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sábado, 28 de julho de 2012

KENNETH BANCROFT CLARK – A PSICOLOGIA REVELANDO O RACISMO




Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita

Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Quando eu ministrava aulas nas 5ª e 6ª séries do ensino fundamental, dançava reggae e cantava com os estudantes para a descontração deles, porque naquela idade eles são bem ativos, sendo necessários estes intervalos em plena aula para que possam balançar o corpo em um espaço que mais parece uma prisão. Em uma escola de maioria de pretos e pretas, o reggae era uma maneira de expressar a africanidade, balançar o corpo e fazê-los sorrir. Os outros docentes não aprovavam o minha didática porque acreditavam no silêncio monástico europeu que está embasada a educação nos bairros pretos.


Um dia resolvi inovar e levei “Lola” uma boneca preta da minha filha Vanessa para uma turma de 5ª série. Coloquei a boneca na mesa e a reação dos estudantes foi de estranheza. Perguntei a uma estudante, na época com 11 anos de idade, se ela desejava carregá-la e a mesma recusou, porque era uma boneca turututu.

A menina da época já é uma mulher e mãe de família e sempre quando a vejo, pergunto:

- E a boneca?

E ela sorri.

Foi um momento especial de reflexão, porque apesar de conhecerem o reggae e músicas de blocos afros de Salvador, os estudantes consideraram a boneca feia. Aproveitei a oportunidade e comecei a conversar sobre identidade e discriminação racial, resultando em um trabalho maravilhoso.

Atualmente em redes sociais ex-estudantes me adicionam relembrando das minhas aulas e agradecendo por terem se aceitado como pretas e pretos. Esta é a minha maior recompensa como educador.

Infelizmente, todas as crianças pretas conhecem a discriminação racial e que em muitos casos inicia-se no seio familiar com as próprias mães e irmãs quando ensinam que elas têm os cabelo ruins ou duros, e precisam melhorar as aparências, criando no psique das criança um questionamento acerca da sua beleza e autoestima, culminando na negação da sua africanidade.

Nestes últimos dias foram relatados atos de discriminação racial com crianças, e comentado pela mídia. O caso da menina de quatro anos de idade adjetivada de preta e horrorosa por uma avó de um menino com a qual a criança havia dançado quadrilha junina. O outro fato denunciado nas redes sociais foi sobre o personagem Cirilo, e a internauta Sara Santos descreveu:

Cirillo da Novela:
- O garotinho negro que
se apaixona pela garota branca e é rejeitado (garota essa que odeia os pobres) Sofre feito um "cão", vive em conflitos por conta da cor e rejeição. Em uma cena da novela diz: se eu fosse branco minha vida ia ser melhor... frases desse tipo.

Psicologicamente as crianças são as maiores vítimas do racismo. Nos USA, um proeminente psicólogo comprovou que o racismo leva as crianças a uma baixa autoestima e sobre o seu trabalho teço alguns comentários:

Kenneth Bancroft Clark nasceu no na Zona do Canal do Panamá em 1914, filho de Arthur Bancroft Clark e Miriam Hanson Clark. A sua mãe trabalhava como costureira e almejava para os filhos uma vida de melhor oportunidades e planejou ir para os USA, o que gerou discordância com o seu marido, ocorrendo à separação do casal. Ela voltou aos USA e foi residir no Harlem, e Kenneth frequentou a escola publica, quando chegou ao nono ano um conselheiro sugeriu que ele fosse estudar em uma escola profissional, e quando a sua mãe soube disso foi à escola e disse que não voltou para Nova York para o seu filho trabalhar em uma fábrica. Grande exemplo de mulher preta que criou os seus filhos sozinha e lutou para que o seu filho se tornasse um grande homem. O seus estudos futuros foram na George Washington High School, e após a conclusão do curso foi para Universidade de Howard (Universidade Preta), e almejava estudar economia, mudando de ideia após assistir uma aula de psicologia que o ajudou a entender melhor o racismo, e convenceu também a Mamie Phipps estudante de física e matemática, sua futura esposa, a estudarem psicologia.

Os dois estudaram os efeitos do racismo sobre a identidade e a autoestima de crianças em idade escolar em uma época de segregação nas escolas e vigor do Jim Crown http://cnncba.blogspot.com.br/2007/11/rosa-parks-mulher-que-transformou-uma.html (artigo escrito em 2007 por Ulisses Passos, a época estudante de Direito, atualmente advogado).

Foram fazer o doutoramento na Universidade de Columbia e continuar o trabalho sobre os efeitos psicológicos do racismo.

Realizou projetos importantes na área de psicologia e educação, ministrou aulas no Hampton Institute na faculdade de New York. Foi também Nomeado professor visitante em Harvard, Columbia e da Universidade da Califórnia, Berkeley, escolhido membro do conselho de curadores da Universidade de Chicago e na Universidade de Howard, e vencedor de inúmeros prêmios, incluindo em 1961 a Medalha NAACP Spingarn. Clark também foi instrumental no estabelecimento do Metropolitan Applied Research Center e do Centro Conjunto de Estudos Políticos, instituições dedicadas a fazer pesquisa em ciências sociais relevantes para o movimento dos direitos civis e para o processo de mudança social. Foi o primeiro preto a ser eleito presidente da American Psychological Association.
Os seus principals livros foram: Prejudice and Your Child (1955), The Negro Student at Integrated Colleges (1963), Dark Ghetto (1965), A Relevant War Against Poverty (1968), A Possible Reality (1972), Pathos of Power (1975).

Clique e leia o livro: The negro Student at integrad Colleges.

O reconhecimento do seu trabalho começou em 1946, ao fundar o Centro de Desenvolvimento Infantil Northside. Um dos seus trabalhos mais importantes foi a análise da patologia do racismo e os danos psicológicos, formulando uma pesquisa
intitulada Teste de Auto-Percepção com crianças mostrando quatro bonecos idênticos, sedo dois brancos e dois pretos, convidando as crianças para escolher os melhores, o que era bom e o que era ruim e com qual elas preferiam brincar. Estes testes foram aplicados em diversas regiões dos USA e o resultado foi a comprovação de que o racismo afetava as crianças pretas, porque a maioria preferia as bonecas brancas e rejeitava as bonecas pretas. A conclusão foi de que o racismo afetava o desenvolvimento psicológico, a personalidade, elas tinham a baixa autoestima e uma negação da ancestralidade africana. O belo e o bom era o branco, o feio e o ruim era o preto. Grande desafio que a comunidade preta teve que enfrentar para criar mecanismos que garantissem o amor a africanidade das crianças.
Brancos e Negros - Psicologia


Este trabalho teve um reconhecimento memorável pelas organizações pretas como a NAACP (Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor) após a apresentação de um relatório para Casa Branca sobre os problemas da juventude minoritária em 1950. Os estudos deram subsídios para a NAACP enfrentar a segregação nas escolas estadunidenses, que em 1954 caso em que o Tribunal de Justiça declarou as leis estaduais que estabelecem diferentes escolas públicas para estudantes negros e brancos inconstitucionais. Clark e seus colegas argumentaram que a segregação tende a criar nos sentimentos negros filhos de inferioridade, auto-rejeição, e perda da autoestima, que afetou negativamente o capacidade de aprender.

A vida de Kenneth Bancroft Clark além das atividades acadêmicas foi de participação ativa nas lutas pelos direitos civis, inclusive teve encontros com Malcom X e Martin Luther King.

Malcolm X - Interview with Kenneth Clark - Part 3


Martin Luther King, PBS interview with Kenneth B. Clark, 1963



“De acordo com Tomes Dr. Henry, diretor-executivo da American Psychological Association (APA), o legado de Clark é considerado como os dos gigantes da psicologia: Sigmund Freud, Pavlov Ivan e BF Skinner.

No fim de sua carreira, Clark admitiu que ficou decepcionado com a persistência da segregação de fato a educação e inferior para muitos negros. Quando fui visitá-lo em meados dos anos 1970 que procuram ideias para o estudo de comunidades negras na Grã-Bretanha, ele confidenciou que ele havia subestimado a gravidade do racismo. Era uma ilusão acreditar que a maioria dos brancos estavam procurando uma maneira de sair do pântano da segregação, disse ele.”
Thomas L. Blair

Faleceu em Hastings-on-Hudson, Nova York em maio de 2005 e deixou um legado importante nos estudos da psicologia e na luta contra o racismo.


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sexta-feira, 25 de maio de 2012

RELEMBRANDO A PUNIÇÃO: RACISMO E CASTIGOS NA ESCOLA



Por Malachiyah Ben Ysrayl.
Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
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Ednei, uma criança de dois anos de idade, filho da minha sobrinha, estudou em uma escola e foi vítima de uma pedagogia equivocada: Ficou de pé com o rosto na parede na sala de aula em frente a outros coleguinhas da mesma idade. A “professora” alegou como motivo:

- “Ele é muito teimosinho, por isso ficou de castigo”

E quando a mãe ia buscá-lo a “educadora” comentava baixinho:

- “Graças a Deus que ele vai embora”.

Após ouvir conselhos, a minha sobrinha o transferiu para outra escola com mais recursos pedagógicos. Este fato aconteceu em 2012, com uma criança, pessoa hipossuficiente que precisa ser respeitado e representado em todos os seus atos:

O Estatuto da Criança e do Adolescente, lei 8069/90, dispõe acerca da proteção integral a crianças e adolescentes, e versa em seus artigos :

"Art. 18 - E dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

Art. 53 - A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:

I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II. direito de ser respeitado por seus educadores;
III. direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
IV. direito de organização e participação em entidades estudantis;
V. acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.”

Corroborando com a determinação legal, os estudos psicopedagógicos também descrevem ser essencial ao desenvolvimento das crianças um tratamento emocional e moral dignos, como se extrai do trecho abaixo:

"De acordo com Vygotsky (2007), é a partir dos dois aos cinco anos de idade, que as crianças aumentam a qualidade de discriminação perceptiva em relação ao próprio corpo. O repertório de habilidades motoras aumenta com a compreensão mais exata, uma locomoção mais coordenada o que facilita a exploração do meio. As atividades psicomotoras auxiliam as crianças a adquirirem noção de espaço, lateralidade, orientação em relação a seu corpo às pessoas e objetos. O ritmo traduz uma organização dos fenômenos sucessivos, tanto no plano da motricidade, quanto no plano da percepção dos sons emitidos no curso da linguagem (LE BOUCH, 1998, p. 100)
.
Os educadores têm necessidade de conhecer todos os aspectos do desenvolvimento da criança, para colocar em prática um trabalho global, dinâmico, flexível, e, sobretudo, recreativas, para atender as suas reais necessidades determinadas pelo nível de maturação."

http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-psicomotricidade-na-educacao-infantil-e-sua-importancia-4998429.html

Comentando com o meu filho sobre o meu sobrinho-neto, aproveitei e relembrei as escolas domésticas onde as crianças eram alfabetizadas nas residências dos professoras, que usavam o espaço larário para o aumento da renda familiar, suprindo a falta de escolas particulares e públicas naquele tempo.

As educadoras, em sua grande maioria, não possuíam formação acadêmica e nem o ensino secundário ou o normal, curso profissionalizante de segundo grau para a formação de professoras primárias, muitas delas haviam cursado as séries iniciais do antigo ginásio (5ª a 8ª séries) - hoje, ensino fundamental II - e, para a época, significava um grande conhecimento intelectual.

Relatei as práticas pedagógicas baseadas na violência física e psicológica. Fatos que possivelmente ainda ocorrem em algumas cidades interioranas e bairros considerados periféricos, não posso afirmar categoricamente por falta de dados.

Interessante que os castigos sofridos por crianças da minha geração ficaram nas memórias, formou-se gerações vítimas de uma educação equivocada e baseada nos castigos sofridos pelos nossos ancestrais escravizados em território brasileiro.

As punições aos estudantes eram injustas e excessivas, criavam o terror nas mentes dos educados, e muitos deles preferiam não ir às escolas. Estes que conseguiram estudar em escolas domésticas ainda foram privilegiados, porque muitos não puderam dar prosseguimento aos estudos por necessitar contribuir com a economia doméstica, tendo que trabalhar ainda bastante jovens. Na verdade, eu ainda fui um privilegiado por meus pais poderem pagar escolas domésticas, estas permitiram a continuidade dos estudos em escolas mais aprimoradas.

Aos seis anos de idade, devaneava com alguns colegas se a escola pegasse fogo, por fim, não seriamos vítimas dos castigos. Nunca sofri castigos corporais, mas as humilhações foram diversas.
Entre os diversos castigos e humilhações, sofridas pelos alunos, recordo-me destes:

Reguada, beliscão, cascudo, puxão de orelha, palmatória, ajoelhar no caroço de milho cru ou tampinha de garrafa (a criança a ser punida se ajoelhasse com os joelhos nus sobre grãos de milho cru ou tampinha de garrafa. Para além de uma elevada humilhação o castigo produzia dor muito intensa, pungente localizada e deixava graves vestígios na pele dos joelhos, tais como hematomas profundos e, se a duração do castigo fosse elevada, feridas abertas), humilhação em pé de cara na parede com um par de orelhas de burro na porta da escola (exposição pública do erro e tornava chacota para os colegas) , proibição de ir ao banheiro (diversos alunos faziam as necessidades fisiológicas na roupa, imaginem a vergonha) e de merendar (os que levavam a merenda sofriam, mas muitos nem merenda possuíam), ficar de castigo depois da aula (muitos apanhavam dos pais quando chegavam em casa), Vassourada (agressão com o cabo de vassoura na cabeça), entre outros.

Os meus estudos foram todos no estado do Rio de Janeiro, e na minha infância, uma professora sempre dizia que eu era baiano, porque os meus pais eram de Salvador. Preto, baiano e macumbeiro e eu ficava triste por ser epitetado de todas essas formas. Certa vez, minha mãe, para me livrar dos constantes abusos que sofria, levou a minha certidão de nascimento para comprovar que eu não era baiano, e sim, carioca. Hoje, ao repensar aquela situação, sentiria orgulho de ser alcunhado de baiano, pois toda minha ancestralidade e africanidade está na Bahia, terra que vivo há mais de 30 anos.

Alguns anos da minha infância, residi no bairro da Liberdade, em Salvador/BA e convivi com uma experiência interessante:

O hábito de pedir a benção aos mais idosos, e as lindas senhoras sentadas nas portas das casas nos esperavam e ai daquele que se esquecia de pedir a benção. No dia seguinte, via o resultado do pretenso “esquecimento”, pois elas comunicavam as “comadres” (as nossas mães) o nosso ato de rebeldia, e consequentemente pagávamos pela falta de respeito. Um pedido de benção baseada também na submissão e no medo. Em Salvador,nas escolas domésticas possuíam o hábito conhecido como: Sabatina que ocorria em dias variados, especialmente nas terças-feiras, onde um aluno arguia o outro sobre a tabuada e o que errava tomava bolos de palmatória.

Os cadernos eram usados para os estudantes escreverem centenas de vezes as mesmas frases, exemplo:

- Não devo conversar na sala de aula. Devo fazer o dever de casa. Não devo responder a professora, etc.

- Alguns epítetos eram usados pelas educadoras, o mais comum era chamar o estudante de “burro”

"Vivenciou a palmatória" - Dona Tereza


Outro fato interessante ocorria com relação a mãe da Professora. Esta a substitua algumas vezes nos casos de sua ausência, mas sempre estava presente nas aulas, escondida as janelas, observando as conversas e não perdia tempo em manter o silêncio com um cabo de vassoura na cabeça do “conversador”. Outras ficavam na sala de aula monitorando as atitudes dos estudantes e pronta para entrar em ação, se houvesse a quebra do silencio monástico em sala de aula.

Os pais apoiavam esta didática e pediam para os filhos e filhas serem “exemplados”. Recordo-me que a mãe adotiva de um colega de classe da cor de ébano, adotado por uma família branca aonde era vítima constante de espancamentos e humilhações, chegou à escola com um quilo de milho para que a professora o colocasse de joelho, e no mesmo dia foi colocado em uma tábua com os caroços de milhos crus, e ele gemia com a dor produzida pelo castigo insano. Só que não resolveu, ele continuava a reagir e não conseguia ser alfabetizado. Exigiam dele uma docilidade de “preto no seu lugar” e na sua tenra idade era um “preto rebelde”. Então, o método de tortura foi aprimorado e a mãe adotiva juntamente com a professora trouxe uma tábua com tampinhas de garrafa. Foi castigado duramente como um preto recapturado na escravidão. Ele chorou de dor e por muitos dias andou de cabeça baixo. Este episódio me deixou bem assustado e após relatar a minha mãe este quadro demoníaco, ela me retirou desta "Casa dos Horrores".

Em algumas conversas com pais de estudantes que viveram este processo educacional, e os seus filhos não conseguem acompanhar o aprendizado, eles manifestam certo saudosismo pelo modelo educacional que passaram. Esta concepção de culpa é decorrente da filosofia judaico-cristã de um país com histórico de colonização e escravidão. Foram introjetados mecanismo de autopunição nos antigos estudantes e que se reproduz atualmente nos educadores que de maneiras diferentes acreditam na “incapacidade” e desinteresse dos educados de aprender e muitos educadores se punem, sem compreender que são vítimas de uma educação violenta, não pluralista e com ideais elitistas, apesar das escolas estarem fora do centro do poder.

Não condeno as antigas professoras das escolas domésticas, porque merecem o nosso respeito e agradecimento pela alfabetização. A pedagogia que seguiam fora repassada através das antigas educadoras e elas acreditavam que estavam fazendo o melhor, muitas amavam os estudantes e supriram a falta de investimentos na educação e dos direitos humanos. Foram as professoras da década de 60 do século passado.

Tenho boas recordações de duas professoras domésticas e as suas mães que nos tratavam com carinho como se fossem membros da família, acredito que as que castigavam e usavam de violência tinham problemas sérios de ajustamento social.

No Brasil, a educação manteve desde os padres-mestres os castigos como uma prática pedagógica aceita por educadores e pais para o aprendizado das crianças, infelizmente, os anos nas décadas passadas a tortura e a humilhação psicológica eram fatores determinantes para o aprendizado, deixaram lembranças de uma pedagogia do terror, que objetivava a domesticação e formação de pessoas acríticas , sem questionamentos, calados e submissos.

Assumo que não sinto saudades das escolas domésticas, mas, será que apesar do fim das torturas físicas a pedagogia é libertadora? E as humilhações psicológicas aos estudantes por causa da cor da pele se extinguiram?

Shalom!  

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terça-feira, 1 de maio de 2012

BECCA – A REVELAÇÃO MUSICAL DE GANA - NÃO A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


Por Malachiyah Ben Ysrayl.
Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
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Skype: lindoebanoLinkFacebook: Walter Passos

Rebecca Akosua Acheampomaa Acheampong, conhecida popularmente como Becca, é um dos mais novos multitalentos de Gana e de toda a África. Nascida em 15 de agosto de 1984, em Kumasi na região de Ashanti, Gana, África Ocidental.

É a quinta filha de uma família de nove irmãos, estudou na Inglaterra na London’s Croydon College, especializando-se em cuidado e educação infantil, retornando em seguida para Gana para aplicar seu aprendizado. Becca além de ser um afro pop, também é uma talentosa atriz, com um dos salários mais alto da África.

Vencedora de vários prêmios, ela tornou-se uma das vozes mais audíveis sobre os problemas que envolvem crianças carentes de Gana, participando de projetos sociais de apoio às crianças portadoras do vírus HIV e que estão em prisão. Becca tem sido aclamada pela crítica, não apenas por militar contra os problemas sociais de seu país, mas especialmente por suas lutas pelos direitos e especificidades das mulheres africanas. Em African Woman, Becca demonstra a sua sensibilidade e homenageia a força, caráter e a coragem da mulher africana. Assista esse belo clipe abaixo:

'AFRICAN WOMAN' - BECCA


SCORNED, um importante filme dirigido e produzido pela cineasta Shirley Frimpong Manso, retrata a violência domestica.



Na canção DAA KE DAA, Becca relata a violência doméstica, sendo o clipe com cenas do filme acima, vale a pena conferir:

DAA KE DAA





GMA 2011 - BECCA PERFORMS AFRICAN WOMAN
NO JUBILEU DE GANA:


África, celeiro inesgotável de musicalidade, força e beleza, conjugando em Becca uma das mais belas vozes, tanto por sua grande versatilidade vocal, movimentos dinâmicos e carisma, quanto pela defesa das crianças e mulheres africanas.

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domingo, 29 de janeiro de 2012

MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA- LIVRO INFANTIL POLITICAMENTE CORRETO - MESTIÇAGEM COMO IDEÁRIO DAS ELITES


Por Malachiyah Ben Ysrayl.

Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
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Sempre apreciei literatura infantil. Durante a infância até a adolescência, eu li e, muitas vezes, reli inúmeras revista em quadrinhos, livros infantis e recortes de jornais. Ainda hoje, assisto desenhos animados e continuo gostando de literatura para crianças.

Naquela época, eu não compreendia a ideologia intrínseca em cada uma daquelas publicações, e mesmo com a “visão de menino”, sabia que naquelas histórias eu não me encontrava - toda criança procura nos personagens uma identificação -, nelas eu apenas me embranquecia e concomitantemente com a discriminação racial vivida, eu vivia mergulhado em crises. Sem perceber, as mensagens simbólicas de poder sempre me colocavam como inferior em uma sociedade branca judaico-cristã.

Atualmente, neste afã mercadológico da nova literatura, leio os livros infantis como observador e crítico das mazelas que ocasionam para as crianças pretas, em especial aqueles livros escritos por pessoas que não estão inseridas na realidade dos africanos e seus descendentes no Brasil, nem conosco mantém compromissos étnicos-identitários.

Por desafios, aprendi a escrever contos na tentativa de suprir a fantasia dos meus filhos e filhas pretas, quando ao buscar, não encontravam uma literatura adequada e específica para crianças pretas naquele período, desta forma, eu mesmo tive que criar as histórias.

Quando meus filhos estavam pequenos, havia uma febre de programas televisivos endereçados a crianças, como a Xuxa e muitos outros. Tais programas exaltavam o imaginário mundo das fadas e princesas européias, a dita beleza dos traços caucasianos, a ilusão da superioridade fenotípica branca e a degradação da figura das pessoas pretas.

Não permiti que os meus filhos assistissem a Xuxa e suas Paquitas, e hoje eles me agradecem. Da mesma maneira, nunca presenteei minhas filhas com bonecas de fenótipos europeus, sempre lhes dava bonecos e bonecas pretas, cujos nomes faziam referência a ilustres líderes com Zumbi, ou a belíssimos nomes africanos como Dandara, com as quais elas interagiam umbilicalmente com a pretitude. Dessa maneira, meus filhos aprenderam as suas histórias e se sentiam felizes, refletindo, ainda crianças, sobre a sua origem africana e, desde lá, conscientes de enfrentar com cabeça erguida a vida real de racismo na educação brasileira.

Os livros paradidáticos traziam mensagens que não satisfaziam a minha necessidade de informá-los sobre a sua ancestralidade africana e onde eles pudessem ser vistos. Então, comecei a colher informações e usando a criatividade escrevi dezenas de histórias e muitas delas com a participação deles, uma interação de africanidade onde os meus filhos foram participes, proporcionando a eles, hoje, o pertencimento como africanos, uma consciência adquirida desde a tenra infância, através dos contos escritos por mim.

A literatura infantil é iconográfica, com representações estéticas raciais, discursos ideológicos e poderosas influências simbólicas. O livro infantil não é pautado na inocência, mas nos interesses e projeções do autor e na manutenção da submissão daqueles considerados subalternos na sociedade. O livro infantil é a mensagem política do adulto, e sua explicação do mundo para as crianças, e naquele mundo, o preto não ocupa o lugar de poder e desconhece os padrões da ancestralidade. O livro infantil para o povo preto tem que ser considerado como arte-educação-política de literatura libertária para as nossas crianças.

Um dos livros didáticos apresentado ao meu filho caçula na 1ª série do ensino fundamental foi MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA, escrito por Ana Maria Machado, uma renomada escritora com “mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 18 países somando mais de dezoito milhões de exemplares vendidos. Os prêmios conquistados ao longo da carreira de escritora também são muitos, tantos que ela já perdeu a conta. Em 2003, Ana Maria foi eleita para ocupar a cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras, substituindo o Dr. Evandro Lins e Silva. Pela primeira vez, um autor com uma obra significativa para o público infantil havia sido escolhido para a Academia.”

Fonte: http://www.anamariamachado.com/biografia

MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA


Este livro é conceituado pela crítica nacional e internacional, admirado pela maioria dos professores, e divulgado por uma parcela importante de militantes do MOVIMENTO NEGRO BRASILEIRO, inclusive mulheres, sendo referência pela maioria de professoras pretas. Sobre ele, irei tecer algumas reflexões críticas.

A princípio, merece destaque o fato do livro não ser pensando para a comunidade preta, ao contrário, a autora se inspira em sua filha, uma menina branca de ascendência italiana, conforme se pode extrair das informações do seu sitio pessoal na internet. Vejamos:

“Este livro, para mim, é uma história que surgiu a partir de uma brincadeira que eu fazia com minha filha recém-nascida de meu segundo casamento. Seu pai, de ascendência italiana, tem a pele muito mais clara do que a minha e a de meu primeiro marido. Portanto, meus dois filhos mais velhos, Rodrigo e Pedro, são mais morenos que Luísa. Quando ela nasceu, ganhou um coelhinho branco de pelúcia. Até uns dez meses de idade, Luísa quase não tinha cabelo e eu costumava por um lacinho de fita na cabeça dela quando íamos passear, para ficar com cara de menina. Como era muito clarinha, eu brincava com ela, provocando risadas com o coelhinho que lhe fazia cócegas de leve na barriga, e perguntava (eu fazia uma voz engraçada): “Menina bonita do laço de fita, qual o segredo para ser tão branquinha?” E com outra voz, enquanto ela estava rindo, eu e seus irmãos íamos respondendo o que ia dando na telha: é por que caí no leite, porque comi arroz demais, porque me pintei com giz etc. No fim, outra voz, mais grossa dizia algo do tipo: “Não, nada disso, foi uma avó italiana que deu carne e osso para ela...” Os irmãos riam muito, ela ria, era divertido. Um dia, ouvindo isso, o pai dela (que é músico) disse que tínhamos quase pronta uma canção com essa brincadeira, ou uma história, e que eu devia escrever.”
Fonte: http://www.anamariamachado.com/historia/menina-bonita-do-laco-de-fita

No primeiro olhar, o livro totalmente inocente conta a história de uma menina pretinha questionada por um coelho branco o porquê da sua cor epitelial, responde simploriamente, frases que a maioria não responderia:

- Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?

A menina não sabia, mas inventou:

­- Ah deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina...
- Ah, deve ser porque eu tomei muito café quando era pequenina.
- Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina.
A menina não sabia e... Já ia inventando outra coisa, uma história de feijoada...

As respostas da menina sem nome fazem referências a uma gama de preconceitos incutidos que muitas crianças pretas ouvem para justificar a sua cor de pele. Um dos exemplos, é que as pessoas nascem pretas porque estão sujas:

“Cai na tinta preta (o sujo de tinta).”

Também é Interessante é a explicação da mãe da menina, outra personagem sem nome, que explica a cor da filha assim:

“quando a mãe dela que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha...”

Observemos que a mãe sem nome e adjetivada como “uma mulata” - fruto da miscigenação - e nós sabemos que o termo mulato não é aceito pelos setores do Movimento Negro por exprimir através da própria sociedade branca escravocrata, o filho considerado híbrido, o homem afeminado em diversos romances da literatura brasileira, a mulher sexualmente fácil, a rejeição da mulher preta. Por outro lado, a idéia de mulatismo agrada as classes dominantes por criar uma sociedade sem conflitos e impor o poder do homem branco sobre as mulheres pretas na construção de uma sociedade na concepção de Gilberto Freire.

A mulata sem nome e sem consciência racial explica a cor da menina sendo decorrente das:

- Artes de uma avó preta que ela tinha...

Quais foram estas artes? A avó preta foi uma mulher arteira, sexualmente falando, que teve relações com um homem branco, sendo estas artes (sexo) o motivo da menina ser preta? As artes são da mulher preta e não do homem branco. O homem branco na sociedade escravocrata brasileira e posteriormente após a escravidão, não faz artes, a responsabilização sempre é das mulheres pretas. Consequentemente, lembremos, que na escravidão, quando diversas mulheres pretas foram estupradas pelos senhores e seus filhos, elas que fizeram as artes. No período pós-abolição, as mulheres pretas continuam a fazer artes e terem os seus filhos “mulatos”. A autora poderia ter usado o termo:

- Por causa de um amor que a avó preta dela tinha.

Contudo, foi de extremo equivoco a autora explicar a ascendência da menina pretinha envolvendo as artes de uma avó preta e omitir o seu avô branco.

O coelho branco, símbolo de fertilidade, é um questionador e acha a menina preta bonita e deseja tornar-se preto. É o homem branco cordial, que “ama o povo preto”, e tenta se tornar preto. Ele faz diversas tentativas e não consegue alterar sua cor epitelial.

- Aí o coelho, que era bobinho, mas nem tanto, viu que a mãe da menina devia estar mesmo dizendo a verdade, porque a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até com os parentes tortos.

Dentro daquele contesto, ainda não compreendi com clareza o que são parentes tortos.

Todavia, através da relação sexual com uma coelhinha preta, completa o seu desejo de uma ninhada multiétnica. Na representação do homem branco cordial e da sociedade sem conflitos raciais:

“- E se ele queria ter uma filha pretinha e linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.
Não precisou procurar muito. Logo encontrou uma coelhinha escura como a noite, que achava aquele coelho branco uma graça.”

O coelho branco sempre é uma graça, lindo e poderoso que encantou a coelhinha preta igual à menina e neste casamento surge uma ninhada de coelhos semelhante à sociedade brasileira: sem graves problemas raciais, na concepção equivocada e maldosa da autora. O que nos chama a atenção é que o coelho branco segue os padrões sociais aceitos e contrai núpcias com a coelhinha preta que o achou uma graça, enquanto a avó da menina faz artes, é a preta arteira, a pecadora, a jezabel.

“-Foram namorando, casando e tiveram uma ninhada de filhotes, que coelho quando desanda a ter filhote não para mais! Tinha coelhos de todas as cores: branco, branco malhado de preto, preto malhado de branco e até uma coelha bem pretinha.”

As idéias de pluralidade racial, multietnicidade e cordialidade nas mentes das crianças são programadas pela autora, que no âmago do discurso com esta brincadeira para uma criança branca escreve um livro sem nenhuma preocupação com a comunidade preta brasileira, sem quaisquer fundamentos históricos, e reproduz um ideário das elites brancas deste país: Uma civilização brasileira sem conflitos, sem mazelas da escravidão cristã, sem luta de classes, sem importância referencial da África, uma sociedade mestiça, um livro a base do pensamento de Gilberto Freire. Um louvor a mestiçagem, em resumo: um livro “politicamente correto”.

O livro nega toda a idéia de construção de relação que devemos ter com a nossa ancestralidade africana, apesar de no seu início sugerir que “Ela ficava parecendo uma princesa das terras da áfrica, ou uma fada do Reino do Luar”. Ela sugere em contraposição a princesa das terras da África à história das fadas brancas do Reino de Luar. Temos que criar nas nossas crianças um referencial apropriado de afrocentricidade, porque o que se coloca neste conto ainda é uma idéia de branqueamento embutido na menina pretinha do laço de fita.

Não podemos aceitar a continuidade do mito do paraíso racial e o pluriculturalismo na educação deve ser baseado no respeito às diferenças e não na negação da história do povo preto.

Acredito que é uma covardia quando mascaramos das crianças a sua realidade e as inserimos em outro mundo como se fosse seu, quando deixamos que se sintam no mundo branco e elas descobrem sozinhas que este mundo não as querem com a sua ancestralidade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A FOME NA ÁFRICA - OS MITOS DA FOME AFRICANA

Por Aidan Foluke, membro da COPATZION, Tesoureira do CNNC/BA e Acadêmica de Enfermagem. E-mail: vanessasoares13@hotmail.com

Skype: aidanfoluke


Um dos primeiros relatos bíblicos sobre a fome está relacionado com KEMET onde José interpreta um sonho do faraó e abastece os celeiros por 07 anos, e torna-se a salvação para todas as nações circunvizinhas e por este motivo os hebreus foram residir em Kemet. A África sempre é relacionada como local de bênçãos tanto assim que lá foi o Jardim do Éden.

No dia 16 de outubro, dia Internacional contra a fome, os olhos do mundo se voltam para as populações pretas no planeta que é sua maior vítima. Esta data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Interessante lembrar que algumas nações participantes da ONU foram às principais colonizadoras e destruidoras do equilíbrio do continente Africano. Celebrado em mais de 150 países o dia mundial contra a fome (ou dia mundial da alimentação) tem como objetivo conscientizar a humanidade sobre a difícil situação enfrentada pelas pessoas que passam fome e estão desnutridas, e promover em todo o mundo a participação da população na luta contra a fome.

Segundo dados da ONU, 854 milhões de pessoas sofrem de fome em todo mundo, e, aproximadamente 24 mil pessoas morrem de fome por dia. Desses, estima-se que 16 mil sejam crianças.

A maioria das pessoas quando ouve a palavra África associa à pobreza, AIDS, guerras étnicas, pecado, demonismo e principalmente a fome. O Continente-Mãe se tornou o modelo da morte (vitória do colonizador- cristão imperialista que conseguiu desestruturar sociedades equilibradas).

Inventaram mitos para culpar os próprios africanos e afro-diásporico da pobreza e da fome, fazendo com que fossem esquecidas as causas do empobrecimento da população: Colonialismo e Racismo - de mãos dadas se apropriaram das riquezas naturais, escravizaram e mudaram hábitos alimentares e de cultivos, escondendo os reais motivos do empobrecimento e da fome dos pretos no planeta.

Poverty in Africa - In your Eyes




Entre algumas mentiras propagadas, destacamos:

A NATUREZA É A PRINCIPAL CAUSA DA FOME NA ÁFRICA - MENTIRA

Ecologicamente equilibrados os sistemas alimentares africanos foram prejudicados, pois as melhores terras agrícolas foram tomadas para o cultivo de café, cana de açúcar, cacau e outras colheitas de exportação que eram vistos como os meios para o desenvolvimento econômico de acordo com a teoria neoclássica da vantagem comparativa. Privados e fundos do governo foram investidos para desenvolver estas culturas, enquanto a produção de alimentos para a maioria pobre foi negligenciada. Milhões de hectares de florestas e árvores foram destruídos, roubando a terra do reabastecimento orgânico. Culturas de exportação como algodão, amendoim e tabaco absorvem grandes quantidades de nutrientes do solo. Após a colheita de cada ano, o solo foi deixado nu e desprotegido levando a erosão acelerada. É esta infeliz, mas evitável situação que tem contribuído para a fome provocada pela desertificação de vastas áreas na África.

A FOME É CAUSADA PELA SUPERPOPULAÇÃO - MENTIRA

Contrariamente à opinião popular, a fome não é causada pela extrema densidade populacional. Se fosse, nós esperaríamos encontrar fome generalizada em países densamente povoados como Japão e Holanda e pouca ou nenhuma fome nos países de baixa densidade populacional como o Senegal e Zaire, onde, de fato, a desnutrição e a fome são comuns.
Os africanos usam uma porcentagem muito pequena dos recursos do globo. Por exemplo, 850 milhões de habitantes da África (11,3 % da população mundial) consomem apenas 2,4 % da energia comercial do mundo, enquanto 300 milhões de pessoas os EUA (4,9 %da população mundial) consomem 25,1%
É verdade que a taxa de crescimento da população da África (3,0% por ano) é maior do que a de qualquer outro continente. É importante, no entanto, para compreendermos a relação real entre as taxas de crescimento populacional e da fome. Elevadas taxas de crescimento da população não causam fome. Ao contrário, ambos são conseqüências das desigualdades sociais que privam as maiorias pobres - especialmente mulheres - da segurança e oportunidade econômica necessária para que optar por ter menos filhos.

OS GOVERNANTES AFRICANOS SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA NÃO PRODUÇÃO DE ALIMENTOS - MENTIRA

Para colocar toda a culpa nos governos africanos é dar a entender que eles só controlam o destino dos seus países. As forças que institucionalizou a fome em África são compostas por corporações transnacionais, os governos ocidentais, agências internacionais e as elites africanas, bem como os governos. A África é um continente diverso, com mais de 50 governos que vão desde alguns que são descaradamente anti-agricultores e de pessoas que realmente tentando ajudar a maioria pobre. Mas em cada nação, pode-se dizer que apenas quando o ganho maior controle dos recursos do seu país é que vamos ver um fim às políticas que sistematicamente empobrecem as pessoas e deixá-los vulneráveis a desastres naturais. Muitos governantes africanos se preocupam em adaptações ao modelo ocidental, apesar de um grupo de líderes estarem convictos que na formação de um modelo panafricanista ira começar a resolver as questões africanas.



O MERCADO DE ALIMENTAÇÃO MUNDIAL PODE RESOLVER OS PROBLEMAS DA FOME NA ÁFRICA - MENTIRA
A maioria das pessoas não consegue perceber que o mercado mundial é o pior inimigo da África. Quase todos os países Africanos dependem da exportação de tecnologia, alimentos industrializados e são grandes devedores internacionais. Enquanto os preços reais no mercado mundial para estes produtos têm diminuído durante o período pós-II Guerra Mundial, os preços das importações de manufaturados dos países industrializados aumentaram de forma constante. Ao longo da África Subsaariana, os preços baixos afetaram mercados e comunidades locais que dependem de um leque muito restrito das exportações. A maioria de africanos encontra-se na armadilha do "comércio", onde são forçados a produzir culturas de subsistência e continuam a viver suas vidas em extrema pobreza.

A AJUDA HUMANITÁRIA PODE RESOLVER A FOME NA ÁFRICA – MENTIRA

Os Estados Unidos e a Europa dooam grandes quantidades de alimentos de emergência para a África, o alimento que tem, sem dúvida, salva milhares de vidas. Mas, embora seja essencial para ajudar as pessoas em necessidade, é preciso lembrar que a ajuda alimentar, na melhor das hipóteses, só trata os sintomas da fome e da pobreza, e não suas causas. A ajuda alimentar pode comprometer a produção alimentar local, inundando os mercados africanos com preços dos alimentos inaccessíveis a maioria da população. A concentração da ajuda os USA e da Europa possuem objetivos estratégicos e não humanitários. De todos, os USA ajudam à África sendo que 60 % dos recursos se concentram em apenas um país: Egito. Os USA ajudam outros 53 países africanos e quase metade desta é remetida para apenas seis países (África do Sul, Moçambique, Etiópia, Senegal, Libéria e Zâmbia). A ajuda humanitária é uma falácia porque detrás há interesses de exploração e as nações mais ricas do mundo são acusadas de padrões duplos - exportam bilhões de dólares em armas para países pobres, enquanto debatem medidas para tirá-los da pobreza.

A SOBERANIA ALIMENTAR SERÁ RESOLVIDA PELA AGRA (ALIANÇA PARA UMA REVOLUÇÃO VERDE NA ÁFRICA) – MENTIRA

A iniciativa ‘Aliança para uma Revolução Verde na África’ (AGRA) financiada pelas Fundações Gates e Rockfeller chegou à África anunciando que irá ajudar os pequenos agricultores a entrar no mercado, são projetos milionários financiados para a promoção da biotecnologia na agricultura fazendo os agricultores mais dependentes de produtos químicos de alta toxicidade, sementes hibridas e plantações geneticamente modificadas, destruindo os conhecimentos ancestrais de agricultura, beneficiando os fazendeiros ricos e aumentando as dívidas dos africanos.
Em maio de 2008, delegados de organizações de camponeses de diferentes países africanos que compartilham a visão do movimento internacional camponês, La Via Campesina, se reuniram em um encontro regional em Madagascar. Eles expressaram sua oposição à introdução de políticas destrutivas que estão minando a produção local de alimentos ao forçarem os agricultores a produzir cultivos comerciais para as corporações transnacionais (TNCs) e a comprar seus próprios alimentos no mercado mundial. Os camponeses e os pequenos agricultores não colhem nenhum benefício dos preços mais altos. Plantam alimentos, mas os benefícios da colheita geralmente são tirados de suas mãos: também muito freqüentemente já têm sido prometidos aos credores, às empresas de insumos agrícolas, ou diretamente aos comerciantes ou à unidade de processamento.

As conseqüências são imprevisíveis com apropriação das terras florestais desalojando as comunidades tradicionais com monoculturas para biocombustíveis, como: jatrofa em Gana e Zâmbia; cana-de-açúcar na Uganda, Tanzânia e Quênia; dendezeiro em Benim, Camarões e Costa do Marfim. Resultado de mais miséria para os africanos e benefícios aos países ocidentais, estas políticas destrutivas estão minando a produção local de alimentos ao forçarem os agricultores a produzir cultivos comerciais para as corporações transnacionais (TNCs) e a comprar seus próprios alimentos no mercado mundial, colocando também os sistemas sociais e toda a cultura africana em maior decadência.

A ÁFRICA PAGA O PREÇO DO PECADO - GRANDE MENTIRA

De todos os mitos este com certeza é a matriz que os sustentam. Baseados na maldição do continente africano que todos os malefícios foram, são e serão feitos. A péssima interpretação, falsificação e omissão dos escritos bíblicos propiciam a total perversidade feita em África. O Cristianismo protestante e católico mantém milhares de missionários no continente africano, constroem templos majestosos e convencem os africanos que eles são amaldiçoados e precisam mudar seus hábitos culturais e renegarem os seus hábitos milenares, inclusive hábitos alimentares. Ressaltando que seus missionários serviram para observar a África e suas riquezas. Do continente abençoado a África se tornou amaldiçoada pela grande mentira das igrejas cristãs.
Conclusão
Do Saara, o maior deserto do Planeta, às riquezas em fauna e flora das florestas equatoriais da África Central. A África apresenta variações climáticas impressionantes sendo considerado o paraíso na terra. A África cobre apenas 20% do território do mundo, mas estima-se que 90% das reservas mundiais de platina e 65% dos diamantes. Ela também tem cerca de 40% de ouro e 60% de manganês e cobalto, enquanto a África do Sul reivindica 80% de cromita do mundo.
A fome entre os africanos é um objetivo mundial de destruição do povo santo, morte daqueles que são a imagem e semelhança de YAH. Pois as mesmas nações que levam a sua desarmonia para a Continente Mãe são aqueles que “desejam” criar novas formas de cultivo para atender os interesses ocidentais. Catequizar os africanos para se sentirem culpados da fome como grandes pecadores e incultos. Propagando pela mídia os modelos ocidentais de vida. Criando até uma data de reflexão das misérias feitas por eles e doando migalhas estratégicas para o povo original. Estes fatos “solidários” disfarçam os horrores que eles mesmos organizaram. A fome se tornou também uma arma política em que os países ocidentais estão projetando suas agendas nos países afetados da África. A China e a Índia são as últimas potencias na entrada do clube de exploração, ambos os países estão lutando arduamente para influenciar mais e mais países para expropriar as riquezas africanas.

The Beauty Of Africa


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CRIANÇAS PRETAS USADAS COMO ISCAS DE JACARÉS - TORTURA NA ESCRAVIDÃO


Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

A história da escravidão precisa ser recontada sem esconder os atos de desumanidade e humilhação que passaram os nossos ancestrais concomitantemente com a resistência impetrada de heroísmo que permitiram a nossa sobrevivência em terras estranhas. Há um esquecimento premeditado das diversas facetas do cotidiano do escravizado, e muitos professores evitam falar das torturas sofridas pelos nossos antepassados, alegando que as nossas crianças já passam por diversos sofrimentos e relembrar fatos de extrema violência perpetrados pelo homem branco cristão escravizador afetará a auto-estima da criança e servirá de chacota em salas de aula. Os educadores estão errados, porque a história não deve e nem pode ser escondida e remodelada conforme os gostos dos acadêmicos que vivem enfeitando a escravidão para suprir a falsa democracia racial. Na história da escravidão ocorreram diversas torturas independentes de gênero e idade. As mais horripilantes se referem às crianças pretas e, na memória dos africanos nos Estados Unidos remete quando foram usadas como iscas para jacarés na Flórida


Logo após a guerra civil americana foram criadas diversas imagens retratando o horror da escravidão como uma afronta ao povo preto, especialmente as lembranças de Iscas feitas com crianças pretas. Nesta imagem ao lado reparem como a imagem da criança é animalesca.
As imagens são temáticas de jacarés. A análise de uma grande coleção de artefatos com imagens de africanos pelos racistas americanos revela vários temas de interesse comum. Um deles é o retrato do povo preto (muitas vezes nu), em especial as crianças, como alimento para os jacarés. Imagens de pretos como "iscas de jacaré" pode ser encontrado em gravuras, postais, e mesmo na publicidade de produtos. Alguns modernos itens ainda conectam as pessoas pretas aos jacarés famintos.

Abaixo estão expostas algumas imagens que refletem a violência racial e os seus próprios olhos te ajudarão refletir sobre os objetivos humilhantes que serviram para atacar todo um povo afro-diásporico:



Na campanha presidencial dos Estados Unidos no ano passado na convenção nacional do partido republicano um representante da Flórida foi com um chapéu de jacaré relembrando esse massacre do povo preto. Repare os detalhes e tire a sua própria conclusão:

É um chapéu de jacaré, com um boneco semelhante ao candidato presidencial Barack Obama nas mandíbulas.



Black babies used for alligator bait


PRETAS POESIAS

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Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias