quinta-feira, 8 de maio de 2008

QUILOMBO, EVANGELIZAÇÃO E CONTRADIÇÃO CULTURAL

Kelly, 23 anos, recém-casada. Pseudônimo Nzinga Mbandi.

Localização: O Quilombo Campinho da Independência está localizado ao sul do Estado do Rio de Janeiro, a 20 km da cidade de Paraty, entre os povoados de Pedras Azuis e Patrimônio. É banhado pelo rio Carapitanga e servido por cachoeiras e pela exuberante Mata Atlântica.
Histórico: A origem do Quilombo Campinho da Independência é muito peculiar. Todos os moradores são descendentes de três escravas: Antonica, Marcelina e Luiza. Segundo as histórias contadas pelos mais velhos as três não eram escravas comuns, pois tinham cultura, posses e habitavam a Casa Grande. Conta-se que no local existiam grandes fazendas, sendo a Fazenda Independência a mais importante. Após a abolição da escravatura os fazendeiros abandonaram suas propriedades e as terras foram divididas entre aqueles que nela trabalhavam.


Eu nasci, cresci, vivi e vivo até hoje em um quilombo, logo, sou quilombola. Já nasci em um lar cristão, nunca fui de outra religião.
Até certo momento da minha vida, confesso que achava que deveria separar a religião da cultura. Nós temos festas comemorativas que acontecem anualmente: dia de São Benedito, Festas Juninas e Julinas, Encontro da Cultura Negra e etc, aonde são dias em que quase toda a comunidade se reúne para se alegrar, dançar, brincar, sorrir... Mas esse evento é freqüentado apenas pelos católicos da região.
Meu quilombo é formado por 400 pessoas, sendo boa parte delas membros da Igreja Assembléia de Deus, onde se encontra mais problemas na hora de “liberar” seus membros para quaisquer eventos “mundanos” no quilombo. Temos a Igreja Batista da qual sou membro. O pastor nunca fica sabendo para onde vamos e o que faremos lá, pois ele também é contra essa mistura de religião com cultura. Acontece se passarmos muito tempo freqüentando esses eventos e festas e sermos excluídos, bem mais pra frente, por intermédio de “irmãos” que vão até o pastor criticar nossa “má conduta”. Existe aqui também, como já falado anteriormente, a Igreja Católica, que é a que está mais presente em tudo. E temos umas duas, três ou mais pessoas que são admiradores ou até mesmo seguem Umbanda e Candomblé, ressaltando que, não temos terreiro em nossa comunidade. Já tivemos um, mas a pessoa que o mantinha não mora mais em nosso quilombo e a grande vontade dos que a esta, é reconstruir um templo, um terreiro por lá. Com certeza, haverá “quebra-pau”, pois o preconceito ainda é muito grande. Se me perguntarem o que eu acho de tudo isso, eu responderia que não tenho nenhuma opinião formada a respeito. A evangelização nos dividiu demais, não somos unidos como deveríamos ser. Tínhamos conseguido resgatar o jongo depois de um considerável esforço e hoje ele já não existe mais tão fortemente como antes, pois a maioria dos componentes era da Assembléia de Deus e o pastor os impedem completamente de continuar a fazer parte, assim como também no futebol.
Temos um grupo de Hip Hop, aonde no penúltimo evento que nos apresentamos, não contamos com a presença de um dos componentes que nos “deixou na mão” sem prévio aviso e logo quando contatado, disse que seu pastor (Assembléia de Deus), achou melhor que não fosse tocar conosco. Ele é do grupo já há um tempo, e hoje não sabemos se ainda o é. O que falta é reunião para redefinir.
Aos poucos, tudo vai sendo destruído pela forte “pressão religiosa”. E sobre isso, eu tenho uma opinião formada. No passado, Yeshua não falou em evangelização. As palavras de Yeshua foram mudadas conforme os europeus quiseram. Yeshua veio pra fazer a diferença. Assim como veio Ghandi, Tchê Guevara, Zumbi, esses nomes tão fortes e ilustres. Yeshua falou em amor, união, paz. No Velho Testamento, vemos passagens de sacrifícios/oferendas que eram oferecidos a Deus e, claro, ainda hoje o sacrifício é realizado. Ao contrário do que dizem, ele não é, nunca foi e nunca será pecado. Por acaso é pecado oferecermos a Deus nossas vidas, nossas casas e tudo o que temos? Por um acaso é pecado oferecer o meu animal mais forte, mais bonito e vistoso a Deus? Eu me disponho a responder: Não. Não é!
Isso foi à forma mais fácil que os europeus encontraram de começar a conversão, a mudança, e transformar a nossa religião, a religião dos pretos, em uma religião abominável como hoje o é aos olhos de muita gente. Aos poucos foram excluindo isso e aquilo e quando demos conta, já estavam lá, suspendendo a imagem de um Yeshua branco, ensangüentado, totalmente diferente da realidade. Começaram a apelação: Se não creres, se não vieres até ele, será lançado no inferno juntamente com o diabo. Diabo... está aí outra criação deles para conversão pelo temor. No quesito artístico, tenho que admitir, eles tiveram talento e criatividade. É muito fácil conseguir arrastar milhares e milhares de “fiéis” para os bancos das igrejas alegando que se morrerem sem estar em “comunhão” com Deus, irão para o inferno. Só não percebe que isso é completamente inviável quem não quer. Mas não pretendo falar sobre diabos e demônios agora.
Deixe-os para aqueles que adoram os invocar e fazem questão de trazê-los pra dentro das igrejas gritando pelo seu nome e fazendo fileiras de oração depois do culto com as mãos postas sobre as cabeças, dando show de graça para todos que quiserem ouvir, e também ver as pessoas se contorcendo no chão, duros e fazendo caretas. Eu sou amante de psicologia e sei bem que, mexemos com energias, nosso corpo sempre responderá positivamente a um comando, pois somos energias. Isso se chama Hipnose.
Acho engraçado, as pessoas vão até a igreja sem problema algum e muitas das vezes saem pior do que entraram, com o corpo totalmente sobrecarregado (Claro! Depois de uma sessão de espiritismo, não tem como ser diferente). Absolutamente nada contra os espíritas, mas é que em muitas igrejas, me sinto sentada em uma “mesa branca” assistindo todos os espíritos baixarem. Muitas igrejas trabalham desta forma, “acham lindo”, e ainda “metem o pau” nos espíritas e macumbeiros. Por que será? A forma de trabalho é praticamente a mesma, não consigo ver muita diferença. Acho que a única, é que os espíritas assumem que são espíritas.
Eu, como protestante preta, não mais sigo o Cristianismo enquanto instituição. Eu sigo o Cristianismo de Matriz Africana. Esse acaba com o ódio que muitos sentem do cristianismo enquanto instituição, que é uma religião que massacra, aterroriza, impede as pessoas de serem felizes e as obrigam a viver sob fortes regras, as transformando em bonecos de corda, marionetes.
Em um Domingo, presenciei um irmão de a igreja pedir que oremos, pois nossa igreja está sendo perseguida sem um porquê. Agora eu pergunto, sem um por quê? Absolutamente! Claro que tem um porque. Qual a religião que sempre invadiu terreiros nessa vida? Qual a religião que sempre deu showzinho em público quebrando imagens de santos? Que religião segue o prefeito de Salvador que mandou derrubar todos os terreiros? Eu respondo: O Cristianismo enquanto instituição. Muitos crentes vieram me dizer: “Ah, mas não podemos ser todos incriminados por uma coisa que só esse prefeito fez”. Quando me voltei pra essa pessoa e perguntei se ela achava que o prefeito estava errado, não soube me dizer. Ou seja, considera apelação do prefeito, mas acha que ele está no caminho certo.
Infelizmente, tudo isso reflete dentro do meu quilombo. O mesmo preconceito!
E eu digo, é possível sim, crer em Cristo e manter as tradições. Por mais que muitos pensem o contrário, Cristo está mais próximo das tradições do que imagina e um dia essa verdade, irá ser revelada para rompimento do sofrimento do meu povo preto. Eu creio!
Graças à capacitação de historiadores, esse mistério vem sendo desvendado com certezas. E o rancor, o ódio de algumas pessoas de outras religiões, vem sendo quebrado. Vão percebendo que os europeus se apropriaram do cristianismo e o transformaram em uma religião violenta. Falo com bases nas posturas de meu marido hoje, comparando com as que ele tinha assim que nos conhecemos e começamos a namorar. Tinha pudor, tinha ódio do Cristianismo e hoje, não mais. Não é seguidor de Umbanda, mas falo sem nenhuma vergonha que suas crenças são voltadas pra tal. Nem falava no nome de Jesus de tanto ódio. Hoje me deparo com frases como estas: “Fulano está de um jeito que só Jesus”. E pra isso, não precisei evangelizá-lo. Até seu irmão, que antes tinha o mesmo pudor do Cristianismo, me deparei com uma comunidade em seu Orkut que diz: “Jesus! Eu te amo!” Tudo isso, graças ao desvendamento que se vem dando em relação a isso.
Acho o máximo. Vejo o progresso, graças a Deus! E é disso que precisamos: união entre o povo preto e não precisamos arrastar ninguém de uma religião à outra pelos cabelos.

Deus há de julgar a todos com sua benevolência. Só me pergunto: Como Deus julgará civilizações que usando o seu Santo nome trucidaram 200 milhões de seus filhos e filhas na África e seqüestraram quase 30 milhões para as Américas? Qual será o julgamento para a escravidão de homens e mulheres que se apropriaram da força de trabalho, mudaram as línguas, os nomes, costumes e cometeram atrocidades inimagináveis? Que enforcaram milhares de negros e depois foram para os cultos como nada tivessem feito, com sensação de missão cumprida, com “a alma limpa”, simplesmente por acharem que haviam feito um grande favor pra Deus, matando estes filhos do demônio. Já chegaram a dizer que Deus é branco e que o diabo é que é preto. Quem foram os seguidores e adoradores do diabo e satisfizeram os desejos do mal, foram os seqüestradores ou os meus ancestrais que viviam nas suas florestas e savanas, fazendo seus cultos nos terreiros em paz?
As civilizações ocidentais que se diziam seguidoras de Yeshua foram tão perversas, que hoje, a maioria de nossos irmãos e irmãs se calam, sendo subserviente com medo de clamar e lutar por justiça, porque se consideram descendentes de amaldiçoados e acham que a vontade dos opressores é a vontade de Deus. Veremos!
Grande Asè!




Jongo - Quilombo Campinho da Independência

11 comentários:

Diná da Silva disse...

Olá Kelly

Li seu texto e achei muito boa sua crítica.Concordo com você que a religião tem nos dividido enquanto negros e negras. Sou da Igrja Metodista e tenho trabalhado e sonhado que é possível sermos negros - física, cultural e espiritualmente - sem as divisões impostas pelas instituições sociais e religiosas. Na minha vivência tenho percebido que as pessoas negras metodistas, e creio que em geral no meio evangélico, já incorporaram de tal forma o evangelho branco, europeu que o reproduzem com maior fidelidade do que as pessos brancas,principalmente no que se refere à condenação da cultura e práticas religiosas negras. É difícil! O preconceito existe por parte das pessoas negras "crentes" em relação às pessoas negras "não-crentes" (como também ocorre o inverso), mas nos "crentes" está arraigado de tal forma que qualquer leve aproximação com a cultura afro é vista do mal. Penso, que cabe a cada uma de nós que se torna consciente da existência dopreconceito religioso - ocupar espaços dentro das instituições religiosas para denunciar e incomodar no sentido de provocar mudanças e para que venhamos a desfrutar da união entre o povo negro independente das religiões professadas e sem medo de encontrar nas diferenças um caminho para nosso crescimento.
Diná da Silva Branchini

Paulo Artur disse...

Conheço a comunidade Quilombola do Campinho há 2 anos e me surpreendi com a presença maciça de evangélicos e a completa ojeriza em relação às tradições de reverência à ancestralidade. Como sou de família de tradição de zeladores de terreiro, fui lá procurando uma identificação nesta sociedade preconceituosa que não me enquadro.

Mais tarde fiquei sabendo que houve um grande centro de culto aos ancestrais similar o que hoje poderemos chamar de Umbanda e, com o advento da chegada de obras de construção da BR-101, que dividiu o Quilombo ao meio e, com esta obra trouxe "estrangeiros" a grilar suas terras e também "baianos" a misturar suas religiões de origem mais semelhante ao Candomblé e fundar outro centro. Quizilas entre os zeladores de terreiro se formaram e tanto a evangelização quanto o catolicismo serviram de porto seguro à esses comportamentos que foram praticamente banidos da comunidade.

Entretanto cultura e dons divinos não morrem, o ASÈ é forte na terra e Ifá é presente no Ori de muitos membros do coletivo que utilizam sua força herdada para o culto com fé e força na cultura cristã eurocêntrica.

As práticas de tempos imemoriais são muito poucas mas ainda presentes e muito escondidas. O relato da Queli é muito interessante, forte e admirável pois reflete uma visão crítica que pouquíssimos no Quilombo a tem.

Recentemente, na última Semana da Consciência Negra, houve um zelador a falar sobre a filosofia do Candomblé no Quilombo e foi muito interessante pois mais que uma religião é uma forma de viver que este Quilombo, que dá as costas a esta força ancestral e tradicional revive em seu dia a dia sem nem saber. Os preceitos filosóficos do Candomblé estão mais fortes neles que no de tantos outros seguidores do Candomblé que vivem em cidades. E, devido a um processo histórico, repudiam a base pela ignorância difundida e conceitos difamados por cultura díspare à que eles se harmonizam por natureza.

Realmente os Cesares fizeram um excelente trabalho político de evangelização onde nós negros éramos carga e os Brancos os santos barrocos! E perpetuam entre os descendentes das cargas dos navios negreiros para se manterem no poder. Eis o fruto da ignorância em nosso mundo.

Quelly disse...

É claro que depois deste texto surgirão críticas de tudo quanto é "buraco". Mas não podemos agradar a todos. Relato neste, o meu amor por Cristo. Sei que ele é soberano e veio em nome da paz e do amor. Somente, aprendi a não me fechar à novas informações. Aprendi a ouvir e a procurar saber, a tentar entender o outro lado da história sem me basiar pela que todos contam, mesmo que a maioria siga a informação padrão. De tudo, não me esquivo da verdade, apenas começo a perceber deturpações, e é aí que entram minhas críticas. Como ser humano, tenho direito de ir a vir, achar ou deixar de achar, sou cristã sim. Uma cristã aborrecida com o efeito negativo que o "cristianismo" vem fazendo no meio o povo preto e do do restante do povo de outras raças. Hipocrisia a flor da pele, mortes, conversões por pressão principalmente psicológicas, enfim... eu sonho com um mundo melhor para todo o povo e principalmente para o povo preto que é o meu povo e merece toda a atenção capaz de minimizar todo o sofrimento vivenciados pelos meus ancestrais e vivenciados por muitos ainda hoje. Entendam que O SABER vale ouro. Deus sabe da sinceridade que vai em meu coração e é somente isso que tomo por base.

Grande Asé!

giriasnacionais disse...

Salve!
Primeiramente quero paarbenizar pelo blog... conheci agora e pretendo visitar sempre pois como trabalho com uma cultura que tem a raiz e essência na África ( Cultura Hip Hop), me sinto sempre na obrigação de trocar informações sobre tudo que envolve esse ambiente.
Sou de pele branca, mas sei que meus ancestrais são os mesmos que os de todos os negros, porque somos 1 só povo a partir do momento que vivemso 1 só amor.
Sou de Taubaté-Sp, e já visitei 2 vezes o quilombo do campinho da independência, foram duas visitas inesquecíveis, o ambiente de resistência, o clima de respeito, a energia ancestral que ali habita num tem como descrever.
Sou cristão também, ou seja, seigo Cristo. Não instituições que pregam Cristo e muitas vezes usam de Seu nome para benefício próprio, me solidarizei muito com a situação desta guerreira e queria trocar mais idéias e marcar alguma outra visita nessa comunidade tão importante que é o quilombo do campinho. Também sou jornalista, trabalho na radio 107, 7 FM e estou a disposição´para divulgar eventos, estudos, projetos e ajudar como possível.
Muita força, muita luz e muito amor..

RALPH (www.mcralph.art.br - www.myspace.com/ralphgirias)

Daladier Lima disse...

Prezados, li os artigos e os classificaria como manifesto. O que não os desmerece, mas os enquadra numa categoria ruim de representação da realidade, porque os impregna com o vírus da discriminação ás avessas.

É notório que danças africanas em geral estão enraizadas no contexto religioso negro (ou preto, como queiram), a priori, não fazem parte da raça, mas da cultura. Na mesma proporção em que o hip-hop, por exemplo, faz parte da cultura underground americana (hoje importada para outros estratos sociais).

A Igreja Católica já cometeu este pecado, como vocês registraram. Tentar embranquiçar Jesus, vocês tentam empretecê-lo, quando na verdade os dois paradigmas estão errados. Jesus não precisa ser preto para agradar aos pretos, nem branco para agradar aos brancos. Ele precisa e é o Salvador de ambos, ou de qualquer outra raça, e isto nos basta.

Do ponto de vista da Bíblia, o candomblé e cultos assemelhados, quer sejam praticados por negros ou brancos, estão errados porque distorcem a adoração ao verdadeiro Deus, pulverizando-a para os orixás e afins. Portanto, não é uma questão cultural, é a postura bíblica monoteísta posta em xeque. Daí a condenação. Se há uma grande quantidade de negros adeptos destes cultos, vão entender que a discriminação é contra a raça, mas não é. É contra o culto e seus elementos. Confundimos a tendência, com a quantidade de adeptos. É a mesma coisa das reportagens sobre o Afeganistão. As câmeras geralmente focam pessoas pobres perambulando pelas ruas, e as tacham como islâmicas. Entretanto, não fazem o mesmo em Dubai. É um conceito clássico de estereótipo.

Por outro lado, quero lembrar duas coisas: primeiro, a assimilação dos cultos promovidas pela Igreja Católica é contrária á Bíblia, assim como cultos a forças da natureza, a ancestrais que supostamente vivem em espírito entre nós, etc, segundo, a Igreja Evangélica em geral é igualitária. Basta-nos observar quantos pastores negros e pardos há. Aliás, neste quesito nunca soube de nenhuma discriminação.

Por fim, qualquer prática religiosa que fira os princípios bíblicos será tida como discriminatória, especialmente, para quem as pratica.

Lya Silveira Alves disse...

Quero comentar apenas uma partes do tópico. Uma delas diz respeito ao comentário que os brancos deturparam o texto bíblico a seu favor.Para fazer uma afirmação dessas, você deveria dizer a qual parte das Escrituras você se refere, citar o texto no original, em hebraico ou grego(afinal, você sequer se deu ao trabalho de falar se era novo testamento ou antigo testamento).A questão que vocês defendem é séria e importante demais para fazer afirmações sem este tipo de cuidado. É muito fácil falar: eles estão todos errados!", mas quando você não cita sua fonte não é diferente dos fundamentalistas os quais você critica.Como questionar sua afirmação se você não especifica o que está falando? Sim, claro, A Bíblia é mãe de muitas heresias, e já foi manipulada, mas não pense que isto é privilégio dos negros. Na Idade Média, a igreja católica medieval incentivou o ódio aos judeus, e isto gerou a famosa imagem do diabo de pele vermelha, cavanhaque . Naquela época, o perfil do diabo era de um judeu.Os chifres e o tridente eram referência a cultos ocultistas e a cauda vinha da crença popular de que os judeus tinham mesmo rabo(surpresa?). Isto está no livro "história dos judeus", do historiador-referência Paul Johnson.A Bíblia sempre funcionou muito bem como instrumento de coerção, por isso várias vezes na história foi deturpada para atender aos caprichos humanos, mas isto não foi feito mudando o original. Muitas vezes, foram sonegados os textos(como na época de Lutero) ou como se vê muito hoje, apenas dando uma interpretação particular a eles. Isto não significa que o original foi adulterado, mas é fato que "o povo se perde por falta de entendimento". Os originais estão lá. E são honestos. Os pergaminhos de Qumram confirmaramm isto(mais detalhes você pode achar no livro"Pedras que clamam", de Randall Price.
O movimento de vocês é importante para que sua cultura não seja mutilada ou exterminada, mas é preciso equilíbrio, caso contrário, você pode acabar com a mesma postura fundamentalista às avessas, e embarcar num racismo contra tudo que não é branco. E aí pode perder o crédito por uma afirmação sem fundamentos. Por exemplo, como você pode dizer que a Bíblia é errada como disse? você conhece o grego e o hebraico? Os Assembleianos que você citou (e não se deu ao trabalho de dizer que se referia a um grupo particular, e não todos os assembleianos-você generalizou para justificar sua causa, cadê sua ética?)cometem muitos erros por não saber interpretar a Bíblia dentro do seu contexto, muito menos os originais. a questão de não poder jogar futebol é uma destas questões de má-interpretação. Não lance a Bíblia na fogueira. O livro de Cantares, por exemplo, quando fala da mulher, refere-se a uma mulher de pele negra e muito bronzeada, no original. Mas para nós vem a tradução"não olheis para o eu ser morena...".O tradutor achou suficiente falar "morena". Acontece que no Brasil, "morena" é relativo, mas naquele contexto judeu, não...
Preconceito é perigoso, você conhece iso. Não se deixe influenciar. Você tem armas melhores que isso. Que tal mostrar sua cultura exuberante? Ou mostrar simplesmente que Deus é Deus, mas sem atirar pedras no primeiro assembleiano que passar.
Não sou assembleiana, sou apenas alguém que gosta deste site, e gosto da cultura negra, embora tenha cá minhas opiniões divergentes.
Não fico em cima do muro, realmente, penso diferente, mas gosto de ouvir com carinho quem pensa diferente porque isto é amar ao próximo. Penso que Deus criou a humanidade e viu que era bom.Ele nos deu criatividade para amá-lo da smais diversas formas e nas mais diversas culturas, então amemos.
Você conhece os Macabeus? Estão na Bília católica e nos livros de história.Eram judeus que estavam sendo perseguidos e injustiçados por causa de sua fé monoteísta, coitadinhos. Então, se rebelaram e tomaram o poder e depois se corromperam e mataram seus inimigos com alegria, em nome de Deus. Cuidado para não seguir o mesmo caminho: o da intolerância.
Cite suas fontes, meça suas palavras, não saia por aí atirando pedras. Como já falei não vale a pena ter uma atitude fundamentalista contra fundamentalistas. Que proveito há nisso? O governo brasileiro apóia as iniciativas voltadas para o resgate da cultura negra,mas não vai ser da noite para o dia que se fará uma mudança na mentalidade das pessoas, e isso precisa ser feito. Há muito que ser resgatado.
Perdoe se estou sendo dura,mas é que pretendo ajudar. Sei que você pode fazer melhor. Tenho certeza disso.
Deus sabe a certeza em seu coração, mas você está falando com pessoas que não veem seu coração e que talvez tenham uma mente estreita demais e você precisa ter paciência com elas também. Elas também precisam ser ensinadas. E se você convive com elas, que pode ser o instrumento nas mãos de Deus para isso?Você.Mas vai ser fácil? não. Fácil é mandar pra fogueira.Mas tenho certeza que se há indignação em seu coração, provém de Deus no sentido de que Ele também abomina intolerância e ódios.Trabalhe isso com carinho. Tenha paciência com as pessoas:elas aprenderam errado.
Vá em frente.
Boa sorte.

Quelly disse...

Para Lya Silveira Alves...



Bom Dia querida!



Bem, disse que não falei do trecho deturpado. Digo-te uma coisa, se alguma pessoa vier a pensar de uma outra forma e mudar suas convicções ou desacreditar no cristianismo, não será por intermédio de mim. Eu, mesmo com todas estas citadas acima, ainda assim creio do Cristo que venceu. Ponto.



Agora, tem gente sim que não sabe separar uma coisa da outra, acaba misturando tudo em um único saco e tomando até rancor da religião a ponto de não querer saber de mais nada, o que digo e repito que não é o meu caso.



Mas querida, fonte nenhuma que me descreva vindo da igreja católica me servirá de exemplo e muito menos de lição. Se eles modificaram, criaram, intitularam, nada disso me interessa, afinal, sobre isso eu estou cansada de ouvir. Agora, concordo contigo que deva ter um cuidado ao citar essas situações, mas eu não sei se você percebeu, aquilo é um blog onde debatemos e postamos opiniões, mesmo que elas sejam diferentes uma das outras, certo? A visão que as pessoas têm sobre diversas coisas, são diferentes uma das outras e é isso que faz a diferença, você poder ouvir, concordar ou discordar, tanto faz. Não são páginas de livros que serão entregues a um ser supremo e passaremos a seguir como regras, são apenas debate, se quiser e principalmente, tiver pique, pode se juntar a nós, certo?



Eu não afirmo nada aqui, eu defendo idéias, se erradas ou não, cabe a Deus julgar. Não sou historiadora, mas tenho contato com alguns, uns com caráter e outros não e percebe-se de longe quando a intenção é a de difamar a religião.



Disse: "Sim, claro, A Bíblia é mãe de muitas heresias, e já foi manipulada, mas não pense que isto é privilégio dos negros."



Pra você o que é privilégio dos negros? Se não buscarmos a esperança em uma religião que não nos exclua, que não nos americanize, que não nos impeça de fazer nosso culto-afro da maneira que bem sabemos e queremos, buscaremos onde? Na faculdade que não conseguimos entrar com facilidade? No serviço que não conseguimos ganhar na entrevista juntamente com um branco? Na escola de nossos filhos onde precisamos comparecer diversas vezes para dar queixa das muitas e muitas vezes em que nossos pequenos chegam em casa chorando por terem sido agredido moralmente de forma racista? Nas igrejas que nos tentam fazer separar religião de tradição e lhe pergunto.. porque será? Se tudo o que se passou, foi em continente africano, se os povos eram negros, como seria diferente?



Se Jesus é preto, tem mais é que ser divulgado e uma das missões do CNNC é a de defender essa idéia e conseqüentemente, do blog é debater sobre, certo? Podem dizer, como já foi dito acima, que o fato de servimos a um Cristo branco ou Preto não importa. Concordo! Se tivéssemos de servir um Cristo branco não teria problema algum. Um Cristo branco, não um Cristo embranquecido, certo? Você que faz seminário, diga-nos... no aramáico existe a palavra "morena"? E "porém"? Estuda línguas? Se não... deveria, ok? Deveria para poder identificar deturpações em trechos como estes: "Sou morena, porém formosa" sendo a tradução original, "Sou preta e bela". Capit?

Bete disse...

Faz tempo que não consigo postar por falta de tempo, porém tenho lido os textos do site frequentemente.

Isso que a Kelly nos coloca é preocupante, porque nossos jovens estão divididos nas dores do passado, estão relutantes em ver o que se pode perdoar e o que podemos ainda lutar e modificar. Confusos (desequilíbrio piagetiano). Pode até ser natural que, ao enxergarmos como a História aconteceu no Brasil e no mundo, nossa primeira reação é a negação do que somos, o ódio, o sentimento de vingança, mas isso nos cega para uma luta inteligente, constante e, infelizmente, longa. Lembrem-se que quando dividimos nossa energia em várias direções, o mais certo é ficarmos cansados, sem forças para nada (a quem isso interessa?). Nos grandes centros urbanos, nossos jovens revoltados tomam as piores decisões, que fazem mal a eles e a toda sociedade. O que queremos transmitir a eles? O que queremos que eles resgatem? O que nós queremos resgatar? O que queremos trazer de positivo dos nosso antepassados?
"ESCURECER" UM CRISTO "EMBRANQUECIDO" ME PARECE MUITO POUCO.
Já escrevi uma vez que trazer à tona dores do passado, somente é positivo quando nos dá a direção a novos rumos, tranformações, lições, enfim, quando nos direciona para dias melhores. Mas, mexer na ferida apenas para vê-la purulenta, parece até meio irresponsável.

Quando a Kelly coloca que a maioria de nós não está na universidade, que nossas crianças chegam em casa chorando, porque foram hostilizadas nas escolas, eu acrescento que, os adolescentes estão achando que a melhor maneira de tomar o poder é abandonar os estudos e partir para o crime ou transceder/abstrair, usando drogas, se embriagando.
E eu pergunto: Qual nossa parcela de responsabilidade nisso tudo? O que queremos para as futuras gerações de negros, se para a geração atual ainda não sabemos? Não conseguimos sequer a união. Qualquer coisa nos divide. Até uma simples questão de cotas nas universidades; até o fato de termos um governo federal que nos abriu espaço... tudo serve para infinitas e infindáveis discussões divisórias. (repito: a quem isso interessa?)

Concordo com a Lya (muito bom o comentário dela). Com algumas ressalvas. É fundamental chergarmos a um consenso: Qual nosso objetivo? Igualdade ou vingança? Igualdade ou troca de posições?

Sonho, o dia em que teremos nosso Martin Luther King, grande líder evangélico brasileiro (casado com uma negra, com filhos negros), poderoso em cultura, em sabedoria, em recursos, sendo um pilar da igreja cristã no Brasil. Só vejo grandes líderes brancos, confesso que isso me deixa triste. Gostaria que as futuras gerações negras tivessem referência dentro da igreja. (nada pessoal, mas os poucos pastores negros, são casados com não/negras - eis a ressalava para o comentário da Lya - rs).

Sempre fui contra críticas sem soluções. De que adianta falar do problema sistemáticamente sem buscar caminhos e resoluções? Todos percebemos (e ainda sofremos) a consequência da escravidão, da opressão, da falta de oportunidades, do racismo velado...somente falar "é chover no molhado"... Sim, e...?

Ao contrário do que escreveu o Daladier Lima, vejo Hip Hop Gospel uma grande arma de conscientização/evangelização dos jovens e próximas gerações, porque fala da realidade sim, "põe o dedo na ferida", mas aponta um (O) Caminho Cristo. O Hip Hop já era mais que um estilo musical (vindo do undergroud - ? -). Quando nasceu, era uma forma de resistência dos jovens negros americanos, uma cultura que nasceu dos oprimidos e "desocupados" (sem oportunidades), da rua, dos negros "sem o quê fazer" e ávidos por mudanças. Era (e é) uma forma de dizer "estamos aqui quer queiram, quer não!"; "não somos passivos"; "queremos nosso espaço", "tamo junto" (como dizem rs)...é uma forma de afirmação dos jovens negros atuais (muito positiva), frente a uma sociedade que lhes massacra, veladamente.

Como sempre, deturparam os movimentos (ainda mais originados pelos negros - isso é uma forma de divisão - como alguns ainda não enxergam?) e banalizaram a Cultura Hip Hop., dando dinheiro para alguns distorcerem a idéia inicial. Porém, o Hip Hop gospel, está resgatando com muito louvor este movimento, marcando o espaço do negro na igreja cristã, com rítmo, estilo, suingue, etc.(rs) e, principalmente com a Palavra, a rima que é a força do movimento.
Pregador Luo, Kirk Franklin, Grutz, Feeling, Templo Soul, Dj Alpiste, etc. são exemplos de negros cristãos conscientes buscando transformações sociais positivas, em Cristo.
Não podemos esquecer nossos antepassados,
MAS PRECISAMOS OLHAR MAIS PARA NOSSA DESCENDÊNCIA!!!

Santana disse...

Kelly vc ta desinformada.
O único preto que tem na reliigião que vc ta defendendo é o preto velho que é a imagem de um negro idoso, fraco e encurvado. O resto foi todo embranquecido. E é só falar de um santo dos terreiros que vem uma imagem de branco europeu em nossa mente e tem aquelas com cabelos tão longos e lisos que nenhuma negra nunca terá.
Os sacrifícios de animais era do tempo da lei e a gente ta no tempo da graça, tempo que o sacrifício foi o Cordeiro. Tudo evolui e a gente não tem que ficar no primitivo.
vlw

Wallace disse...

Muito boa a idéia de divulgar
a união entre religião e cultura!!!
Os historiadores e pedagogos ainda tem muito o que fazer!!!
Abraços!!!!

basiko disse...

Uma coisa é certa jesus não podia ser branco e de olho azul em pleno continente africano com todo sol existente lá , é claro que foi branqueado não tenho duvidas . Dia desses na sala de aula comentei com a professora de artes o fato de cleópatra ser branca se os egipcíos eram pretos, ela professora falou que as mulheres eram brancas . Quanto as religiões afrós não vão de encontro a Deus . Não se pode misturar costumes culturais com religião. Tambem quem tem o dom de evangelisar que evangelise , quem tem o dom de historiador que pratique a historia , pois quanto mais soubermos sobre a raça negra melhor para nós todos .Não podemos negar o fato que nos é negada a historia da raça negra , mostrando que os negros não criaram nada quando isso não é verdade , sempre querendo mostrar que os negros são uma raça de imprestaveis sempre mostrando a supremacia branca. O certo é que devemos nós unir para melhor combater esses conflitos claro tambem que não precisamos de modelos de uma evangelisação branca europeia podemos agradadar a Deus da nossa maneira sem misturar os cultos afrós , mais tambem não podemos condenar aqueles que praticam tais cultos pois o unico juiz é Deus.

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias