domingo, 2 de junho de 2013

EXPRESSÕES CORPORAIS AFRICANAS NOS CULTOS NEOPENTECOSTAIS - PARTE II - A PASTORA ANA LÚCIA NO TERREIRO DE CANDOMBLÉ


 









Por Walter Passos - Historiador
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com 
Skype: lindoebano 
Facebook: Walter Passos



As manifestações corporais africanas nos cultos pentecostais e neopentecostais não são meras imitações ou ofensas programadas contra os praticantes de cultos de matrizes africanas, como insistem alguns.  Tal ocorrência vem sendo estudada por diversos antropólogos desde o início do século XX (vale à pena conferir os proeminentes estudos do estadunidense  Melville J. Herskovits, nas décadas de 20-60 do século passado). 

Importante é tecer algumas considerações, dado o momento histórico no qual vivemos de intolerância religiosa dos chamados grupos evangélicos,  porque as ilações e comentários sobre aquelas manifestações pentecostais e neopentecostais são observadas com olhares simplórios e falares imediatistas desprovidos da seriedade e tecnicidade necessárias para análise desse fenômeno.

As manifestações religiosas com expressões corporais e incorporações espirituais (conhecidas como o ato  de “receber o Espírito Santo”) nas Igrejas Históricas (Batistas e metodistas) dos USA e Caribe, bem como nas Igrejas Pentecostais e Neopentecostais na África e nas Américas não é recente.  Aquelas manifestações espirituais  ocorrem desde a evangelização de africanos e seus descendentes em continente americano. 

Há muito tempo, as observo “in loco”.  Tanto assim, que minha falecida mãe dizia que era “coisa de Santo” – alusão a expressão “santo” para denominar as forças da natureza e os ancestrais cultuados nas religiões de matrizes africanas -.  Ainda, algumas amigas praticantes do candomblé afirmam que orixás, vodunsis ou inkices se manifestam naqueles cultos, corroborando com os estudos já desenvolvidos sobre os corpus dos africanos-americanos e suas manifestações, independente da religião que professem.   
  
Em minha infância, o pastor presbiteriano José Walmir Lafene pregou em um terreiro de Umbanda, na cidade de Queimados/RJ, cuja zeladora chamava-se Mãe Lourdes, uma senhora preta e forte. O pastor foi acompanhado de membros adultos da igreja. Recordo-me, ainda, que todos os adolescentes e crianças (presbiterianas) foram proibidas de acompanhar os demais membros e  deveriam ficar em oração porque a palavra (leitura bíblica e pregação) iria ser levada a “Casa do Satanás”. 

Registra-se que Mãe Lurdes, no entanto, nunca foi convidada à igreja para falar da Umbanda.

Esses dias, essa situação ocorreu mais uma vez.

Após a publicação de Expressões corporais africanas nos cultos neopentecostais, me chamou a atenção um vídeo (com mais de 180 mil visualizações) da Prª. Ana Lúcia realizando um culto no candomblé da Mãe Dorinha na cidade de Vitória/ES:

 GRANDE CULTO COM A PASTORA ANA LUCIA NO TERREIRO DE CANDOMBLÉ

Analisando singelamente o conteúdo,  considero magnífica a atitude de mãe Dorinha abrir sua “roça”  - denominação comum para Terreiros de Candomblé, na Bahia -  para a celebração do culto cristão. No mesmo sentido, resta a crítica à Pastora por deixar de convidar a sacerdotisa do Terreiro para que vá, também, à sua Igreja e celebre aos orixás, vodunsis ou inkices.

Outra questão, de essencial relevância e até então ignorada, é a manifestação  das lideranças pretas neopentecostais a respeito da discriminação racial. Almejo conhecer o que pensa a Prª. Ana Lúcia acerca da maldição que paira sobre a África, os africanos e seus descendentes ao redor do mundo - interpretação recentemente publicizada pelo também Pr. Marco Feliciano e defendida pela maioria dos evangélicos. 

O que torna essa manifestação da Pastora Ana Lúcia interessante, é o fato de ela assumir publicamente sua origem africana e, ainda, ressaltar que foi vítima de racismo, relatando inclusive que vizinhos seus no bairro de Coelho da Rocha, na Baixada  Fluminense, chamavam os membros da sua família de  “Planeta dos Macacos”.

Diante disso, entendo, que a luta contra a discriminação racial tem que surgir de todas as frentes, englobando todos os grupos afetados pelo racismo. Assim, não se pode querer desprezar a importância de milhões de evangélicos pretos por causa da opção religiosa. Acredito que a consciência e respeitabilidade pelos cultos de matrizes africanas surgirão quando os pretos evangélicos descobrirem que não podem se “livrar” da abençoada herança africana. Porque quando cultuam a África se manifesta neles através dos cânticos, danças e manifestações espirituais.

Pastora Ana Lucia arrasa no Esquenta da TV Globo


ACESSE PRETAS POESIAS:

5 comentários:

AugustoCrowley disse...

concordo quando dizes: que faltou o convite da mesma para que se levasse o culto aos orisas até a igreja. Acho que ganham todos quando existe união verdadeira e não politicagem.Abs!

Jorge Nascimento disse...

Interessante notar que não há nenhum comentário neste post, num blog que ao meu ver é excelente e traz sempre informações relevantes da nossa rica e milenar história. Talvez porque este post em particular, toque numa ferida que insiste em não se fechar...

Bem, sabidamente o Cristianismo é uma religião de matriz africana.Afinal segundo a própria Bíblia(do grego Bíblios=livro¹) Jesus de Nazaré, o precursor do Cristianismo, nasceu não na Europa e sim na Ásia, particularmente na PALESTINA fronteiriça com o EGITO(ÁFRICA).

Ainda segundo a Biblia, Jesus, jamais escreveu livro algum daqueles contidos neste tomo, mas apenas falou. Se este fato corresponde à verdade, ele seguiu fielmente uma antiquíssima tradição africana, a oralidade. Usada para transmitir os conhecimentos, as tradições, as histórias e culturas de vários povos, etnias e clãs africanos, ao longo dos tempos, quando só a memória e a boca dos anciãos guardavam a evolução humana.

Ainda segundo a Bíblia, Moisés nasceu no Egito, a palavra Moisés, significa ´´retirado das águas`` e segundo a tradição ele foi retirado das águas do rio(Nilo). E se Moisés nasceu no EGITO, então ele também era preto, pois que era hebreu, assim como Jesus de Nazaré, Davi(na verdade Faraó Psussenes) Salomão(na verdade faraó Sheshonq) etc.

O Catolicismo, nasceu na Europa, Roma(Itália) e assim como a religião dos hebreus, adotou algumas práticas egípcias, como o uso do solidéu(Yarmulke) a prática de acender velas para seus ancestrais e o culto à figura da mulher(Maria, ou Maaka Tamar).

O Protestantismo, surge também na Europa, mas na Alemanha, com Luthero, e traz consigo o uso da Bíblia, a figura do Pastor(que existia e existe também na África), bem como o hábito de ´´falar em linguas``, que é o assunto deste post.

Bem, quando incorporado por um espírito ancestral, uma pessoa fala em ´´línguas``, no Candomblé e na Umbanda, o que mostra a antiquíssima relação que os seres humanos têm, com seus ancestrais, como os hebreus praticavam, quando acendiam velas para seus entes queridos mortos, e são justamente estes hebreus, os mais invocados nos cultos neopentecostais...

Uma gigantesca ironia.

Obs.: O uso da Menorah, foi adotada pelos hebreus, uma vez que este artefato era antes usado pelos egípcios. O mesmo aparece nos templos de religiões neopentecostais.

¹Bíblios, eram precisamente os nomes daqueles rolos de papiros(papyos, planta abundante no leito do rio Nilo) que os egípcios usavam para fazer suas anotações diárias. O nome Bíblios, foi dado pelos gregos que receberam muitos aspectos civilizatórios dos antigos egípcios, todos negros, como nos prova Cheikh Anta Diop.

A História... é da África e a África ainda está para ser conhecida...

Jorge Nascimento.

Jorge Nascimento disse...

Bem, sabidamente o Cristianismo é uma religião de matriz africana.Afinal segundo a própria Bíblia(do grego Bíblios=livro¹) Jesus de Nazaré, o precursor do Cristianismo, nasceu não na Europa e sim na Ásia, particularmente na PALESTINA fronteiriça com o EGITO(ÁFRICA).

Ainda segundo a Biblia, Jesus, jamais escreveu livro algum daqueles contidos neste tomo, mas apenas falou. Se este fato corresponde à verdade, ele seguiu fielmente uma antiquíssima tradição africana, a oralidade. Usada para transmitir os conhecimentos, as tradições, as histórias e culturas de vários povos, etnias e clãs africanos, ao longo dos tempos, quando só a memória e a boca dos anciãos guardavam a evolução humana.

Ainda segundo a Bíblia, Moisés nasceu no Egito, a palavra Moisés, significa ´´retirado das águas`` e segundo a tradição ele foi retirado das águas do rio(Nilo). E se Moisés nasceu no EGITO, então ele também era preto, pois que era hebreu, assim como Jesus de Nazaré, Davi(na verdade Faraó Psussenes) Salomão(na verdade faraó Sheshonq) etc.

O Catolicismo, nasceu na Europa, Roma(Itália) e assim como a religião dos hebreus, adotou algumas práticas egípcias, como o uso do solidéu(Yarmulke) a prática de acender velas para seus ancestrais e o culto à figura da mulher(Maria, ou Maaka Tamar).

O Protestantismo, surge também na Europa, mas na Alemanha, com Luthero, e traz consigo o uso da Bíblia, a figura do Pastor(que existia e existe também na África), bem como o hábito de ´´falar em linguas``, que é o assunto deste post.

Bem, quando incorporado por um espírito ancestral, uma pessoa fala em ´´línguas``, no Candomblé e na Umbanda, o que mostra a antiquíssima relação que os seres humanos têm, com seus ancestrais, como os hebreus praticavam, quando acendiam velas para seus entes queridos mortos, e são justamente estes hebreus, os mais invocados nos cultos neopentecostais...

Uma gigantesca ironia.

Obs.: O uso da Menorah, foi adotada pelos hebreus, uma vez que este artefato era antes usado pelos egípcios. O mesmo aparece nos templos de religiões neopentecostais.

¹Bíblios, eram precisamente os nomes daqueles rolos de papiros(papyos, planta abundante no leito do rio Nilo) que os egípcios usavam para fazer suas anotações diárias. O nome Bíblios, foi dado pelos gregos que receberam muitos aspectos civilizatórios dos antigos egípcios, todos negros, como nos prova Cheikh Anta Diop.

A História... é da África e a África ainda está para ser conhecida...

Jorge Nascimento.

Anônimo disse...

No seguimento pentecostal e neopentecostal existem várias vertentes de crença. Na minha congregação crentes como os da igreja da pastora Ana e inclusive a mesma estão possessos de demônios e precisam urgente de libertação. Cristianismo não é ecumenismo e isso é inadimissível. Não há possibilidade de agradar a Deus e aos deuses criados por este mundo. No antigo testamento pode-se ler claramente o fim dos que cultuam deuses pagãos. Nesse tipo de congregação dá-se mais importancia as manifestações demoníacas do que a PALAVRA DE DEUS, mais uma prova que isso não vem do SENHOR DEUS.

Djalma Cunha disse...

Os hebreus desviam seus caminhos com a CRIAÇÃO....E emannuel veio para ensinar a prática do amor e abolir rituais. Quem nega isso, nega ele é nega a CRIAÇÃO....logo ? Se vivesse na época (ou viveu ) teria apoiado a por Emanuel em um tronco bifurcada. ¥

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