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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ANANSI A ARANHA – NA ÁFRICA E AMERICA A SABEDORIA ASHANTI






Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita


As histórias africanas são as mais belas do planeta e trazem ensinamentos ancestrais que nos servem até os dias atuais. Concomitantemente com os provérbios, retratam a profundidade das instruções de formas simples com teores filosóficos de extrema perspicácia para explicar aos mais jovens comportamentos sociais.

Muitas destas histórias vieram para as Américas e foram readaptadas com diversos simbolismos que serviram para a resistência e manutenção dos ensinamentos ancestres, apesar do africano não ter preservado as línguas maternas, as histórias permitiram a manutenção do pensar africano. É peculiar nos contos africanos à presença de animais explicando as mais difíceis e complexas filosofias e respondendo enigmas da sociedade.
Anansi, uma aranha, é o animal mais importante dos contos originários da África Ocidental, especificamente da civilização Ashanti de Gana, e se espalhou para outros grupos Akan. Posteriormente, Anansi acompanhou os prisioneiros de guerra nas duras viagens nos navios direcionados à escravidão nas Américas.

Na sabedoria do Oeste Africano, entre os mais importantes símbolos Adrinka, está o de Ananse (Anansi):


Ananse NTONTAN
"Teia de aranha"
Símbolo da criatividade, sabedoria e as complexidades da vida.

Anansi (Ananse, Ananse Kwaku) entre os pretos do sul dos USA recebeu o nome de a tia Nancy, Anansi Drew (Bahamas), B'anansi (Suriname), Annancy ou Anancy (Jamaica, Granada, Costa Rica, Colômbia, Nicarágua) e outras codinomes em diversas regiões das Américas. A especificidade de Anansi é a sabedoria e a esperteza para resolver problemas aparentemente insolúveis. Na mitologia Ashanti, é a representação de um deus reconhecido por sua sabedoria e também um herói de extrema popularidade que atua em beneficio de Nyame - o deus do Universo. Além disso, Anansi é um intermediário entre Nyame e os seres vivos. A ele também é atribuído à criação do sol, da lua e das estrelas e do dia e a noite, à criação do ser humano o qual Nyame proporcionou a vida. Ensinou a humanidade a agricultura, e é responsável por propiciar as chuvas e controlar as margens dos oceanos e dos rios nos períodos de inundação.

Anansi é inteligente e astuto, as suas histórias são importantes e familiares da cultura oral Ashanti.

A palavra Anansesem (contos da aranha) representa todos os tipos de fábulas. Considerado um herói tem o poder de se transformar em um camaleão. Ele é um grande tecedor de teias e chegou até o céu para conversar com Nyame e trouxe as histórias para a terra. Anansi também é um grande galanteador de mulheres.

AFRICAN FOLKTALE - ANANSI



Diversas são as histórias, uma das mais conhecidas é quando Anansi tenta acumular toda a sabedoria e guardando-a em uma cabaça. Não satisfeito com a segurança das histórias, esconde a cabaça em cima de uma árvore espinhosa (ou um algodoeiro), no entanto, a cabaça cai e quebra espalhando a sabedoria pelo mundo.

Em Gana os contos de Anansi estão em livros e panfletos e em peças teatrais os quais apresentam Ananse como o personagem principal. Os dramaturgos interessados em preservar a cultura oral tradicional, com algumas das características de narração de histórias, incluindo a interação entre o contador de histórias e o público tem em Anansi o compendio da oralidade.

Os contos têm inspirado diversas histórias com muitas variantes de sucesso, entre eles nos quadrinhos Marvel a minissérie Tales Spider-Man Fairy e nos contos da Disney, Anansi está presente também no Rei Leão. Diversos livros infantis foram escritos, peças teatrais são apresentadas e Anansi é citada em musicas, filmes e jogos.

É interessante o poder da mídia, quando divulgou pelos quatro cantos do planeta que iriam lançar um homem aranha preto. O editor chefe da Marvel, Alex Alonso, disse que a personagem preta do Homem-Aranha era um esforço publicitário e um reflexo da indústria se adaptando à sociedade moderna. "Essa é uma decisão consciente. Aqui na Marvel nós nos orgulhamos de refletir o mundo real com toda sua diversidade".

Anansi foi relembrado e usado como o espírito de rebelião dos escravizados, capaz de subverter a ordem social, criarem riqueza para aqueles despojados de tudo; enfrentar o inimigo (senhor branco) e enganar a própria morte. Anansi em seus contos é derrotado em algumas histórias e na maioria sai vencedor, é um alento e uma esperança para as rebeliões e fugas. Anansi transmitiu em toda a Afro-América a esperança para os oprimidos africanos e descendentes que valia a pena resistir sempre.

Escrevi um poema para a preta que eu gosto e nele eu falo da bela Kisimbi e de Anansi e o seu poder de criação, Abaixo o poema:


A minha página de poesias no Facebook: https://www.facebook.com/PretasPoesias

sábado, 21 de maio de 2011

OS CONFLITOS DE BETA ISRAEL COM OS CRISTÃOS ETÍOPES – PERSEGUIÇÃO MILENAR AOS HEBREUS NA ETIÓPIA.



Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos.

É deveras complicado para muitas pessoas entender as interpretações histórico-religiosas sobre a Etiópia. O desconhecimento das populações do Vale do Nilo proporciona uma historiografia e analises étnico-sociais duvidosas, obtusas e confusas difundidas por escritores e pensadores eurocentristas, acadêmicos pretos, estudiosos religiosos e grupos afro-americanos.

Durante toda história etíope, advieram diferentes interesses econômicos que conseqüentemente geraram conflitos pelo poder político, tais conflitos alteraram a tradição oral e as concepções do sagrado. São distintas cosmovisões anacrônicas em um mesmo território e sempre estiveram em conflito, apesar de no primeiro olhar parecerem estar entrelaçadas. Sendo assim, é muito importante a compreensão desses ethos pelos afro-diaspóricos, principalmente os grupos que se utilizam daquela ancestralidade na fundamentação de seus posicionamentos filosóficos e religiosos.

A Etiópia, décimo maior país da África em extensão territorial, abrange cerca de 1.138.512 km² e principal constituinte da região conhecida como Chifre da África. É limitada a norte e a nordeste pela Eritréia, a leste por Djibuti e Somália, a sul pelo Quênia e a oeste e a sudoeste pelo Sudão.
A Etiópia é conhecida por suas medalhas de ouro olímpicas, igrejas esculpidas em rochas, o lugar onde se originou o grão de café e por ser um dos locais descritos pela ciência como origem dos primeiros seres humanos.

Há cerca de 80 diferentes grupos étnicos na Etiópia, os dois maiores são: Oromo e Amhara, ambos falam línguas afro-asiáticas. O grupo Oromo (Galla) é aproximadamente 40% da população e concentra-se principalmente na parte sul etíope. Os grupos Amhara e Tigrean correspondem a 32% da população e tradicionalmente dominam a política etíope. O grupo Sidamo vive nos sopés ao sul e nas regiões de savana correspondendo a 9%, enquanto o Shankella compõe cerca de 6% da população e residem na fronteira ocidental. O somali (6%) e Afar (4%) habitam as regiões áridas do leste e sudeste. Os povos do Nilo vivem no oeste e sudoeste ao longo da fronteira do Sudão. O Gurage representam 2% da população, e 1% restante é composto de outros grupos. O Beta Israel (chamados pejorativamente de Falashas e conhecidos como "judeus negros") vive nas montanhas de Simen e atualmente são cerca de 4.500 pessoas, isto porque a maioria dos 140 mil migrou para Israel. Outros grupos minoritários como os Beja vivem na região norte, o Agau no planalto central, e o povo Sidamo na encosta sul e regiões da savana são os remanescentes dos primeiros grupos que habitaram a Etiópia.


FACES OF ETHIOPIA



Entre os diversos grupos que formaram a história etíope, dois nos dão subsídios ao que desejamos pontuar: Beta Israel e os membros da Igreja Ortodoxa Etíope (Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, que se compõe pelas diversas etnias). E, na Afro – América, os seguidores da filosofia Rastafari que tem como referencial e utopia a Etiópia, pátria espiritual do movimento religioso Rastafari.

Logo, ressalto que não há pretensão em um artigo de um blogger escrever uma tese. O principal objetivo deste texto é iniciar uma discussão para entendermos melhor estas diferenças no território etíope, as causas e conseqüências do exílio dos hebreus de Beta Israel, a formação do cristianismo ortodoxo e a referencia da história etíope por grupos afro-americanos.

BETA ISRAEL

Beta Israel (Casa de Israel), erroneamente chamados de Falashas (estrangeiros), é formada por hebreus que saíram de Israel a milhares de anos atrás e depois de varias migrações se instalaram nas montanhas de Gondar na Etiópia, tendo como referência a terra dos seus ancestrais (Israel), sabedores que não pertencem originariamente ao território etíope.


IGREJA CRISTÃ ETIOPE

A Igreja Cristã Ortodoxa Etíope surge no século IV com a conversão do rei Ezana de Axum, foi um dos mais influentes e poderosos impérios mundiais e um dos primeiros a instituir o cristianismo como religião oficial de Estado. Saiba mais lendo o artigo: AXUM - AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS NA ETIÓPIA


Ethiopian Orthodox Church Song




RASTAFARI

A filosofia rastafari é pan-africanista, oriunda da interpretação de uma revelação do grande líder Jamaicano Marcus Garvey, tornando-se conhecida internacionalmente a partir da década de 60 do século passado, tendo como um dos principais objetivos a repatriação dos africanos nas Américas. Como disse, a Etiópia é a pátria espiritual do movimento religioso Rastafari.

Como vimos, são períodos linearmente diferentes que em certo momento na história se encontram: o Mosaismo de Beta Israel e o Cristianismo de Ezana criando conflitos de poder, perseguições e no século XX exílio para o primeiro grupo. Por outro lado, o Movimento Rastafari surge após a escravidão nas Américas, intimamente ligado à história da Igreja Cristã Etíope.

Os rastafaris que tem como um dos seus princípios a genealogia salomônica descrita no livro Kebra Nagast, assim legitimam as dinastias etíopes como descendentes diretos de Menelik, filho do rei Salomão e da rainha Makeda de Sabá. Devemos atentar que o Kebra Nagast apresenta Salomão como descendente da tribo de Judá, por isso os rastafaris elegeram o imperador etíope Haile Sellasie, como o Leão de Judá, o Mashiach (Messias). Título e função não reconhecidos pelo próprio monarca, um fervoroso seguidor da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo.

Peter Tosh "Rastafari Is"



A Etiópia tem laços históricos com as três mais importantes religiões do mundo que se dizem abraâmicas. Foi um dos primeiros países cristãos no mundo, tendo adotado oficialmente o cristianismo como religião do Estado no século IV d.C. Mantêm algumas observâncias do Tora, como: a guarda do sábado, a circuncisão masculina após o nascimento e regras alimentares,entre elas, a proibição da ingestão de carne de porco. Além disso, as mulheres da Igreja Ortodoxa Etíope são proibidas de entrar nos locais de adoração quando menstruadas, cobrem a cabeça com um lenço e sentam-se separadas nas igrejas, os homens sempre à esquerda e as mulheres à direita (quando de frente para o altar).


Um importante diferencial da Igreja Etíope e de outras igrejas cristãs é a tradição de que Menelik levou a Arca da Aliança para a Etiópia. Sendo cristã compactuam com a concepção européia de um messias branco (Jesus Cristo) e não compactuam com a filosofia Rastafári sobre Haille Selassie como sendo o Messias. Na fé dos Rastas, Haile Selassie é reverenciado como Jah Ras Tafari I, o Messias, o “Cristo Negro” que ascendeu ao Trono do Rei Davi em Adis Abeba, capital da Etiópia.

Em certos escritos e vídeos alguns grupos rastafaris colocam Beta Israel como referência, causando uma enorme confusão.

Deixando essas duas linhas de interpretação da Igreja ortodoxa Etíope e dos Rastafaris, iremos nos centrar no conflito milenar entre a maioria etíope cristã e a minoria hebréia de Beta Israel. É muito importante pontuar que Beta Israel não aceita o Kebra Nagast, concomitantemente, não veio com Menelik conforme os escritos e tradição etíope. Beta Israel, segundo a sua própria oralidade, é da tribo de Dan (danitas) não são da tribo de Judá (judeus). Não aceitam a Trindade, ao contrário, são monoteístas, e tem como base de fé o Torá e o Tanach. Ignoram a tradição etíope e a filosofia rastafari. É importante ressaltar, que Beta - Israel e os hebreu-israelitas nas Américas não se utilizam do termo JAH, porque não existe no Torá e no Tanach. O nome do Eterno é YHWH e em muitos trechos do Tanach é citado como YAH.

Não confunda a tribo de Judá e a dinastia salomônica com Beta Israel que é da tribo de Dan. Não esqueçam Jacó (Israel) foi pai de 12 filhos, e originou as 12 tribos de Israel, sendo a tribo de José, dividida em duas: Mannasés e Efraim. Beta Israel e a dinastia salomônica foram para a Etiópia em momentos distintos e por razões diferentes, apesar de serem da descendência de Israel. Beta Israel não aceita como verdadeiro o cristianismo etíope.

Ressaltando mais uma vez, a história dos hebreus (Beta Israel) foi de extrema perseguição desde que o cristianismo chega à Etiópia, com as transformações da tradição oral e as novas concepções de poder criadas pela suposta dinastia salomônica. Neste sentido, no próximo artigo discorremos sobre a negação do Kebra Nagast por Beta Israel e as guerras de sobrevivência dentro da Etiópia dos hebreus da tribo de Dan (Beta Israel), enfrentando guerras violentas contra o império cristão axumita, perseguição do fascismo de Mussolini e vitimas da ditadura etíope, da guerra civil e da fome, até que fugiram retirados por tropas israelitas (askenazis), através da Operação Moisés (1984) e da Operação Salomão (1991).



Shalom!!!

quinta-feira, 11 de março de 2010

AFRICANOS - PRIMEIROS HABITANTES DA GRÉGIA


Por Walter Passos,
historiador, panafricanista,
afrocentrista, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion).
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: http://www.blogger.com/walterpassos21@yahoo.com.br

Msn: http://www.blogger.com/kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano





Hodiernamente, o eurocentrismo evoluiu de forma tão sagaz que os estudiosos oriundos destes países se denominam pós-modernos, e as discussões da modernidade e pós-modernidade afloram nas academias, nos livros, seus autores são bases para concurso de pós-graduação. Amplas discussões são realizadas, contrapondo a supremacia racial européia, seus defensores se contradizem, pois não podem sustentar a os argumentos da eurocentricidade, maior falácia criada pelos países colonialistas-escravistas, os que redesenharam o mapa do planeta, objetivando com o acumulo do capital explorar as civilizações fora do centro do poder europeu, marginalizando-as e colocando-as nas periferias dos seus interesses exploratórios. Antagonicamente criticam o capitalismo que idealizaram (e ainda o mantêm) e suas raízes maléficas, sem deixar de serem capitalistas e eurocentristas, com um discurso novo desvirtuam a base do conhecimento humano: África - berço de todas as civilizações da humanidade, exportadora de ciências através de suas escolas e migrações que povoaram o mundo.

Tentar especular as origens do conhecimento humano sem estudar as civilizações primevas africanas, as colocando na periferia dos discursos da pós-modernidade, é um ato de homogeneidade que pode caracterizar racialização histórica.

Os eurocentristas Pleiteiam um discurso inovador, abrangente, que cabem todas as linguagens, um discurso globalizado, na verdade injetam o vinho velho em odre novo. “Todos possuem a verdade e todas as linguagens são válidas”. Até que ponto estas verdades não foram construídas pelo grupo dominador? Não aceitam que houve uma guerra na África na qual os vencidos foram subjugados, seqüestrados e escravizados. A história é a maior arma de controle social que impede a formação de mentes analíticas e críticas da realidade do agente histórico.

A tentativa dos pós-modernistas é desmantelar todas as metodologias historiográficas construídas anteriormente. Todos os paradigmas do devir histórico têm que ser destruídos por serem considerados ultrapassados por não responderem os anseios criados pela pós-modernidade ao analisar os diversos falares sociais globalizados. O que era considerado central se torna periférico e as coisas periféricas do passado têm que estar no centro. No pós-modernismo as minorias têm tido a “prioridade”. Agora é o tempo dos direitos de todos os marginalizados pelo pré-modernismo. Só que entre as chamadas minorias, colocaram os africanos e afro-diásporicos detentores do saber primevo da humanidade.

Para os defensores da pós-modernidade o estudo afrocêntrico é uma heresia, sendo assim, sabemos que o eurocentrismo tomou novas formas para se manter no centro do poder, afirmando de que “todos têm o direito de sair das periferias”, sem contestar a escrita da história ainda propagada. Muito engenhoso e dissimulador. A história continua européia e o modo de pensar ocidental cria novas raízes de dominação.

Neste ínterim, devemos entender a cerne inicial que culminou na concepção ocidental de conhecimento em todos os seus matizes: A Civilização Helênica.

Quando comecei a me preocupar com a origem do pensamento humano, de como a humanidade deu seus primeiros passos evolutivos a desvendar as ciências e os questionamentos plausíveis, tornou-se necessário analisar como a civilização helênica deu os primeiros passos no que se chamou de filosofia. Esta civilização gentia assevera de que os seus primeiros filósofos surgiram a partir do ano 600 a.C. Linearmente bem atrasada comparando com o esplendor e conhecimentos das civilizações afro-asiáticas. E como os gentios conseguiram por tanto tempo enganar, cegando os africanos e afro-diaspóricos os acusando de ser meros copiadores e aprendizes da civilização helênica?

Cerâmica figura-negra (em grego, 'μελανόμορφα, técnica melanomorpha) é um estilo de pintura de cerâmica do grego antigo em que a decoração aparece como silhuetas negras sobre fundo vermelho. Originárias de Corinto, durante o início do século VII a.C, que foi introduzida em Ática cerca de uma geração mais tarde. Outras notáveis figuras negras existiam em olarias em Esparta, Atenas, na Grécia Oriental.

Os ataques aos historiadores afrocentristas que atestam através da documentação a primazia africana na formação das primeiras civilizações, cresce a todo o momento. Eles dizem que os africanos e afro-diaspóricos só têm credenciais para escrever a história partir do tráfico negreiro, que eles realizaram, seguindo os seus pressupostos metodológicos criados nas academias ocidentais, e não devem se meter a falar sobre o chamado mundo antigo. Segundo eles, são possuidores do conhecimento e tem a autoridade para escrever sobre as primeiras civilizações. Incrível, os descendentes das mais novas civilizações tentam impedir de que os descendentes das civilizações mais antigas, os homens e mulheres originais escrevam a história da humanidade.

Cheik Anta Diop, pesquisador afrocentrista, é contestado até por pesquisadores negros-eurocentrados-assenzalados. Contestar o afrocentrismo é um direito, mas o que não conseguem é contestar as imensas provas históricas a todo o momento descobertas e apresentadas. No vídeo abaixo há citações interessantes dos primeiros habitantes da Grécia:

Dentre os estudiosos do afrocentrismo há pesquisadores que apresentam documentos arqueológicos e escritos que provam a africanidade dos primeiros fundadores de cidades da Grécia, antes das invasões das tribos brancas dos jônios, aqueus e dórios, esses fatos têm criado profícuos debates, porque se torna uma constatação de que os africanos migraram para diversas partes do planeta. Estes relatos sobre a africanidade dos primeiros habitantes da Grécia estão em diversos textos escritos por historiadores gregos de eras posteriores. É sempre bom asseverar que a chamada filosofia grega começa a surgir aproximadamente nos 600 a.C. com Tales de Mileto.

Tales de Mileto:
Conhece-te a ti mesmo.
Espera receber de teus filhos, quando fores velho, o mesmo tratamento que dispensaste a teus pais.

No texto mais antigo que refere aos Sete Sábios da Grécia (fundadores da filosofia grega) o Protágoras (342e-343b), Platão, diz que o grupo é constituído por: Tales de Mileto, Pítaco de Mitelene, Bias de Priene, Sólon de Atenas, Cleobulo de Lindos, Míson de Queneia (noutros textos aparece Periandro de Corinto) e Quílon de Lacedemônia.



Os historiadores eurocêntricos em uma das tentativas de negar a presença Africana na Grécia Antiga criaram a idéia de uma sociedade miscigenada através do trafico de escravizados africanos, ou de mistura racial. Fato este também muito difundido de que os habitantes de Kemeth (Egito) foram europeus que migraram e criaram toda a ciência, e que os faraós foram brancos, somente na 25ª dinastia, que pretos dominaram Kemete através de faraós de Kush. Qual o crédito pode dar a estes historiadores? Negam também a pretitude do antigo Israel Bíblico, sem se preocupar a estudos mais detalhados sobre as origens dos askenazis e da sua religião o judaísmo, a qual não aparece em nenhum texto das escrituras. Para negar é preciso provar. Os próprios askenazis sabem da sua origem européia e no fundo crêem na pretitude dos hebreus da Bíblia.

Em muitos textos dos historiadores e poetas gregos há a menção das origens dos primeiros habitantes os Pelasgians, e da formação de Creta por povos pretos. Inclusive o professor George Wells Parker (foto ao lado), estudando o grego clássico, chegou à conclusão que Helena de Tróia, foi uma linda menina de pele marron.
Usando evidências arqueológicas e da literatura clássica CA Winters explicou como os fundadores Africano / Negro da civilização grega vieram originalmente do Saara antigo. Winters deixa claro que esses africanos vieram para o Egeu em duas ondas:

1) as pessoas que falam um Garamantes Malinka que agora vivem ao longo do rio Níger, mas antes viviam na região Fezzan da Líbia;

2) os egípcios, fenícios e Timor-africanos que foram gravados na história da Grécia como o Pelasgians. A civilização Pelasgian tem sido discutida em detalhes por Parker.

Barco usado pelos antigos pelasgianos na Grécia.

De acordo com o mito da criação do Olimpo os primeiros grupos a aparecer na Terra foram os Libios-trácios. Os líbios foram proto-Saarianos, assim como os trácios originais. Alguns trácios eram descendentes das tropas Kushitas e Kemetians (egípcias) com sede em Trace, por Sesostris (Tutmés III e Ramsés II), quando ele conquistou a Ásia e a Europa. (Diop, 1991; Winters 1983a, 1984b, 1985a)
Neste vaso fúnebre ateniense (750 a.C), os mortos e aqueles que choram por ele são representados na cerâmica de estilo geométrico têm características negras.

Os gregos freqüentemente chamavam os primeiros habitantes da Grécia de Pelasgians. Os escritores gregos afirmaram que Pelasgo, o grande ancestral da Pelasgians foi o primeiro homem. Os Pelasgians eram uma combinação de diversas tribos negras que incluíam os aqueus, Kadmeans e Leleges. Os Garamantes foram também muitas vezes chamados de Pelasgians por alguns escritores clássicos. Estrabão disse que:

"Os Pelasgis, a nação mais antiga, estava espalhada através de toda a Grécia, e especialmente entre os eólios".

Os Pelasgians (nome grego: Πελασγοί, Pelasgoí, Πελασγός singular, Pelasgos) foram usados por alguns escritores gregos antigos para se referir as populações que precederam os helenos na Grécia”, mantinham um termo abrangente para pessoas antigas, primitivas e presumivelmente autóctones no mundo grego. Em geral," Pelasgian" passou a significar de forma mais ampla todos os habitantes autóctones das terras do mar Egeu e suas culturas antes do advento do idioma grego.

Este é um dos afrescos de Thera. Observe o ambiente ocupado

Associada com as cidades Pelasgian durante o século 16 a.C.


Os Pelasgians fundaram muitas cidades. A fundação pelos Pelasgian de Atenas é notada por Plutarco em 12 de Teseu, e Ovídio em Metamorfose VII, 402 e ss. De acordo com Heródoto vii.91, os Pelasgians também fundaram Tebas. Muitos destes atenienses podem ter introduzido o estilo geométrico para a Grécia durante a chamada Idade das Trevas (1200 - 600 a.C).



Esta é a parte do estilo fino geométrica parecido com o "Dark Age"
Os ombros largos retratada nesta peça de arte.

Winters (1983b) deixa claro que o Garamantes fundou as cidades gregas da Trácia, Creta minóica e Ática. Os Garamantes também eram chamados Carians pelos Indo-Europeus gregos.Os Garamantes ou Carians originalmente viviam no Fezzan. Estes Garamantes foram descritos pelos escritores do latim clássico como preto ou de pele escura: perusti (Lucan 4,679), furvi (Arnoloius, Adversus Nationes, 6,5) e Nigri (Anthologia Latina, 155, no.183).

Além disso, a arte mais antiga de Atenas conhecida como o estilo geométrico retrata a população preta.

Aqui está um estilo geométrico (ou aqueus) cena de um Barco virado (c. 850 a.C) para Atenas



Anel de ouro que descreve uma caça ao veado ( 1500 a.C)
(Nota: o penteado afro usados pelos micênicos)

Muitos dos chamados mitos gregos são, na realidade, textos históricos que mostram o estilo antigo dos pré-arianos na Grécia e na transição do matriarcado Pelasgian ao patriarcado grego ariano a. O termo Amazônia foi usado freqüentemente pelos arianos para designar as sociedades matriarcais que viviam no Mar Negro. A batalha entre Thesus e as Amazonas, liderada pela rainha Melanippe, registra os conflitos entre os arianos, antigos gregos, e os líbios estabelecidos em torno do Mar Negro.



Pelasgians de Thera

As obras históricas gregas afirmam que os primeiros colonos das ilhas do Mar Egeu vieram da África, especialmente os Garamantes e os Pelasgians.

Entre esses fatos, podemos citar Enéias, o mítico fundador de Troia. A Ilíada e a Odisséia e todas as outros grandes épicos do mundo, é a história poética falando de povos africanos.
Estatueta de um grego- africano em Bronze (conhecido como Etiópia), 3 -2o século a. C.

Durante os séculos VIII e VII a.C, os gregos novamente em contacto com a periferia norte da África, estabeleceram assentamentos e postos de comércio ao longo do rio Nilo e em Cirene, na costa norte da África. Já na Naukratis, o mais antigo e mais importante dos postos de troca na África, os gregos tiveram certamente contato com os africanos. É provável que as imagens de africanos, se não os próprios africanos, começaram a reaparecer no Mar Egeu. Nos séculos VII e início do VI aC, mercenários gregos da Jônia e Caria serviram aos faraós egípcios Psametikus I e II.

Aryballos, 570 a.C., figura-negra, grego ático, assinada por Nearchos como oleiro, terracota.
Contos da Etiópia como uma terra mítica nos pontos mais longínquos da terra são registrados em algumas das primeiras literaturas gregas do século VIII a.C, incluindo os poemas épicos de Homero. Deuses e heróis gregos, como Menelaos, acreditava-se que tinha visitado este lugar à margem do mundo conhecido. No entanto, muito antes de Homero, a civilização marítima de Creta da Idade do Bronze, conhecido hoje como minóica, estabeleceu ligações comerciais com o Egito. Os minóicos podem ter primeiro entrado em contato com os africanos, em Tebas, no pagndo tributos ao faraó. Na verdade, as pinturas no túmulo de Rekhmire, datada do século XIV a.C, descrevem como africanos os povos do mar Egeu, núbios mais provável e minóicos. No entanto, com o colapso da minóica e micênica no final da Idade do Bronze , as ligações comerciais com o Egito e o Oriente Próximo foram cortadas, e a Grécia entrou em um período de empobrecimento e de contato limitado.


Heródoto referiu-se aos Pelasgians como "veneráveis ancestrais". Ele disse que os atenienses "primeiro foram Pelasgi .A fundação Pelasgian de Atenas também é notada por Plutarco em Os 12 de Teseu, e Ovídio em vii. 402ff Metamorfoses. De acordo com Heródoto vii. 91, os Pelasgians também fundaram Tebas na Europa. Pausânias observou que "Os árcades mencionam Pelasgo como a primeira pessoa que existiu em seu país. A partir deste rei toda a região tomou o nome Pilasgia". Hopper observou que os Pelasgians fundaram Ática.

Os imigrantes negros de Canaã também viveram no Egeu na Argólida. Eles se chamavam de "Filhos de Abas". Muitos dos Melampodes mais tarde participaram da Argolis .

O mais antigo alfabeto grego foi feito pelo Pelasgians, foi perdido e, mais tarde, reintroduzido por Kadmus a Beócia. Outro Pelasgian, Evander de Arcádia introduziu os escritos para os italianos. Este script foi utilizado para fazer os primeiros quinze caracteres do alfabeto latino de acordo com Plínio e Plutarco.

Os irmãos Atlas e Prometeu sofreram seus tormentos. Atlas, perseguido pela serpente Hesperian, detém a pedra do céu sobre os ombros e Prometeu, amarrado a um poste, tem o seu coração perfurado pela águia.

Museu Colecção: Musei Vaticani, Cidade do Vaticano
Catalogue Number: TBA
Beazley Archive: N / A
Ware: Laconiano Black Figura
Formato: Amphoriskos
Data: ca 530 aC
Período: Archaic

Diversos cientistas pretos questionam as ciências ocidentais.



É de mister importância conhecer profundamente os pensamentos e rever a ação da história dos dominadores e as suas táticas de exploração. O conhecimento, apropriação e o plágio das ciências africanas possibilitaram criar laços de mentiras para subsidiar a supremacia racial, ao invés de intermediar trocas para gerir laços fraternos para a humanidade. A humanidade precisa se reencontrar na busca da paz, nas trocas culturais e no aprendizado mútuo, reescrevendo verdadeiramente a sua história. A história primitiva africana não é uma história de pretos, mas é a história da humanidade, conhecê-la, propicia a quebra de discriminações feitas pelos primeiros eurocentristas.

Shalom !!!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

OS GREGOS E A FILOSOFIA PLAGIADA DOS AFRICANOS



Por Walter Passos,
historiador, panafricanista,
afrocentrista e teólogo
Pseudônimo: Kefing Foluke.E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano 

Facebook: Walter Passos


"As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram os que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos." Malcolm X


No Brasil, o ensino de filosofia é obrigatório nas escolas de ensino médio, e os docentes repetem todos os anos ensinamentos sem nenhuma reflexão aprofundada sobre o pensamento eurocêntrico. A filosofia grega é ensinada como a origem do pensamento reflexivo, intelectivo e criador humano. Como se o ato de pensar, criar tecnologias, realizar questionamentos acerca do cosmos, hermenêuticas da vida social humana, além de outras várias atitudes pensantes, iniciassem-se com os povos pagãos europeus. Estas afirmações corroboram com as imensuráveis falsidades históricas: as primeiras civilizações mundiais não foram africanas e os povos pretos desenvolveram o pensamento intelectivo após o contato com o invasor europeu.

O que é a filosofia? Sócrates, Platão e Aristóteles

Por que omitem que os europeus antes de invadirem a África já a conheciam e estudaram em suas escolas?

Quiçá, todo educador de filosofia deveria esforçar-se para, em nome do amor ao conhecimento, questionar a história eurocêntrica, tornando-se realmente, um educador-crítico das chamadas verdades estabelecidas, repassadas nos livros didáticos e nas academias. Os livros, as academias e os educadores são as maiores armas de manutenção da opressão mental e distorção histórica da origem do pensamento humano que paira na comunidade preta.

Em minha adolescência, aprendi nas aulas de filosofia no Colégio Arte e Instrução no bairro de Cascadura, cidade do Rio de Janeiro, de que os maiores pensadores da história humana foram os homens brancos: Sócrates, Platão e Aristóteles. Aprendi que o país o qual nós devemos a nossa Civilização, Filosofia, Artes e as Ciências, foi a Grécia. Que o homem mais sábio que o mundo já viu, foi o grego, Aristóteles. Que o maior matemático de todos os tempos, a pessoa que inventou o teorema do quadrado da hipotenusa, foi o grego Pitágoras.

Exformações continuaram com maior aprofundamento, repetidas nas aulas de filosofia no Seminário Presbiteriano de Campinas, no Seminário Batista do Rio de Janeiro e na faculdade de História. Temos teologias e teólogos pretos que baseiam as suas hermenêuticas na branquitude, graças ao bom aprendizado das filosofias ocidentais, e muitos se gabam de conhecer e repetir os grandes teólogos e filósofos da Escola Alemã. Na faculdade de história não foi diferente, formam-se historiadores, meros repetidores do pensamento europeu e de suas histórias dominadoras. Então, todo a exformação que eu aprendia devia ao esforço pensante das civilizações brancas, e nelas eu deveria me tornar informado e repassador das ditas verdades.

Acreditei que a civilização Greco-romana nos legou todas as boas exformações, as tinha como referências no aprendizado filosófico e pedagógico. Eu estava totalmente equivocado. Infelizmente, estas ideologias ainda são difundidas e ensinadas nas escolas sem um questionamento aprofundado.

Os estudantes acreditam nos educadores. Para o educando o educador conhece a verdade. Só que não sabem que eles assimilaram bem o conhecimento eurocêntrico, e estes donos da verdade, os iluminadores na educação, negam as condições de questionamentos das exformações ao iluminado, deixando-os sem condições de análise se são verdadeiros ou falsos os cruéis ensinamentos repassados.

Em contrapartida a África é negada, e quando é citada é relacionada com a selvageria, demonismo, canibalismo, pobreza, analfabetismo, fome, fonte de mão-de-obra escravizada, entre outras mazelas. Por que educadores especialmente os de origem africana são meros repetidores desses ensinamentos? Até que ponto os “conhecedores” de história da África questionam esses ensinamentos? Ou estes “doutores em África”, na verdade são lobos em vestes de cordeiros para continuar repetindo as exformações que serve a eurocentricidade, etnocentrismo e conseqüente racialização?

Ou são meros inocentes que falam em filosofia, pedagogia e história e não compreendem a própria essência das matérias que ousam ensinar? Ou tem meia culpa por repetir simplesmente o aprendizado de quatro anos de curso universitário, e de pós-graduações baseadas no pensamento homogênico ocidental branco? Qual a seriedade e ações que nós, os educadores afrocentristas, temos que ter em contatos com os estudantes do ensino médio e fundamental?

Já urge o tempo de desconstrução dos ensinamentos aparelhados e oferecer o contraponto a juventude preta, possibilitando-a realizar questionamentos mais diretos ao educador-serviçal e propagadores das “verdades” européias nas escolas e academias, convidando-os a debater, porque estão tão dominados pelo mal que não aceitam reestudar e se livrar da lavagem cerebral da academia branca os quais se tornaram os maiores defensores.

Quando escrevo este texto como toda amorosidade possível vem à mente um debate entre o Dr. Payson, professor universitário afro-americano, e Malcolm X, durante um programa de grande audiência de uma rede de TV americana:

Dr. Payson: - Por que ensina a supremacia negra? Por que ensina o ódio?

Malcolm X: - Um branco pergunta ao negro porque o odeio, é como o estuprador perguntar à violada: “Você me odeia?”. O Branco não está em posição moral para acusar o negro de nada.


Dr.Payson: - Mas é um negro que te faz a pergunta.


Malcolm X: - Quem chamaria você de negro com diploma de formação superior? E o que os brancos te chamam. É preciso entender o raciocínio, e para isso, é necessário saber que, historicamente, havia duas espécies de escravos: o negro da casa e o do campo. O negro da casa vivia junto do senhor, na senzala ou no sótão da casa grande. Vestia-se, comia bem e amava o senhor. Amava mais o senhor que o senhor o amava a ele. Se o senhor dizia: “Temos uma bela casa”. Ele respondia: “Pois temos”. Se a casa pegasse fogo, o negro da casa corria para apagar o fogo. Se o senhor adoecesse, dizia “estamos doentes”. Se um escravo do campo lhe dissesse: “vamos fugir desse senhor”, ele respondia: “existe uma coisa melhor do que o que temos aqui?”. “Não saio daqui.” O chamávamos de negro da casa. É o que lhe chamamos agora, porque ainda há muitos pretos de casa.”




THE HOUSE NEGRO AND THE FIELD NEGRO (2009 animation)



O maior desafio do educador preto é deixar de ser “preto da casa”. Sei quanto é difícil para o educador ter a baixo-estima construída em toda a vida educacional. Torna-se educador e ter a mente dominada e criar novos dominados sem permitir que descubram as mentiras proferidas através dos séculos, é continuar com a pedagogia da Casa-Grande mantendo os educandos assenzalados.

Devemos provocar no educando uma postura cética quanto à exclusividade européia na invenção de instituições e valores, permitindo que as exformações (formação vinda de fora) sejam questionadas possibilitando as novas informações (formação interior) sejam adquiridas.

A dominação do pensamento e a negação dos conhecimentos africanos tem sido a maior arma de propagação da superioridade branca, da manutenção do racismo, da racialização nas propostas educacionais. A tática usada é a negação das primeiras civilizações e desenvolvimento dos primeiros pensadores. Sempre explico aos estudantes como a “civilização européia” dá os primeiros sinais de conhecimento com os gregos, já no chamado período clássico em que aparecem no cenário histórico entre 2.000 e 1800 a.C., desenvolvendo um modo opressivo produtivo: a escravidão em uma sociedade de classes sociais, onde a democracia oprime as mulheres, os estrangeiros e todos aqueles não considerados cidadãos.

Antes deles não havia conhecimento, livros, sabedoria, tecnologia, medicina, mitologia, matemática, astronomia e outros conhecimentos? Como a historiografia é planejada e quais são os seus objetivos de poder?

Se a filosofia depende da história para explicar o desenvolvimento do pensamento da humanidade, o ato de negar as primeiras civilizações distorce o que chamamos de filosofia?

Os meus filhos(as) tiveram uma desconstrução necessária do que foi ensinado nas salas de aula. Meu filho caçula, com 11 anos de idade, recebe a exformação e eu levo ao questionamento para que adquira uma informação no seu ser, do seu passado e presente africano, porque a escola serve como descontruidora do passado glorioso dos seus ancestrais.

Os europeus através dos séculos têm usado a manipulação para omitir, mentir, dominar e excluir. O nosso grande desafio é perfazer os ensinamentos deformados sobre o conhecimento e desmascarar a falsidade ideológica de negação das primeiras civilizações pensantes do planeta: as civilizações africanas. Renomear a África como “O continente negro" foi um pretexto para “civilizar” (o que realmente significou: saquear, mutilar, escravizar e pilhar).

Não vou discutir e explicar a origem da palavra filosofia, todos sabemos da de origem grega Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria, que ama a sabedoria ), resumindo no que os estudantes aprendem: Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria tem amizade pelo saber, deseja saber. Assim a filosofia indica um estado de espírito da pessoa que ama, isto é, daquela que deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita. Estas “verdades” excluem os estudantes pretos.

Estas exformações fazem com que os estudantes pretos tentem se adequar as verdades eurocêntricas, como um peixe fora d’água, sem passado pensante, e contribui com a omissão dos estudantes não pretos sobre a real origem dos primeiros pensadores humanos.

É interessante ressaltar, a África é o berço da humanidade e os mais antigos fenômenos civilizatórios surgiram nesta parte do planeta, inclusive de lá ocorreram migrações em direção a diversas regiões no mundo. E no continente africano, especialmente nas civilizações de Kush-Núbia, detentores das primeiras escritas conhecidas, conhecimento matemático, astronomia, arquitetura e outras ciências ainda em fase de escavações, e Kemet (atual Egito), e outras civilizações de um continente riquíssimo em desenvolvimento humano e tecnológico deram os passos iniciais do que entendemos de filosofia. Há algumas perguntas que servem para começarmos o nosso debate afrocentrado:

- Quais informações que você tem da origem dos primeiros habitantes da Grécia?
- Você sabe que os primeiros habitantes da região da Grécia foram povos pretos?
- Por que todas as escolas de arquitetura em todas as universidades ocidentais até hoje iniciam os estudos de seus alunos com as pirâmides?

- Por que há semelhanças da mitologia grega com as mitologias africanas?

- Por que Cheik Anta Diop acusou de plágio, gigantes da filosofia grega e da matemática, como Arquimedes, Platão, Aristóteles, Thales, e outros?

- Você sabe que as provas documentais provam que as civilizações desenvolveram o que chamam de filosofia?

- Por que há uma tentativa desvelada de historiadores ocidentais de branquearem as civilizações africanas?

- Por que Sócrates foi morto?

Na próxima postagem entraremos nas provas documentais do plágio feito pelos gregos do conhecimento africano. Este texto foi uma pequena introdução.

Há um livro que você poderá ler agora e o ajudará a compreender estes atos de plágio dos gregos e com certeza teremos bons debates.

Acesse e leia: Stolen Legacy by George G. M. James [1954]



Se não ler em inglês: O LEGADO ROUBADO por George G. M. James (1954)


Cheick Anta Diop Falsification De L Histoire

Abraços afrocentrados,

Shalom de Yah.

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