terça-feira, 15 de novembro de 2016

EU AMO O POVO PRETO


 Por Walter Passos,

Teólogo, Historiador, Poeta,
Afrocentrista e Pan-africanista








“Quem te ensinou a odiar a textura do seu cabelo?
Quem te ensinou a odiar a cor da sua pele a tal ponto que você se alveja para ficar como branco?
Quem te ensinou a odiar a forma do seu nariz e lábios?
Quem te ensinou a odiar você mesmo da cabeça aos pés?
Quem te ensinou a odiar os seus iguais? Quem te ensinou a odiar a sua raça tanto que vocês não querem estar perto uns dos outros?
É Bom você começar a se perguntar:
Quem te ensinou a odiar o que Deus te deu?”
(MALCOLM X)

Todos os pretos no planeta ao lerem essas palavras de Malcom X sabem as respostas.  Mas, se você perguntar a maioria deles  teme em responder. Porque o autodesprezo foi tão bem introjetado e acreditam ao questionarem estão praticando racismo. A dominação mental ocorreu através das mais violentas torturas que o ser humano pode sofrer: Invasão territorial em uma guerra desigual os transformou em prisioneiros de guerras, sequestros, escravização e imposições de  vida na sua totalidade: linguagem e espiritualidade. O prisioneiro muda ou morre!
Nesse processo demoníaco de apropriação da força de trabalho e da alma enfearam o africano. O mais belo de todos os seres humano criado a imagem e a semelhança do Criador foi considerado uma besta, um objeto, covardemente coisificado.
Os africanos não aceitaram passivamente essas violações e nas suas primeiras resistências desde África e nos navios do desespero,  afirmaram  afrocentradamente:
-  Eu amo a minha ancestralidade, a minha terra, eu resisto...
- EU AMO O POVO PRETO!
Em todos os momentos de resistências na África, Américas, Ásia, Oceania e Europa todo o ato de resistência é uma declaração de amor ao povo preto. Declaração de amor à ancestralidade!
Essa frase falada bem alto e estampada em uma camisa demonstra a repulsa a mentira do enfeamento proposto por aqueles sequestradores covardes dos nossos ancestrais.

EU AMO O POVO PRETO é uma declaração de amor e respeito aos nossos ancestrais e a nós mesmos!




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sábado, 22 de outubro de 2016


NINA E A VIAGEM PELO REINO DA NÚBIA.







Por Walter Passos,
Teólogo, Historiador, Poeta,
Afrocentrista e Pan-africanista



A civilização de Kush, com seu alfabeto, comércio e triunfos arquitetônicos é considerada por alguns estudiosos, como superior às civilizações mais desenvolvidas do mundo antigo.
Você quer saber mais sobre Kush e ensinar também as crianças? Ser for educador (a) poderá de uma maneira prática ensinar aos estudantes de uma maneira divertida e interativa, então essa é a sua oportunidade com o primeiro Cd de História da África:




É o primeiro CD Infantil com história e jogos interativos sobre História da África direcionada especificamente para as crianças e adolescentes.

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Relata a viagem de Amanirenas, na ocasião princesa da Núbia, e seus desafios para conhecer todo o reino de Kush, sua cultura e suas belezas naturais, de forma super divertida.
Kush foi o mais importante Império Africano que se desenvolveu ao redor do Rio Nilo, superando os Egípcios e dos quais estes descendem.
A viagem ocorre de forma interativa, em que a criança obterá conhecimentos da Geografia Africana, da História do Reino de Kush, da Afrocentricidade e do Pan-africanismo, questões de grande relevância na sua formação contemporânea quanto descendente de africanos.
Além disso, trabalha a autoestima, elevando-a, sendo único e inovador no mercado brasileiro, em que personagens pretos serão protagonistas de uma história interativa que ocorre dentro do continente africano.
Nina e a Viagem pelo Reino da Núbia, é um presente ideal e um material indispensável para nossos filhos e filhas.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016



O PREDADOR PEDÓFILO NA ESCRAVIDÃO






Por Walter Passos,
Teólogo, Historiador, Poeta,
 Afrocentrista e Pan-africanista







O meu artigo não se destina a discutir homoafetividade masculina, se vós viestes lê-lo com esse objetivo está perdendo o seu tempo. Irei discorrer a respeito de mais um horrendo crime praticado pelos escravizadores brancos contra os escravizados africanos. 
É de suma importância entender os crimes praticados na escravidão e a necessidade dos descendentes dos escravizadores que usufruem do trabalho dos nossos ancestrais a todo o momento atentarem contra a nossa dignidade e história.
A escravidão de africanos foi o crime mais horrendo da história humana. Há uma parcela da comunidade preta não desejosa de saber desses crimes. Passam mal e me acusam de ofender os descendentes dos escravizadores. Não ofendo ninguém. Sou historiador e não preto da Casa Grande. Se tu fazes parte desse grupo, por favor, não continue a leitura, nem leia os meus artigos, pois irá aumentar a sua crise. Entendo a sua baixa autoestima. Inclusive há comunidades no facebook de psicólogos que cuidam de questões raciais. Procure ajuda: Psicologia e Relações Raciais
Como tu persistes na leitura, és amante da verdade histórica!
As maiores vítimas da escravidão não foram as mulheres e nem os homens, mas, as crianças. Sabemos das diversas violações contra as crianças, inclusive em 2009 publiquei o artigo CRIANÇAS PRETAS USADAS COMO ISCAS DE JACARÉS - TORTURA NA ESCRAVIDÃO  Fato esse ocorrido também no Brasil em alguns estados do nordeste.
Os psicólogos ao estudarem os desejos e abusos sexuais cometidos por adultos (senhores de escravizados) nas crianças pretas poderão diagnosticar desvios patológicos de sexualidade. Deixo essa análise para os psicólogos. 
Os escritores da escravidão, maioria brancos, evitam discorrer sobre esses estupros a vulneráveis. Quais seriam os motivos? Escassez de fontes primárias, vergonha nas tradições da oralidade? Um silêncio programado bem arquitetado?
Estuprar mulheres e meninas pretas, castrar homens e meninos já causam repugnância. Usar a relação de poder para submeter crianças às taras de bons cristãos, nos causa indignação ao historiar tão nefasto crime contra a humanidade.
A taxa de sobrevivência de crianças era bem pequena devido às diversas circunstâncias, a exploração das mulheres grávidas, a proibição das escravizadas em amamentarem os seus filhos, pois, o leite das mesmas era vendido pelos senhores e criou-se a história da boazinha "ama de leite", a tão louvada "mãe preta" pela sociedade branca, a subnutrição crônica, cegueira noturna, inchaços abdominais, músculos inchados, pernas arqueadas, lesões de pele, convulsões, etc. Uma parcela de sobreviventes era destinada ao trabalho braçal e outra especialmente para as taras sexuais dos senhores brancos. 
Haviam “Fazendas de Recreio” nos USA destinada a criação, compra e venda de crianças para o uso sexual de homens brancos. 
Em outros locais existem relatos de homens e crianças forçadas a ter relações sexuais com homens brancos. Diversos casos são conhecidos de padres “comedores” de meninos no Brasil Colônia e Império,mais perigosos do que os bichos-papões "comedores" de crianças contados pelas antigas pretas. Quantas crianças foram abusadas sexualmente pelas missões cristãs no continente africano? Quantas crianças foram violentadas na escravidão?
Na história da escravidão no Brasil, houve um período, no qual, as meninas pretas e virgens foram estupradas por homens brancos doentes, porque se criou a mentira descarada de que a cura da sífilis ocorria após essas relações. 
Gilberto Freire relata em seus livros a iniciação sexual dos filhos dos senhores com escravizadas (estupros das meninas pretas) e das “brincadeiras” dos “moleques” que serviam aos “sinhozinhos” (depravados e vagabundos). Ele omite o fato dos adultos usarem sexualmente a molecada. Relatos do estupro coletivo as crianças pretas não são detalhadas nos seus escritos. Aliás, não há conflitos na sua visão, uma verdadeira democracia racial (com crianças pretas usadas sexualmente).
Atualmente o tráfico de crianças pretas na África para escravização sexual continua, feita por árabes muçulmanos.
Há milhares de relatos de abusos sexuais de crianças e adolescentes africanas e afro-americanas por tarados ocidentais. 
O crime continua!

domingo, 11 de setembro de 2016

CASTRAÇÃO NA ESCRAVIDÃO





Por Walter Passos,
Teólogo, Historiador, Poeta, Pan-africanista e Afrocentrista






Muito se comenta sobre as covardes violências sexuais aplicadas as mulheres na escravidão. O estupro foi à marca indelével das violações aos corpos das mulheres pretas praticados pelos senhores , feitores e escravizados reprodutores.
Os escravizados foram vítimas de violências sexuais e mutilações horrendas e não foram casos isolados. Milhões de africanos foram castrados na África, Europa, Ásia e nas Américas por cristãos e muçulmanos e sobre esse horrendo crime que vamos ventilar neste artigo. 
As punições poderiam incluir a mutilação, a castração ou a amputação de alguma parte do corpo. A castração foi uma das mais revoltantes impostas aos escravizados nas Américas como punição aos "crimes sexuais" contra as mulheres brancas e as fugas.
Os historiadores brancos não se preocupam em relatar sobre os escravizados usados por mulheres brancas para fins sexuais e muito menos a pedofilia de padres e senhores tarados por meninos pretos escravizados.
Há relatos na literatura brasileira de castrações em escravizados. Exemplo de RECURSO MACABRO – Castrado na Roça de Estórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso. Seleção de Regina Lacerda
- De fato, como havia planejado o coronel, o fogo atingiu, as palhas. O pobre coitado tentou, cuidadosamente, cortar as voltas do arame, mas teria melhor sorte se lhe dessem, em vez de faca, um alicate. As labaredas devoravam a cobertura e as paredes de palha. Um calor tremendo infernava o interior.
O Raimundo tinha dois caminhos a seguir: o suicídio ou desfazer-se dos elementos da procriação. Para não se matar tinha dois motivos: o da religião e o da covardia. Do primeiro êle estava livre, pois desconhecia isto; o da covardia privava-o deste ato.
Quando o fogo já lhe tostava os pêlos, fechou os olhos e apartou-se do amarrado, usando a faca.
* * *
Fez êle mesmo, por muitos dias, os curativos com cinza de fogão, urina e fumo de rolo. Ficou muito acabrunhado, vagando pelo mato, combatendo as moscas varejeiras.
Não se alimentava.
Perdeu, em pouco tempo, a razão e tomou as proporções de um porco bem cevado.
O pobre eunuco ganhava dinheiro, comida, pinga e fumo, mostrando o sinal para os outros, rindo e babando sempre.
- “O comendador entrou aqui com 2400 escravos de serviço, que eram escravos bantos, esses eram homens castrados, destinados ao serviço”, começa a narração da guia, a herdeira Adélia”. 
O MANEJO E REPRODUÇÃO HUMANA NA FAZENDA SANTA CLARA - Por PAMELLA CHICARINO
Nos Estados Unidos há diversos casos de castração praticados por cristãos batistas e que os membros das igrejas concordam com essas atitudes:
- “ Mas um episódio de castração de escravizados levou o questionamento entre membros e os líderes em uma Congregação Batista na Carolina do Sul em 1710, sobre um membro que tinha castrado um fugitivo. Alguns dos líderes da igreja explicaram que cumprir a lei impediria "vadiagem, furto, roubo, insurreições e ultrajes" pelos escravizados. Uma vez que os pretos eram “rudes, cuja natureza exigia uma mão mais rigorosa”.
Estima-se que os muçulmanos nos treze séculos de tráfico de africanos castraram 80% dos escravizados os quais sequestraram para o chamado “Oriente Médio”. 
“'O Califado em Bagdá no início do século dez tinha 7.000 eunucos (castrados) africanos. O tráfico de escravizados feito pelos árabes baseava-se na venda de homens castrados. Os meninos pretos na idade de oito a doze tiveram os escrotos e os pênis completamente amputados. Cerca de nove em cada dez sangraram até a morte durante o procedimento, mas, o preço elevado por eunucos no mercado do tráfico fez a prática rentável”.




















Tanto os cristãos (senhores) castravam os escravizados rebeldes como ato de tortura e punição e os muçulmanos árabes consideravam a castração necessária para eunucos trabalharem perto das mulheres árabes nos haréns. Somente assim eram considerados dignos de confiança após perderem a masculinidade.

"Enquanto a Mutilação Genital Feminina (MGF) envolve a remoção horrível da genitália exterior que não permite as mulheres de sentir prazer sexual, a castração de escravizados foi um procedimento muito mais horrível e mortal".
Remoção completa do pênis e testículos sem anestesia. O processo foi muitas vezes feito através da remoção de todos os órgãos genitais externos em um corte, resultando em grande perda de sangue, e na maioria das vezes a morte".

A castração eliminava toda a possibilidade de procriação de mais escravizados, o que significava que os muçulmanos viajaram de volta a África para sequestrar mais e mais, assim, o sequestro de pelo menos 28 milhões de africanos e propositadamente ou acidentalmente matando cerca de 112 milhões.
Não dá para quantificar as dores físicas e psicológicas de milhões de africanos. Os traumas por toda uma existência. 

A escravidão e castração de africanos ainda não terminou pelos árabes. Acredita-se que ainda milhões de africanos ainda vivem sobre regime de escravidão dos árabes.
Paro por aqui, apesar de ser historiador não sinto mais vontade de escrever sobre isso.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O PASTOR APAIXONADO




Por Walter Passos,
Teólogo, Historiador, Poeta, Pan-africanista e Afrocentrista







Ouço comentários todos os dias que as religiões de matrizes africanas são “redutos” de homoafetividade. Essa afirmação é verdadeira ou mais uma forma de tentarem com o machismo discriminarem a reverencia a nossa ancestralidade? A homoafetividade pode ser proibida por filosofia ou opção religiosa?

Conheci diversos estudantes de teologia homoafetivos e pastores de diversas denominações do protestantismo histórico, pentecostais e neopentecostais. A homoafetividade ainda é um grande tabu na nossa sociedade. Não vou emitir opiniões sobre as determinações de religiões, apenas os sofrimentos de pessoas homoafetivas que sentem necessidade de continuarem no cristianismo ou no islamismo e pagam o preço por suas opções religiosas.
O escritor Adam Clayton Powell Jr escreveu na revista Ebony de novembro - 1951 sobre um fato ocorrido no ano de 1920 em uma cidade não informada dos USA. O pastor de nome não citado o qual ficou angustiado com a morte do seu jovem assistente (provavelmente pastor auxiliar) o qual ele considerava bonito e belo macho.
“Descrevendo o funeral, Powell enfatizou a voz do pregador trêmula, seus olhos encharcados de lágrimas, seu corpo tremendo, e sua tentativa de saltar para a sepultura com o caixão”.
Conforme Powell o reverendo soluçava amargamente pela perca do seu amante, relembrando os diversos anos de convivência. O fato interessante era o conhecimento da comunidade religiosa sobre o relacionamento amoroso desses dois líderes cristãos.
Segundo Powell “Toda a comunidade sabia sobre ele, no entanto o ministro era e é hoje um dos mais poderosos e ' respeitáveis ' pastores pretos em toda a América”. 
O que a caríssima ledora e ledor acham desse fato? É correto as igrejas cristãs proibirem a homoafetividade enquanto diversas lideranças e membros de ambos os sexos praticam essa forma de amor?


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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A BONECA ABAYOMI - INVENÇÃO OU VERDADE HISTÓRICA?







Por Walter Passos, 
Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Poeta





Há certos relatos históricos não possuidores de comprovação documental e oralidade, consequência de infelizes hábitos de se criarem mitos da escravidão. A história preta tem sido uma ciência vilipendiada, forjada de mentiras e apropriada pelos eurocêntricos.
As pessoas estão acostumadas a “diagnosticar” estórias. Compreensível no mudo virtual em comunidades onde as pessoas escrevem ao bel querer sem responsabilidade para um grupo desinformado-desinteressado ou desconhecedor das metodologias da história. A Prova é: eu acho e acabou... As comprovações documentais não são consideradas.
Na história brasileira há uma tentativa de se fazer engolir uma pseudo supremacia nagô (Yoruba) em detrimento aos bantus. Mais uma artimanha de pesquisadores brancos como Pierre Verger e outros que criaram o mito da superioridade Yoruba. Os brancos tentam nos ensinar sobre a nossa história e religiosidade. Eles são engraçados! Felizmente, a população preta tem questionado essa tática caucasiana de criar celeumas entre o nosso povo e estamos aprendendo a respeitar as diversas influências africanas nas nossas vidas.
Na década de 80 do século passado se criou uma história irreal sobre as bonecas que vi na minha infância, as quais minha mãe e minha tia aprenderam das mais antigas e confeccionavam para as meninas brincarem de mamães ou fazerem teatrinhos. Nunca ouvi o nome dados atualmente: abayomi (A palavra Abayomi significa: encontro feliz, ou encontro precioso, aquele que traz felicidade e alegria).


“Quando os negros vieram da África para o Brasil como escravos, atravessaram o Oceano Atlântico numa viagem muito difícil”. As crianças choravam assustadas, porque viam a dor e o desespero dos adultos. As mães negras, então, para acalentar suas crianças, rasgavam tiras de pano de suas saias e faziam bonecas com elas para as crianças brincarem. Essas bonecas são chamadas de Abayomi”.
Não nego a importância do trabalho de Waldilena Martins e muito menos a influência dessas confecções na releitura das novas bonecas de pano na autoestima do nosso povo.. Questiono o nome ABAYOMI. “As crianças choravam assustadas, porque viam a dor e o desespero dos adultos”. As mães negras, então, para acalentar suas crianças, rasgavam tiras de pano de suas saias e faziam bonecas com elas para as crianças brincarem. Essas bonecas são chamadas de Abayomi.
Bonecas foram brincadeiras de crianças em Kemet (Antigo Egito) em Mohenjo daro, Harappa e em todas as civilizações.
Algumas questões precisam ser discutidas:
1- Os interesses dos traficantes em África.
2- A quantidade de homens e mulheres e crianças (gênero)
3- O transporte dos prisioneiros de guerras (alimentação, vestimentas, doenças, como ficavam aprisionados, etc..).
3.1 Como eram alocados, homens mulheres e crianças.
4- Qual era a taxa de sobrevivência
5- Quando começou o sequestro dos povos da Costa de Benin em direção ao Brasil
Outras questões poderiam ser ventiladas para uma discussão mais aprofundada. Não sendo necessário. O mito de que foram mulheres Yoruba que rasgavam as saias dos vestidos em navios do desespero não pode ser comprovado e não existe esse nome para bonecas pretas em nenhuma tradição africana nas Américas. Foi um mito criado na década de 80 do século passado no Brasil.
Evidente que as primeiras bonecas de pano a serem criadas no Brasil foram de tradição bantu. Isso é inquestionável. Os nomes dados? Perderam-se na história.
A confecção de bonecas de panos foi um fato corriqueiro para brincadeiras das meninas em toda América Africana.
Inclusive no Sul dos USA na época da escravidão as mulheres pretas confeccionam bonecas de duas cabeças (topsy-turvy doll) (boneca de pernas para o ar) em vez de pernas, outra cabeça que poderia ser escondido sob a saia da boneca. Uma cabeça e um conjunto de braços seriam brancos; os outros seriam pretos, os senhores de escravizados não queriam que as crianças pretas tivessem bonecas porque davam uma ideia de empoderamento.
"Quando o senhor de escravizados ia embora, as crianças tinham o lado preto, mas, quando o senhor de escravizados estava por perto, elas tinham o lado branco”.


O nome dado as bonecas na década de 80 do século passado, nós a chamávamos de “boneca de pano”, inclusive em Salvador/Bahia, antigamente havia bonecas de panos brancos nas mãos de meninas pretas.
O que não podemos conceber é o Nagocentrismo ou Yorobofolia. Quando vou à roça de candomblé, é uma casa ketu (nagô), mas, a verdade histórica está acima das tradições familiares e escolhas pessoais.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O RESPEITO AO IDOSO NO CRISTIANISMO E NAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA



Por Walter Passos, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Poeta
Nesses dias andando por certa rua, uma senhora com mais de 80 anos de idade reclamava do mesmo modo que a minha falecida mãe sobre o abandono de irmãos, irmãs e líderes religiosos os quais não a visitavam. 


A minha mãe abandonou o modo de cultuar o Criador conforme ensinamentos dos ancestrais e permitiu ser convertida a religião eurocentrada (protestantismo calvinista), sofrendo todas as formas de discriminação racial por ser preta e baiana, comungando a sua fé no cristianismo em uma cidade do Rio de Janeiro. A minha mãe sentiu-se abandonada já em Salvador da presença dos chamados “irmãos e irmãs” de fé. 

O cristianismo desenvolveu uma concepção antibíblica de abandono dos seus idosos e doentes, de falta de respeitabilidade aos mais velhos. Não conheço relato bíblico de abandono dos ancestrais no Tanach, é triste ouvir dessas pessoas que só possuíam valor quando contribuíam financeiramente. Realidade antagônica aos cultos afro-brasileiros ou de matriz africana, fica ao gosto da ledora e do ledor essa conceituação.
A civilização ocidental possui um hábito de colocar os seus pais, tios, tias e avós em asilos porque eles atrapalham a vivência familiar. Na verdade, uma forma de se livrar do idoso, agora considerado um entrave para o bem da família. Esses fatos são utilizados por membros de igrejas. Evidente, o cristianismo é branco apesar de certas igrejas possuírem quase 100% de membros pretos. O que impera é a concepção europeia de vida e falta de amorosidade aos mais velhos.
São duas concepções de vida:
1- A branca cristã que ojeriza os idosos e não possuem tempo e
2- A africana que respeita os idosos e possuem todo o tempo porque sem idoso não tem ancestralidade.


Nos cultos afro-brasileiros ou de matriz africana só podem existir com a presença dos mais idosos, porque eles que transmitem o conhecimento e quanto mais idoso, mais sábio e digno de maior reverencia.
Eu gosto de ir ao candomblé pedir a benção aos mais velhos, sinto-me honrado quando uma senhora ou um senhor conversa comigo ensinando-me sobre a vida, sobre as energias, sobre a cosmologia africana. 
Infelizmente, muitos pretos catequizados e convertidos se voltam contra os seus antigos e amaldiçoam a sua ancestralidade para serem bem vistos pelos seus líderes brancos ou líderes pretos embranquecidos.
Acredito que o temos de aprender com os cultos afro-brasileiros ou de matriz africana a forma de tratar os que nos deram a vida e transmitiram os genes abençoados oriundos da África mãe.
Um texto despretensioso só para reflexão.

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias