Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Poesta, Pan-africanista, Afrocêntrico E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Desde implementada a lei 10.639, e posterior reformulação na lei 11.645, universidades, escolas e movimentos sociais buscam alternativas e novas práticas pedagógicas para sua implementação. Dirimam respostas de melhor obter sucesso na elaboração de material didático, como dizem, contemple os diversos falares brasileiros.
Entretanto, não se deve omitir que a história da pedagogia e suas práticas nunca contemplaram os africanos no Brasil. Na elaboração dos diversos materiais, os quais vêm a meu conhecimento, noto a falta de concepções afrocentradas. Não nego, contudo, as contribuições e propostas para a formação de uma educação crítica realizada por educadoras e educadores discordantes da educação privilegiada aos valores eurocêntricos.
Mister ressaltar que desde a década de 80 do século passado além de mim outros educadores e educadoras na Bahia voltaram as suas preocupações para um ensino direcionado a África, necessário a formação do nosso povo, a saber: Ana Célia, Valdina Pinto, Arany Santana, Jorge Conceição, Manoel Almeida e entre outros.
Entre os poucos evento e palestras, foi ministrado um curso no CEAO (Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia) em 1986 que ampliou a visão dos conhecimentos acerca do continente africano, sendo um dos professores, ministrando a matéria geografia da África, Jorge Conceição, nome que não deve ser esquecido na história da militância preta no Brasil quando trabalharmos os estudos africanos e propostas alimentares necessários ao reencontro da ancestralidade.
Há um desconhecimento ou omissão da história recente do Movimento Negro Brasileiro acerca de diversas conquistas das décadas de 80 e 90 do século XX, especialmente no que concerne a propostas educacionais, decisórias na transformação do agir da sociedade brasileira e resultou em um movimento negro mais consistente e aguerrido. Hoje as propostas educacionais são a continuidade de discussões e trabalhos feitos por mulheres e homens pretos que enfrentaram a academia de valores europeus afirmando que a educação era excludente e racista, entre esses nomes se destacam o de Manoel de Almeida Cruz e de Ana Célia Silva, a qual na minha

Na resistência de elaboração de propostas educacionais a contribuição de um amigo já falecido que ousou discutir uma nova fórmula pedagógica, deve ser sempre relembrada: Manoel de Almeida Cruz. Publicou em 1989, ALTERNATIVAS PARA COMBATER O RACISMO SEGUNDO A PEDAGOGIA INTERÉTNICA.Manoel elaborou um projeto de pedagogia que deve ser discutido e lembrado por educadores e militantes pretos mais jovens, uma proposta revolucionária para a época e nos traz ainda hoje reflexões, apesar de falhar em não ter uma dinâmica afrocentrada, foi um marco feito há 19 anos.

No que concernem as propostas pedagógicas, o ensino da história é fundamental como base de iniciação de pressupostos de encaminhamentos. A história por ter sido manipulada e mascarada tornou-se objeto de questionamentos no âmago de formação educacional, permitindo rever normas há muito inquiridas em uma sociedade herdeira de um modo de produção escravagista e conseguintemente anti-preto e anti-África.
As diversas escolas pedagógicas não contemplam as necessidades de uma população afro-diasporica no caminho de afirmação como povo, porque não há um reconhecimento positivo da nossa herança africana e, se trabalhou de diversas formas que a herança fosse esquecida na divulgação de uma sociedade sem conflitos, de um povo miscigenado, morenado, mulatado, de diversas colorações epiteliais, sem identidade e sem perspectiva afirmativa, restando o seu encontro da falsa felicidade no espelhar e desejar se apropriar do passado do seu escravizador e renegar o seu passado histórico. Foi este ato pedagógico bem planejado objetivando que ficássemos alienados, o qual não obteve êxito pela reação especialmente através de educadores e educadoras pretas, e não posso deixar de citar na minha formação de militância a saudosa Bia (Maria Beatriz do Nascimento) a qual considero a minha mentora na luta contra a discriminação racial e inúmeras conversas e encontros com a saudosa Lélia Gonzalez.
No momento que a percepção dos estudantes é aguçada, trabalhada, provocada na afrocentricidade há o encontro dentro do âmago e surgem os questionamentos de que algo está errado, e a criticidade permite a introjeção analítica de como são vistos na sociedade brasileira, e concomitantemente aos educadores e educadoras buscarem alternativas de uma nova visibilidade real da sua africanidade. Ocorre apenas quando os educadores e educadoras renascerem na sua pretitude, sendo este é o maior desafio na educação.
Alguns questionamentos os educadores e educadoras pretas necessitam refletir quando se deparam com esses desafios:
- Como educar na afrocentricidade se ainda estou embranquecido nos meus conceitos pedagógicos?
- Como educar na afrocentricidade se ainda vejo os estudantes pretos com os olhares discriminatórios?
- Como educar na afrocentricidade se ainda repito os conceitos de que os estudantes pretos são incapazes?
- O que posso fazer e como procurar ajuda se ainda não me encontrei na minha africanidade e tenho que ser o condutor-educador de formação de consciências de crianças, jovens e adultos que como eu sou o próprio instrumento de libertação?
Estas perguntas e outras deveriam ser feitas por todo educador e educadora preta que recebe os novos desafios educacionais e se compromete em transformar a escola como força-motriz geradora de mudanças sociais; apesar de ter que enfrentar oposições constantes de mentes escravizadas.
As idéias perpassadas de que somos somente um povo originário do tráfico africano, demarca a nossa história criando uma poderosa mentira e negação de milhares de anos formativos de desenvolvimento africano e afro-diásporico civilizatório, outrossim, faz com que haja a idéia de uma simples adequação ao modelo educacional vigente, o qual afirma as diferenças e dessemelhanças, com um único padrão copiado e defendido pelas elites descendentes de escravizadores: o modelo educacional branco.
As propostas “inclusivas” no currículo escolar, na concepção de muitos educadores, perpassam apenas com participações de danças, cantos e manifestações do lúdico, que de longe não contemplam integralmente a verdade histórica do resgate da afrocentricidade da educação e filosofia educacional afrocentrada, a qual poderá urgentemente reformular o cerne metodológico-histórico-pedagógico. Apenas afirmam que nunca estivemos dentro do modelo educacional vigente e mais uma vez a tenacidade de militantes pretos tem que fazer a diferença, apesar de que falta o interesse maior de educadores e educadoras pretos e pretas formados no academicismo ocidental e desconhecem que foram as maiores vitimas do racismo, sendo educados como reprodutores da dominação e da escravização mental reproduzida nas salas de aula, principalmente através dos livros didáticos base da formação na infância os quais ainda continuam nas salas de aula. Um bom início de desconstrução é ler os livros da Profa. Dra. Ana Célia Silva da UNEB (Universidade Estadual da Bahia), especialmente “A discriminação do negro no livro didático” e “A representação social do negro no livro didático: o que mudou?”Não há mais uma proibição normativo-pedagógica de trabalhar a história e a afrocentricidade como o caminho restaurador das mentes dominadas por valores eurocêntricos; existe o medo das mudanças de se olhar a si mesmo como um educador-condutor da liberdade e, não um escravizado-condutor da paidagogia helênica.
Ainda é totalmente questionável a apresentação de discursos e práticas de educadores pretos e brancos, quando problematizam e propõem alternativas para a formação dos estudantes, desconhecendo a história do saber, o inicio da capacidade humana de construir conhecimento. Simplesmente recorrem à pedagogia grega, como o início estrutural e formativo da educação no planeta. A pedagogia não é originária da Grécia, apesar da palavra paidagogia ser de origem grega. O início do saber e de diversas maneiras de educar é africana.
Os gregos aprenderam com os africanos que a educação constituiria o início de todo esforço humano. Ela seria a justificativa ao mesmo tempo da existência individual e do grupo. A palavra educar (em Latim, educare) é uma tradução do grego paidagogia: pais (criança) e ago (conduzo), que significa a educação integral da pessoa: física, estética, moral, intelectual e religiosa. A própria percepção helênica, apesar de ser repetida por pedagogos e pedagogas não é desenvolvida na formação educacional, e temos que ressaltar que o conhecimento grego foi uma cópia dos conhecimentos de Kemet (Egito) e dos primeiros pretos que desenvolveram a civilização em terras da Grécia. Nas cidades-estados da Grécia ensinavam-se concepções escravagistas, sexistas e patriarcais, bem diferentes do saberes africanos ancestrais e matriarcais.
As mentes estão infectadas pelas mentiras eurocêntricas, dos seus racionalismos e cartesianismos que apregoam nas formações acadêmicas a incapacidade africana e ensinam com desenvoltura o “saber” surgido na Grécia e desenvolvido no mundo ocidental branco. Se a base formativa do conhecimento, do saber, é helênica, e os métodos pedagógicos usados na escola originam-se de educadores e filósofos ocidentais, nada como se adequar a estas escolas e adaptar as alternativas educacionais ao pensamento do construtivismo de Jean Piaget e de Emilia Ferrero, e de outras concepções européias. Aflorar nas discussões as propostas de Paulo Freire como metodologias a serem inseridas nos projetos escolares, sem maiores contestações ao que o povo preto entende e almeja como construção de uma liberdade educacional afrocentrada.
As alternativas pedagógicas atualmente defendidas são de uma simplória inserção no currículo escolar, especialmente através do ensinamento da história sem criticidade e moldada em autores e autoras que entendem a história africana como uma simples contribuição na formação da sociedade brasileira, infelizmente está obtendo sucesso, aliás, tornando-se verdadeira e validada pela maioria de educadores e educadores desconhecedores da afrocentricidade, cujo desenrolar de ensinamentos é de contribuir na difusão de conhecimentos de inclusão, com ensinamentos de uma África colonizada e distribuída para os seus algozes após a conferência de Berlim. Uma África que se restringe ao Golfo de Benin e a Angola, esquecendo-se que o tráfico seqüestrou populações de diversões rincões e de múltiplas culturas, inclusive islamizadas. Negando a diversidade cultural africana e sua diversidade através de migrações antes do tráfico que povoou e civilizou regiões diversas em todos os continentes. Recorta-se o conhecimento de um continente quase quatro vezes maior do que o Brasil. Nega-se a sua formação como originário de civilizações incluindo a Ásia, Oceania, Américas e Europa antes do surgimento das populações brancas.
É de práxis o entendimento dos diversos questionamentos realizados por educadores e educadoras militantes do Movimento negro sobre o modelo educacional vigente no Brasil, deram o primeiro passo de negação e contestação das práticas pedagógicas eurocentradas. Disseram não e propuseram novos modelos, mas faltou nessas propostas a afrocentricidade e esse é o desafio. Conclui-se da discriminação na educação brasileira e caminhos novos teriam que ser tomados de inserção da população preta, de dar visibilidade, de se conhecer o que chamam de “contribuição do negro” na formação da sociedade brasileira. Mas, não houve ainda a formulação de uma pedagogia afrocentrada, pois a afrocentricidade é um renascer preto da consciência, alterando-se o foco de aprendizado europeu que busca a mera inclusão discursiva, baseada na democracia racial, a proposta da afrocentricidade caminha-se para a PRÁTICA de resgate e a vivência histórica da África, a mãe-geradora do conhecimento da humanidade. Temos sempre quer dizer aos estudantes quando ministramos aulas em todas as áreas: A África é a matriz de todo o conhecimento humano.
A pedagogia eurocêntrica é inserida a todo o momento através da comunicação especialmente do poder televisivo. A mídia tornou-se o grande caminho de desconstrução das diversas tradições da oralidade ainda existentes, e paradoxalmente de formação que invade os neurônios e afirma o projeto mistificador de uma pedagogia inclusiva de direitos a todos, através de programas beneficentes de leis como cotas, retirando a palavra reparação da escravidão.
A idéia de diversidade cultural, pluriétnica, multifacetada, demonstra etimologicamente e na praticidade que a maioria da população preta está fora do poder real, apesar de que aspectos da ludicidade sejam admirados e colocados como apresentação para turista ver e principalmente para gerir rendas, as quais não são investidas diretamente no desenvolvimento econômico-educacional dos seus atores e atrizes, que vivem nos chamados guetos e periferias, em uma geopolítica perversa e excludente, como o caso do carnaval, capoeira, acarajé, etc.
As manifestações culturais de protesto através da musicalidade, como o reggae, rap, hip-hop, as artes como o grafite e vestimentas não européias são consideradas marginais. Inclusive em um estado como a Bahia a calça jeans tornou-se obrigatória como parte do uniforme escolar, sem preocupações maiores do desconforto de um clima tropical.
A Pedagogia eurocêntrica e a sua história demonstram a falta de respeitabilidade com o outro, pois no ínterim, há a idéia de superioridade racial das nações que impuseram um modelo de vida e de pensamento, como o primevo, real e verdadeiro. O caminho que temos é a prática do panafricanismo e na difusão dos ensinamentos afrocentrados, especialmente na reescrita da história africana e afro-diásporica. Na publicação de material didático que possa suprir as dificuldades encontradas por educadoras e educadores questionadores do material didático das grandes empresas. Na formação de educadores e educadoras que possam trabalhar uma pedagogia afrocentrada e direcionada a nossa população a qual desde a escravização esteve fora do interesse formativo e somente por pressões do Movimento Negro conseguimos algumas vitórias, sendo o momento de ampliar a luta pela educação e de se planejar uma pedagogia afrocentrada.
Temos que explicar aos coordenadores pedagógicos que estão com as mentes voltadas para as experiências norte-americanas, européias e israelenses de educação, e seguem esses modelos tentando-os dar aplicabilidade para a formação de um novo pensar educacional, que não conseguirão êxito porque continuarão a contribuir diretamente na concepção de superioridade européia de tentar explicar a história e a educação suas metodologias e olhares não pretos, apesar de falarem dos pretos. Temos respostas de gerir uma pedagogia afrocentrada de resgate da auto-estima e de retirar o véu branco que paira sobre a história preta formativa do planeta.
Temos que começar a trabalhar conjuntamente para a realização de encontros educacionais onde todos e todas que acreditam na afrocentricidade e no panafricanismo objetivem a maior difusão de um novo modelo educacional libertador e formulem projetos que possam gerir nos meios populares essas mudanças.
A educação é o melhor caminho na inserção de transformações imediatas que ampliem os horizontes na construção de um projeto político-libertador dos descendentes de africanos no Brasil.
As diversas escolas pedagógicas não contemplam as necessidades de uma população afro-diasporica no caminho de afirmação como povo, porque não há um reconhecimento positivo da nossa herança africana e, se trabalhou de diversas formas que a herança fosse esquecida na divulgação de uma sociedade sem conflitos, de um povo miscigenado, morenado, mulatado, de diversas colorações epiteliais, sem identidade e sem perspectiva afirmativa, restando o seu encontro da falsa felicidade no espelhar e desejar se apropriar do passado do seu escravizador e renegar o seu passado histórico. Foi este ato pedagógico bem planejado objetivando que ficássemos alienados, o qual não obteve êxito pela reação especialmente através de educadores e educadoras pretas, e não posso deixar de citar na minha formação de militância a saudosa Bia (Maria Beatriz do Nascimento) a qual considero a minha mentora na luta contra a discriminação racial e inúmeras conversas e encontros com a saudosa Lélia Gonzalez.
No momento que a percepção dos estudantes é aguçada, trabalhada, provocada na afrocentricidade há o encontro dentro do âmago e surgem os questionamentos de que algo está errado, e a criticidade permite a introjeção analítica de como são vistos na sociedade brasileira, e concomitantemente aos educadores e educadoras buscarem alternativas de uma nova visibilidade real da sua africanidade. Ocorre apenas quando os educadores e educadoras renascerem na sua pretitude, sendo este é o maior desafio na educação.
Alguns questionamentos os educadores e educadoras pretas necessitam refletir quando se deparam com esses desafios:
- Como educar na afrocentricidade se ainda estou embranquecido nos meus conceitos pedagógicos?
- Como educar na afrocentricidade se ainda vejo os estudantes pretos com os olhares discriminatórios?
- Como educar na afrocentricidade se ainda repito os conceitos de que os estudantes pretos são incapazes?
- O que posso fazer e como procurar ajuda se ainda não me encontrei na minha africanidade e tenho que ser o condutor-educador de formação de consciências de crianças, jovens e adultos que como eu sou o próprio instrumento de libertação?
Estas perguntas e outras deveriam ser feitas por todo educador e educadora preta que recebe os novos desafios educacionais e se compromete em transformar a escola como força-motriz geradora de mudanças sociais; apesar de ter que enfrentar oposições constantes de mentes escravizadas.
As idéias perpassadas de que somos somente um povo originário do tráfico africano, demarca a nossa história criando uma poderosa mentira e negação de milhares de anos formativos de desenvolvimento africano e afro-diásporico civilizatório, outrossim, faz com que haja a idéia de uma simples adequação ao modelo educacional vigente, o qual afirma as diferenças e dessemelhanças, com um único padrão copiado e defendido pelas elites descendentes de escravizadores: o modelo educacional branco.
As propostas “inclusivas” no currículo escolar, na concepção de muitos educadores, perpassam apenas com participações de danças, cantos e manifestações do lúdico, que de longe não contemplam integralmente a verdade histórica do resgate da afrocentricidade da educação e filosofia educacional afrocentrada, a qual poderá urgentemente reformular o cerne metodológico-histórico-pedagógico. Apenas afirmam que nunca estivemos dentro do modelo educacional vigente e mais uma vez a tenacidade de militantes pretos tem que fazer a diferença, apesar de que falta o interesse maior de educadores e educadoras pretos e pretas formados no academicismo ocidental e desconhecem que foram as maiores vitimas do racismo, sendo educados como reprodutores da dominação e da escravização mental reproduzida nas salas de aula, principalmente através dos livros didáticos base da formação na infância os quais ainda continuam nas salas de aula. Um bom início de desconstrução é ler os livros da Profa. Dra. Ana Célia Silva da UNEB (Universidade Estadual da Bahia), especialmente “A discriminação do negro no livro didático” e “A representação social do negro no livro didático: o que mudou?”Não há mais uma proibição normativo-pedagógica de trabalhar a história e a afrocentricidade como o caminho restaurador das mentes dominadas por valores eurocêntricos; existe o medo das mudanças de se olhar a si mesmo como um educador-condutor da liberdade e, não um escravizado-condutor da paidagogia helênica.
Ainda é totalmente questionável a apresentação de discursos e práticas de educadores pretos e brancos, quando problematizam e propõem alternativas para a formação dos estudantes, desconhecendo a história do saber, o inicio da capacidade humana de construir conhecimento. Simplesmente recorrem à pedagogia grega, como o início estrutural e formativo da educação no planeta. A pedagogia não é originária da Grécia, apesar da palavra paidagogia ser de origem grega. O início do saber e de diversas maneiras de educar é africana.
Os gregos aprenderam com os africanos que a educação constituiria o início de todo esforço humano. Ela seria a justificativa ao mesmo tempo da existência individual e do grupo. A palavra educar (em Latim, educare) é uma tradução do grego paidagogia: pais (criança) e ago (conduzo), que significa a educação integral da pessoa: física, estética, moral, intelectual e religiosa. A própria percepção helênica, apesar de ser repetida por pedagogos e pedagogas não é desenvolvida na formação educacional, e temos que ressaltar que o conhecimento grego foi uma cópia dos conhecimentos de Kemet (Egito) e dos primeiros pretos que desenvolveram a civilização em terras da Grécia. Nas cidades-estados da Grécia ensinavam-se concepções escravagistas, sexistas e patriarcais, bem diferentes do saberes africanos ancestrais e matriarcais.
As mentes estão infectadas pelas mentiras eurocêntricas, dos seus racionalismos e cartesianismos que apregoam nas formações acadêmicas a incapacidade africana e ensinam com desenvoltura o “saber” surgido na Grécia e desenvolvido no mundo ocidental branco. Se a base formativa do conhecimento, do saber, é helênica, e os métodos pedagógicos usados na escola originam-se de educadores e filósofos ocidentais, nada como se adequar a estas escolas e adaptar as alternativas educacionais ao pensamento do construtivismo de Jean Piaget e de Emilia Ferrero, e de outras concepções européias. Aflorar nas discussões as propostas de Paulo Freire como metodologias a serem inseridas nos projetos escolares, sem maiores contestações ao que o povo preto entende e almeja como construção de uma liberdade educacional afrocentrada.
As alternativas pedagógicas atualmente defendidas são de uma simplória inserção no currículo escolar, especialmente através do ensinamento da história sem criticidade e moldada em autores e autoras que entendem a história africana como uma simples contribuição na formação da sociedade brasileira, infelizmente está obtendo sucesso, aliás, tornando-se verdadeira e validada pela maioria de educadores e educadores desconhecedores da afrocentricidade, cujo desenrolar de ensinamentos é de contribuir na difusão de conhecimentos de inclusão, com ensinamentos de uma África colonizada e distribuída para os seus algozes após a conferência de Berlim. Uma África que se restringe ao Golfo de Benin e a Angola, esquecendo-se que o tráfico seqüestrou populações de diversões rincões e de múltiplas culturas, inclusive islamizadas. Negando a diversidade cultural africana e sua diversidade através de migrações antes do tráfico que povoou e civilizou regiões diversas em todos os continentes. Recorta-se o conhecimento de um continente quase quatro vezes maior do que o Brasil. Nega-se a sua formação como originário de civilizações incluindo a Ásia, Oceania, Américas e Europa antes do surgimento das populações brancas.
É de práxis o entendimento dos diversos questionamentos realizados por educadores e educadoras militantes do Movimento negro sobre o modelo educacional vigente no Brasil, deram o primeiro passo de negação e contestação das práticas pedagógicas eurocentradas. Disseram não e propuseram novos modelos, mas faltou nessas propostas a afrocentricidade e esse é o desafio. Conclui-se da discriminação na educação brasileira e caminhos novos teriam que ser tomados de inserção da população preta, de dar visibilidade, de se conhecer o que chamam de “contribuição do negro” na formação da sociedade brasileira. Mas, não houve ainda a formulação de uma pedagogia afrocentrada, pois a afrocentricidade é um renascer preto da consciência, alterando-se o foco de aprendizado europeu que busca a mera inclusão discursiva, baseada na democracia racial, a proposta da afrocentricidade caminha-se para a PRÁTICA de resgate e a vivência histórica da África, a mãe-geradora do conhecimento da humanidade. Temos sempre quer dizer aos estudantes quando ministramos aulas em todas as áreas: A África é a matriz de todo o conhecimento humano.
A pedagogia eurocêntrica é inserida a todo o momento através da comunicação especialmente do poder televisivo. A mídia tornou-se o grande caminho de desconstrução das diversas tradições da oralidade ainda existentes, e paradoxalmente de formação que invade os neurônios e afirma o projeto mistificador de uma pedagogia inclusiva de direitos a todos, através de programas beneficentes de leis como cotas, retirando a palavra reparação da escravidão.
A idéia de diversidade cultural, pluriétnica, multifacetada, demonstra etimologicamente e na praticidade que a maioria da população preta está fora do poder real, apesar de que aspectos da ludicidade sejam admirados e colocados como apresentação para turista ver e principalmente para gerir rendas, as quais não são investidas diretamente no desenvolvimento econômico-educacional dos seus atores e atrizes, que vivem nos chamados guetos e periferias, em uma geopolítica perversa e excludente, como o caso do carnaval, capoeira, acarajé, etc.
As manifestações culturais de protesto através da musicalidade, como o reggae, rap, hip-hop, as artes como o grafite e vestimentas não européias são consideradas marginais. Inclusive em um estado como a Bahia a calça jeans tornou-se obrigatória como parte do uniforme escolar, sem preocupações maiores do desconforto de um clima tropical.
A Pedagogia eurocêntrica e a sua história demonstram a falta de respeitabilidade com o outro, pois no ínterim, há a idéia de superioridade racial das nações que impuseram um modelo de vida e de pensamento, como o primevo, real e verdadeiro. O caminho que temos é a prática do panafricanismo e na difusão dos ensinamentos afrocentrados, especialmente na reescrita da história africana e afro-diásporica. Na publicação de material didático que possa suprir as dificuldades encontradas por educadoras e educadores questionadores do material didático das grandes empresas. Na formação de educadores e educadoras que possam trabalhar uma pedagogia afrocentrada e direcionada a nossa população a qual desde a escravização esteve fora do interesse formativo e somente por pressões do Movimento Negro conseguimos algumas vitórias, sendo o momento de ampliar a luta pela educação e de se planejar uma pedagogia afrocentrada.
Temos que explicar aos coordenadores pedagógicos que estão com as mentes voltadas para as experiências norte-americanas, européias e israelenses de educação, e seguem esses modelos tentando-os dar aplicabilidade para a formação de um novo pensar educacional, que não conseguirão êxito porque continuarão a contribuir diretamente na concepção de superioridade européia de tentar explicar a história e a educação suas metodologias e olhares não pretos, apesar de falarem dos pretos. Temos respostas de gerir uma pedagogia afrocentrada de resgate da auto-estima e de retirar o véu branco que paira sobre a história preta formativa do planeta.
Temos que começar a trabalhar conjuntamente para a realização de encontros educacionais onde todos e todas que acreditam na afrocentricidade e no panafricanismo objetivem a maior difusão de um novo modelo educacional libertador e formulem projetos que possam gerir nos meios populares essas mudanças.
A educação é o melhor caminho na inserção de transformações imediatas que ampliem os horizontes na construção de um projeto político-libertador dos descendentes de africanos no Brasil.
4 comentários:
Oi, tudo bem?
Li a palavra ancestralidade nesta postagem. Acredito que um dos principais valores de nossos ancestrais africanos é exatamente a ancestralidade. O que não consigo conceber são negros que, negando sua ancestralidade, pois regeitam o culto seus orixás, principais símbolos da resistência negra não só durante a escravidão, como durante a perseguição policial que o Candomblé sofreu até final da década de 70, vêm hoje esses negros cristianizados, cultuando um mito (Jesus) criado em cima de personagens reais (Sócrates) e outros vivenciados na atitude humana (Exu). Jesus é imagem e semelhança de Sócrates e se Ele transformou a água em vinho, Exú a fi okutá di pó yó (Exú transformou a pedra em sal), além de que, Yeshua seria pronuncia do nome jESÚs em yorubá, onde se tirando a letra "J" e o último "S" deste nome, leremos EXÚ, o que torna tudo possível. O primogênito de Olodumare.
Negar a ancestralidade, é negar a existência.
Um abraço!
Olá!!
Muito bom este artigo! Ele é muito importante para mim pessoalmente que sou filha de um igbo em SP e que trabalha com a questão do imigrante africano.
Ótima contribuição para discussões e para maior conhecimento sobre a nossa histórias negra! Grande abraço!
Oi!
Caiu como uma luva essa matéria, estou fazendo Pedagógia, Sintia algo muito estranho, quando lê sobre desenvolvimento das civilizações antigas, e não vê os Pretos Africa fazerem parte na construção da sociedade, principalmente do Brasil, me sentia agunia é uma incógnita, porque não se tem Os povos africanos na construção do saber.
Precisamos transformar Pedagogia trabalhar afrocentricidade e Pretitude.
Adorei esse artigo, quero muito fazer meu TCC referente a História Africana e suas contribuições se saberes conceitos na sociedade.
Oi!
Caiu como uma luva essa matéria, estou fazendo Pedagógia, Sintia algo muito estranho, quando lê sobre desenvolvimento das civilizações antigas, e não vê os Pretos Africa fazerem parte na construção da sociedade, principalmente do Brasil, me sentia agunia é uma incógnita, porque não se tem Os povos africanos na construção do saber.
Precisamos transformar Pedagogia trabalhar afrocentricidade e Pretitude.
Adorei esse artigo, quero muito fazer meu TCC referente a História Africana e suas contribuições se saberes conceitos na sociedade.
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