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sábado, 7 de abril de 2012

Os HEBREUS DE ELEFANTINA - COMUNIDADE NO ANTIGO KEMETE


Por Malachiyah Ben Ysrayl.

Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Os Hebreus constituíram-se quanto povo dentro do território africano. Tal composição possuiu sua gênese em Mizraim, no Kemete (atual Egito), e de lá se consolidou em Canaã, após o Êxodo sob a direção de Moshe.

Importante destacar que Kemete e Canaã eram um só território africano para aquelas civilizações, cuja divisão territorial somente ocorreu muito recentemente com a invasão das civilizações brancas e a drástica alteração toponímica, através da construção do canal de Suez.

Importante também compreender que Kemete, potencia comercial, naval e intelectual da época, era um local propício para o desenvolvimento e constituição do povo hebreu, seja para acolhê-los durante os diversos períodos de crises econômicas enfrentadas, alianças militares e mercantis, seja pelas necessidades de asilo e migrações populacionais, principalmente em decorrência das diversas guerras hebraicas que culminaram nas diásporas.

Por conta de seu desenvolvimento econômico, Kemete foi o local ideal e mais seguro para a sobrevivência dos hebreus, desde a época de Avraham (Abraão, pai de muitos pretos).

Em outra análise, não há como concordar com alguns grupos afrocentristas, notadamente inimigos dos hebreu-israelitas, que habitualmente se referem à civilização de Kemete para atribuí-la todo o conhecimento, restando aos hebreus a absorção e adaptação cultural, ao passo que também negam a pretitude de Israel, apoiando, por ignorância, a farsa Askenazi.

Esta análise equivocada demonstra ausência do conhecimento histórico de Kemete e de suas relações econômicas, políticas e culturais. Sem mais delongas, não podemos esquecer que o povo hebreu se origina em Kemete e a sua cor epitelial não era diferenciada, tanto assim que em diversos relatos eles são considerados um só povo, como é o preto hoje.

Hebreus Israelitas cativos na Babilônia

No livro de Bereshit (Gênesis) há diversos relatos dos hebreus se parecerem com os habitantes de Mizraim, alguns exemplos: Os dez irmãos de Yosef não o reconheceram, no sepultamento de Yaacov e Moshe cresceu na corte do faraó. Inclusive Yahoshua foi levado para Mizraim com os seus pais Yosef e Miryahm fugindo de Herodes por causa da matança das crianças de Beit Lehem.

Após esse introito, necessário para elucidar alguns temas sobre a comunidade dos hebreus em Kemete, discorreremos sobre a comunidade hebraica de Elefantina, uma ilha do rio Nilo, a oeste de Aswan, na fronteira com a Núbia (Sudão), que se estabeleceu na região no V século antes da nossa eram comum.



Elefantina é uma palavra de origem grega que significa elefante, os antigos habitantes de Mizraim chamavam de Yebo, que também significa elefante, este nome surge por causa dos elefantes que foram levados do sul para a Núbia. A ilha possuía uma importância geográfica estratégica por causa das constantes guerras entre Kemete e o poderoso império de Kush.

Por que os hebreus se instalaram na Ilha de Yebo? Há algumas hipóteses:

- O rei Manasses da Judéia enviou soldados que se estabeleceram em Elefantina apoiando o Império de Mizraim.

- Mercenários judeus foram enviados para o Egito durante o reinado do faraó Psammetichusis II, o rei Zedequias teria sido o responsável pelo ato. Isto porque, o rei Zedequias foi o único governante de Judá contemporâneo com Psammetichusis II. Desde então, Mizraim teria sido mais propenso a apoiar os rebeldes antibabilônicos, a presença de mercenários judeus em MIzraim pode ter sido visto como um ato de cooperação contra um inimigo comum. Corroborando com essa hipótese, extraímos o escrito no Livro de II Reis:

"Com isso, todas as pessoas [restante dos judeus em Judá] desde o menor até o maior, juntamente com os oficiais do exército, fugiu para o Egito com medo dos babilônios." (2 Reis 25:26).

Alguns profetas falam da presença de hebreus no Egito, entre eles, Isayah:

"Veja, eles virão de longe,
alguns do norte, alguns do oeste,
alguns da região de Assuão [Siena]. " -Isayah 49:12

A vivência dos hebreus em Elefantina ainda é estudada com afinco, pois permite através de uma vasta quantidade de documentações, entre elas, papiros e sítios arqueólogicos, o entendimento da diáspora dos hebreus.

Elefantina era conhecida como a terra do deus Khnub, originário de Kush-Nubia como outros importantes deuses e deusas de Kemete. Originalmente esse deus é representado como um homem com cabeça de carneiro. Os hebreus construíram um templo para YHWH parecido com o templo de Salomão o qual foi destruído por egípcios, por causa dos holocaustos, que incluíam ovelhas, bois e cabras. O sacrifício de carneiros no templo era claramente uma das principais causas da revolta dos egípcios. Um documento encontrado retrata a destruição final do templo em 410 aC, Segundo o documento, os sacerdotes egípcios de Khnub cooperou com Vidranga que enviou o seu filho Nefayan no comando de um exército egípcio e ordenou "o templo de YHWH na Fortaleza de Elefantina tem que ser destruído"

Há um papiro que solicitar ao rei Dario da Persa a reconstrução do templo de Elefantina, acesse o link:

http://www.kchanson.com/ancdocs/westsem/templeauth.html

Na ilha diversos papiros denominados como “Papiros de Elefantina”, foram encontrados nos assoalhos das casas, vasos de cerâmica e jarros. Estes documentos escritos em aramaico, e alguns em hierático e demótico, relatam a vida cotidiana, isto é, assuntos políticos, religiosos, econômicos e sociais. Os documentos legais encontrados estão preocupados com ações judiciais; vendas; casamento, empréstimo, presentes e outros contratos relacionados com posses de propriedade.

De especial importância é a "Carta da Páscoa", que remonta a 419 a.C. A carta era de Ananias para Jedenayah da guarnição israelita em Elefantina. Em sua carta, Hennanyah instruiu os hebreus a "manter o Festival do Pão Ázimo" e "serem puros e cuidadosos.", juntamente com outras instruções relacionadas à observância do festival. Os estudiosos suspeitam que Hennanyah tenha sido o irmão da figura bíblica, Neemyah.

O destino desconhecido da comunidade de Elefantina pode ser interpretado de maneiras variadas. Uma possibilidade é a migração para a Núbia, assim como os soldados egípcios fizeram durante o tempo de Psammetichus. Sendo assim, seria uma estranheza se os hebreus fossem brancos de olhos azuis como são os askenazis, que se dizem judeus e habitam no território de Israel e se originam do Cáucaso.

Outra hipótese, mais instigantes, é que caminharam para o ocidente da África, devido a diversas tradições orais de grupos étnicos que afirmam terem vindo de Mizraim ou Kemete (Antigo Egito) e de Kush-Núbia e resguardam em sua linguística e costumes, hábitos inteiramente hebraicos.

Shalom!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

OS CONFLITOS DE BETA ISRAEL COM OS CRISTÃOS ETÍOPES – PERSEGUIÇÃO MILENAR AOS HEBREUS NA ETIÓPIA – IIª PARTE


Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn: kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos.











"Eu sou preta, e formosa, ó
filhas de Jerusalém, como
as tendas de Quedar, como as
cortinas de Salomão ". Cantares de Salomão 1:5.



A modelo Esti Mamo nasceu em 1983 em Chilga, no noroeste da Etiópia. Ela é membro da comunidade Beta Israel.




Dando continuidade ao artigo anterior sobre a Beth Israel (Casa de Israel) notamos que há um desconhecimento de alguns irmãos e irmãs de como a tradição oral e a história documental interpretam o surgimento dos hebreus na Etiópia. Sabemos que os melhores historiadores sobre Beta Israel são os membros daquela comunidade, porque mantém tradições vivas comprovadas através da oralidade e um pertencimento milenar oriundo da tradição mosaica que não deixa dúvidas da sua originalidade, apesar de historiadores brancos tentarem colocar em dúvida uma das mais antigas comunidades hebréias existentes no mundo. Dúvida esta desfeita pelos próprios rabinos do judaísmo (askenazis e sefarditas) os quais sem saída tiveram discussões em exaustivas reuniões e chegaram à conclusão: A Casa de Israel é composta de verdadeiros hebreus.

Entre algumas hipóteses que criaram sobre Beta Israel, uma tenta colocar em dúvida a sua origem hebraica, as outras três informam a sua provável origem, sendo a nº 1 aceita pela oralidade da comunidade, a saber:

(1) O Beta Israel são descendentes da tribo israelita de Dan.
(2) São descendentes de Menelik I, filho do rei Salomão e da rainha de Sabá.
(3) São descendentes dos cristãos etíopes e de “pagãos” que se converteram ao judaísmo séculos atrás.
(4) São descendentes de hebreus que fugiram de Israel para o Egito depois da destruição do Primeiro Templo em 586 a.C, e acabaram por se instalar na Etiópia.

As hipóteses um, dois e quatro se completam na própria explicação da comunidade, corrobora o histórico de suas migrações de Israel. A tradição oral, preservada pelos sacerdotes da comunidade, explica que houve uma migração dos filhos de Israel para o exílio no Egito, após a destruição do Primeiro Templo pelos assírios no ano de 586 a.C. e também no exílio babilônico. Estes hebreus permaneceram por centenas de anos no Egito até o reinado de Cleópatra que a auxiliaram na guerra contra Cesar Augustus, sendo derrotados na guerra, eles fugiram para a Arábia do Sul, posteriormente foram para o Yemen; outros se dirigiram para o Sudão até chegarem à Etiópia.

Alguns membros da comunidade de Beta Israel afirmam que as suas origens são Danitas contemporânea a Moisés, quando alguns Danitas partiram após o Êxodo e mudaram-se para sul, até a Etiópia. Eldad, o Danita, realmente descreve ao menos três ondas de imigração israelita para a esta região, criando outras tribos israelitas e reinos, incluindo as primeiras levas que se instalaram em um remoto reino da "tribo de Moisés": este foi o mais forte e mais seguro reino hebreu de todos, com aldeias agrícolas, cidades e grande riqueza. É importante ressaltar que houve diversos reinos israelitas na África os quais não são citados porque são provas incontestes da cor dos descendentes de Avraham (o pai de muitas nações pretas).

Os hebreus na Etiópia mantiveram os seus costumes da época mosaica sem influência do judaísmo (não existe esta palavra nos escritos sagrados) e seus talmudes (interpretações da lei criada pelos askenazis). As tradições de Beta Israel estão baseadas no Torá que está escrito em pergaminhos e outros livros considerados sagrados como o de Enoque, seus costumes são bem antigos e muitos deles somente praticados pela comunidade e eram desconhecidos pelos chamados judeus (origem européia) atuais.

Beta Israel viveu no Norte e Noroeste da Etiópia, em mais de 500 vilarejos espalhados por um vasto território, entre populações muçulmanas e populações cristãs. A maioria se concentrava na área em torno do lago Tana e ao norte no Tigre, Gonder Wello e regiões, e entre os Semien, Wolgait, Dembia, Segelt, Lasta, Quara, Belesa, e um pequeno número viveu nas cidades de Gonder e Adis Abeba.

Os hebreus da Etiópia sempre foram considerados estrangeiros, pessoas estranhas a região, por manterem vivos os costumes ancestres do mosaismo, foram discriminados e perseguidos, tendo resistidio por milhares de anos. Tanto assim que o termo falasha significa estrangeiros.

O Kebra Nagast, relato escrito em Ge'ez das origens da linha salomônica dos Imperadores da Etiópia, é legitimamente questionado pela casa de Beth Israel. O objetivo do livro é proclamar a Glória dos Reis. Não a glória dos reis hebreus, mas a glória dos reis cristãos, escrito, em sua maioria, provavelmente no século XIV para deslegitimar a dinastia Zagwe, e proclamar a dinastia salomônica que é uma dinastia cristã reverenciada como legitima na Etiópia e pelos grupos rastafáris nas Américas, considerada pelo Beth Israel como uma dinastia usurpadora do trono hebreu e transformadora das tradições ancestrais. O Kebra Nagast é considerado uma falácia pelos verdadeiros hebreus.

A resistência dos hebreus após a conversão de Ezana ao cristianismo (religião branca européia) realizado por Frumêncio foi ativa, onde se recusaram a adotar o cristianismo e ocorreu uma guerra civil entre os hebreus e os cristãos, os hebreus migraram para a serra de Siemen e fundaram o Reino de Siemen (Reino dos Gideões) na parte oeste-norte da Etiópia, cujo primeiro rei foi Fineas.

As guerras foram constantes por causa das perseguições do império cristão etíope. No século nono, durante uma batalha, o rei hebreu foi morto, assumindo o reinado a sua filha que se tornou a imperatriz hebréia Judith que aliada ao povo de Agaw investiu contra o império axumita no ano de 960. As tropas da confederação das tribos de Israel e Agaw, lideradas pela Rainha Judith, invadiram a capital de Axum conquistando-a e destruindo-a, queimaram inúmeras igrejas e impuseram o Estado hebreu sobre Axum. Além disso, o trono Axumita foi arrancado e as forças da Rainha Judith saquearam e incendiaram o mosteiro de Debre Damo, que a época era um tesouro e uma prisão para os parentes do sexo masculino do imperador da Etiópia, matando todos os herdeiros potenciais do imperador. A rainha hebréia Judith governou por 40 anos, tendo os seus sucessores governados por mais de 400 anos toda a Etiópia.


"CAMPO DE JUDITH": uma área repleta de ruínas de prédios destruídos, que segundo a tradição foram arruinadas pelas forças da Rainha Judith.


A Idade de Ouro do reino de Beta Israel ocorreu, de acordo com a tradição etíope, entre os anos 858-1270, na qual o reino hebreu floresceu. Durante esse período, os israelitas espalhados pelo mundo ouviram falar pela primeira vez as histórias de Eldad ha-Dani que aparentemente visitou o reino. Marco Polo e Benjamin de Tudela também mencionaram um reino israelita independente na Etiópia nos escritos desse período. Este período termina com a ascensão da dinastia cristã salomônica.


No ano de 1270, os cristãos assumem de novo o poder e longas guerras começam, e no reinado do imperador cristão Yeshaq (1414-1429) o reino hebreu é invadido e dividido em três províncias, sendo forçada a conversão de muitos israelitas ao cristianismo, sob a ameaça de que ou se convertiam ou perdiam as terras. Yeshaq decretou: "Aquele que é batizado na religião cristã pode herdar a terra de seu pai, caso contrário, deixá-lo ser um Falāsī". Isso pode ter sido a origem do termo "Falasha" (falāšā, "andarilho", ou "pessoa sem-terra"). Neste período os hebreus foram considerados pessoas de segunda categoria, inferiores aos cristãos.

Os israelitas não se curvaram as humilhações e a apropriação de suas terras pelos cristãos e em 1450 após reativarem o exército invadiram o império cristão etíope, mas foram derrotados, resultando no massacre durante sete anos de milhares de hebreus.

Quando os muçulmanos invadem a Etiópia na sua guerra de expansão pelo território africano, os hebreus fazem um pacto de paz e auxiliam os exércitos cristãos contra o inimigo do Islã, sendo derrotados pelos muçulmanos e sofrendo mais uma vez um violento massacre das tropas otomanas e do sultanato de Adal. Como apoio do império cristão axumita e de seus aliados portugueses e das ordens dos jesuítas conseguem expulsar os muçulmanos, mas, com o auxílio das forças de Portugal e da Ordem dos Jesuítas, o império etíope, sob o domínio do imperador Gelawdewos, invadiu o reino hebreu e executou o rei Jorão. A conseqüência dessa traição dos cristãos foi que o reino hebreu se tornou restrito a região das Montanhas Semien.

Com a morte de Jorão, o rei Radi assume o trono hebreu e faz guerra contras o imperador cristão Menos, conseguindo reforçar as suas defesas das montanhas Semien. No governo do imperador cristão Sarsa Denge, o reino hebreu é novamente invadido e o rei hebreu Gósen e muitos de seus soldados foram executados. O desespero dos hebreus levou a muitos membros do reino a cometer o suicídio. Em 1627, o imperador Susenyos invade o reino hebreu e após derrotá-lo, anexa-o ao império etíope.

"Os homens e mulheres Falasha lutaram até a morte das alturas escarpadas da sua fortaleza... lançaram-se sobre o precipício ou cortaram a gargantas uns dos outros ao invés de serem presos, era um Masada Falasha. [Os líderes rebeldes] queimaram toda a história escrita dos Falasha e todos os seus livros religiosos, era uma tentativa de erradicar para sempre a memória hebraica da Etiópia” "(Righteous Judeus, AAEJ Imprensa, 1981).

Os hebreus foram capturados e vendidos como escravos, forçados ao batismo cristão, e tiveram negado o direito à própria terra. A independência de Beta Israel foi retirada, assim como ocorreu com seus irmãos israelitas em Massada, séculos antes em Israel.


Alpha Blonde - Massada


Continua no próximo artigo.

Shalom!



sábado, 21 de maio de 2011

OS CONFLITOS DE BETA ISRAEL COM OS CRISTÃOS ETÍOPES – PERSEGUIÇÃO MILENAR AOS HEBREUS NA ETIÓPIA.



Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos.

É deveras complicado para muitas pessoas entender as interpretações histórico-religiosas sobre a Etiópia. O desconhecimento das populações do Vale do Nilo proporciona uma historiografia e analises étnico-sociais duvidosas, obtusas e confusas difundidas por escritores e pensadores eurocentristas, acadêmicos pretos, estudiosos religiosos e grupos afro-americanos.

Durante toda história etíope, advieram diferentes interesses econômicos que conseqüentemente geraram conflitos pelo poder político, tais conflitos alteraram a tradição oral e as concepções do sagrado. São distintas cosmovisões anacrônicas em um mesmo território e sempre estiveram em conflito, apesar de no primeiro olhar parecerem estar entrelaçadas. Sendo assim, é muito importante a compreensão desses ethos pelos afro-diaspóricos, principalmente os grupos que se utilizam daquela ancestralidade na fundamentação de seus posicionamentos filosóficos e religiosos.

A Etiópia, décimo maior país da África em extensão territorial, abrange cerca de 1.138.512 km² e principal constituinte da região conhecida como Chifre da África. É limitada a norte e a nordeste pela Eritréia, a leste por Djibuti e Somália, a sul pelo Quênia e a oeste e a sudoeste pelo Sudão.
A Etiópia é conhecida por suas medalhas de ouro olímpicas, igrejas esculpidas em rochas, o lugar onde se originou o grão de café e por ser um dos locais descritos pela ciência como origem dos primeiros seres humanos.

Há cerca de 80 diferentes grupos étnicos na Etiópia, os dois maiores são: Oromo e Amhara, ambos falam línguas afro-asiáticas. O grupo Oromo (Galla) é aproximadamente 40% da população e concentra-se principalmente na parte sul etíope. Os grupos Amhara e Tigrean correspondem a 32% da população e tradicionalmente dominam a política etíope. O grupo Sidamo vive nos sopés ao sul e nas regiões de savana correspondendo a 9%, enquanto o Shankella compõe cerca de 6% da população e residem na fronteira ocidental. O somali (6%) e Afar (4%) habitam as regiões áridas do leste e sudeste. Os povos do Nilo vivem no oeste e sudoeste ao longo da fronteira do Sudão. O Gurage representam 2% da população, e 1% restante é composto de outros grupos. O Beta Israel (chamados pejorativamente de Falashas e conhecidos como "judeus negros") vive nas montanhas de Simen e atualmente são cerca de 4.500 pessoas, isto porque a maioria dos 140 mil migrou para Israel. Outros grupos minoritários como os Beja vivem na região norte, o Agau no planalto central, e o povo Sidamo na encosta sul e regiões da savana são os remanescentes dos primeiros grupos que habitaram a Etiópia.


FACES OF ETHIOPIA



Entre os diversos grupos que formaram a história etíope, dois nos dão subsídios ao que desejamos pontuar: Beta Israel e os membros da Igreja Ortodoxa Etíope (Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, que se compõe pelas diversas etnias). E, na Afro – América, os seguidores da filosofia Rastafari que tem como referencial e utopia a Etiópia, pátria espiritual do movimento religioso Rastafari.

Logo, ressalto que não há pretensão em um artigo de um blogger escrever uma tese. O principal objetivo deste texto é iniciar uma discussão para entendermos melhor estas diferenças no território etíope, as causas e conseqüências do exílio dos hebreus de Beta Israel, a formação do cristianismo ortodoxo e a referencia da história etíope por grupos afro-americanos.

BETA ISRAEL

Beta Israel (Casa de Israel), erroneamente chamados de Falashas (estrangeiros), é formada por hebreus que saíram de Israel a milhares de anos atrás e depois de varias migrações se instalaram nas montanhas de Gondar na Etiópia, tendo como referência a terra dos seus ancestrais (Israel), sabedores que não pertencem originariamente ao território etíope.


IGREJA CRISTÃ ETIOPE

A Igreja Cristã Ortodoxa Etíope surge no século IV com a conversão do rei Ezana de Axum, foi um dos mais influentes e poderosos impérios mundiais e um dos primeiros a instituir o cristianismo como religião oficial de Estado. Saiba mais lendo o artigo: AXUM - AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS NA ETIÓPIA


Ethiopian Orthodox Church Song




RASTAFARI

A filosofia rastafari é pan-africanista, oriunda da interpretação de uma revelação do grande líder Jamaicano Marcus Garvey, tornando-se conhecida internacionalmente a partir da década de 60 do século passado, tendo como um dos principais objetivos a repatriação dos africanos nas Américas. Como disse, a Etiópia é a pátria espiritual do movimento religioso Rastafari.

Como vimos, são períodos linearmente diferentes que em certo momento na história se encontram: o Mosaismo de Beta Israel e o Cristianismo de Ezana criando conflitos de poder, perseguições e no século XX exílio para o primeiro grupo. Por outro lado, o Movimento Rastafari surge após a escravidão nas Américas, intimamente ligado à história da Igreja Cristã Etíope.

Os rastafaris que tem como um dos seus princípios a genealogia salomônica descrita no livro Kebra Nagast, assim legitimam as dinastias etíopes como descendentes diretos de Menelik, filho do rei Salomão e da rainha Makeda de Sabá. Devemos atentar que o Kebra Nagast apresenta Salomão como descendente da tribo de Judá, por isso os rastafaris elegeram o imperador etíope Haile Sellasie, como o Leão de Judá, o Mashiach (Messias). Título e função não reconhecidos pelo próprio monarca, um fervoroso seguidor da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo.

Peter Tosh "Rastafari Is"



A Etiópia tem laços históricos com as três mais importantes religiões do mundo que se dizem abraâmicas. Foi um dos primeiros países cristãos no mundo, tendo adotado oficialmente o cristianismo como religião do Estado no século IV d.C. Mantêm algumas observâncias do Tora, como: a guarda do sábado, a circuncisão masculina após o nascimento e regras alimentares,entre elas, a proibição da ingestão de carne de porco. Além disso, as mulheres da Igreja Ortodoxa Etíope são proibidas de entrar nos locais de adoração quando menstruadas, cobrem a cabeça com um lenço e sentam-se separadas nas igrejas, os homens sempre à esquerda e as mulheres à direita (quando de frente para o altar).


Um importante diferencial da Igreja Etíope e de outras igrejas cristãs é a tradição de que Menelik levou a Arca da Aliança para a Etiópia. Sendo cristã compactuam com a concepção européia de um messias branco (Jesus Cristo) e não compactuam com a filosofia Rastafári sobre Haille Selassie como sendo o Messias. Na fé dos Rastas, Haile Selassie é reverenciado como Jah Ras Tafari I, o Messias, o “Cristo Negro” que ascendeu ao Trono do Rei Davi em Adis Abeba, capital da Etiópia.

Em certos escritos e vídeos alguns grupos rastafaris colocam Beta Israel como referência, causando uma enorme confusão.

Deixando essas duas linhas de interpretação da Igreja ortodoxa Etíope e dos Rastafaris, iremos nos centrar no conflito milenar entre a maioria etíope cristã e a minoria hebréia de Beta Israel. É muito importante pontuar que Beta Israel não aceita o Kebra Nagast, concomitantemente, não veio com Menelik conforme os escritos e tradição etíope. Beta Israel, segundo a sua própria oralidade, é da tribo de Dan (danitas) não são da tribo de Judá (judeus). Não aceitam a Trindade, ao contrário, são monoteístas, e tem como base de fé o Torá e o Tanach. Ignoram a tradição etíope e a filosofia rastafari. É importante ressaltar, que Beta - Israel e os hebreu-israelitas nas Américas não se utilizam do termo JAH, porque não existe no Torá e no Tanach. O nome do Eterno é YHWH e em muitos trechos do Tanach é citado como YAH.

Não confunda a tribo de Judá e a dinastia salomônica com Beta Israel que é da tribo de Dan. Não esqueçam Jacó (Israel) foi pai de 12 filhos, e originou as 12 tribos de Israel, sendo a tribo de José, dividida em duas: Mannasés e Efraim. Beta Israel e a dinastia salomônica foram para a Etiópia em momentos distintos e por razões diferentes, apesar de serem da descendência de Israel. Beta Israel não aceita como verdadeiro o cristianismo etíope.

Ressaltando mais uma vez, a história dos hebreus (Beta Israel) foi de extrema perseguição desde que o cristianismo chega à Etiópia, com as transformações da tradição oral e as novas concepções de poder criadas pela suposta dinastia salomônica. Neste sentido, no próximo artigo discorremos sobre a negação do Kebra Nagast por Beta Israel e as guerras de sobrevivência dentro da Etiópia dos hebreus da tribo de Dan (Beta Israel), enfrentando guerras violentas contra o império cristão axumita, perseguição do fascismo de Mussolini e vitimas da ditadura etíope, da guerra civil e da fome, até que fugiram retirados por tropas israelitas (askenazis), através da Operação Moisés (1984) e da Operação Salomão (1991).



Shalom!!!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

OS CULTOS AFRO-DIASPÓRICOS E OS ANTIGOS HEBREUS



Por Walter Passos,
Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano



É um dia de sexta-feira e a comunidade se reúne no terreiro com os sacerdotes vestidos de branco, todos estão descalços e iluminados com a luz da lua, os tambores tocam altos e o som com a sua forte percussão vai até as entranhas da alma. As mulheres menstruadas são consideradas impuras e não devem participar dessa reunião sagrada no terreiro.

No terreiro estão às árvores consideradas sagradas, as danças são lindas, uma maravilha de se ver e dá uma vontade imensa de participar. Fora do terreiro estão vasilhames de barro com farinha e azeite. Irrompe um silêncio sagrado no arraial, porque é necessário reparar o mal, feito pela comunidade, e um bode será imolado e ofertado em sacrifício.

Você deve estar pensando: é mais um ritual de Macumba, Candomblé, Vodu, Santeria, ou outro ritual afro-diásporicos nas Américas. Contudo, eu te afirmo: você se enganou totalmente! Era um ritual dos antigos hebreus para louvar YHWH.

Então vamos compreender estes rituais dos antigos hebreu-israelitas realizado há milhares de anos e com continuidade dos seus descendentes nas Américas. É necessário que você tenha coragem de acompanhar esse estudo baseado nos escritos bíblicos.

O TERREIRO

O lugar do culto costumava ser num arraial (terreiro) também chamado de tenda da congregação descritos em diversos livros da bíblia, e os participantes costumavam ficar descalços, porque o local de adoração era considerado sagrado, e deviam ficar com os pés no chão.

“E Eleazar, o sacerdote, tomará do seu sangue com o seu dedo, e dele espargirá para a frente da tenda da congregação sete vezes”. Números 19:4

“E estabeleceu Ezequias as turmas dos sacerdotes e levitas, segundo as suas turmas, a cada um segundo o seu ministério; aos sacerdotes e levitas para o holocausto e para as ofertas pacíficas, para ministrarem, louvarem, e cantarem, às portas dos arraiais de YHWH”. 2 Crônicas 3:12

“E sucedeu que, vindo a arca da aliança de YHWH ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu”. 1 Samuel 4:5

AS VESTES DOS SACERDOTES

O relato interessante é sobre as vestes dos sacerdotes:

“E o sacerdote vestirá a sua veste de linho, e vestirá as calças de linho, sobre a sua carne, e levantará a cinza, quando o fogo houver consumido o holocausto sobre o altar, e a porá junto ao altar. Depois despirá as suas vestes, e vestirá outras vestes; e levará a cinza fora do arraial para um lugar limpo”. Levitico 6:10-11

“E será que, quando entrarem pelas portas do átrio interior, se vestirão com vestes de linho; e não se porá lã sobre eles, quando servirem nas portas do átrio interior, e dentro.
Gorros de linho estarão sobre as suas cabeças, e calções de linho sobre os seus lombos; não se cingirão de modo que lhes venha suor”. Ezequiel 44: 17-18

O RECOLHIMENTO NO TERREIRO

"Também da porta da tenda da congregação não saireis por sete dias, até ao dia em que se cumprirem os dias da vossa consagração; porquanto por sete dias ele vos consagrará.

Ficareis, pois, à porta da tenda da congregação dia e noite por sete dias, e guardareis as ordenanças de YHWH, para que não morrais; porque assim me foi ordenado." Levítico 8:33-35

AS OFERENDAS E SACRIFICIOS

Muitas oferendas e sacrifícios foram praticados pelos hebreus para expiação de pecados, agradecimentos, votos, todas relacionadas ao equilíbrio com Yah e nas relações sociais na comunidade.
Estas oferendas iam da oferta da flor da farinha com azeite ao sacrifício de um boi.

OFERENDAS DE ANIMAIS

“E chamou o YHWH a Moisés, e falou com ele da tenda da congregação, dizendo:
Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta YHWH, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado vacum e de ovelha.
Se a sua oferta for holocausto de gado, oferecerá macho sem defeito; à porta da tenda da congregação a oferecerá, de sua própria vontade, perante o YHWH.
E porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação.
Depois degolará o bezerro perante YHWH; e os filhos de Arão, os sacerdotes, oferecerão o sangue, e espargirão o sangue em redor sobre o altar que está diante da porta da tenda da congregação.
Então esfolará o holocausto, e o partirá nos seus pedaços”. Levítico 1:6.

“E se a sua oferta for de gado miúdo, de ovelhas ou de cabras, para holocausto, oferecerá macho sem defeito.
E o degolará ao lado do altar que dá para o norte, perante YHWH; e os filhos de Arão, os sacerdotes, espargirão o seu sangue em redor sobre o altar”. Levítico 10-11.

“E se a sua oferta YHWH for holocausto de aves, oferecerá a sua oferta de rolas ou de pombinhos;
E o sacerdote a oferecerá sobre o altar, e tirar-lhe-á a cabeça, e a queimará sobre o altar; e o seu sangue será espremido na parede do altar;
E o seu papo com as suas penas tirará e o lançará junto ao altar, para o lado do oriente, no lugar da cinza;
E fendê-la-á junto às suas asas, porém não a partirá; e o sacerdote a queimará em cima do altar sobre a lenha que está no fogo; holocausto é, oferta queimada de cheiro suave ao YHWH”. Levítico 1:14-17


SOMENTE O SACERDOTE PODIA FAZER OS SACRIFICIOS

“Então o sacerdote ungido tomará do sangue do novilho, e o trará à tenda da congregação;
E o sacerdote molhará o seu dedo no sangue, e daquele sangue espargirá sete vezes perante o YHWH diante do véu do santuário.
Também o sacerdote porá daquele sangue sobre as pontas do altar do incenso aromático, perante YHWH que está na tenda da congregação; e todo o restante do sangue do novilho derramará à base do altar do holocausto, que está à porta da tenda da congregação”. Levítico 4:5-7

OFERENDAS DE FLOR DE FARINHA COM AZEITE

“E quando alguma pessoa oferecer oferta de alimentos ao SENHOR, a sua oferta será de flor de farinha, e nela deitará azeite, e porá o incenso sobre ela;
E a trará aos filhos de Arão, os sacerdotes, um dos quais tomará dela um punhado da flor de farinha, e do seu azeite com todo o seu incenso; e o sacerdote a queimará como memorial sobre o altar; oferta queimada é, de cheiro suave a YHWH”. Levítico 2-1-2.

O INCENSO

“Tomará também o incensário cheio de brasas de fogo do altar, de diante De YHWH, e os seus punhos cheios de incenso aromático moído, e o levará para dentro do véu.
E porá o incenso sobre o fogo perante YHWH, e a nuvem do incenso cobrirá o propiciatório, que está sobre o testemunho, para que não morra” Levítico 16:12-13.

ASPERSÃO DE SANGUE SOBRE O ALTAR, SACERDOTES E O POVO

“Moisés também fez chegar os filhos de Arão, e pôs daquele sangue sobre a ponta da orelha direita deles, e sobre o polegar da sua mão direita, e sobre o polegar do seu pé direito; e Moisés espargiu o restante do sangue sobre o altar em redor”. Levítico 8:24.

Então sairá ao altar, que está perante o SENHOR, e fará expiação por ele; e tomará do sangue do novilho, e do sangue do bode, e o porá sobre as pontas do altar ao redor”. Levítico 16:18
“E daquele sangue espargirá sobre o altar, com o seu dedo, sete vezes, e o purificará das imundícias dos filhos de Israel, e o santificará”. Levítico 16:19

A CARNE DO SACRIFICIO ERA DISTRIBUIDA COMO ALIMENTO

Após o sacrifício dos animais a carne era distribuída no terreiro e os sacerdotes comiam primeiro.

“E de toda a oferta oferecerá uma parte por oferta alçada ao SENHOR, que será do sacerdote que espargir o sangue da oferta pacífica.

Mas a carne do sacrifício de ação de graças da sua oferta pacífica se comerá no dia do seu oferecimento; nada se deixará dela até à manhã.
E, se o sacrifício da sua oferta for voto, ou oferta voluntária, no dia em que oferecer o seu sacrifício se comerá; e o que dele ficar também se comerá no dia seguinte”. Levítico 7:14-16


AS ÁRVORES SAGRADAS

O povo de Israel teve árvores consideradas sagradas e algumas usadas para exercer julgamento.

“Assim Abrão desarmou o seu acampamento e foi morar perto das árvores sagradas de Manre, na cidade de Hebrom. E ali Abrão construiu um altar para o Deus Eterno”. Gênesis 3:18

“Não plantarás árvores sagradas, de qualquer espécie, ao lado do altar que levantares ao Senhor, teu Deus”. Deuteronômio 16, 21

“Naquela mesma noite, YHWH disse a Gedeão: - Toma um touro gordo e um segundo touro de sete anos; derruba o altar de Baal que é de teu pai, e corta a árvore sagrada que está junto dele. Construirás depois um altar bem preparado em honra do Senhor, teu Deus, no cimo desta rocha firme”. Juízes 6: 25-26

“Tomarás, então, o segundo touro e oferecê-lo-ás em holocausto sobre a madeira da árvore sagrada que cortaste”.

PALMEIRA

“E Débora, mulher profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.
Ela assentava-se debaixo das palmeiras de Débora, entre Ramá e Betel, nas montanhas de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo”. Juízes 4:4-5

“E nelas, isto é, nas portas do templo, foram feitos querubins e palmeiras, como estavam feitos nas paredes, e havia uma trave grossa de madeira na frente do vestíbulo por fora”. Ezequiel 41:25

CARVALHO

“E Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus; e tomou uma grande pedra, e a erigiu ali debaixo do carvalho que estava junto ao santuário do YHWH." Josué 24:26

“E entrou Gideão e preparou um cabrito e pães ázimos de um efa de farinha; a carne pós num cesto e o caldo pôs numa panela; e trouxe-lho até debaixo do carvalho, e lho ofereceu”. Juízes 6:19

“Então o anjo De YHWH veio, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas". Juízes 6:11

“Então se ajuntaram todos os cidadãos de Siquém, e toda a casa de Milo; e foram, e constituíram a Abimeleque rei, junto ao carvalho alto que está perto de Siquém”.Juízes 9:6

“Sacrificam sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, e do álamo, e do olmeiro, porque é boa a sua sombra; por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram”. Oséias 4:13

OLIVEIRA, FIGUEIRA, VIDEIRA E O ESPINHEIRO

“Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei, e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós.
Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores?
Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós.
Porém a figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria pairar sobre as árvores?
Então disseram as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós.
Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores?
Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.
E disse o espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis por rei sobre vós, vinde, e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano”.Juízes 9:8-15

A FONTE MILAGROSA

“Então Deus fendeu uma cavidade que estava na queixada; e saiu dela água, e bebeu; e recobrou o seu espírito e reanimou-se; por isso chamou aquele lugar: A fonte do que clama, que está em Leí até ao dia de hoje”.Juízes 15:19

A DANÇA COM ISRUMENTOS DE PERCURSSÃO

"Assim os cantores como os tocadores de instrumentos estarão lá; todas as minhas fontes estão em ti”. Salmos 87:7

“Então Miriã, a profetiza, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças”. Êxodo 15:20

“Louvem o seu nome com danças; cantem-lhe o seu louvor com tamborim e harpa”. Salmos 149:3

“Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônica, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados”. Ezequiel 28:13

A ENCRUZILHADA

"Porque o rei de Babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos, para fazer adivinhações; aguçará as suas flechas, consultará os terafins, atentará para o fígado." Ezequiel 21:21

O conhecimento dos trabalhos feitos nos caminhos era notório das civilizações antigas.

CULTO A SERPENTE SAGRADA

O povo hebreu no deserto após ter sido atacado por serpentes venenosas obteve a cura ao encarar a serpente de bronze, perdendo o medo, e este fez com o culto à serpente perdurasse por 700 anos na sociedade dos hebreus, sendo veementemente combatida pelo rei Ezequias:

"Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã." 2 Reis 18:4

Para maiores informações acesse o artigo: A TRIBO DE DAN – O CULTO A SERPENTE E SUA DIFUSÃO NA ÁFRICA E NA AFRO-AMÉRICA


O CONHECIMENTO DOS EGUNS

“Então serás abatida, falarás de debaixo da terra, e a tua fala desde o pó sairá fraca; e será a tua voz debaixo da terra, como a dum necromante, e a tua fala assobiará desde o pó”. Isaías 29:4

“Consulte as gerações passadas e observe a experiência de nossos antepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossos dias são como sombra no chão. Os nossos antepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a você com palavras tiradas da experiência deles”. Jó 8,8-10.

"Pergunta às gerações passadas ou primeiras e medita a experiências dos antepassados. Porque somos de ontem, não sabemos nada. Nossos dias são uma sombra sobre a terra." Jó 8:8-9

“Seis dias depois, Yahoshua tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra, e disse a Yahosua: "Senhor, é bom ficarmos aqui. Se quiseres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias." Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: "Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz." Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: "Levantem-se, e não tenham medo." Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Yahoshua. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: "Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”. Mateus17: 1-9.

Esta foi uma pequena apresentação de textos bíblicos que brevemente se tornarão um livro com ilações mais aprofundadas sobre os rituais dos antigos hebreus e os rituais das religiões afro-diásporicos. Os africanos na América são a prova mais consistente da presença dos hebreus que vieram da África Ocidental, do Congo-Angola e das regiões de Moçambique.

A guarda do sábado pelos povos africanos foi e é de vital importância, inclusive em um dos odu de Orunmila na Jamaica diz-se que o seu dia de descanso é sábado. Entre os Akans a guarda ao sábado é fundamental, sendo Deus conhecido como o Deus do Sábado.

Confira também o artigo: OS AKANS - ONYAMEE KWAAME, O DEUS DO SÁBADO.


Israel em diversos momentos da sua história modificou os rituais e incorporou outros deuses a verdadeira adoração de Yah, não sendo escondidos estes fatos de sua história, a exemplo da adoração a serpente sagrada Neustã, a adoração as árvores sagradas, a deuses familiares e o culto aos antepassados.

As relações do povo hebreu com as forças da natureza são muito profundas, havendo mudanças com o desenvolvimento civilizatório.

No próximo artigo iremos trabalhar as formas de adivinhação muito semelhantes as utilizadas atualmente pelos afro-diásporicos, como o opelê e o jogo de búzios, além dos videntes, dos sonhos e diversas formas de comunicação transcendentais utilizadas pelos antigos hebreus.

Shalom!


sexta-feira, 23 de abril de 2010

BETA ISRAEL E FALASHA MURA - O DUPLO EXÍLIO NAS TERRAS DOS ANCESTRAIS - O RACISMO DE ISRAEL CONTRA OS ETÍOPES.


Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista, Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano






Com uma população de mais de 120.000 pessoas, Beta Israel - os hebreu-etíopes, erradamente chamados de Falashas (insulto étnico-racial que significa "estranho), residem em Israel sob a Lei do Retorno, que permite a judeus, com seus os pais ou avós, e todos os seus cônjuges, o direito de residir em Israel e na obtenção de cidadania.

O governo Israelita criou e patrocinou operações de retirada dos hebreus que viviam há séculos na Etiópia para Israel: Operação Moisés (1984) e Operação Salomão (1991). Atualmente, 81.000 etíopes israelitas nasceram na Etiópia, enquanto que 38.500, ou 32% da comunidade são nativos de Israel.

THE JEWS OF ETHIOPIA


Acontece que muitas diferenças culturais foram percebidas nesta vinda dos hebreus Etíopes para Israel, pode-se citar entre elas, a teologia e os ritualismos são imensamente dessemelhantes, Beta Israel não segue o judaísmo talmúdico e tem uma prática religiosa mais antiga do que os rituais dos judeus askenazis e sefarditas.

Outro fato importante foi o pertencimento identitário da própria comunidade, quando chegaram os Beta Israel encontraram um modo de vida não africano, a maioria da população branca israelense é oriunda do mundo ocidental, com suas concepções européias e o modo de viver europeu. Esta população não africana, formada pelos askenazis e seus filhos Israelenses (nascidos em Israel). Cerca de 80% da população judaica em todo o mundo é formada de europeus (Askenaz), incluindo a maioria dos judeus americanos.

A população de Beta Israel chegou a um país europeu (Israel), tendo que aprender as tradições européias, os etíopes viveram uma barreira cultural, pois possuem uma concepção africana de vida, de valores e de fé, como por exemplo, na Etiópia os estudantes não olhavam nos olhos dos professores, bem diferente das escolas israelenses quando olham nos olhos. Ao tempo que, estudiosos askenazis tentam provar através da genética que são os mais inteligentes, procuram uma pureza não comprovada cientificamente.

O resultado deste choque cultural foi o duro racismo da maioria da sociedade israelense contra os imigrantes africanos, é importante ressaltar que este movimento anti-africanos não começou em Israel, mas, entre a numerosa e influente sociedade askenazi norte-americana.


Avi Maspin, um porta-voz da IAEJ (Associação de Israel para os judeus da Etiópia) disse:

"o racismo é uma palavra que eu temia usar até agora, porque eu não acreditava que poderia existir em Israel em 2007, mas chegou a hora de chamar uma pá de uma pá. A sociedade Israelense é profundamente infectada pelo racismo e, infelizmente, não há punição adequada para o racismo em Israel.”

Gadi Yevrakan, um dos líderes da igualdade social para os etíopes disse:

"Já não sou surpreendido por nada, não há diferença entre os neonazistas... e todos aqueles que discriminam os judeus da
Etiópia."

Em novembro de 2009 é sugerido pelo Ministério da Educação sobre estudantes etíopes que são acusados de se comportarem mal não andem em ônibus juntos com estudantes brancos de Israel e Gadi Yevrakan, comentou:

"Se eu não tivesse visto o símbolo do estado de Israel sobre a carta eu teria pensado que tinha sido tirada nos anos 50 do século anterior nos EUA, quando havia segregação nos ônibus."

Os estudantes etíopes em Israel são recusados em diversas escolas particulares por causa da cor da pele.

Desde quando chegaram a Israel os hebreus da Etiópia descobriram que não estavam no paraíso e teriam que enfrentar uma vida dura de discriminação racial. Muitos israelenses não aceitaram a comunidade etíope, e um dos mais repugnantes casos de racismo ocorreu em 1996 quando 10.000 imigrantes etíopes foram para o escritório do primeiro-ministro para protestar contra o insulto: a revelação de que o banco de sangue de Israel, com medo de propagação da AIDS, teve uma política secreta de destruir o sangue doado por etíopes-israelenses.

O choque violento durou horas, e dezenas de policiais e manifestantes ficaram feridos. A multidão carregava cartazes dizendo:

"Nós somos negros, mas o nosso sangue é vermelho",

E acrescentou:

"Nós somos judeus como você: parem a apartheid racista."

Uma menina de 17 anos que veio a Jerusalém para a demonstração da área de Haifa, onde freqüentou uma escola, disse:

"Eu vim para protestar contra o que está sendo feito para os negros por causa da cor da sua pele. Tenho vergonha da minha nação, da nação branca dos judeus”.

O Chefe do Distrito da Polícia de Jerusalém, Aryeh Amit, adjetivou os manifestantes de:
” jovens selvagens”.


A polícia israelense retaliou com gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral, canhões de água e balas de borracha. “E nos dizeres do hebreu-etíope” Mekonen “um ex-oficial do Exército israelense:

“Você tem que ser violento, a fim de ser ouvido aqui",

O caso do sangue tornou-se algo de um momento de verdade para os etíopes. O atentado sofrido por eles mostraram que não poderiam, e talvez não quisesse se desfazer totalmente de suas tradições e seu passado. Na concepção dos etíopes o "O sangue é a alma", conceito este explicativo das causas da explosão de violência. Na Etiópia, o sangue serviu como um meio simbólico para distinguir os judeus dos cristãos em três áreas: ritual de abate animais, as leis dietéticas e categorização das mulheres em seu período menstrual como impuro. Para os etíopes em Israel, o sangue descartando era um ato de exclusão dos mais sagrados simbolismos religiosos.

Muitos jovens etíopes que entram no exército israelense cometem suicídio porque descobrem que apesar de darem a sua vida em combate, são discriminados na sociedade israelense. Na Etiópia era judeu (hebreu) em Israel são negros. Os negros em Israel são empregados em serviços sujos e perigosos, quando um atentado terrorista ocorre em Israel os recolhedores de cadáveres são sempre os negros. Os negros em Israel são muito mal remunerados.

OS FALASHAS MURA


Entre os etíopes em Israel quem sofre mais discriminação são os chamados de Mura Falasha. Eles são membros da comunidade de Beta Israel que se converteram ao cristianismo, muitas vezes sob coação de missionários cristãos. Alguns para sobreviver em Israel estão regressando às práticas do judaísmo. Esta questão é uma polêmica em Israel, porque a maioria dos judeus não aceita a presença por dois motivos: a cor da pele e por terem tradições cristãs. Esses judeus remanescentes na Etiópia estão em situação muito difícil. Enfrentam a discriminação dos judeus em um país cristão e estão sendo impedidos de fazer aliá (emigração) para Israel, porque eles são considerados cristãos. Eles vivem em situação de pobreza considerável.



ETHIOPIANS PROTEST GOVERNMENT DECISION TO BAR FALASH MURA FR


A música se tornou para a juventude formas de protesto e de alento, encontraram no rap e hip-hop umas das saídas para o combate da discriminação, assim como a juventude se encontra nas músicas de protesto dos jovens negros do EUA, uma identificação pan-africanista e uma ligação muito forte da África - Mãe.

O racismo da sociedade branca israelense que não permitiu a integração e tentou forçar a mudanças de hábitos religiosos e costumes, inclusive com a negação do idioma amarico, criou uma nova geração que exige a volta as suas raízes etíopes e voltaram a falar e escrever a língua dos ancestrais. Estão retornando aos nomes africanos, os nomes originais. Retornam as músicas de uma África de ritmo, de alimentos especiais e costumes, do sofrimento e da esperança. Uma África de pretos, não uma África de brancos. Entendem que estão em uma diáspora africana e o sonho de seus pais se tornou em pesadelo.

A crença enraizada no mosaismo, nos mandamentos meticulosamente observados, sonhando com a vinda do Messias e um retorno à Jerusalém lendária, não contemplou as pessoas que viviam na Etiópia se sentiam no exílio e com saudades de Sião (Jerusalém). Saudades da terra dos seus ancestrais, agora vivem em Israel com um sentimento de exílio por causa do racismo e sentem saudade da Sião Africana, que é a Etiópia. Mas nessa Sião Africana, os descendentes de hebreus não serão negros e voltarão a ser discriminados por serem considerados Falashas (estrangeiros), vivendo o duplo exílio nas terras dos ancestrais, mas, a esperança não pode desaparecer, pois com a vinda de Yahoshua Ha Mashiach, Yah restabelecerá o seu povo em Ysrayl e novamente cânticos de Liberdade serão entoadas em Sião, e todos que acreditarem na Salvação de YAH, habitarão na verdadeira YAHRUSHALOM (Jerusalém) como disse o profeta Sofonyah:

9 Porque então darei uma linguagem pura aos povos, para que todos invoquem o nome de YHWH, para que o sirvam com um mesmo consenso.
10 Dalém dos rios da Etiópia, meus zelosos adoradores, que constituem a filha dos meus dispersos, me trarão sacrifício.

11 Naquele dia não te envergonharás de nenhuma das tuas obras, com as quais te rebelaste contra mim; porque então tirarei do meio de ti os que exultam na tua soberba, e tu nunca mais te ensoberbecerás no meu monte santo.

12 Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; e eles confiarão no nome de YHWH.

13 O remanescente de Israel não cometerá iniqüidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; mas serão apascentados, e deitar-se-ão, e não haverá quem os espante.

14 Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém.



LOUVADO SEJA YAH PARA SEMPRE! HAL-LE-LU-YAH!!!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A ARCA DA ALIANÇA DOS HEBREUS – GOLDEN STOOL - ARCA DA ALIANÇA DOS ASHANTIS



Por Walter Passos, historiador, panafricanista, afrocentrista, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano


"A verdadeira justiça é a justiça de Deus." Provérbio ashanti
«E ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu direito como o meio-dia.»
Salmo 37:6
Buscai em primeiro o Reino de Yah e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas em acréscimo.
Mateus 6:33.

Palavras de Yahoshua


O povo de Ysrayl antes e pós-diáspora dos anos 70 d.C. migrou ao continente africano. Após a
destruição de Jerusalém muitos deles foram vendidos como escravizados pelos romanos e posteriormente pelos muçulmanos. Uma boa percentagem se estabeleceu em diversas regiões, especialmente na Costa Ocidental Africana fundando diversos reinos, mas, apesar de esquecer-se de Yah e da sua ancestralidade, mantiveram diversos aspectos culturais tradicionais hebraicos. Depois de mais de 1500 anos de resistência se tornaram prisioneiros de guerra e vendidos como escravizados para as Américas. Atualmente não é possível falar em revisão da história da África e afro-diásporica sem estudar o povo hebreu na África e na América Africana. Estes fatos históricos não são ensinados nos livros de história, escolas, instituições religiosas e em universidades eurocêntricas, estas manipularam a nossa história com o eurocentrismo.
Nas Américas muito de nós somos descendentes da civilização Akan e concomitantemente dos Ashanti. A civilização ashanti e outras da África têm muito de hebraísmos em seus hábitos. Interessante é que os professores de história da África desconhecem esses aspectos importantes que para nós os hebreus-israelitas são mais uma prova viva da nossa ascendência de Ysrayl.
Se desejar saber mais sobre a civilização Akan e a guarda do Sabbhat:
http://cnncba.blogspot.com/2009/05/os-akan-onyamee-kwaame-o-deus-do-sabado.html

Entre alguns hebraísmos destacamos:
Circuncisão; Divisão da tribo em doze, aspersão do sangue nos umbrais das portas e dos altares. Casar-se com a mulher do irmão após sua morte; Separação e purificação após o nascimento de filhos; Ritos de purificação durante o nascimento; Ritos de purificações durante a menstruação; Celebrações de luas novas; Guarda do Shabbat; O uso do shofhar;
O nome ASHANTI é de origem hebraica, a terminologia "Ti" ao final da palavra significa povo ou raça de ASHAN, nome de uma cidade localizada na Judéia ao sul de Israel. Em Josué 15:42:
Libhnâh vâ`etherve`âshân (transliterado do hebraico) Libna, Eter, Ashan,
E Josué 19:7:
Aim, Rimom, Eter e Ashan; quatro cidades e as suas aldeias;
Também encontrada referência no livro de I Crônicas 4:32:
As suas aldeias foram: Etã, Aim, Rimom, Toquem e Ashan, cinco cidades,
E também I Crônicas 6:59:
Ashan com seus arredores e Bete-Semes com seus arredores.
O verbete ASHAN em hebraico significa cidade em chamas ou em brandos. ASHANTI, portanto, significa o povo de ASHAN ou o povo da cidade em chamas.
A irmã Miryam, uma hebréia-israelita, escreveu:
Em um livro muito informativo intitulado: HEBREWISMO NA AFRICA OCIDENTAL (HEBREWISM OF WEST AFRICA) por Joseph J.Williams ele dá as descrições detalhadas dos costumes hebraicos em muitas das tribos da África Ocidental, ou seja, as tribos principais que supriam escravos durante o tráfico negreiro de onde descende a maioria dos hebreus que vivem atualmente no hemisfério ocidental.
Comparar o Golden Stoll com a Arca da Aliança foi muito profícua porque elas têm características semelhantes e servem de pacto e aliança e possuem uma conexão com o Sagrado e união com o povo. Então, vamos começar com a mais antiga, que foi a arca dos hebreus e depois com a arca dos ashantis, e finalmente faremos as comparações.
A Arca da Aliança tem sido estudada desde o seu desparecimento após a conquista de Jerusalém em 586 A.C. pelo imperador Nabucodonosor II que saqueou e destruiu o Primeiro Templo, levando o povo de Israel, escravizado. No relato bíblico fala do retorno do povo, desde então, esta, já não é mais mencionada, dando a entender que já havia desaparecido ou teria sido destruída pelo imperador. Na queda de Jerusalém no ano 70 da era cristã, o general Tito, de Roma, saqueou a cidade e levou consigo os seus utensílios. Em uma ilustração no arco de Tito, no Vaticano, é visto soldados levando a Grande Menorah de Ouro, e o que parece ser a Arca da Aliança e mais duas trombetas de ouro. Há aqueles que crêem que um dia esta teria sido depositada nos porões do Vaticano. Não podemos esquecer que a Igreja Católica é Romana, é o mesmo povo pagão (Romanos) que destruiu o Templo de Jerusalém e adulterou a Mensagem de Yahoshua.
Há outras hipóteses como a Arca está na Igreja Etíope levada de Jerusalém para Etiópia por Menelik, filho de Salomão com a rainha de Sabá. Os cristãos da Etiópia [antiga Abissínia] têm afirmado que a verdadeira Arca da Aliança existe e está guardada em uma capela na cidade de Aksum. Dizem às lendas que a Arca sagrada chegou à Etiópia há três mil anos e tem sido protegida por uma sucessão de sacerdotes virgens que, uma vez escolhidos, nunca mais põem os pés fora da capela, até a morte. O único homem do mundo autorizado a olhar para a Arca da Aliança israelita é escolhido pelos altos sacerdotes de Aksum e pelo guardião vivo. O guardião não entra em contato com leigos. Somente os líderes religiosos podem vê-lo ou falar com ele. Uma vez o escolhido, o guardião abandona seu próprio nome e passa a se chamar "Guardião da Arca" ou Atang.
Os askenazis através do Instituto do Templo de Jerusalém, organização judaica ultra-ortodoxa dedicada a “reconstruir” o edifício original, diz que a Arca está embaixo do primeiro templo e será revelada a tempo – quando ele for reconstruído.
O cineasta George Lucas inspirou-se na busca pela Arca para o roteiro do seu filme Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida.
A Arca da Aliança na Bíblia é relatada quase 200 vezes e com nomes distintos. Aqui estão alguns nomes mencionados nas Escrituras para a Arca da Aliança:

Ex 25:22: Arca do Testemunho
Js 3:6 :
Arca da Aliança
Js 3:13 Arca de Yah
1Sm 5:7 Arca do Deus de Israel
2Cr 6:41 Arca da tua Fortaleza
2Cr 35:3 Arca Sagrada

A Arca da Aliança é o maior símbolo físico do poder de Yah entre os hebreus, em diversas culturas a arca simboliza o seio materno e também dela surge o renascimento de um povo.
Yah ordenou diretamente a Moisés que construísse a Arca da Aliança como está escrito em Êxodo 25:10:
- Também farão uma arca de madeira de acácia: dois côvados e meio será o seu comprimento, e um côvado e meio a sua largura, e um côvado e meio a sua altura.
A Arca foi de 1,5 côvados de largo e alto, e 2,5 côvados, conforme a proporção áurea. (aproximadamente 130 x 78 x 78 cm ou 4,27 x 2,56 x 2,56 m, utilizando o cúbito real egípcia de conversão). Ela foi coberta com todo o ouro puro. Sua superfície superior ou tampa, o propiciatório (hebraico: כפורת, Kaporet), também foi cercado com um aro de ouro.

A Bíblia descreve a Arca de madeira da acácia
conhecida pelos egípcios como a Árvore da Vida. É uma planta importante na medicina tradicional em muitos casos, contendo alcalóides psicoativos.
Alguns estudiosos do Tanach (velho testamento) acreditam que a Acácia foi à planta da sarça ardente descrito em Êxodo 3:2. A Acácia é um arvore sagrada nas religiões afro-brasileiras, no Brasil é conhecida como Jurema, em um dos mais importantes candomblés da Bahia, de nação jeje, o Bogun, na acácia amarela era cultuado o vodun Azonodô, Zomadonu ou Zòònodó. Sendo considerada também arvore sagrada em diversas civilizações do planeta.
A arca da Aliança acompanhou o povo hebreu em diversos momentos importantes de sua história, era a presença de protetora de Yah os preservando de todos os males, demonstrando a sua vontade. Na tomada da cidade de Jericó os sacerdotes carregaram a Arca.
A civilização ashanti também tem a sua arca da Aliança e com muitas características da Arca dos hebreus. A tradição conta que este banco, coberto com ouro puro, flutuou fora do céu e aterrou no colo do primeiro Asantehene (o rei Asante), Osei-Tutu. Ele unificou as pessoas no século 17. Seu sacerdote declarou que a alma da nação residia na arca. O Banco de Ouro do Asante contém a alma ou sunsum da nação. É considerado tão sagrado que ninguém está autorizado a sentar-se nele. Ele é mantido sob a mais rigorosa segurança, é levado para fora somente em ocasiões excepcionais, e nunca entra em contato com terra ou no chão. É considerado maior e mais poderoso do que o Asantehene, o líder espiritual dos ashanti. A Arca da Aliança também não podia ser colocada no chão e somente o sumo sacerdote poderia tocá-la
Akan: The Story of the Asante Stool

O povo Asante sempre defendeu o Golden Stool quando ele estava em risco. Em 1900, o governador britânico da Gold Coast, Sir Frederick Hodgson, exigiu a Golden Stool, da maneira mais ofensiva possível, uma reunião de chefes de Ashanti, disse:
Onde está o Banco Ouro? Por que não estou sentado no banco de Ouro neste momento? Eu sou o representante do poder primordial; por que me relegou esta cadeira?"
Transcrição da mensagem do Sir Frederick Hodgson aos chefes Ashanti Janeiro de 1900.
Sir Frederick então ordenou a soldados que partissem para caçar o Banco de Ouro.
"O homem branco pediu às crianças que o Banco de Ouro fosse mantido em Bare. O homem branco disse que bateria nas crianças caso elas não trouxesse seus pais a partir do arbusto. As crianças disseram que o homem branco não chamar seus pais. Se ele queria vencê-los, ele deve fazê-lo. As crianças sabiam que os homens brancos estavam vindo para o Banco de Ouro. As crianças não tiveram medo da ameaça. Os soldados brancos começaram a intimidar e bater nas crianças.”
Testemunho ocular de Kwadwo Afodo, citado por Thomas J. Lewin em seu livro Asante antes dos britânicos: The Years Prempean 1875-1900.
Excerpt from "Golden Stool"
Inimigos do povo hebreu em diversos momentos tentaram possuir o a Arca da Aliança para mostrar o seu domínio e abaixar a moral do povo. Há o relato quando os filisteus se apropriaram em I Samuel 4:1-22.
21 Mas deu ao menino o nome de Icabô, explicando: A glória saiu de Israel. Disse isso, falando da tomada da arca de Deus e da morte do seu sogro e do seu marido. 22 Ela disse: A glória saiu de Israel, pois a arca de Deus foi tomada pelos nossos inimigos.
Os ashantes se consideram como o povo escolhido por Deus para trazerem à luz as outras nações, Os hebreus foram escolhidos por Yah.
O banco de Ouro de dos ashantes veio dos céus, das nuvens é o objeto mais sagrado. Os hebreus consideravam a arca como a própria presença de Yah.
O banco de ouro dos ashantes significa a união e a própria alma dos ashantes. Na arca da Aliança continha os simbolismos mais sagrados dos hebreus, as tábuas dos Dez Mandamentos, a Vara de Arão que floresceu (que não só floresceu mais que também brotou amêndoas) e o pote de maná escondido foram repousados no seu interior, a Arca é tratada como o objeto mais sagrado, como a própria representação de Deus na Terra. A Bíblia relata complexos rituais para se estar em sua presença dentro do Tabernáculo. A Arca dos ashantes é sagrada que somente em ocasiões especiais é vista pelo povo, há casos de se passarem cinco anos ou mais.
A Arca representava o próprio Deus entre os homens. A crença de Sua presença ativa fez com que os hebreus, por várias vezes, carregassem o objeto à frente de seus exércitos nas batalhas realizadas durante a conquista de Canaã. O banco de ouro ashanti é a personificação do próprio Estado Ashanti, e o símbolo dos vivos, mortos, e ainda os que irão nascer.
Quando o imperialismo inglês profanou o a Arca da Aliança ashanti houve a última guerra liderada por uma mulher africana o qual convocou os guerreiros com estas palavras:
Em um discurso, Yaa Asantewaa reagrupou resistência ao colonialismo:
Agora eu vi que alguns de vocês temem ir à frente para lutar pelo nosso rei. Se fosse no dia bravos, os dias de Osei Tutu, Okomfo Anokye e Opoku Ware, chefes que não iriam se sentar para ver o seu rei tirado sem disparar um tiro. Nenhum homem branco poderia ter ousado falar com um chefe da Ashanti na forma como o governador falou a chefes você esta manhã. É verdade que a bravura dos Ashanti é nenhuma? Não pode ser! Devo dizer isso, se você, os homens de Ashanti, não irão à frente, então vamos. Nós, as mulheres, iremos. Nós lutaremos contra os homens brancos. Lutaremos até a última de nós cairmos nos campos de batalha.
Leia mais sobre essa poderosa rainha preta:
http://cnncba.blogspot.com/2007/11/yaa-asantewaa-rainha-guerreira-ashanti.html

Concluindo, ambas as arcas, arca da aliança e a arca dos Ashanti, foram feitas de madeira e revestida em ouro; em frente à arca da aliança foram feitos sacrifícios, na arca dos Ashanti sacrifícios eram feitos encima desta, ambas possuem representações de dois seres (anjos ou pessoas).
Os Ashanti têm na sua cultura diversos hebraísmos que em um artigo seria impossível descrever, mas sua história ancestral e analogias nos trazem a reflexão de que este povo é originário do povo de Ysrayl e os seus descedentes na América Africana também.
O shofhar é o instrumento sagrado do povo hebreu e também dos ashanti usado em grandes comemorações.
Kwame Nkrumah Memorial Park fountains, Accra, Ghana.

Asante Ivory Trumpets - Ancient Akan Music - Pt 1


Shalom!

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