sábado, 21 de maio de 2011

OS CONFLITOS DE BETA ISRAEL COM OS CRISTÃOS ETÍOPES – PERSEGUIÇÃO MILENAR AOS HEBREUS NA ETIÓPIA.



Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos.

É deveras complicado para muitas pessoas entender as interpretações histórico-religiosas sobre a Etiópia. O desconhecimento das populações do Vale do Nilo proporciona uma historiografia e analises étnico-sociais duvidosas, obtusas e confusas difundidas por escritores e pensadores eurocentristas, acadêmicos pretos, estudiosos religiosos e grupos afro-americanos.

Durante toda história etíope, advieram diferentes interesses econômicos que conseqüentemente geraram conflitos pelo poder político, tais conflitos alteraram a tradição oral e as concepções do sagrado. São distintas cosmovisões anacrônicas em um mesmo território e sempre estiveram em conflito, apesar de no primeiro olhar parecerem estar entrelaçadas. Sendo assim, é muito importante a compreensão desses ethos pelos afro-diaspóricos, principalmente os grupos que se utilizam daquela ancestralidade na fundamentação de seus posicionamentos filosóficos e religiosos.

A Etiópia, décimo maior país da África em extensão territorial, abrange cerca de 1.138.512 km² e principal constituinte da região conhecida como Chifre da África. É limitada a norte e a nordeste pela Eritréia, a leste por Djibuti e Somália, a sul pelo Quênia e a oeste e a sudoeste pelo Sudão.
A Etiópia é conhecida por suas medalhas de ouro olímpicas, igrejas esculpidas em rochas, o lugar onde se originou o grão de café e por ser um dos locais descritos pela ciência como origem dos primeiros seres humanos.

Há cerca de 80 diferentes grupos étnicos na Etiópia, os dois maiores são: Oromo e Amhara, ambos falam línguas afro-asiáticas. O grupo Oromo (Galla) é aproximadamente 40% da população e concentra-se principalmente na parte sul etíope. Os grupos Amhara e Tigrean correspondem a 32% da população e tradicionalmente dominam a política etíope. O grupo Sidamo vive nos sopés ao sul e nas regiões de savana correspondendo a 9%, enquanto o Shankella compõe cerca de 6% da população e residem na fronteira ocidental. O somali (6%) e Afar (4%) habitam as regiões áridas do leste e sudeste. Os povos do Nilo vivem no oeste e sudoeste ao longo da fronteira do Sudão. O Gurage representam 2% da população, e 1% restante é composto de outros grupos. O Beta Israel (chamados pejorativamente de Falashas e conhecidos como "judeus negros") vive nas montanhas de Simen e atualmente são cerca de 4.500 pessoas, isto porque a maioria dos 140 mil migrou para Israel. Outros grupos minoritários como os Beja vivem na região norte, o Agau no planalto central, e o povo Sidamo na encosta sul e regiões da savana são os remanescentes dos primeiros grupos que habitaram a Etiópia.


FACES OF ETHIOPIA



Entre os diversos grupos que formaram a história etíope, dois nos dão subsídios ao que desejamos pontuar: Beta Israel e os membros da Igreja Ortodoxa Etíope (Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, que se compõe pelas diversas etnias). E, na Afro – América, os seguidores da filosofia Rastafari que tem como referencial e utopia a Etiópia, pátria espiritual do movimento religioso Rastafari.

Logo, ressalto que não há pretensão em um artigo de um blogger escrever uma tese. O principal objetivo deste texto é iniciar uma discussão para entendermos melhor estas diferenças no território etíope, as causas e conseqüências do exílio dos hebreus de Beta Israel, a formação do cristianismo ortodoxo e a referencia da história etíope por grupos afro-americanos.

BETA ISRAEL

Beta Israel (Casa de Israel), erroneamente chamados de Falashas (estrangeiros), é formada por hebreus que saíram de Israel a milhares de anos atrás e depois de varias migrações se instalaram nas montanhas de Gondar na Etiópia, tendo como referência a terra dos seus ancestrais (Israel), sabedores que não pertencem originariamente ao território etíope.


IGREJA CRISTÃ ETIOPE

A Igreja Cristã Ortodoxa Etíope surge no século IV com a conversão do rei Ezana de Axum, foi um dos mais influentes e poderosos impérios mundiais e um dos primeiros a instituir o cristianismo como religião oficial de Estado. Saiba mais lendo o artigo: AXUM - AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS NA ETIÓPIA


Ethiopian Orthodox Church Song




RASTAFARI

A filosofia rastafari é pan-africanista, oriunda da interpretação de uma revelação do grande líder Jamaicano Marcus Garvey, tornando-se conhecida internacionalmente a partir da década de 60 do século passado, tendo como um dos principais objetivos a repatriação dos africanos nas Américas. Como disse, a Etiópia é a pátria espiritual do movimento religioso Rastafari.

Como vimos, são períodos linearmente diferentes que em certo momento na história se encontram: o Mosaismo de Beta Israel e o Cristianismo de Ezana criando conflitos de poder, perseguições e no século XX exílio para o primeiro grupo. Por outro lado, o Movimento Rastafari surge após a escravidão nas Américas, intimamente ligado à história da Igreja Cristã Etíope.

Os rastafaris que tem como um dos seus princípios a genealogia salomônica descrita no livro Kebra Nagast, assim legitimam as dinastias etíopes como descendentes diretos de Menelik, filho do rei Salomão e da rainha Makeda de Sabá. Devemos atentar que o Kebra Nagast apresenta Salomão como descendente da tribo de Judá, por isso os rastafaris elegeram o imperador etíope Haile Sellasie, como o Leão de Judá, o Mashiach (Messias). Título e função não reconhecidos pelo próprio monarca, um fervoroso seguidor da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo.

Peter Tosh "Rastafari Is"



A Etiópia tem laços históricos com as três mais importantes religiões do mundo que se dizem abraâmicas. Foi um dos primeiros países cristãos no mundo, tendo adotado oficialmente o cristianismo como religião do Estado no século IV d.C. Mantêm algumas observâncias do Tora, como: a guarda do sábado, a circuncisão masculina após o nascimento e regras alimentares,entre elas, a proibição da ingestão de carne de porco. Além disso, as mulheres da Igreja Ortodoxa Etíope são proibidas de entrar nos locais de adoração quando menstruadas, cobrem a cabeça com um lenço e sentam-se separadas nas igrejas, os homens sempre à esquerda e as mulheres à direita (quando de frente para o altar).


Um importante diferencial da Igreja Etíope e de outras igrejas cristãs é a tradição de que Menelik levou a Arca da Aliança para a Etiópia. Sendo cristã compactuam com a concepção européia de um messias branco (Jesus Cristo) e não compactuam com a filosofia Rastafári sobre Haille Selassie como sendo o Messias. Na fé dos Rastas, Haile Selassie é reverenciado como Jah Ras Tafari I, o Messias, o “Cristo Negro” que ascendeu ao Trono do Rei Davi em Adis Abeba, capital da Etiópia.

Em certos escritos e vídeos alguns grupos rastafaris colocam Beta Israel como referência, causando uma enorme confusão.

Deixando essas duas linhas de interpretação da Igreja ortodoxa Etíope e dos Rastafaris, iremos nos centrar no conflito milenar entre a maioria etíope cristã e a minoria hebréia de Beta Israel. É muito importante pontuar que Beta Israel não aceita o Kebra Nagast, concomitantemente, não veio com Menelik conforme os escritos e tradição etíope. Beta Israel, segundo a sua própria oralidade, é da tribo de Dan (danitas) não são da tribo de Judá (judeus). Não aceitam a Trindade, ao contrário, são monoteístas, e tem como base de fé o Torá e o Tanach. Ignoram a tradição etíope e a filosofia rastafari. É importante ressaltar, que Beta - Israel e os hebreu-israelitas nas Américas não se utilizam do termo JAH, porque não existe no Torá e no Tanach. O nome do Eterno é YHWH e em muitos trechos do Tanach é citado como YAH.

Não confunda a tribo de Judá e a dinastia salomônica com Beta Israel que é da tribo de Dan. Não esqueçam Jacó (Israel) foi pai de 12 filhos, e originou as 12 tribos de Israel, sendo a tribo de José, dividida em duas: Mannasés e Efraim. Beta Israel e a dinastia salomônica foram para a Etiópia em momentos distintos e por razões diferentes, apesar de serem da descendência de Israel. Beta Israel não aceita como verdadeiro o cristianismo etíope.

Ressaltando mais uma vez, a história dos hebreus (Beta Israel) foi de extrema perseguição desde que o cristianismo chega à Etiópia, com as transformações da tradição oral e as novas concepções de poder criadas pela suposta dinastia salomônica. Neste sentido, no próximo artigo discorremos sobre a negação do Kebra Nagast por Beta Israel e as guerras de sobrevivência dentro da Etiópia dos hebreus da tribo de Dan (Beta Israel), enfrentando guerras violentas contra o império cristão axumita, perseguição do fascismo de Mussolini e vitimas da ditadura etíope, da guerra civil e da fome, até que fugiram retirados por tropas israelitas (askenazis), através da Operação Moisés (1984) e da Operação Salomão (1991).



Shalom!!!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

UMBANDA E O DIA 13 DE MAIO - DIA DOS PRETOS VELHOS



Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

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Walter Passos.


Recordo-me da minha infância, quando crianças pediam a benção a uma idosa da cor de ébano que calmamente andava na rua onde morava, sempre no mesmo horário:

- A Benção, Vovó!

E ela respondia alegremente:

- Que Deus te abençoe, meu netinho.

Era uma zeladora de Umbanda. A Nós não nos interessa sua religião, porque ela demonstrava carinho e amorosidade com todos na mesma medida. Também pedíamos a benção aos padres capuchinhos, por interesse de ganhar laranja, uma benção, uma laranja. Até hoje não sei como aqueles homens idosos possuíam tantas laranjas. Era um pedido de benção interesseira.

Cresci indo a diversas sessões de umbanda, acompanhando o meu irmão que era fotografo na época, e quando já adolescente para jogar capoeira, antes das chamadas giras. Foi um bom tempo e muito aprendizado da diversidade religiosa brasileira. Sempre admirei a umbanda pelas suas propagandas de caridade e ficava impressionado por um dia ter visto um hospital umbandista no bairro de Mesquita - RJ.

Certa feita, ocorreu um fato interessante. Meu pai fora um comunista convicto, admirador da Rússia, de Carlos Prestes e do Partidão. Gostava de nenhuma religião, todavia solicitou a minha mãe que confeitasse um bolo para a festa de homenagem a São Jorge, em um terreiro de Umbanda, atendendo a um pedido de um zelador que era colega dele no Cais do Porto. Meu pai se orgulhava de ver os lindos bolos confeitados pela minha mãe e alegremente construía as suas armações. O bolo para São Jorge foi um dos mais belos que eu vi na vida. Mas, senti que a minha mãe o fez e o confeitou sem mostrar a mesma alegria como naqueles que fazia gratuitamente para as festas na Igreja Presbiteriana de Queimados -RJ, aniversários, batizados e de casamentos de jovens que ela gostava.

Meu pai foi estivador e na infância aprendeu o ofício de carpinteiro. Minha mãe, na época já era presbiteriana, não gostava de comentar o seu passado no candomblé, em Salvador-Bahia. Relatava que foi convidada para ser mãe-pequena. Viveu toda a sua infância, adolescência e inicio da vida adulta freqüentando e convivendo em terreiros de candomblé. O pouco que sei, e nada sei, das cantigas e danças cerimoniais foram mostradas através da minha mãe nos momentos de paciência e recordações. Ela me ensinou que Deus era conhecido por Zambi. Não gostava da Umbanda, achava muito diferente do candomblé e as danças “sem graça”.

Quando fui estudar teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas-SP, um grande amigo me convidou para irmos a um centro de Umbanda pregar o evangelho e pela primeira vez vi a maioria dos fieis brancos. Nós entregamos folhetos na entrada daquele templo religioso, e após minutos de “evangelização” o sacerdote, um homem branco, calmo e paciente, nos convidou para entrar e falar da nossa fé. Logo em seguida, perguntou se ele podia ir ao seminário falar da Umbanda. Ficamos sem resposta, agradecemos e nunca mais tive a coragem de distribuir folhetos naquele templo.

Na década de 80 do século passado, a umbanda se transformou em estudos sociológicos dos teólogos protestantes. Apesar de contestações por estudiosos, foi considerada a religião que mais crescia; um fenômeno: a religião autenticamente brasileira.

Com o crescimento dos cultos neopentecostais e o acirramento exarcebado de ataques as religiões afro-brasileiras aumenta os episódios de intolerância religiosa, sendo a Umbanda a maior de suas vítimas. Acompanhei esse fato de perto, porque ministrei aulas de História da Igreja em um seminário da Igreja Universal do Reino de Deus, o qual foi precocemente fechado por ordens da direção.

Li um pouco da história da umbanda e sua linguagem popular que conseguiu quebrar preconceitos do espiritismo com a comunidade de descendentes de africanos. Sou a favor de toda a liberdade religiosa e de expressão, e de antemão, destaco que o cristianismo em suas diversas matizes é participe direto das mazelas do nosso povo. Fato este que a umbanda não foi.

O dia 13 de maio me traz ruins recordações: Na escola primária, todos os anos os colegas brancos e as professoras relembravam a data com sorrisos maléficos. E diziam frases como: “Agradeça a Princesa Isabel” ou “a culpa de vocês estarem aqui é da Princesa Isabel”. Eu estudei em colégios privados onde os pretos sempre foram minoria.

O dia 13 de maio é um dia festivo para a Umbanda, sendo comemorado o “Dia dos Pretos Velhos”. Abaixo, um vídeo exibido na Rede Globo em sua homenagem:

SAGRADO - Rede Globo comemora o Dia do Preto Velho - TV Globo (2011)



A mensagem trazida pelo vídeo é de amorosidade, de perdão e de esquecimento das mazelas que sofreram os escravizados no Brasil: “Destinados a todos que acreditam na humildade e no perdão”.

A escravidão dos africanos foi um crime lesa-humanidade nos conceitos atuais do direito internacional e todas as pessoas que lutam contra a discriminação racial interpretam desta maneira.

O 13 de maio é uma data controversa, poucas organizações a defendem como um dia realmente especial que merece comemorações, e historiadores proeminentes como Mario Maestri Filho já escreveu artigos sobre a importância revolucionária desta data. Por outro lado, a maioria das organizações do Movimento Negro coloca o dia 13 de maio como o “Dia Nacional de denúncia contra o Racismo”. O dia 13 de maio foi recusado pela maioria dos militantes que festejam o dia 20 de novembro, a maior data da comunidade preta, em homenagem a Zumbi dos Palmares.

A Umbanda está no primeiro grupo, tanto assim, que homenageia os “Pretos velhos” nesta data, sendo estes especiais para a existência desta religião. Achei deveras interessante, as análises feitas através da psicografia do Pai João das Almas, no site do POVO DE ARUANDA, publicado em 06 de dezembro de 2006, entre diversas informações destaco:

- A senzala era o único lugar onde o negro conseguia ser livre. Minha história de vida foi muito triste, mas aprendi muito. O sinhô era um homem muito refinado e não me tratava mal, mas a sinhá era uma mulher muito infeliz. Seu coração cheio de fel não sabia amar. Era temida e detestada. Por muito pouco mandava chicotear os escravos da senzala e o sinhô fazia todas suas vontades. Negrinhos eram afastados das suas mães, velhos escravos iam para o tronco e as escravas caseiras tremiam com as ordens da caprichosa sinhá. Eu não me queixava e jamais cultivei o ódio e a vingança. Alguns escravos odiavam os senhores com todas as forças até à morte. No plano espiritual, continuavam a perseguição perturbando os senhores com a força da magia negra e da vingança. Como é bom ser bom! Como é triste ser mau! Quantas lágrimas e sofrimentos os senhores plantaram através de suas atitudes. No entanto, todos caminharemos para a Eterna Felicidade! O caminho mais sublime é o Amor, mas alguns só evoluem através da Dor!

As palavras do Preto Velho são de extrema submissão e aceitação da escravidão, uma negação das lutas de resistência:
A senzala como local de liberdade:

A senzala era o único lugar onde o negro conseguia ser livre.

O elogio a passividade:

Eu não me queixava e jamais cultivei o ódio e a vingança.

A censura à resistência dos escravizados:
Alguns escravos odiavam os senhores com todas as forças até à morte. No plano espiritual, continuavam a perseguição perturbando os senhores com a força da magia negra e da vingança.

O senhor do escravizado sofria mais:

Pior que a escravidão os grilhões da maldade e do preconceito. Muito pior que nosso sofrimento era o peso dos pecados daqueles que oprimiam seus irmãos de cor.

Sobre o dia 13 de maio, conclui que teve uma vida sem lutas pelo povo preto na escravidão:

No dia 13 de maio, a alforria! No entanto, as lembranças marcaram minha vida para sempre. Foi minha encarnação mais proveitosa. Nessa vida de martírios, cultivei a renúncia e a humildade.

http://povodearuanda.wordpress.com/2006/12/06/pretos-velhos/

No município Rio de Janeiro se aprovou uma lei que institui o ensino de holocausto. Os judeus não esquecem e nem perdoam os crimes do nazismo. Imagine em um espaço religioso, um ancestral se dizendo judeu se manifestar como vítima das mazelas do nazismo e repetir as palavras do Pai João das Almas. Haverá uma contestação da comunidade judaica? O que você acha?

Para a maioria das organizações do Movimento Negro no Brasil no dia 13 de maio nada tem a ser comemorado, e sim, relembrar como um dia de protesto de uma abolição mal acabada, e conforme as frases do poeta Limeira: "Hábil Lição da escravatura." Para os espíritos desencarnados da Umbanda e seus seguidores juntamente com uma pequena parcela do Movimento Negro é dia de comemoração e de alegrias. Quem está com a razão?

domingo, 1 de maio de 2011

A MASSAI BRANCA – A VERDADEIRA FACE DO AMOR INTER-RACIAL


Por Aidan Foluke
,
Acadêmica de Enfermagem.
MSN: vanessasoares13@hotmail.com
Skype: aidanfoluke


Cotidianamente nos deparamos com slogans que exaltam a miscigenação racial. Há mais ou menos um mês, ouvi um pesquisador, titular de uma grande Instituição Científica, afirmar que: “Quanto mais mistura melhor. Por isso o brasileiro é forte. Nem 100% branco, nem 100% negro, mas 100% vira-lata.”

A princípio, não fiquei tão indignada com tal afirmativa, pois meus ouvidos já funcionam como “peneiras” para estas propostas maliciosas e destruidoras, principalmente porque no local as pessoas pretas eram nitidamente contadas. Mas, ao ler um Best-seller escrito por Corinne Hofmann, “A MASSAI BRANCA – MEU CASO DE AMOR COM GUERREIRO AFRICANO” e assistir ao filme tive a certeza que o sinônimo de Demônio para os povos brancos, foi palavra extremamente bondosa e caridosa do Profeta Malcolm X. Pergunto-me: Como é possível um guerreiro de um grupo africano tão resistente, os Samburu, sujar e prostituir o seu corpo e sua comunidade com uma MULHER BRANCA? Por que a comunidade Samburu aceitou este ser estranho em seu meio? Durante o filme é bastante visível os conflitos culturais e raciais que uma relação dessa espécie pode trazer sendo os relatos escritos em seu livro mais deprimentes e repugnantes.


TRAILER DE A MASSAI BRANCA


O povo Samburu é originário de Nubia-Kush e se estabeleceram ao norte do Monte Quênia e ao sul do Lago Turkana, na área do Vale do Rift, desde o século XV. Possuem uma existência de semi-nomadismo e a sua economia é baseada no pastoreio - na criação de gado, ovelhas, cabras e camelos - que representa riqueza e status. O povo Samburu celebra os nascimentos, os rituais de iniciação e casamentos com muita pompa e cerimônia. O apogeu da vida de um Samburu é o ritual iniciático à vida adulta.

Os casamentos são estruturados por uniões poligâmicas, onde um homem pode casar-se com tantas esposas que for capaz de pagar o dote. Quanto mais animais possuir, mais fácil será obter uma esposa. O dote para a família da noiva é tipicamente pago com gado. Os casamentos intra-clãs são proibidos e os casais escolhidos pelas famílias.

Falam a língua Maa, e são primos dos Massai, sendo normalmente confundidos. Os Samburu possuem uma história de resistência singular, não aceitando as imposições culturais do colonizador inglês, apesar das missões católicas e protestantes estarem presentes em suas terras, para destruir a sua cultura e dominá-los mentalmente.

Glory Outreach in Samburu


Uma das vitórias do povo samburu é manter a língua Maa e preservar as tradições dos seus ancestrais, apesar de que muitos guerreiros tiveram de participar nas tropas inglesas na 2ª Guerra Mundial e outros trabalham nas forças policiais do Quênia.

SAMBURU DANCE Vol.1


O filme de Hermine Huntgeburth deveria ser THE WHITE SAMBURU, isto é, se a mesma não desestruturasse a comunidade. O marketing europeu divulga os massai, por serem mais conhecidos, abertos ao contato com os brancos e muitos falarem o idioma inglês. O filme conta de forma deturpado o que está escrito no livro, a dita paixão sentida pela protagonista do filme por um Guerreiro Samburu, não passava de promiscuidade comumente sentida por brancos pelo nosso povo. A masculinidade do homem preto africano e diasporico desperta além de fantasias sexuais a representação de virilidade e um troféu. O envolvimento deles leva ao rompimento de praticas ancestral, como o não beijo na boca, para os samburu a boca é feita para alimentação e não com fins eróticos. A comunidade altera sua vivência e rotina com a introdução de objetos, costumes e alimentos europeus. É fortalecido o etilismo e uso de ervas de maneira depravada, sendo essas ervas usada de maneira sacerdotal e curativa por grupos religiosos de forma equilibrada, e não como objeto de alienação, fuga da realidade. Corinne Hofmann uma viciada na maconha alimentou tráfico de drogas no Quênia, como a mesma relata no seu livro na página 361:
“De acordo com o seu ponto de vista, Edy naturalmente vem por causa de mim e certo dia ele me pega comprando maconha de Edy. Ele ralha comigo como seu fosse uma fora-da-lei perigosa e ameaça me denunciar a polícia. Fico parada, perplexa, e nem seque consigo chorar. Afinal preciso dessa coisa para poder agüentá-lo. Tenho de lhe prometer que nunca mais fumarei maconha, senão ele me denunciará”.

Observa-se o quanto foi, é e será perigoso o envolvimento racial entre pessoas brancas e pretas, pois sempre a comunidade africana estará prejudicada. Como foi escrito no titulo do livro e do Filme: MEU CASO DE AMOR COM GUERREIRO AFRICANO, amor este destruidor, violento e egoísta. Realmente foi um caso, um momento na vida da mulher branca que volta para seu país de origem e lá continua sua vida sem maiores problemas ou alterações, mas para aquele homem preto que quebrou laços ancestrais, que negou sua forma de olhar o mundo e de se relacionar com ele foi simplesmente um iniciar de uma história catastrófica e irreparável, que não terá um fim tão breve, pois diferente dos brancos e seus atos egocêntricos, nós pretos compartilhamos com a nossa comunidade tudo a nos ofertado. Um provérbio africano diz assim: “A ruína de uma nação começa nas casas de seu povo”.

O Guerreiro Samburu Lektinga iniciou a destruição de seu povo no momento que olhou para aquela mulher branca de espírito prostituto e demoníaco e a deu valor de uma mulher. Não é possível amar alguém que bagunça nossa casa e nos leva a cometer delitos brutais contra si mesmo e aos seus. Manter laços afetivos com o estranho é suicídio e genocídio. O maior problema neste tipo de relacionamento é o fruto gerado, no caso deles uma filha chamada Napirai. Um ser mestiço é a peça mais perigosa dentro de uma comunidade, com certeza a crise existencial dessas pessoas, as torna uma arma de autodestruição, pois podem assumir a identidade do povo preto tanto quanto do povo branco e até mesmo formarem outro grupo pró mestiçagem. É relatado no livro que ao retornar da Suíça, Napirai chora ao olhar os rostos pretos da comunidade dos Samburu. O filme também não relata a sua carta de despedida na página 364, onde em um trecho ela escreveu:

"Mas, agora, depois da última chance que tivemos em Mombaça, reconheço que você não é feliz e eu muito menos. Nós ainda somos jovens e não poderemos continuar assim. Agora você não me entenderá, mas depois de algum tempo você também verá que vai poder ser feliz com outra. Para você é fácil achar uma nova mulher que viva no mesmo mundo. Mas dessa vez procure uma mulher samburu, não uma branca, somos diferente demais. Um dia você terá muitos filhos".

Corine tenta impor a sua cultura européia a um Guerreiro Samburu e à sua comunidade, como sempre o europeu projeta suas concepções de superioridade e de conquistas. Ela é oriunda da Suiça-Alemã. Os alemães, nesse período da história recente, construíram um legado de destruição e genocídio no continente africano. Nunca podemos esquecer o massacre dos Hereros e Nama, na Namíbia em 1905.

Clique aqui e leia mais sobre O GENOCÍDIO ESQUECIDO – A REVOLTA DOS HEREROS E NAMA NA NAMÍBIA


Assista ao filme e leia o livro que estão disponíveis em diversos sites. Veja com os seus próprios olhos e reflita sobre os fatos que acabei de relatar.


Informações Técnicas
Título no Brasil: A Massai Branca
Título Original: Die Weisse Massai
País de Origem: Alemanha
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 132 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Estreou no Brasil: 21/09/2007
Site Oficial: http://www.dieweissemassai.film.de
Estúdio/Distrib.: Europa Filmes
Direção: Hermine Huntgeburth

terça-feira, 26 de abril de 2011

REBECCA LOLOSOLI –UMOJA ALDEIA DA LIBERDADE


Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

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Conforme os costumes dos Samburu do Quênia, meninas são iniciadas no “ritual de passagem” onde ocorre a retirada do clitóris, na preparação para o casamento, geralmente com homens bem mais velhos. Igualmente, Rebecca Satta Lolosoli foi mutilada aos 15 anos de idade, nos moldes tradicionais das suas antepassadas.

Clique Aqui e Leia mais sobre Mutilação Genital Feminina.


FEMALE GENITAL MUTILATION AND THE SAMBURU TRIBE



A vida das mulheres Samburu, de acordo com a tradição, deve ser integralmente submissa ao pai e ao esposo. Elas constroem as habitações, ordenham as vacas, catam lenha, buscam água em grandes distâncias, cuidam dos filhos e preparam as refeições, conforme relato da própria Rebecca. Por sua vez, os homens são guerreiros tradicionais, cuidam dos rebanhos de gado, das ovelhas e dos camelos e da proteção da comunidade.

A vida de Rebeca Lolosoli passou por uma mudança drástica, após ser atacada e quase estuprada por soldados ingleses, sediados no Quênia.

A VILA DE REFÚGIO: UMOJA


Em suaíli, Umoja significa unidade. Muitas das 64 mulheres que lá vivem são sobreviventes de estupro. Os estupradores foram soldados britânicos que estavam estacionados nas proximidades, há mais de 50 anos.

“Vestindo uniformes verdes, misturados com as árvores, enquanto as mulheres recolhiam a lenha, os soldados saltavam da floresta para estuprá-las, rindo como se fosse um jogo”, conta Lolosoli.

As mulheres estupradas foram ridicularizadas e expulsas das aldeias por seus maridos, algumas foram presas por tentar sobreviver vendendo cerveja caseira, ao ser expulsas e tentar sobreviver sozinhas nas florestas do Quênia, muitas foram comidas por hienas.

Revoltando-se, Rebecca, discursou nas reuniões dos Samburu contra aquelas atitudes, reivindicando os direitos das mulheres, que violentadas pela ineficaz proteção dos homens - responsáveis tradicionalmente por conferir a proteção às aldeias - não possuíam sequer apoio de sua comunidade, ao contrário delas foram expulsas. Em consequência, foi espancada por quatro guerreiros Samburu, durante uma viagem do seu marido. Ao sair do hospital, retornou para o lar e relatou o caso a seu esposo que nada fez. Não tendo apoio do próprio companheiro e percebendo que se nada fizesse seria assassinada, Rebecca resolveu dar novos rumos a sua própria vida e de inúmeras outras mulheres vítimas do patriarcalismo e das injustiças, fundando a vila UMOJA em 1991, apesar de todas as dificuldades.

As mulheres lideradas por Rebecca Lolosoli travaram uma árdua luta contra as autoridades britânicas para que se fizesse justiça pelas violências sofridas, várias delas repetidamente, por soldados britânicos durante exercícios militares no Quênia, nos anos 80 e 90. Como prova, algumas exibiam seus filhos mestiços. No final, venceram a batalha judicial.

"Nossa cidade se transformou em um abrigo", diz Lolosoli. Mulheres e meninas que fogem do casamento forçado, ou são vitimas do ostracismo após serem estuprada, ou tentando salvar-se da mutilação genital feminina, vão à Umoja para a segurança. Filhos são bem-vindos, contanto que eles estejam dispostos a seguir as regras da aldeia e não tentem dominar as mulheres seguindo o combatido exemplo dos demais Samburu.

As mulheres vivem ali em conjunto e criaram um centro cultural e um camping para os turistas que visitam a vizinha Reserva Nacional de Samburu. Com os benefícios obtidos, elas conseguiram replantar a vegetação do local e inclusive se permitem contratar os serviços de vários homens para transportar lenha, que tradicionalmente no Quênia é um trabalho executado por mulheres.

UMOJA, LE VILLAGE INTERDIT AUX HOMMES - Bande-annonce (français)




As mulheres da Vila Umoja sobrevivem da fabricação do artesanato samburu: pequenos colares, pulseiras e ornamentos feitos de miçangas. Apesar da vida difícil e dos olhares desconfiados das outras comunidades samburu, estas mulheres, vítimas de violência do tradicionalismo patriarcal samburu, reuniram-se para viver em paz, longe dos opressores, livres e com dignidade. Umoja é hoje um povoado que tem uma fama tão sólida que mulheres de todo o Quênia vão até ali em busca de ajuda ou simplesmente de conselhos.


Rebecca Lolosoli ganhou o direito ao divórcio e outras trezentas mulheres se reuniram para comemorar.


"Muitas das nossas mulheres morreram em silêncio, sem direitos", disse Rebeca Lolosoli, e continuou: "Queremos mostrar às mulheres que elas também são humanas, que podem fazer algo para si, e que elas podem cuidar de si mesmas e de seus filhos."

quarta-feira, 20 de abril de 2011

NINA SIMONE – UMA DIVA PAN-AFRICANISTA


Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano





Completar-se-á no dia 21 de abril, oito anos da morte de uma das mais importantes mulheres pretas, agraciada com uma das mais belas vozes da diáspora, que não se calou e lutou contra o racismo : Nina Simone, seu nome tem um significado especial, Nina vem de pequena e Simone de uma atriz da qual era fã: Simone Signoret.

Nascida em 21 de fevereiro de 1933, em Tryon, Carolina do Norte, era a sexta filha dos oitos filhos de Mary Kate e John D. Waymon, um pastor metodista. O seu nome de nascimento foi Eunice Kathleen Waymon. A sua casa estava sempre cheia de música, e ela aprendeu a tocar piano no início de sua infância.

Foi a sua voz de contralto, seu timbre rico e sua interpretação distinta dos padrões, blues e composições de jazz, que a levou à fama na música, apelidada de "Alta Sacerdotisa do Soul", é conhecida como um das mais talentosas cantoras, compositoras e pianistas de seu tempo, se tornou parte integrante do movimento dos direitos civis e depois abraçou o movimento Black Power.

As canções de Nina Simone foram adotadas pelo movimento dos direitos civis, incluindo hinos como Backlash Blues, Old Jim Crow, Four Women e To Be Young, Gifted and Black. A última foi composta em homenagem a sua amiga Lorena Hansberry e se tornou um hino para o poder crescente do movimento negro.

Nina analisa de forma contundente em Four Women a situação das mulheres pretas.

Nina Simone - Four Women



A primeira é Tia Sara, representa a escravidão das africanas na América, mulher forte e resistente.

"Minha pele é negra
Meus braços são longos
Meu cabelo é de lã
Minhas costas são fortes
Forte o suficiente para tirar a dor
Tem sido infligida novamente e novamente
O que eles me chamam
Meu nome é tia Sarah
Meu nome é tia Sarah"

A segunda é apelidada de “Siffronia”, uma mulher mestiça forçada a viver “entre dois mundos”, uma mulher oprimida , e destaca o sofrimento do povo preto nas mãos de pessoas brancas em posições de poder.

"Minha pele é amarela
Meu cabelo é longo
Entre dois mundos
Eu pertenço
Meu pai era rico e branco
Ele forçou minha mãe numa noite
O que eles me chamam
Meu nome é siffronia
Meu nome é siffronia"

A terceira mulher é uma prostituta que se refere à canção como "uma coisa doce".

"Minha pele está bronzeada
Meu cabelo é bom,
Meus quadris convidá-lo
E meus lábios são como o vinho
Garotinha sou eu?
Qualquer um que tenha dinheiro para comprar
O que eles me chamam
Meu nome é coisa doce
Meu nome é coisa doce"

A última é uma mulher amargurada e volátil, um produto das gerações de opressão e sofrimento cometidos pela sociedade racista e suportados pelo povo africano nas Américas.

"Minha pele é marrom
E a minha forma é difícil
Eu vou matar a primeira mãe que eu vejo
Porque minha vida tem sido muito áspera
Estou terrivelmente amarga nestes dias
Porque meus pais eram escravos
O que eles me chamam
Meu Nome é Pêssegos."

Outra bela canção de Nina foi Mississippi Goddamn, escrita na década de 1960, em resposta ao assassinato de Medgar Evers no Mississipi e quatro garotas em um bombardeio de uma igreja preta no Alabama.

Ela canta "Tudo que eu quero é a igualdade para a minha irmã, meu irmão, meu povo e eu", continua: "Ah, mas este país está cheio de mentiras.



Em Backlash Blues, Ela canta:

"Você levanta os meus impostos, congela o meu salário
E manda meu filho para o Vietnã...
Você me dá casas de segunda classe
E escolas de segundo classe..."



TO BE YOUNG, GIFTED AND BLACK



"Ser jovem, talentoso e negro,
que precioso sonho lindo
Ser jovem, talentoso e negro,
Abra seu coração para o que quero dizer

Em todo o mundo sabe
Há bilhões de meninos e meninas
Quem é jovem, talentoso e negro,
E isso é um fato!

Jovem, talentoso e preto
Temos de começar a dizer aos nossos jovens
Há um mundo esperando por você
Esta é uma missão que está apenas começando

Quando você se sente realmente mal
Sim, há uma grande verdade que você deve saber
Quando você é jovem, talentoso e preto
Sua alma está intacta

Jovem, talentoso e preto
Como eu desejo saber a verdade
Há momentos em que eu olhe para trás
E eu sou assombrado por minha juventude

Ah, mas a minha alegria de hoje
Será que todos nós podemos ter orgulho de dizer
Ser jovem, talentoso e preto
É onde se deve estar"

OLD JIM CROW



"Old Jim Crow
Está aqui há muito tempo
Começou as obras do diabo
Até o morto e enterrado
Old Jim Crow
Sim, você não sabe
Está tudo acabado agora
Está tudo acabado agora

Old Jim Crow
Você sabe que é verdade
Quando você fere meu irmão
Você me machucou demais
Old Jim Crow você não sabe
Está tudo acabado agora"

Leia mais sobre o que foi o Jim Crown, clicando aqui.



WHY (THE KING OF LOVE IS DEAD)



"O que vai acontecer agora? Em todas as nossas cidades?
Meu povo está subindo, pois eles estão vivendo em mentiras.
Mesmo que tenha que morrer
Mesmo se tiver que morrer no momento em que eles sabem que é a vida
Mesmo nesse momento que você sabe que é a vida
Se tiver que morrer, está tudo certo
Porque você sabe que é a vida
Você sabe o que é liberdade para um momento de sua vida

Mas ele tinha visto da montanha
E ele sabia que não podia parar
Sempre que vivem com a ameaça de morte à frente
Gente é melhor você parar e pensar
Todo mundo sabe que estamos à beira
O que vai acontecer, agora que o rei está morto?

Todos nós podemos derramar lágrimas, não vai mudar nada
Ensine o seu povo: Será que eles vão aprender?
Você deve sempre matar com queima e queima com armas
E matam com armas de fogo e queimar - você não sabe como nós temos que reagir?

Mas ele tinha visto da montanha
E ele sabia que não podia parar
Sempre que vivem com a ameaça de morte à frente
Gente é melhor você parar e pensar
Todo mundo sabe que estamos à beira
O que vai acontecer, agora que o Rei do amor está morto?"

A sua vida foi de muitas lutas dentro dos Estados Unidos da América e o racismo fez com que deixasse aquele país, indo viver em diversos locais do planeta, inclusive na Libéria, morreu na França em 2003 e suas cinzas foram espalhadas por países africanos.

Suas músicas continuam a ser o baluarte do jazz e do blues ao redor do mundo, fornecendo a muitos cantores e grupos, inspirando gerações de grande talento, de Aretha Franklin até Índia Aire e Norah Jones.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FOR COLORED GIRLS (FILME) - MULHERES PRETAS E AS VIOLÊNCIAS COTIDIANAS


Por Ulisses Soares Passos, Bacharel em Direito (Estácio de Sá), Acadêmico de Línguas Estrangeiras (Universidade Federal da Bahia - UFBA.
Presidente do Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos, seccional Bahia - CNNC/BA.
Pseudônimo: Aswad Simba Foluke.
E-mail: ulisses_soares@hotmail.com




For Colored Girls Who Have Considered Suicide When the Rainbow is Enuf (Para Mulheres Pretas que Têm Considerado o Suicidio Quando o Arco-íris é suficiente) um filme baseado em peça de teatro homônima de 1975, de autoria da americana Ntozake Shange,na qual são mostrados diversos poemas de mulheres sem nome, unidas pelos problemas cotidianos enfrentados das mulheres pretas, que falam sobre amor, aborto, estupro, violência, religiosidade e abandono.

TRAILLER DO FILME (EM INGLÊS)


O filme retrata a vida de nove mulheres afro-americanas que têm suas vidas unidas em determinado momento, todas enfrentando problemas muito comuns às mulheres pretas na sociedade contemporânea. Embora, o texto original seja de 1975 seu conteúdo continua inerte, assim como a degradação vivenciada pelas mulheres pretas.

Longe de se pretender trazer uma análise esmiuçada do conteúdo do longa, podemos elencar diversos fatores que o legitimam, fazendo da sua real abordagem, uma das melhores, senão a melhor, cinematografia acerca das mulheres pretas, seus desafios e opressões dentro de uma sociedade machista, racista e putrefata pelas conseqüências de séculos de escravização.

Seria nefasto eleger partes a comentar, pois do início ao fim podemos perceber o quão presente é sua contextualização dentro da nossa vivência. Os diversos recortes apresentados pelo filme descrevem com perfeição as mazelas enfrentadas e compartilhadas em nossa comunidade: ausência de planejamento familiar, aborto clandestino, violência doméstica, estupros, proliferação do HIV etc.

Nesse sentido, destacamos dois trechos do filme que retratam, respectivamente, com singularidade única, o aborto clandestino e o extremo da violência familiar pelos homens pretos cumulada com o consumo de álcool, ambos bastante comuns dentro de nossa comunidade.

ABORTO CLANDESTINO (EM PORTUGUÊS)



VIOLÊNCIA FAMILIAR (EM PORTUGUÊS)



Outrossim, é necessário destacar a aplicabilidade irrestrita desse filme no processo de conscientização das mulheres pretas, principalmente às jovens, suscetíveis a esses embates, independente da classe social que ocupem, pois o que as unem é a sua condição de mulher preta, como bem restou demonstrado no filme.

Além disso, o longa também destaca o papel fundamental dessas mulheres na construção da sociedade, retratando trabalhos comunitários de resgate e educação de outras mulheres, representantes do sustento familiar, gerência de grandes empresas, estudantes, garçonetes, enfim, mulheres pretas independentes, autônomas, repletas de sonhos, com papéis estruturantes dentro da sociedade.

Por fim, um filme a ser difundido dentro da nossa comunidade, como o retrato de nós mesmos, percebidos de forma ímpar por Ntozake Shange, cujo conhecimento se torna obrigatório para nossa formação enquanto homens e mulheres pretas.

Publicação dedicada a TODAS as mulheres pretas violentadas cotidianamente pelo Estado, pelo machismo, pelo racismo e por quem mais deveria amá-las: os homens pretos.

Download do filme em português: http://www.fileserve.com/file/GGMD87H

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

BRASIL: CARTA MAGNA DO RACISMO



Por Aidan Foluke, membro da COPATZION,
Tesoureira do CNNC/BA e Acadêmica de Enfermagem.
E-mail: vanessasoares13@hotmail.com
Skype: aidanfoluke



Ulisses Soares Passos, concluiu o curso de Ciências Jurídicas e Sociais (Direito), com 22 anos de idade, na Estácio/FIB, apresentando a monografia de final curso com o tema BRASIL: CARTA MAGNA DO RACISMO, auferindo nota máxima com louvor pela banca examinadora. Diante disso, presta-se o devido reconhecimento ao presente estudo, com objetivo de difundí-lo e incentivar novas pesquisas correlatas entre Direito e Escravização.


Sinopse da monografia:



Todos os seres humanos nascem com direitos inalienáveis. Estes direitos capacitam os indivíduos a buscarem uma vida digna — sendo assim, nenhum governo pode conferi-los, mas todos os governos devem protegê-los.

A liberdade, construída sobre uma base de justiça, tolerância, dignidade e respeito — independentemente da etnia, religião, convicção política ou classe social — permite aos indivíduos desse Estado buscar esses direitos fundamentais. Quando tal premissa é respeitada, tem-se a verdadeira democracia, haja vista que esta é o conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana em seu sentido lato, seus direitos fundamentais e sociais.

Acontece que o processo de formação do Estado brasileiro, assim como o da maioria dos Estados Americanos, ocorreu com a constituição de uma colônia de exploração e sob o manto do trabalho escravizado, do racismo institucionalizado e das relações sociais verticalizadas, todos fundamentados no massacre aos Direitos Humanos e na destituição integral de grupos étnicos, culturas, idiomas, costumes e, principalmente, identidades, com intuito único de satisfação econômica às antigas metrópoles e seus reinados.

A opressão e a supressão aos direitos humanos, à época, foram patrocinadas pelas mais variadas formas de governo, dentro de suas estruturais estatais e normativas, entretanto foi abominada com a instituição da democracia e a necessidade, por vezes oportunidade, da instituição do Estado democrático de Direito, cuja função primaz é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.

Diante disso, o Estado brasileiro foi o principal causador da supressão desses direitos, fomentando em si os mais variados tipos de desigualdades, em especifico a étnico-racial, refletida em sua maioria por diferenças sociais, econômicas e pelas mais variadas formas de preconceito, em que esta nação patrocinou legalmente durante mais de quatro séculos o massacre físico e psicológico daqueles que teriam direitos sob sua proteção.

Nesse contexto, pós-abolicionismo nenhuma medida pelo Estado foi aplicada, omitindo-se este em relação àqueles em cujo poder de império fora utilizado, e hoje, sendo maioria da população, exigem que ações reparatórias, e não somente afirmativas, sejam devidas pelo Estado brasileiro, àqueles que são herdeiros das incontáveis conseqüências advindas do maior meio de destituição e destruição da figura humana: a Escravização.

Para tanto, principia–se, no Capítulo 1, a análise da escravidão no Brasil, seus princípios e conjunturas, assim como o seu histórico fundamentado no modo de produção escravista que fundamentaram o seqüestro e morte de milhões de africanos. Assim como, a análise da legitimidade do direito no estudo da escravidão.

No Capítulo 2, tratando de apresentar as legislações do escravismo que continuam a propagar os pensamentos de diferenciação étnica, como a chegada dos imigrantes e a eugenia, aplicada principalmente na criminologia e nos estudos forenses.

No Capítulo 3, tratando de descrever a constituição outorgada de 1824 e as leis abolicionistas e as influências de outras manifestações e conquistas jurídicas dos afro-descendentes.

Quanto à Metodologia empregada, registra-se que, que na investigação foi utilizado o Método Indutivo Bibliográfico, cuja coleta de dados obedeceu todo rigor cientifico e encontra-se com as bibliografias destacadas.

Ao praticar, adaptar e desenvolver os conteúdos estudados para elaboração de um trabalho científico é possível delimitar um paralelo entre a teoria e a realidade, utilizando-se de uma metodologia científica. Pode-se empregar mais de um método de análise, portanto, é possível realizar uma pesquisa ao mesmo tempo qualitativa e quantitativa.

No caso em tela, a pesquisa foi de analise bibliografia, delineada a partir de análise crítica de livros, artigos, teses, notícias, leis, jurisprudências e documentários ligados à temática.

Destaca-se que diante do escasso material disponível na área jurídica, as fontes bibliográficas pairam sobre analises importantes de historiadores, antropólogos e sociólogos, o que não prejudica a presente monografia, posto que a relação intrínseca entre as ciências sociais e jurídicas quanto ao aspecto do fato jurídico e fato social garante a fidedignidade das informações prescritas e da analise jurídica do fato em tela.

Ainda ressalta-se por oportuno não se aplicar a costumeira divisão – Direito Civil e Direito Criminal - enquadrada nos estudos de Direito e Escravidão. No presente trabalho a escravidão não é fim de si mesma, mas ponte para o entendimento das conseqüentes políticas de igualdade material, diante das mazelas por aquela deixadas em todo o seio social, fazendo do estudo de seus melindres indispensável à justificativa das políticas sociais afirmativas e reparatórias.

Conclui-se ser inegável que o sistema jurídico se fizesse valer na escravidão desde sua gênese, enquanto norma e fato social desde início. Ao analisar os institutos normativos da escravização, encontram-se de bulas papais até códigos completos, ambos disciplinando relações dos escravizados com seus mercadores e proprietários, além de suas relações internas, como casamentos e cultos religiosos, como as externas como a alforria e sua repersonificação no julgamento em instância criminal.

Ao analisar as normas percebeu-se que o direito disciplinou veementemente as relações escravizado X escravizador, assegurando ao segundo todos os alicerces na exploração do primeiro, indenizando-o inclusive quando aquele tinha o seu direito de propriedade sobre outrem tolhido.

Nesse Diapasão, resta declarar que desde gênese, quando América portuguesa, as discriminações étnico-raciais se fizeram presentes dentro do ordenamento jurídico aplicados no Brasil, e mesmo diante, da ruptura do maior processo de exploração da história da humanidade, nada foi estabelecido aos milhões de africanos e seus descendentes no Brasil. A estes foram reservados as favelas, guetos, e todos os espaços ora constituídos para abrigar aos que ao Estado não mais serviam.

Por fim, cita-se Roberto Lyra Filho, hoje reconhecido como patrono da teoria crítica no Brasil, quem desenvolveu o conceito de direito como "um processo histórico de legítima organização social da liberdade", afirmando a necessidade de a ciência jurídica, com o apoio da sociologia e da filosofia jurídicas, voltar-se também para a análise histórica dos processos sociais em busca daqueles critérios de atualização dos padrões de justiça (finalidades éticas) e de legitimidade (mecanismos razoáveis de decisão e de aplicação do direito), na incessante busca de Justiça por aqueles que durante quatro séculos só presenciaram a diferença.

sábado, 6 de novembro de 2010

A SAGA DO REI ABUBAKARI II - AFRICANOS NA AMÉRICA ANTES DE COLOMBO






Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano


"As civilizações pretas foram as primeiras civilizações do mundo. O desenvolvimento da Europa esteve na retaguarda, pela última idade do Gelo, um assunto de uns cem mil anos"
Cheik Anta Diop


Os povos africanos migraram para civilizar o planeta antes que os habitantes da Europa estivessem em estágios de desenvolvimento científico. Da África, as populações humanas aprenderam a dar os primeiros passos civilizatórios e científicos.

Contudo, com o regime de escravidão os africanos e seus descendentes na América foram privados de importantes conhecimentos ancestrais, ao passo que conhecimentos pedagogias racistas baseadas na ausência da ancestralidade, na negação do nosso passado em África e no aprendizado forçado da história e ideologias européias, foram impostos como únicas e verdadeiras.

Nas escolas, ensina-se que a nossa história começa com o maldito tráfico negreiro. Somos adjetivados somente como descendentes de escravizados. Omite-se, ainda, a relatar que nossos ancestrais foram prisioneiros de guerra e covardemente seqüestrados com o apoio de duas grandes religiões o cristianismo e o islamismo.

É de suma importância que esta pedagogia seja reelaborada, e a história apresentada anterior às guerras dos invasores europeus em África.

Nessas importantes reelaborações da história mundial, antes da influência da pedagogia eurocêntrica, diversas mentiras, tidas como verdades, estão sendo desmitificadas. O historiador e dramaturgo Mali Gaoussou Diawara tem organizados diversos trabalhos que propiciam essa releitura.

Mali Gaossou Diawara, natural do Mali, nasceu em Ouelessebougou, a 80 km ao sul de Bamako, estudou o ensino primário e secundário no Mali, jornalismo e letras na extinta União Soviética e também o seu doutoramento (Ph. D) (Especialidade em Dramaturgia). Ele é o autor de trabalhos premiados, várias peças teatrais são apresentadas e estudaras em escolas e universidades, no Mali. Diawara é um Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito da França, Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito do Mali, vencedor do Prêmio UNESCO para a poesia e prêmio drama Cross-Africano.


Diawara afirma em seus escritos que os africanos “descobriram” a América quase dois séculos antes do desembarque fatídico do judeu Cristóvão Colombo. Em suas pesquisas, têm informado e explicado que o silêncio dos griots, os maiores historiadores da história oral africana, tem-se quebrado, paulatinamente, no intuito de divulgar a história de Abubukari II e sua saga pelo Oceano Atlântico.
Griots do Mali

Até então, a fascinante história de Abubakari II tem permanecido resguardada e esquecida, por ele ter renunciado ao trono do Império de Mali.

Seu sucessor, Kankan Mansa Musa, o décimo imperador Mansa, ou imperador do Mali durante seu auge no século XIV, entre os anos de 1312-1337, tornou-se famoso por ser um dos grandes benfeitores do conhecimento em Timbuktu.

Durante o período do reinado de Mansa Musa, houve um crescimento do nível de vida urbana nos grandes centros do Mali, especialmente em comparação com o relativo atraso da Europa. Musa fez do Mali um dos principais centros mundiais de conhecimento, estrutura urbana e riquezas.

Mansa Musa também ficou conhecido por sua peregrinação a Meca, onde constituiu uma caravana com mais de seis mil pessoas, incluindo mais de cem camelos carregados com mais de 300 kg de ouro cada.

Ao contrário de Mansa, Abubakari II possuía uma sede insaciável por conhecimento. Diawara o descreve como um monarca Africano que abdicou do trono em 1311 e partiu para descobrir se o Oceano Atlântico, era grande como o grande rio Níger. A meta do imperador malinês era descobrir se o oceano Atlântico tinha outra margem - como tinha o rio Níger, que cortava os seus domínios.

A saga de Abubakari II não foi aceita por seus conselheiros, que instruíram aos griots que não relatassem sobre esta grande proeza. Contudo, as pesquisas de Diawara têm trazido à tona uma riqueza de informações sobre grande parte da história do império de Mali, que foi deliberadamente ignorado pelos griots, tornando-se mais uma das provas incontestes do desenvolvimento cientifico africano.

Pesquisadores afirmam que a frota de Abubakari II era formada de 2.000 barcos carregados com homens, mulheres, alimentos para o gado e água potável, partindo do que é a costa de Gâmbia atual. O imperador Abubakari II deu-se todo o poder do ouro que possuía, em buscar o conhecimento e descoberta no Grande mar além do rio Níger, nunca mais voltando a sua terra natal e provavelmente se estabelecido com o seu povo nas Américas.

Abubakari II, também era conhececido como Mande Bukari, vivia próximo da mais completa universidade do mundo, a época, na cidade de TIMBIKUTU, sede da Universidade de Sankoré.

Timbikutu
De acordo com Mark Hyman, autor do livro - Blacks Before America-, Abubakari II estava interessado em histórias de estudiosos de um "mundo em forma de cabaça, o grande oceano a oeste e o novo mundo para além desse. Hyman afirma que os maleses entrevistaram navegadores e construtores do Egito e de cidades do Mediterrâneo, decidindo construir seus próprios navios na costa da Senegâmbia. Os preparativos para a viagem incluiu carpinteiros, ferreiros, navegadores, mercadores, artesãos, joalheiros, tecelões, mágicos, adivinhos, pensadores e o militares, e que todos os navios puxaram uma fonte de barco com os alimentos por dois anos, carne seca, grãos, frutas em conserva em potes de cerâmica, e de ouro para o comércio.

Diawara realiza em seu livro, Abubakari II, Explorador Mandingo (tradução livre de Abubakari II, Explorateur Mandingue), a síntese de mais de vinte anos de pesquisa sobre o imperador, que em 1312 renunciou voluntariamente ao poder de vasto império no Oeste Africano.

As pesquisas de Diawara, embasadas em provas arqueológicas, lingüísticas e na tradição oral dos griots, comprovam, mais uma vez, a presença Africana nas Américas antes da chegada dos invasores europeus.

Segundo Tiemoko Konate, um dos pesquisadores que trabalham com Diawara, a frota de Abubakari teria ancorado na costa do Brasil, no local hoje conhecido como a cidade do Recife, in verbis:

“Seu outro nome é Purnanbuco, o que acreditamos é que é uma aberração do Mande para os campos do rico ouro que representavam grande parte da riqueza do Império Mali, Boure Bambouk.”

Konate também cita testes, semelhantes aos descritos por Ivan Van Sertima, mostrando que as pontas de lanças de ouro encontradas por Colombo nas Américas, foram forjadas de ouro originalmente de Guiné no Oeste Africano.

Van Sertima descreveu como, de acordo com os próprios escritos de Colombo, as pessoas que viviam na ilha de Hispaniola (mais tarde, Haiti e República Dominicana) eram negras, corroborando com os estudos de Diawara, verbis:

"as pessoas de pele negra tinham vindo do comércio sul e sudeste em ouro lanças feitas de metal. Colombo enviou amostras destas lanças de volta à Espanha para ser testado, e foram considerados idênticos em suas proporções de ligas de ouro, prata e cobre, lanças, em seguida, sendo forjado no Africano da Guiné. Fernando, filho de Colombo, disse que seu pai havia lhe dito que tinha visto pessoas negras norte do que hoje é Honduras.”

Van Sertima, em seu trabalho mais famoso: They Came Before Columbus, dividiu a presença africana nas Américas em distintos períodos históricos, a saber:

Primeiro, entre 1200 e 800 a.C, quando os núbios e os egípcios chegaram ao Golfo do México e trouxeram a escrita e a construção de pirâmides.

Segundo, em 1310 d.C, quando a civilização mandinga se estabeleceu no México, Panamá, Equador, Colômbia, Peru e diversas ilhas do Caribe.

Comparação entre núbios e monumento dos Olmecas no México

Nesse sentido, alguns pesquisadores acreditam que a população Garifuna da América Central é descendente da expedição de Abubakari II.

Garifunas da América Central

As pesquisas afrocêntricas têm derrubados mitos, mentiras e desvirtuações da história da humanidade realizadas por estudiosos ocidentais e suas academias serviçais da manutenção da supremacia européia. Contudo, diante das incontestes provas arqueológicas e históricas evitam o debate e ficam enfezados (em fezes) quando os cientistas afrocêntricos descrevem os fatos livres da manipulação supremacistas europeus.

Imagem que simboliza a presença de africanos na América 500 anos antes dos Europeus

Recomenda-se que se leia o artigo - O Preto na América antes da Invasão Européia -, que contem outros estudos da presença africana na América desde tempos imemoriais.

Por fim, você já deve ter participado de encontros, seminários, cursos e reuniões e os descendentes de europeus sentem prazer em nos ensinar à história conforme a visão deles; não gostam de serem contestados, se sentem senhores do conhecimento, como os seus ancestrais se sentiam donos do escravizado. Apropriaram-se do conhecimento dos mestres como fizeram com os ensinamentos de KMT e introjeteram que o mundo deve ser estudado a partir do surgimento de suas civilizações na Europa. Não podemos mais aceitar esse disparate contra a inteligência e a memória da humanidade.

Shalom!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

OS CRISTÃOS E O SEGUNDO TURNO - A CONFUSÃO CONTINUA




Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano


Estamos caminhando para o segundo turno das eleições onde a população brasileira irá escolher entre José Serra e Dilma Rousseff. No primeiro turno, pastores e pastoras confundiram a cabeça do eleitorado evangélico com ataques e defesas de candidaturas. A evangélica Marina, apesar de não ter o apoio das principais lideranças evangélicas surpreendeu com quase 20% do eleitorado, e assustou o descendente de italiano José Serra e a descendente de búlgaro Dilma Rousseff.

No dia da eleição encontrei algumas pessoas da "Bléia" (Assembléia de Deus) que falavam de Marina como a ”Varoa de Deus”, a mulher que combatia o aborto e casamento entre homossexuais. Eram pessoas de pele preta que foram manifestar a sua preferência política baseadas nas suas concepções religiosas e seguindo a orientação das suas lideranças.

Incrível foi o pastor Silas Malafaia que mudou de postura faltando poucos dias para a eleição e criando mais confusão na cabeça de uma importante parcela de evangélicos que o seguem e acompanham a sua programação na mídia:

SILAS MALAFAIA NÃO vota em Marina.


Sendo contestado, veementemente, pelo pastor Caio Fabio que o chama de safado por causa de Marina:

Caio Fábio - Ao Safado Silas Malafaia (Marina Silva 1/2)


Há dois vídeos interessantes sobre as eleições:

Pe. José Augusto: sobre o 2° turno das Eleições para Presidente (parte 1)




Pe. José Augusto: sobre o 2° turno das Eleições para Presidente (parte 2)



A resposta ao padre: Sermão do falecido Padre Léo da Canção Nova sobre José Serra.

JOSÉ SERRA - ASSINOU O ABORTO NO BRASIL EM 1998


Fato interessante é que se trava uma luta entre os setores conservadores da igreja Católica e os remanescentes da Teologia da Libertação. Há informações que um dos principais puxadores de voto para José Serra, Geraldo Alckmin, é ligado a Opus Dei (Obra de Deus). Sobre a Opus Dei:

http://super.abril.com.br/religiao/opus-dei-exercito-papa-447854.shtml

Neste blogger, o autor afirma que José Serra, Geraldo Alckmin e Artur Virgilio são da Opus Dei:

http://judsonline.blogtok.com/blog/16304/

Nesta guerra de informações como vemos através dos vídeos acima a confusão continua e a maioria dos 20% dos eleitores de Marina que são evangélicos terão um grande dilema pela frente: Votar no católico José Serra, que se diz devoto de Santa Rita de Cássia ou em Dilma Rousseff que afirma ter formação católica. A grande maioria da população brasileira, formada por descendentes de africanos, não se preocupa com os grandes problemas do nosso povo e nem com a análise das propostas das candidaturas, aqueles continuam na confusão e na mesmice dominados mentalmente.

Você através da sua consciência decidirá.

Shalom!

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias