sábado, 21 de junho de 2008

AXUM - AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS NA ETIÓPIA


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Introdução
O reino de Axum (Etiópia) foi o terceiro das civilizações clássicas do Vale do Nilo. A sua extensão territorial era de 6.400.000 quilômetros quadrados, uma extensão do deserto do Saara, com uma pradaria rica e apropriada para a criação de bovinos e o restante montanhoso indo do rio Nilo Superior ao Mar Vermelho. Possuía também territórios na Arábia, no Vale da Fenda do Quênia e da Tanzânia até o Mar Vermelho. Sua cultura era uma mistura de influências locais e Sabaenas da Arábia Meridional. Os axumitas possuíam uma posição estratégica entre o Yemen do Sul e a Núbia.
A Etiópia tem uma das tradições mais antigas da história mundial. As informações sobre o Reino de Axum antigo são raras; os escritores gregos e romanos foram os primeiros a escrever sobre essa importante civilização bem perto da era cristã e citam a cidade de Adulis, porque foi uma das mais importantes cidades portuárias da África.
A história de Axum é relatada também na Bíblia em 1000 a.C. com a Rainha de Sabá, conhecida por Makeda ou Balkis , da cidade de Marib na Arábia Meridional, que visitou o rei Salomão em Jerusalém. Presenteando-o com riquezas retomou com valiosos presentes, e grávida de Salomão. Gerou um filho o qual chamou de Menelik, que mais tarde fundou a dinastia etíope dos Leões de Judá. Essa dinastia terminou bem recentemente em 1970 quando o último imperador, Haile Selassie, foi derrubado por um golpe militar.
Entre os anos século III e IV d.C. Axum adquiriu territórios na Península Arábica, através do Mar Vermelho, conquistou a Etiópia do Norte e então finalmente dominou a cidade Meroé e todo o Império de Cush; uma das regiões mais férteis no mundo. A queda dos poderes da Núbia conduziu à ascensão meteórica do poder imperial dos axumitas.
A civilização Axumita construiu palácios, templos e tumbas bem arquitetadas e de rara beleza. Altas torres de pedras chamadas steale como monumentos. Um deles tem treze andares feitos de uma rocha de 100 pés de altura e pesando quatrocentas toneladas.

AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS
Atos 8:27- Filipe se aprontou e foi. No caminho ele viu um eunuco da Etiópia, que estava voltando para o seu país. Esse homem era alto funcionário, tesoureiro e administrador das finanças da Candace, rainha da Etiópia. Ele tinha ido a Jerusalém para adorar a Deus. Na volta, sentado na sua carruagem, ele estava lendo o livro do profeta Isaías.
Leia todo o texto em Atos 8:27-39 em sua bíblia.
A igreja etíope começou com a conversão do eunuco, um oficial da corte, ministro das finanças da rainha. “Candace” não era o nome dela, mas um título, como “Faraó”, no Egito; “César”, em Roma, etc. Ele era um homem temente a Deus e tinha vindo de longe para a adoração em Jerusalém.
O cristianismo se estabeleceu como religião oficial de Axum no quarto século, com a conversão do rei Ezana. Salmo 68: 32- “E a Etiópia estendia as mãos para Deus.”
O rei Ezana permitiu também as religiões tradicionais. Ele mandou fazer inscrições de ações de graças a Deus por suas vitórias as quais estão gravadas em monumentos públicos nas línguas Ge'ez, sabeana e em grego além de emitir moedas douradas inscritas em cruzes.

A Arca da Aliança levada de Israel por Menelik estava no Monastério de Tana Kirkos, o lago mais largo da Etiópia e fonte do Nilo Azul. O Rei Ezana mandou buscá-la e a colocou em uma capela sagrada em Axum, onde só uma pessoa pode vê-la, o homem sagrado, o guardião das tradições religiosas.
As procissões ainda hoje em Axum passam ao redor da capela central e da igreja central em honra a arca da aliança.
O Imperador Lalibela viveu em 1185- 1225 d.C foi um dos mais proeminentes governantes de Axum. Conta à tradição que sua mãe o chamou de Lalibela porque no dia de seu nascimento ele foi cercado por diversas abelhas. Este mudou a capital para Rhoa e a rebatizou de Lalibela. Foi o primeiro a construir igrejas nas rochas, em locais que nomeou com passagens bíblicas: sepulturas com o nome de Adão e Jesus Cristo, córregos com o nome de Jordão e etc.
Lalibela desejou criar uma nova Jerusalém na sua cidade devido à conquista da cidade sagrada pelos muçulmanos no ano de 1187, por causa disto o povo etíope estava impedido de realizar peregrinações.
O primeiro caucasiano europeu a visitar as Igrejas foi o Português Pero de Covilhã. Outro Português, o padre Francisco Alves ainda desacreditado por suas descrições das incríveis Igrejas em Axum:
“Estou cansado de escrever sobre essas magníficas edificações, pois parece que não acreditam em mim caso escreva mais... Eu juro por Deus, em cujo poder estou submetido, tudo que tenho relatado é verdade.”
Lalibela construiu onze igrejas esculpidas em rochas. E uma das características notáveis destas igrejas é um túnel, de quarenta pés de profundidade em forma de cruz, que liga as onze igrejas.
As Igrejas foram consideradas Patrimônio Histórico-Cultural da Humanidade, pela UNESCO em 1978. Elas são divididas em quatro grupos:
As Igrejas do Norte: Casa do Salvador do Mundo, Casa de Maria, Casa Gólgota, Capela Selassie e do Túmulo de Adão.
As Igrejas Ocidentais: A Casa de São Jorge; a mais preservada e bela das treze igrejas.
As Igrejas Orientais: Casa de Emanuel, Casa de Gabriel, Casa Abba Libanos
E os monastérios de Ashetan Maryam e Yimrehane Kristos.
A Casa do Salvador do Mundo é a maior delas, e também é a maior igreja do mundo construída em pedras. Ainda há monges negros seguidores da igreja etíope que moram nessas cavernas. A liturgia das onze igrejas continua a ser no Ge'ez antigo. O incenso queimado em rituais religiosos de hoje foram herdados do antigo cristianismo etíope. O Cristianismo da Etiópia é um dos mais antigos do mundo, tem cerca de 1600 anos. A teologia da Igreja Ortodoxa Etíope mantém ritos do Antigo Testamento, como a guarda do sábado, a circuncisão no oitavo dia após o nascimento, a abstenção da carne de porco.
Através de monges da Igreja da Síria, adotaram o monofisismo, doutrina que acredita que Cristo existia em apenas uma natureza, a divina. E que Jesus, portanto, não era uma pessoa humana e não tinha uma alma como os outros. Os monofisistas acreditam que após a encarnação, a natureza divina tinha absorvido a natureza humana em Jesus. Esse pensamento foi considerado herético pelas Igrejas européias.
O Cristianismo africano é de suma importância e infelizmente não é conhecido. O povo preto foi predestinado antes da fundação do mundo para ser criado à imagem e semelhança de Deus e ser sua testemunha através dos séculos. A igreja etíope é uma das provas inconteste da história que os caucasianos se apropriaram e mudaram a história da igreja original: as igrejas africanas.

10 comentários:

Anderson [Thug $outh] disse...

como sempre....mas um fato q eu desconhecia...muito boa essa materia...curte pra caramba esse blog

lino_avelino disse...

Excelente essa matéria!

Impressionante que uma civilização tão poderosa e com uma história tão grande não tem nenhum tipo de divulgação nos meios de comunicação hoje.

Deus nos abençoe!
Que busquemos acima de tudo o caráter de Cristo em nós!

Allysson disse...

Primeiramente gostaria de dizer que é sempre um prazer ler os artigos que vocês disponibilizam, sou historiador professor universitário e me utilizo de seus ensinamentos para discutir o saber "verdadeiro" eurocêntrico que ainda reina em nossas universidades. Mas tenho uma dúvida neste artigo:

O Imperador Lalibela viveu em 1185- 1225 a.C.

Está correta essa afirmação, pois como alguém pode ser cristão antes de Cristo?

CNNC/BA disse...

Olá Allysson,
Obrigado pelo alerta e já fizemos a correção no texto, foi um erro de digitação. O rei Lalibela viveu em 1185- 1225 d.C. outros autores escreveram que foi de 1189 a 1229 d.C.
Afroabraços!

Pandora disse...

Muito interessante a matéria, ainda não havia visto nada do assunto em questão,mesmo sendo cristã, nada se ouve falar nas igrejas sobre africanidades.
Parabéns.
Continuem assim.

farao disse...

Muito bom mesmo ,eu me lembro quando eu começei estudar arocentrosmo ,e vou falar uma coisas ,e muuito difiçio açimilar (negros )poderosos por que nós negros só temos imagens despresiva sobre o continente Africano ,quando eu começei a busca informação sobre o Egito que dissiam que eram negros , em primeira mão eu mesmo não acreditei ,mesmo nós negros vendo que eles pintavam os desenhos de negros a gente não consegue açimilar ! tanha lavagem selebral ,que ai conhece Karl marx filosofo Alemão pai do socialismo e negro só que depois que sai desta noia vi como os Eurocentrisma maquiam negros ,por que eles não tem interece que nós tenhamos ,referencia ,só que a casa tá caido ,pro lado deles e cedo ou mais tarde a verdade aparecera !até

Katia disse...

Olá! Muito bom informativo esse texto. Recentemente vi um programa no History Channel, mas pela metade. Entoa resolvi pesquisar mais e achei o saite de vcs. Porém tive uma dúvida em relaçao ao comentário abaixo:
'O cristianismo se estabeleceu como religião oficial de Axum no quarto século, com a conversão do rei Ezana. Salmo 68: 32- “E a Etiópia estendia as mãos para Deus.”'
Se foi no século quarto, entao a frase do velho testamento se adequa ao judaísmo e nao cristianismo. No entanto deixa claro a mistura de influências que se vê na Africa, como a muçulmana (que tb segue o antigo testamento!)Mas o que se pode observar das leituras é uma raiz muito antiga que vem da mistura do Egito antigo com o judaísmo, que tb bebeu nas fontes iniciáticas do Egito, como a semelhança das tumbas e as torres, de certa forma... Nao sei se estou errada... me corrija se for o caso. Tenho um pergunta, se puder responder... A cruz axumita que pode ser vista em inscriçoes nas pedras/rochas dentro das tumbas é de que época? Qual a origem remota dessa cruz?

Anônimo disse...

isso e muito grande mas e bom acho q vai me ajudar no meu trabalho de historia e muito interessante isso

Anônimo disse...

como os estrangeiros designavam o "rei dos reis" de Axum?

Anônimo disse...

como os estrangeiros designavam o "rei dos reis" de Axum?

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