segunda-feira, 2 de julho de 2012

A AMANTE DO MEU MARIDO E A OUTRA DO MEU NAMORADO - OS HOMENS PRETOS E AS RELAÇÕES EXTRACONJUGAIS


Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita

E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos


Se você puder responder as perguntas abaixo, ficarei agradecido, se não puder, agradeço também.

Você acha que existe uma prática poligâmica não oficial no Brasil? Se existir, essa prática pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais? Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?

Foram com respostas a essas perguntas que este texto foi produzido. Ressalto, de início, que este não está baseado em nenhuma metodologia de pesquisas acadêmicas. São apenas reflexões, logo, não possuem o objetivo de depreciar os homens pretos que nesta sociedade racista são considerados violentos e irresponsáveis ou defender a pratica da poligamia.

Antes, todavia, não podemos esquecer que somos descendentes de prisioneiros de guerras impetradas pelas civilizações brancas e cristãs em séculos anteriores que culminou na escravidão nas Américas. Como resultado, todas as nossas relações foram influenciadas pelas mazelas.

Destaca-se, também, que a prática poligâmica em território africano se acentuou em larga escala após a invasão e islamização das terras ancestres, que alterou o patriarcalismo criando novas concepções sociais de famílias.

Quando se fala em poligamia, imediatamente o território africano é citado, inclusive nos dias atuais. Jacob Zuma, presidente da África do Sul tem várias esposas e questionamentos são levantados dentro do seu próprio país.

Não vou me ater a conceituações de poligamia e patriarcalismo, o que me interessa é entender, sem as conceituações da academia, o que algumas pessoas pensam sobre este tipo de relacionamento. Diante disso, questionei a alguns amigos e amigas no Facebook. As respostas foram bem distintas e deixo-vos para tirar as próprias ilações, sem citar os nomes das pessoas que gentilmente responderam as minhas indagações. Outras, por diversos motivos não quiseram responder, as agradeço também.

Vejamos os parâmetros escolhidos aleatoriamente:

Perguntas:

1. Você acha que existe uma prática poligâmica não oficial no Brasil?
2. Se existir, essa prática pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais?
3. Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?

Dentre os entrevistados, que aceitaram responder às perguntas, apresentaram-se as seguintes tendências:

Mulheres:

19 mulheres, dessas:
07 entendem ser essa uma prática ancestral.
12 entendem ser essa prática irresponsável

Homens:

14 homens, desses:
06 entendem ser essa uma prática ancestral.
06 entendem ser essa prática irresponsável
02 não souberam responder

Resultado integrado:

Prática Ancestral: 12 pessoas
Prática irresponsável: 18 pessoas.
Não souberam responder: 02 pessoas.

Entre as respostas coletadas, alguns trechos foram selecionados, guardando a coerência do discurso apresentado, para ser interpretadas pelas leitoras e leitores que participaram do debate.

HOMENS PRETOS:

“Todo homem é predador e fraco espiritualmente. E aquele que diz o contrário, é um verdadeiro demagogo.”

“Na verdade, essa prática não passa de mera carência afetiva. Somos homens pra uma mulher só e sofremos muito com a ideia de perdê-las.”

“Debatemos muito que foi suscitado. E por este motivo, muitos valores se confundem. Mas, no Brasil, temos uma matriz judaico-cristã e, logo, as duas coisas se confundem. A responsabilidade conjugal é uma falha e tanto, penso eu, em um pais como o nosso, multicultural”

“Poderia ser herdado pelos ancestrais, mas acho que nos tempos de hoje as relações estão bem bagunçadas mesmo.”

“No meu curso de relações raciais, uma bióloga negra polemizou, dizendo que com o extermínio de homens pretos, será normal um dia, a mulher preta admitir que divida homem.
Daqui a pouco será o meio de sobrevivência do grupo negro, primeiro tem mais mulher que homem no Brasil e os pretos são os que mais morrem”.
“vejo como fato natural, não só do homem negro, talvez seja a influência herdada, o desejo de sexo diversificado, talvez isto.”

“Outra questão por mim observada aqui onde passo, é que as mulheres negras entrevistadas não gostariam de ter filhos com pais negros, sentem-se constrangidas em ter filhos de cor preta, alegação para o preconceito por elas vivido.

Fiz algumas observações a respeito do assunto com jovens negros (as) e pude observar que as opiniões são as mesmas. Meninas pretas admiram jovens brancos, mas não um só, admiram mais de um garoto e em muitos casos acabam ficando com mais de um, o jovem preto tem a mesmo opinião, mas escolhe apenas uma branca”

“A poligamia e o patriarcalismo apenas se parecem, mas são muito diferentes. A poligamia não herda tradição familiar, no patriarcalismo tradição em primeiro lugar (entendendo-se tradição como núcleo familiar).”

“O que temos na sociedade ocidental é poligamia e nas sociedades africanas patriarcalismo. O homem ocidental é incapaz de manter um núcleo familiar. O africano é pai desde os primórdios do mundo, é pai por natureza, está nos genes.

O europeu destrói a família, o africano constrói a família.

Esta ideia que o africano é polígamo é uma tática para diminuir a população negra.

Veja: todos os grandes patriarcas eram negros. Não conheço nenhum patriarca branco.”

“Não acredito que exista essa prática não - Existe uma cultura de que homem preto não pode ser fiel "dada a sua natureza" - e isso é pura balela - Somos fiéis sim - até porque somos religiosos demais. Antigamente era socialmente impossível ao negro ter uma família só porque ele não conseguia dar conta nem dele daí uma mulher aqui pra ajudar; outra ali pra emprestar o do cigarro, e por aí vai. Homem é homem independentemente da cor em qualquer lugar.”

“Estou há alguns anos fora do Brasil, no entanto, posso te falar algumas coisas daqui da África Austral:
A poligamia é muito praticada aqui ainda hoje. E, sim, é uma cultura herdada dos ancestrais.
Com o aumento das missões católicas e evangélicas, isso tem diminuído um pouco, mas existem lugares em Mozambique, por exemplo, que se o homem não tem três esposas, ele não tem boca para opinar na aldeia, queria dizer, ele ainda não tem boca.”

“Então... sobre existir, certamente existe. Mas, não de uma forma conversada, discutida. Via de regra, velada. O que acarreta inúmeros problemas.
Sobre ser herdada de nossos antepassados, não creio.
Não defendo necessariamente a monogamia estética, ornamental. Mas, mesmo sabendo das múltiplas possibilidades relacionamentais em Afrika, pensar em recriá-las/vivenciá-las aqui, fazendo uma transposição anacrônica do que nos convém,seria muito conveniente. Vivendo em uma realidade de masmorra, como essa quem que estamos inseridos, me parece meio fantasioso, pensar em pescar somente alguns elementos. A cura da doença que a branquitude nos criou tem de ser completa não esporádica... com micro elementos. Por isso, mesmo tendo críticas à imposição monogâmica ornamental, que reside na maioria das relações, com exceção de algumas, penso que poligamia, mesmo num contexto de centralização e empoderamento das famílias, da comunidade, vislumbrado e possibilitado em algumas estruturas policonjugais (diferente de poligâmicas), não é algo pensado de fato. Via de regra, é só uma postura de se relacionar multiplamente, e descompromissadamente.”
“A mulher preta aceita a poligamia e sabe que o homem preto tá na moda. Elas sabem que se não tratar os homens bem, as brancas estão atrás de nós.”
“Acho que existe sim, é extrema e é uma falta de responsabilidade, respeito em todos os sentidos...
Isso falta de responsabilidade e respeito na relação conjugal...
Conheço pelo facebook um advogado branco homosexual que diz ter relação sexual somente com homens Negros, casados e solteiros, que fala que a coisa mais fácil é conseguir um homem Negro para se relacionar.

Diretor Pedagógico do curso de inglês com Cultura Negra Ebony English (www.ebonyenglish.com.br):
“Poligamia diz respeito à relação seres vivos preservam mais de um vínculo sexual no ato ou época de reprodução. Nos humanos, a poligamia é vínculo matrimonial
entre mais de duas pessoas.
É preciso fazer uma distinção entre o entendimento da poligamia enquanto fenômeno biológico manifesto e praticado entre várias espécies de seres vivos e a poligamia enquadrada por preceitos morais diversos e que tendem a colocar "poligamia" e "amantismo" na mesma vala comum.
Algumas civilizações aprovam e dão suporte ao ato da poligamia, enquanto relacionamento institucionalizado.
Em algumas localidades do leste europeu e do Oriente Médio há também registro da
união matrimonial com mais de 3 membros em uma mesma família.
Há indícios de que a religião Mórmon pratica a poligamia desde a sua fundação oficial pelo "profeta" Joseph Smith, em 1820.
Do ponto de vista científico, creio ser razoável a presunção de que quando a espécie Homo Sapiens partiu do leste Africano para povoar os demais continentes, o fez em ondas migratórias distintas, em grupos relativamente homogêneos e pequenos. A sobrevivência destes grupos dependia de um mínimo de articulação e noções de
liderança para as manobras de caça, pesca, abrigo... e sexo! Neste sentido,
eventualmente o líder do bando teria "privilégios sexuais", para o caso de uma das membros do sexo feminino adoecer ou morrer ao longo do deslocamento migratório.
Dado ao estado evolutivo embrionário daqueles primeiros seres humanos, nem
mesmo o ato sexual incestuoso poderia ser desconsiderado.
Com o surgimento e o aprimoramento das regras de convivência em civilizações estabelecidas (resultantes da fixação de populações humanas em determinadas coordenadas geográficas), a instituição "matrimônio" foi se redesenhando, com o
acréscimo de dogmas e tabus de ordem espiritual, moral e religiosa que acabaram
por abolir, estigmatizar e na maioria dos casos condenar severamente a prática da
poligamia.
As civilizações modernas, notadamente a grande maioria das culturas cristãs-
ocidentais condenam a prática da poligamia.
Há uma corrente científica que defende a tese de que o fator "domínio genético" (no
sexo masculino de uma grande parte dos seres sexualmente reprodutivos) é ainda c
um traço característico do nosso Complexo-R [a região mais velha e mais primitiva de nossa massa cinzenta; o centro de agressão/sobrevivência de nossa existência], e que ele seria o responsável pelo impulso nos seres vivos do sexo masculino a garantir a sobrevivência de sua espécie através da multiplicação em massa de sua prole e, por extensão, de sua carga genética, a qual tenderia a se sobrepor sobre "os
outros reprodutores concorrentes".
Não existe correspondência entre etnia e poligamia. A formação da assim chamada "civilização brasileira" se deu em circunstâncias específicas. Os europeus
aqui chegaram e uma das primeiras providências dos colonizadores recém-chegados foi estuprar um grande número de índias virgens, não havendo qualquer freio em seus arroubos sexuais, mesmo para aqueles colonizadores que aqui desembarcassem já casados e com família constituída.
As próximas vítimas (por mais de 300 anos) foram às mulheres negras, que eram estupradas já na África, e também durante "a grande travessia" e ao desembarcarem em solo brasileiro. Há registro de jesuítas que eram donos de africanas escravizadas e que eram mantidas apenas para a satisfação de práticas sexuais escusas:
Os homens africanos escravizados só tinham duas funções em território brasileiro:
trabalhar e reproduzir até morrer. O vínculo matrimonial era desencorajado e mesmo que esses ocorressem os senhores latifundiários continuavam a subverter (sexualmente, vale lembrar) os laços precários de vida conjugal dos escravizados e seus descendentes de forma sistemática.
A análise a ser feita é: o que veio primeiro, a poligamia enquanto estratégia de sobrevivência ou as regras que se esforçam em tornar a estratégia inapropriada para o convívio em sociedade?
A discussão estimula a discussão em várias abordagens e espero que as reflexões acima venham a contribuir com a discussão.”

MULHERES PRETAS:

“Minha pergunta é: os homens pretos daqui praticam a poligamia ou o adultério? Ou poligamia e adultério são a mesma coisa?”

“Eu penso que a poligamia praticada pelos homens pretos é resultado de uma herança machista, que está presente em quase todas as culturas. E que continua incentivando este tipo de comportamento onde os homens justificam seu comportamento pernicioso pelo simples fato de serem homens.”

“Primeiro tendo a acreditar que algumas tribos africanas tinham a pratica da poligamia, mas num outro contexto. Onde as relações sociais se davam de outra forma.
Em relação à segunda pergunta acredito que seja um misto de baixa autoestima, conjugada com a imagem machista e super sexualizada do homem preto.
Mas não acredito que na sociedade atual não da pra encarar a poligamia como uma postura vantajosa. Somente do ponto de vista da variabilidade de parceiras. Não posso conceber que se prefira isso à construção de uma família, por mais que questione o modelo de família branca. Acho que essa postura reflete a autodestruição e auto-sabotagem que permeiam a construção da psique masculina negra.”

“Considero falta de responsabilidade....gostei da ideia podemos discutir mais, gosto disso....Considero safadeza.”

“Não creio que exista poligamia não oficial no Brasil. Parece-me que para ser considerado polígamo o homem deveria ter responsabilidades com as duas mulheres, algum laço para além das relações sexuais. Acredito que temos sim, um afrouxamento do comprometimento nas relações. Não creio que nossa ancestralidade interfira neste aspecto.”

“Acho que esta no caráter da pessoa, visto que traição não esta no DNA e sim no comportamento de cada um. Me fiz entender?”

“Sim, existe. Porém não se trata de uma herança dos ancestrais, creio que seja uma irresponsabilidade na relação conjugal, se valer na herança ancestral é muito fácil para justificar o mau caratismo e a falta de respeito e consciência. Mas, não é verdade que se herda mau caratismo e canalhice.”

“É fácil por culpa nos defeitos nos nossos ancestrais pretos isso está bem arraigado na nossa cultura preconceituosa e racista.
Não acredito, principalmente porque as relações atuais não são baseadas em comprometimento e sim em instantaneidade.
Penso que na década passada o adultério era moda, assim como na década de 80 a moda era o consumo de drogas; atualmente creio que com tanta liberdade e independência entre mulheres e homens, que o compromisso casamento é uma decisão muito pensada.
Se existir está pratica pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais?
Sinceramente vejo muito mais homens brancos com práticas poligâmicas do que homens negros; afinal quantos negros existem no Brasil com esse poder financeiro?
Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?
Creio que atualmente exista muito medo do comprometimento devido a diversos fatores:
1. Muitas mulheres no mercado.
2. Masculinidade questionável/flexível.
3. Homens imaturos e mulheres controladoras
4. Falta de exemplos consistentes dentro de casa
5. Idealizações utópicas
6. Troca de valores. Formar uma família não é mais um valor dentro da sociedade.”

“Pelo que tenho estudado algumas praticas que nossa sociedade cultiva advém de uma carga de característica que foi transmitida hereditariamente."

Dentre as respostas, uma foi selecionada, de maneira exemplificativa, para que fossem tecidos alguns comentários que se julgaram pertinentes.

Uma irmã disse:

“Com certeza é cultural como também uma questão de sobrevivência e mantenedora de muitas sociedades africanas. É um meio de repor as grandes perdas de óbito infanto-juvenil.
Isso é ainda mais comum no nordeste. Que Rio de Janeiro e São Paulo há muitos nordestinos e seus conceitos também influenciam essas cidades na formação da população
As separações são comuns quando a mulher cobra muita fidelidade, muitas sabem e aceitam por questões de dependerem de seus esposos dependência do esposo ou mesmo gostarem deles para não perdê-lo se sujeitam.”

Comentários:

Notei que os pareceres são bem distintos. Entre eles, a resposta acima atribui ao fato do homem preto possuir várias mulheres ser advindo de uma diferenciação regional, entre pretos nordestinos, muitos deles imigrantes que foram para o sudeste, e pretos sulistas.
Salvo melhor juízo, não conheço pesquisas estatísticas ou sociológicas que corroborem com a ideia apresentada. Neste caso, cabe a pergunta: será que os homens pretos cariocas, mineiros, capixabas e paulistas são diferentes nas suas atitudes com as mulheres pretas? Ou tal opinião retrata uma manifestação racista introjetada no ideário popular, inclusive reproduzida por militantes do Movimento Preto Organizado?

Estudos sociológicos (GUIMARÃES: 2009) apontam que ocorreu uma “mutação” do racismo contra pretos para racismo contra nordestinos, nos dizeres do autor: “Dito de outro modo, “baianos” e “nordestinos” passaram a ser, neste contexto, uma codificação neutra para os “pretos”, “mulatos” ou “pardos” das classes subalternas, transformados, assim, nos alvos principais do “novo racismo” brasileiros”.

Logo, não está descartada a possibilidade daquele comentário ter sido fruto de um racismo intrínseco, afinal será que o homem preto do sudeste não tem outras relações afetivas sendo casado ou namorando?

CONCLUSÃO

E vocês, leitoras e leitores, o que pensam desse assunto? Será que as relações extraconjugais do homem preto são fruto de uma herança genética ou, como alegado pela maioria dos entrevistados, fruto de uma prática irresponsável? Comentem.

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sábado, 16 de junho de 2012

OS JARAWA – UM POVO PRETO EM EXTINÇÃO – SAFARI E ZOO HUMANO


Por Walter Passos - Historiador 
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
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Habitantes das Ilhas Andamam estão localizados em arquipélagos no Oceano Índico na Baía de Bengala, entre a península indiana ao oeste e a Birmânia no norte e leste. A maioria das ilhas é parte do Andaman e Nicobar na Índia, enquanto um pequeno número ao norte do arquipélago pertence à Birmânia.



Nestes arquipélagos habitam remanescentes dos primeiros grupos humanos que migraram do continente africano há aproximadamente 60.000 mil anos. Alguns destes grupos foram extintos após o contato com invasores ingleses que propiciaram um verdadeiro etnocídio através de assassinatos, doenças infectocontagiosas, mudanças dos hábitos alimentares, introdução dos vícios do tabaco e do alcoolismo e a exploração sexual.

Os primeiros invasores britânicos criaram um assentamento em 1789 e iniciaram o processo destrutivo, como se pode ler no diário do governador britânico à época, onde menciona que recebeu instruções para destruir os nativos por intermédio do álcool e do ópio.

Assim, como muitos outros grupos originais, a maioria dos membros da tribo Bo - grupo étnico primevo - sucumbiu às doenças introduzidas pelos britânicos no século XIX. O desaparecimento de Sr Boa em janeiro de 2010, último remanescente da população, também significa o desaparecimento de uma das línguas mais antigas do mundo. O desejo demoníaco dos antigos britânicos, infelizmente cumpriu-se:

BOA SR, THE LAST MEMBER OF THE BO TRIBE, SINGS


Entre os grupos remanescentes, iremos nos ater a explanação sobre os Jarawa, a principio porque seu estudo é de suma importância do pan-africanismo os estudos dos povos pretos em África, das migrações voluntárias e dos prisioneiros das guerras árabes e cristãs que espalharam os africanos em diversas regiões do planeta, e não podemos esquecer-nos dos judeus e os seus lucros com o tráfico. Sendo fundamental para nós o entendimento da história da humanidade e da compreensão do ódio e propagação da supremacia branca contra os povos originais.

VISITING THE JARAWA TRIBE PT. 2


Os Jarawa vivem nas ilhas ocidentais do Grande e Médio Andaman no Oceano Índico, onde são caçador-coletores, caçam porcos selvagens e lagartos, pescam com arcos e flechas e coletam sementes, frutos e mel. Eles são nômades e vivem em grupos de 40 a 50 pessoas, cujo total da população não ultrapassa o total de 300 pessoas, todos sob tutela do governo indiano, com situação de sobrevivência crítica. Desde os primeiros contatos em 1998 a ameaça da extinção é quase inevitável.


Diversas empresas de turismo organizam safáris humanos (excursões para fotografarem e verem o “exótico”), prática de civilizações brancas com os povos pretos o chamado zoo humano. Inclusive foi criado um resort turístico perto da comunidade expondo a população a pessoas estranhas a sua cultura que trazem influências nefastas, há casos de abusos de jogarem comida e pagarem a policiais para as mulheres jarawas dançarem para eles:

INDIGENOUS PEOPLE ON DISPLAY IN "HUMAN ZOO" IN INDIA


ANDAMAN TRIBES LURED TO DANCE FOR TOURISTS


Na década de 70 do século passado foi construída uma estrada no território Jarawa que trouxe colonos, madeireiros e caçadores. Afetando o ecossistema da floresta e os caçadores ilegais matando os animais usados na alimentação da população.

JARAWA MAN DENOUNCES POACHERS INVADING THEIR LAND


As doenças também estão ameaçando a existência dos Jarawa, foi detectado um surto de sarampo e outras epidemias trazidas por pessoas estranhas ao habitat. O governo da Índia também objetiva levar as poucas crianças para o aprendizado da língua e dos costumes da civilização, que porá fim a milenar cultura e todo o conhecimento adquirido dos ancestrais em milhares de anos.

Outro perigo que ronda a população dos Jarawa são as campanhas de evangelização dos cristãos que como raposas astutas tentam entrar na comunidade Jarawa para disseminar ensinamentos comprovadamente perigosos com palavras de salvação e no fundo contribuirão para mais um etnocídio de um povo original. Não podemos ficar omissos.

As visitações das “pessoas de boas intenções” apesar das “proibições” do governo indiano tem demonstrado um perigo constante à preservação do povo jarawa, sendo crianças os alvos prediletos.

JARAWA TRIBE OF ANDAMAN ISLANDS


A diminuta população dos Jarawa necessita do apoio internacional para ter uma chance da não findar. A historiografia relata diversas civilizações pretas que desapareceram após contatos com o mundo “civilizado branco".


Os métodos de extermínio físico e cultural são vários, desde o morticínio violento praticado por grupos economicamente interessados nas terras habitadas por estes povos (genocídio freqüentemente brindado com a impunidade ou mesmo o patrocínio de governos racistas, autoritários e/ou corruptos) e destruição de seus ecossistemas, até pressões psicológicas coletivas insuportáveis: através da discriminação pública, da imposição de programas “educativos” que anulem os valores próprios destas culturas, da “evangelização” de missões confessionais que impõe modelos religiosos frontalmente opostos à cosmologia e culturas tradicionais destes povos, entre outros.

A imposição de um mundo globalizado para as civilizações nativas esconde interesses econômicos, culturais, religiosos e racistas que devem ser combatidos por todas e todos que respeitam a diversidade humana e o direito a terra e a vida.

Shalom!

ENDANGERED JARAWA - INDIA

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sexta-feira, 8 de junho de 2012

JOHN CHILEMBWE – UM PASTOR BATISTA CONTRA O RACISMO E O COLONIALISMO


Por Malachiyah Ben Ysrayl.
Historiador e Hebreu-Israelita
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O Malawi ocupa uma pequena região do sudoeste do continente africano, limita-se ao norte com Tanzânia, ao leste e ao sul com Moçambique e ao oeste com a Zâmbia. O seu nome se deve ao lago Malaui ou Nyasa, que ocupa um sexto do seu território.

A capital do Malawi é a cidade de Lilongwe, localizada no centro do país, o maior centro comercial é a cidade de Blantyre - Escócia, nome dado em homenagem à terra natal do explorador e pastor presbiteriano David Livingstone, que muito contribuiu com as suas viagens de “evangelização” para a colonização da África.

LAGO MALAWI


Os Chewas constituem 90% da população da região central, a tribo Nianja predomina no sul e a Tumbuka no norte. Além disso, um número significativo de Tongas vive no Norte; Ngonis - um ramo dos Zulus que vieram de África do Sul, no início dos anos 1800 - vivem abaixo do norte e regiões menores centrais, e os Yao, que são na sua maioria muçulmanos, predominam na região Sul do país e vivem em uma faixa larga a partir de Blantyre e Zomba ao norte do Lago Malawi e no leste da fronteira com o Moçambique. Bantus de outras tribos vieram de Moçambique como refugiados.


JOHN CHILEMBWE E A REVOLTA DOS BATISTAS

Neste país, provavelmente na região Chiradzulu de Niassalândia, nasceu John Chilembwe, por volta de 1871. Seu pai era um Yao e sua mãe era uma escravizada Mang'anja (grupo étnico tradicional da área, vítima da escravidão pelos árabes e dos Yao que eram comerciantes de escravizados).

Os Yao são originais do norte de Moçambique e migraram por causa da fome em seu país e auxiliaram como intermediários para os árabes. Chilembwe é uma mistura dos dois grupos étnicos, representa a situação de ambos. Ele cresceu sob a atmosfera de insegurança predominante das regiões Sul de Niassa. Quando os britânicos colonizaram a área em 1891, nomeando de Niassalândia, eles estabeleceram um governo e missões, e procurou controlar os povos nativos da região.

John Chilembwe, um homem alto, asmático, era o cozinheiro da família do missionário batista Joseph Booth e cuidava da sua filha, tornando-se seu amigo, como consequência foi batizado na fé batista em 17 de julho de 1893 por Joseph Booth, que havia fundado a Missão Zembesi Industrial de cunho fundamentalista como uma alternativa para as mais antigas missões presbiterianas da Escócia que exploravam a população nativa. Booth criticava as missões presbiterianas e pregava uma igreja igualitária, ideia radical e que agradou ao novo convertido. Booth pregava:

"Sinceramente agora, não é uma imagem maravilhosa de ver homens elegantemente vestidos ... pregando um evangelho de autonegação aos homens e escravas .... Eu nunca me senti tão completamente envergonhado .... Devemos ... obedecer ao ensino [o] [do Evangelho]. ".

Em 1897, John viaja com a família Booth para os EUA onde frequentou o Virginia Theological College, um seminário teológico preto, e teve contato com os ensinamentos do branco abolicionista John Brown e dos pan-africanistas Booker T. Washington, Marcus Garvey e outros pretos na América. Estes ensinamentos foram determinantes para as futuras decisões a serem tomadas.

Foi diplomado por esta faculdade teológica preta e ordenado pastor batista pela National American Baptist Convention, retornou a Niassalândia e fundou a Missão Providência industrial, criando sete escolas africanas independentes, que em 1912 tinha 1000 alunos e 800 estudantes adultos. Construiu uma igreja de tijolos bem arquitetada, e em um trabalho pan-africano plantaram lavouras de algodão, café e chá.

O esforço educacional do Pastor John Chilembwe na propagação da paz e do bem-estar da população, combatendo o alcoolismo, a necessidade do trabalho e do aprendizado, a censura veemente contra a prática de homicídios, roubos e todo o tipo de crimes, o fez um homem respeitado e admirado pelo seu povo.

John Chilembwe com sua mulher, Ida, e sua filha, Emma, em uma fotografia, provavelmente entre 1910 e 1914.

A crueldade e o racismo dos brancos colonizadores o obrigaram a tomar uma decisão: Ficar omisso concordando e participando da opressão e pregando uma vida futura no céu para os membros da sua igreja ou agir em combate ao racismo. Optou por uma teologia libertária e se envolveu diretamente no sofrimento dos seus paroquianos, decisão esta tomada décadas posteriores por diversos pastores batistas que não se calaram com o sofrimento do seu povo, um dos maiores exemplos foi o de Martim Luther King.

No período anterior a 1915 a fome atingiu a região e muitos imigrantes moçambicanos vieram para a região e concomitantemente grileiros brancos começaram a se apossar das terras mais férteis e iniciaram uma cobrança exorbitante aos moradores, obrigando aos homens a migrarem para cidades distantes.

Além disso, William Jervis Livingstone, um gerente de fazenda local, tratava seus trabalhadores (muitos deles paroquianos de Chilembwe) asperamente e incendiou igrejas rurais de Chilembwe, que reclamava em voz alta sobre o racismo.

Mas a sua profunda alienação seguiu do surto da I Guerra Mundial na Europa, bem como o recrutamento, que Chilembwe lamentou, dos homens de Niassa para as batalhas contra os alemães na vizinha Tanzânia. "Entendemos que fomos convidados para derramar nosso sangue inocente na guerra deste mundo .... [Mas] haverá quaisquer boas perspectivas para os nativos ... após a guerra?" Chilembwe perguntou. "Estamos impostos a mais do que qualquer outra nacionalidade sob o sol." O restante de sua carta aberta, assinada "em nome de seus compatriotas", foi um protesto forte contra o descaso aos africanos.

Um mês depois, em janeiro de 1915, Chilembwe decidiu "dar um golpe e morrer, pois o nosso sangue vai certamente significar algo no passado." Esta era a única maneira, ele declarou, "para mostrar ao homem branco, que o tratamento que estão dispensando aos nossos homens e mulheres era péssimo e nós estamos determinados a atacar primeiro e dar o último golpe, e, em seguida, todos morrem pela forte tempestade de exército dos homens brancos." Ele falou a seus 200 seguidores da inspiração de John Brown, e advertiu-lhes para não roubar nem para molestar as mulheres brancas. Em 23 de janeiro, em diferentes ataques, seus homens decapitaram Livingstone, mataram outros dois homens brancos e vários africanos , poupando um número de mulheres brancas e crianças, saquearam uma loja de munição em uma cidade grande próxima, e se retiraram para orar. Quando os ataques não conseguiram despertar o apoio local, Chilembwe fugiu em direção a Moçambique. Desarmado, vestindo um casaco azul escuro, uma camisa de pijama listrado sobre uma camisa de cor, e calças de flanela cinza, ele foi morto em 03 de fevereiro por funcionários coloniais.

Chilembwe é reverenciado como um herói moderno em Malawi, que alcançou a independência em 1964. Ele foi o primeiro a expor os principios do inconformismo colonial e o primeiro a quebrar a crença generalizada que "os nativos estavam felizes" sob a dominação estrangeira. um precursor e mártir do nacionalismo do Malawi.

Ele é relembrado no Malwi no dia 15 de janeiro como um heroi nacional.

"É muito tarde agora para falar do que pode ou não pode ter sido. Tudo o que seja pelas razões nós somos convidados a participar na guerra, a verdade é, somos convidados a morrer para Niassalândia. Nós deixamos tudo para a consideração do Governo, esperamos na misericórdia de Deus Todo-Poderoso, que algumas coisas do dia vão dar certo e que o Governo vai reconhecer a nossa indispensabilidade, e que a justiça prevalecerá."

JOHN Chilembwe
Em nome de seus compatriotas
Niassalândia tempos No.48, 26 de novembro de 1914

LOUIS ARMSTRONG -GO DOWN MOSES


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sexta-feira, 1 de junho de 2012

QUINTETO ABANÃ – LINDAS CANÇÕES DE MATRIZ AFRICANA



Por Malachiyah Ben Ysrayl.
Historiador e Hebreu-Israelita
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Giovanino Di Ganzá é um jovem paulista, filho de um indígena tapuio e uma mulher preta do Maranhão. Poeta, compositor, musicólogo, Bacharel em Violão Erudito, que tem dedicado os seus dons para divulgar lindas canções dos ancestrais indígenas e africanos, e como ele mesmo escreveu:

-Sou músico erudito entregue à música afro.

Giovani tem um blogger que deve ser visitado e proporciona melhores informações sobre o seu trabalho, além de facebook.

DI GANZÁ - MARACATU (IV)


Ele faz parte do Quinteto Abanã que é uma palavra de origem Tupi-Guarani que significa: Gente de cabelo duro.

QUINTETO ABANÃ

O Quinteto Abanã é um projeto musical que surgiu da necessidade de investigar e pesquisar as canções extraídas das manifestações populares brasileiras de matriz africana, por meio de arranjos autorais e de domínio público que misturam o popular com o erudito. O grupo se propõe a criar releituras deste legado ancestral, composições que resgatam músicas de terreiros tradicionais dos povos yorubá, banto, keto e angola.

O abanã inicia seu trabalho em 2008 a partir do encontro entre o violonista Giovani Di Ganzá e a cantora lírica Vanessa Teixeira, músicos de formação erudita e pesquisadores das manifestações populares brasileiras. Em 2011, o duo convida mais três integrantes para compor o Quinteto Abanã, o percussionista e compositor João Nascimento, o violoncelista Renato Antunes e o flautista e cantor Douglas Lima.

Com objetivo de retratar o universo mitológico dos orixás em sua musicalidade sacra afro-brasileira, o Quinteto Abanã baseia-se principalmente em pesquisas de etno-musicólogos como o ilustre Mário de Andrade, apresenta em seu repertório arranjos que misturam a sensibilidade e a pureza do canto lírico, os ritmos marcantes (de ijexá, congo, barravento, aguerê, alujá e outros) tradicionais dos terreiros afro-brasileiros e as melodias e harmonizações refinadas executadas nos instrumentos acústicos convencionais (violão, violoncelo e flauta).

QUINTETO ABANÃ




OBALUAIÊ - QUINTETO ABANÃ





ONÍ SÉ A ÀWÚRE - QUINTETO ABANÃ




Ouça as músicas do Quinteto Abanâ:
http://www.myspace.com/quintetoabana
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