sábado, 5 de abril de 2008

DIFERENÇAS DE EVANGÉLICO PARA PROTESTANTE


Osvaldo Freitas de Oliveira Júnior, Bacharel em Teologia e Pós-graduando em Teologia e Cultura pela Faculdade Batista Brasileira.

INTRODUÇÃO
Hoje é comum se ver discursos e associação do termo protestante ao termo evangélico, o qual historicamente não seria de todos errado, se não fosse pelo fato da maioria esmagadora das igrejas intituladas evangélicas atualmente terem abandonado e até mesmo estarem se opondo aos princípios das primeiras igrejas assim intituladas.
As primeiras igrejas que estavam associadas ao titulo Evangélico foram as igrejas surgidas com a Reforma e que tinha como pilares os seguintes dizeres: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria, Solus Christus.
Esses princípios da Reforma foram esquecidos e distorcidos pelos movimentos e igrejas modernas que se tornaram espécies de “fast-foods” para alma, como suas “orações de Jabez” e “fortes”, promessas, “correntes”, campanhas -algumas que chegam a propor “desafios a Deus”; e objetos milagrosos, bem como o resgate do xamanismo e animismo.
Não estou querendo defender um anacronismo e um padrão frio e contrário a presença da emoção, alegria ou prazer na celebração, missa ou como quer queiram chamar o culto, mas sim, um resgate aos princípios esquecidos que caracterizaram a Reforma e o Protestantismo.
Para tanto se faz necessário explicar e comentar os pilares mencionados anteriormente, para que vejamos o quão distante das primeiras igrejas da Reforma, a maioria das igrejas atuais, se encontra a ponto de podermos considerar a titulação evangélica como algo diferente e não sinônimo de protestante.

Sola Scriptura
Somente a escritura – pilar que afirmava que a Bíblia era a fonte de Revelação suprema para as comunidades cristãs, que não deveria ser permitido à Igreja fazer doutrinas fora dela, ainda que baseadas em supostas revelações pneumáticas.
Diferente de alguns que são cessacionistas – que crêem no cessar dos dons ou carismas espirituais; não iremos “decretar” o fim dos mesmos, mas que toda e qualquer experiência de um cristão deve ser submetida e julgada a luz da Bíblia e não aceitas apenas por considerá-las como experiências tidas como a relação com o poder e ou próprio Deus. Mas, hoje na prática o que acontece é que tudo o que se é pneumaticamente revelado, ainda que contrário e ou não fundamentado na Bíblia, é aceito e tomado como verdade dentro das igrejas. Não se faz mais uma análise do que foi dito ou supostamente revelado como no exemplo bíblico que temos da igreja de Tessalônica, que analisava a luz das Escrituras tudo o que buscavam ensiná-los, nem dos fenômenos atribuídos ao Espírito Santo.
Pois isso é comum vermos hoje a busca e a retomada da figura do profeta nas igrejas, mas diferentes dos da Bíblia não pelo seu lado denunciador dos erros da igreja e da sociedade religiosa, mas pelo lado da vidência, tornado os que são tidos como profetas em verdadeiros guias e gurus espirituais, dentro das comunidades cristãs.

Sola Gratia
Somente a Graça, afirmava e baseava-se nos ensinamentos de Paulo que a salvação é resultado da ação da graça de Deus. E é neste ponto hoje que vemos discussões e retomada de idéias que iam contra a dos reformadores que tinham nesse tocante ao principio monergístico da regeneração.
Faz-se necessário então explicarmos e falarmos um pouco mais sobre essa forma de entendimento da regeneração do homem, que se baseia na totalidade da salvação creditada e promovida unicamente por Deus através da ação do Espírito Santo, sem interferência ou merecimento humano, que não possui inclinação ao bem ou santidade até ser regenerado, portanto não podendo ser cooperador do processo de regeneração e salvação. Tendo-se, portanto, um processo e visão teocêntricos da salvação.
Atualmente no meio evangélico tornou-se difundida a idéia contraria a esse princípio, predominando as idéias de regeneração sinergística, na qual o homem é cooperador de Deus no processo de salvação, considerando que o homem contém algo aproveitável e bom mesmo após a queda que lhe possibilita alcançar e ou ser merecedor da salvação. Então diferente do primeiro, o processo sinergístico apresenta um processo e visão antropocêntrica da salvação.

Sola Fide
Somente a fé, principio que está intrinsecamente ligado aos princípios monergísticos. A fé é fruto da ação da graça de Deus no homem que vai anular o pecado da incredulidade e proporcionar então a salvação, assim se harmonizando com os dizeres de Paulo, que a salvação vem por meio da fé e não por obras humanas, para que nós humanos venhamos nos gloriar pela obtenção da mesma. Assim, podemos afirmar que para os reformadores e Paulo, não existia nada que o homem pudesse fazer que lhe permitisse a apropriação da salvação.
É comum nos discursos atuais a disseminação da idéia de que o homem pode rejeitar a graça de Deus, e, por conseguinte a salvação, ou que a recebe como prêmio de suas obras, idéias essas que são contrarias as proposições dos reformadores.
Alguns evangélicos baseados na epístola de Tiago alegam que o mesmo coloca as obras como instrumento de salvação, desconsiderando o contexto maior do escrito que faz crítica aos que dizem seguir o Cristianismo e não apresentava atitudes cristãs, assim, agindo de modo hipócrita e negando a validade da fé proclamada.
Vemos, portanto, que o texto de Tiago ensina a ter uma fé evidenciada na prática, não abstrata, nem apenas em discurso; Por isso ele escreve severamente que “a fé sem obras é morta”. Ora, a fé verdadeira implica em regeneração e não em continuidade dos erros cometidos sem a ação de Deus. Assim a epístola de Tiago não pode ser tomada como base para a afirmação da apropriação ou merecimento da fé ou salvação através das obras.

Solus Christus
Somente Cristo, que através da própria vida santa, morte sacrifical na cruz e ressurreição, é responsável por nossa salvação, assim como somente Ele é o detentor de toda autoridade, inclusa a espiritual, aliado aos dizeres escrituristícos de que Ele era o único homem capaz de mediar a Deus. Os reformadores que se intitulavam evangélicos, não procuravam negar a deidade de Jesus ou anular a crença Trinitária, adotando uma visão unicista,[1] mas afirmavam tal crença, justamente para reforçar a figura de Jesus-Homem, que se ofereceu em substituição aos outros homens e mulheres, promovendo assim a salvação. Afirmando então que são os feitos de Jesus, e não os nosso, que nos permite e proporciona a salvação.
Ao longo da História do Cristianismo alguns elevaram da posição de intercessor a mediador membros da “Igreja Triunfante”, atitude criticada na Reforma. Hoje vemos alguns tomarem tais atitudes em relação a tais membros da Igreja Militante. Tornou-se comum ver pessoas irem atrás de um determinador pregador por considerarem ele como “homem de Deus”, detentor de um “ministério abençoado” que vai conseguir convencer e converter alguém que ainda não crê, ou realizar algum feito sobrenatural que vai confirmar tal poderio e autoridade para estes seguidores. Resgatando as idéias combatidas pela Reforma da concentração da autoridade e sacerdócio exclusivista dos lideres religiosos instituídos pela Igreja Católica Apostólica Romana; bem como a sujeição incondicional do apóstolo representada na figura do papa e seus subordinados componentes do clero. Vemos, então, o resgate dessas idéias nas igrejas evangélicas com os seus “apóstolos” e movimentos que produzem um sistema piramidal nicolaísta, semelhante ao criticado promovido por Roma antes da Reforma.
O Evangelicalismo, então, descarta não apenas o Solus Christus como também as postulações acerca do “sacerdócio universal dos crentes”, transformando seus lideres em gurus e guias incontestáveis, passando a serem vistos como pessoas que teriam alcançado um estado de nirvana, iluminação ou santificação transcendente aos outros que são apenas membros da igreja. Pelo menos é o que podemos observar na prática a visão que se faz acerca desses lideres que se intitulam como “apóstolos” modernos, principalmente com os que não se contentam apenas com a tradição do Cristianismo, antes, rejeitam e adotam posturas judaizantes.

Soli Deo Gloria
Somente a Deus seja a Glória, algo que já não mais acontece na pratica como podemos observar, pois a gloria e o credito de conversão ou qualquer outra coisa proveniente de Deus é dividida com os homens. Hoje as pregações são centradas no “eu” e como este pode manipular a Deus, para que este venha realizar e tornar real os desejos e ambições do “eu” (homem). Desafia-se, determina-se e faz o que se quer para conseguir que Deus faça as coisas os papeis se inverteram Deus deixou de ser o Kurios (Senhor Absoluto) e passou a ser o servo.
E a idéia de um Deus “que faz tudo conforme o conselho da Sua vontade" (Dn. 4; Ef 1:11) e para o seu próprio louvor, vai sendo deixado de lado.

Conclusão
Portanto feita essa diferenciação entre os evangélicos atuais e os da Reforma Protestante, não há mais como ainda se utilizar tais termos como sinônimos.
Os princípios dos evangélicos atuais já não são mais os mesmos dos reformados, estes aos quais se aplica corretamente a classificação protestantes. Os princípios e idéias que pudemos notar são fruto de princípios oriundos do movimento dos fundamentaisnorte americano, que é posterior a Reforma, que resignificou e buscou se afastar de qualquer coisa que remeta a Tradição, assim negando até mesmo as idéias herdadas da Reforma e abraçando outras que foram condenadas pelos reformadores e veio originar um conjunto teológico e doutrinário classificado como Evangelicalismo.

REFERÊNCIAS
BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo pentecostal. Tradução de João Ferreira de Almeida. CPAD, 2005. 2030 p
CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2006
CALVINO, João. As Pastorais. São Paulo: Edições Paracleto, 1998.
Monergismo. [S.l.]: [s.n.], 2006. Disponível em: <http://www.monergismo.com/monergismo.htm>. Acesso em: 01 dez. 2006.
[1] Que acredita na unitariedade da pessoa divina, sendo Pai, Filho e Espirito Santo não apenas o memso Deus como a mesma pessoa que se apresenat de maneiras diferentes.
[2] Grupo dos crentes que não se encontram mais vivos conoscos, mas vivos com Cristo, portanto triunfando com este sobre a morte.
[3] Grupos dos crentes que se encontram conoscos e militam pela implantação do reino de Deus.
[4] Movimento que originou o termo fundamentalismo.

Um comentário:

Farao disse...

Nossa cada dia melhor ,estes texto nos da confiança que se continuarmos ,vamos chegar a onde queremos , E sim nos meus estudos vejo muitas mulheres negras em cragos poderozisimos , veja Nefetiti,as rainha aschanti ,as famosas Candaces que gostaria muito que um dias voçês fizesem um artigos sobre estas mulheres que pela mitologia eram o ventre da Humanidade .acho so o que falta e nossa menias saberem que elas não precisão sonha em ser rainhas Europeias ,mais sim Rainhas negras !Parabeis

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