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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

HUMOR “NEGRO” NAS GARRAS DA PATRULHA - SINIRA BEIÇUDA E TIZIL NA TV VERDES MARES

Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

As caricaturas são expressões artísticas, em sua maioria desenhos, que buscam retratar de maneira exagerada características físicas ou psicológicas de personagens da vida real, muitos (as) deles (as) personalidades famosas e em evidência no momento, com o nítido intuito de produzir sátiras sociais.

Como expressões satíricas, as caricaturas têm por função trazer à tona determinados fatos de relevância social através do humor e do ridículo dos (as) personagens. No entanto, muitas dessas legítimas e necessárias expressões artísticas foram aviltadas para que representassem diversas máculas sociais, dentre elas, o racismo.

Em diferentes momentos históricos, as ideias racistas foram representadas e difundidas através de artistas racistas que se utilizavam do humor “negro” (expressão que descreve tais representações de cunho discriminatório, forjada principalmente diante do racismo que a envolvia). Tais representações podem facilmente ser encontradas em registros estadunidenses do Jim Crow e em inúmeros outros exemplos de arte com cunho racialista pelo mundo.

Perplexidade, todavia, é encontrar tais caricaturas sendo ainda produzidas e exibidas na TV Diário de Fortaleza-CE, da Rede Verdes Mares, uma das emissoras de maior audiência do nordeste, no programa cuja alcunha é “Nas Garras da Patrulha”, cujo sitio pode ser acessado clicando aqui, bem como em diversos vídeos no Youtube, onde há representações discriminatórias de pessoas pretas.

Muitos (as) daqueles (as) humoristas aproveitam das ideologias socialmente construídas, através do discurso da inexistência do racismo, assim como da desorganização políticas da população preta, seja individualmente ou através de instituições, para disseminarem o racismo explícito em suas piadas, personagens televisivos e desenhos.

Neste caso, “Nas Garras da Patrulha” exibe caricaturas aplicando aos (as) seus (as) personagens conotações do racismo propagando desde teorias racialista de Darwin até Lombroso, onde pessoas pretas são retratadas como naturalmente analfabetas, criminosas, débeis e de forma endêmica a toda uma gama heranças de mazelas sociais somente aplicáveis por decorrência de sua origem africana.

Não me traz surpresa que ainda se busque disseminar conotações racistas e tendenciosas no concerne aos aspectos físicos, culturais e psicológicos dos (as) afro-descendentes, como é feito nesse programa cearense. O racismo se vê presente em todos os aspectos macabros produzidos por aquele programa, desde nomes dos (as) personagens aos modos de vida vivenciados, a saber: crimes, fofocas, drogas, álcool, desrespeito e desestruturação familiar, discriminação religiosa contra as religiões de matrizes africanas, homofobia e outras tantas situações deploráveis que, através do humor, são introjetadas na população preta como se lhes fossem naturalmente próprios.
Abaixo, podem-se ver facilmente os (as) personagens de criação racista em ação, nos vídeos disponibilizados no site do Youtube.

Discriminação Religiosa

Tizil cai em terreiro de macumba e recebe entidade


Coxinha critica professor do Doquinha


Tabosa vai ao macumbeiro para fechar o corpo


Criminalidade endêmica e Família Desestruturada

Tizil - Golpe da Saidinha de Banco 2012


Tizil entra na faculdade e...


Racismo fenotípico e Homofobia

Coxinha e doquinha corte de cabelo ruim


Racismo fenotípico contra a Mulher Preta

Discriminação contra a mulher Preta- personagem Sinira beiçuda


Por fim, nós, homens e mulheres pretas, não podemos deixar de denunciar essa manifestação de racismo explícito que se configura em verdadeiro atentado contra nosso povo. Leia, compartilhe e denuncie.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

CRISTIANISMO E COLONIALISMO - CONVERSÃO E NEGAÇÃO DA ANCESTRALIDADE




Por Walter Passos - Historiador e Afrocentrista

Skype: lindoebano

Facebook: Walter Passos

"Quando os sacerdotes brancos chegaram à África, nós tínhamos a terra e eles a bíblia. Os brancos nos deram a bíblia, e disseram que rezássemos com os olhos fechados. Quando abrimos os olhos, eles tinham terra e nós a bíblia."
- Jomo Kenyatta.


A opção religiosa é “subjetiva” e há um ditado que diz: religião não se discute. No que tange aos africanos e as religiões impostas na África e aos descendentes sequestrados no infame tráfico negreiro: religião se discute. Porque foram atos de extremas violências físicas e psicológicas.

A imposição do cristianismo aos africanos e descendentes foi uma das maiores mudanças culturais da história da humanidade. Para os africanos o pensar e viver religioso se baseia na solidariedade e na comunidade, práticas antagônicas ao cristianismo embasado na individualidade e prosperidade pessoal.

Fui censurado por pretos cristãos ao ter feito um comentário de que o colonialismo e cristianismo são farinhas do mesmo saco. Ora, é necessário ter o mínimo de conhecimento histórico para compreender que o colonialismo e o cristianismo foram e são responsáveis diretos de transformações em todas as regiões que os europeus invadiram, é de fundamental importância entender também de que o judaísmo, na opressão aos africanos, foi peça fundamental na ideologia do tráfico e lucro com a escravidão.
A complexidade do colonialismo e seus mecanismos de apropriação das riquezas necessitou impor um novo modelo religioso, baseado no monoteísmo pagão, na maldição e destruição psicológica dos povos conquistados. Instrumentos ideológicos foram trabalhados para serem impostos objetivando aos africanos aceitarem o poder do branco europeu e formando mentes submissas a dominação. Neste bojo a ideologia se pautou em atacar o africano nos seus conceitos do sagrado utilizando a propaganda terrorista de superioridade branca, a educação europeia e a religião cristã.

O cristianismo foi o braço ideológico do colonialismo, através dos missionários católicos e protestantes as nações brancas colonizadoras puderam afetar culturas milenares que possuíam rituais belíssimos de nascimento, casamento, morte e especialmente o contato com os ancestrais, estes foram rituais banalizados e demonizados. Com a ideia de civilização superior os missionários criaram divisão e discórdia utilizando o instrumento ideológico, e gradualmente mudou a mente do povo africano e fez-lhes ver a sua religião como superstição e atraso civilizatório, apregoando a beleza e superioridade do deus cristão e a inferioridade das diversas concepções de deus na África. Não foi uma atitude simplesmente de missões religiosas, internamente mostrava ao africano a sua inferioridade, sujeira e pobreza espiritual, ao contraponto da superioridade, pureza e riqueza do deus branco conquistador.
Um dado interessante é quando converso com africanos cristãos no Brasil sobre as suas línguas nativas, porque se comunicam bem com as línguas dos dominadores cristãos, impostas como oficiais sejam falantes de inglês, francês ou portugues. Noto sentimentos de tristeza e medo decorrentes de todo um processo ideológico de ruptura com o mais sagrado de um povo: a língua dos ancestrais. Belíssimos são as explicações de certas frases e palavras que um irmão africano compartilha em algumas línguas africanas de seus pais e da sua infância. Conceitos de rara beleza sobre o Ser Supremo e divindades ancestres que foram demonizadas e até proibidas de serem pronunciadas porque o processo de catequese e evangelização as considerou satânicas. Proibir a língua de um povo é a maneira mais eficaz de dominá-lo.

Os descendentes de africanos nas Américas não puderam manter as suas línguas nativas e somente nas religiões de matrizes africanas que são as maiores expressões de resistência nas Américas, às línguas foram mantidas com extrema dificuldade, perseguições e adjetivadas como línguas do Satanás. Por isso a minha estranheza e ao mesmo tempo entendimento da tristeza e medo de alguns cristãos africanos e de pretos brasileiros cristãos a se referir a línguas ancestres.

A colonização e o cristianismo conseguiram através do imperialismo cultural ocidental atingir os rins e afetar o fluxo sanguíneo da vida dos africanos cristãos e descendentes através da negação de seu poder de comunicação simbólica das línguas maternas. Obrigando-os a pensar e crer a maneira branca e repudiar os milenares conceitos epistemológicos e metafísicos ao aceitar a ideologia dos europeus cristãos, sendo uma das principais tarefas dos missionários substituir crenças e valores tradicionais, especialmente às línguas nativas com as escolas das missões e formais dedicadas a preparar uma elite conivente e participativa de propagar como correta os novos conhecimentos dos colonizadores e defendê-los contra reações libertárias do seu próprio povo.

Conversando com um amigo africano ele me disse: conversão é renegar o passado dos seus pais, é abjurar a ancestralidade. Então se torna necessário tirarmos ilações sobre a conversão da população preta ao cristianismo e as consequências sociopolíticas e culturais. Dentro da concepção cristã a conversão é a mudança radical psicológica de vida, um processo de mudança total, tomada de consciência dos pecados e um renascimento para uma nova vida ao aceitar a concepção cristã europeia de deus. Os europeus tratavam os africanos como subespécie humana, um elo entre o macaco e o ser humano, uma criança incapaz de gerir o seu próprio destino. A ciência e a religião aliadas propagaram para os europeus a inferiorizarão do africano, através de uma pseudociência, as bulas papais e teologias reformadas postulavam de que o africano foi predestinado a servir a civilização branca ocidental.
Há um texto dos evangelhos que diz: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e tornardes como crianças, não entrarão no reino dos céus. Na concepção colonizadora o africano estava abaixo de uma criança, nos ensinamentos darwinistas: uma subespécie, pronta para receber a lavagem cerebral e sem defesa para as manipulações dos missionários e inaptos para o poder da cruz e da espada. Para o colonizador a genuína conversão inclui toda a personalidade de uma pessoa: intelecto, emoções e a vontade. Estes pontos foram aplicados a nações na implantação do cristianismo.

Na África e nas Américas a continuidade do cristianismo tem sido devastador, a destruição das culturas ancestres continua bem real. E atualmente com africanos convertidos, tornando-se líderes de igrejas neopentecostais ou em igrejas oriundas no próprio continente. Nas Américas, o preto convertido se tornou o maior inimigo da sua própria ancestralidade e um cristão apto e contribuinte da continuidade missionária.
Atualmente o processo neocolonizador cristão assumiu uma roupagem mais perigosa conhecida como inculturação, táticas usadas por algumas igrejas cristãs de manter e levar a ideologia branca a comunidades tradicionais, com um novo discurso de acolhimento as práticas milenares e não cristãs. As “táticas” de inculturação são símbolos de manipulação identitária, destruição cultural e apropriação das riquezas na África e de seus descendentes nas Américas.

Quando refletimos a conversão ao cristianismo podemos fazer uma viagem ao passado dos ancestrais e rememoramos o que aconteceu: invasão, destruição, mudanças econômicas e territoriais, escravidão e perca da ancestralidade. Não são recordações que tragam felicidades. Se viajássemos no tempo e retornássemos ao viver dos nossos ancestrais os encontraríamos com suas concepções teológicas de vida e morte equilibradas.

Pois no cristianismo nós encontramos uma história de tristeza, sequestro, de aprisionamento de uma guerra religiosa onde nossos ancestrais foram forçados a aceitar o pensamento do homem branco. O encontro do nosso povo com o cristianismo foi um encontro de morte e não de vida. O reencontro do nosso povo com a ancestralidade é uma ressurreição da morte branca para a vida preta plena.

Torna-se necessário voltarmos a ter dignidade e respeito à história dos nossos antepassados e suas concepções teológicas e entendermos que para os africanos e seus descendentes o cristianismo deixou um legado de milhões de mortes, destruição de diversas culturas e civilizações. Não adianta propagar que o deus cristão não faz acepção de pessoas, porque o deus do cristianismo criado em Roma, e posteriormente mascarado com a Reforma Protestante é o mesmo: ditando tudo para o africano, tomando posse das suas riquezas roubando a sua existência.

CONGO-THE BRUTAL HISTORY


As igrejas não mudaram e as teologias apesar dos enfeites libertários com o surgimento de igrejas pretas e teologias pretas, são máscaras brancas em pele preta. Eu tenho sérias restrições aos cristãos católicos e protestantes pretos porque representam a opressão e a escravidão e não entendo nessa “redescoberta”
teológica como pessoas tão inteligentes (teólogos (as) pretos defendam as religiões impostas pelo colonizador com tanta dedicação e amor.

Recordo-me em um debate que um teólogo preto americano disse que eu não iria para o céu com os cristãos. Eu não quero ir para o céu com representantes daqueles que nos ameaçaram com o inferno por causa das nossas crenças originais. Fiquei feliz porque não vou para o céu branco pregado pelos cristãos.


Reaja Povo Preto mantendo vivos os ensinamentos dos ancestrais!

  
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domingo, 5 de agosto de 2012

QUILOMBO E MATRIARCADO - RAINHA NGOLA NA REGIÃO AMAZÔNICA





Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano

Facebook: Walter Passos


Os estudos sobre o matriarcado deveriam pautar a historiografia brasileira, mas o poder patriarcal e androcêntrico nos estudos acadêmicos cerceam e omitem o matriarcalismo nas reconstruções de sociedades africanas no Brasil.

Quando falamos em quilombo, mocambo, cafundó, terra de preto e outras designações pelos quais os estudiosos adjetivam a resistência dos escravizados através da fuga e da formação de aldeamentos, é deveras importante entender a questão de poder e as relações sociais capazes de permitir por séculos que estas experiências se tornassem viáveis até os dias atuais.

O matriarcado esteve presente em todas as migrações voluntárias dos africanos pelo planeta. Trazida com os prisioneiros (as) das guerras travadas em Mãe áfrica (sociedades matriarcais) pelos cristãos europeus (sociedades patriarcais), esse modelo de organização será o tema que discutiremos em breve.

Os bantus (“humanos”, na linguagem do Kongo) que falam cerca de quatrocentos idiomas e habitam do oeste para leste o Gabão, Camarões e norte ao sul do Sudão até a Namíbia. Os vários grupos étnicos Bantus dominaram a metalurgia do ouro e do ferro, usando este último, produziram machados, espadas, enxadas e enxós. Além disso, as habitações têm uma arquitetura particular de cabanas circulares ou aldeias chamadas de Msonge. Tais avanços permitiram a colonização de seus territórios ao longo de um período de cerca de quatro mil anos. Muitos grupos étnicos bantus foram sequestrados para as Américas e trouxeram consigo as suas experiências matriarcais.

No seu último livro, que não viu impresso, Décio Freitas visitou uma das menos conhecidas revoltas populares da história brasileira, o movimento que nos livros escolares aprendemos com o nome de Cabanagem. Dizendo em palavras vagas, foi uma insurreição ocorrida principalmente em Belém, entre 1835 e 1840, e reprimida sangrentamente – teriam morrido no total umas 30 mil pessoas, cerca de 25% da população do Pará na época. Foi designada com esse nome por motivos triviais: é que de fato a maior parte dos envolvidos vivia em cabanas pobres, em malocas improvisadas, numa vida miserável que foi, sem dúvida, o combustível da revolta.No livro A Miserável Revolução das Classes Infames, Freitas relata sobre a existência de um quilombo matriarcal na floresta amazônica, liderado pela rainha NGola e outras guerreiras, informação obtida após a tradução de cartas de Jean-Jacques Berthier, um francês que aos 14 anos de idade teve que fugir da França para Guiana Francesa após ser assediado por um pedófilo que o condenou na Revolução francesa.

Fugindo das batalhas que assolaram o país depois da independência, ele foi parar num desses mocambos matriarcais – justamente o da rainha Ngola – e viveu lá entre 1824 e 1828. Sua carta enviada ao irmão Guillaume, em Nantes, na França, foi pesquisada pelo historiador Décio Freitas para o livro A Miserável Revolução das Classes Infames e mostra com riqueza de detalhes como era a vida nesse pedaço da África em plena floresta amazônica.

Berthier informa que eram quatro quilombos adjacentes com 300 moradores em cada um deles e um principal com uma média de 700 moradores, sendo um total de 1900 habitantes. Assevera de que o quilombo principal já tinha cinquenta anos de existência e a rainha que governava já era a terceira Ngola. Um detalhe chama a atenção da descrição da rainha. ela estava em uma cadeira de espaldar alto colocada em uma plataforma, via-se na altura do espaldar uma serpente de ouro encastoada.

No decorrer do relato sobre os mocambos o poder da rainha é demonstrado com castigos impostos aos homens que só podia conversar com ela prostados de joelhos, e quando falavam algo não consensual eram castigados com até três bastonadas na cabeça. Berthier ao ser recebido para solicitar asilo não se prostou sendo imediatamente castigado, e aprendeu a lição de respeito ao matriarcado, recebendo também uma bastonada e prostou-se. Asilo aceito e algumas condições foram expostos:

- Poderia viver na comunidade como irmão, mas, não era permitido relações sexuais com as mulheres pretas, nem se pagasse o dote. O motivo apresentado pela rainha era porque as mulheres eram poucas e necessárias para a reprodução da raça preta sem mistura de sangue branco ou indígena. Mas, poderia casar com uma mulher nativa e tornaria capitão das milícias nas lutas contra os brancos que não permitiam a liberdade dos pretos e eram pérfidos.

Interessante são os relatos do francês sobre o poder matriarcal que o deixou embasbacado

A RELAÇÃO CONJUGAL POLIANDRICA

As mulheres escolhiam os companheiros e eles passavam pelo teste da convivência por alguns meses, só assim ela analisava se ele era satisfatório. Se por acaso fosse aprovado tinha que pagar um dote requisitado pela noiva e ela declarava a todos da aldeia que ele era a partir daquele momento o seu marido. As mulheres podiam ter até cinco maridos, robustos e ágeis, escolhendo qual deles ela manteria relações sexuais e os mandava embora no momento que assim entendessem. Os maridos moravam em suas próprias cabanas e elas escolhiam entre eles um que era o responsável de supervisionar a família que poderia ter 20 filhos, este “privilegiado” morava em sua cabana. Outra atribuição masculina era carregar a esposa nas costas, quando ela não queria andar a pé.

Em Moçambique, existem ainda sociedades matriarcais e poliandricas, onde as mulheres têm voz mais ativa e poder. Estas sociedades remanescentes encontram-se no norte de Moçambique. Um amigo relatou que encontrou uma mulher que teve um marido, filhos e depois o deixou, e ela encontrou outro e outro e voltou a relacionar-se com o primeiro e tem um outro que vive em casa. Eles se coordenam e visitam aquela mulher sem conflitos com o atual, aquele que vive em casa é o atual marido, enquanto os outros são SOBRESSALENTES, como elas chamam.

ECONOMIA

A economia da comunidade baseava-se no trabalho masculino na agricultura, caça, pesca, tecelagem, olaria, serralheria, extrativismo e mineração de ouro vigiados por guerreiros da rainha. O ouro era utilizado para confecção de joias para a rainha e o restante para conseguir armas. Realizavam também trocas de gêneros com holandeses da Guiana. também vendiam tabaco e mandioca para as populações ribeirinhas e praticavam a pirataria: os soldados de Ngola atacavam canoas em rios distantes, roubando os viajantes – ou então saqueavam povoações de brancos.

FORÇA DE DEFESAEra composta de guerreiros de cabeça raspada e não trabalhavam para a suas esposas e tinham o privilegio de obedecer somente à rainha Ngola. Constantemente realizavam ataques de guerrilhas a povoações dos brancos para o saque.


RELIGIÃOMantinham as práticas das religiões ancestrais e conforme relato do Frances:

"Reverenciam ídolos com feições de homens, mulheres e feras, aos quais periodicamente fazem sacrifícios. Qualquer celebração religiosa deve ser autorizada pelo feiticeiro, que é também o curandeiro em suas doenças."


Notamos um desconhecimento completo da metafísica religiosa bantu por Berthier, embasado de preconceitos cristãos sobre o que não entendia.

LAZER
Dança e música usando os instrumentos “pungo” e marimba. O missivista demonstra perplexidade com as mulheres que passavam o tempo sentadas no chão conversando, cantando e fumando tabaco.

O machismo de Berthier não entendia o matriarcalismo e na sua visão androcentrica as mulheres deveriam servir aos homens.

EDUCAÇÃOA oralidade através de contadores de histórias.


Relata Freitas: "É uma pena que Berthier não se alongue mais na narrativa sobre a sua experiência no mocambo. Seria nada menos que sensacional se desse mais informações sobre aquela sociedade poliândrica, semelhante à de Palmares e às de algumas regiões da África. Mas não indica sequer aproximadamente a localização geográfica do mocambo, embora certas referências permitam supor uma região para os lados da Guiana Francesa.
O laconismo talvez se deva ao fato de ter jurado, com sangue, perante a rainha Ngola, guardar rigoroso segredo sobre o mocambo."


Concluo este artigo citando um provérbio que com certeza se aplicou a Berthier:

"O olho nunca se esquece do que o coração vê."
-
Provérbio bantu.


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quarta-feira, 25 de julho de 2012

MULHER PRETA E A SEXUALIDADE – AS RESPOSTAS DAS MULHERES


Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos


Neste artigo doze mulheres respondem sobre o que pensam acerca da sexualidade das mulheres pretas. No artigo anterior os homens expressaram as suas opiniões.

Para isso, escolhemos metodologicamente um questionário que busca gradativamente debater alguns pensamentos do senso comum até a reflexões sociológicas de como ocorre o desenvolver da sexualidade feminina.

Conforme utilizada anteriormente, a publicação dos nomes ou apelidos apenas ocorrerá por manifestação expressa do entrevistado, nos demais haverá o sigilo.

Inicialmente, o artigo não foi concebido para a realização de análises aprofundadas das respostas, o que permitirá a você, leitor (a), uma visão não lapidada dos pensamentos expressos pelas entrevistados, inclusive mantidos da mesma maneira como foram escritos.

1. VOCÊ CONCORDA QUE GENETICAMENTE A MULHER PRETA É MAIS “QUENTE SEXUALMENTE” QUE AS MULHERES BRANCAS?


Entrevistada 01: Não existe nenhum embasamento cientifico que ateste que a mulher negra tenham mais desejos sexuais que as mulheres brancas. O que se tem, é um cenário onde as mulheres brancas foram educadas para serem recatadas e inibidas nas questões sexuais o que difere e muito das mulheres negras que sempre foram vistas como objeto sexual. Outro fato, o condicionamento mental, propiciou ao longo da história a diferença entre o comportamento sexual da mulher negra e branca.

Entrevistada 02: Eu não concordo nem discordo, eu sou hetero e não sei da parte da mulher. Mas dos homens eu sou negróloga e sei que sou compatibilíssima sexualmente com negros e minha passarinha só bate asas para os de minha cor.

Entrevistada 03:
Acredito que as mulheres negras devido a sua ancestralidade sentem mais em paz e livres com seus corpos, salvo aquelas mulheres que sofrem a excisão do órgão feminino

Donna Liu:
Sim. Acredito pelo empirismo. Muitos amigos me dizem isso; só acredito também que é necessário haver uma pesquisa científica mais detalhada. Entretanto, devemos ter cuidado com essa afirmação, pois ela vem sendo alimentada desde a colonização, quando não tínhamos nem direito sobre os nossos próprios corpos. A ideia de exploração sexual ainda pode estar imputada nessa frase. Depende de como e quem a produz. Infelizmente muitos homens só assumem a mulher negra na hora do sexo.

Entrevistada 05:
Isso é mito, a cor da pele não está diretamente ligada ao desempenho sexual, mas ao preconceito decorrente da escravidão
Narinha Conceição: Não acredito que nós mulheres pretas somos mais quentes sexualmente.

Entrevistada 07:
Não, acho que isso não tem nada a ver.

Entrevistada 08:
Acho

Entrevistada 09:
Não... Chamamos mais atenção só isso.

Entrevistada 10
: Não creio que exista diferença

Mônica Franciso:
Não, infelizmente vivemos numa sociedade pós-colonial essa ideologia que a mulheres negras são sexualmente mais quentes que as brancas advém da necessidade de justificar os estupros cometidos contra as negras e indígenas na época da colonização e hoje é naturalizado dentro da cultura, na representação das mulheres pretas sempre retratadas como marginais e prostitutas. Daí a permanência no imaginário popular da mulher negra, mulata “tipo exportação” caçadora de brancos gringos que foge a realidade da maioria das mulheres negras contemporâneas.

Kcris Nigeria:
Sem nenhum preconceito com as mulheres brancas, mas os próprios homens deixa claro sua preferência com relação as mulheres negras na hora do sexo por trazerem uma libido muito mais aguçada, que com certeza estimula bastante na pratica os desejos masculino.

2. VOCÊ CONCORDA COM QUE SE O HOMEM É INFIEL, DEVE A MULHER TRAIR OU “PAGAR NA MESMA MOEDA”?

Entrevistada 01: Não há hierarquia entre homens e mulheres, todos tem desejos e podem no decorrer de uma relação estável admirar uma terceira pessoa e isso independe de provocação . Se o homem ou a mulher sente desejo por outra pessoa não vejo o porquê o outro fazer o mesmo. Ademais trair é transgredir a preceitos efetivamente nosso, é algo pessoal e subjetivo. Se o outro se sente ofendido e faz o mesmo, corre o risco de esta cometendo a efetiva traição a cometida contra a si mesmo.

Entrevistada 02:
Não. Homens saindo com muitas mulheres na nossa cultura é viril, mas mulheres fazendo o mesmo são vagabundas, por isso somos mais comedidas até porque se esse homem é tão fominha ele não gosta da esposa e se quiser ser livre para voar, não faz sentido ser casado.

Entrevistada 03:
Não, mas dá muito ódio muito grande, deixando uma cicatriz e vazio profundo que talvez se preencha com outro galanteio. Creio que seja uma traição emocional do ego.

Donna Liu:
Não. A vingança seja ela por qualquer motivo, não é saudável para se manter durabilidade de um relacionamento. Penso que devamos sim, discutir o conceito de fidelidade dentro da relação. Em que tipo de atitudes está presente essa fidelidade.

Entrevistada 05:
Durante algum tempo concordei com esse tipo de pensamento, hoje vejo que a valorização da mulher é algo urgente, não preciso trair para me sentir melhor, apenas ser eu mesma, reproduzir um comportamento negativo não me faz melhor do que quem me feriu.

Narinha Conceição:
Eu ñ sou a favor, temos q nos impor de uma outra forma.

Entrevistada 07:
Acho que não, se ela tiver preparada psicologicamente, deve encerrar ou repensar a relação.

Entrevistada 08:
Não

Entrevistada 09:
Não... já passou o tempo de olho por olho, dente por dente. Cada um faz o que tem vontade.

Entrevistada 10:
Acho que partir pra outra seria o ideal.

Mônica Franciso:
Não sei, a traição contém em si uma série de problemáticas maiores que o próprio ato sexual.

Kcris Nigeria:
NÃO. O homem por ser viril já possui essa característica de dominação sobre a mulher, é da natureza do homem ter mulheres, independente de quantas. A traição acontece decorrente de diversos fatores não necessariamente partindo da mesma.

3. COMO VOCÊ OBSERVA O COMPORTAMENTO SEXUAL DA MULHER PRETA?


Entrevistada 01:
As mulheres negras costumam ser mais desinibidas, mais livres e donas dos seus desejos !

Entrevistada 02:
eu não observo, eu só sei que somos chamada de barraqueiras, mas nosso sangue afro não nos permite engolir sapo.

Entrevistada 03: Depende, mas infelizmente a maioria se comporta deslealmente, atacando os companheiros das irmãs igualmente negras.

Donna Liu:
Não sei ao certo. Muitas irmãs ainda estão perdidas com esse conceito de liberdade sexual que envereda na luta do “feminismo branco”.

Entrevistada 05:
Acredito que deva ser mais complicado, para a mulher negra lidar com a sexualidade, pois a cor de sua pele está impregnada de estereótipos criados pelos brancos ao longo de vários anos.

Narinha Conceição: Eu vejo uma exacerbação no comportamento sexual de algumas mulheres pretas, decorrentes da sua socialização. Herança do colonialismo.

Entrevistada 07: Acho que isso é racismo puro, sexualizaram o corpo da negra, da "mulata" então nem se fala. Algumas infelizmente aderem a esse estereótipo para sobreviver. Não cabe a nós julgá-las.

Entrevistada 08: Caliente.

Entrevistada 09:
A mulher negra é vista como objeto de desejo, por suas curvas, e não pelo seu potencial, pelo sua inteligência...isso denigre nossa imagem, não somente um par de coxas roliças, temo muito mais que isso.

Entrevistada 10:
Não tenho como responder isto

Mônica Franciso:
Normal, embora sejamos estereotipadas o tempo todo ou somos as caçadoras de homens brancos ricos ou somos as fáceis em busca de sexo. A sexualidade é mais um fator cultural e social que relativo a etnia, carregar esse fardo do racismo junto com o sexismo é mais uma luta que travamos diariamente até a morte.

Kcris Nigeria:
Dotado de sensualidade, desde o falar, vestir-se e domínio da situação.

4. COMO VOCÊ ENTENDE QUE A MULHER PRETA LIDA COM SUA SEXUALIDADE?

Entrevistada 01:
Pelo condicionamento mental somado a falta de conhecimento, as mulheres negras são a escoria na sociedade pseud. Moralista que vivemos, pelo modo de andar, se vestir, pela exposição das relações etc.

Entrevistada 02:
com desconfiança dos homens. principalmente quando são bem sucedidas, aparece um monte de interessados para usufruir o que ela conseguiu com muita luta. Estamos calejadas.

Entrevistada 03:
Não sei, mas imagino que possa ser com poder.

Donna Liu:
Precisamos de orientação. Estamos perdidas num conceito de emancipação que exclui o sexo masculino das nossas discussões, quando isso pra mim, seria imprescindível.

Entrevistada 05:
Não respondeu

Narinha Conceição:
Lidamos de forma "vulgar", pois fomos socializadas para isso, e nos são inculcadas informações a todo momento de q somos unicamente objeto sexual

Entrevistada 07:
Acho que com muita naturalidade.

Entrevistada 08:
Acho que sem preconceitos

Entrevistada 09:
Eu quero ser vista pelo que sou e não se sou sensual ou não...

Entrevistada 10:
Observo que normalmente mulheres negras se vestem e possuem comportamentos mais sensual que a mulher branca.

Mônica Franciso:
Lida de acordo com o momento, com a situação em que está inserida e dos atravessamentos de religião, da cultura, do meio social e educação que possui.

Kcris Nigeria:
A mulher negra carrega toda uma herança genética e cultural, o que torna ela fascinante. Atualmente percebe-se que as mesmas encara a sexualidade com naturalidade, respeito e dignidade. Afinal de contas ela não deixa de ser uma MULHER por ser negra.

5. O CONCEITO DE LIBERDADE SEXUAL, QUE A MAIORIA DAS MULHERES PRETAS ALMEJA OU ENTENDE POSSUIR, UTILIZA A FIGURA MASCULINA COMO BASE?

Entrevistada 01: A liberdade sexual que as mulheres negras têm buscado em muito se assemelham a dos homens

Entrevistada 02
: Nossa liberdade sexual está exatamente no respeito ao próprio corpo e a não dependência do homem no convívio e sim a distancia. Não morar juntos, e se libertar de lavar cuecas, fazer prato,lavar, passar ,cozinhar e a noite ter que ter disposição para fazer um sexo gostoso, é surreal.

Entrevistada 03:
Sim, infelizmente.

Donna Liu:
Infelizmente não. Para que atinjamos a liberdade sexual o homem precisa entender o que queremos e se ele não está na base dessas discussões como ele poderá saber? Parece meio óbvio, mas não é o que acontece.

Entrevistada 05:
As mulheres em geral ainda se utilizam da figura masculina como padrão de comportamento, para se auto afirmarem, espero sinceramente que essa visão mude.

Narinha Conceição:
Acredito q sim

Entrevistada 07:
Sim, acredito que uma vida livre sexualmente, porém sempre fica o estigma de ser chamada de "puta", nós mulheres queremos ter a mesma liberdade sexual dos homens.

Entrevistada 08:
Não.

Entrevistada 09:
Não... ao meu entender isso só vai reiterar a maneira que os homens veem as negras...acho que a mulher em geral...não importa a etnia

Entrevistada 10:
Não concordo.

Mônica Franciso:
Que liberdade sexual? Esse é o mito da sociedade branca em que estamos inseridas, não existe para a mulher preta, pobre, vítima de racismo uma “liberdade sexual” em que ela pode ser dona de seu corpo.
Não somos livres para isso e nem temos liberdade, digo, como grupo de mulheres pretas envolvidas com a sobrevivência em busca de uma vida menos indigna para nossas futuras gerações.

Kcris Nigeria:
NÃO. A liberdade sexual que hoje a mulher negra possuir, esta diretamente ligada a ascensão que as mulheres como um todo conquistou. Independente da masculina. Não esquecendo, que mesmo dentro de toda mudança de conceitos sobre a sexualidade ainda hoje existem mulheres negras que vivem dentro de uma tradição familiar que não se permite uma plena liberdade sexual.

6. VOCÊ ENTENDE QUE O FEMINISMO INFLUENCIA AS MULHERES PRETAS NO VIVER DA SUA SEXUALIDADE?


Entrevistada 01: A luta por igualdade de Direitos entre homens e mulheres que fundamenta o feminismo sem dúvida influencia as mulheres negras no viver da sua sexualidade!

Entrevistada 02: Ensina as mulheres preta, que se viemos de uma luta constante, homem se não for parceiro é um parasita que nos atrasa a vida e nos limita no crescimento pessoal. Fazer sexo é uma necessidade e liberdade de ir e vir, sem ter que dar satisfação sem cobranças e viver uma vida plena, é qualidade de vida.

Entrevistada 03: Não pq o feminismo não trata da questão da mulher negra.

Donna Liu:
Não. Primeiro que pra mim o feminismo é utopia. Um amigo uma dia explanou para mim: “o sufixo ismo pressupõe dominação de um grupo em relação a outro não é”? Respondi: “é”! “Há dominação da mulher em relação ao homem”? Ele perguntou novamente, ao que respondi: “Não”. “Então não existe feminismo”, ele finalizou. E eu concordo plenamente. Haverá feminismo quando passarmos a receber remunerações maiores que a dos homens. E o equívoco da luta da mulher preta nesse contexto, se dá porque nós perdemos em três escalas: para o homem branco, o homem preto e a mulher branca.

Entrevistada 05:
Acho que a mídia influencia muito mais...

Narinha Conceição:
Eu entendo q sim, somo influenciadas nas nossas relações sexuais.

Entrevistada 07:
Sim, claro. O feminismo tem clara influência sobre o comportamento sexual das mulheres negras ou não, de uma forma ou de outra essas discussões chegam a todas nós, e daí um reposicionamento perante a opressão frente a sociedade machista.

Entrevistada 08:
Não.

Entrevistada 09:
Penso que não...

Entrevistada 10:
Sim .

Mônica Franciso:
Feminismo branco? Risos. A mulher preta consciente sabe que está fora dessa jogada e o feminismo negro vai na contramão disso, queremos ter direito a dignidade de criar nossas crianças pretas, de podermos ter um atendimento médico mais humanizado, ter uma representação social melhor. E outras demandas. Essas são ignoradas pelo feminismo branco e não me contempla como mulher preta.

Kcris Nigeria:
Pode até influenciar, acredito que por estarem, mas independentes e conquistando cada dia seu espaço, a maioria não se deixa influenciar totalmente pelo feminismo. Os conceitos mudarão.

E você, o que pensa? Comente, discuta, apresente novas ideias e participe! 

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domingo, 22 de julho de 2012

MULHER PRETA E A SEXUALIDADE


Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Este artigo surge em decorrência da boa aceitação do anterior: Amante do Meu Marido e a Outra do meu Namorado, que se propusera a coletar opiniões acerca dos homens pretos e as relações extraconjugais. Neste, resolvemos coletar as opiniões dos amigos e amigas sobre o que pensam acerca da sexualidade das mulheres pretas. Para isso, escolhemos metodologicamente um questionário que busca gradativamente debater alguns pensamentos do senso comum até a reflexões sociológicas de como ocorre o desenvolver da sexualidade feminina.

Assim, oito homens e onze mulheres se propuseram voluntariamente a responder as seis perguntas abaixo:

1. Você concorda que geneticamente a mulher preta é mais “quente sexualmente” que as mulheres brancas?

2. Você concorda com que se o homem é infiel, deve a mulher trair ou “pagar na mesma moeda”?

3. Como você observa o comportamento sexual da mulher preta?

4. Como você entende que a mulher preta lida com sua sexualidade?

5. O conceito de liberdade sexual, que a maioria das mulheres pretas almeja ou entende possuir, utiliza a figura masculina como base?

6. Você entende que o feminismo influencia as mulheres pretas no viver da sua sexualidade?


Conforme utilizada anteriormente, a publicação dos nomes ou apelidos apenas ocorrerá por manifestação expressa do entrevistado, nos demais haverá o sigilo.

Em que pese à enquete ter sido realizada aleatoriamente, notamos que no universo dos entrevistados possui uma pluralidade de pensamentos ainda maior, incluindo uma diferença estarrecedora nas concepções masculinas sobre a mulher e a sua sexualidade. Outro fator importante são as inúmeras restrições ao feminismo por parte dos homens entrevistados.

Inicialmente, o artigo não foi concebido para a realização de análises aprofundadas das respostas, o que permitirá a você, leitor (a), uma visão não lapidada dos pensamentos expressos pelos entrevistados, inclusive mantidos da mesma maneira como foram escritos.

Opcionalmente, as respostas serão postadas por gênero, sendo que neste primeiro artigo estou postando as respostas masculinas. Vamos a elas:

1. Você concorda que geneticamente a mulher preta é mais “quente sexualmente” que as mulheres brancas?

Entrevistado 01: Sim.

Entrevistado 02: Não concordo. Seria atribuir uma característica (mesmo positiva) a uma predeterminação RACIAL, quando considero que grande parte da manifestação sexual tem origem CULTURAL.

Marcos Ferr - Sim, concordo.

Entrevistado 04: Geneticamente sim isso é cientifico... Tanto que mulheres negras não fazem tratamento para engravidar, se for casada com homem negro. Mulheres negras tem a vagina mais apertada pela forte resistência muscular da vagina.

Rapper Marcelo Silles: Sim

Entrevistado 06: Não. As mulheres brancas são mais bonitas e mais quentes. Comprovo a minha ideia da seguinte forma. Quem imita quem, a branca imita a negra? A mulher negra imita a branca especialmente nos cabelos, ficam loiras, ruivas e passam produtos para alisar. Então eu prefiro logo a branca a uma negra mascarada de branca.

Selaisse: Essa coisa de achar que a mulher é "quente" por causa da etnia e um mito visto que a sexualidade pra mulher não é só relacionada ao prazer sexual, se fosse elas não hesitariam em um convite de um homem pra relação sexual, alias, elas nos chamariam o tempo todo pra fazer, e isso pode ser qualquer uma, branca, Negra, Asiática.

2. Você concorda com que se o homem é infiel, deve a mulher trair ou “pagar na mesma moeda”?

Entrevistado 01: Não.

Entrevistado 02: Não. Acredito que infidelidade implica desrespeito. Há casos de relacionamentos abertos, mas aí seria uma pluralidade CONSENSUAL de parceiros. Quando há traição, se não chegarem a um entendimento, cada um segue seu rumo...

Marcos Ferr: acho que não deve, 1 erro não se conserta com o outro.

Entrevistado 04: Homem infiel deve sim ser verdadeiro com a esposa e fazer um acordo como eu fiz...Se for transar com outra (o), use preservativo por respeito...Ser infiel tudo bem, pois a carne é fraca...Ignorância de transar sem proteção também é burrice.Qual homem não transa com outra, ou nunca transou?...Está para nascer.

Rapper Marcelo Silles: sim. também tem a questão do porque da traição, se é por insatisfação conjugal ou se é algo já embutido em si.

Entrevistado 06: Não. Os homens são fracos por natureza e as mulheres tem que entender a nossa fraqueza.

Selassie: acho meio hipocrisia julgar o "Homem sempre como infiel " hoje em dias a promiscuidade é de ambos os lados ,por acaso ja ouviram falar de hipergamia feminina ? toda as mulheres a possui, pois, onde eu trabalho as mulheres casadas são muitos hipergâmicas rsrs não estou usando o meu trabalho como exemplo, mas as mulheres biologicamente são hipergâmicas ,e muitas se deixam levar pelo extinto ,nos homem fomos feitos pra distribuir nosso genes a vida inteira estamos aptos a isso 24h por dia bem diferente da mulher ,o que faz nos freia são as leis morais da sociedade ,mas alguns estudos dizem que os homem estão mais interessados no relacionamento serio mais do que as mulheres.

3. Como você observa o comportamento sexual da mulher preta?


Entrevistado 01:
A mulher preta na minha concepção é uma mulher mais quente e ativa sexualmente, porém não é para ser tida como objeto sexual ou símbolo sexual.

Entrevistado 02: Só posso dizer as que conheço, em minha cidade... Acho normal, mas vejo até mesmo um comportamento mais pudico em relação às mulheres de outras etnias, de mesma faixa etária. Nunca me detive para saber o porquê desse comportamento.

Marcos Ferr: Não vejo diferença entre o comportamento sexual d mulheres por q possuem raças/cores diferentes, vejo diferentes comportamentos por educação e ambiente de convívio.

Entrevistado 04: Comportamento da Mulher Negra... A maioria reclama dos homens negros, mais com homens não negros fazem de tudo, transa com qualquer homem branco, e quer ser tratada por homem negro como princesa...

Rapper Marcelo Silles: bom eu observo de forma relativa, pois cada tem uma postura. não tem como definir em uma dimensão uniforme.

Entrevistado 06: Uma vergonha. Adoram namorar um branco desde a época da senzala. E dão uma de gostosa com os negros. Por isso prefiro as brancas que me tratam bem.

Selassie: o comportamento sexual delas funciona do meio que elas esta inserida ,se ela tiver no baile funk com umas amigas ela vai se comporta da mesma forma que qualquer funkeira se é que me entende ,se ela for evangélica ela vai se recata , então não tem como dizer que é diferente pois isso e mito.

4. Como você entende que a mulher preta lida com sua sexualidade?

Entrevistado 01: Normalmente, só que, às vezes, em uma minoria as pretas gostam de serem observadas ou vistas como símbolo sexual.

Entrevistado 02: Por pura coincidência, as mulheres pretas que conheço pertencem ou estão ligadas a alguma religião, em especial o cristianismo evangélico e o candomblé de nação ketu e angola. Acredito que sua sexualidade seja fortemente influenciada pela religiosidade. Pelo menos, quanto ao comportamento social.

Marcos Ferr: como disse anteriormente, acredito q as mulheres em geral lidam c/ a sexualidade d acordo c/ a educação q tiveram, modo de vida, ambiente de convívio, ñ por causa D SEREM NEGRAS,BRANCAS,ETC.

Entrevistado 04: Como ela lida com sua sexualidade: Penso que a maioria anda perdida com a sexualidade, pois existem no Brasil milhões de mulheres negras sem marido, com obesidade mórbida, dai ficará sim sem ninguém.

Rapper Marcelo Silles: bom entendo que muitas se colocam como indivíduo que obtém o desejo, o aroma do pecado. usam muito esse artifício. mas não deixa de ser uma qualidade e uma essência da mulher preta.

Entrevistado 06: A mulher negra tem uma sexualidade em crise, inveja das mulatas e das brancas que são mais bonitas e gostosas.

Selassie: isso vai muito do comportamento da pessoas, ja conheci negras que eram mais pré disposta a ter relação sexual abertamente e outras não , não ha como definir isso ,pois a mesma negra que era recatada pode mudar depois de uma decepção na relação amorosa

5. O conceito de liberdade sexual, que a maioria das mulheres pretas almeja ou entende possuir, utiliza a figura masculina como base?

Entrevistado 01: Sim, com base no contínuo sistema machista que mesmo com as conquistas femininas ainda impera

Entrevistado 02: Sim. O feminismo, de um modo geral, na busca de igualar os direitos entre homens e mulheres, acabou igualando os COMPORTAMENTOS. Claro que, olhando mais detidamente, percebo muitas mulheres pretas, principalmente mães solteiras, manterem um relacionamento afetivo independente, inclusive financeiramente, unicamente pelo prazer de se sentir livre em uma relação adulta e madura. Mas, majoritariamente, há o estereótipo do macho dominador e impositivo sim

Marcos Ferr: Não sei responder

Entrevistado 04: Penso que essa liberdade sexual seria sim com a figura masculino e espelhar no homem e ter o mesmo comportamento.

Rapper Marcelo Silles: Acredito que sim, pois utiliza o mesma para conquista e sedução, entendem o poder que tem.

Entrevistado 06: Sim. Não sabem o lugar delas, Homem é homem e mulher é mulher.

Selassie: por mais que não assumam elas estão a cada dia buscando parecer com homem, outro dia eu estava vendo aquela marcha das" vadias "as mulheres andando sem a camisa com peito de fora , depois fiquei sabendo que a ideia veio de uma das militantes que tinha lido um cartas de um rapaz dizendo que a mulher sente calor e por isso elas podiam andar sem camisa? pela mor de Ala ne .... então o comportamento delas atualmente tem o homem como modelo sim.

6. Você entende que o feminismo influencia as mulheres pretas no viver da sua sexualidade?

Entrevistado 01: Essa coisa de achar que a mulher é "quente" por causa da etnia e um mito visto que a sexualidade pra mulher não é só relacionada ao prazer sexual, se fosse elas não exitariam em um convite de um homem pra ralação sexual, alias elas nos chamariam o tempo todo pra fazer, e isso pode ser qualquer uma, branca, Negra, Asiática.

Entrevistado 02: Sim. Há outros fatores, mas o feminismo proporciona uma abertura de mente maior, mesmo quando não adequadamente articulado. É como se a ideologia mostrasse o caminho a percorrer, mas não ampara o caminhante no decorrer do caminho.

Marcos Ferr: entendo q o feminismo traz no mínimo uma reflexão sobre os direitos tolidos pela sociedade machista. Acredito q as mulheres tenham acesso a informações d modos e costumes mais liberais graças às feministas e seus movimentos.

Entrevistado 04: e muitas delas se revolta e se torna homoafetiva psicologicamente.

Rapper Marcelo Silles: Sim

Entrevistado 06: O feminismo é coisa de mulher branca e se tem negra feminista tá se parecendo mais uma vez com as brancas.

Selassie: aqui no face eu tive alguns discussões desagradáveis com algumas mulheres feminista, eu sempre apoiei o feminismo, antes de entra em conflito com algumas, depois desses debates fui procura analisar o que se passa dentro desse movimento e descobrir que feminismo não e bem o que parece ser pesquisado uma das coisas que descobri é que a maioria das feminista não está no movimento pra conquista mais espaço como eu imaginava, mas sim “ódio aos homens” lógico que elas não vão assumir, mas todas que debateram comigo tinha esse problema, o rancor de algum homem que não a tinha tratado bem, e começaram a reclamar de todos os homem” todos” são varias coisas que descobri que me fizeram abandonar esse movimento de vez! mas não vou perder meu tempo lutando contra, esse feminismo e usando sim pra sexualidade, pois elas querem a liberdade sexual que nos homem aparentamos ter, aparentar, pois não são todos homem que tem esse liberdade que muitas acham que nos temos, hoje elas conquistaram isso sim, qualquer mulher pode transar quando quiser como fazem ne rs , mas a liberdade que elas buscam , e não ter a moral ferida quando transar com uns 15 caras e sair mal falada ,pois ainda andamos em uma sociedade que neste caso concordo machista em oprimir o lado sexual das mulheres.

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

OS MACUAS E A REVOLTA NO NAVIO NEGREIRO NA BAHIA


Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
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Prisioneiros de guerra sequestrados do continente africano se revoltam e assumem o controle do navio Negreiro “La Amistad” em julho de 1839 e acabam confiando em dois mentirosos brancos, tripulantes sobreviventes da revolta, que os enganam e após dois meses no mar foram capturados por um navio norte-americano e levado para os USA, onde são acusados de assassinatos e levados a julgamento. Você pode assistir ao filme “Amistad” de 1997, dirigido por Steven Spielberg na nossa seção de cinema, ao lado.


Sublevações em navios negreiros ocorreram durante todo o processo do sequestro de africanos. Em 1823, na capital da província da Bahia, Macuas se rebelaram, sobre este fato é que irei escrever um pequeno relato. Para entendermos melhor esta revolta tornar-se-á necessário conhecermos um pouco sobre os Macuas.

Os Macuas (Macuas-Lomués) constituem a mais numerosa etnia de Moçambique (cerca de três milhões e outras informações quatro milhões de pessoas), país no sudeste da África, banhado pelo Oceano Índico, a leste, a Tanzânia ao Norte, Malawi e Zâmbia ao noroeste, Zimbábue a oeste e a Suazilândia e África do Sul ao sudoeste. A capital é Maputo. Há Macuas também na Tanzânia, Malawi, Madagáscar, Ilhas Seychelles e Maurícias (devido ao tráfico de escravizados).

Os Macuas são os primeiros bantos a habitarem Moçambique e entre diversos significados: M’ Makhuwa significa aquele que é selvagem, aquele que come ratos, aquele que anda nu. M’ Makhwa significa também aquele que vem do interior do país (da floresta). Antes da invasão portuguesa eles eram conhecidos como o “povo que guarda segredos”.
Possuem uma sociedade matrilinear (Os anciãos reuniram-se então e tomaram uma decisão: o homem, quando casa, passa a viver com a família da esposa, mas não tem nenhuma autoridade sobre os seus filhos. Só sobre os filhos da sua irmã).

Os Macuas migraram para a região no século XI da nossa era comum , mas, os Macuas discordam e afirmam que foram criados por Muluku nas montanhas Namuli, nas margens do rio Zambeze, a partir das raízes de um embondeiro (Baobá) – a chamada árvore dos mil anos.


Acreditam que Miyo kokhuma o Namuli (fui gerado no monte Namuli). Consideram a vida como um valor absoluto e para eles é impossível negar a existência de Muluku (Deus): seria negar a própria vida. Muluku (Deus) é um só, criador de todas as coisas, dono de tudo e senhor da humanidade. Segundo um provérbio popular, Deus chama os homens anaka (meus filhos).

Os Macuas resistiram à invasão portuguesa e quase 60% da população entre 1950 a 1970 empreenderam fugas para outras regiões resistindo ao trabalho forçado, pelo Governo colonial português. Resistiram também queimando sementes, recusavam ao trabalho forçado e foram chamados de preguiçosos pelos colonialistas. No Brasil também os prisioneiros de guerras e seus descendentes resistiram dessa forma conhecida como desamor ao trabalho. Os pretos foram chamados de preguiçosos quando resistiam ao trabalho forçado pelos senhores, por isso na Bahia, se criou o mito do “baiano preguiçoso”, “Baiano festeiro” que não passa de uma alusão à resistência a escravidão.

São belíssimos os provérbios Macuas e com a invasão portuguesa, novos foram criados, entre eles, uma censura aos líderes que mantinham relações com os invasores.

- O branco é como o fogo, quem lhe toca queima-se.

Censura as relações inter-raciais das mulheres:

- "Deus criou o branco e também o negro”. Mas, o “café com leite” quem o fez foi o português.

A MÚSICA A DANCA E O CANTO EM MOCAMBIQUE (02 DE 04)



A REVOLTA DOS MACUAS NO NAVIO NEGREIRO

Infelizmente, Macuas juntamente com os Tumbuka, Yao, Makonde, Maravi (Chewa e Nyanja), Manyka, Ronga, Chopi, Shangaan e outros grupos étnicos, foram prisioneiros de guerras e sequestrados através do Oceano Indico de diversas regiões da chamada Costa Oriental da África e não recebem a mesma importância em estudos dos prisioneiros do Tráfico Transatlântico. Mas, estudos em quilombos tem provado a influência destes povos na sua formação e diversas influências culturais nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil. Em outro momento discutiremos sobre este assunto.

Na década de 80, quando pesquisava quilombos no Arquivo Público do Estado da Bahia, encontrei um documento que falava dessa revolta, e a citei no meu livro Bahia: Terra de Quilombos. Não entrei em detalhes, porque o meu foco era estudar comunidades quilombolas. Resistências de prisioneiros de guerras, escravizados no Brasil, nos encontramos a todo o momento e em qualquer arquivo histórico que contenha documentos do Brasil Colônia e Império.

A revolta dos Macuas ocorreu em um navio tumbeiro que se destinava a Bahia em 1823 e nos autos são citados alguns nomes: Umpulla, Muquita, Macu, Mamatundu e Macutandu. Na revolta atiraram ao mar diversos tripulantes do navio e espancaram outros com pedaços de madeira. A revolta foi contida e os Macuas levados à cidade de Salvador-Bahia para serem julgados.

Nos autos, o Macua Muquita foi ouvido e informou que o preto ladino José Toto havia participado ativamente e "insinuado” a revolta. José Toto também é citado por Lauriano, outro preto ladino, como a pessoa que aconselhou os Macuas a revolta.

A revolta foi necessária porque os africanos acreditavam que seriam comidos pelos brancos, não compreendiam tanta violência, acorrentados em navios, sofrendo torturas, fome e sede, distante de familiares e amigos, e vendo diversos prisioneiros de guerra serem jogados ao mar, entre outras perversidades.

Evidente que a revolta dos Macuas não teve o desfecho dos prisioneiros de guerra do navio “La Amistad”, eles foram condenados e como era de práxis provavelmente enforcados para servir de exemplo e terror aos africanos em terras do martírio.
   
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A AMANTE DO MEU MARIDO E A OUTRA DO MEU NAMORADO - OS HOMENS PRETOS E AS RELAÇÕES EXTRACONJUGAIS


Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita

E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
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Facebook: Walter Passos


Se você puder responder as perguntas abaixo, ficarei agradecido, se não puder, agradeço também.

Você acha que existe uma prática poligâmica não oficial no Brasil? Se existir, essa prática pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais? Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?

Foram com respostas a essas perguntas que este texto foi produzido. Ressalto, de início, que este não está baseado em nenhuma metodologia de pesquisas acadêmicas. São apenas reflexões, logo, não possuem o objetivo de depreciar os homens pretos que nesta sociedade racista são considerados violentos e irresponsáveis ou defender a pratica da poligamia.

Antes, todavia, não podemos esquecer que somos descendentes de prisioneiros de guerras impetradas pelas civilizações brancas e cristãs em séculos anteriores que culminou na escravidão nas Américas. Como resultado, todas as nossas relações foram influenciadas pelas mazelas.

Destaca-se, também, que a prática poligâmica em território africano se acentuou em larga escala após a invasão e islamização das terras ancestres, que alterou o patriarcalismo criando novas concepções sociais de famílias.

Quando se fala em poligamia, imediatamente o território africano é citado, inclusive nos dias atuais. Jacob Zuma, presidente da África do Sul tem várias esposas e questionamentos são levantados dentro do seu próprio país.

Não vou me ater a conceituações de poligamia e patriarcalismo, o que me interessa é entender, sem as conceituações da academia, o que algumas pessoas pensam sobre este tipo de relacionamento. Diante disso, questionei a alguns amigos e amigas no Facebook. As respostas foram bem distintas e deixo-vos para tirar as próprias ilações, sem citar os nomes das pessoas que gentilmente responderam as minhas indagações. Outras, por diversos motivos não quiseram responder, as agradeço também.

Vejamos os parâmetros escolhidos aleatoriamente:

Perguntas:

1. Você acha que existe uma prática poligâmica não oficial no Brasil?
2. Se existir, essa prática pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais?
3. Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?

Dentre os entrevistados, que aceitaram responder às perguntas, apresentaram-se as seguintes tendências:

Mulheres:

19 mulheres, dessas:
07 entendem ser essa uma prática ancestral.
12 entendem ser essa prática irresponsável

Homens:

14 homens, desses:
06 entendem ser essa uma prática ancestral.
06 entendem ser essa prática irresponsável
02 não souberam responder

Resultado integrado:

Prática Ancestral: 12 pessoas
Prática irresponsável: 18 pessoas.
Não souberam responder: 02 pessoas.

Entre as respostas coletadas, alguns trechos foram selecionados, guardando a coerência do discurso apresentado, para ser interpretadas pelas leitoras e leitores que participaram do debate.

HOMENS PRETOS:

“Todo homem é predador e fraco espiritualmente. E aquele que diz o contrário, é um verdadeiro demagogo.”

“Na verdade, essa prática não passa de mera carência afetiva. Somos homens pra uma mulher só e sofremos muito com a ideia de perdê-las.”

“Debatemos muito que foi suscitado. E por este motivo, muitos valores se confundem. Mas, no Brasil, temos uma matriz judaico-cristã e, logo, as duas coisas se confundem. A responsabilidade conjugal é uma falha e tanto, penso eu, em um pais como o nosso, multicultural”

“Poderia ser herdado pelos ancestrais, mas acho que nos tempos de hoje as relações estão bem bagunçadas mesmo.”

“No meu curso de relações raciais, uma bióloga negra polemizou, dizendo que com o extermínio de homens pretos, será normal um dia, a mulher preta admitir que divida homem.
Daqui a pouco será o meio de sobrevivência do grupo negro, primeiro tem mais mulher que homem no Brasil e os pretos são os que mais morrem”.
“vejo como fato natural, não só do homem negro, talvez seja a influência herdada, o desejo de sexo diversificado, talvez isto.”

“Outra questão por mim observada aqui onde passo, é que as mulheres negras entrevistadas não gostariam de ter filhos com pais negros, sentem-se constrangidas em ter filhos de cor preta, alegação para o preconceito por elas vivido.

Fiz algumas observações a respeito do assunto com jovens negros (as) e pude observar que as opiniões são as mesmas. Meninas pretas admiram jovens brancos, mas não um só, admiram mais de um garoto e em muitos casos acabam ficando com mais de um, o jovem preto tem a mesmo opinião, mas escolhe apenas uma branca”

“A poligamia e o patriarcalismo apenas se parecem, mas são muito diferentes. A poligamia não herda tradição familiar, no patriarcalismo tradição em primeiro lugar (entendendo-se tradição como núcleo familiar).”

“O que temos na sociedade ocidental é poligamia e nas sociedades africanas patriarcalismo. O homem ocidental é incapaz de manter um núcleo familiar. O africano é pai desde os primórdios do mundo, é pai por natureza, está nos genes.

O europeu destrói a família, o africano constrói a família.

Esta ideia que o africano é polígamo é uma tática para diminuir a população negra.

Veja: todos os grandes patriarcas eram negros. Não conheço nenhum patriarca branco.”

“Não acredito que exista essa prática não - Existe uma cultura de que homem preto não pode ser fiel "dada a sua natureza" - e isso é pura balela - Somos fiéis sim - até porque somos religiosos demais. Antigamente era socialmente impossível ao negro ter uma família só porque ele não conseguia dar conta nem dele daí uma mulher aqui pra ajudar; outra ali pra emprestar o do cigarro, e por aí vai. Homem é homem independentemente da cor em qualquer lugar.”

“Estou há alguns anos fora do Brasil, no entanto, posso te falar algumas coisas daqui da África Austral:
A poligamia é muito praticada aqui ainda hoje. E, sim, é uma cultura herdada dos ancestrais.
Com o aumento das missões católicas e evangélicas, isso tem diminuído um pouco, mas existem lugares em Mozambique, por exemplo, que se o homem não tem três esposas, ele não tem boca para opinar na aldeia, queria dizer, ele ainda não tem boca.”

“Então... sobre existir, certamente existe. Mas, não de uma forma conversada, discutida. Via de regra, velada. O que acarreta inúmeros problemas.
Sobre ser herdada de nossos antepassados, não creio.
Não defendo necessariamente a monogamia estética, ornamental. Mas, mesmo sabendo das múltiplas possibilidades relacionamentais em Afrika, pensar em recriá-las/vivenciá-las aqui, fazendo uma transposição anacrônica do que nos convém,seria muito conveniente. Vivendo em uma realidade de masmorra, como essa quem que estamos inseridos, me parece meio fantasioso, pensar em pescar somente alguns elementos. A cura da doença que a branquitude nos criou tem de ser completa não esporádica... com micro elementos. Por isso, mesmo tendo críticas à imposição monogâmica ornamental, que reside na maioria das relações, com exceção de algumas, penso que poligamia, mesmo num contexto de centralização e empoderamento das famílias, da comunidade, vislumbrado e possibilitado em algumas estruturas policonjugais (diferente de poligâmicas), não é algo pensado de fato. Via de regra, é só uma postura de se relacionar multiplamente, e descompromissadamente.”
“A mulher preta aceita a poligamia e sabe que o homem preto tá na moda. Elas sabem que se não tratar os homens bem, as brancas estão atrás de nós.”
“Acho que existe sim, é extrema e é uma falta de responsabilidade, respeito em todos os sentidos...
Isso falta de responsabilidade e respeito na relação conjugal...
Conheço pelo facebook um advogado branco homosexual que diz ter relação sexual somente com homens Negros, casados e solteiros, que fala que a coisa mais fácil é conseguir um homem Negro para se relacionar.

Diretor Pedagógico do curso de inglês com Cultura Negra Ebony English (www.ebonyenglish.com.br):
“Poligamia diz respeito à relação seres vivos preservam mais de um vínculo sexual no ato ou época de reprodução. Nos humanos, a poligamia é vínculo matrimonial
entre mais de duas pessoas.
É preciso fazer uma distinção entre o entendimento da poligamia enquanto fenômeno biológico manifesto e praticado entre várias espécies de seres vivos e a poligamia enquadrada por preceitos morais diversos e que tendem a colocar "poligamia" e "amantismo" na mesma vala comum.
Algumas civilizações aprovam e dão suporte ao ato da poligamia, enquanto relacionamento institucionalizado.
Em algumas localidades do leste europeu e do Oriente Médio há também registro da
união matrimonial com mais de 3 membros em uma mesma família.
Há indícios de que a religião Mórmon pratica a poligamia desde a sua fundação oficial pelo "profeta" Joseph Smith, em 1820.
Do ponto de vista científico, creio ser razoável a presunção de que quando a espécie Homo Sapiens partiu do leste Africano para povoar os demais continentes, o fez em ondas migratórias distintas, em grupos relativamente homogêneos e pequenos. A sobrevivência destes grupos dependia de um mínimo de articulação e noções de
liderança para as manobras de caça, pesca, abrigo... e sexo! Neste sentido,
eventualmente o líder do bando teria "privilégios sexuais", para o caso de uma das membros do sexo feminino adoecer ou morrer ao longo do deslocamento migratório.
Dado ao estado evolutivo embrionário daqueles primeiros seres humanos, nem
mesmo o ato sexual incestuoso poderia ser desconsiderado.
Com o surgimento e o aprimoramento das regras de convivência em civilizações estabelecidas (resultantes da fixação de populações humanas em determinadas coordenadas geográficas), a instituição "matrimônio" foi se redesenhando, com o
acréscimo de dogmas e tabus de ordem espiritual, moral e religiosa que acabaram
por abolir, estigmatizar e na maioria dos casos condenar severamente a prática da
poligamia.
As civilizações modernas, notadamente a grande maioria das culturas cristãs-
ocidentais condenam a prática da poligamia.
Há uma corrente científica que defende a tese de que o fator "domínio genético" (no
sexo masculino de uma grande parte dos seres sexualmente reprodutivos) é ainda c
um traço característico do nosso Complexo-R [a região mais velha e mais primitiva de nossa massa cinzenta; o centro de agressão/sobrevivência de nossa existência], e que ele seria o responsável pelo impulso nos seres vivos do sexo masculino a garantir a sobrevivência de sua espécie através da multiplicação em massa de sua prole e, por extensão, de sua carga genética, a qual tenderia a se sobrepor sobre "os
outros reprodutores concorrentes".
Não existe correspondência entre etnia e poligamia. A formação da assim chamada "civilização brasileira" se deu em circunstâncias específicas. Os europeus
aqui chegaram e uma das primeiras providências dos colonizadores recém-chegados foi estuprar um grande número de índias virgens, não havendo qualquer freio em seus arroubos sexuais, mesmo para aqueles colonizadores que aqui desembarcassem já casados e com família constituída.
As próximas vítimas (por mais de 300 anos) foram às mulheres negras, que eram estupradas já na África, e também durante "a grande travessia" e ao desembarcarem em solo brasileiro. Há registro de jesuítas que eram donos de africanas escravizadas e que eram mantidas apenas para a satisfação de práticas sexuais escusas:
Os homens africanos escravizados só tinham duas funções em território brasileiro:
trabalhar e reproduzir até morrer. O vínculo matrimonial era desencorajado e mesmo que esses ocorressem os senhores latifundiários continuavam a subverter (sexualmente, vale lembrar) os laços precários de vida conjugal dos escravizados e seus descendentes de forma sistemática.
A análise a ser feita é: o que veio primeiro, a poligamia enquanto estratégia de sobrevivência ou as regras que se esforçam em tornar a estratégia inapropriada para o convívio em sociedade?
A discussão estimula a discussão em várias abordagens e espero que as reflexões acima venham a contribuir com a discussão.”

MULHERES PRETAS:

“Minha pergunta é: os homens pretos daqui praticam a poligamia ou o adultério? Ou poligamia e adultério são a mesma coisa?”

“Eu penso que a poligamia praticada pelos homens pretos é resultado de uma herança machista, que está presente em quase todas as culturas. E que continua incentivando este tipo de comportamento onde os homens justificam seu comportamento pernicioso pelo simples fato de serem homens.”

“Primeiro tendo a acreditar que algumas tribos africanas tinham a pratica da poligamia, mas num outro contexto. Onde as relações sociais se davam de outra forma.
Em relação à segunda pergunta acredito que seja um misto de baixa autoestima, conjugada com a imagem machista e super sexualizada do homem preto.
Mas não acredito que na sociedade atual não da pra encarar a poligamia como uma postura vantajosa. Somente do ponto de vista da variabilidade de parceiras. Não posso conceber que se prefira isso à construção de uma família, por mais que questione o modelo de família branca. Acho que essa postura reflete a autodestruição e auto-sabotagem que permeiam a construção da psique masculina negra.”

“Considero falta de responsabilidade....gostei da ideia podemos discutir mais, gosto disso....Considero safadeza.”

“Não creio que exista poligamia não oficial no Brasil. Parece-me que para ser considerado polígamo o homem deveria ter responsabilidades com as duas mulheres, algum laço para além das relações sexuais. Acredito que temos sim, um afrouxamento do comprometimento nas relações. Não creio que nossa ancestralidade interfira neste aspecto.”

“Acho que esta no caráter da pessoa, visto que traição não esta no DNA e sim no comportamento de cada um. Me fiz entender?”

“Sim, existe. Porém não se trata de uma herança dos ancestrais, creio que seja uma irresponsabilidade na relação conjugal, se valer na herança ancestral é muito fácil para justificar o mau caratismo e a falta de respeito e consciência. Mas, não é verdade que se herda mau caratismo e canalhice.”

“É fácil por culpa nos defeitos nos nossos ancestrais pretos isso está bem arraigado na nossa cultura preconceituosa e racista.
Não acredito, principalmente porque as relações atuais não são baseadas em comprometimento e sim em instantaneidade.
Penso que na década passada o adultério era moda, assim como na década de 80 a moda era o consumo de drogas; atualmente creio que com tanta liberdade e independência entre mulheres e homens, que o compromisso casamento é uma decisão muito pensada.
Se existir está pratica pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais?
Sinceramente vejo muito mais homens brancos com práticas poligâmicas do que homens negros; afinal quantos negros existem no Brasil com esse poder financeiro?
Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?
Creio que atualmente exista muito medo do comprometimento devido a diversos fatores:
1. Muitas mulheres no mercado.
2. Masculinidade questionável/flexível.
3. Homens imaturos e mulheres controladoras
4. Falta de exemplos consistentes dentro de casa
5. Idealizações utópicas
6. Troca de valores. Formar uma família não é mais um valor dentro da sociedade.”

“Pelo que tenho estudado algumas praticas que nossa sociedade cultiva advém de uma carga de característica que foi transmitida hereditariamente."

Dentre as respostas, uma foi selecionada, de maneira exemplificativa, para que fossem tecidos alguns comentários que se julgaram pertinentes.

Uma irmã disse:

“Com certeza é cultural como também uma questão de sobrevivência e mantenedora de muitas sociedades africanas. É um meio de repor as grandes perdas de óbito infanto-juvenil.
Isso é ainda mais comum no nordeste. Que Rio de Janeiro e São Paulo há muitos nordestinos e seus conceitos também influenciam essas cidades na formação da população
As separações são comuns quando a mulher cobra muita fidelidade, muitas sabem e aceitam por questões de dependerem de seus esposos dependência do esposo ou mesmo gostarem deles para não perdê-lo se sujeitam.”

Comentários:

Notei que os pareceres são bem distintos. Entre eles, a resposta acima atribui ao fato do homem preto possuir várias mulheres ser advindo de uma diferenciação regional, entre pretos nordestinos, muitos deles imigrantes que foram para o sudeste, e pretos sulistas.
Salvo melhor juízo, não conheço pesquisas estatísticas ou sociológicas que corroborem com a ideia apresentada. Neste caso, cabe a pergunta: será que os homens pretos cariocas, mineiros, capixabas e paulistas são diferentes nas suas atitudes com as mulheres pretas? Ou tal opinião retrata uma manifestação racista introjetada no ideário popular, inclusive reproduzida por militantes do Movimento Preto Organizado?

Estudos sociológicos (GUIMARÃES: 2009) apontam que ocorreu uma “mutação” do racismo contra pretos para racismo contra nordestinos, nos dizeres do autor: “Dito de outro modo, “baianos” e “nordestinos” passaram a ser, neste contexto, uma codificação neutra para os “pretos”, “mulatos” ou “pardos” das classes subalternas, transformados, assim, nos alvos principais do “novo racismo” brasileiros”.

Logo, não está descartada a possibilidade daquele comentário ter sido fruto de um racismo intrínseco, afinal será que o homem preto do sudeste não tem outras relações afetivas sendo casado ou namorando?

CONCLUSÃO

E vocês, leitoras e leitores, o que pensam desse assunto? Será que as relações extraconjugais do homem preto são fruto de uma herança genética ou, como alegado pela maioria dos entrevistados, fruto de uma prática irresponsável? Comentem.

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