terça-feira, 26 de abril de 2011

REBECCA LOLOSOLI –UMOJA ALDEIA DA LIBERDADE


Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano

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Walter Passos.




Conforme os costumes dos Samburu do Quênia, meninas são iniciadas no “ritual de passagem” onde ocorre a retirada do clitóris, na preparação para o casamento, geralmente com homens bem mais velhos. Igualmente, Rebecca Satta Lolosoli foi mutilada aos 15 anos de idade, nos moldes tradicionais das suas antepassadas.

Clique Aqui e Leia mais sobre Mutilação Genital Feminina.


FEMALE GENITAL MUTILATION AND THE SAMBURU TRIBE



A vida das mulheres Samburu, de acordo com a tradição, deve ser integralmente submissa ao pai e ao esposo. Elas constroem as habitações, ordenham as vacas, catam lenha, buscam água em grandes distâncias, cuidam dos filhos e preparam as refeições, conforme relato da própria Rebecca. Por sua vez, os homens são guerreiros tradicionais, cuidam dos rebanhos de gado, das ovelhas e dos camelos e da proteção da comunidade.

A vida de Rebeca Lolosoli passou por uma mudança drástica, após ser atacada e quase estuprada por soldados ingleses, sediados no Quênia.

A VILA DE REFÚGIO: UMOJA


Em suaíli, Umoja significa unidade. Muitas das 64 mulheres que lá vivem são sobreviventes de estupro. Os estupradores foram soldados britânicos que estavam estacionados nas proximidades, há mais de 50 anos.

“Vestindo uniformes verdes, misturados com as árvores, enquanto as mulheres recolhiam a lenha, os soldados saltavam da floresta para estuprá-las, rindo como se fosse um jogo”, conta Lolosoli.

As mulheres estupradas foram ridicularizadas e expulsas das aldeias por seus maridos, algumas foram presas por tentar sobreviver vendendo cerveja caseira, ao ser expulsas e tentar sobreviver sozinhas nas florestas do Quênia, muitas foram comidas por hienas.

Revoltando-se, Rebecca, discursou nas reuniões dos Samburu contra aquelas atitudes, reivindicando os direitos das mulheres, que violentadas pela ineficaz proteção dos homens - responsáveis tradicionalmente por conferir a proteção às aldeias - não possuíam sequer apoio de sua comunidade, ao contrário delas foram expulsas. Em consequência, foi espancada por quatro guerreiros Samburu, durante uma viagem do seu marido. Ao sair do hospital, retornou para o lar e relatou o caso a seu esposo que nada fez. Não tendo apoio do próprio companheiro e percebendo que se nada fizesse seria assassinada, Rebecca resolveu dar novos rumos a sua própria vida e de inúmeras outras mulheres vítimas do patriarcalismo e das injustiças, fundando a vila UMOJA em 1991, apesar de todas as dificuldades.

As mulheres lideradas por Rebecca Lolosoli travaram uma árdua luta contra as autoridades britânicas para que se fizesse justiça pelas violências sofridas, várias delas repetidamente, por soldados britânicos durante exercícios militares no Quênia, nos anos 80 e 90. Como prova, algumas exibiam seus filhos mestiços. No final, venceram a batalha judicial.

"Nossa cidade se transformou em um abrigo", diz Lolosoli. Mulheres e meninas que fogem do casamento forçado, ou são vitimas do ostracismo após serem estuprada, ou tentando salvar-se da mutilação genital feminina, vão à Umoja para a segurança. Filhos são bem-vindos, contanto que eles estejam dispostos a seguir as regras da aldeia e não tentem dominar as mulheres seguindo o combatido exemplo dos demais Samburu.

As mulheres vivem ali em conjunto e criaram um centro cultural e um camping para os turistas que visitam a vizinha Reserva Nacional de Samburu. Com os benefícios obtidos, elas conseguiram replantar a vegetação do local e inclusive se permitem contratar os serviços de vários homens para transportar lenha, que tradicionalmente no Quênia é um trabalho executado por mulheres.

UMOJA, LE VILLAGE INTERDIT AUX HOMMES - Bande-annonce (français)




As mulheres da Vila Umoja sobrevivem da fabricação do artesanato samburu: pequenos colares, pulseiras e ornamentos feitos de miçangas. Apesar da vida difícil e dos olhares desconfiados das outras comunidades samburu, estas mulheres, vítimas de violência do tradicionalismo patriarcal samburu, reuniram-se para viver em paz, longe dos opressores, livres e com dignidade. Umoja é hoje um povoado que tem uma fama tão sólida que mulheres de todo o Quênia vão até ali em busca de ajuda ou simplesmente de conselhos.


Rebecca Lolosoli ganhou o direito ao divórcio e outras trezentas mulheres se reuniram para comemorar.


"Muitas das nossas mulheres morreram em silêncio, sem direitos", disse Rebeca Lolosoli, e continuou: "Queremos mostrar às mulheres que elas também são humanas, que podem fazer algo para si, e que elas podem cuidar de si mesmas e de seus filhos."

quarta-feira, 20 de abril de 2011

NINA SIMONE – UMA DIVA PAN-AFRICANISTA


Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano





Completar-se-á no dia 21 de abril, oito anos da morte de uma das mais importantes mulheres pretas, agraciada com uma das mais belas vozes da diáspora, que não se calou e lutou contra o racismo : Nina Simone, seu nome tem um significado especial, Nina vem de pequena e Simone de uma atriz da qual era fã: Simone Signoret.

Nascida em 21 de fevereiro de 1933, em Tryon, Carolina do Norte, era a sexta filha dos oitos filhos de Mary Kate e John D. Waymon, um pastor metodista. O seu nome de nascimento foi Eunice Kathleen Waymon. A sua casa estava sempre cheia de música, e ela aprendeu a tocar piano no início de sua infância.

Foi a sua voz de contralto, seu timbre rico e sua interpretação distinta dos padrões, blues e composições de jazz, que a levou à fama na música, apelidada de "Alta Sacerdotisa do Soul", é conhecida como um das mais talentosas cantoras, compositoras e pianistas de seu tempo, se tornou parte integrante do movimento dos direitos civis e depois abraçou o movimento Black Power.

As canções de Nina Simone foram adotadas pelo movimento dos direitos civis, incluindo hinos como Backlash Blues, Old Jim Crow, Four Women e To Be Young, Gifted and Black. A última foi composta em homenagem a sua amiga Lorena Hansberry e se tornou um hino para o poder crescente do movimento negro.

Nina analisa de forma contundente em Four Women a situação das mulheres pretas.

Nina Simone - Four Women



A primeira é Tia Sara, representa a escravidão das africanas na América, mulher forte e resistente.

"Minha pele é negra
Meus braços são longos
Meu cabelo é de lã
Minhas costas são fortes
Forte o suficiente para tirar a dor
Tem sido infligida novamente e novamente
O que eles me chamam
Meu nome é tia Sarah
Meu nome é tia Sarah"

A segunda é apelidada de “Siffronia”, uma mulher mestiça forçada a viver “entre dois mundos”, uma mulher oprimida , e destaca o sofrimento do povo preto nas mãos de pessoas brancas em posições de poder.

"Minha pele é amarela
Meu cabelo é longo
Entre dois mundos
Eu pertenço
Meu pai era rico e branco
Ele forçou minha mãe numa noite
O que eles me chamam
Meu nome é siffronia
Meu nome é siffronia"

A terceira mulher é uma prostituta que se refere à canção como "uma coisa doce".

"Minha pele está bronzeada
Meu cabelo é bom,
Meus quadris convidá-lo
E meus lábios são como o vinho
Garotinha sou eu?
Qualquer um que tenha dinheiro para comprar
O que eles me chamam
Meu nome é coisa doce
Meu nome é coisa doce"

A última é uma mulher amargurada e volátil, um produto das gerações de opressão e sofrimento cometidos pela sociedade racista e suportados pelo povo africano nas Américas.

"Minha pele é marrom
E a minha forma é difícil
Eu vou matar a primeira mãe que eu vejo
Porque minha vida tem sido muito áspera
Estou terrivelmente amarga nestes dias
Porque meus pais eram escravos
O que eles me chamam
Meu Nome é Pêssegos."

Outra bela canção de Nina foi Mississippi Goddamn, escrita na década de 1960, em resposta ao assassinato de Medgar Evers no Mississipi e quatro garotas em um bombardeio de uma igreja preta no Alabama.

Ela canta "Tudo que eu quero é a igualdade para a minha irmã, meu irmão, meu povo e eu", continua: "Ah, mas este país está cheio de mentiras.



Em Backlash Blues, Ela canta:

"Você levanta os meus impostos, congela o meu salário
E manda meu filho para o Vietnã...
Você me dá casas de segunda classe
E escolas de segundo classe..."



TO BE YOUNG, GIFTED AND BLACK



"Ser jovem, talentoso e negro,
que precioso sonho lindo
Ser jovem, talentoso e negro,
Abra seu coração para o que quero dizer

Em todo o mundo sabe
Há bilhões de meninos e meninas
Quem é jovem, talentoso e negro,
E isso é um fato!

Jovem, talentoso e preto
Temos de começar a dizer aos nossos jovens
Há um mundo esperando por você
Esta é uma missão que está apenas começando

Quando você se sente realmente mal
Sim, há uma grande verdade que você deve saber
Quando você é jovem, talentoso e preto
Sua alma está intacta

Jovem, talentoso e preto
Como eu desejo saber a verdade
Há momentos em que eu olhe para trás
E eu sou assombrado por minha juventude

Ah, mas a minha alegria de hoje
Será que todos nós podemos ter orgulho de dizer
Ser jovem, talentoso e preto
É onde se deve estar"

OLD JIM CROW



"Old Jim Crow
Está aqui há muito tempo
Começou as obras do diabo
Até o morto e enterrado
Old Jim Crow
Sim, você não sabe
Está tudo acabado agora
Está tudo acabado agora

Old Jim Crow
Você sabe que é verdade
Quando você fere meu irmão
Você me machucou demais
Old Jim Crow você não sabe
Está tudo acabado agora"

Leia mais sobre o que foi o Jim Crown, clicando aqui.



WHY (THE KING OF LOVE IS DEAD)



"O que vai acontecer agora? Em todas as nossas cidades?
Meu povo está subindo, pois eles estão vivendo em mentiras.
Mesmo que tenha que morrer
Mesmo se tiver que morrer no momento em que eles sabem que é a vida
Mesmo nesse momento que você sabe que é a vida
Se tiver que morrer, está tudo certo
Porque você sabe que é a vida
Você sabe o que é liberdade para um momento de sua vida

Mas ele tinha visto da montanha
E ele sabia que não podia parar
Sempre que vivem com a ameaça de morte à frente
Gente é melhor você parar e pensar
Todo mundo sabe que estamos à beira
O que vai acontecer, agora que o rei está morto?

Todos nós podemos derramar lágrimas, não vai mudar nada
Ensine o seu povo: Será que eles vão aprender?
Você deve sempre matar com queima e queima com armas
E matam com armas de fogo e queimar - você não sabe como nós temos que reagir?

Mas ele tinha visto da montanha
E ele sabia que não podia parar
Sempre que vivem com a ameaça de morte à frente
Gente é melhor você parar e pensar
Todo mundo sabe que estamos à beira
O que vai acontecer, agora que o Rei do amor está morto?"

A sua vida foi de muitas lutas dentro dos Estados Unidos da América e o racismo fez com que deixasse aquele país, indo viver em diversos locais do planeta, inclusive na Libéria, morreu na França em 2003 e suas cinzas foram espalhadas por países africanos.

Suas músicas continuam a ser o baluarte do jazz e do blues ao redor do mundo, fornecendo a muitos cantores e grupos, inspirando gerações de grande talento, de Aretha Franklin até Índia Aire e Norah Jones.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FOR COLORED GIRLS (FILME) - MULHERES PRETAS E AS VIOLÊNCIAS COTIDIANAS


Por Ulisses Soares Passos, Bacharel em Direito (Estácio de Sá), Acadêmico de Línguas Estrangeiras (Universidade Federal da Bahia - UFBA.
Presidente do Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos, seccional Bahia - CNNC/BA.
Pseudônimo: Aswad Simba Foluke.
E-mail: ulisses_soares@hotmail.com




For Colored Girls Who Have Considered Suicide When the Rainbow is Enuf (Para Mulheres Pretas que Têm Considerado o Suicidio Quando o Arco-íris é suficiente) um filme baseado em peça de teatro homônima de 1975, de autoria da americana Ntozake Shange,na qual são mostrados diversos poemas de mulheres sem nome, unidas pelos problemas cotidianos enfrentados das mulheres pretas, que falam sobre amor, aborto, estupro, violência, religiosidade e abandono.

TRAILLER DO FILME (EM INGLÊS)


O filme retrata a vida de nove mulheres afro-americanas que têm suas vidas unidas em determinado momento, todas enfrentando problemas muito comuns às mulheres pretas na sociedade contemporânea. Embora, o texto original seja de 1975 seu conteúdo continua inerte, assim como a degradação vivenciada pelas mulheres pretas.

Longe de se pretender trazer uma análise esmiuçada do conteúdo do longa, podemos elencar diversos fatores que o legitimam, fazendo da sua real abordagem, uma das melhores, senão a melhor, cinematografia acerca das mulheres pretas, seus desafios e opressões dentro de uma sociedade machista, racista e putrefata pelas conseqüências de séculos de escravização.

Seria nefasto eleger partes a comentar, pois do início ao fim podemos perceber o quão presente é sua contextualização dentro da nossa vivência. Os diversos recortes apresentados pelo filme descrevem com perfeição as mazelas enfrentadas e compartilhadas em nossa comunidade: ausência de planejamento familiar, aborto clandestino, violência doméstica, estupros, proliferação do HIV etc.

Nesse sentido, destacamos dois trechos do filme que retratam, respectivamente, com singularidade única, o aborto clandestino e o extremo da violência familiar pelos homens pretos cumulada com o consumo de álcool, ambos bastante comuns dentro de nossa comunidade.

ABORTO CLANDESTINO (EM PORTUGUÊS)



VIOLÊNCIA FAMILIAR (EM PORTUGUÊS)



Outrossim, é necessário destacar a aplicabilidade irrestrita desse filme no processo de conscientização das mulheres pretas, principalmente às jovens, suscetíveis a esses embates, independente da classe social que ocupem, pois o que as unem é a sua condição de mulher preta, como bem restou demonstrado no filme.

Além disso, o longa também destaca o papel fundamental dessas mulheres na construção da sociedade, retratando trabalhos comunitários de resgate e educação de outras mulheres, representantes do sustento familiar, gerência de grandes empresas, estudantes, garçonetes, enfim, mulheres pretas independentes, autônomas, repletas de sonhos, com papéis estruturantes dentro da sociedade.

Por fim, um filme a ser difundido dentro da nossa comunidade, como o retrato de nós mesmos, percebidos de forma ímpar por Ntozake Shange, cujo conhecimento se torna obrigatório para nossa formação enquanto homens e mulheres pretas.

Publicação dedicada a TODAS as mulheres pretas violentadas cotidianamente pelo Estado, pelo machismo, pelo racismo e por quem mais deveria amá-las: os homens pretos.

Download do filme em português: http://www.fileserve.com/file/GGMD87H

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

BRASIL: CARTA MAGNA DO RACISMO



Por Aidan Foluke, membro da COPATZION,
Tesoureira do CNNC/BA e Acadêmica de Enfermagem.
E-mail: vanessasoares13@hotmail.com
Skype: aidanfoluke



Ulisses Soares Passos, concluiu o curso de Ciências Jurídicas e Sociais (Direito), com 22 anos de idade, na Estácio/FIB, apresentando a monografia de final curso com o tema BRASIL: CARTA MAGNA DO RACISMO, auferindo nota máxima com louvor pela banca examinadora. Diante disso, presta-se o devido reconhecimento ao presente estudo, com objetivo de difundí-lo e incentivar novas pesquisas correlatas entre Direito e Escravização.


Sinopse da monografia:



Todos os seres humanos nascem com direitos inalienáveis. Estes direitos capacitam os indivíduos a buscarem uma vida digna — sendo assim, nenhum governo pode conferi-los, mas todos os governos devem protegê-los.

A liberdade, construída sobre uma base de justiça, tolerância, dignidade e respeito — independentemente da etnia, religião, convicção política ou classe social — permite aos indivíduos desse Estado buscar esses direitos fundamentais. Quando tal premissa é respeitada, tem-se a verdadeira democracia, haja vista que esta é o conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana em seu sentido lato, seus direitos fundamentais e sociais.

Acontece que o processo de formação do Estado brasileiro, assim como o da maioria dos Estados Americanos, ocorreu com a constituição de uma colônia de exploração e sob o manto do trabalho escravizado, do racismo institucionalizado e das relações sociais verticalizadas, todos fundamentados no massacre aos Direitos Humanos e na destituição integral de grupos étnicos, culturas, idiomas, costumes e, principalmente, identidades, com intuito único de satisfação econômica às antigas metrópoles e seus reinados.

A opressão e a supressão aos direitos humanos, à época, foram patrocinadas pelas mais variadas formas de governo, dentro de suas estruturais estatais e normativas, entretanto foi abominada com a instituição da democracia e a necessidade, por vezes oportunidade, da instituição do Estado democrático de Direito, cuja função primaz é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.

Diante disso, o Estado brasileiro foi o principal causador da supressão desses direitos, fomentando em si os mais variados tipos de desigualdades, em especifico a étnico-racial, refletida em sua maioria por diferenças sociais, econômicas e pelas mais variadas formas de preconceito, em que esta nação patrocinou legalmente durante mais de quatro séculos o massacre físico e psicológico daqueles que teriam direitos sob sua proteção.

Nesse contexto, pós-abolicionismo nenhuma medida pelo Estado foi aplicada, omitindo-se este em relação àqueles em cujo poder de império fora utilizado, e hoje, sendo maioria da população, exigem que ações reparatórias, e não somente afirmativas, sejam devidas pelo Estado brasileiro, àqueles que são herdeiros das incontáveis conseqüências advindas do maior meio de destituição e destruição da figura humana: a Escravização.

Para tanto, principia–se, no Capítulo 1, a análise da escravidão no Brasil, seus princípios e conjunturas, assim como o seu histórico fundamentado no modo de produção escravista que fundamentaram o seqüestro e morte de milhões de africanos. Assim como, a análise da legitimidade do direito no estudo da escravidão.

No Capítulo 2, tratando de apresentar as legislações do escravismo que continuam a propagar os pensamentos de diferenciação étnica, como a chegada dos imigrantes e a eugenia, aplicada principalmente na criminologia e nos estudos forenses.

No Capítulo 3, tratando de descrever a constituição outorgada de 1824 e as leis abolicionistas e as influências de outras manifestações e conquistas jurídicas dos afro-descendentes.

Quanto à Metodologia empregada, registra-se que, que na investigação foi utilizado o Método Indutivo Bibliográfico, cuja coleta de dados obedeceu todo rigor cientifico e encontra-se com as bibliografias destacadas.

Ao praticar, adaptar e desenvolver os conteúdos estudados para elaboração de um trabalho científico é possível delimitar um paralelo entre a teoria e a realidade, utilizando-se de uma metodologia científica. Pode-se empregar mais de um método de análise, portanto, é possível realizar uma pesquisa ao mesmo tempo qualitativa e quantitativa.

No caso em tela, a pesquisa foi de analise bibliografia, delineada a partir de análise crítica de livros, artigos, teses, notícias, leis, jurisprudências e documentários ligados à temática.

Destaca-se que diante do escasso material disponível na área jurídica, as fontes bibliográficas pairam sobre analises importantes de historiadores, antropólogos e sociólogos, o que não prejudica a presente monografia, posto que a relação intrínseca entre as ciências sociais e jurídicas quanto ao aspecto do fato jurídico e fato social garante a fidedignidade das informações prescritas e da analise jurídica do fato em tela.

Ainda ressalta-se por oportuno não se aplicar a costumeira divisão – Direito Civil e Direito Criminal - enquadrada nos estudos de Direito e Escravidão. No presente trabalho a escravidão não é fim de si mesma, mas ponte para o entendimento das conseqüentes políticas de igualdade material, diante das mazelas por aquela deixadas em todo o seio social, fazendo do estudo de seus melindres indispensável à justificativa das políticas sociais afirmativas e reparatórias.

Conclui-se ser inegável que o sistema jurídico se fizesse valer na escravidão desde sua gênese, enquanto norma e fato social desde início. Ao analisar os institutos normativos da escravização, encontram-se de bulas papais até códigos completos, ambos disciplinando relações dos escravizados com seus mercadores e proprietários, além de suas relações internas, como casamentos e cultos religiosos, como as externas como a alforria e sua repersonificação no julgamento em instância criminal.

Ao analisar as normas percebeu-se que o direito disciplinou veementemente as relações escravizado X escravizador, assegurando ao segundo todos os alicerces na exploração do primeiro, indenizando-o inclusive quando aquele tinha o seu direito de propriedade sobre outrem tolhido.

Nesse Diapasão, resta declarar que desde gênese, quando América portuguesa, as discriminações étnico-raciais se fizeram presentes dentro do ordenamento jurídico aplicados no Brasil, e mesmo diante, da ruptura do maior processo de exploração da história da humanidade, nada foi estabelecido aos milhões de africanos e seus descendentes no Brasil. A estes foram reservados as favelas, guetos, e todos os espaços ora constituídos para abrigar aos que ao Estado não mais serviam.

Por fim, cita-se Roberto Lyra Filho, hoje reconhecido como patrono da teoria crítica no Brasil, quem desenvolveu o conceito de direito como "um processo histórico de legítima organização social da liberdade", afirmando a necessidade de a ciência jurídica, com o apoio da sociologia e da filosofia jurídicas, voltar-se também para a análise histórica dos processos sociais em busca daqueles critérios de atualização dos padrões de justiça (finalidades éticas) e de legitimidade (mecanismos razoáveis de decisão e de aplicação do direito), na incessante busca de Justiça por aqueles que durante quatro séculos só presenciaram a diferença.

sábado, 6 de novembro de 2010

A SAGA DO REI ABUBAKARI II - AFRICANOS NA AMÉRICA ANTES DE COLOMBO






Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano


"As civilizações pretas foram as primeiras civilizações do mundo. O desenvolvimento da Europa esteve na retaguarda, pela última idade do Gelo, um assunto de uns cem mil anos"
Cheik Anta Diop


Os povos africanos migraram para civilizar o planeta antes que os habitantes da Europa estivessem em estágios de desenvolvimento científico. Da África, as populações humanas aprenderam a dar os primeiros passos civilizatórios e científicos.

Contudo, com o regime de escravidão os africanos e seus descendentes na América foram privados de importantes conhecimentos ancestrais, ao passo que conhecimentos pedagogias racistas baseadas na ausência da ancestralidade, na negação do nosso passado em África e no aprendizado forçado da história e ideologias européias, foram impostos como únicas e verdadeiras.

Nas escolas, ensina-se que a nossa história começa com o maldito tráfico negreiro. Somos adjetivados somente como descendentes de escravizados. Omite-se, ainda, a relatar que nossos ancestrais foram prisioneiros de guerra e covardemente seqüestrados com o apoio de duas grandes religiões o cristianismo e o islamismo.

É de suma importância que esta pedagogia seja reelaborada, e a história apresentada anterior às guerras dos invasores europeus em África.

Nessas importantes reelaborações da história mundial, antes da influência da pedagogia eurocêntrica, diversas mentiras, tidas como verdades, estão sendo desmitificadas. O historiador e dramaturgo Mali Gaoussou Diawara tem organizados diversos trabalhos que propiciam essa releitura.

Mali Gaossou Diawara, natural do Mali, nasceu em Ouelessebougou, a 80 km ao sul de Bamako, estudou o ensino primário e secundário no Mali, jornalismo e letras na extinta União Soviética e também o seu doutoramento (Ph. D) (Especialidade em Dramaturgia). Ele é o autor de trabalhos premiados, várias peças teatrais são apresentadas e estudaras em escolas e universidades, no Mali. Diawara é um Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito da França, Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito do Mali, vencedor do Prêmio UNESCO para a poesia e prêmio drama Cross-Africano.


Diawara afirma em seus escritos que os africanos “descobriram” a América quase dois séculos antes do desembarque fatídico do judeu Cristóvão Colombo. Em suas pesquisas, têm informado e explicado que o silêncio dos griots, os maiores historiadores da história oral africana, tem-se quebrado, paulatinamente, no intuito de divulgar a história de Abubukari II e sua saga pelo Oceano Atlântico.
Griots do Mali

Até então, a fascinante história de Abubakari II tem permanecido resguardada e esquecida, por ele ter renunciado ao trono do Império de Mali.

Seu sucessor, Kankan Mansa Musa, o décimo imperador Mansa, ou imperador do Mali durante seu auge no século XIV, entre os anos de 1312-1337, tornou-se famoso por ser um dos grandes benfeitores do conhecimento em Timbuktu.

Durante o período do reinado de Mansa Musa, houve um crescimento do nível de vida urbana nos grandes centros do Mali, especialmente em comparação com o relativo atraso da Europa. Musa fez do Mali um dos principais centros mundiais de conhecimento, estrutura urbana e riquezas.

Mansa Musa também ficou conhecido por sua peregrinação a Meca, onde constituiu uma caravana com mais de seis mil pessoas, incluindo mais de cem camelos carregados com mais de 300 kg de ouro cada.

Ao contrário de Mansa, Abubakari II possuía uma sede insaciável por conhecimento. Diawara o descreve como um monarca Africano que abdicou do trono em 1311 e partiu para descobrir se o Oceano Atlântico, era grande como o grande rio Níger. A meta do imperador malinês era descobrir se o oceano Atlântico tinha outra margem - como tinha o rio Níger, que cortava os seus domínios.

A saga de Abubakari II não foi aceita por seus conselheiros, que instruíram aos griots que não relatassem sobre esta grande proeza. Contudo, as pesquisas de Diawara têm trazido à tona uma riqueza de informações sobre grande parte da história do império de Mali, que foi deliberadamente ignorado pelos griots, tornando-se mais uma das provas incontestes do desenvolvimento cientifico africano.

Pesquisadores afirmam que a frota de Abubakari II era formada de 2.000 barcos carregados com homens, mulheres, alimentos para o gado e água potável, partindo do que é a costa de Gâmbia atual. O imperador Abubakari II deu-se todo o poder do ouro que possuía, em buscar o conhecimento e descoberta no Grande mar além do rio Níger, nunca mais voltando a sua terra natal e provavelmente se estabelecido com o seu povo nas Américas.

Abubakari II, também era conhececido como Mande Bukari, vivia próximo da mais completa universidade do mundo, a época, na cidade de TIMBIKUTU, sede da Universidade de Sankoré.

Timbikutu
De acordo com Mark Hyman, autor do livro - Blacks Before America-, Abubakari II estava interessado em histórias de estudiosos de um "mundo em forma de cabaça, o grande oceano a oeste e o novo mundo para além desse. Hyman afirma que os maleses entrevistaram navegadores e construtores do Egito e de cidades do Mediterrâneo, decidindo construir seus próprios navios na costa da Senegâmbia. Os preparativos para a viagem incluiu carpinteiros, ferreiros, navegadores, mercadores, artesãos, joalheiros, tecelões, mágicos, adivinhos, pensadores e o militares, e que todos os navios puxaram uma fonte de barco com os alimentos por dois anos, carne seca, grãos, frutas em conserva em potes de cerâmica, e de ouro para o comércio.

Diawara realiza em seu livro, Abubakari II, Explorador Mandingo (tradução livre de Abubakari II, Explorateur Mandingue), a síntese de mais de vinte anos de pesquisa sobre o imperador, que em 1312 renunciou voluntariamente ao poder de vasto império no Oeste Africano.

As pesquisas de Diawara, embasadas em provas arqueológicas, lingüísticas e na tradição oral dos griots, comprovam, mais uma vez, a presença Africana nas Américas antes da chegada dos invasores europeus.

Segundo Tiemoko Konate, um dos pesquisadores que trabalham com Diawara, a frota de Abubakari teria ancorado na costa do Brasil, no local hoje conhecido como a cidade do Recife, in verbis:

“Seu outro nome é Purnanbuco, o que acreditamos é que é uma aberração do Mande para os campos do rico ouro que representavam grande parte da riqueza do Império Mali, Boure Bambouk.”

Konate também cita testes, semelhantes aos descritos por Ivan Van Sertima, mostrando que as pontas de lanças de ouro encontradas por Colombo nas Américas, foram forjadas de ouro originalmente de Guiné no Oeste Africano.

Van Sertima descreveu como, de acordo com os próprios escritos de Colombo, as pessoas que viviam na ilha de Hispaniola (mais tarde, Haiti e República Dominicana) eram negras, corroborando com os estudos de Diawara, verbis:

"as pessoas de pele negra tinham vindo do comércio sul e sudeste em ouro lanças feitas de metal. Colombo enviou amostras destas lanças de volta à Espanha para ser testado, e foram considerados idênticos em suas proporções de ligas de ouro, prata e cobre, lanças, em seguida, sendo forjado no Africano da Guiné. Fernando, filho de Colombo, disse que seu pai havia lhe dito que tinha visto pessoas negras norte do que hoje é Honduras.”

Van Sertima, em seu trabalho mais famoso: They Came Before Columbus, dividiu a presença africana nas Américas em distintos períodos históricos, a saber:

Primeiro, entre 1200 e 800 a.C, quando os núbios e os egípcios chegaram ao Golfo do México e trouxeram a escrita e a construção de pirâmides.

Segundo, em 1310 d.C, quando a civilização mandinga se estabeleceu no México, Panamá, Equador, Colômbia, Peru e diversas ilhas do Caribe.

Comparação entre núbios e monumento dos Olmecas no México

Nesse sentido, alguns pesquisadores acreditam que a população Garifuna da América Central é descendente da expedição de Abubakari II.

Garifunas da América Central

As pesquisas afrocêntricas têm derrubados mitos, mentiras e desvirtuações da história da humanidade realizadas por estudiosos ocidentais e suas academias serviçais da manutenção da supremacia européia. Contudo, diante das incontestes provas arqueológicas e históricas evitam o debate e ficam enfezados (em fezes) quando os cientistas afrocêntricos descrevem os fatos livres da manipulação supremacistas europeus.

Imagem que simboliza a presença de africanos na América 500 anos antes dos Europeus

Recomenda-se que se leia o artigo - O Preto na América antes da Invasão Européia -, que contem outros estudos da presença africana na América desde tempos imemoriais.

Por fim, você já deve ter participado de encontros, seminários, cursos e reuniões e os descendentes de europeus sentem prazer em nos ensinar à história conforme a visão deles; não gostam de serem contestados, se sentem senhores do conhecimento, como os seus ancestrais se sentiam donos do escravizado. Apropriaram-se do conhecimento dos mestres como fizeram com os ensinamentos de KMT e introjeteram que o mundo deve ser estudado a partir do surgimento de suas civilizações na Europa. Não podemos mais aceitar esse disparate contra a inteligência e a memória da humanidade.

Shalom!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

OS CRISTÃOS E O SEGUNDO TURNO - A CONFUSÃO CONTINUA




Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano


Estamos caminhando para o segundo turno das eleições onde a população brasileira irá escolher entre José Serra e Dilma Rousseff. No primeiro turno, pastores e pastoras confundiram a cabeça do eleitorado evangélico com ataques e defesas de candidaturas. A evangélica Marina, apesar de não ter o apoio das principais lideranças evangélicas surpreendeu com quase 20% do eleitorado, e assustou o descendente de italiano José Serra e a descendente de búlgaro Dilma Rousseff.

No dia da eleição encontrei algumas pessoas da "Bléia" (Assembléia de Deus) que falavam de Marina como a ”Varoa de Deus”, a mulher que combatia o aborto e casamento entre homossexuais. Eram pessoas de pele preta que foram manifestar a sua preferência política baseadas nas suas concepções religiosas e seguindo a orientação das suas lideranças.

Incrível foi o pastor Silas Malafaia que mudou de postura faltando poucos dias para a eleição e criando mais confusão na cabeça de uma importante parcela de evangélicos que o seguem e acompanham a sua programação na mídia:

SILAS MALAFAIA NÃO vota em Marina.


Sendo contestado, veementemente, pelo pastor Caio Fabio que o chama de safado por causa de Marina:

Caio Fábio - Ao Safado Silas Malafaia (Marina Silva 1/2)


Há dois vídeos interessantes sobre as eleições:

Pe. José Augusto: sobre o 2° turno das Eleições para Presidente (parte 1)




Pe. José Augusto: sobre o 2° turno das Eleições para Presidente (parte 2)



A resposta ao padre: Sermão do falecido Padre Léo da Canção Nova sobre José Serra.

JOSÉ SERRA - ASSINOU O ABORTO NO BRASIL EM 1998


Fato interessante é que se trava uma luta entre os setores conservadores da igreja Católica e os remanescentes da Teologia da Libertação. Há informações que um dos principais puxadores de voto para José Serra, Geraldo Alckmin, é ligado a Opus Dei (Obra de Deus). Sobre a Opus Dei:

http://super.abril.com.br/religiao/opus-dei-exercito-papa-447854.shtml

Neste blogger, o autor afirma que José Serra, Geraldo Alckmin e Artur Virgilio são da Opus Dei:

http://judsonline.blogtok.com/blog/16304/

Nesta guerra de informações como vemos através dos vídeos acima a confusão continua e a maioria dos 20% dos eleitores de Marina que são evangélicos terão um grande dilema pela frente: Votar no católico José Serra, que se diz devoto de Santa Rita de Cássia ou em Dilma Rousseff que afirma ter formação católica. A grande maioria da população brasileira, formada por descendentes de africanos, não se preocupa com os grandes problemas do nosso povo e nem com a análise das propostas das candidaturas, aqueles continuam na confusão e na mesmice dominados mentalmente.

Você através da sua consciência decidirá.

Shalom!

sábado, 25 de setembro de 2010

OS EVANGÉLICOS E AS ELEIÇÕES – CONFUSÃO EM NOME DE DEUS



Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano

Os evangélicos representam 30% da população brasileira e a sua maioria é composta de descendentes de africanos, seguidores da orientação das lideranças brancas, sem realizar questionamentos, vivem como cordeiros e cordeiras aceitando as ordens dos seus guias espirituais. Os pastores e pastoras são considerados as “vozes de deus” na Igreja, orientadores em todas as situações, e nesse momento, formadores de opinião e indicadores em que votar.

No Brasil, infelizmente não há lideranças pretas no cristianismo. Há alguns grupos que tentam criar um movimento reivindicatório e questionar o racismo, sem discutir a fundo os motivos da discriminação, são defensores da inclusão nas igrejas e adeptos da teoria social da brasilidade que nega os conflitos sociais, e concomitantemente a afrocentricidade e o pan-africanismo.

São milhões de pretos e pretas evangélicos, lideranças que não conseguem reunir mil pessoas em um congresso, faltando visibilidade e propostas convincente aos milhões de cristãos evangélicos pretos dominados mentalmente.

Hoje, assisti a um programa televiso da Igreja Presbiteriana cujo apresentador o Presbítero Daniel Sacramento se referiu ao presidente Obama, exemplificando que os negros são a minoria nos USA e conseguiram eleger o presidente. Não fez a comparação com a maioria negra nesse país que é desorganizada e não consegue ter um candidato a presidente, mas, comparou com os evangélicos, que são uma minoria com um número suficiente de decidir o pleito eleitoral que virá.
Entre as denominações evangélicas que possuem o maior número de membros, entre elas: os Batistas , as Assembléias de Deus e os cultos neopentecostais, sendo a mais conhecida a Igreja Universal do Reino de Deus, se posicionam através de diversas lideranças sobre quem os fieis devem votar, lançando candidatos e apresentam os diversos motivos de um voto cristão.

È deveras interessante os motivos apresentados para o não apoio a candidata Dilma Rousseff do PT, de evangélicos eleitores de José Serra e Marina Silva. Transcrevo abaixo um dos scraps que recebi no Orkut:

BOMBA: MOVIMENTO NÃO VOTE EM DILMA!!!

SÓ PRA VC COMO CRENTE OU CATOLICO FICAR COM A CONSCIÊNCIA TRANQUILA.... A DILMA APROVARÁ A LEI DO ABORTO E DO CASAMENTO GAY
DECLARADO POR ELA MESMA.
E O MAIS INTERESSANTE QUE EU NÃO SABIA E NÃO
HAVIA REPARADO...
VCS SABEM O NOME DO VICE DA DILMA? MICHEL TEMER!

ISSO TE LEMBRA ALGO?
É ELE MESMO O PAI DE DANIEL MASTRAL O GRANDE CABEÇA DOS
SATANISTAS...
INFORMAÇÕES DIVULGARAM QUE A PRESIDENTE SERÁ ELEITA, NÃO TEM JEITO, PORÉM VC COM CONHECIMENTO E SABEDORIA, FILHO DE DEUS, NÃO VOTE NELA, OS SATANISTAS JÁ PREPEARAM TUDO...
A PRESIDENTE
POSSUI UM CÂNCER ADORMECIDO E DENTRO DO ANO DO SEU LEGADO O DIABO A FERIRÁ E ELA FICARÁ TERRIVELMENTE DOENTE, TALVEZ, VINDO ATÉ A FALECER E, QUEM ASSUMIRÁ O PODER? O VICE MICHEL TEMER....
FIQUE LIGADO!

A INTENSÃO DO DIABO É DOMINAR TODO TERRITÓRIO BRASILEIRO LIBERANDO POTESTADES E PRINCIPADOS NO AR,TERRA E MAR.

É HORA DE NOS LEVANTARMOS COMO FILHOS DE DEUS.

CUIDADO COM O SEU VOTO, NÃO O JOGUE NAS MÃOS DE UM INSTRUMENTO DO NOSSO ADVERSARIO.

Dilma aprovará leis que prejudicarão a pregação da Palavra de Deus, como:
Fica proibido fazer:

• Cultos ou evangelismo na rua (Reforma Constitucional)

• Programas evangélicos na televisão por mais de uma hora por dia.
• Programa de rádio ou televisão, quem não possuir faculdade de 'jornalismo'.
• Pregar sobre dízimos e ofertas, havendo reclamações, obreiros serão presos.

Quanto aos cultos:

• Cultos somente com portas fechadas (Reforma Constitucional)

• As igrejas serão obrigadas a pagarem impostos sobre dízimos, ofertas e contribuições.

• Será considerado crime pregar sobre espiritismo, feitiçaria e
idolatria, e também veicular mensagem no rádio, televisão, jornais e internet, sobre essas práticas contrárias a Palavra de Deus.
• Pastores que forem presos por pregar sobre práticas condenadas pela Bíblia Sagrada (homossexualismo, idolatria e espiritismo), não terão direito de se defender por meio de ação judicial.

E-mail de um ex-colega do Seminário Presbiteriano de Campinas, também com um alerta:


Queridos amigos e conhecedores da Palavra. Temos que entender e saber o que as pessoas realmente pensam e o que passa em seus corações. Espero e oro para tenhamos sabedoria do alto quando votarmos daqui a 10 dias. Que o Eterno lhes abençõe e GUIE sempre!

DILMA DIZ: NEM MESMO CRISTO ME TIRA ESSA VITÓRIA

Após a inauguração de um comitê em Minas, Dilma é entrevistada por um jornalista local. Veja:
Como a senhora vê o crescimento da sua candidatura nas pesquisas?


"O povo brasileiro sabe escolher, é a continuidade do governo Lula, e após as eleições nós vamos desarmar o palanque e estender os braços aos nossos adversários, o candidato Serra está convidado a participar do meu governo, porque nesta eleição nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória, as pesquisas comprovam o que eu estou dizendo, vou ganhar no primeiro turno."


Parece que está caindo à imagem de boa moça e aparecendo quem realmente é a Dilma Roussef.
“O Povo Brasileiro estará cometendo um grande erro elegendo Dilma presidente e vão sofrer.” Ciro Gomes

Poucos minutos após a entrevista, já tinha caído na internet, twitter… e ela disse ter sido mal interpretada e que a frase não foi essa, porém alguns mineiros já repudiam a candidata e o quadro eleitoral começa a dar uma reviravolta, em Minas a petista estava à frente de José Serra e agora Serra já ultrapassou com uma vantagem de 5 pontos, tanto que Aécio Neves já está aparecendo na TV pedindo aos mineiros o apoio unânime à Serra.

IMPORTANTE: A Dilma já está até sentando na cadeira presidencial, dá pra acreditar?

Vamos passar adiante, passe para o maior número de contatos possíveis, o Brasil precisa saber disso.

DILMA, a favor do Aborto e acima de Jesus Cristo. Até o Papa no vaticano já se manifestou contra essa frase.

Abram os olhos com os nossos candidatos!

Não anulem seus votos, nem vote em branco, isso somente vai ajudar aqueles que querem prejudicar nossa nação, votem com consciência!

O pastor Batista Paschoal Piragine apóia Candidatura de Serra e fala sobre a iniqüidade da candidata Dilma:

Posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr sobre as eleições 2010


Muitas lideranças evangélicas não comungam com as opiniões acima e apóiam a Dilma:

Pastor Paulo Kazão do Ministério Internacional Graça Sobre Graça e o Apóstolo Cristiano França de Montes Claros -MG, onde está trabalhando para implantar a Graça genuína e libertar o povo místico do Norte de Minas da "macumba gospel”.

http://www.abencoados.com/kazao.htm

Posicionamento do Pr Paschoal Piragine - RESPOSTA


Em nome dos evangélicos, discursou o pastor e deputado federal Manoel Ferreira (PR-RJ), da Assembléia de Deus.

A julgar pelo que disse o pastor-deputado, foi dando que o governo da ex-ministra Dilma recebeu o apoio dos evangélicos à candidata. Manoel recordou aos presentes que Lula sancionara a lei que regularizou os templos erigidos em áreas públicas pertencentes à União. “Agora chegou a hora de estarmos unidos. O que podemos fazer por esse homem?”, perguntou o pastor Manoel aos presentes. Ele mesmo respondeu: “Fazer a sua sucessora”.

http://blogfolha.com/?p=13430


Pastor presbiteriano compara Dilma com o apóstolo Paulo. Assista ao vídeo:

Líder de 27 mil pastores pede apoio para Dilma


A pastora Silvana compara Dilma como nova Débora.

PASTORA SILVANIA NUNES - Assembléia de Deus -- Min. Madureira


Irmão Lázaro está com Dilma nas eleições


O pastor da Assembléia de Deus Joaquim Móbile do Congo apóia Dilma

Pastor Joaquim Mbole


Todos os candidatos sofrem ataques do blogueiro fundamentalista Julio Severo, que escreveu diversos artigos combatendo a luta dos negros. O seu principal alvo é Marina Silva:

Marina: mais uma “solução” de Caio Fábio e Valnice

Só faltou Valnice dizer que Marina é um anjo verde — que se diz contra o “casamento” gay, mas a favor de uniões civis homossexuais, que no final das contas é a mesma coisa. Em elogios e adulações para Marina, Valnice só perdeu para Leonardo Boff, o principal líder da Teologia da Libertação do Brasil, que igualmente pintou Marina como solução para o Brasil.

http://juliosevero.blogspot.com/2010/09/marina-mais-uma-solucao-de-caio-fabio-e.html

Marina Silva, a candidata verde de coração vermelho


Ela começou sua carreira política militando nas comunidades eclesiais de base, a ala mais marxista Igreja Católica, tendo a Teologia da Libertação como referencial de sua vida. Mesmo assim, agora ela apresenta-se como candidata dos evangélicos, pintando-se como “moderada”

http://juliosevero.blogspot.com/2009/10/marina-silva-candidata-verde-de-coracao.html

Marina Silva é membro da Assembléia de Deus, mas não recebe o apóia da alta cúpula:

ASSEMBLÉIA DE DEUS NÃO APÓIA MARINA SILVA

Assembléia de Deus, maior igreja pentecostal do Brasil, com 8,4 milhões de fiéis segundo o Censo de 2000, não apoiará a pré-candidata à presidência da República Marina Silva (PV). "O fato de ser evangélica e candidata não é suficiente para a igreja apoiá-la", afirmou o pastor Joel Freire, que trabalha como missionário da Assembléia de Deus nos Estados Unidos. Filho do pastor José Wellington - presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB) e suplente de Orestes Quércia (PMDB) -, Freire ressalta que Marina precisaria de "outros atributos", como ser "conhecida pela comunidade evangélica e provar que poderia ser presidente".

Segundo o pastor Gedeon Alencar:


"As pessoas votam, cada vez mais, a partir da preocupação instrumental, do que dá fruto, do resultado imediato", afirmou o pastor Gedeon Alencar, especialista em ciência da religião e membro da dissidente Igreja Assembleia de Deus Betesda em São Paulo. Ele observa ainda que será diferente essa eleição: "Os evangélicos vão se dividir. Há duas décadas os evangélicos foram contra Lula, era mais definido".


Para Alencar, ganha apoio quem tem algo a oferecer. "Mesmo Marina tendo uma marca da Assembleia de Deus, no encontro em Santa Catarina (em maio), quem foi convidado para falar foi o Serra", disse. "Marina teria dinheiro para patrocinar? Não tinha. Então se dá ênfase para quem tem dinheiro para financiar", afirma.

http://aforcadaesperanca.blogspot.com/2010/05/assembleia-de-deus-nao-apoia-marina.html

Marina Silva disse em uma entrevista:

Mesmo sendo evangélica e pertencente à maior ala da Assembleia de Deus, Marina afirma que não usará a igreja para pedir votos. “Minha posição é de não usar o púlpito para fazer palanque”, afirmou.

http://www.gospelprime.com.br/evangelica-marina-silva-minimiza-apoio-de-lideres-de-igrejas-a-dilma-rousseff/

Apoiando a candidata Marina Silva estão líderes importantes como o pastor Silas Malafaia, Apóstola Valnice Milhomens, Pastor Caio Fabio, e o Apostolo Renê Terra Nova. Interessante que Silas Malafaia e Caio Fábio são discordantes em vários assuntos, mas apóiam a mesma candidata.
O pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, declarou apoio à candidata do PV, Marina Silva nesta sexta-feira, dia 24. O conferencista mantendo um discurso coerente com seus princípios, pediu votos através de seu twitter. Diferente de outros lideres da Assembleia de Deus como José Wellington Bezerra e Manoel Ferreira que declararam apoio a Dilma Rousseff, mesmo a petista sendo a favor do casamento gay e do aborto, Malafaia diz que foi coerente.

http://www.gospelprime.com.br/pastor-silas-malafaia-declara-apoio-a-marina-silva/

Mobilização Nacional - Pastor Silas Malafaia


Apoio cidadão e não religioso de Caio Fábio a Canditaduta de Marina Silva


Apóstola Valnice Milhomens e o Apóstolo Renê Terra Nova

O apóstolo Renê Terra Nova e os apóstolos do Brasil oraram pela senadora Marina Silva, na noite de 21 de abril, quando a senadora esteve presente no 11º. Congresso de Resgate da Nação. A apóstola Valnice Milhomens primeiramente apresentou a senadora, e intercedeu por seu ministério político diante da Nação Brasileira.

Em seguida, o apóstolo Renê também orou profetizando que a bênção de Deus está sobre a vida de Marina Silva. Os apóstolos reuniram-se no altar da tenda e impuseram as mãos sobre a senadora acreana, pedindo a Deus que lhe dê sucesso em sua vocação. Foi um mover sobrenatural.

http://www.reneterranova.com.br/hotsite/portoseguro2010/content/noticias.php?code=28

Nesta Babilônia as posições controversas de diversas lideranças cristãs, a maioria dos evangélicos que são descendentes de africanos, estão imersos na mais profunda confusão. Em nenhum momento a questão racial foi colocada como fundamental, os pastores e pastoras se adequaram as mais diversas interesses políticos sem se preocupar com a ética e com os ensinamentos verdadeiros das Sagradas Escrituras.

O cristianismo sempre esteve envolvido no poder secular, desde a sua formação no Imperio Romano e suas divisões com a Reforma do Século XV. Foram mentores ideólogicos e enriqueceram com a escravidão na África, criaram falsas interpretações para o domínio mental e da perca de identidade de uma grande maioria de africanos e seus descendentes . O griot Ademario Ashanti já nos alerta no seu artigo por essa manipulação de consciência feito pelo cristianismo que ensinou aos pretos e pretas adorarem um Messias Branco criado a imagem e semelhança dos opressores:


CESARE BORGIA – O GAROTO PROPAGANDA DO VATICANO

http://cnncba.blogspot.com/2009/10/cesare-borgia-o-garoto-propaganda-do.html


Os pretos e pretas cristãs estão em mais uma confusão de suas igrejas, seguindo as lideranças brancas, tendo as consciências manipuladas no mais atrasado voto de cabresto em pleno século XXI.

Porque YHWH não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as comunidades dos santos. I Cor. 14:33.

Shalom!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEDICINA E MULHERES NO ANTIGO EGITO - MERIT PTAH E PESESHET: AS PRIMEIRAS MÉDICAS DO PLANETA.




Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano


A civilização do antigo Egito (Kemet) não oprimia as mulheres como a civilização grega, erradamente considerada o berço da democracia pelo eurocentrismo, onde as mulheres não eram consideradas cidadãs. Em Kemet, as mulheres se tornaram proeminentes em diversas áreas do conhecimento. Elas eram especialistas em física, astronomia, matemática, arquitetura e demais ciências. Todas as profissões foram abertas às mulheres e aos homens, incluindo os serviços religiosos, administração, negócios e medicina, entre outros campos. Na medicina havia institutos médicos em Heliópolis e Sais, chamadas "peri-ankh" ou "casas da vida" as suas especialidades se destacaram na ginecologia e obstetrícia.

No antigo Egito, nas Escolas de Medicina, elas aprenderam a cuidar da gravidez (pré-natal), parto, fertilidade e contracepção, sendo assim, sabemos que eram médicas ginecologistas e obstetras. No bíblico livro de Êxodo há um relato do trabalho dessas médicas, no capitulo1: 15-22

"O faraó do Egito disse às parteiras dos hebreus, uma das quais se chamava Sifra e a outra Fúa: Quando ajudardes as mulheres dos hebreus a darem à luz, olhai o sexo da criança. Se for um menino matai-o. Se for uma menina deixai-a viver". As parteiras, porém, temiam a YHWH. Não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenara e deixaram os meninos viver. Então o faraó do Egito lhes convocou e lhes disse: "Por que fizestes isso e deixastes viver os meninos? As parteiras responderam ao Faraó: "As mulheres dos hebreus não são como as egípcias; são cheias de vida, antes de a parteira chegar já deram à luz". Deus tornou as parteiras eficazes e o povo se multiplicou e se tornou bem forte. Ora, como as parteiras temessem a YWHH e YHWH lhe houvesse dado uma descendência, o Faraó deu esta ordem a todo o seu povo: “Todo menino recém-nascido, jogai-o ao rio. Toda menina, deixai-a viver”.

Sifra e Fúa são citadas como as primeiras médicas do povo hebreu ainda no Egito, demonstrando que a ciência medica de Kemet foi cosmopolita.

O conhecimento químico dos médicos egípcios foi tão grande que alguns atribuem a origem da palavra "química" para "Kemet", o antigo nome do Egito. Drogas de fontes diferentes foram utilizadas. Minerais, como enxofre, antimônio e zinco foram utilizados principalmente nos olhos e pomadas da pele. Produtos de origem animal, como carne de boi e fígado, assim como mais de 160 plantas (muitos delas ainda em uso) foram utilizadas na forma de comprimidos, pós ou supositórios (retal e vaginal). Entre as plantas comuns utilizadas foram senna, plátano, óleo de rícino, goma arábica, hortelã e linhaça. A levedura foi utilizada para a indigestão e externamente para úlceras de perna. Os medicamentos mencionados no papiro Ebers, por exemplo, incluem o ópio, maconha, mirra, incenso, erva-doce, canela, Senna, tomilho, henna, zimbro, aloe, linhaça e mamona.

Quais as civilizações ocidentais antigas que podemos citar o desenvolvimento e a liberdade das mulheres? Você só pode falar de civilizações africanas.

No antigo Egito há mais de 100 documentos com imagens que aparecem nas paredes de tumbas e nos hieróglifos gravados em estelas, provas incontestes de que as mulheres egípcias se tornaram grandes professoras em escolas de formação médica.


A primeira mulher descrita como médica na história do planeta foi Merit Ptah. A imagem dela pode ser vista numa tumba na necrópole próxima a pirâmide de degraus de Saqqara. O filho dela que era um Alto Sacerdote, descreveu-a como "A Médica-Chefe". Merit Ptah Viveu no ano 2700 a.C logo depois do grande médico Imhotep.


Uma cratera de impacto sobre Vênus recebeu o nome Merit Ptah em homenagem a primeira médica da história da humanidade. Uma mulher preta e africana.


Um dos nomes mais conhecidos de médicas do antigo Egito foi o de Peseshet, descoberta a estela em 1930 nas escavações de Gizé, pelo professor Selim Hassan, a inscrição da estela, datada de cerca de 3100-2100 a.C., está escrito: Supervisora dos doutores ou Chefe dos doutores.

Não foi apenas uma médica em seu próprio direito, mas, também a supervisora e administradora de todo um corpo de médicos do sexo feminino. Exerceu a medicina quase 5.000 anos atrás e foi imortalizada por seu filho em seu túmulo como "A médica-chefe".

A dama Peseshet sabia tomar o pulso, examinar a retina e a pupila do olho, a cor e a textura da pele, avaliar a qualidade da circulação da “energia” dos vasos. Assim, ela podia fazer um diagnóstico e concluía com uma destas três frases: − Uma doença que conheço e tratarei. − Uma doença que conheço e tentarei tratar. − Uma doença que desconheço e não poderei tratar.

“Desde o início dos tempos, mulheres sábias colhiam ervas e faziam infusões, davam os cuidados do dia a dia que eram quase que toda a ajuda disponível para os doentes até dois séculos atrás. Elas banhavam os artríticos e manipulavam suas articulações, acompanhavam as mulheres grávidas e faziam seus partos. Uma vez que a maioria dos remédios era ineficaz há até cerca de cem anos, pode-se dizer que a maior parte da medicina prática estava na mão das mulheres.”

Peseshet tinha acesso a numerosos tratados médicos que proporcionavam observações classificadas com rigor, diagnósticos e prescrições. Havia aprendido a preparar poções, ungüentos e cataplasmas; utilizava fumigações medicinais e prescrevia dietas alimentares, de acordo com o transtorno da saúde. A ginecologia era uma de suas maiores especialidades. Aos remédios materiais, a dama Peseshet acrescentava a prática da magia, a faculdade de desviar o efeito da fatalidade.

Elaine Alves e Paulo Tubino (História da Mulher na Medicina)

LADY PESESHET!


No entanto, outra notável egípcia deixou sua marca no campo da obstetrícia e ginecologia no século II d.C, uma médica chamada Cleópatra, não confundir com a rainha egípcia, escreveu extensivamente sobre a gravidez, parto e de saúde da mulher. Seus escritos foram consultados e estudados há mais de 1000 anos.

“Desde o início dos tempos, mulheres sábias colhiam ervas e faziam infusões, davam os cuidados do dia a dia que eram quase que toda a ajuda disponível para os doentes até dois séculos atrás. Elas banhavam os artríticos e manipulavam suas articulações, acompanhavam as mulheres grávidas e faziam seus partos. Uma vez que a maioria dos remédios era ineficaz há até cerca de cem anos, pode-se dizer que a maior parte da medicina prática estava na mão das mulheres.”

Ian Carr (Women in Healing and the Medical Profession, 2004)

É deveras importante compreendermos as descobertas facilitadoras e revolucionárias para as vidas das mulheres neste século já eram praticadas em Kemet(Egito), os métodos contraceptivos eram usados por uma minoria das mulheres, as que se dedicavam a prostituição, as filhas solteiras e por prescrições médicas no caso de problemas psiquiátricos e da gestação pós-gravidez.

As egípcias conheciam testes de gravidez, um deles usava a cevada e um tipo de trigo, o emmer, em sacos de areia, os umedeciam durante alguns dias com a urina. Se a cevada crescesse seria um menino, se fosse o emmer (farro), seria uma menina, se não houvesse a germinação significava que não havia gravidez, e a ciência comprovou que a urina das mulheres que não estão grávidas impede que a cevada germine.



O Egito desenvolveu diversos métodos de controle de natalidade, um deles enumeramos como o precursor do diafragma feito de estrume de crocodilo e mel e uma ducha feitos de urina e alho. Abaixo outros contraceptivos usados pelas antigas mulheres do Egito:

DIU – As mulheres usavam a madeira da acácia para evitar a gravidez
PÍLULA- Usavam a romã que é rica em estrogênio.
TAMPÃO CONTRACEPTIVO - O "Papiro de Ebers" datado de 1550 a.C, é o primeiro manuscrito detalhando os meios de contracepção, indicando o uso da acácia, cabaça moída e misturada com mel sendo umedecida e colocada na vagina.
ESPERMICIDAS – Usavam diversos cremes misturados com diferentes tipos de óleos e mel
PRESERVATIVOS - Feitos de membranas de ovinos que protegiam contra as doenças infecciosas.

Possuíam tratamento para aumentar a fertilidade das mulheres, consistia que ficassem agachadas e eram tratadas com o vapor da mistura quente de incenso, óleo, tâmaras e cerveja. Para induzir ao parto colocavam no abdômen sal marinho e trigo emmer.

Existiam maternidades, chamadas casas de Parto, situadas ao lado dos templos, usadas especialmente pelas mulheres nobres. As diversas formas eram utilizadas, em pé, ajoelhadas, de cócoras, sentada sobre os calcanhares em tijolos ou sentada nas cadeiras de parto. Vede a gravura abaixo:

Há alguns recortes importantes que as médicas pretas do antigo Egito nos ensinam: Uma medicina holística, os métodos de cura natural, a importância das mulheres como exemplo histórico na igualdade de gênero e oportunidades que foram cerceadas nas civilizações ocidentais.

Notamos que houve um retrocesso na história da humanidade e as civilizações africanas primevas nos tem muito a ensinar de que as oportunidades e a igualdade são um exemplo que deve ser reconquistado por toda a humanidade.

Shalom!

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias