domingo, 11 de setembro de 2016

CASTRAÇÃO NA ESCRAVIDÃO





Por Walter Passos,
Teólogo, Historiador, Poeta, Pan-africanista e Afrocentrista






Muito se comenta sobre as covardes violências sexuais aplicadas as mulheres na escravidão. O estupro foi à marca indelével das violações aos corpos das mulheres pretas praticados pelos senhores , feitores e escravizados reprodutores.
Os escravizados foram vítimas de violências sexuais e mutilações horrendas e não foram casos isolados. Milhões de africanos foram castrados na África, Europa, Ásia e nas Américas por cristãos e muçulmanos e sobre esse horrendo crime que vamos ventilar neste artigo. 
As punições poderiam incluir a mutilação, a castração ou a amputação de alguma parte do corpo. A castração foi uma das mais revoltantes impostas aos escravizados nas Américas como punição aos "crimes sexuais" contra as mulheres brancas e as fugas.
Os historiadores brancos não se preocupam em relatar sobre os escravizados usados por mulheres brancas para fins sexuais e muito menos a pedofilia de padres e senhores tarados por meninos pretos escravizados.
Há relatos na literatura brasileira de castrações em escravizados. Exemplo de RECURSO MACABRO – Castrado na Roça de Estórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso. Seleção de Regina Lacerda
- De fato, como havia planejado o coronel, o fogo atingiu, as palhas. O pobre coitado tentou, cuidadosamente, cortar as voltas do arame, mas teria melhor sorte se lhe dessem, em vez de faca, um alicate. As labaredas devoravam a cobertura e as paredes de palha. Um calor tremendo infernava o interior.
O Raimundo tinha dois caminhos a seguir: o suicídio ou desfazer-se dos elementos da procriação. Para não se matar tinha dois motivos: o da religião e o da covardia. Do primeiro êle estava livre, pois desconhecia isto; o da covardia privava-o deste ato.
Quando o fogo já lhe tostava os pêlos, fechou os olhos e apartou-se do amarrado, usando a faca.
* * *
Fez êle mesmo, por muitos dias, os curativos com cinza de fogão, urina e fumo de rolo. Ficou muito acabrunhado, vagando pelo mato, combatendo as moscas varejeiras.
Não se alimentava.
Perdeu, em pouco tempo, a razão e tomou as proporções de um porco bem cevado.
O pobre eunuco ganhava dinheiro, comida, pinga e fumo, mostrando o sinal para os outros, rindo e babando sempre.
- “O comendador entrou aqui com 2400 escravos de serviço, que eram escravos bantos, esses eram homens castrados, destinados ao serviço”, começa a narração da guia, a herdeira Adélia”. 
O MANEJO E REPRODUÇÃO HUMANA NA FAZENDA SANTA CLARA - Por PAMELLA CHICARINO
Nos Estados Unidos há diversos casos de castração praticados por cristãos batistas e que os membros das igrejas concordam com essas atitudes:
- “ Mas um episódio de castração de escravizados levou o questionamento entre membros e os líderes em uma Congregação Batista na Carolina do Sul em 1710, sobre um membro que tinha castrado um fugitivo. Alguns dos líderes da igreja explicaram que cumprir a lei impediria "vadiagem, furto, roubo, insurreições e ultrajes" pelos escravizados. Uma vez que os pretos eram “rudes, cuja natureza exigia uma mão mais rigorosa”.
Estima-se que os muçulmanos nos treze séculos de tráfico de africanos castraram 80% dos escravizados os quais sequestraram para o chamado “Oriente Médio”. 
“'O Califado em Bagdá no início do século dez tinha 7.000 eunucos (castrados) africanos. O tráfico de escravizados feito pelos árabes baseava-se na venda de homens castrados. Os meninos pretos na idade de oito a doze tiveram os escrotos e os pênis completamente amputados. Cerca de nove em cada dez sangraram até a morte durante o procedimento, mas, o preço elevado por eunucos no mercado do tráfico fez a prática rentável”.




















Tanto os cristãos (senhores) castravam os escravizados rebeldes como ato de tortura e punição e os muçulmanos árabes consideravam a castração necessária para eunucos trabalharem perto das mulheres árabes nos haréns. Somente assim eram considerados dignos de confiança após perderem a masculinidade.

"Enquanto a Mutilação Genital Feminina (MGF) envolve a remoção horrível da genitália exterior que não permite as mulheres de sentir prazer sexual, a castração de escravizados foi um procedimento muito mais horrível e mortal".
Remoção completa do pênis e testículos sem anestesia. O processo foi muitas vezes feito através da remoção de todos os órgãos genitais externos em um corte, resultando em grande perda de sangue, e na maioria das vezes a morte".

A castração eliminava toda a possibilidade de procriação de mais escravizados, o que significava que os muçulmanos viajaram de volta a África para sequestrar mais e mais, assim, o sequestro de pelo menos 28 milhões de africanos e propositadamente ou acidentalmente matando cerca de 112 milhões.
Não dá para quantificar as dores físicas e psicológicas de milhões de africanos. Os traumas por toda uma existência. 

A escravidão e castração de africanos ainda não terminou pelos árabes. Acredita-se que ainda milhões de africanos ainda vivem sobre regime de escravidão dos árabes.
Paro por aqui, apesar de ser historiador não sinto mais vontade de escrever sobre isso.

Um comentário:

lunna vianna disse...

Quais as provas que hoje ainda existam árabes escravisando negros...estranho nao ter nehuma Fonte

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