sábado, 13 de outubro de 2007

A MARCA DA CRUZ: BENÇÃO OU MALDIÇÃO PARA O AFRICANO?

Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke

O apóstolo Paulo disse: “Levo no meu corpo as marcas de Cristo” (Gal. 6:17). Afirmação que tem criado diversas interpretações por diversos grupos cristãos e teólogos.
A Cruz é contestada pelas Testemunhas de Jeová como um símbolo de origem “pagã”. A conotação de paganismo historicamente é bem diversa do que possamos imaginar, sendo repetidos erros através da história e ainda hoje na interpretação etimológica da palavra “pagã”. No Primeiro Testamento, os pagãos são os caucasianos, idéia esta continuada no Segundo Testamento. Sendo um dos temas que será abordado detalhadamente no curso que será ministrado em dezembro pelo Prof. Walter Passos e Prof. Ademário Brito, em Salvador-Bahia.
A cruz em que foi assassinado Yeshua (Cristo) pelos romanos tornou-se um símbolo para a Igreja, como sinal de identificação e até de veneração. A igreja Católica e as Reformadas usam a cruz dentro dos seus templos e ultimamente Igrejas Pentecostais e Neopentecostais que antes não a aceitavam tem modificado a concepção e já as vemos ornamentando templos.
A cruz cristã, após ser apropriada pelos europeus, tornou-se o símbolo da morte e da dominação na conquista de regiões africanas, americanas, asiáticas e oceânicas. Conquistar, escravizar e cristianizar.
Na África as civilizações européias dividiram os lucros da escravidão e colonização com a Igreja Católica Apostólica Romana, tendo essa se beneficiado com as pilhagens e mortes de milhões de pessoas. A cruz era a marca da posse e a marca da morte. Nos portos de Gorée, São Paulo de Luanda e outros quando os africanos eram seqüestrados e presos para o tráfico eram marcados a ferro e brasa com o símbolo da cruz e batizados iniciando o processo de cristianização forçada para povos que não eram cristãos. A cruz tornou-se assim para muitas civilizações africanas o significado do perigo, da destruição, da escravização e da pilhagem feitas pelos caucasianos europeus e suas civilizações que em nome de um deus mercantilista sangrou o continente africanos e seus filhos e marcaram os seus corpos como propriedade e aceitação forçada de uma nova fé, de um novo nome e de uma maldita vida.
Enquanto esses fatos ocorriam em outras regiões africanas à cruz era e é um simbolismo de fé e uma identificação com Yeshua.
Em meados do século 1°, após pregar no Continente Africano, pelo Egito, Marcos ergueu sua igreja em Alexandria. Daí a cidade ser considerada a Sede da Igreja São Marcos Copta Ortodoxa. A Igreja Copta Egípcia é uma organização cristã mais antiga que a Igreja Católica Apostólica Romana e hoje tem cerca de nove milhões de egípcios, e surgiu bem antes do Islamismo, sendo seguidora de Yeshua há quase 2000 anos, como mais uma prova viva do Cristianismo de Matriz Africana.
Os Zebaleens, um grupo 40 mil Egípcios Cristãos Coptas, vivem jogados na periferia de Cairo, em quatro comunidades, em que Moqattam é a principal, com cerca de 30 mil habitantes, sobrevivendo com o único trabalho permitido: a coleta de lixos, provenientes de 20 milhões de habitantes de Cairo. São crianças, jovens, mulheres, homens e idosos sobrevivendo com ganhos em média de um dólar por dia e sem nenhuma assistência oficial ou remuneração do governo local. O trabalho dos Zebaleens é visto como o mais desprezível possível na sociedade egípcia, especialmente por causa da criação de porcos, animal considerado impuro no islamismo, cuja concessão foi permitida como mais um símbolo de humilhação.
Eles marcam seus pulsos voluntariamente com a cruz de Cristo, como forma de orgulho e oposição, como uma marca indestrutível de sua identificação com sua comunidade e igreja vítimas de um violento genocídio silencioso, essa minoria copta, carrega nos seus corpos a marca do Cristo.
O deturpado uso da Cruz ainda hoje é empregado nas missões para sangrar e amaldiçoar o continente africano, como também seus descendentes na diáspora, transformando e negando seu verdadeiro e maior simbolismo: o sacrifício de Yeshua para remissão dos pecados e união do povo preto sob o Cristianismo de Matriz Africana.

2 comentários:

Melk disse...

Gente isso e muito profundo, a Igreja Copta e mais antiga do que a Igreja catolica, porque a Igreja Protestante não seguiu a Igreja Copta ?
Muitas coisas serão descobertas neste tempo....
Achei a materia otima irmãos...
Sou o Melquisedeque, amido de vocês pelo orkut...
To muito impactado com essa materia, a verdade tem que ser colocada aqui, mesmo que doa a muitos....

Q.G. disse...

mais informações sobre a CULTURA AFRICANA... , IGREJA ORTODOXA COPTA ETÍOPE e RAPATRIAÇÃO...:
acesse:
www.black-king.net

e saibam mais sobre o REI q foi Coroado na ETIÓPIA... saibam mais sobre o Sumo-Sacerdote de MELQUISEDEK

JAH BLESS

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias