domingo, 29 de janeiro de 2012

MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA- LIVRO INFANTIL POLITICAMENTE CORRETO - MESTIÇAGEM COMO IDEÁRIO DAS ELITES


Por Malachiyah Ben Ysrayl.

Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter PassosLink

Sempre apreciei literatura infantil. Durante a infância até a adolescência, eu li e, muitas vezes, reli inúmeras revista em quadrinhos, livros infantis e recortes de jornais. Ainda hoje, assisto desenhos animados e continuo gostando de literatura para crianças.

Naquela época, eu não compreendia a ideologia intrínseca em cada uma daquelas publicações, e mesmo com a “visão de menino”, sabia que naquelas histórias eu não me encontrava - toda criança procura nos personagens uma identificação -, nelas eu apenas me embranquecia e concomitantemente com a discriminação racial vivida, eu vivia mergulhado em crises. Sem perceber, as mensagens simbólicas de poder sempre me colocavam como inferior em uma sociedade branca judaico-cristã.

Atualmente, neste afã mercadológico da nova literatura, leio os livros infantis como observador e crítico das mazelas que ocasionam para as crianças pretas, em especial aqueles livros escritos por pessoas que não estão inseridas na realidade dos africanos e seus descendentes no Brasil, nem conosco mantém compromissos étnicos-identitários.

Por desafios, aprendi a escrever contos na tentativa de suprir a fantasia dos meus filhos e filhas pretas, quando ao buscar, não encontravam uma literatura adequada e específica para crianças pretas naquele período, desta forma, eu mesmo tive que criar as histórias.

Quando meus filhos estavam pequenos, havia uma febre de programas televisivos endereçados a crianças, como a Xuxa e muitos outros. Tais programas exaltavam o imaginário mundo das fadas e princesas européias, a dita beleza dos traços caucasianos, a ilusão da superioridade fenotípica branca e a degradação da figura das pessoas pretas.

Não permiti que os meus filhos assistissem a Xuxa e suas Paquitas, e hoje eles me agradecem. Da mesma maneira, nunca presenteei minhas filhas com bonecas de fenótipos europeus, sempre lhes dava bonecos e bonecas pretas, cujos nomes faziam referência a ilustres líderes com Zumbi, ou a belíssimos nomes africanos como Dandara, com as quais elas interagiam umbilicalmente com a pretitude. Dessa maneira, meus filhos aprenderam as suas histórias e se sentiam felizes, refletindo, ainda crianças, sobre a sua origem africana e, desde lá, conscientes de enfrentar com cabeça erguida a vida real de racismo na educação brasileira.

Os livros paradidáticos traziam mensagens que não satisfaziam a minha necessidade de informá-los sobre a sua ancestralidade africana e onde eles pudessem ser vistos. Então, comecei a colher informações e usando a criatividade escrevi dezenas de histórias e muitas delas com a participação deles, uma interação de africanidade onde os meus filhos foram participes, proporcionando a eles, hoje, o pertencimento como africanos, uma consciência adquirida desde a tenra infância, através dos contos escritos por mim.

A literatura infantil é iconográfica, com representações estéticas raciais, discursos ideológicos e poderosas influências simbólicas. O livro infantil não é pautado na inocência, mas nos interesses e projeções do autor e na manutenção da submissão daqueles considerados subalternos na sociedade. O livro infantil é a mensagem política do adulto, e sua explicação do mundo para as crianças, e naquele mundo, o preto não ocupa o lugar de poder e desconhece os padrões da ancestralidade. O livro infantil para o povo preto tem que ser considerado como arte-educação-política de literatura libertária para as nossas crianças.

Um dos livros didáticos apresentado ao meu filho caçula na 1ª série do ensino fundamental foi MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA, escrito por Ana Maria Machado, uma renomada escritora com “mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 18 países somando mais de dezoito milhões de exemplares vendidos. Os prêmios conquistados ao longo da carreira de escritora também são muitos, tantos que ela já perdeu a conta. Em 2003, Ana Maria foi eleita para ocupar a cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras, substituindo o Dr. Evandro Lins e Silva. Pela primeira vez, um autor com uma obra significativa para o público infantil havia sido escolhido para a Academia.”

Fonte: http://www.anamariamachado.com/biografia

MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA


Este livro é conceituado pela crítica nacional e internacional, admirado pela maioria dos professores, e divulgado por uma parcela importante de militantes do MOVIMENTO NEGRO BRASILEIRO, inclusive mulheres, sendo referência pela maioria de professoras pretas. Sobre ele, irei tecer algumas reflexões críticas.

A princípio, merece destaque o fato do livro não ser pensando para a comunidade preta, ao contrário, a autora se inspira em sua filha, uma menina branca de ascendência italiana, conforme se pode extrair das informações do seu sitio pessoal na internet. Vejamos:

“Este livro, para mim, é uma história que surgiu a partir de uma brincadeira que eu fazia com minha filha recém-nascida de meu segundo casamento. Seu pai, de ascendência italiana, tem a pele muito mais clara do que a minha e a de meu primeiro marido. Portanto, meus dois filhos mais velhos, Rodrigo e Pedro, são mais morenos que Luísa. Quando ela nasceu, ganhou um coelhinho branco de pelúcia. Até uns dez meses de idade, Luísa quase não tinha cabelo e eu costumava por um lacinho de fita na cabeça dela quando íamos passear, para ficar com cara de menina. Como era muito clarinha, eu brincava com ela, provocando risadas com o coelhinho que lhe fazia cócegas de leve na barriga, e perguntava (eu fazia uma voz engraçada): “Menina bonita do laço de fita, qual o segredo para ser tão branquinha?” E com outra voz, enquanto ela estava rindo, eu e seus irmãos íamos respondendo o que ia dando na telha: é por que caí no leite, porque comi arroz demais, porque me pintei com giz etc. No fim, outra voz, mais grossa dizia algo do tipo: “Não, nada disso, foi uma avó italiana que deu carne e osso para ela...” Os irmãos riam muito, ela ria, era divertido. Um dia, ouvindo isso, o pai dela (que é músico) disse que tínhamos quase pronta uma canção com essa brincadeira, ou uma história, e que eu devia escrever.”
Fonte: http://www.anamariamachado.com/historia/menina-bonita-do-laco-de-fita

No primeiro olhar, o livro totalmente inocente conta a história de uma menina pretinha questionada por um coelho branco o porquê da sua cor epitelial, responde simploriamente, frases que a maioria não responderia:

- Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?

A menina não sabia, mas inventou:

­- Ah deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina...
- Ah, deve ser porque eu tomei muito café quando era pequenina.
- Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina.
A menina não sabia e... Já ia inventando outra coisa, uma história de feijoada...

As respostas da menina sem nome fazem referências a uma gama de preconceitos incutidos que muitas crianças pretas ouvem para justificar a sua cor de pele. Um dos exemplos, é que as pessoas nascem pretas porque estão sujas:

“Cai na tinta preta (o sujo de tinta).”

Também é Interessante é a explicação da mãe da menina, outra personagem sem nome, que explica a cor da filha assim:

“quando a mãe dela que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha...”

Observemos que a mãe sem nome e adjetivada como “uma mulata” - fruto da miscigenação - e nós sabemos que o termo mulato não é aceito pelos setores do Movimento Negro por exprimir através da própria sociedade branca escravocrata, o filho considerado híbrido, o homem afeminado em diversos romances da literatura brasileira, a mulher sexualmente fácil, a rejeição da mulher preta. Por outro lado, a idéia de mulatismo agrada as classes dominantes por criar uma sociedade sem conflitos e impor o poder do homem branco sobre as mulheres pretas na construção de uma sociedade na concepção de Gilberto Freire.

A mulata sem nome e sem consciência racial explica a cor da menina sendo decorrente das:

- Artes de uma avó preta que ela tinha...

Quais foram estas artes? A avó preta foi uma mulher arteira, sexualmente falando, que teve relações com um homem branco, sendo estas artes (sexo) o motivo da menina ser preta? As artes são da mulher preta e não do homem branco. O homem branco na sociedade escravocrata brasileira e posteriormente após a escravidão, não faz artes, a responsabilização sempre é das mulheres pretas. Consequentemente, lembremos, que na escravidão, quando diversas mulheres pretas foram estupradas pelos senhores e seus filhos, elas que fizeram as artes. No período pós-abolição, as mulheres pretas continuam a fazer artes e terem os seus filhos “mulatos”. A autora poderia ter usado o termo:

- Por causa de um amor que a avó preta dela tinha.

Contudo, foi de extremo equivoco a autora explicar a ascendência da menina pretinha envolvendo as artes de uma avó preta e omitir o seu avô branco.

O coelho branco, símbolo de fertilidade, é um questionador e acha a menina preta bonita e deseja tornar-se preto. É o homem branco cordial, que “ama o povo preto”, e tenta se tornar preto. Ele faz diversas tentativas e não consegue alterar sua cor epitelial.

- Aí o coelho, que era bobinho, mas nem tanto, viu que a mãe da menina devia estar mesmo dizendo a verdade, porque a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até com os parentes tortos.

Dentro daquele contesto, ainda não compreendi com clareza o que são parentes tortos.

Todavia, através da relação sexual com uma coelhinha preta, completa o seu desejo de uma ninhada multiétnica. Na representação do homem branco cordial e da sociedade sem conflitos raciais:

“- E se ele queria ter uma filha pretinha e linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.
Não precisou procurar muito. Logo encontrou uma coelhinha escura como a noite, que achava aquele coelho branco uma graça.”

O coelho branco sempre é uma graça, lindo e poderoso que encantou a coelhinha preta igual à menina e neste casamento surge uma ninhada de coelhos semelhante à sociedade brasileira: sem graves problemas raciais, na concepção equivocada e maldosa da autora. O que nos chama a atenção é que o coelho branco segue os padrões sociais aceitos e contrai núpcias com a coelhinha preta que o achou uma graça, enquanto a avó da menina faz artes, é a preta arteira, a pecadora, a jezabel.

“-Foram namorando, casando e tiveram uma ninhada de filhotes, que coelho quando desanda a ter filhote não para mais! Tinha coelhos de todas as cores: branco, branco malhado de preto, preto malhado de branco e até uma coelha bem pretinha.”

As idéias de pluralidade racial, multietnicidade e cordialidade nas mentes das crianças são programadas pela autora, que no âmago do discurso com esta brincadeira para uma criança branca escreve um livro sem nenhuma preocupação com a comunidade preta brasileira, sem quaisquer fundamentos históricos, e reproduz um ideário das elites brancas deste país: Uma civilização brasileira sem conflitos, sem mazelas da escravidão cristã, sem luta de classes, sem importância referencial da África, uma sociedade mestiça, um livro a base do pensamento de Gilberto Freire. Um louvor a mestiçagem, em resumo: um livro “politicamente correto”.

O livro nega toda a idéia de construção de relação que devemos ter com a nossa ancestralidade africana, apesar de no seu início sugerir que “Ela ficava parecendo uma princesa das terras da áfrica, ou uma fada do Reino do Luar”. Ela sugere em contraposição a princesa das terras da África à história das fadas brancas do Reino de Luar. Temos que criar nas nossas crianças um referencial apropriado de afrocentricidade, porque o que se coloca neste conto ainda é uma idéia de branqueamento embutido na menina pretinha do laço de fita.

Não podemos aceitar a continuidade do mito do paraíso racial e o pluriculturalismo na educação deve ser baseado no respeito às diferenças e não na negação da história do povo preto.

Acredito que é uma covardia quando mascaramos das crianças a sua realidade e as inserimos em outro mundo como se fosse seu, quando deixamos que se sintam no mundo branco e elas descobrem sozinhas que este mundo não as querem com a sua ancestralidade.

11 comentários:

Akil Nassor disse...

Ainda no semestre passado a escola onde estava trabalhando trabalhou essa história com as crianças dentro de um projeto que trabalhava a Consciência Negra e involuntariamente eu me questionei sobre o fim da história quando aparecia a ninhada enorme de coelhos coloridos pois isso é alusão aberta a miscigenação, mais depois da leitura do artigo posso ver que a tentativa de engano ás crianças pretas são muito maiores.

Queluz disse...

Com as últimas pesquisas sobre o perfil genético brasileiro confirma-se apenas o que, na verdade todos com o mínimo de clareza, já sabíamos que, realmente nesse país, não existem negros somos todos mestiços com 70 a 90% de genética européia.
Não existe o tal dos “100%" negro que, ingenuamente, via-se em algumas camisetas "engajadas" de 10 anos atrás.
Somos mestiços com no mínimo 70% de genética européia.
Quem não se revisar e continuar trafegando no saudoso, porem encalhado, bonde histórico vai cair no ridículo e então, com todo respeito, vai pagar o maior “mico”!
Perda de tempo tentar implantar a odiosa política racista entre nós. Quem tentar vai se isolar.
A repugnante "forra", que alguns consideram como um "luxo" de consumo que, futuramente, "os-negros-discriminados" poderiam exercer, não vai acontecer como racismo não! Poderá até vir nos assaltar um dia, mas como po-lí-ti-ca genocida, jamais como postura racial.

Larissa Lisboa disse...

Olá Bayah,

Sempre passo por aqui para ler seus textos. Gosto muito do que você fala, de suas reflexões, que também me ajudam a construir minhas próprias reflexões!

Gostaria muito de poder comentar este seu último post, sobre o livro de Ana Maria Machado.

Concordo com muita coisa que você diz. Nenhuma obra, seja ela literária ou não, deixa de representar o nosso contexto social e os nossos conflitos.

Como você mesmo disse, a literatura infantil é escrita por adultos e, esses, carregam em sua arte seu modo de vida, sua ideologia e seus preconceitos.

O que não concordo é o modo como você aborda esta problemática no livro. Acredito que uma discussão tão séria, como essa, não deva ficar apenas no plano do diz que me diz, quem é o racista da vez, vamos denunciá-lo, vamos execrar seu livro e tirar de todas as escolas públicas do Brasil.

Sou professora e seu o valor deste texto para a sala de aula. Trabalhando com ele, podemos chegar em pontos como a discussão do porquê da autora ter escolhido um coelho da cor BRANCA, o que isso representa etc...

O que não acredito é que devemos desrespeitar os autores brasileiros, como eu penso que você desrespeitou, quando escreveu que Ana Maria Machado tem uma concepção equivocada e maldosa.

Acredito que não. Que isso sim é uma visão superficial da questão. Não é a autora que é maldosa, mas sim a sociedade, o que está intrínseco, o que ensinamos aos nossos filhos: uma conduta racista.

Ana Maria Machado, assim como qualquer outra poetisa, seja branca ou negra, reproduz um conflito étnico. Conheço muitos autores negros que também fazem a mesma coisa. Infelizmente, isso ainda é muito comum.

Por isso, não acredito que devemos confrontá-la, mas sim confrontar a sua obra. Mas, não há ponto de tirarmos, de deixarmos de colocar esta obra em contato com as crinças. O que devemos é saber como trabalhá-la em sala, não reproduzindo um discurso racista.

Tenho muito medo desse radicalismo do movimento negro. O que sinto é que, daqui a pouco, teremos uma inquisição com uma queima de todos os livros que refletem uma conduta racista. Isso é muito ruim!

Não. Acredito que devemos unir forças para que os novos escritores, tanto negros como brancos, e mesmo os escritores já renomados, como Ana Maria Machado, debrucem-se sobre a questão étnica brasileira para produzir bons materias para as crianças de hoje e de amanhã. Precisamos produzir coisas boas! Algo que reflita essa mudança que temos passado!

Mas, não vamos deixar de usar os materiais que já existem, até mesmo para entender o processo de construção de uma nação brasileira democrática e igualitária. Como vamos entender isso sem conhecer textos como esse?

Espero que você não fique chateado com as minhas palavras. Só escrevi isso porque sei da força de suas palavras e acredito que, pelo diálogo, podemos crescer sempre mais!


Obs: Também escrevo sobre questões voltadas para a negritude.

Passe no meu blog para tomarmos um cafézinho:

http://larissalisboa.blogspot.com/

Abraços,
Larissa

Anônimo disse...

Olha axo q esse lance de racismo está nos olhos de quem vê, até pq ninguem nasce racista...aprend-se a ser racista..e aprende assim, aos olhos de quem perpetua essa ideia de racismo em tudo q vê...é uma pena q ainda existe pessoas presas ao figurino ridiculo do racismo...

Amenhotep disse...

É curioso que para os eugenistas imbecis não existam negros no Brasil ,ainda que o racismo exista.
Eles querem dizer que, no Brasil, o
negro deixou de existir a partir de
1888 com o fim da escravidão.
Ou seja: só existiram negros aqui neste país apenas durante o cativeiro
Dá para entender esta?

Eu, AMEN HOTEP HERU

www.bitavel.com disse...

Texto muito esclarecedor.
Sempre visito seu blog para buscar fontes de inspiração e compreensão da realidade que nos cerca. Principalmente para tornar minhas ações profissionais, empresariais, academicas e pessoais mais assertivas.

Como sabermos o racismo é uma doença social. Logo, não escolhe cor, classe social ou profissão, mesmo sendo escritor(a).

Parabéns pelo texto Prof. Walter Passos! E continuemos no resgate da valorização da história de nossos ancestrais, principalmente da mulher negra na sociedade brasileira.

Na oportunidade divulgo link de artigo sobre o papel da Rainha Jinga, Reino do Kongo (região da atual Angola), na luta da coroa portuguesa para viabilizar economicamente o Brasil.
http://www.flaviotongo.blogspot.com/2011/12/rainha-jinga-ana-de-souza-congado.html

Att.

Flavio Tongo
Professor
Engenheiro Eletricista
Investidor
www.bitavel.com

www.bitavel.com disse...

Texto muito esclarecedor.
Sempre visito seu blog para buscar fontes de inspiração e compreensão da realidade que nos cerca. Principalmente para tornar minhas ações profissionais, empresariais, academicas e pessoais mais assertivas.

Como sabermos o racismo é uma doença social. Logo, não escolhe cor, classe social ou profissão, mesmo sendo escritor(a).


Parabéns pelo texto Prof. Walter Passos!


Continuemos no resgate da valorização dos nossos ancestrais, principamente da mulher negra na sociedade brasileira.

Abaixo encaminho link de artigo sobre o papel da Rainha Jinga do Reino do Kongo (região da atual Angola) junto a coroa portuguesa para viabilizar economicamente o Brasil. Nos dias atuais podemos ver tal historia em alguns congados brasileiros.
http://www.flaviotongo.blogspot.com/2011/12/rainha-jinga-ana-de-souza-congado.html
Att.

Flavio Tongo
Professor
Engenheiro Eletricista
Investidor
www.bitavel.com

dils santos disse...

que maravilha essas historinha,nossas crianças nao podem ficar sempre ouvindo essas mesmas historias das tais branca de neve,e cinderelas, tem que haver diversidades mesmo nas historias ate porque esse pais e bem miscigenado parabens

BATISTA disse...

O indivíduo que se identificou pela alcunha de QUELUZ (2º comentário) precisa saber do seguinte:

Só há uma raça humana, logo, uma criança nascida da cópula entre dois seres humanos não é uma criatura mestiça, porque mestiços são gerados pela mistura entre diferentes raças. Mesmo assim pode-se definir os percentuais de contribuição genética no individuo miscigenado. – Deduz-se que todos os que teimam no conceito de mestiços estão andando em saudosos e encalhadíssimos bondes históricos, e estão pagando mico!

Para a ciência, os seres humanos não pertencem a "raças", mas a grupos de linhagem:

CAUCASIANOS: povos de todo o continente europeu, e seus descendentes que se estabeleceram fora da Europa; povos do norte da África; e povos do Oriente médio (que é uma sub-região da Eurásia), inclusive judeus.
NEGROS: povos da África subsaariana em geral, e seus descendentes em todo o mundo; pardos do sul da Índia (drávidas); povos das Ilhas Andaman no Oceano Índico; nativos de Pápua-Nova Guiné; nativos da Austrália (australóides) e os povos melanésios da Oceania.

ORIENTAIS: povos do leste e sudeste asiático; Oceania (malaios e polinésios). – Os AMERÍNDIOS são apenas uma variação deste grupo, pois descendem de asiáticos que imigraram para o continente americano a milênios atrás, e espalharam-se pelas três Américas (América do norte, central e sul).

O método utilizado para definir a REAL ancestralidade do indivíduo é o de mTDNA (DNA mitocondrial) por matrilinhagem (linhagem das mães). O mTDNA não se mistura nem se modifica por "miscigenação", e é passado de mãe em mãe através das gerações.

No ano 2000, através das pesquisas realizadas pela equipe do geneticista Sérgio Danilo Pena, concluiu-se o seguinte:
 87% dos brasileiros têm PELO MENOS 10% de ascendência africana;
 46% dos brasileiros têm MAIS DE 90% de ancestralidade africana;
 52% da população brasileira é por matrilinhagem (mitocondrial) inequivocamente afro-descendente;
 28 milhões de brasileiros que se declararam brancos são, por matrilinhagem, inequivocamente afro-descendentes;
 80% dos autodeclarados negros (pretos + pardos) têm pelo menos 90% de ancestralidade africana.

A fonte destas informações é o artigo: Mestiço, uma identidade étnico-racial válida? , de Juarez C. da Silva Junior: http://amazonida.orgfree.com/movimentoafro/mestico_identidade.htm

Nós, negros brasileiros, somos negros de corpo e alma.

Mauricio Lage disse...

É isso ai Batista, o abestalhado do queluz só não entendeu que o 100% Negro daquelas camiseta era uma expressao de identidade e consciencia. Identidade e consciência 100% negra. nao entendeu de conveniencia

Anderson disse...

Excelente comentário do Batista, mestiço não existe na raça humana, fato que pode ser atestado pelas últimas descobertas da ciência. Mas para entender o porquê de muitos brasileiros ficarem nesse blá blá blá de mestiço, é preciso voltar à história do século 19, quando intelectuais como Nina Rodrigues e Silvio Romero bradavam aos quatro ventos que este país só seria "moderno" e "viável" se conseguisse por fim à "maldita herança da escravidão". E que herança maldita seria essa? A existência de uma ampla maioria negra no país!! As teses de Romero e Rodrigues (que chegaram a prever a "extinção" total de negros, por volta do ano 2000, através da miscigenação) criaram a idéia de que "melhorar", "progredir" e "modernizar-se" eram literais sinônimos de "embranquecer-se". Essa concepção, na década de 1930, ganhou uma nova roupagem com a falsa teoria da "democracia racial" que, na tentativa de eliminar o "sangue" e a identidade negra, induzia o povão a "adorar" a idéia de miscigenação como se estivessem adorando o próprio Deus. É por isso que até hoje aparecem livros como este "Menina Bonita do Laço de Fita", pra contaminar a cabeça das crianças negras com a ideologia de miscigenação.
Eu duvido muito desses 70% de genes europeus na população brasileira. Entre todos os países que participaram do comércio atlântico de escravos, foi no Brasil que entrou a maior quantidade de pessoas africanas. Houve épocas da história de nosso país em que a população de negros foi muitas vezes maior que a de brancos. E toda essa carga genética africana simplesmente evaporou? Não creio!