segunda-feira, 29 de março de 2010

AKHENATON E ÉDIPO - HISTÓRIA OU MITO - O PLÁGIO DOS GREGOS DA HISTÓRIA AFRICANA



Por Walter Passos,
Historiador,Panafricanista, Afrocentrista e Teólogo
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

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Pergunta da Esfinge?

"Que animal caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e três à tarde e, contrariando a lei geral, é mais fraco quando tem mais pernas?" Édipo conseguiu decifrar o enigma, dizendo que era o homem; ele engatinha quando bebê, anda com duas pernas ao longo da vida e precisa de um bastão na velhice. Ao ouvir a resposta, a esfinge, derrotada, jogou-se num abismo.

Sófocles, no século V a.C., narrou a história do personagem em três de suas obras mais notáveis: Édipo rei, Édipo em Colona e Antígona. O drama sofocleano suscita ilações em diversas culturas em diferentes épocas. Das numerosas obras para teatro baseadas no mesmo mito destacam-se, entre os romanos, o Édipo de Sêneca e, entre os clássicos, a tragédia publicada por Corneille em 1659. No século XX, o compositor russo Igor Stravinski criou o oratório Édipo Rei e os escritores franceses André Gide e Jean Cocteau retomaram o mito em obras literárias. especialmente no chamado “Complexo de Édipo. E não podemos esquecer de Shakespeare que em sua obra Hamlet relembra o mito, segundo os seus críticos.

NESTE MOMENTO DEVEMOS ATENTAR AO SEGUINTE FATO: TEBAS É CAPITAL DE KEMETE (EGITO ANTIGO) E TEBAS É O NOME DA CIDADE GREGA ONDE ESTAVA A ESFINGE NO MITO DE ÉDIPO.

Há muitas discussões sobre o tal “Complexo de Édipo”, Inclusive por intelectuais pretos na África e na diáspora. A peça teatral: ÉDIPO TIRANO: E SE UM HERÓI GREGO FOSSE NEGRO, dirigida por Ludmyla Pena e encenada pelo grupo teatral Cítero, composto pelo Coletivo de Estudantes Negros da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

A idéia de produzir a peça nasceu da leitura e interpretação da monografia apresentada por Rogério José, também ator da peça. Rogério José estudou as traduções da história de Édipo de 1789 até 2002. E nestas leituras, conforme explica, comparou uma das versões, a produzida pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. No estudo norte-americano, observou que nos versos 742 e 743, Jocasta descreve Laio, pai de Édipo, como um melas, ou seja, alguém que tem forte melanina, um negro. Ao verificar a tradução da obra de Édipo para a língua portuguesa, Rogério então constatou que a expressão melas não fora traduzida corretamente, mas sim foi aplicada a expressão megas, a qual representa que Laio fora um homem grande e forte. "Na verdade houve sim uma desconstrução do real sentido da palavra melas, porque na versão da peça em português há sim a omissão do termo para assim omitir que Laio e que Édipo pudessem ser gregos, mas não negros", destaca o ator.


Ainda não li a peça, mas concordo plenamente que os mitos gregos foram africanos, como foi relatado no artigo anterior, de que os africanos povoaram e civilizaram a Grécia, sendo assim toda a mitologia grega é de personagens cheias de melanina. Não só Édipo, Jocasta, Laio e todas as personagens desta tragédia foram pretas.

O complexo de Édipo é uma das teorias desenvolvidas por Sigmund Freud, um dos criadores da Psicanálise, traçando um paralelo de uma das fases do desenvolvimento humano com o mito de Édipo. Simboliza o espírito de "disputa" entre a criança e seu progenitor do mesmo sexo pela atenção do progenitor do sexo oposto. Em primeiro momento há um questionamento da aceitação desta tragédia grega como um problema universal, o qual não é verdadeiro, apenas reforça o eurocentrismo na base das explicações dos problemas sociais. A concepção freudiana de analise mental também não é universal e muito menos as suas propostas de superação.

Outra interpretação de Édipo desposar a sua mãe Jocasta conforme estudiosos foi acrescentada posteriormente na tradição helênica. Erich Fromm, um europeu contesta essa concepção universal de Édipo e discorda das ilações de Freud. Fromm acreditava que o mito estava relacionado ao problema do poder matriarcal anterior e o poder patriarcal vigente na época.
Do outro lado a questão de Édipo historicamente surge por causa de Crísipo, que envergonhado cometeu suicídio, após ser estuprado por Laio, pai de Édipo. A deusa Hera envia a esfinge a Tebas para punir a cidade. A punição sugere que a prática da pedofilia ou pederastia era censurada na sociedade helênica.

A questão levantada por esse mito é: Por que Crísipo se mataria se o amar um homem fosse uma prática aceitável na sociedade helênica da época? As conseqüências desse ato de Laio trouxeram uma maldição sobre a sua família de consequências trágicas.

A sociedade grega posterior tinha uma concepção de sexualidade diferente de outras sociedades africanas da época, praticava a pederastia.

Um afresco de um túmulo em Paestum, uma colônia grega na Itália, representando casais pederastas.

O Batalhão Sagrado de Tebas, famoso por suas vitórias, era formado por 150 pares de amantes homoafetivos, ou seja, 300 homens.

Se houvesse maneira de conseguir que um estado ou um exército fosse constituído apenas por amantes e seus amados, estes seriam os melhores governantes da sua cidade, abstendo-se de toda e qualquer desonra. Pois que amante não preferiria ser visto por toda a humanidade a ser visto pelo amado no momento em que abandonasse o seu posto ou pousasse as suas armas. Ou quem abandonaria ou trairia o seu amado no momento de perigo? Platão (428 a.c - 348 a.c)

A mulher na sociedade helênica era um simples objeto, não sendo considerada cidadã, bem diferente das mulheres das civilizações do Vale do Nilo e de outras regiões africanas as quais eu tenho conhecimento.

Menandro, dramaturgo ateniense escreveu:
- "Ensinar uma mulher a ler e escrever? Que coisa terrível de se fazer! Como alimentar uma cobra de mais vil veneno.”

O mito de Édipo tem estudos que sugere mais um plágio da história de Kemete, através de Immanuel Velikovsky nascido em 1895 de uma família próspera judaica, em Vitebsk, Rússia (agora na Bielo-Rússia), aprendeu várias línguas, graduado em língua russa e matemática, após viajar pela Europa e Palestina matriculou-se na Universidade de Moscovo, e recebeu um diploma em medicina em 1921.

De 1924 -1939 Velikovsky viveu no Mandato Britânico da Palestina, e praticou a medicina (prática tanto geral e psiquiatria), e também a psicanálise (ele estudou com o aluno de Sigmund Freud, Wilhelm Stekel em Viena).

Residindo nos EUA escreveu diversos obras polêmicas e através da influência do livro Moisés e o Monoteísmo de seu antigo mestre Sigmund Freud, publicou Édipo e Akhnenaton, afirmando que a história do faraó egípcio Akhenaton foi a origem da lenda grega de Édipo, e que Amenófis III era Laio, e Tutankhamon foi Etéocles.

Nas comparações feitas por Velikovsky o mito grego foi mais um plágio da história real Kemete. Ele afirma através de suas pesquisas documentais que o verdadeiro a história de Édipo não foi um mito como acreditava Freud, mas uma personagem histórica que habitou em Kemete: Akhenaton.

Neste momento devemos atentar ao seguinte fato: Tebas é uma cidade de Kemete e Tebas é o nome da cidade grega onde estava a esfinge no mito de Édipo.

Akhenaton um faraó da XVIII dinastia de Kemet, que governou por 17 anos, iniciando o seu governo entre 1370 a.C a 1358 a.C filho de Amenhotep III e da Rainha Chefe Tiye. Seu irmão mais velho, o príncipe Tutmés morreu quando ambos eram crianças. Akenaton foi notável em abandonar o politeísmo tradicional e a introduzir a adoração centrada em Aton, às vezes é descrito como monoteísta ou henoteísta. Fundou uma nova capital para Kemete, a cidade de Armana.

Immanuel Velikovsky encontra um paralelo entre a família de Akhenaton e a família de Édipo, rei de Tebas - sua cegueira e o exílio, sua maldição sobre seus filhos, que posteriormente mataram uns aos outros nas portas de Tebas, e a coragem de sua filha, Antígona, que sepultou seu irmão caído, apesar do decreto oficial contrário e ficou enclausurada em um túmulo como punição. Dr. Velikovsky descobre e analisa as semelhanças entre o mito e a realidade, ele resolve uma série de mistérios sobre os túmulos no Vale dos Reis, terra de Tutankhamon e seu famoso enterro, que há muito intriga os arqueólogos, e traz a vida todos os números de ambas as tragédias antigas.

Há um divisor de águas muito profundo sobre o Mito de Édipo Grego e a sua versão anterior em Kemete, simplesmente porque a história de Akhenaton é ainda muito controversa. A primeira delas foi a esfinge feminina alada de Tye (mãe de Akhenaton), copiada pelos gregos, que introduziram as esfinges aladas na sua mitologia.

Não há túmulos convincentes ou locais de sepultamento para os participantes na tragédia grega, onde supostamente foram encontrados.



O Édipo rei, é um personagem inocente, obrigado a viver fora de sua família e posteriormente comete o parricídio inconscientemente e desposa a própria genitora. No caso de Akhenaton, Velikovsky chama a nossa atenção para a idéia de que o histórico Amenófis IV (Akhenaton) condenado à nascença, por causa de uma profecia sinistra que ele iria matar seu pai e os herdeiros com sua mãe, ele foi criado em uma terra distante no exílio, provavelmente com os parentes reais em uma região na Pérsia ou próxima, onde o incesto mãe-filho estava em voga. Voltando a Tebas (Kemete) reivindica sua realeza, alguns dizem que por ter assassinado seu pai, teve filhos com sua mãe, como profetizou ele sabia que a rainha Tiy (Kiya) foi a sua mãe. Acreditava-se que o incesto que trouxe uma praga sobre a sua cidade capital, para que seus súditos o expulsou, cego, para o deserto. Esta pode ser a história de Akhenaton.

Na tragédia grega, Édipo mata o pai em uma região desolada, onde três estradas se cruzam. Mesmo fato ocorreu no cruzamento de 03 caminhos em Kemete com Akhenaton.

Quando os sacerdotes de Amon da cidade de Tebas (os gregos plagiaram e chamaram Zeus) desaprovaram o casamento de Amenófis IV com a sua mãe, a recém-viúva rainha Tiy, ele substituiu o culto de Amon para o culto de Atom (O Disco Solar). Fato ocorrido com a desaprovação da homossexualidade em Tebas pela esfinge, representante da deusa Hera, e a ascensão do deus patriarcal Zeus que era um bissexual e gostava de meninos novos com a vitória de Édipo. Será que o mito de Édipo foi uma vitória da prática homossexual em Tebas e a derrota do poder matriarcal de Hera sendo substituída por Zeus?

A questão do incesto ocorre na história de diversas civilizações, entre os hebreus é notória a história de Ló que manteve relações com as filhas. Na mitologia yoruba Exu tenta manter relações sexuais com Yemanjá, sendo salva por seu outro filho Ogum, há a tentativa do incesto não realizado.

Apesar dos egiptólogos não terem conclusões definidas da vida de Akhenaton e muitas hipóteses irão ainda surgir sobre a sua vida e, há argumentos específicos que comparados ao Édipo grego são deveras interessante:

1- As esculturas de Akhenatom mostram que tinha os membros inchados e Édipo em grego significa “pés inchados”

2- As inscrições sugerem que desposou a sua mãe Tye e com ela gerou descendência, mesmo ocorrido com Édipo que a desposou sua mãe Jocasta e procriaram dois filhos e duas filhas.

3- Há especulações por causa do túmulo de Tye a sua morte foi proveniente de suicídio e Jocasta suicidou.

4- Há especulação seque Akheneton ficou cego e foi peregrinou com a sua Meritaten a qual teve uma morte drástica. Antigona, filha de Édipo foi enterrada viva.

5- A história conta que Akhnetom desapareceu e Édipo foi retirado da terra pelas Êumenidas, as desusas da vingança.

A vida dos faraós de Kemete (Egito Antigo) era conhecida pelo chamado mundo antigo e foi relatada através do poderoso comércio, das conquistas, da colonização de outros territórios fora da África, mas migrações africanas. Os grandes dramaturgos gregos e romanos aproveitavam histórias reais e criaram as suas peças teatrais, repetido por grandes escritores até os dias atuais.

Na nossa comunidade há um desejo incontido, um fetiche que envenena, e a satisfação de sentir-se inserido nas concepções eurocentradas. Evidente de que os estudos dos mitos europeus e as tentativas de comparação para a superação dos problemas da comunidade afro-diásporicos são imanentes. O que demonstra que esta necessidade de comparação e inserção, revela que a nossa mitologia é desconhecida, resultando na negação do passado.

Se encontrar nos mitos europeus, nas suas cosmogonias, religiões e filosofias aliadas a psicanálise na procura de respostas para as vivências não escravizadoras das mitologias africanas, das ciências não europeias, reflete em desejos de uma sociedade que supere a opressão de gênero, o racismo, os conflitos entre pais e filhos, a violência urbana, o encontro entre nós sem o desejo insano de competitividade, o qual nos separa e reforça as forças da discriminação e opressão. Urge o conhecimento das mais antigas sociedades africanas e como enfrentaram os seus conflitos, porque delas descendemos e com certeza poderá nos trazer explicações mais próximas aos nossos anseios e esperanças.

Shalom!!!


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2 comentários:

Vanilda Santos disse...

Excelente1 Parabéns pelo trabalho.

Marcia Zaros disse...

Akhenaton tem traços bem asiáticos tá mais pra um chinês....acho que Akenaton é um mito helenista. Pelo que estudei a África é e sempre foi politeísta...aliás deusas e sistemas matriarcais sempre bem presentes na África...dá pra imaginar as perseguições de um sacerdote militar helenista como o Akhenaton para estabelecer seu culto patriarcal....verdadeira inspiração pra o cristianismo com suas inquisições(católica e protestante(essa ainda mais violenta(a grande caça as bruxas)....

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