terça-feira, 2 de junho de 2009

ESCRAVIDÃO, ALCOOLISMO E DESTRUIÇÃO DO POVO PRETO

Por Aidan Foluke, Enfermeira
MSN:vanessasoares13@hotmail.com
Skype: aidanfoluke

"Estarás perdido, tornando-te o ludíbrio e escárnio de todos os povos onde YAH te houver levado" Dt 28:37
Na história da escravidão as conseqüências do contato dos europeus invasores com os africanos foram devastadoras no âmbito da espiritualidade, do psicológico e da morfofisiologia. As patologias oriundas desse contato forçado suscitaram distúrbios homeostáticos que ainda hoje afetam os africanos na África e Afro-América. O desequilíbrio ecológico da destruição do habitat natural dos povos africanos, a mudança dietética, a negação da farmacopéia oral africana, os traumas da escravidão, o trabalho forçado e insalubre, habitações desprovidas do mínimo saneamento, a demonização cultural e a introdução do álcool da cana-de-açúcar e de outros elementos na dieta foram causas de proliferação de endemias nos escravizados e atualmente afetam os afro-diásporicos.
O uso da fermentação de cereais e frutas existe no histórico das populações africanas e muitos deles usados em rituais religiosos que sofreram transformações profundas com a introdução da fermentação da cana-de-açúcar no Brasil. Aliás, em muitos rituais afro-americanos são veneradas entidades que se embebedam com cachaça. Neste artigo vou discorrer sobre o vício do alcoolismo proveniente da escravidão e sua conseqüência na formação de patologias entre os descendentes de africanos, como um fato inteiramente novo de dominação e perda da identidade ancestral.
O alcoolismo afeta a espiritualidade e a psicomorfofisiologia do dependente. A mudança dietética foi fundamental para quebrar a resistência do organismo do escravizado proporcionando-lhe as adaptações desejadas do agressor-escravizador.
É lastimável o uso das bebidas fermentadas de cana-de-açúcar, a conhecida cachaça, pela maioria da população preta brasileira e se torna ainda mais estranho, quando após reuniões da juventude preta com propósitos libertários uma grande parcela continua coabitando com os vícios impostos pelos dominadores. Na escravidão a cachaça fazia parte da dieta para deixar o escravizado lerdo, abestalhado e de fácil dominação no aceitamento de trabalhos desumanos. Nos engenhos do nordeste era costume dar cachaça aos escravizados na primeira refeição do dia, a fim de que pudessem suportar melhor o trabalho árduo dos canaviais, prática de todo o escravismo no Brasil, que obrigava os escravizados a usarem a cachaça diversas vezes ao dia.
Na musicalidade brasileira inúmeras são as músicas relacionadas ao povo preto e a cachaça, entre estas umas das que mais chama a atenção no intuito discriminatório em todos os sentidos relacionados ao homem preto.

O grupo pernambucano “Quinta Ladeira” reforça o estigma da mulher preta como cachaceira:


Uma parte do álcool é absorvida pelo organismo através da parede do estômago. Outra parte é metabolizada pelas enzimas do fígado. Quando a pessoa bebe muito, o fígado começa a acumular gordura, tornando-se um "fígado gorduroso", cujo tecido se deteriora, levando à hepatite alcoólica ou cirrose, ascite (barriga d'água) e, até, à morte. Entre os homens pretos, a ocorrência de morte devido ao alcoolismo acontece duas vezes mais do que na população branca.
Uma das mais nefastas saídas dos traumas impostos na escravidão na população preta tem sido o refugio ao vício maléfico da aguardente, tornando o Brasil o maior consumidor de cachaça do mundo e levando dessa forma ao consumo recorde pelo povo preto. Baseado nisto, observa-se patologias que são facilmente encontradas em nossa população como: alterações no sangue - hepatite; ossos e articulações - degeneração dos ossos; lesão cerebral - síndrome de Wernicke-Korsakoff; câncer - na boca, esôfago, estômago, fígado; pulmão - pneumonia, tuberculose; epilepsia; síndrome fetal; coração - arritmias, cardiopatia, hipertensão e doença coronariana; fígado - cirrose hepática; transtornos sexuais - disfunção testicular e impotência; esôfago e estômago – corrosões que levam a gastrite, úlcera péptica, esofagite. E os mais diversos sintomas - dificuldade na fala e distúrbios da sensação; apatia e inércia geral; vômitos; incontinência urinária e fezes; inconsciência e anestesia. Além de todas essas patologias e sintomas podem-se citar os transtornos na personalidade dos seus consumidores, os quais são visíveis bem, como: a perda de eficiência, diminuição da atenção, julgamento e controle, instabilidade das emoções, menor inibição.

Fígado com cirrose hepática
As relações interpessoais de uma pessoa que bebe são modificadas, o caráter agressivo é predominante, principalmente nos homens pretos. Segundo especialistas, filhos de pais que consomem álcool em grandes quantidades desenvolvem a chamada síndrome do alcoolismo fetal, que se manifesta em atrasos no crescimento, tendência a ataques epilépticos, anormalidades faciais e problemas de aprendizagem e comportamento, retardamento mental.
Dois graves problemas do vício de álcool na mulher preta são a predisposição da Síndrome de Down - atraso mental em seus bebês e os grandes índices de aborto. Os danos são produzidos, porque a gestante elimina duas vezes mais rápido o álcool do seu sangue que o bebê, forçando-o a realizar uma tarefa para quais seus órgãos não estão preparados.
As mulheres pretas quando grávidas e são viciadas os seus fetos adquirirem defeitos que varia de leve a grave, os quais poderão ser evitados se elas aprenderem a se amar e ao seu povo preto.

É necessário que a mulher preta ame a si própria e ao seu povo preto
O uso do álcool tem aumentado o número de agressões na família, principalmente nas companheiras e nos filhos e filhas. Há inúmeros casos de mulheres pretas dominadas pelo vício da bebida abandonar e até mesmo mutilar as suas crianças. Nas nossas famílias temos históricos de familiares dependentes e sabemos quão mal faz ao equilíbrio familiar e da comunidade preta.
Muito dos delitos cometidos está na violência no transito. A quantidade de presos pretos que cometeram delitos após o uso do álcool, isto é, furtos, agressões, homicídios o fizeram depois de ingerirem bebidas. É necessário que os homens pretos se livrem da maldição da branquinha e da lourinha, as quais trazem males irremediáveis à família afro-diasporica e as mulheres pretas não concordem com a bebedeira de seus companheiros.

Há uma predisposição genética dos descendentes de escravizados a usarem a cachaça, isto explica o projeto do escravizador em longo prazo de dominar uma população através da bebida. Este é um fato que merece melhores discussões em reuniões da juventude preta. Imaginemos uma reunião da juventude com o tema: A dominação racial através da cachaça. Você participaria? Qual seria a sua opinião de acordo com os fatos e observando a sua árvore genealógica?

Quem sabe um dia iremos cantar: 
Na minha casa todo mundo é bamba
Ninguém bebe
E todo mundo samba. 
ACESSE PRETAS POESIAS:

11 comentários:

Uila Gabriela disse...

Concordo plenamente com o fato de que a população negra brasileira seja o alvo do alcoolismo, mas não necessariamente pelos motivos abordados e sim pelo consequente fato de que ela é alvo de refúgios da realidade, e um deles é o álcool.
Acredito que posturas como essa do blog, em enfatizar a importância do povo negro, a sua cultura e a sua beleza contribuam para a igualdade social tão desejada por todos nós, mas acho importante frizar os acontecimentos de maneira mais impessoal, tentando não superestimar e muito menos denegrir o desnecessário.
Mas aprovo a iniciativa e fico feliz em ver isso de forma tão organizada e bonita, parabéns!

Anônimo disse...

Linda Aidan,
Parabéns pelo artigo vou refletir muito nas suas palavras . Olha, sobre as branquinhas e loirinhas os negões não só as bebem mas ficam gamados tb ficam gamados nas branquinhas e loirinhas de saia.
Bjs Linda.

Anderson "Thug" disse...

Parabens pelo Artigo.....muito negros msm tem esta mania de antes de trabalha toma uma dose de cachaça pra esquenta...e toda aquela papagaida...mas é importante o Homem negro ter a consciente q isto so prejudica ele e sua familia..Digo Isto por experiencia propria...por q quase acabou com o casamento dos meus pais...mas graças a deus..hoje ele esta bem..casados..e firme..servindo a deus.

Jovens Comunicadores Negros(as) disse...

Excelente artigo. Finalmente alguém teve coragem de tocar nessa ferida aberta em nossa comunidade. O vício da bebida é um dos principais motivos de nossa destruição cotidiana. É triste ver as reuniões do "movimento negro" regadas à bebidas. Se Malcom X tivesse vivo, por exemplo, condenaria tudo isso. Não se trata aqui de moralismo ou religiosidade, trata-se de usar a razão para curar nossas feridas.

Se possível cadastrem esse artigo para o www.correionago.com.br para abrirmos esse debate lá.

Grande abraço, preta!

Paulo Rogério

Anônimo disse...

Cachaça é coisa do demonio mesmo eu ja tive essa experiencia bebia quando acordava e batia na minha mulher e nos meus filhos e até na sogra. Um dia fui a macumba tentar achar a cura e o marujo que me atendeu bebia mais do que eu, não resolvi o meu problema e até piorou, ele ficou me pedindo cerveja. Os amigos diziam que quando eu bebia começava a desmunhecar e virava bixa pegava nas coisas dos colegas e falava igual a mulher e queria namorar todo o homem que via, por isso estou postando como anonimo. Fico preocupado com a juventude que anda bebendo e não sabe o que faz, se voce bebe saia dessa vida enquanto é tempo a bebida é uma desgraça.

DEIVID - PIGMEU disse...

Gostei do artigo,
é sempre interessante
abordar temas e relembrar
o holecausto que os negros
sofreram no Brasil, e nos apropriar de suas consequências...
É sabido que o alcolismo degenera famílias e contribui sim, para a apatia da população preta que busca por diversos fatores, dentre estes a exclusão sócio-política, amenizar as dificuldades da vida e/ou obter algum prazer com a bebida. Membros de minha família já sofreram seriamene por conta do alcolismo e suas peripécies...
Hoje combato ferrenhamente o uso de qualquer droga e propago a educação e vida social limpa das mesmas.
ASÉ!

Rapper Pirata disse...

Rapper Pirata.
Se o consumo do álcool serviu e serve para controlar os humanos, principalmente aqueles que brigam contra a merda que somente destrói nosso povo. Então imagine o que está por traz da "erva, du bom, fininho, marihuana, verde" seja lá seu nome, que através dela consegue lerdar o consciente dos humanos, mas seu uso está colocado a idéia de identidade. As drogas sempre será e é para controlar a maioria, para ela pensar em um simulacro de realidade e não perceber a realidade que vivemos. Porque se percebemos vamos querer se juntar e enfrentar de vez o sistema de controle, na busca de uma nova realidade de vida. Salve.

Anônimo disse...

Primo seu blog está cada vez melhor, como sempre abordando assuntos de interece humano ao qual fazemos parte.(Infelizmente) parabéns. Yeda Alves de Jesus

Yco disse...

Primo seu blog está cada vez melhor, como sempre abordando assuntos de interece humano ao qual fazemos parte.(Infelizmente) parabéns. Yeda Alves de Jesus

basiko disse...

graças a deus não tenho esse vicio do alcoon mais isso não quer diser que nunca tomei uma caipirinha . tenho alguns familiares que estão se acabando no alcolismo infelismente .a cachaça é sem duvida uma desgraça para o povo preto infelismente nossa gente não persebe isso.

Dulce disse...

bem,o alcoolismo da populacao negra nao comecou com o contacto com a raca branca! se conhecerem bem e conviverem com o povo africano que vivem no mato e que ainda falam so o seu idoma e vivem a sua cultura ,podem ver que a historia e outra! a 3 anos tive oportunidade de conhecer e participar numa festa de uma tribo em angola! alias ,conheci outras tribos em angola que nao falam portugues! temos que ter tradutores! o povo ja fazia e bebiam bebidas alcoolicas de frutas fermentadas a "1500" anos hahah! e eles bebem muito mesmo! nas festas acabam sempre bem bebados.homens e mulheres! nem sei se nao foram eles que deram a ideia da cachaca aos colonizadores! eles fazem bebida com milho(bolunga) com masango (que e um cereal) casca de ananaz etc.... ate hoje em portugal existe ate hoje essa bebida com casca do ananaz(abacaxi) que o povo angolano levou para portugal! e como o cuscus de milho entrou na culinaria portuguesa pela a mao do povo caverdiano!

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