobreza da necessidade da venda de sexo por preços baratíssimos a turistas europeus. Mas, o que chama a atenção é a prostituição masculina de jovens africanos que se tornaram alvos preferenciais de mulheres europeias quinquagenárias que não conseguem parceiros sexuais em seus países e descobriram que o dinheiro possibilita a compra de favores sexuais na África de homens muito mais jovens.



Essa realidade tornou-se o filme Paradise: Love (alemão - Paradies: Liebe) lançado em 2012 pelo cineasta alemão Ulrich Seidl e sua esposa Veronika Franz, estrelado por Margarethe Tiesel como Teresa, uma mulher austríaca considerada gorda pela beleza eurocêntrica e Peter Kazungu, um belo e formoso jovem preto, como Munga.

A película expõe o encontro de dois mundos, o mundo branco europeu e o mundo preto africano, com suas nuances de sexualidade sem a ideia propagada do amor interracial. O que a personagem Teresa e outras mulheres europeias procuram nas praias do Quênia é o sexo fácil oferecido por diversos jovens que as chamam de “sugar mamas”.


O amor é representado pela opressão racial e social dos jovens africanos que se submetem por dinheiro às mulheres rejeitadas nos seus próprios países e chamadas falsamente de “belas” por causa do dinheiro que possuem e usam para comprar “o amor”. Elas escolhem com quem ficar.


No filme, ocorre que os jovens africanos sabem da necessidade sexual das europeias e as exploram financeiramente.  Mas, se submetem a todos as vontades e taras, sendo considerados objetos para uso e abuso.


Vocês devem assistir ao filme no link abaixo e iremos abrir uma discussão sobre o assunto.

Paradies












PRETAS POESIAS

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Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias