quarta-feira, 27 de maio de 2009

HARAPPA E MONHEJO–DARO – CIVILIZAÇÃO PRETA DO VALE DO INDO

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano

É abissal e crítico o desconhecimento da afrocentricidade entre os estudiosos de história. A maioria dos leitores do artigo anterior ficou espantada e em alguns fóruns fui chamado de insano, confesso fiquei feliz por ter a oportunidade de trazer a algumas pessoas o questionamento sobre a história afro global. Um membro da comunidade de Budismo, neste fórum disse que os pretos agora iriam pedir cotas para o Nirvana e outro em uma comunidade de estudante de história afirmou que os pretos não têm mais o que inventar. Discorrer sobre o Buda Preto foi mexer no vespeiro do eurocentricismo e fazer com que pessoas seguidoras do budismo pudessem demonstrar que a verdade de acreditarem em uma filosofia não branca os afeta profundamente apesar de não se declararem racistas. A incongruência é visível: Dizem que acreditam na igualdade entre os seres humanos e a importância da cor da pele nada significa, mas, seguir filosofias fundadas por pretos é inconcebível.
A ciência da história está acima dos desejos do que pensamos ou do que queremos.
A História das civilizações primevas remonta a única raiz: os povos pretos e suas migrações no planeta. Entender e ensinar história permeia-se no conhecimento dos povos originais como base da evolução da humanidade.
A história civilizatória no Vale do Indo remonta a milhares de anos com a população preta dos dravidianos que fundaram a desenvolvida civilização das cidades de Harappa e Mohenjo-Daro (Colina dos Mortos) aproximadamente em 2200 a.C, seu sitio arqueológico começou a ser estudado somente em 1920 na província de Sind no Paquistão. Foram as primeiras cidades urbanizadas do planeta, contemporâneas ao antigo Kemeth e civilizações mesopotâmicas como a dos sumerianos; com uma extensão territorial maior e ainda desconhecida. Esta civilização ainda está em fase das escavações dos sítios arqueológicos e podendo superar a civilização de Khemet em algumas áreas de conhecimento e tecnologia. Os arqueólogos descobriram na Índia e no Paquistão mais de mil sítios arqueológicos pertencentes ao que hoje chamamos de civilização do Indo, ou de Harappa.
Os sítios arqueológicos, cuja maior parte apresenta uma superfície entre 80 ares e dois hectares, estão espalhados por uma área de 780 mil quilômetros quadrados, ou seja, duas vezes maior que o território da antiga Suméria. Nenhuma civilização da idade do bronze possuía área de influência geográfica tão extensa.
URBANIZAÇÃO:
É considerada a maior das civilizações urbanizadas da antiguidade, superando Khemet, Mesopotâmia e a China. O planejamento urbano foi muito desenvolvido milhares de anos antes do urbanismo do Império Romano. São consideradas Harappa e Monhejo-Daro as cidades mais antigas em planejamento urbano do planeta.
Monhejo-Daro possuía grandes artérias, orientadas na direção norte-sul, com cerca de dez metros de largura, cruzavam em ângulo reto, a cada 200 metros, com ruas que seguiam a direção leste-oeste. Esse traçado dividia a metrópole em quadriláteros, no interior dos quais havia um emaranhado de ruelas sem plano preciso, com larguras variando entre um metro e meio e três metros.
Harappa, que também ostentava uma planificação igualmente avançada, foi construída com um conjunto de pequenas elevações, dominado por uma cidadela, e um quadrilátero de avenidas orientadas na direção norte-sul, delimitando amplos bairros.
As ruas foram matematicamente construídas em forma de cruzamento no sentido norte sul, verdadeiros bulevares, com lojas e restaurantes. Havia poços públicos e sistemas de esgotos e coletores de lixo.
Houve uma preocupação com os trabalhadores e criaram bairros operários para melhorar o seu bem-estar.
A população dessas cidades possuía cabelos crespos, lábios carnudos e narizes largos.

O historiador grego Diodurus Siculus relaciona essas civilizações parecidas com a civilização da Etiópia e o povo de Harappa identificava Osíris como o seu fundador e, conforme Diodurus Siculus Osíris fundou diversas cidades no Vale da Índia, inclusive Nysa, em memória da cidade de Khemet onde fora educado. Outro escritor grego Apolônio de Tyana visitou a Índia no final do primeiro século e escreveu que os seus habitantes eram colonos da Etiópia. Há um documento latino chamado Alexandria Itenerari escrito em 345 d. C para o Imperador Constantino relatando que a Índia é uma continuidade de povos do Egito e Etiópia. O historiador Eusébio escreveu que no reinado do Faraó Amenofis IV, um grupo de etíopes do vale do Indo se estabeleceu no vale do Nilo.
Como já é de notório saber dos estudiosos da afrocentricidade a yoga é uma criação das civilizações pretas detentoras das práticas de curas possibilitadas através da melanina condutora da espiritualidade. Imagino neste momento como ficam os defensores do eurocentrismo. Quais serão os seus argumentos e ataques as provas históricas e arqueológicas? Serão que deixarão de praticar a yoga? A yoga era praticada nesta civilização como também no antigo Khemet (Egito), sendo este o próximo tema deste blogger.
Foi descoberta uma piscina de banho público com águas aquecidas em Monhejo-Daro. A escrita de Harappa ainda não foi decifrada e quando forem descobertos novos escritos grandes revelações surgirão dessa majestosa civilização preta.
Desenvolveram grande tecnologia na produção de alimentos com técnicas avançadas de irrigação e aproveitamento da terra com a plantação do trigo, milho, cevada, ervilhas, gergelim, arroz, cebola, algodão e armazenamento de milhares de toneladas de cereais.
A engenharia naval foi proeminente com navios feitos com teca uma madeira resistente e apropriada que possibilitou a escoação comercial dos produtos tendo uma administração central representada por autoridades religiosas. O comércio exterior atingia toda a região da Mesopotâmia, antes da invasão dos gregos chamada de Terra dos Etíopes, Irã, Ásia Central e possivelmente a regiões da África chegando a Khemet, recebendo como pagamento metais preciosos, possuindo pesos e medidas padronizadas, usavam vinte e um pesos.
Conheciam a mineração e a fundição, pois trabalhavam o ferro, o bronze, o ouro, pedras preciosas e semipreciosas como o lápis, ágata, pérola, cornalina, madrepérola, lápis-lazúli e turquesa foram encontrados sinetes de estealite e outros metais. Foram grandes ceramistas na produção de telhas e vitrais.
A produção dos oleiros através de suas oficinas descobertas deixa os arqueólogos boquiabertos, além de terem usados tinturarias e trabalhado no artesanato de contas.
Os artesãos produziam figuras de elefantes, tigres, crocodilos e diversas pessoas em posição de yoga, fato este já relatado.

Tigre em terracota

Os meios de transportes usavam os bois puxando carroças com rodas de madeira.
Esta poderosa civilização preta foi de uma índole pacifista e de grande sensibilidade espiritual e contemplativa possivelmente sem a existência de classes sociais, que leva aos graves conflitos na sociedade.
Não foram encontrados grandes monumentos louvando os poderosos como grandes palácios, templos, túmulos com tesouros. A eles é denotado o surgimento da religião jainista que prega a paz entre os seguidores e a o respeito profundo pela natureza. Os grandes líderes do jainismo foram homens pretos, inclusive o vigésimo terceiro líder janista é retratado com uma aparência negro-azulada de exemplar beleza.
Além da yoga é destacada a criação do jogo de xadrez, a preocupação e dedicação a infância com a fabricação de brinquedos para as crianças.

E similares a esses carrinhos ainda hoje são usados em áreas rurais do Paquistão e da Índia.
Muito ainda poderíamos escrever sobre estas civilizações, mas, estamos em um blogger e os textos não devem ser cansativos.
Concluindo, estas civilizações do Vale do Indo ainda estão em fase de descobertas e escavações dos sítios arqueológicos. É importante ressaltar que esta civilização existiu antes da invasão dos arianos que impuseram o sânscrito como língua oficial e, hoje os seus descendentes tentam negar a pretitude das civilizações do Vale do Indo e dizem que foram eles os habitantes autóctones da região. Mas, não podem destruir todos os achados em terracota e não poderão deformar a história.

5 comentários:

Swahili disse...

Salve...

O homem branco não cansa de falsear a história, tentando negar mesmo que é mais evidente.

A estatutária das antigas civilizações do vale do Indo mostra nitidamente lábios carnudos, de formado africano:

http://fog.ccsf.cc.ca.us/~jcarpent/images/Indus%20and%20Buddhist%20Art/priest_king.jpg

http://www.hp.uab.edu/image_archive/udc/head01.jpg

E tranças, como as que encontramos em qualquer comunidade preta, seja em África ou na Diáspora:

http://faculty.colostate-pueblo.edu/beatrice.spade/history%20101/harappa/head.jpg

Sucesso no esforço de vocês de tratarem do histórico negado da humanidade original...

Juliano Pereira disse...

Salve Irmão...
Muito interesante essa descoberta.
Estou estudando a história da humanidade a partir da percepção Africana, fiquei muito interesado na matéria e queria saber mais informações.
Se possível, mande para meu email juliano.edfisica@yahoo.com.br, podemos ir trocando informes irmão.
Parabéns pela reportagem, muito boa.

Jeffrey disse...

Irmao Walter Primeiramente
Queria parabenizar e aescer o blog, que tant ajuda eu e eu
Eu tive a liberdade de colocar link pra seu blog em um blog onde posto artigos sbre o Rastafarismo
Desde ja ficagadescdo
Se huver algum poblema em colocar o link m contate irmao
Creio que tos juntos se ajudando todos enxergarao a verdade
Pois todo temos ouvidos
Irie Jah Rastafar I
mu msn criminallifeart16@hotmail.como

www.rastafaritime.blogspot.com

farao disse...

OLha sem duvida eu achei meio estranho , como foi tratado este tema no Blog , depois de eu ler uma materia sem pressendentes sobre os Akans , eu achei este meio sem sal rsrsr , vocês são melhores no que fazem,( e não deveriam mudar a sua politicas por que se trata de blog ,bem e assim que eu penso )em nemhum lugar que eu faço pesquisa, a tanta informações e consistencia ! esta civilizações do vale do indo será talvez ,no futuro ,uma grande arma contra o eurocentrismo ! Akoma

Fabio disse...

Só venho e tenho que aradecer a Deus por existir irmãos compromeidos com essa causa séria que é a nossa pretitude... além de tudo é gratificante saber que temos laços espirituais em Cristo.
grato.

PRETAS POESIAS

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Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias