Por Malachiyah Ben Ysrayl.
Historiador e Hebreu-Israelita
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Há muito ainda que se conhecer sobre a história da resistência dos africanos nas Américas.
A mídia e os estudos eurocêntricos não tem nenhum interesse em informar que em toda a América escravista houve diversas formas de dizer não à escravidão e de afirmar o pertencimento à ancestralidade. Como tenho afirmado, é necessário um estudo da América Africana, porque geopoliticamente a América é brancamente dividida: América Anglo-Saxônica, América Latina, Luso América, e outras renomeações que os colonizadores e suas geografias dominantes criaram objetivando colocar os africanos nas últimas categorias de identificação.
Contudo, há uma América Africana que não se cala e torna-se necessário que ela seja estudada e difundida para as nossas crianças, só assim poderão entender a crueldade do tráfico transatlântico que sangrou o continente africano e espalhou as nossas famílias por toda o continente americano.
O imperialismo francês com a ideia de liberdade, igualdade e fraternidade para os franceses dominou extensas regiões na África, Ásia e América. Para os africanos, o lema foi: Escravidão, desigualdade e hostilidade, fato este ocorrido nos domínios franceses na América: Haiti, Guiana Francesa, Guadalupe, Martinica e outras regiões nas Américas.
Um dos seus mais ilustres nativos da Martinica foi Frantz Fanon que tem dois livros conhecidos pela intelectualidade preta: Pele Negra, Máscaras Brancas e Os Condenados da Terra.
Outro importante intelectual foi Aimé Fernand David Césaire, poeta, dramaturgo, ensaísta e político da negritude, publicou diversas obras e seu pensamento e a sua poesia influenciaram não só escritores francófonos, mas também outros intelectuais africanos e pretos americanos, na luta contra o colonialismo e a aculturação. Fundou o jornal “L'Étudiant noir”. Foi nas páginas desta publicação que apareceu pela primeira vez o termo “Negritude”. Este conceito, forjado por Aimé Césaire em reação à opressão cultural do sistema colonial francês, visava rejeitar o projeto francês de assimilação cultural e promover a África e a suas culturas.
No primeiro olhar parece um jogo de capoeira angola, uma vadiação dos velhos mestres, mas, não é capoeira. As origens do AG `YA - OLADJA DANMYE ainda são controversas, e não é uma compilação da capoeira brasileira, porque já em 1936 já era praticado na Martinica, fato documentado pela pesquisadora Katherine Dunham.
Não vou entrar em uma explicação da origem da capoeira e muito menos a sua comparação com AG `YA - OLADJA DANMYE porque existem grandes mestres de capoeira que podem nos ensinar bem e merecem toda a nossa atenção e respeito. Recordo-me quando frequentava a academia do saudoso Mestre João Pequeno na década de 80, ele me ensinou que a capoeira era a dança do NGOLO, uma espécie de dança da zebra praticada em Angola que os rapazes dançavam para conquistar namorada, nas palavras do Seu João. Alguns mestres que estão lendo o artigo podem nos explicar melhor sobre AG `YA - OLADJA DANMYE e a Capoeira. O espaço está aberto para os mestres e nós ansiosos para aprender.
Jogo de capoeira:
Como historiador, sei que não há um local especifico ou de dominação da ancestralidade africana nas Américas. Onde foi levado o africano ai chegou as suas manifestações e recriações ancestres, exemplo este que vemos nas religiões de matriz africana: Santeria em Cuba, Orisa de Trinidad e Tobago, Vodun no Haiti, Winti no Suriname, Candomblé no Brasil, para exemplificar.
AG `YA - OLADJA DANMYE, como toda arte marcial de origem africana, se desenvolveu na necessidade da resistência do escravizado ao opressor branco, da manutenção das danças ancestrais e da continuidade de lutas praticadas nas terras africanas.
É um arte que tem a finalidade de anular o oponente, alguns afirmam que parece com uma luta praticada no Senegal. É acompanhada por toques de tambores e cantoria. As artes africanas possuem a espiritualidade, a musicalidade e a dança.
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