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sábado, 6 de dezembro de 2008

O PRIMEIRO CONCURSO DE BELEZA NEGRA DA HISTÓRIA

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos@gmail.com

É fundamental nos estudos afrocêntricos compreender o continente africano e asiático como uma continuidade geográfica (de fato, até a construção do moderno Canal de Suez, em 1869) é indispensável para reafirmação da verdadeira história e dinâmicas sociais. Afirmar também que toda essa extensão geográfica constituía a dinâmica de populações preta: suas civilizações, relações comerciais, religiões, conflitos, e principalmente o reflexo do modo africano de viver em sociedade.
Esse artigo versará regiões e pessoas de origem africana, incontestavelmente pessoas pretas, que formaram incríveis civilizações por acinte omitidas pela história eurocêntrica, embranquecida.
O fato histórico a ser descrito ocorreu entre 485 a 465 a.C (antes do nascimento de Yeshua, o Messias) e têm encontrado no Livro de Esther alguns de seus principais personagens:
1-E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias,
2- Que, assentando-se o rei Assuero no trono do seu reino, que estava na fortaleza de Susã.
Xerxes I (خشایارشا) foi um rei persa (reinou de 485 a 465 a.C), da dinastia aquemênida. "Xerxes" é tentativa na língua grega de soletrar o nome persa Khshayarsha. Na Bíblia Xerxes I é conhecido como Assuero.

Xerxes I (Assuero) e Rodrigo Santoro No filme “300”, mais uma vez o cinema nega a negritude das personagens.


5- Havia então um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, homem benjamita,
6- Que fora transportado de Jerusalém, com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei de babilônia.
7- Este criara a Hadassa (que é Ester, filha de seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era jovem bela de presença e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha.

Então, temos duas personagens principais: Assuero e Hadassa, duas personagens negras atuando em uma cidade negra chamada Susã.
Antes de entrarmos no concurso de beleza negra iremos falar sobre as principais civilizações inseridas neste contexto histórico:

Os Elamitas

Gênesis 10:21-22 - A Sem, que foi o pai de todos os filhos de Eber e irmão mais velho de Jafé, a ele também nasceram filhos. Os filhos de Sem foram: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arão.
Elão foi uma das mais antigas civilizações da Terra e teve como berço as antigas civilizações de Khemt (Egito) e de Cush, da mesma forma que os sumérios tiveram.

A civilização de Elão estava situada ao norte do Golfo Pérsico e do Rio Tigre, a leste da antiga Babilônia, onde hoje é o sudoeste do Irã e Iraque. Foram conhecidos como um povo belicoso que ameaçava a toda poderosa Babilônia. A civilização contou com um grande desenvolvimento em todas as áreas do conhecimento, tanto literário e quanto arquitetônico e escultural, produzindo ao mesmo tempo diversos utensílios de metais preciosos e muitos templos religiosos.
Os Elamitas se originaram no Vale do Nilo e fizeram parte das migrações africanas das pessoas dessa área, cerca de 8000 a.C a 5000 a.C. O estabelecimento do reino de Elão localizou-se onde os habitantes eram em sua maioria puramente pretos (nos termos antropológicos Negroide-Astraloid), da mesma escala das pessoas pretas que habitam o Sri-Lanka e o sul da Índia. Alguns dizem serem os Elamitas cushitas puro-sangue.

Herodotus e outros escritores gregos da casa de Memnon os descreviam como pessoas advindas da Etiópia (África), a terra dos pretos.
São descritos também como pessoas baixas e robustas de epiderme marrom, cabelos e olhos crespos e pretos, que habitaram uma considerável parte do continente asiático em tempos antigos, como se pode observar nas imagens por eles desenhadas.A capital do Reinado foi a cidade de Susã. Por este motivo também são conhecidos como Susianos. Algumas outras cidades também merecem destaque como Awan, Simash, Madaktu e Dur-Untash.
Cidade de Susã, capital do Império Elamita
Além da guerra, o comércio foi o centro das relações dos Elamitas, que comercializavam com todo o continente africano. Suas embarcações atravessavam o Tigre e o Eufrates e também o sudoeste africano, indo pelo Mar Vermelho.
Depois na história entrem 750 d.C a 450 d.C os Assírios invadiram militarmente os Elamitas e o dominaram saqueando quase completamente a região da Babilônia.

Observem o detalhe do cabelo crespo, a barba e o nariz tipicamente com traços Cushitas, africanos.

OS HEBREUS
Não há duvidas sobre a negritude dos verdadeiros hebreus, apesar de hoje habitarem a terra prometida, pessoas caucasianas que não são os verdadeiros descendentes de Abrão, Isaque e Jacó. São os Askenazis convertidos a tradição dos hebreus, e em breve faremos um artigo especial sobre esse fato.
A arqueologia, o Primeiro Testamento e os hebreus pretos espalhados no continente africano e americano nos dão as provas consistentes da aparência de Hadassa, a mulher preta que venceu o primeiro concurso de Beleza negra realizado na cidade Susã.
Os relatos sobre a vida de Moisés no Primeiro Testamento atestam a sua negritude.
Obeliscos encontrados em escavações, que atualmente estão no Museu britânico:

Hebreus no cativeiro - Olhem os detalhes são pessoas pretas

O CONCURSO DE BELEZA NEGRA
2-Então disseram os servos do rei, que lhe serviam: Busquem-se para o rei moças virgens e formosas.
3- E ponha o rei oficiais em todas as províncias do seu reino, que ajuntem a todas as moças virgens e formosas, na fortaleza de Susã, na casa das mulheres, aos cuidados de Hegai, camareiro do rei, guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus enfeites.
4- E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em lugar de Vasti. E isto pareceu bem aos olhos do rei, e ele assim fez.
O Império Persa possuía regiões que iam da Etiópia até a Índia, e de lá vieram dezenas de mulheres pretas, sendo escolhidas as mais belas e formosas, objetivando de se escolher a esposa do rei Assuero (Xerxes I). A beleza da mulher negra sempre foi ressaltada e louvada nos escritos da antiguidade, inclusive o preto Salomão, foi um admirador e apaixonado pelas mulheres originais - as mais belas do planeta. O seu amor pela Rainha Makeda ou Balkis do reino de Sabá, tornou-se a mais conhecida das histórias de amor da literatura mundial.
16- Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à sua casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
17- E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens; e pôs a coroa real na sua cabeça, e a fez rainha em lugar de Vasti.
18- Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; e deu alívio às províncias, e fez presentes segundo a generosidade do rei.

Entre dezenas de lindas jovens de diversas nações pretas, Hadassa (Ester) foi considerada a mais bela entre as belas e teve posteriormente um papel fundamental na preservação do seu povo, evitando que o mesmo fosse exterminado. Em outro artigo escreveremos da Negra Hadassa, amor ao seu povo e Purim.

The Elam Empire - Ancient history

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

CULTO DE INAUGURAÇÃO DA COPATZION



Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA e membro da COPATZION. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke. E-mail: ulisses_soares@hotmail.com



Ontem, dia 30 de novembro a Comunidade Pan-Africanista de Tzion, realizou o seu culto inaugural. O povo preto uniu-se para louvar e festejar Yavé. Yeshua, o Africano, esteve presente em nossos corações.

Foi uma manhã de confraternização dos cristãos pretos que livremente cantaram, dançaram e louvaram a Yeshua, o Messias, e renovaram os seus votos ao crescimento da Igreja Preta, a divulgação da Teologia Preta, a propagação do Cristianismo de Matriz Africana, ao compromisso da real liberdade do povo preto, as missões de libertação e inserção cada vez maior de combate ao racismo na sociedade e nas igrejas evangélicas.
Contamos com a ilustre presença do Pastor Batista Allan Callahan (USA), que nos trouxe uma inspirada mensagem sobre Yeshua e seu amor a humanidade. Tivemos momentos de louvor e adoração, canções de Bob Marley (One Love e Redemption Song), orações e declamação de poesias de Agostinho Neto e Marcus Garvey, leia:

O Louvor Africano de Batalha
(Marcus Garvey)
O sol africano está brilhando acima do horizonte,
O dia está surgindo para nós, homens e mulheres pretas ao redor do mundo;
Nosso Deus está na linha da frente, e conduz o Batalhão Santo,
Avante, faça suas bandeiras brilharem, irmãos de nobres ações.

Há uma bandeira que nós amamos verdadeiramente -
O vermelho, o preto e verde,
Maior emblema que pode ser declarado,
A mais brilhante já vista.

Quando o mal for rompido, a terra vai tremer,
Nem oceanos, mares, nem lagos estarão a salvo,
O nosso sofrimento foi muito longo, nosso choro subiu até o trono de Deus;
Temos contados diversos erros, e apelamos por uma mudança efetiva.

Então, Senhor, deixe-nos ir para a batalha, com a Cruz na frente;
Vamos ver nossos inimigos sucumbirem, ver suas fileiras se dividir
Porque com Deus não há qualquer obstáculo que não possa ser ultrapassado,
Nem vitória que não possa ser alcançada.

Todos os filhos de Deus, seja na angústia ou nos castigos,
Não importa onde, com misericórdia, seu amor está lá;
Então dei-nos coragem para alegres cantar louvores ao Rei, O Salvador, Cristo, o Senhor.

OH, África, vitória! Veja, o inimigo vai cair!
Cristo levar-nos a vestir a coroa triunfante;
Jesus, lembramos com carinho o sacrifício da cruz,
Então levantamos as nossas bandeiras para nunca mais sofrer.


A ordenação do Pastor Fredson Oliveira e sua inspirada pregação foi sobre o Amor de Yeshua para o povo preto, o povo escolhido de Yavé.

Agradecemos a presença dos representantes da ANEC (Associação de Negros Evangélicos de Camaçari), do Pastor Callahan e dos membros do CNNC/BA. Agradecemos também a apoio dos irmãos pretos Paulo Rogério e Geilson da Mídia Étnica.
Veja algumas fotos do Culto inaugural da Igreja Preta:


Leitura das Sagradas Escrituras Africanas
Irma Kinda, irmã Makini, irmã Aidan,Pastor Fredson, irmã Bete e Sista Dina.

Pastor Fredson, esposa Jaqueline e filha Fernandinha

Dança do Povo Preto


O Povo Preto é só Alegria!


Deixai vir a mim as criancinhas- Palavras de Yeshua, o Africano.



Ras Roberto e Ras Sidnei , tocadores dos instrumentos sagrados, nos agraciaram com o Toque do Coração em louvor a Yeshua. Irmã Manana, Irmão Thembi, irmã Makeda e seu esposo Ednor.



Irmã Aidan, irmã Elenita e irmã Manana

Parabenizo a iniciativa dos irmãos, pois acredito, que estamos caminhado par esse momento, em que em nossas igrejas negras, terão uma participação na pregação autentica do verdadeiro Evangelho do Cristo, que como os irmãos acredito ser preto tembém. Infelizmente não poderei estar com os irmãos nessa ação afirmativa, mas creio que terei a oportunidade de participar de uma celebração com os irmãos em breve.
Continuem precisaremos da experiências de vocês para enchermos o Brasil de igrejas pretas dirigidas por pretos.
João Preto/PASTOR

Veja mais fotos da COPATZION no Orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#AlbumList.aspx?uid=10464817996003069858

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

IGREJA PRETA - A RECONSTRUÇÃO ESPIRITUAL DOS AFRICANOS E AFRICANAS NA DIÁSPORA

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos@gmail.com


Após dois anos de imensos debates internos e tentativas de aproximação com pastores e igrejas protestantes, possuidoras de “programas” contra a discriminação racial, o CNNC (Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos) percebeu a impossibilidade de manutenção e permanência da maioria de seus membros nessas comunidades. Não excluímos totalmente o diálogo com essas igrejas e suas lideranças brancas, as quais mantêm dentro de suas instituições milhões de descendentes de africanos aprisionados mentalmente, sendo esse o motivo de continuarmos com essa tentativa, com a nossa voz profética, com obrigação de alertá-las sobre o pecado do racismo contra as filhas e filhos de Yavé.
Sabemos que certas igrejas possuem pastorais ou estão iniciando discussões, aonde ordenam pretas e pretos as representem em reuniões dos Movimentos Sociais, evitando o confronto dos verdadeiros representantes dessas igrejas - os brancos - que possuem as decisões. Estes não comparecem, são os reais detentores do poder eclesiástico, estes não desejam mudanças na opressão racial e acumulam experiências de dominação, usam estas pastorais, evitando também discutir internamente a discriminação contra o povo preto nas suas igrejas, concílios e na sociedade, outrossim, as pretas e pretos servem muito bem para escamotear o que eles deveriam urgentemente discutir e tentar resolver em conjunto.
O Movimento Negro sabe e confirma que o CNNC é a única organização cristã preta livre, adjetivada pelas igrejas brancas e seus representantes descendentes de africanos de “negros rebeldes”, “negros desobedientes”, “negros hereges”, “negros divisionários”, “negros pecadores”, “negros endemoniados”. Consideram-nos pregadores de uma Teologia Negra e da saída do povo preto dessas instituições, o que não deixa de ser verdade em última análise. O CNNC não deseja e nem pede que as igrejas brancas peçam perdão ao povo preto pela escravidão. Não acreditamos na seriedade moral e espiritual desta petição. Inclusive a maioria delas não atendeu ao pedido de perdão sugerido por membros de algumas organizações cristãs que ilusoriamente acreditam nas igrejas brancas. Pedimos sim, a Yavé que perdoe essas igrejas que usando indevidamente o seu Santo Nome participaram da invasão da África - Continente Abençoado, do tráfico de mulheres, crianças e homens originais, da exploração dos nossos ancestrais e são culpadas pela omissão da escravidão e racismo, e muitas delas da participaram da morte de milhões de africanos e descendentes, e além do perdão, que Yavé proceda com a devida justiça atingindo todos aqueles que até hoje se utilizam do racismo e das inúmeras mentiras para construção dos seus Impérios religiosos anti-pretos.
O CNNC entende o medo das igrejas brancas e as causas da preocupação da manutenção de milhões de pretas e pretos passivos, em seus quadros religiosos. Abaixo, analisaremos os motivos principais que levam ao desespero dessas estruturas eclesiásticas:

CRISTIANISMO DE MATRIZ AFRICANA

O CNNC foi a primeira organização no Brasil a divulgar que a origem do cristianismo é africano, através de profundos estudos da história do cristianismo, da história das civilizações do Vale do Nilo, da região conhecida por Magreb e especialmente pelos estudos das Sagradas Escrituras Africanas (Bíblia). Os livros do Primeiro Testamento tiveram como espaço geográfico a África antes de ser separada pelo congloremerado anglo-francês que construiu o canal de Suez. África e Ásia são na verdade uma só extensão territorial e os fatos históricos bíblicos tiveram como atores e atrizes mulheres e homens pretos.
As primeiras comunidades cristãs se formaram na África e ainda existem como provas vivas das revelações de Yavé para as civilizações originais, assim, ainda temos a Igreja Copta no Egito e a Igreja na Etiópia, formadas bem antes da Igreja Branca Católica Apostólica Romana e das Igrejas Brancas surgidas na Reforma Protestante do séc. XVI. Por isso a COPTAZION se espelha em uma tradição africana, numa reelaboração de fé dos ancestrais africanos, denunciando que o cristianismo que ai está seja católico ou protestante, omite a verdade histórica e das primeiras comunidades africanas cristãs. Yeshua, nunca foi a Europa, foi um homem africano com uma família africana e com mensagens de reconciliação, de libertação e paz para os africanos e seus descendentes. A COPTAZION é a única igreja no Brasil que reconhece e propaga o Cristianismo de Matriz Africana como um dos seus principais alicerces doutrinários.
Leia mais sobre Cristianismo de Matriz Africana em:
AXUM - AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS NA ETIÓPIA
O MEDO DE JESUS CRISTO PRETO

QUESTÃO ECONÔMICA

Censos realizados há alguns anos, demonstram que há cerca de 15 milhões de descendentes de africanos membros de diversas igrejas evangélicas ou protestantes. A amada leitora e o amado leitor se forem membro de igreja, sabe que a manutenção das instituições perpassa com a contribuição direta dos fiéis, sendo assim, podemos enumerar algumas: dízimos, ofertas, campanhas beneficentes, etc., para manutenção de escolas, hospitais, templos, gráficas, seminários, missões, salários pastorais, entre outros.
Desde a infância aprendi a contribuir com os trabalhos das igrejas, em muitos momentos eu guardava o pouco dinheiro para a merenda escolar com a finalidade de ofertar na escola dominical. Deixei de comprar os meus doces, mas aprendi a responsabilidade da contribuição de se manter a instituição religiosa. Apenas me arrependo de ter deixado de saborear os doces e ter contribuído para manutenção do racismo. Nenhuma organização sobrevive sem a participação econômica de seus membros e na igreja esse aprendizado começa na infância.
Vamos brincar um pouco de economia, não sendo a minha área poderei incorrer em erros, mas baseado em experiências e relatos, analisaremos as contribuições de 15 milhões de descendentes de africanos para as diversas organizações protestantes. É bom ressaltar, o dízimo significa para muitas igrejas, dez por cento do salário. Há membros de diversas classes sociais , e a maioria recebe o um salário mínimo; dez por cento do salário mínimo são R$ 415,00 reais; se você ganha um salário mínimo e se for um crente fiel; dez por cento, isto é, 41 reais pertencem à instituição. Se você ganha 2000 reais, 200 são da instituição. Além das ofertas, campanhas, etc... Suponhamos na média que 15 milhões de pretos contribuam na média 50 reais ao mês, evidente que essa média deve subir, pela aquisição de diversos CDs, shows do grande mercado gospel, da compra de Bíblias, literatura, cartões, roupas, e diversos outros objetos diariamente adquiridos pelo povo preto evangélico.
Por baixo façamos a multiplicação:
15.000.000,00 X 50,00 = 750 milhões de reais, em um ano serão nove bilhões de reais utilizados para a manutenção do racismo protestante.
Pode-se chegar tranquilamente também a média de 100 reais pela venda de material evangelístico e poderosas campanhas de manutenção de programas de rádios e televisivos. Então façamos uma média de R$100,00 mensais, isso sem integrar as Testemunhas de Jeová e os pretos na Igreja Católica que não fazem parte nesses cálculos, porque teríamos um valor impossível neste momento de supor.
Na média de R$100,00 X 15.000.000,00 = 1 bilhão e 500 milhões de reais investidos pelos descendentes de africanos evangélicos nas igrejas que negam a discriminação racial no Brasil.
Pasmem! Setecentos e 50 milhões de reais ou um bilhão e 500 milhões de reais são disponibilizados ao mês, nove bilhões de reais ou 15 bilhões de reais anualmente para a manutenção de estruturas que negam o racismo e esse montante não são voltados para a comunidade negra.
Minha irmã e meu irmão preto é o momento de se fazer reflexões.
- O que você tem feito pelo seu povo preto?
- O suor de seu trabalho tem servido para a manutenção do racismo nas igrejas evangélicas?
- O dízimo e oferta garantem que seus filhos e filhas estudem nos colégios dessas denominações?
- Não já passou o momento de você reverter esse processo?

QUESTÃO HISTÓRICA
A negação do racismo na igreja protestante é de tentar escamotear o passado dos escravizadores norte-americanos que trouxeram a fé evangélica para o Brasil, e com eles o racismo protestante de missões o qual já encontrou uma sociedade racista baseada no catolicismo escravizador.
Foram formadas igrejas baseadas no simbolismo branco-puritano-racista, que delinearam e marcaram todas as igrejas históricas e a posteriori as denominações pentecostais e neopentecostais.
A historia do protestantismo Brasileiro é baseada no liberalismo, na idéias do Darwinismo Social, da Predestinação (que criou o Apartheid na África do Sul e as Leis Jim Crow) e em teologias anti-preto. O interesse dos primeiros protestantes foi de converter brancos e não descendentes de africanos, ocorrendo uma inversão de alvo, tornando-se necessário um entendimento mais acurado da presença maciça de pretos e pretas nas denominações protestantes históricas, especialmente a fé batista. Nas outras igrejas históricas há também comunidades exclusivamente pretas, e a grande presença de comunidades evangélicas em quilombos, fato este, não comentado por historiadores, sociólogos e antropólogos. As igrejas pentecostais e neopentecostais são majoritariamente negras, como o caso especifica das Assembléias de Deus e de outras.
A história do protestantismo no Brasil é pautada na discriminação racial e no alijamento da parcela preta dos processos decisórios, tanto assim, que a Igreja Metodista, ainda se recusa de aceitar como um dos heróis da fé, o crente metodista marinheiro João Cândido.
A história do protestantismo no Brasil é a negação do ser africano, são concepções eurocentradas e norte-americanas, que através de seus programas educativos se apropriaram do discurso da inferiorização dos descendentes de africanos. Aliás, muito bem planejado, afetando as relações de convivência da família, do povo preto, criando um desejo intenso de branqueamento das poucas lideranças masculinas e o desejo intrínseco de “melhoria” racial; um péssimo exemplo para as crianças e jovens. Achei um vídeo na internet o qual retrata a visão distorcida das relações entre negros em uma igreja protestante.

A QUESTÃO TEOLÓGICA
Um dos recortes fundamentais da manutenção da escravidão mental dos descendentes de africanos no protestantismo e a Teologia.
Quando usamos a conceituação de teologia branca é para explicitar diretamente que os conceitos do cristianismo protestante são europeus e norte-americanos. Não vou citar as diversas escolas teológicas, mas todos os pensadores são brancos, a teologia tem postulados brancos ocidentais, inclusive pretos e pretos se tornam doutores e doutoras nesses pensamentos, nada entendem de afrocentricidade, mas são mais brancos do que os próprios brancos e se voltam violentamente contra o modo de pensar africano e afro-diaspórico. O Povo preto é o mais espiritual da terra porque possui a essência do sopro divino, resultante de ser a primeira criação de Yavé, os seres originais. Um povo repleto de alegria e espiritualidade. O povo escolhido de Yavé para povoar o planeta, sendo a sua imagem e semelhança, não estou excluindo as outras cores epiteliais que sofreram mutações genéticas temporais. Apenas afirmo que o povo preto é originariamente o POVO de DEUS, conforme escrito nas Sagradas Escrituras Africanas e em todas as antigas tradições do mundo. As Sagradas Escrituras Africanas relatam erros e acertos de povos africanos e suas relações com o Deus PRETO.
As igrejas protestantes ensinam uma teologia branca excludente, anti-histórica e anti-Bíblica que mantém milhões de descendentes de africanos aprisionados, imaginando um Deus europeu, escravizador e terrorista, que não ama o povo preto. Incrível, como a teologia foi transformada, apropriada e deformada para a manutenção de inverdades que favoreceram o império branco romano e foi novamente transformada na reforma protestante branca européia do sec. XVI. Os diversos pensamentos teológicos da Igreja Branca Romana e da Reforma Branca Protestante foram direcionados aos povos brancos e serviram de exclusão do Povo Preto.
Por isso, o CNNC, não aceita e nem compreende que teólogos brancos no Brasil queiram produzir uma Teologia Negra – melhor seria Teologia Preta - isso é impossível, é vergonhoso, como também e questionável que pretos e pretas que ainda estão dominados e subservientes nas igrejas brancas em suas pastorais e concílios, tentem fazer um Teologia Negra sendo orientados por esses pastores. Isso é brincadeira!!! Somente pretos livres e independentes em suas comunidades pretas tem a possibilidade de viver e escrever uma Teologia Negra, porque é a sua vivência espiritual com Yavé, podem entender, sem a interferência espiritual dos líderes brancos e suas teologias excludentes a vontade de Yavé para o seu povo preto. Junte-se a nós nessa caminhada.
QUESTÃO DAS MULHERES E CRIANÇAS
As igrejas no Brasil servem de exclusão das crianças e das mulheres mantendo o foco da patriarcalidade, de uma teologia patriarcal, sexista e machista. As crianças alvo do amor de Yeshua são desconsideradas, especialmente as crianças descendentes de africanos, alvos incontestes de uma educação discriminatória que afeta a sua auto-estima desde o ventre materno, formadas em escolas dominicais que afetam a sua formação como africanos em diáspora.
Leia mais:
O RACISMO NA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
As mulheres pretas, as grandes baluartes da ancestralidade africana, da família, da fé, são esquecidas nestas igrejas protestantes, milhões de mulheres pretas não tem o reconhecimento da sua beleza e inteligência como obra-prima do criador na África, e essas igrejas machistas a negam a ordenação pastoral, colocoado-as como serviçais de templos e organizações. Por isso torna-se necessário a imediata libertação espiritual dessas mulheres e crianças para que se redescubram na africanidade e possam cumprir verdadeiramente a missão de unificação do seu povo nas igrejas evangélicas e nas sociedades afro-diaspóricas.
Conclusão: Estes são alguns fatores de pretas e pretos de diversas denominações em Salvador-Bahia, resolveram atender o chamado de Yavé para se organizarem além do CNNC, na primeira Igreja Preta do Brasil - COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Apesar de no Brasil existir igrejas que se autodenominam de Negras, possuem apenas cultos alegres e avivados, como é natural, pois sua maioria é de descendentes de africanos que abundam a alegria e a Graça de Yavé e onde está o povo preto reunido está à presença do Eterno, abençoando ao seu povo original. Infelizmente estas igrejas possuem uma teologia branca em comunidades pretas. A COPTAZION é uma igreja preta com uma teologia preta, ai está à diferença.
Os desafios já surgiram e ataques já se iniciaram contra a COPATZION, as lideranças brancas e membros pretos afetados por estas estão desesperados pela aceitação da COPATZION pela comunidade preta. Estamos recebendo dezenas de e-mails de todo o Brasil e do exterior com pedidos de inauguração da COPATZION.
Irmãs e irmãos pretos, você pode agora LIVREMENTE LOUVAR A YESHUA, o AFRICANO, cantar e tocar os tambores sagrados, participar de confraternização como um só povo: O POVO DE YAVÉ, e no próximo dia 30 estaremos fazendo a nossa primeira celebração com a ordenação do nosso pastor, cânticos, poemas, danças e confraternização da Igreja Preta.
Contribua com essa idéia. Precisamos implementar ações de missões e construção do nosso templo. Tenha a COPTZAION nas suas orações e nas suas ofertas. Precisamos enviar missionários (as), queremos chegar a sua cidade com as nossas missões de libertação. Seja corajoso e corajosa. Aceite o desafio de fé. Só com a sua ajuda, irmã e irmão preto, poderemos enfrentar esses impérios religiosos consumistas e racistas que você ajuda a construir e manter, por falta de opção, porque sempre acreditou no amor de Yeshua. Agora chegou o momento de você construir pelo seu povo preto.
Entre em contato com os cristaosnegros@yahoo.com.br e com copatzion@gmail.com e vamos mudar esse jugo desigual.

sábado, 21 de junho de 2008

AXUM - AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS NA ETIÓPIA


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Introdução
O reino de Axum (Etiópia) foi o terceiro das civilizações clássicas do Vale do Nilo. A sua extensão territorial era de 6.400.000 quilômetros quadrados, uma extensão do deserto do Saara, com uma pradaria rica e apropriada para a criação de bovinos e o restante montanhoso indo do rio Nilo Superior ao Mar Vermelho. Possuía também territórios na Arábia, no Vale da Fenda do Quênia e da Tanzânia até o Mar Vermelho. Sua cultura era uma mistura de influências locais e Sabaenas da Arábia Meridional. Os axumitas possuíam uma posição estratégica entre o Yemen do Sul e a Núbia.
A Etiópia tem uma das tradições mais antigas da história mundial. As informações sobre o Reino de Axum antigo são raras; os escritores gregos e romanos foram os primeiros a escrever sobre essa importante civilização bem perto da era cristã e citam a cidade de Adulis, porque foi uma das mais importantes cidades portuárias da África.
A história de Axum é relatada também na Bíblia em 1000 a.C. com a Rainha de Sabá, conhecida por Makeda ou Balkis , da cidade de Marib na Arábia Meridional, que visitou o rei Salomão em Jerusalém. Presenteando-o com riquezas retomou com valiosos presentes, e grávida de Salomão. Gerou um filho o qual chamou de Menelik, que mais tarde fundou a dinastia etíope dos Leões de Judá. Essa dinastia terminou bem recentemente em 1970 quando o último imperador, Haile Selassie, foi derrubado por um golpe militar.
Entre os anos século III e IV d.C. Axum adquiriu territórios na Península Arábica, através do Mar Vermelho, conquistou a Etiópia do Norte e então finalmente dominou a cidade Meroé e todo o Império de Cush; uma das regiões mais férteis no mundo. A queda dos poderes da Núbia conduziu à ascensão meteórica do poder imperial dos axumitas.
A civilização Axumita construiu palácios, templos e tumbas bem arquitetadas e de rara beleza. Altas torres de pedras chamadas steale como monumentos. Um deles tem treze andares feitos de uma rocha de 100 pés de altura e pesando quatrocentas toneladas.

AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS
Atos 8:27- Filipe se aprontou e foi. No caminho ele viu um eunuco da Etiópia, que estava voltando para o seu país. Esse homem era alto funcionário, tesoureiro e administrador das finanças da Candace, rainha da Etiópia. Ele tinha ido a Jerusalém para adorar a Deus. Na volta, sentado na sua carruagem, ele estava lendo o livro do profeta Isaías.
Leia todo o texto em Atos 8:27-39 em sua bíblia.
A igreja etíope começou com a conversão do eunuco, um oficial da corte, ministro das finanças da rainha. “Candace” não era o nome dela, mas um título, como “Faraó”, no Egito; “César”, em Roma, etc. Ele era um homem temente a Deus e tinha vindo de longe para a adoração em Jerusalém.
O cristianismo se estabeleceu como religião oficial de Axum no quarto século, com a conversão do rei Ezana. Salmo 68: 32- “E a Etiópia estendia as mãos para Deus.”
O rei Ezana permitiu também as religiões tradicionais. Ele mandou fazer inscrições de ações de graças a Deus por suas vitórias as quais estão gravadas em monumentos públicos nas línguas Ge'ez, sabeana e em grego além de emitir moedas douradas inscritas em cruzes.

A Arca da Aliança levada de Israel por Menelik estava no Monastério de Tana Kirkos, o lago mais largo da Etiópia e fonte do Nilo Azul. O Rei Ezana mandou buscá-la e a colocou em uma capela sagrada em Axum, onde só uma pessoa pode vê-la, o homem sagrado, o guardião das tradições religiosas.
As procissões ainda hoje em Axum passam ao redor da capela central e da igreja central em honra a arca da aliança.
O Imperador Lalibela viveu em 1185- 1225 d.C foi um dos mais proeminentes governantes de Axum. Conta à tradição que sua mãe o chamou de Lalibela porque no dia de seu nascimento ele foi cercado por diversas abelhas. Este mudou a capital para Rhoa e a rebatizou de Lalibela. Foi o primeiro a construir igrejas nas rochas, em locais que nomeou com passagens bíblicas: sepulturas com o nome de Adão e Jesus Cristo, córregos com o nome de Jordão e etc.
Lalibela desejou criar uma nova Jerusalém na sua cidade devido à conquista da cidade sagrada pelos muçulmanos no ano de 1187, por causa disto o povo etíope estava impedido de realizar peregrinações.
O primeiro caucasiano europeu a visitar as Igrejas foi o Português Pero de Covilhã. Outro Português, o padre Francisco Alves ainda desacreditado por suas descrições das incríveis Igrejas em Axum:
“Estou cansado de escrever sobre essas magníficas edificações, pois parece que não acreditam em mim caso escreva mais... Eu juro por Deus, em cujo poder estou submetido, tudo que tenho relatado é verdade.”
Lalibela construiu onze igrejas esculpidas em rochas. E uma das características notáveis destas igrejas é um túnel, de quarenta pés de profundidade em forma de cruz, que liga as onze igrejas.
As Igrejas foram consideradas Patrimônio Histórico-Cultural da Humanidade, pela UNESCO em 1978. Elas são divididas em quatro grupos:
As Igrejas do Norte: Casa do Salvador do Mundo, Casa de Maria, Casa Gólgota, Capela Selassie e do Túmulo de Adão.
As Igrejas Ocidentais: A Casa de São Jorge; a mais preservada e bela das treze igrejas.
As Igrejas Orientais: Casa de Emanuel, Casa de Gabriel, Casa Abba Libanos
E os monastérios de Ashetan Maryam e Yimrehane Kristos.
A Casa do Salvador do Mundo é a maior delas, e também é a maior igreja do mundo construída em pedras. Ainda há monges negros seguidores da igreja etíope que moram nessas cavernas. A liturgia das onze igrejas continua a ser no Ge'ez antigo. O incenso queimado em rituais religiosos de hoje foram herdados do antigo cristianismo etíope. O Cristianismo da Etiópia é um dos mais antigos do mundo, tem cerca de 1600 anos. A teologia da Igreja Ortodoxa Etíope mantém ritos do Antigo Testamento, como a guarda do sábado, a circuncisão no oitavo dia após o nascimento, a abstenção da carne de porco.
Através de monges da Igreja da Síria, adotaram o monofisismo, doutrina que acredita que Cristo existia em apenas uma natureza, a divina. E que Jesus, portanto, não era uma pessoa humana e não tinha uma alma como os outros. Os monofisistas acreditam que após a encarnação, a natureza divina tinha absorvido a natureza humana em Jesus. Esse pensamento foi considerado herético pelas Igrejas européias.
O Cristianismo africano é de suma importância e infelizmente não é conhecido. O povo preto foi predestinado antes da fundação do mundo para ser criado à imagem e semelhança de Deus e ser sua testemunha através dos séculos. A igreja etíope é uma das provas inconteste da história que os caucasianos se apropriaram e mudaram a história da igreja original: as igrejas africanas.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

INTOLERÂNCIA A DEUSES E DEUSAS PRETAS

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br


Há todo o momento o povo preto é agredido de diversas formas e maneiras por manter o referencial africano nas religiões - Umbanda, Candomblé, Catolicismo, Cristianismo de Matriz Africana - em conseqüência diversas retaliações são empregadas, como a iconoclastia (destruição de imagens), invasão de locais de culto em uma cruzada religiosa contra o povo preto, além de mudanças exegéticas e hermenêuticas para o branqueamento de civilizações e personagens nos livros religiosos. Não possuo sentimentos de raiva e nem de ódio, porque entendo haver um planejamento para o desconhecimento da história das civilizações primitivas, civilizações africanas, sendo assim, nem raiva e o ódio são sentimentos que devem ser cultivados, mas, cultivado deve ser a preocupação da continuidade de difusão de mentiras.
Caminho para tal entendimento é o afrocentrismo e a prática do panafricanismo, ambos, podem reverter esse processo no nosso povo. Sendo nós a maioria da população, ainda assim, usados como ponta-de-lança e testa-de-ferro nos ataques de um engendramento racista bem aprimorado, percebemos que o ocorrido é um aprisionamento da consciência, tornado-se necessários métodos educacionais e empenho panafricanista de solidariedade entre o povo preto, para mudar essa realidade e libertar os prisioneiros mentais do racismo e das mentiras caucasianas.
Devemos ressaltar que as mudanças foram progressivas e são sistemáticas na destruição da verdade histórica. Imagine que desde a escravidão o povo preto foi obrigado a assimilar imagens européias, mutilação das deidades pretas. Todos os deuses e todas as deusas das civilizações antigas foram pretos, inclusive nas primeiras civilizações caucasianas, as quais imagens e mitologia retratam os primeiros habitantes do planeta: a civilização preta. As deidades do mundo antigo, inclusive das bem recentes civilizações caucasianas Grécia e Roma, foram pretas: Júpiter, Baco, Hercules, Apolo, Vênus, Hécate, Diana, Juno, Métis e outras. Sabemos inclusive que Dionísio foi Osíris reinventado.
E-mails são enviados por pessoas pretas protestantes que ficam histéricas com os posicionamentos do CNNC, ao afirmar a pretitude de Yeshua, não aceitam porque aprenderam a adorar Deus com uma concepção européia. Nós do CNNC não inventamos um Deus Preto.
Os relatos do Primeiro Testamento retratam sacerdotes que adoravam Deus na sua essência de pretitude.
Nee 9:7 - Tu és o Senhor, o Deus, que elegeste a Abrão, e o tiraste de Ur dos caldeus, e lhe puseste por nome Abraão.
Há alguma dúvida entre as leitoras e leitores que os Caldeus foram homens pretos?
Gen 14:18 -E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo.
Melquisedeque foi um homem preto, provavelmente da Etiópia e um dos primeiros sacerdotes do Eterno.
Gen 41:45 - E Faraó chamou a José de Zafenate-Panéia, e deu-lhe por mulher a Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om; e saiu José por toda a terra do Egito. O sacerdote de Om. Om significa "luz" ou o "sol". A cidade de Om era o centro da adoração ao sol no Egito. Os egípcios adoravam deuses e deusas pretas, deuses que demonstravam sua imagem de pessoas pretas, José casou-se, dessa forma, com uma mulher preta, sendo ele também um homem preto.
Exo 3:1 - E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe.
Tanto assim que Jetro, um homem preto era um sacerdote de Javé, bem antes dos hebreus voltarem a conhecê-lo.
Todos os relatos do Primeiro Testamento são de civilizações pretas afro-asiáticas adorando deuses e deusas pretas.
Pretas foram as primeiras civilizações do planeta e retrataram-se em imagens pretas, pois não havia branco no planeta. Quais foram os profetas e fundadores das religiões antigas de origem caucasiana? Não há algum, significando que todas as grandes religiões do planeta com os seus erros e acertos foram criadas pelas civilizações pretas. Como que os europeus que surgiram há pouco tempo tentam modificar a verdade histórica, inventaram a bruxaria nas regiões geladas podem maquiar as divindades africanas ancestrais com a sua imagem e semelhança, através do poder das armas e da ideologia.
As provas surgem a todo o momento do aparecimento da civilização caucasiana que para muitos cientistas foi uma mutação dos primeiros habitantes do planeta terra, os seres originais: O povo preto.

NOSSA SENHORA APARECIDA

A imagem de Aparecida foi atacada duas vezes: a primeira em 16 de maio de 1978, por um jovem protestante que atirou uma pedra destrindo-a dentro da basílica, e outra, quando milhões de telespectadores viram quando um bispo branco da Igreja Universal, chutou em um programa de televisão, uma réplica da imagem.

Confira o Bispo Chutando a Imagem:

Há dezenas de relatos na internet sobre pessoas que questionam a imagem preta de Aparecida e relatos de católicos que, após discriminarem a imagem por sua cor, dizem agraciados e se arrependem. Evidente que esses fatos levam a três questões: a iconoclastia e o racismo da sociedade cristã branca brasileira e o desconhecimento das primeiras sociedades do planeta que criaram imagens de deuses e deusas pretos, porque foram os primeiros a habitar o planeta e conhecerem Deus antes do surgimento da civilização branca, uma mutação dos homens e mulheres originais. O conhecimento dessa mutação faz com que as imagens pretas sejam atacadas e destruídas. Conforme relatos de jornais: “A imagem de nossa Senhora Aparecida está protegida por dois seguranças e assim mesmo um protestante atirou uma lata na imagem”.
Por que tanto ódio à imagem de Nossa Senhora Aparecida?
Segundo está escrito no Livro Teologia Negra: A Revelação:
"Os fundamentalistas que a todo o momento, tentam descobrir o ANTICRISTO e a Besta Apocalíptica a identificam como preta a deusa citada no livro de Jeremias 7:18 – Os filhos recolhem lenhas, os pais acendem o fogo e as mulheres preparam a massa para fazer broas em honra a Rainha dos céus. E em Jeremias 44:17 – Antes certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, queimando incenso a Rainha dos céus.
Essa adoração a Rainha dos Céus era praticada em todas as sociedades do mundo antigo e as representações dessas deusas foram de mulheres pretas: Athor, no Egito, Virgem Depaira na China e no Tibete, Hestia na Grécia, Juno em Roma, entre outras. Fato esse normal porque as civilizações pretas foram às primeiras que surgiram e se desenvolveram no planeta."
“Por milhares de anos as mulheres pretas foram adoradas na África em todo o mundo.”

Isis -Deusa Preta do Egito

Enquanto Aparecida é uma imagem preta, há inúmeros questionamentos sobre a etnicidade de Maria, dentro do próprio catolicismo e protestantismo brasileiro. Não é simplesmente o fato de a iconoclastia ser praticada pelos protestantes, pois eles não são iconoclastas em suas revistas e outras produções literárias que só representam a Maria Branca e Yeshua Branco.

Capa da revista dos adventistas usada no 2º trimestre de 2008

A Igreja Católica Romana com a sua diversidade cultural é "mais aberta" e bem mais próxima das vertentes históricas, juntamente com as Igrejas Ortodoxas, possuem documentações do cristianismo primitivo, sendo detentoras de documentação icnográfica do cristianismo inicial, onde se constata que as imagens de Maria são todas pretas.

A Madona Preta do Nekromanteion- Grécia

Virgem Preta - Notre Dame - Dijon

As igrejas protestantes surgiram após os movimentos reformadores do séc. XVI na Europa, com uma visão capitalista e discriminatória. O Pentecostalismo clássico e o neopentecostalismo se originaram de pessoas oriundas do protestantismo histórico.
Aparecida é uma representação histórica real da cor epitelial de Maria e se torna vítima de ações depreciativas e racistas na sociedade brasileira. Esses ataques são feitos atualmente em grande parte na nova vertente protestante, conhecida como neopentecostalismo, e por outros grupos dos protestantes históricos e do pentecostalismo clássico, que na sua maioria são de descendentes de africanos, e por mais paradoxal que seja são os primeiros a negar a etnicidade de Maria.
A mulher preta no Brasil sempre foi um ícone de serviços e bênçãos: como mãe preta na casa grande e ama-de-leite amamentando forçadamente os filhos de senhores, como Anastácia, mulher guerreira e quilombola, lutando pela liberdade.
E a presença de Maria na vida brasileira é apenas um exemplo de representação das madonas pretas. Na Espanha são mais de cinqüenta, na França trinta e duas, Na Itália trinta, e dezenove foram encontradas na Alemanha.
No meio protestante brasileiro seja ele histórico, pentecostal clássico ou neopentecostal, o nome de Maria não é lembrado. Fruto do anticatolicismo inicial dos primeiros missionários sulistas norte-americanos. Hoje, na intolerância religiosa os antigos perseguidos se tornaram perseguidores e criadores da inquisição protestante no Brasil, que é fundamentada na discriminação religiosa e racial, e Maria se tornou à representatividade do mal, vista como satânica, bestial, anticristã e símbolo do início da chamada grande tribulação.
Juntamente com essas concepções protestantes, uma parcela da sociedade brasileira, imbuída ainda de práticas discriminatórias e, outra parte africana presente em todas as correntes do protestantismo, sem bases históricas das populações afro-asiáticas da época na qual viveu Maria, não aceitam que a Padroeira do Brasil seja uma mulher preta.
A imagem de Aparecida é uma das comprovações do afrocentrismo que todas as imagens das divindades foram de homens e mulheres pretas.

PRETAS POESIAS

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