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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CABELO DE PRETO – RESISTÊNCIA E AFIRMAÇÃO DA ANCESTRALIDADE - I LOVE MY HAIR - "MY NAPPY ROOTS" - GOOD HAIR - PARTE II

"Papai, como é que eu não tenho cabelo bom?




Por Walter Passos.
Historiador e Poeta
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Uma amiga internauta perguntou-me se eu estava zangado com ela. É muito difícil ficarmos aborrecidos com amigos virtuais, especialmente com aqueles que conversamos ocasionalmente. O motivo da minha suposta “zanga” foi o artigo sobre os cabelos que eu escrevi e uma amiga dela enviou o link para o seu perfil no facebook. Não escrevo especificamente para nenhuma mulher preta. Escrevo para todas as mulheres pretas e homens pretos.

É necessário que falemos de amor que se transformou em ódio a si próprio, de uma forma de banzo que a mulher preta começou a ter ao se olhar no espelho. Não de saudades, mas um banzo que corroeu o âmago de seu ser e fazia chorar nas fétidas senzalas e nas casas após o cativeiro. A mulher preta, além das mazelas do racismo, preocupações de sobrevivência, do sustento das famílias, de sofrer e amar pela irresponsabilidade de muitos homens pretos em serem verdadeiros companheiros: conseqüência da quebra dos laços familiares pela escravidão. Teve uma nova incógnita a resolver: as suas madeixas, os seus cabelos. Conheço muito bem esse processo dos cabelos das pretas. A minha filha Aidan quando pequena chorava para não pentear os seus lindos cabelos. Manter os cabelos naturais das meninas pretas é difícil por causa da falta de continuidade dos conhecimentos ancestrais africanos. Mas, é fácil quando voltamos as nossas origens e é prazeroso para toda a família o olhar de pertencimento as raízes dos nossos antepassados, o retorno pode começar pelo amor e respeito aos nossos cabelos e quão gratificante é quando as nossas meninas dizem como o a linda africana no livro de Cantares de Salomão 1:5:

- Eu Sou preta e formosa.

O conhecimento foi interrompido com a escravidão como a descontinuidade de comunicação através das línguas nativas e a imposição cultural dos senhores acarretaram a não manutenção de pentes, ervas naturais e lindos penteados que as nossas ancestrais usavam; no processo escravocrata os pretos mais ebanizados eram desvalorizados pelos que tinham as peles mais claras e cabelos mais lisos.

A intenalização no africano de que a sua cor e seu cabelo forte em forma de espiral foram motivos da inferiorizarão racial alterou as atitudes das descendências futuras. O chamado cabelo “bom” se tornou um passaporte econômico-sentimental no mundo branco das Américas. A maioria dos homens pretos, já contaminados pela beleza ocidental, considera as mulheres pretas mais belas quanto mais brancas se parecerem, e o cabelo tornou-se a mensagem de beleza, limpeza e adequação a inclusão de uma sociedade desejada, e esquecer o passado africano no olhar do espelho foram, e é à saída da maioria da população africana na América.

Desde o final da escravidão começa a se tornar popular as mudanças estéticas e já em 1920 o grande Marcus Garvey exortava a população para voltar a usar a sua estética africana.

Marcus Garvey estava com toda a razão, já no inicio da década de 1900, Annie Malone, que se tornou milionária, trouxe um novo método de alisamento para as mulheres pretas patenteando o ferro quente, auxiliando as mulheres descontentes e em crise com os cabelos africanos, que usavam para o relaxamento dos cabelos a gordura de ganso gordo, gordura de porco (bacon), manteiga, e chegavam ao cumulo de usar uma faca com manteiga aquecida. Durante décadas a prática de tentar o embranquecimnento através dos cabelos fez com que muitos pretos e pretas usassem água sanitária para o clareamento, alvejantes que nas fórmulas possuíam soda caustica, uso de cremes e loções, combinado com ferro quente, a fim de “endireitar” o cabelo.

A sua ex-empregada madame CJ Walker, anteriormente Sarah Breedlove, nascida na Louisinania em 1967, filha de ex-escravizados, trabalhou como agricultora, lavadeira e cozinheira, e após sofrer uma doença de couro cabeludo, tornou-se uma poderosa empresaria ao criar uma fórmula para os cabelos das mulheres pretas em 1900. Foi à primeira preta milionária dos USA na indústria de produtos para os cabelos, e aperfeiçou o ferro quente, ampliando os dentes patenteado pela sua ex-patroa Annie Malone.

Uma das propagandas usadas por Madame CJ Walker para convencer as mulheres pretas a modificar os cabelos foi a uso de um livro infantil publicado em 1900: The Gift of the Good Fairy (O dom da fada boa)
- "Era uma vez, uma boa fada, cujos pensamentos diários eram em muito meninos e meninas de se transformarem em mulheres e homens bonitos, e de como ela poderia embelezar aqueles infelizes a quem a natureza não tivesse dado cabelos longos e ondulados e uma pele suave e encantadora”.

A propaganda retratava o cabelo que não é ondulado e liso como indesejáveis e algo que a fada boa (
Madame CJ Walker) podia corrigir. Já se passaram cem anos e as mulheres pretas ainda valorizam o cabelo liso, e sonham com a boa fada que modificará os seus cabelos.


Garrett Augustus Morgan, um inventor preto, experimentou um líquido de agulhas para máquinas de costura, e acidentalmente, descobriu que este líquido não só esticava o tecido, mas também o cabelo. Ele fez o líquido em um creme e começou a GA Morgan Refining Company Hair. Morgan também fez um óleo corante preto para o cabelo e um pente de ferro dente-curvo em 1910, para “endireitar” o cabelo.


O processo de negação do cabelo africano começa com a infância, especialmente com as meninas. A simples brincadeiras com bonecas alertam a criança das diferenças estéticas. Foi o que ocorreu com Sergi, uma menina de origem etíope, adotada por Joey Mazzarino, principal escritor de Sesame Street, e manipulador de marionetes. Sergi ao brincar com as bonecas Barbie começou a dizer coisas negativas sobre si mesma e ao seu próprio cabelo.

- "Ela estava passando por esta fase em que realmente queria o cabelo comprido e loiro.

Mazzarino, um homem branco não ignorou o problema como fazem milhões de pais e mães pretas nas Américas. Sabia que no futuro Sergi teria problemas com a auto-estima, e ele criou um muppet para mostrar a sua filha como era belo o seu cabelo.

I Love My Hair


Desejo que este vídeo fale direto ao seu coração, minha amada irmã preta que alimenta a baixo-estima por causa dos seus cabelos. Eles são lindos. Tu és bela. Remanescente das mulheres originais

O processo da indústria de relaxantes especialmente nos Estados Unidos da América se desenvolveu de maneira surpreendente e afetou todas as regiões das Américas. Atualmente a indústria do cabelo ultrapassa a cifra de 10 bilhões de dólares só nos USA. Nós os africanos nas Américas vivemos 400 anos sem usar um pente e processos de relaxamentos. O relaxamento dos cabelos nos USA é conhecido como o “crack cremoso” pela dependência que criou nas mulheres pretas.

Dois importantes documentários foram produzidos recentemente nos USA: Nappy Roots: A Journey Through Black Hair Itage-2005, dirigido por Regina Kimbell, e Good Hair, produzido por Chris Rock em 2009. Com certeza irão contribuir nas nossas discussões para o entendimento deste nefasto processo de auto-violação do corpo preto.

"My Nappy ROOTS" Award winning documentary on Black hair

Este filme produzido por Regina Kimbell através de pesquisas retrata os histórico das transformações do cabelos no pretos nos USA. Kimbell pesquisou o continente africano, a escravidão em terras americanas e as consequências até os dias atuais e produziu este precioso documentário.

Sinopse:

My Nappy Roots: A Journey Through Black Hair Itage, um documentário de edutainment, tem um olhar sem precedentes de como o cabelo preto é usado como um prisma através do qual o olhar para as questões culturais, sociais e políticas na comunidade Afro-americana ao longo do tempo. O filme revela o significado e o orgulho de penteados Africanos antes da chegada dos primeiros africanos escravizados para a América, onde a luta mais ampla do povo negro começou. Esta luta cultural e social criou o surgimento dos primeiros grandes empresários negros e da bilionária indústria do cuidado de cabelo étnico que existem hoje.

Começando com as primeiras tentativas de denominar do cabelo preto, o documentário de longa-metragem apresenta um conjunto de várias técnicas e estilos, incluindo o, conk imprensa e onda, o afro, a onda Jheri e locs. Cada estilo marca um momento distinto da história americana, a política e a cultura norte-americana Africana. Explorar para além da superfície, My Nappy Roots mergulha internamente na mentalidade que criou o debate interminável de "cabelo bom versus cabelo ruim" e papel que os meios de comunicação desempenha como instigador. Desde o início do filme, um tema subjacente de superação de obstáculos se desenvolve em uma história inspiradora de sucesso e de negócio que não termina. Em vez disso, ele levanta a questão de "para onde iremos a partir daqui?"

My Nappy Roots vai contar sua história em grande parte através das pessoas que as vozes eram, e são, fundamentais para as mudanças que têm influenciado as imagens cultural, estética e o comportamento dos negros americanos. As cineastas Regina Kimbell e Jay Bluemke entrevistam celebridades conhecidas mundialmente (Vivica A. Fox, Patti LaBelle, Ella Joyce e Malcolm-Jamal Warner para citar alguns). Historiadores, autores, jornalistas, comediantes, estilistas e barbeiros, ícones da indústria de negócios como George Johnson, Produtos Johnson, Ed Gardner, Produtos Sheen Soft, Bronner Bernard do show de cabelo Bronner Brothers International e outros fornecem históricos, relatos profissionais e pessoais em suas jornadas com os cabelos de negros. A indústria do cabelo do povo preto, que é sempre passional, às vezes chocantes, e muitas vezes cômica é considerada a libertação dos negros nos Estados Unidos.

http://www.mynappyrootsthemovement.com/virginmoom.html



Good Hair

De maneira bem-humorada, o documentário aborda a identidade dos pretos nos Estados Unidos, o movimento da indústria de produtos capilares e as tentativas das mulheres pretas em alisarem os cabelos. Ao ouvir sua filha comparar o seu cabelo com o de uma amiguinha branca, o ator e cantor Chris Rock teve a idéia de produzir o documentário Good Hair. A temática central em torno da obsessão que as mulheres afro-americanas tem com o cabelo, que no final das contas reflete o conceito que elas tem de beleza. Rock colabora como produtor, roteirista e repórter. Durante o documentário, ele entrevista diversas celebridades e médicos negros. Destes, Rock considera a participação da atriz Nia Long como a mais importante.

Em Good Hair, Rock explica como o cabelo de uma mulher negra pode afetar sua atividade diária (evitando atividades que possam afetar o seu cabelo, se cair água arruina a sua peruca), finanças (o penteado pode custar milhares de dólares), e uma vida sexual (os homens são forçados a aceitar um "hands-off" da política). Roch explica porque o cabelo de uma mulher negra é um investimento desta natureza, os homens muitas vezes não são autorizados a tocá-lo durante o sexo. Rock diz: "... Você está condicionado a não ir até lá . Quando eu era um cara de namoro, namorei mulheres de diferentes raças. Sempre que eu estava com uma menina asiática ou um Porto Riquenha ou uma menina branca, minhas mãos iam constantemente em seus cabelos. Como minhas mãos estavam com sede. "O tipo de penteado que uma mulher negra tem às vezes pode funcionar como um aviso do que ela está disposta a fazer ( The Oprah Winfrey Show ).



BÁRBARA E A BONECA ENCANTADA( trecho)

- Sua mãe, depois de tanta insistência a levaria a um salão chique, proporcionando a Bárbara, o grande sonho do alisante. Então Bárbara falou para as bonequinhas:

- Vou ficar linda igual a vocês. Mamãe vai ficar bonita. De cabelo bom!



Livro: Bárbara e a Boneca Encantada (2006) de Walter Passos e Ilustração de Nattan Cerqueira. Necessitando de uma editora para publicação. Vamos fazer a parceria?

ACESSE PRETAS POESIAS:

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CABELO DE PRETO – RESISTÊNCIA E AFIRMAÇÃO DA ANCESTRALIDADE - Parte I



Por Walter Passos
Historiador e Poeta
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Os cabelos dos africanos na América não são simplesmente um assunto estético, de beleza, de modismo ou de escolha, mais que isso, tornaram-se uma questão político-econômica e o livre arbítrio é questionável. Nas Américas, a todo o segundo nos lembram que somos africanos por causa da nossa cor epitelial e o passado escravagista, sendo assim, são de suma importância as nossas atitudes e decisões estéticas, porque perpassam além das nossas escolhas políticas.



O nosso cabelo em forma de espiral é forte, relembra o grande passado africano que foi esquecido pela nova estética de beleza imposta pelo padrão europeu, criando conflitos psicológicos e afetando a auto-estima do nosso povo. A nossa conversa de hoje é sobre os nossos cabelos lindos e fortes.

Os homens pretos sofrem discriminação por causa dos cabelos, mas, as mulheres pretas são o alvo discriminatório preferível, antes mesmo da natividade e continuam por toda a vida. Os estereótipos e adjetivações são diversos desde o momento que as africanas prisioneiras de guerra foram retiradas do continente-mãe. As litografias das africanas no tempo do cativeiro e logo depois do processo abolicionista demonstram que os seus cabelos se mantinham naturais.




Nossas avós, mães, irmãs, companheiras e filhas ouviram e ouvem que os seus cabelos são: duros, rebeldes, ruins, sujos e feios e quando tentam modificá-los para se parecer com os cabelos da civilização branca são chamados de domados, bons, lisos e relaxados.


Está escrito no livro de Cantares de Salomão 5:11
-Sua cabeça é como o ouro mais fino. Seus cabelos são crespos e pretos como o corvo.

Esta imagem me faz recordar um pouco da minha avó paterna e seus “cocós”, eu só conheço este penteado por este nome, são pequeno tufos no cabelo, amarrados com barbantes, este penteado de origem africana também usavam as irmãs e primas dos meus pais. Então, acredito que o fato de “melhorar” o cabelo não era uma prática em certos setores da comunidade preta em Salvador-Bahia, apesar de todo um histórico de alisamento já praticado e conhecido desde o tempo de atanho. Apesar de toda esta resistência, as mulheres pretas usavam muitos lenços nas cabeças e falavam que tinham vergonha dos cabelos. A vergonha de si mesmo é um sentimento patológico de auto-rejeição e baixa-estima.

Todas as minhas colegas pretas das escolas que mantinham os cabelos naturais foram censuradas, ridicularizados e algumas, lacrimejavam, e se sentiam envergonhadas, almejando serem mais bem aceitas nos padrões brancos alisavam os cabelos.

O cabelo natural passa uma mensagem de como a mulher vê a si própria e é muito mais fácil conversar sobre a africanidade. Não ter vergonha de usar os cabelos naturais é um simbolismo, uma forma de resistência, uma mensagem explicita de aceitação da ancestralidade. Exemplos de vida, dedicação e militância: Drª em pedagogia Ana Célia Silva, Makota Valdina Pinto e a Ministra Luiza Bairros.
Atualmente, como educador me deparo com este “problema” do cabelo “ruim” com as estudantes e as críticas dos estudantes pretos aos cabelos naturais das colegas pretas. O interessante é que ministro aulas em um bairro onde a população é de maioria preta e o mesmo é referência de pretitude em todo o Brasil.

Por que o cabelo que é um significado de benção e pertencimento se tornou maldição e negação?
Porque o processo violento de catequização e evangelização e a falsa hermenêutica da maldição de Cam ainda pairam em muitas mentes africanas nas Américas. Pois ser um bom “negro” e um bom cristão inicia-se com a caricatura da aparência do africano e ela começa pelo cabelo. A maioria das mulheres cristãs, nega a sua origem africana, e acreditam na maldição hereditária e muitos pastores (inclusive pretos) afirmam que os demônios estão nas tranças. O alisar o cabelo é uma forma de queimar o demônio e um passaporte para o mundo branco cristão.

Hoje, eu conversava com o meu filho de 13 anos sobre como é belo o cabelo dele, um cabelo turututu, um cabelo forte, como diz a minha filha Aidan. Nós temos os cabelos belos e fortes, Somos os adornos de Yah.

É muito importante para as mulheres pretas a beleza dos cabelos em um mundo globalizado onde o modismo transforma e modifica valores e cria uma sensação de que todos são iguais e o padrão de beleza ocidental se impõe como universal. Noto que a rejeição do cabelo é mental-físico-espiritual. A escravidão alterou toda uma relação de pertencimento e surgiu a negação de si mesmo, espiritualmente e fisicamente. As mulheres pretas possuem sérios problemas psicológicos com os cabelos levando a insatisfação, ódio e desprezo.

Nappy Hair, Carla Ray Thompson.


O griot Ademario comentou:

"O vídeo Nappy Hair, de Carla Ray Thompson, faz uma abordagem sobre a importância do hair style, do estilo de cabelo, para as mulheres afro-descendentes americanas. A abordagem não se limita apenas a aparência dos cabelos. De forma divertida, realiza-se um verdadeiro debate sobre o uso de tinturas, cosméticos, os diferentes cortes e, principalmente de como elas sentem-se com seus estilos e como são percebidas pelos outros.

Este vídeo traz, portanto, os vários olhares sobre os nappy (aspirais, fraldas, hair styles) das mulheres pretas e suas implicações sociais, políticas, pessoais, religiosas, econômicas, morais, etc; neste grande jogo de interesses, nesta sociedade de consumo capitalista."

Vale a pena conferir!

Novas posturas se apresentam com a juventude preta em formaturas e solenidades, outrora, se adequavam aos modelos de cabelos impostos pela sociedade dominante. Dois exemplos recentes de afirmação étnica demonstram as transformações estéticas: Dois jovens do bairro da Liberdade- Salvador-Bahia, Ícaro Luis (24 anos) formou-se em medicina pela UFBA usando tranças- raiz. Ulisses Passos (23 anos) recebeu a carteira da OAB com os cabelos de tranças.


Apesar da abolição a maioria das mulheres pretas escraviza os cabelos permitindo o cativeiro mental, psicológico e espiritual porque através deles sucumbem aos desejos do opressor rejeitando a sua beleza de mulheres originais.
O antigo ferro de marcar a carne preta foi adaptado para queimar e enfraquecer os lindos cabelos africanos no processo de embranquecimento.

Ferro
Cuti (Luiz Silva)

Primeiro o ferro marca
a violência nas costas
Depois o ferro alisa
a vergonha nos cabelos
Na verdade o que se precisa
é jogar o ferro fora
e quebrar todos os elos
dessa corrente
de desesperos.



No próximo artigo: A economia milionária do relaxamento dos cabelos, Química e Suicídio dos cabelos naturais, os mais recentes documentários sobre os cabelos políticos dos pretos nas Américas.

ACESSE PRETAS POESIAS:

terça-feira, 26 de abril de 2011

REBECCA LOLOSOLI –UMOJA ALDEIA DA LIBERDADE


Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano

Facebook:
Walter Passos.




Conforme os costumes dos Samburu do Quênia, meninas são iniciadas no “ritual de passagem” onde ocorre a retirada do clitóris, na preparação para o casamento, geralmente com homens bem mais velhos. Igualmente, Rebecca Satta Lolosoli foi mutilada aos 15 anos de idade, nos moldes tradicionais das suas antepassadas.

Clique Aqui e Leia mais sobre Mutilação Genital Feminina.


FEMALE GENITAL MUTILATION AND THE SAMBURU TRIBE



A vida das mulheres Samburu, de acordo com a tradição, deve ser integralmente submissa ao pai e ao esposo. Elas constroem as habitações, ordenham as vacas, catam lenha, buscam água em grandes distâncias, cuidam dos filhos e preparam as refeições, conforme relato da própria Rebecca. Por sua vez, os homens são guerreiros tradicionais, cuidam dos rebanhos de gado, das ovelhas e dos camelos e da proteção da comunidade.

A vida de Rebeca Lolosoli passou por uma mudança drástica, após ser atacada e quase estuprada por soldados ingleses, sediados no Quênia.

A VILA DE REFÚGIO: UMOJA


Em suaíli, Umoja significa unidade. Muitas das 64 mulheres que lá vivem são sobreviventes de estupro. Os estupradores foram soldados britânicos que estavam estacionados nas proximidades, há mais de 50 anos.

“Vestindo uniformes verdes, misturados com as árvores, enquanto as mulheres recolhiam a lenha, os soldados saltavam da floresta para estuprá-las, rindo como se fosse um jogo”, conta Lolosoli.

As mulheres estupradas foram ridicularizadas e expulsas das aldeias por seus maridos, algumas foram presas por tentar sobreviver vendendo cerveja caseira, ao ser expulsas e tentar sobreviver sozinhas nas florestas do Quênia, muitas foram comidas por hienas.

Revoltando-se, Rebecca, discursou nas reuniões dos Samburu contra aquelas atitudes, reivindicando os direitos das mulheres, que violentadas pela ineficaz proteção dos homens - responsáveis tradicionalmente por conferir a proteção às aldeias - não possuíam sequer apoio de sua comunidade, ao contrário delas foram expulsas. Em consequência, foi espancada por quatro guerreiros Samburu, durante uma viagem do seu marido. Ao sair do hospital, retornou para o lar e relatou o caso a seu esposo que nada fez. Não tendo apoio do próprio companheiro e percebendo que se nada fizesse seria assassinada, Rebecca resolveu dar novos rumos a sua própria vida e de inúmeras outras mulheres vítimas do patriarcalismo e das injustiças, fundando a vila UMOJA em 1991, apesar de todas as dificuldades.

As mulheres lideradas por Rebecca Lolosoli travaram uma árdua luta contra as autoridades britânicas para que se fizesse justiça pelas violências sofridas, várias delas repetidamente, por soldados britânicos durante exercícios militares no Quênia, nos anos 80 e 90. Como prova, algumas exibiam seus filhos mestiços. No final, venceram a batalha judicial.

"Nossa cidade se transformou em um abrigo", diz Lolosoli. Mulheres e meninas que fogem do casamento forçado, ou são vitimas do ostracismo após serem estuprada, ou tentando salvar-se da mutilação genital feminina, vão à Umoja para a segurança. Filhos são bem-vindos, contanto que eles estejam dispostos a seguir as regras da aldeia e não tentem dominar as mulheres seguindo o combatido exemplo dos demais Samburu.

As mulheres vivem ali em conjunto e criaram um centro cultural e um camping para os turistas que visitam a vizinha Reserva Nacional de Samburu. Com os benefícios obtidos, elas conseguiram replantar a vegetação do local e inclusive se permitem contratar os serviços de vários homens para transportar lenha, que tradicionalmente no Quênia é um trabalho executado por mulheres.

UMOJA, LE VILLAGE INTERDIT AUX HOMMES - Bande-annonce (français)




As mulheres da Vila Umoja sobrevivem da fabricação do artesanato samburu: pequenos colares, pulseiras e ornamentos feitos de miçangas. Apesar da vida difícil e dos olhares desconfiados das outras comunidades samburu, estas mulheres, vítimas de violência do tradicionalismo patriarcal samburu, reuniram-se para viver em paz, longe dos opressores, livres e com dignidade. Umoja é hoje um povoado que tem uma fama tão sólida que mulheres de todo o Quênia vão até ali em busca de ajuda ou simplesmente de conselhos.


Rebecca Lolosoli ganhou o direito ao divórcio e outras trezentas mulheres se reuniram para comemorar.


"Muitas das nossas mulheres morreram em silêncio, sem direitos", disse Rebeca Lolosoli, e continuou: "Queremos mostrar às mulheres que elas também são humanas, que podem fazer algo para si, e que elas podem cuidar de si mesmas e de seus filhos."

sábado, 6 de dezembro de 2008

O PRIMEIRO CONCURSO DE BELEZA NEGRA DA HISTÓRIA

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos@gmail.com

É fundamental nos estudos afrocêntricos compreender o continente africano e asiático como uma continuidade geográfica (de fato, até a construção do moderno Canal de Suez, em 1869) é indispensável para reafirmação da verdadeira história e dinâmicas sociais. Afirmar também que toda essa extensão geográfica constituía a dinâmica de populações preta: suas civilizações, relações comerciais, religiões, conflitos, e principalmente o reflexo do modo africano de viver em sociedade.
Esse artigo versará regiões e pessoas de origem africana, incontestavelmente pessoas pretas, que formaram incríveis civilizações por acinte omitidas pela história eurocêntrica, embranquecida.
O fato histórico a ser descrito ocorreu entre 485 a 465 a.C (antes do nascimento de Yeshua, o Messias) e têm encontrado no Livro de Esther alguns de seus principais personagens:
1-E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias,
2- Que, assentando-se o rei Assuero no trono do seu reino, que estava na fortaleza de Susã.
Xerxes I (خشایارشا) foi um rei persa (reinou de 485 a 465 a.C), da dinastia aquemênida. "Xerxes" é tentativa na língua grega de soletrar o nome persa Khshayarsha. Na Bíblia Xerxes I é conhecido como Assuero.

Xerxes I (Assuero) e Rodrigo Santoro No filme “300”, mais uma vez o cinema nega a negritude das personagens.


5- Havia então um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, homem benjamita,
6- Que fora transportado de Jerusalém, com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei de babilônia.
7- Este criara a Hadassa (que é Ester, filha de seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era jovem bela de presença e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha.

Então, temos duas personagens principais: Assuero e Hadassa, duas personagens negras atuando em uma cidade negra chamada Susã.
Antes de entrarmos no concurso de beleza negra iremos falar sobre as principais civilizações inseridas neste contexto histórico:

Os Elamitas

Gênesis 10:21-22 - A Sem, que foi o pai de todos os filhos de Eber e irmão mais velho de Jafé, a ele também nasceram filhos. Os filhos de Sem foram: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arão.
Elão foi uma das mais antigas civilizações da Terra e teve como berço as antigas civilizações de Khemt (Egito) e de Cush, da mesma forma que os sumérios tiveram.

A civilização de Elão estava situada ao norte do Golfo Pérsico e do Rio Tigre, a leste da antiga Babilônia, onde hoje é o sudoeste do Irã e Iraque. Foram conhecidos como um povo belicoso que ameaçava a toda poderosa Babilônia. A civilização contou com um grande desenvolvimento em todas as áreas do conhecimento, tanto literário e quanto arquitetônico e escultural, produzindo ao mesmo tempo diversos utensílios de metais preciosos e muitos templos religiosos.
Os Elamitas se originaram no Vale do Nilo e fizeram parte das migrações africanas das pessoas dessa área, cerca de 8000 a.C a 5000 a.C. O estabelecimento do reino de Elão localizou-se onde os habitantes eram em sua maioria puramente pretos (nos termos antropológicos Negroide-Astraloid), da mesma escala das pessoas pretas que habitam o Sri-Lanka e o sul da Índia. Alguns dizem serem os Elamitas cushitas puro-sangue.

Herodotus e outros escritores gregos da casa de Memnon os descreviam como pessoas advindas da Etiópia (África), a terra dos pretos.
São descritos também como pessoas baixas e robustas de epiderme marrom, cabelos e olhos crespos e pretos, que habitaram uma considerável parte do continente asiático em tempos antigos, como se pode observar nas imagens por eles desenhadas.A capital do Reinado foi a cidade de Susã. Por este motivo também são conhecidos como Susianos. Algumas outras cidades também merecem destaque como Awan, Simash, Madaktu e Dur-Untash.
Cidade de Susã, capital do Império Elamita
Além da guerra, o comércio foi o centro das relações dos Elamitas, que comercializavam com todo o continente africano. Suas embarcações atravessavam o Tigre e o Eufrates e também o sudoeste africano, indo pelo Mar Vermelho.
Depois na história entrem 750 d.C a 450 d.C os Assírios invadiram militarmente os Elamitas e o dominaram saqueando quase completamente a região da Babilônia.

Observem o detalhe do cabelo crespo, a barba e o nariz tipicamente com traços Cushitas, africanos.

OS HEBREUS
Não há duvidas sobre a negritude dos verdadeiros hebreus, apesar de hoje habitarem a terra prometida, pessoas caucasianas que não são os verdadeiros descendentes de Abrão, Isaque e Jacó. São os Askenazis convertidos a tradição dos hebreus, e em breve faremos um artigo especial sobre esse fato.
A arqueologia, o Primeiro Testamento e os hebreus pretos espalhados no continente africano e americano nos dão as provas consistentes da aparência de Hadassa, a mulher preta que venceu o primeiro concurso de Beleza negra realizado na cidade Susã.
Os relatos sobre a vida de Moisés no Primeiro Testamento atestam a sua negritude.
Obeliscos encontrados em escavações, que atualmente estão no Museu britânico:

Hebreus no cativeiro - Olhem os detalhes são pessoas pretas

O CONCURSO DE BELEZA NEGRA
2-Então disseram os servos do rei, que lhe serviam: Busquem-se para o rei moças virgens e formosas.
3- E ponha o rei oficiais em todas as províncias do seu reino, que ajuntem a todas as moças virgens e formosas, na fortaleza de Susã, na casa das mulheres, aos cuidados de Hegai, camareiro do rei, guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus enfeites.
4- E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em lugar de Vasti. E isto pareceu bem aos olhos do rei, e ele assim fez.
O Império Persa possuía regiões que iam da Etiópia até a Índia, e de lá vieram dezenas de mulheres pretas, sendo escolhidas as mais belas e formosas, objetivando de se escolher a esposa do rei Assuero (Xerxes I). A beleza da mulher negra sempre foi ressaltada e louvada nos escritos da antiguidade, inclusive o preto Salomão, foi um admirador e apaixonado pelas mulheres originais - as mais belas do planeta. O seu amor pela Rainha Makeda ou Balkis do reino de Sabá, tornou-se a mais conhecida das histórias de amor da literatura mundial.
16- Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à sua casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
17- E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens; e pôs a coroa real na sua cabeça, e a fez rainha em lugar de Vasti.
18- Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; e deu alívio às províncias, e fez presentes segundo a generosidade do rei.

Entre dezenas de lindas jovens de diversas nações pretas, Hadassa (Ester) foi considerada a mais bela entre as belas e teve posteriormente um papel fundamental na preservação do seu povo, evitando que o mesmo fosse exterminado. Em outro artigo escreveremos da Negra Hadassa, amor ao seu povo e Purim.

The Elam Empire - Ancient history

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias