quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Malcolm X


Por: Aidan Dudu Labalãbã. Este é o meu pseudônimo, o qual escolhi por não aceitar os nomes dados pelo escravizador. O meu nome pela língua imposta pelos brancos é Vanessa e sou membro da Igreja Presbiteriana Unida, em Salvador-Bahia e Tesoureira do CNNC/Bahia

"As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram as que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos.” Malcolm X

Falar de cinema preto é maravilhoso, especialmente como uma jovem preta, pobre e cristã, vivendo em uma sociedade racista que, desde pequena, meus pais ensinaram-me a resistir. Tenho o privilégio de comentar um dos melhores filmes que assisti, diversas vezes, aqui em casa. O filme que marcou profundamente a minha vida nesse meu pouco tempo de existência foi Malcolm X, de Spike Lee. Tenho atualmente 18 anos de idade e o filme ajudou-me a ver, por outro lado, o sistema social discriminatório com o qual sou obrigada a conviver. E descobrindo assim que a problemática do povo preto é mundial. Seja aqui ou nos Estados Unidos, somos vítimas do racismo branco. Por isto estou iniciando os estudos do pan-africanismo e me considero uma africana no Brasil.
O Filme “Malcom X” foi produzido por um dos maiores cineastas pretos do mundo, Spike Lee, em 1992, tendo no elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Albert Hall, Al Freeman Jr., Delroy Lindo, Spike Lee e Theresa Randle. Spike Lee produziu, entre outros filmes, She's Gotta Have It (1986), Faça a Coisa Certa (1989), Febre da Selva (1990) e Mais e Melhores Blues (1991).
No filme, Spike Lee retrata a vida de Malcolm Little, que tem uma vida igual à de muitos pretos no mundo, mas com um desejo incomum e deturpado: de se parecer com o homem branco, de possuir a mulher branca, de se descaracterizar fisicamente e espiritualmente, possuindo os seus apetrechos, jeitos e trejeitos, até torna-se pior do que seu espelho: o homem branco.
No decorrer do filme observamos o avanço e tomada de consciência de Malcom, após ser preso e conviver com os seus próprios pesadelos e encontrar-se consigo mesmo através da Nação do Islã. Mudou o seu nome para Malcom X, porque os sobrenomes que temos foram colocados pelos senhores de escravizados, pois a letra X é uma incógnita nos estudos das áreas exatas.
Após a saída da prisão, Malcom X é um outro homem, com um discurso realista sobre o cotidiano da população preta dos Estados Unidos, bem diferente dos discursos de integração de Martim Luther King.
Se você ainda não assistiu a este filme, deve fazê-lo. Porém, não só; assista-o com seu grupo de amigos pretos e amigas pretas, com a sua família, com a sua igreja, para que todos possam adquirir uma nova consciência, tornando-se pan-africanistas como foi Malcom X. Considero o pan-africanismo o modo mais eficaz de solidariedade e luta para possuirmos novamente a essência que nos tentaram tirar após o seqüestro da Mãe – África.

MALCOLM X

EUA - 1992 - Drama - 192 minutos
Diretor: Spike Lee
Roteiro: Arnold Perl e Spike Lee
Direção de fotografia: Ernest R. Dickerson
Montagem: Barry Alexander Brown
Elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Albert Hall, Al Freeman Jr., Delroy Lindo, Spike Lee e Theresa Randle
Distribuição: Universal Pictures

Um comentário:

Hanka disse...

COMO A MAIORIA DOS RADICALÓIDES VC PARECE SO TER UMA VISÃO UNILATERAL A CERCA DO FILME. TENHO A IMPRESSÃO CLARA QUE SO ASSISTIU A PRIMEIRA PARTE DO FILME, SO ASSISTIU A FITA UM, COMO A GRANDE MAIORIA DOS REPRODUTORES DE DISCURSO DO MOVIMENTO NEGRO. PARTIR DO PRINCIPIO DA COMPAÇÃO NEGRA BRASILEIRA COM A ESTADUNIDENSE É O PRINCIPAL ERRO DO MOVIMENTO NEGRO. O OUTRO É PENSAR QUE A PROBLEMATICA RACIAL BRASILEIRA SO IRA SE RESOLVER A PARTIR DOS CHAMADOS AFRO-DESCEDENTES, E VOCÊ REPRODUZ O ERRO. O PROBLEMA RACIAL BRASILEIRO PERTENCE A TODOS OS BRASILEIROS, NEGROS OU NÃO. POR ISSO ASSISTIR O FILME É NECESSARIO SIM, COM NEGROS E BRANCOS. QUANTO AOS EUA, MALCOLM PERCEBEU ISSO TAMBEM. ASSISTA O FILME NOVAMENTE SEM SENTIMENTALISMO. SE FOR CAPAZ.

HANKA NOGUEIRA

LUZ E FORÇA

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