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quinta-feira, 2 de junho de 2011

OS CONFLITOS DE BETA ISRAEL COM OS CRISTÃOS ETÍOPES – PERSEGUIÇÃO MILENAR AOS HEBREUS NA ETIÓPIA – IIª PARTE


Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn: kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos.











"Eu sou preta, e formosa, ó
filhas de Jerusalém, como
as tendas de Quedar, como as
cortinas de Salomão ". Cantares de Salomão 1:5.



A modelo Esti Mamo nasceu em 1983 em Chilga, no noroeste da Etiópia. Ela é membro da comunidade Beta Israel.




Dando continuidade ao artigo anterior sobre a Beth Israel (Casa de Israel) notamos que há um desconhecimento de alguns irmãos e irmãs de como a tradição oral e a história documental interpretam o surgimento dos hebreus na Etiópia. Sabemos que os melhores historiadores sobre Beta Israel são os membros daquela comunidade, porque mantém tradições vivas comprovadas através da oralidade e um pertencimento milenar oriundo da tradição mosaica que não deixa dúvidas da sua originalidade, apesar de historiadores brancos tentarem colocar em dúvida uma das mais antigas comunidades hebréias existentes no mundo. Dúvida esta desfeita pelos próprios rabinos do judaísmo (askenazis e sefarditas) os quais sem saída tiveram discussões em exaustivas reuniões e chegaram à conclusão: A Casa de Israel é composta de verdadeiros hebreus.

Entre algumas hipóteses que criaram sobre Beta Israel, uma tenta colocar em dúvida a sua origem hebraica, as outras três informam a sua provável origem, sendo a nº 1 aceita pela oralidade da comunidade, a saber:

(1) O Beta Israel são descendentes da tribo israelita de Dan.
(2) São descendentes de Menelik I, filho do rei Salomão e da rainha de Sabá.
(3) São descendentes dos cristãos etíopes e de “pagãos” que se converteram ao judaísmo séculos atrás.
(4) São descendentes de hebreus que fugiram de Israel para o Egito depois da destruição do Primeiro Templo em 586 a.C, e acabaram por se instalar na Etiópia.

As hipóteses um, dois e quatro se completam na própria explicação da comunidade, corrobora o histórico de suas migrações de Israel. A tradição oral, preservada pelos sacerdotes da comunidade, explica que houve uma migração dos filhos de Israel para o exílio no Egito, após a destruição do Primeiro Templo pelos assírios no ano de 586 a.C. e também no exílio babilônico. Estes hebreus permaneceram por centenas de anos no Egito até o reinado de Cleópatra que a auxiliaram na guerra contra Cesar Augustus, sendo derrotados na guerra, eles fugiram para a Arábia do Sul, posteriormente foram para o Yemen; outros se dirigiram para o Sudão até chegarem à Etiópia.

Alguns membros da comunidade de Beta Israel afirmam que as suas origens são Danitas contemporânea a Moisés, quando alguns Danitas partiram após o Êxodo e mudaram-se para sul, até a Etiópia. Eldad, o Danita, realmente descreve ao menos três ondas de imigração israelita para a esta região, criando outras tribos israelitas e reinos, incluindo as primeiras levas que se instalaram em um remoto reino da "tribo de Moisés": este foi o mais forte e mais seguro reino hebreu de todos, com aldeias agrícolas, cidades e grande riqueza. É importante ressaltar que houve diversos reinos israelitas na África os quais não são citados porque são provas incontestes da cor dos descendentes de Avraham (o pai de muitas nações pretas).

Os hebreus na Etiópia mantiveram os seus costumes da época mosaica sem influência do judaísmo (não existe esta palavra nos escritos sagrados) e seus talmudes (interpretações da lei criada pelos askenazis). As tradições de Beta Israel estão baseadas no Torá que está escrito em pergaminhos e outros livros considerados sagrados como o de Enoque, seus costumes são bem antigos e muitos deles somente praticados pela comunidade e eram desconhecidos pelos chamados judeus (origem européia) atuais.

Beta Israel viveu no Norte e Noroeste da Etiópia, em mais de 500 vilarejos espalhados por um vasto território, entre populações muçulmanas e populações cristãs. A maioria se concentrava na área em torno do lago Tana e ao norte no Tigre, Gonder Wello e regiões, e entre os Semien, Wolgait, Dembia, Segelt, Lasta, Quara, Belesa, e um pequeno número viveu nas cidades de Gonder e Adis Abeba.

Os hebreus da Etiópia sempre foram considerados estrangeiros, pessoas estranhas a região, por manterem vivos os costumes ancestres do mosaismo, foram discriminados e perseguidos, tendo resistidio por milhares de anos. Tanto assim que o termo falasha significa estrangeiros.

O Kebra Nagast, relato escrito em Ge'ez das origens da linha salomônica dos Imperadores da Etiópia, é legitimamente questionado pela casa de Beth Israel. O objetivo do livro é proclamar a Glória dos Reis. Não a glória dos reis hebreus, mas a glória dos reis cristãos, escrito, em sua maioria, provavelmente no século XIV para deslegitimar a dinastia Zagwe, e proclamar a dinastia salomônica que é uma dinastia cristã reverenciada como legitima na Etiópia e pelos grupos rastafáris nas Américas, considerada pelo Beth Israel como uma dinastia usurpadora do trono hebreu e transformadora das tradições ancestrais. O Kebra Nagast é considerado uma falácia pelos verdadeiros hebreus.

A resistência dos hebreus após a conversão de Ezana ao cristianismo (religião branca européia) realizado por Frumêncio foi ativa, onde se recusaram a adotar o cristianismo e ocorreu uma guerra civil entre os hebreus e os cristãos, os hebreus migraram para a serra de Siemen e fundaram o Reino de Siemen (Reino dos Gideões) na parte oeste-norte da Etiópia, cujo primeiro rei foi Fineas.

As guerras foram constantes por causa das perseguições do império cristão etíope. No século nono, durante uma batalha, o rei hebreu foi morto, assumindo o reinado a sua filha que se tornou a imperatriz hebréia Judith que aliada ao povo de Agaw investiu contra o império axumita no ano de 960. As tropas da confederação das tribos de Israel e Agaw, lideradas pela Rainha Judith, invadiram a capital de Axum conquistando-a e destruindo-a, queimaram inúmeras igrejas e impuseram o Estado hebreu sobre Axum. Além disso, o trono Axumita foi arrancado e as forças da Rainha Judith saquearam e incendiaram o mosteiro de Debre Damo, que a época era um tesouro e uma prisão para os parentes do sexo masculino do imperador da Etiópia, matando todos os herdeiros potenciais do imperador. A rainha hebréia Judith governou por 40 anos, tendo os seus sucessores governados por mais de 400 anos toda a Etiópia.


"CAMPO DE JUDITH": uma área repleta de ruínas de prédios destruídos, que segundo a tradição foram arruinadas pelas forças da Rainha Judith.


A Idade de Ouro do reino de Beta Israel ocorreu, de acordo com a tradição etíope, entre os anos 858-1270, na qual o reino hebreu floresceu. Durante esse período, os israelitas espalhados pelo mundo ouviram falar pela primeira vez as histórias de Eldad ha-Dani que aparentemente visitou o reino. Marco Polo e Benjamin de Tudela também mencionaram um reino israelita independente na Etiópia nos escritos desse período. Este período termina com a ascensão da dinastia cristã salomônica.


No ano de 1270, os cristãos assumem de novo o poder e longas guerras começam, e no reinado do imperador cristão Yeshaq (1414-1429) o reino hebreu é invadido e dividido em três províncias, sendo forçada a conversão de muitos israelitas ao cristianismo, sob a ameaça de que ou se convertiam ou perdiam as terras. Yeshaq decretou: "Aquele que é batizado na religião cristã pode herdar a terra de seu pai, caso contrário, deixá-lo ser um Falāsī". Isso pode ter sido a origem do termo "Falasha" (falāšā, "andarilho", ou "pessoa sem-terra"). Neste período os hebreus foram considerados pessoas de segunda categoria, inferiores aos cristãos.

Os israelitas não se curvaram as humilhações e a apropriação de suas terras pelos cristãos e em 1450 após reativarem o exército invadiram o império cristão etíope, mas foram derrotados, resultando no massacre durante sete anos de milhares de hebreus.

Quando os muçulmanos invadem a Etiópia na sua guerra de expansão pelo território africano, os hebreus fazem um pacto de paz e auxiliam os exércitos cristãos contra o inimigo do Islã, sendo derrotados pelos muçulmanos e sofrendo mais uma vez um violento massacre das tropas otomanas e do sultanato de Adal. Como apoio do império cristão axumita e de seus aliados portugueses e das ordens dos jesuítas conseguem expulsar os muçulmanos, mas, com o auxílio das forças de Portugal e da Ordem dos Jesuítas, o império etíope, sob o domínio do imperador Gelawdewos, invadiu o reino hebreu e executou o rei Jorão. A conseqüência dessa traição dos cristãos foi que o reino hebreu se tornou restrito a região das Montanhas Semien.

Com a morte de Jorão, o rei Radi assume o trono hebreu e faz guerra contras o imperador cristão Menos, conseguindo reforçar as suas defesas das montanhas Semien. No governo do imperador cristão Sarsa Denge, o reino hebreu é novamente invadido e o rei hebreu Gósen e muitos de seus soldados foram executados. O desespero dos hebreus levou a muitos membros do reino a cometer o suicídio. Em 1627, o imperador Susenyos invade o reino hebreu e após derrotá-lo, anexa-o ao império etíope.

"Os homens e mulheres Falasha lutaram até a morte das alturas escarpadas da sua fortaleza... lançaram-se sobre o precipício ou cortaram a gargantas uns dos outros ao invés de serem presos, era um Masada Falasha. [Os líderes rebeldes] queimaram toda a história escrita dos Falasha e todos os seus livros religiosos, era uma tentativa de erradicar para sempre a memória hebraica da Etiópia” "(Righteous Judeus, AAEJ Imprensa, 1981).

Os hebreus foram capturados e vendidos como escravos, forçados ao batismo cristão, e tiveram negado o direito à própria terra. A independência de Beta Israel foi retirada, assim como ocorreu com seus irmãos israelitas em Massada, séculos antes em Israel.


Alpha Blonde - Massada


Continua no próximo artigo.

Shalom!



sábado, 6 de novembro de 2010

A SAGA DO REI ABUBAKARI II - AFRICANOS NA AMÉRICA ANTES DE COLOMBO






Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano


"As civilizações pretas foram as primeiras civilizações do mundo. O desenvolvimento da Europa esteve na retaguarda, pela última idade do Gelo, um assunto de uns cem mil anos"
Cheik Anta Diop


Os povos africanos migraram para civilizar o planeta antes que os habitantes da Europa estivessem em estágios de desenvolvimento científico. Da África, as populações humanas aprenderam a dar os primeiros passos civilizatórios e científicos.

Contudo, com o regime de escravidão os africanos e seus descendentes na América foram privados de importantes conhecimentos ancestrais, ao passo que conhecimentos pedagogias racistas baseadas na ausência da ancestralidade, na negação do nosso passado em África e no aprendizado forçado da história e ideologias européias, foram impostos como únicas e verdadeiras.

Nas escolas, ensina-se que a nossa história começa com o maldito tráfico negreiro. Somos adjetivados somente como descendentes de escravizados. Omite-se, ainda, a relatar que nossos ancestrais foram prisioneiros de guerra e covardemente seqüestrados com o apoio de duas grandes religiões o cristianismo e o islamismo.

É de suma importância que esta pedagogia seja reelaborada, e a história apresentada anterior às guerras dos invasores europeus em África.

Nessas importantes reelaborações da história mundial, antes da influência da pedagogia eurocêntrica, diversas mentiras, tidas como verdades, estão sendo desmitificadas. O historiador e dramaturgo Mali Gaoussou Diawara tem organizados diversos trabalhos que propiciam essa releitura.

Mali Gaossou Diawara, natural do Mali, nasceu em Ouelessebougou, a 80 km ao sul de Bamako, estudou o ensino primário e secundário no Mali, jornalismo e letras na extinta União Soviética e também o seu doutoramento (Ph. D) (Especialidade em Dramaturgia). Ele é o autor de trabalhos premiados, várias peças teatrais são apresentadas e estudaras em escolas e universidades, no Mali. Diawara é um Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito da França, Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito do Mali, vencedor do Prêmio UNESCO para a poesia e prêmio drama Cross-Africano.


Diawara afirma em seus escritos que os africanos “descobriram” a América quase dois séculos antes do desembarque fatídico do judeu Cristóvão Colombo. Em suas pesquisas, têm informado e explicado que o silêncio dos griots, os maiores historiadores da história oral africana, tem-se quebrado, paulatinamente, no intuito de divulgar a história de Abubukari II e sua saga pelo Oceano Atlântico.
Griots do Mali

Até então, a fascinante história de Abubakari II tem permanecido resguardada e esquecida, por ele ter renunciado ao trono do Império de Mali.

Seu sucessor, Kankan Mansa Musa, o décimo imperador Mansa, ou imperador do Mali durante seu auge no século XIV, entre os anos de 1312-1337, tornou-se famoso por ser um dos grandes benfeitores do conhecimento em Timbuktu.

Durante o período do reinado de Mansa Musa, houve um crescimento do nível de vida urbana nos grandes centros do Mali, especialmente em comparação com o relativo atraso da Europa. Musa fez do Mali um dos principais centros mundiais de conhecimento, estrutura urbana e riquezas.

Mansa Musa também ficou conhecido por sua peregrinação a Meca, onde constituiu uma caravana com mais de seis mil pessoas, incluindo mais de cem camelos carregados com mais de 300 kg de ouro cada.

Ao contrário de Mansa, Abubakari II possuía uma sede insaciável por conhecimento. Diawara o descreve como um monarca Africano que abdicou do trono em 1311 e partiu para descobrir se o Oceano Atlântico, era grande como o grande rio Níger. A meta do imperador malinês era descobrir se o oceano Atlântico tinha outra margem - como tinha o rio Níger, que cortava os seus domínios.

A saga de Abubakari II não foi aceita por seus conselheiros, que instruíram aos griots que não relatassem sobre esta grande proeza. Contudo, as pesquisas de Diawara têm trazido à tona uma riqueza de informações sobre grande parte da história do império de Mali, que foi deliberadamente ignorado pelos griots, tornando-se mais uma das provas incontestes do desenvolvimento cientifico africano.

Pesquisadores afirmam que a frota de Abubakari II era formada de 2.000 barcos carregados com homens, mulheres, alimentos para o gado e água potável, partindo do que é a costa de Gâmbia atual. O imperador Abubakari II deu-se todo o poder do ouro que possuía, em buscar o conhecimento e descoberta no Grande mar além do rio Níger, nunca mais voltando a sua terra natal e provavelmente se estabelecido com o seu povo nas Américas.

Abubakari II, também era conhececido como Mande Bukari, vivia próximo da mais completa universidade do mundo, a época, na cidade de TIMBIKUTU, sede da Universidade de Sankoré.

Timbikutu
De acordo com Mark Hyman, autor do livro - Blacks Before America-, Abubakari II estava interessado em histórias de estudiosos de um "mundo em forma de cabaça, o grande oceano a oeste e o novo mundo para além desse. Hyman afirma que os maleses entrevistaram navegadores e construtores do Egito e de cidades do Mediterrâneo, decidindo construir seus próprios navios na costa da Senegâmbia. Os preparativos para a viagem incluiu carpinteiros, ferreiros, navegadores, mercadores, artesãos, joalheiros, tecelões, mágicos, adivinhos, pensadores e o militares, e que todos os navios puxaram uma fonte de barco com os alimentos por dois anos, carne seca, grãos, frutas em conserva em potes de cerâmica, e de ouro para o comércio.

Diawara realiza em seu livro, Abubakari II, Explorador Mandingo (tradução livre de Abubakari II, Explorateur Mandingue), a síntese de mais de vinte anos de pesquisa sobre o imperador, que em 1312 renunciou voluntariamente ao poder de vasto império no Oeste Africano.

As pesquisas de Diawara, embasadas em provas arqueológicas, lingüísticas e na tradição oral dos griots, comprovam, mais uma vez, a presença Africana nas Américas antes da chegada dos invasores europeus.

Segundo Tiemoko Konate, um dos pesquisadores que trabalham com Diawara, a frota de Abubakari teria ancorado na costa do Brasil, no local hoje conhecido como a cidade do Recife, in verbis:

“Seu outro nome é Purnanbuco, o que acreditamos é que é uma aberração do Mande para os campos do rico ouro que representavam grande parte da riqueza do Império Mali, Boure Bambouk.”

Konate também cita testes, semelhantes aos descritos por Ivan Van Sertima, mostrando que as pontas de lanças de ouro encontradas por Colombo nas Américas, foram forjadas de ouro originalmente de Guiné no Oeste Africano.

Van Sertima descreveu como, de acordo com os próprios escritos de Colombo, as pessoas que viviam na ilha de Hispaniola (mais tarde, Haiti e República Dominicana) eram negras, corroborando com os estudos de Diawara, verbis:

"as pessoas de pele negra tinham vindo do comércio sul e sudeste em ouro lanças feitas de metal. Colombo enviou amostras destas lanças de volta à Espanha para ser testado, e foram considerados idênticos em suas proporções de ligas de ouro, prata e cobre, lanças, em seguida, sendo forjado no Africano da Guiné. Fernando, filho de Colombo, disse que seu pai havia lhe dito que tinha visto pessoas negras norte do que hoje é Honduras.”

Van Sertima, em seu trabalho mais famoso: They Came Before Columbus, dividiu a presença africana nas Américas em distintos períodos históricos, a saber:

Primeiro, entre 1200 e 800 a.C, quando os núbios e os egípcios chegaram ao Golfo do México e trouxeram a escrita e a construção de pirâmides.

Segundo, em 1310 d.C, quando a civilização mandinga se estabeleceu no México, Panamá, Equador, Colômbia, Peru e diversas ilhas do Caribe.

Comparação entre núbios e monumento dos Olmecas no México

Nesse sentido, alguns pesquisadores acreditam que a população Garifuna da América Central é descendente da expedição de Abubakari II.

Garifunas da América Central

As pesquisas afrocêntricas têm derrubados mitos, mentiras e desvirtuações da história da humanidade realizadas por estudiosos ocidentais e suas academias serviçais da manutenção da supremacia européia. Contudo, diante das incontestes provas arqueológicas e históricas evitam o debate e ficam enfezados (em fezes) quando os cientistas afrocêntricos descrevem os fatos livres da manipulação supremacistas europeus.

Imagem que simboliza a presença de africanos na América 500 anos antes dos Europeus

Recomenda-se que se leia o artigo - O Preto na América antes da Invasão Européia -, que contem outros estudos da presença africana na América desde tempos imemoriais.

Por fim, você já deve ter participado de encontros, seminários, cursos e reuniões e os descendentes de europeus sentem prazer em nos ensinar à história conforme a visão deles; não gostam de serem contestados, se sentem senhores do conhecimento, como os seus ancestrais se sentiam donos do escravizado. Apropriaram-se do conhecimento dos mestres como fizeram com os ensinamentos de KMT e introjeteram que o mundo deve ser estudado a partir do surgimento de suas civilizações na Europa. Não podemos mais aceitar esse disparate contra a inteligência e a memória da humanidade.

Shalom!

domingo, 15 de agosto de 2010

VERDADEIRO PAI DA MEDICINA – IMHOTEP OU HIPÓCRATES?





Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano



"No Egito, os homens são mais hábeis em Medicina do que qualquer outra da espécie humana". Homero, em Odisséia.



Na historiografia, o erro crucial é a falsificação da história africana, realizada por autores do eurocentrismo, problema identificado por Cheik Anta Diop em seus diversos escritos. Este vilipêndio foi programado e com objetivos perversos; a falácia do eurocentrismo tentou apagar da memória mundial a verdade histórica, e afetar psicologicamente os africanos e afro-diaspóricos, conseguindo êxito na diminuição da auto-estima de bilhões de pessoas. A denúncia desta perversidade eurocêntrica é um dos caminhos que todo historiador na África ou em diáspora deve participar, desenvolvendo e tendo em prática a afrocentricidade.

Fico deveras preocupado quando ouço intelectuais pretos se gabarem de possuir conhecimentos de proeminentes teóricos europeus que criaram, decretaram e difundiram a inferioridade intelectual dos africanos, exemplos: Voltaire (1694-1778), Cuvier (1769-1832), Gobineau (1816-1882) Lévy-Bruhl (1857-1939) Hume (1711-1776) Kant (1724-1804) Hegel (1770-1831), entre outros.

Já participei de debates onde doutores afro-diaspóricos cheios de empáfia se apresentam como weberianos, marxistas, gramscinianos, pós-modernistas, e diversas outras adjetivações, combatendo o conhecimento afrocêntrico. Lembro da frase muito peculiar de Malcolm X:

“É preciso ter muito cuidado, muito cuidado mesmo, ao apresentar a verdade ao homem preto que nunca antes ouviu a verdade a respeito de si mesmo, de sua espécie e do homem branco”.

O filosofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel afirmou:

“A África, na história, ficou reclusa, sem conexão com o resto do mundo, é a terra do ouro, recolhida em si mesma, o país da infância, que além da época da história consciente, está enterrada na escuridão da noite.”


Presunçoso, racista e desinformado este filósofo alemão, desconhecia o grande conhecimento preto-africano, se o conhecesse não escreveria esta asneira (asno).

Nesta falsificação da história foi necessário promover uma civilização branca ocidental, como símbolo do conhecimento, da sabedoria aonde todas as ciências se tornaram “racionais”. Elegeram a civilização helênica. Não satisfeitos tentaram mascarar a genes de todo o conhecimento humano: África.

Ignóbeis gregos que plagiaram os conhecimentos africanos antigos, mas, os documentos históricos os desmentem, os próprios escritos gregos são provas de onde obtiveram o conhecimento como meros aprendizes, os quais são corroborados com os monumentos e escritos feitos pelos reais criadores na África.

Dentre esses grandes plágios e absorções de conhecimentos a medicina africana foi uma das maiores vítimas, tema que discorrerei com as amadas e amados ledores deste blogger.

Hipócrates, Herófilo, Erasístrato (“pai da fisiologia?”), Galeno de Pergamo, reconheceram de que suas informações são Khemitas, estudadas no templo de Imothep, em Memphis.

Quando falamos em história da medicina, todo estudante das ciências médicas cita o grego Hipocrates, considerado o pai da medicina, líder da Escola de Cós, autor de vários tratados médicos, e sendo homenageado até hoje com “O juramento de Hipócrates” nas formaturas dos médicos e médicas, vejamos um trecho:

"As coisas sagradas devem ser ensinados as pessoas puras, é um sacrilégio se comunicar com pessoas de fora até que tenham iniciado nos mistérios da ciência. Palavras de Hipocrates repetindo os seus mestres das Escolas de Mistérios no Egito.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.” Juramento de Hipocrates.


HIPPOCRATES OF COS (THE FATHER OF MEDICINE)




As pesquisas históricas comprovaram que Hipocrates aprendeu medicina no Egito e plagiou diversos ensinamentos, entre eles, o diagnóstico de infertilidade feminina. Hipocrates sempre fora fiel aos ensinamentos, iniciado nos Templos de Thoth, dos seus mestres egípcios das Escolas de Mistérios.

O conhecimento da medicina chegou à Grécia em três momentos complementares. A princípio, as relações comerciais entre egípcios e os povos do Mediterrâneo levaram o conhecimento de sua avançada ciência em relação àqueles povos, principalmente aos gregos. Em seguida, espantados com os conhecimentos imensurável dos egípcios, os mesmos gregos, como Sócrates e Hipocrates, foram ao Egito aprender nas chamadas Escolas dos Mistérios. Por fim, a invasão de Alexandre e o roubo de preciosos documentos médicos que se tornaram excepcional fonte documental de estudos para os gregos nas ciências médicas e posteriormente para os romanos.

IMHOTEP – VERDADEIRO PAI DA MEDICINA

Antes de adentramos ao conhecimento real de Imhotep, vejamos algumas curiosidades sobre o verdadeiro pai da medicina:

São atribuídas obras arquitetônicas belíssimas a Imhotep, dentre elas se destaca a Pirâmide de Djoser (também chamada pirâmide escalonada ou dos degraus).

Observe agora o detalhe com o nome de IMHOTEP em hieróglifo, proveniente do complexo da pirâmide de Sakkara.

Entre outras coisas Imhotep também é atribuída à previsão e prevenção de uma fome de sete anos que veio sobre a terra, ele previu a fome depois de interpretar um sonho do faraó Djoser. Neste sonho do deus do Nilo falou ao faraó, e Imhotep foi o único que poderia interpretar o sonho. Qualquer pessoa com algum conhecimento básico da Bíblia notará imediatamente que esta história é idêntica à de José, o menino pastor que foi vendido como escravizado por seus irmãos, Joseph agora, depois de muitas tentativas finalmente chegou ao Egito, onde ele previu e, impedido, uma fome de sete anos, tornou-se o grão-vizir para faraó da época e em todo o Egito a única pessoa que estava acima dele, foi o faraó, similar à vida de Imhotep.


E, como não poderia deixar de ser, a Indústria branca do cinema hollywoodiana tem usado a chamada sétima arte para distorcer os fatos históricos africanos, e usaram a personagem Imhotep colocando como vilão, um ser perverso, mesquinho que ressuscita pensando no seu bem-estar e sem preocupações humanitárias. O ator do filme A Múmia e o Retorno da Múmia são o sul-africano Arnold Vosloo. No filme, Imhotep é condenado à pior de todas as maldições egípcias após ter se relacionado com Ank-Su-Namon amante do faraó Seti I, do qual era seu sacerdote. Assim, após um grupo de pesquisadores acordarem a múmia (Imhotep) de seu túmulo, as pragas do Egito caem sobre a cidade e a maldição sobre aqueles que o acordaram.



O verdadeiro pai das ciências médicas, Imhotep, viveu no Egito antigo em (2700-2670 a.C), o significado do seu nome é: "aquele que vem em Paz”. Foi também, administrador, teólogo, escritor, astrônomo e arquiteto.

Imhotep é um exemplo do culto da personalidade. Aproximadamente 100 anos após a sua morte, foi considerado como um semideus médico. Em aproximadamente 525 a.C., cerca de 2.000 anos após a sua morte, foi elevado à categoria de um deus, e substituiu Nefertum na tríade grande em Mênfis. No Cânon de Turin era considerado como filho de Ptah. Imhotep, conjuntamente Amenhotep, foi os únicos egípcios mortais que alcançaram o estatuto de deuses. Foi também associado com Thoth, deus da sabedoria, da escrita e da aprendizagem.

Patrono dos médicos, no Egito, endeusado na época e invocado nas orações, ele foi adorado pelos gregos como Asclépio e pelos romanos como Esculápio. Os pagãos - cristãos romanos o consideravam “Príncipe da Paz”. Imhotep viveu durante a Terceira Dinastia no corte do Faraó Zoser, Imhotep havia morrido 2500 anos antes do nascimento de Hipócrates. Foi honrado pelos Romanos e os imperadores Claudius e Tibério ordenaram que fossem feitas inscrições louvando Imhotep nas paredes dos seus templos egípcios.

Imhotep escreveu textos médicos, a ele é creditada a autoria do papiro de Edwin Smith, é a única cópia de parte de um antigo livro egípcio sobre trauma da cirurgia. O mais antigo escrito de literatura médica, e é o mais antigo documento cirúrgico do mundo. È considerado pelos grandes professores das ciências médicas ocidentais como o berço do pensamento analítico da medicina.

Possui mais de 90 termos anatômicos e 48 lesões são descritas, uma das grandes importâncias deste grande legado da medicina que contem 17 páginas riquíssimas sobre questões médicas- cirúrgicas da traumatologia, abordando diagnósticos e métodos de tratamento. Fez os primeiros prontuários médicos da história.

Um dos fatores que chama a atenção deste papiro é a descrição anatômica dos pés a cabeça, demonstrando vasto conhecimento sobre o coração, rins, bexiga, baço, fígado e ureteres que as escolas médicas da Idade Média seguiram e é usado até hoje nas escolas de medicina.


Fundou uma escola de medicina em Memphis, e diagnosticou e tratou mais de 200 doenças, entre elas: 15 doenças do abdômen, 11 da bexiga, 10 do reto, 29 dos olhos, 18 da pele, cabelos, unhas e língua. Também conhecia a posição e a função dos órgãos vitais e da circulação do sistema sanguíneo. Imhotep extraía os remédios das plantas.

ANCIENT AFRICA BY VAN SERTIMA PT 3



Imhotep entrou na história por seus conhecimentos médicos e vasta sabedoria. No Egito havia também a biblioteca Faraônica Imhotep, que armazenavam todos os seus tratados de medicina e cirurgia. Na Grécia os templos dedicados a ele se tornaram centros de estudos médicos.

O povo cantou provérbios séculos mais tarde após a sua morte e 2500 anos depois, havia tornado um deus da medicina, nos quais os gregos, que o chamam Imouthes, reconheceu o seu próprio Asclépio.

IMHOTEP, O MÉDICO



De acordo com Clemente de Alexandria, os Egípcios possuíam mais de 42 livros de Hermenêutica, e cerca de seis livros médicos, a saber: sobre a construção do corpo, sobre as doenças, sobre os equipamentos (o médico), sobre a medicação, os olhos (sobre doenças), sobre as condições das mulheres.

O maior compêndio de medicamento foi compilado por Hermes, um médico de origem grega que estudou no Egito, e constou de seis livros. O primeiro dos seis livros estava diretamente relacionado à anatomia, outro psíquico, outro de farmacologia e outros temas.

“A arte de curar está dividida. Cada tratamento médico de uma doença, e não vários, e tudo está cheio de doutores. Há médicos para os olhos, para a cabeça, os dentes, para o corpo e medicina interna.” Heródoto, Histórias, II, 84



THE LEGACY OF IMHOTEP




Detalhando inscrição egípcia instrumentos médicos, incluindo serras ósseas, ventosas, facas e bisturis, afastadores, escalas, lanças, cinzéis e instrumentos dentários.


A medicina em Kemet, segundo textos encontrados freqüentemente relatam que os médicos, eram: oculistas, dentistas que usavam fios de ouro e realizaram obturações com cimento mineral e outras técnicas foram amplamente usadas. Havia especialistas, incluindo médicos veterinários. A documentação é vastíssima sobre a medicina e muitos papiros foram encontrados trazendo a luz os conhecimentos africanos sobre a ciência médica, que descreve as doenças, e o tratamento aplicado em todas as áreas da medicina, incluindo ginecologia, cirurgia óssea e as queixas de olhos, entre outras doenças.





Os antigos egípcios inventaram também a prótese para os que nasciam com deformidade ou sofriam algum acidente. Em 2007, uma múmia feminina datada entre 1000 e 600 a.C foi encontrado um dedo protético criado a partir de madeira e couro.

Criaram os primeiros hospitais do mundo, os santuários de cura onde médicos e sacerdotes cuidavam dos doentes.

O estudo da anatomia e fisiologia mostra um grau de conhecimento do funcionamento do corpo humano, sua estrutura, o trabalho do coração e vasos sanguíneos.
Entre os diversos procedimentos do antigo estava à trepanação (cirurgia do crânio) e a cesariana.

O conhecimento médico no antigo Egito tinha uma reputação excelente, e os governantes de outros impérios solicitavam aos faraós egípcio de enviar-lhes o melhor médico para tratar os seus entes queridos. Se você vivesse no chamado “mundo antigo” o seu centro médico de referência seria Kemet (Egito). E se quisesse se tornar um bom médico ou médica iria estudar no Egito, país das melhores faculdades de medicina e dos melhores médicos do mundo. Na terra dos pretos você aprenderia com profundidade a medicina.

"Os egípcios eram hábeis na medicina mais do que qualquer outra arte." Heródoto.

No próximo número, a segunda parte deste artigo.

Shalom!

segunda-feira, 29 de março de 2010

AKHENATON E ÉDIPO - HISTÓRIA OU MITO - O PLÁGIO DOS GREGOS DA HISTÓRIA AFRICANA



Por Walter Passos,
Historiador,Panafricanista, Afrocentrista e Teólogo
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

 Facebook: Walter Passos
Skype: lindoebano



Pergunta da Esfinge?

"Que animal caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e três à tarde e, contrariando a lei geral, é mais fraco quando tem mais pernas?" Édipo conseguiu decifrar o enigma, dizendo que era o homem; ele engatinha quando bebê, anda com duas pernas ao longo da vida e precisa de um bastão na velhice. Ao ouvir a resposta, a esfinge, derrotada, jogou-se num abismo.

Sófocles, no século V a.C., narrou a história do personagem em três de suas obras mais notáveis: Édipo rei, Édipo em Colona e Antígona. O drama sofocleano suscita ilações em diversas culturas em diferentes épocas. Das numerosas obras para teatro baseadas no mesmo mito destacam-se, entre os romanos, o Édipo de Sêneca e, entre os clássicos, a tragédia publicada por Corneille em 1659. No século XX, o compositor russo Igor Stravinski criou o oratório Édipo Rei e os escritores franceses André Gide e Jean Cocteau retomaram o mito em obras literárias. especialmente no chamado “Complexo de Édipo. E não podemos esquecer de Shakespeare que em sua obra Hamlet relembra o mito, segundo os seus críticos.

NESTE MOMENTO DEVEMOS ATENTAR AO SEGUINTE FATO: TEBAS É CAPITAL DE KEMETE (EGITO ANTIGO) E TEBAS É O NOME DA CIDADE GREGA ONDE ESTAVA A ESFINGE NO MITO DE ÉDIPO.

Há muitas discussões sobre o tal “Complexo de Édipo”, Inclusive por intelectuais pretos na África e na diáspora. A peça teatral: ÉDIPO TIRANO: E SE UM HERÓI GREGO FOSSE NEGRO, dirigida por Ludmyla Pena e encenada pelo grupo teatral Cítero, composto pelo Coletivo de Estudantes Negros da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

A idéia de produzir a peça nasceu da leitura e interpretação da monografia apresentada por Rogério José, também ator da peça. Rogério José estudou as traduções da história de Édipo de 1789 até 2002. E nestas leituras, conforme explica, comparou uma das versões, a produzida pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. No estudo norte-americano, observou que nos versos 742 e 743, Jocasta descreve Laio, pai de Édipo, como um melas, ou seja, alguém que tem forte melanina, um negro. Ao verificar a tradução da obra de Édipo para a língua portuguesa, Rogério então constatou que a expressão melas não fora traduzida corretamente, mas sim foi aplicada a expressão megas, a qual representa que Laio fora um homem grande e forte. "Na verdade houve sim uma desconstrução do real sentido da palavra melas, porque na versão da peça em português há sim a omissão do termo para assim omitir que Laio e que Édipo pudessem ser gregos, mas não negros", destaca o ator.


Ainda não li a peça, mas concordo plenamente que os mitos gregos foram africanos, como foi relatado no artigo anterior, de que os africanos povoaram e civilizaram a Grécia, sendo assim toda a mitologia grega é de personagens cheias de melanina. Não só Édipo, Jocasta, Laio e todas as personagens desta tragédia foram pretas.

O complexo de Édipo é uma das teorias desenvolvidas por Sigmund Freud, um dos criadores da Psicanálise, traçando um paralelo de uma das fases do desenvolvimento humano com o mito de Édipo. Simboliza o espírito de "disputa" entre a criança e seu progenitor do mesmo sexo pela atenção do progenitor do sexo oposto. Em primeiro momento há um questionamento da aceitação desta tragédia grega como um problema universal, o qual não é verdadeiro, apenas reforça o eurocentrismo na base das explicações dos problemas sociais. A concepção freudiana de analise mental também não é universal e muito menos as suas propostas de superação.

Outra interpretação de Édipo desposar a sua mãe Jocasta conforme estudiosos foi acrescentada posteriormente na tradição helênica. Erich Fromm, um europeu contesta essa concepção universal de Édipo e discorda das ilações de Freud. Fromm acreditava que o mito estava relacionado ao problema do poder matriarcal anterior e o poder patriarcal vigente na época.
Do outro lado a questão de Édipo historicamente surge por causa de Crísipo, que envergonhado cometeu suicídio, após ser estuprado por Laio, pai de Édipo. A deusa Hera envia a esfinge a Tebas para punir a cidade. A punição sugere que a prática da pedofilia ou pederastia era censurada na sociedade helênica.

A questão levantada por esse mito é: Por que Crísipo se mataria se o amar um homem fosse uma prática aceitável na sociedade helênica da época? As conseqüências desse ato de Laio trouxeram uma maldição sobre a sua família de consequências trágicas.

A sociedade grega posterior tinha uma concepção de sexualidade diferente de outras sociedades africanas da época, praticava a pederastia.

Um afresco de um túmulo em Paestum, uma colônia grega na Itália, representando casais pederastas.

O Batalhão Sagrado de Tebas, famoso por suas vitórias, era formado por 150 pares de amantes homoafetivos, ou seja, 300 homens.

Se houvesse maneira de conseguir que um estado ou um exército fosse constituído apenas por amantes e seus amados, estes seriam os melhores governantes da sua cidade, abstendo-se de toda e qualquer desonra. Pois que amante não preferiria ser visto por toda a humanidade a ser visto pelo amado no momento em que abandonasse o seu posto ou pousasse as suas armas. Ou quem abandonaria ou trairia o seu amado no momento de perigo? Platão (428 a.c - 348 a.c)

A mulher na sociedade helênica era um simples objeto, não sendo considerada cidadã, bem diferente das mulheres das civilizações do Vale do Nilo e de outras regiões africanas as quais eu tenho conhecimento.

Menandro, dramaturgo ateniense escreveu:
- "Ensinar uma mulher a ler e escrever? Que coisa terrível de se fazer! Como alimentar uma cobra de mais vil veneno.”

O mito de Édipo tem estudos que sugere mais um plágio da história de Kemete, através de Immanuel Velikovsky nascido em 1895 de uma família próspera judaica, em Vitebsk, Rússia (agora na Bielo-Rússia), aprendeu várias línguas, graduado em língua russa e matemática, após viajar pela Europa e Palestina matriculou-se na Universidade de Moscovo, e recebeu um diploma em medicina em 1921.

De 1924 -1939 Velikovsky viveu no Mandato Britânico da Palestina, e praticou a medicina (prática tanto geral e psiquiatria), e também a psicanálise (ele estudou com o aluno de Sigmund Freud, Wilhelm Stekel em Viena).

Residindo nos EUA escreveu diversos obras polêmicas e através da influência do livro Moisés e o Monoteísmo de seu antigo mestre Sigmund Freud, publicou Édipo e Akhnenaton, afirmando que a história do faraó egípcio Akhenaton foi a origem da lenda grega de Édipo, e que Amenófis III era Laio, e Tutankhamon foi Etéocles.

Nas comparações feitas por Velikovsky o mito grego foi mais um plágio da história real Kemete. Ele afirma através de suas pesquisas documentais que o verdadeiro a história de Édipo não foi um mito como acreditava Freud, mas uma personagem histórica que habitou em Kemete: Akhenaton.

Neste momento devemos atentar ao seguinte fato: Tebas é uma cidade de Kemete e Tebas é o nome da cidade grega onde estava a esfinge no mito de Édipo.

Akhenaton um faraó da XVIII dinastia de Kemet, que governou por 17 anos, iniciando o seu governo entre 1370 a.C a 1358 a.C filho de Amenhotep III e da Rainha Chefe Tiye. Seu irmão mais velho, o príncipe Tutmés morreu quando ambos eram crianças. Akenaton foi notável em abandonar o politeísmo tradicional e a introduzir a adoração centrada em Aton, às vezes é descrito como monoteísta ou henoteísta. Fundou uma nova capital para Kemete, a cidade de Armana.

Immanuel Velikovsky encontra um paralelo entre a família de Akhenaton e a família de Édipo, rei de Tebas - sua cegueira e o exílio, sua maldição sobre seus filhos, que posteriormente mataram uns aos outros nas portas de Tebas, e a coragem de sua filha, Antígona, que sepultou seu irmão caído, apesar do decreto oficial contrário e ficou enclausurada em um túmulo como punição. Dr. Velikovsky descobre e analisa as semelhanças entre o mito e a realidade, ele resolve uma série de mistérios sobre os túmulos no Vale dos Reis, terra de Tutankhamon e seu famoso enterro, que há muito intriga os arqueólogos, e traz a vida todos os números de ambas as tragédias antigas.

Há um divisor de águas muito profundo sobre o Mito de Édipo Grego e a sua versão anterior em Kemete, simplesmente porque a história de Akhenaton é ainda muito controversa. A primeira delas foi a esfinge feminina alada de Tye (mãe de Akhenaton), copiada pelos gregos, que introduziram as esfinges aladas na sua mitologia.

Não há túmulos convincentes ou locais de sepultamento para os participantes na tragédia grega, onde supostamente foram encontrados.



O Édipo rei, é um personagem inocente, obrigado a viver fora de sua família e posteriormente comete o parricídio inconscientemente e desposa a própria genitora. No caso de Akhenaton, Velikovsky chama a nossa atenção para a idéia de que o histórico Amenófis IV (Akhenaton) condenado à nascença, por causa de uma profecia sinistra que ele iria matar seu pai e os herdeiros com sua mãe, ele foi criado em uma terra distante no exílio, provavelmente com os parentes reais em uma região na Pérsia ou próxima, onde o incesto mãe-filho estava em voga. Voltando a Tebas (Kemete) reivindica sua realeza, alguns dizem que por ter assassinado seu pai, teve filhos com sua mãe, como profetizou ele sabia que a rainha Tiy (Kiya) foi a sua mãe. Acreditava-se que o incesto que trouxe uma praga sobre a sua cidade capital, para que seus súditos o expulsou, cego, para o deserto. Esta pode ser a história de Akhenaton.

Na tragédia grega, Édipo mata o pai em uma região desolada, onde três estradas se cruzam. Mesmo fato ocorreu no cruzamento de 03 caminhos em Kemete com Akhenaton.

Quando os sacerdotes de Amon da cidade de Tebas (os gregos plagiaram e chamaram Zeus) desaprovaram o casamento de Amenófis IV com a sua mãe, a recém-viúva rainha Tiy, ele substituiu o culto de Amon para o culto de Atom (O Disco Solar). Fato ocorrido com a desaprovação da homossexualidade em Tebas pela esfinge, representante da deusa Hera, e a ascensão do deus patriarcal Zeus que era um bissexual e gostava de meninos novos com a vitória de Édipo. Será que o mito de Édipo foi uma vitória da prática homossexual em Tebas e a derrota do poder matriarcal de Hera sendo substituída por Zeus?

A questão do incesto ocorre na história de diversas civilizações, entre os hebreus é notória a história de Ló que manteve relações com as filhas. Na mitologia yoruba Exu tenta manter relações sexuais com Yemanjá, sendo salva por seu outro filho Ogum, há a tentativa do incesto não realizado.

Apesar dos egiptólogos não terem conclusões definidas da vida de Akhenaton e muitas hipóteses irão ainda surgir sobre a sua vida e, há argumentos específicos que comparados ao Édipo grego são deveras interessante:

1- As esculturas de Akhenatom mostram que tinha os membros inchados e Édipo em grego significa “pés inchados”

2- As inscrições sugerem que desposou a sua mãe Tye e com ela gerou descendência, mesmo ocorrido com Édipo que a desposou sua mãe Jocasta e procriaram dois filhos e duas filhas.

3- Há especulações por causa do túmulo de Tye a sua morte foi proveniente de suicídio e Jocasta suicidou.

4- Há especulação seque Akheneton ficou cego e foi peregrinou com a sua Meritaten a qual teve uma morte drástica. Antigona, filha de Édipo foi enterrada viva.

5- A história conta que Akhnetom desapareceu e Édipo foi retirado da terra pelas Êumenidas, as desusas da vingança.

A vida dos faraós de Kemete (Egito Antigo) era conhecida pelo chamado mundo antigo e foi relatada através do poderoso comércio, das conquistas, da colonização de outros territórios fora da África, mas migrações africanas. Os grandes dramaturgos gregos e romanos aproveitavam histórias reais e criaram as suas peças teatrais, repetido por grandes escritores até os dias atuais.

Na nossa comunidade há um desejo incontido, um fetiche que envenena, e a satisfação de sentir-se inserido nas concepções eurocentradas. Evidente de que os estudos dos mitos europeus e as tentativas de comparação para a superação dos problemas da comunidade afro-diásporicos são imanentes. O que demonstra que esta necessidade de comparação e inserção, revela que a nossa mitologia é desconhecida, resultando na negação do passado.

Se encontrar nos mitos europeus, nas suas cosmogonias, religiões e filosofias aliadas a psicanálise na procura de respostas para as vivências não escravizadoras das mitologias africanas, das ciências não europeias, reflete em desejos de uma sociedade que supere a opressão de gênero, o racismo, os conflitos entre pais e filhos, a violência urbana, o encontro entre nós sem o desejo insano de competitividade, o qual nos separa e reforça as forças da discriminação e opressão. Urge o conhecimento das mais antigas sociedades africanas e como enfrentaram os seus conflitos, porque delas descendemos e com certeza poderá nos trazer explicações mais próximas aos nossos anseios e esperanças.

Shalom!!!


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