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sábado, 7 de abril de 2012

Os HEBREUS DE ELEFANTINA - COMUNIDADE NO ANTIGO KEMETE


Por Malachiyah Ben Ysrayl.

Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Os Hebreus constituíram-se quanto povo dentro do território africano. Tal composição possuiu sua gênese em Mizraim, no Kemete (atual Egito), e de lá se consolidou em Canaã, após o Êxodo sob a direção de Moshe.

Importante destacar que Kemete e Canaã eram um só território africano para aquelas civilizações, cuja divisão territorial somente ocorreu muito recentemente com a invasão das civilizações brancas e a drástica alteração toponímica, através da construção do canal de Suez.

Importante também compreender que Kemete, potencia comercial, naval e intelectual da época, era um local propício para o desenvolvimento e constituição do povo hebreu, seja para acolhê-los durante os diversos períodos de crises econômicas enfrentadas, alianças militares e mercantis, seja pelas necessidades de asilo e migrações populacionais, principalmente em decorrência das diversas guerras hebraicas que culminaram nas diásporas.

Por conta de seu desenvolvimento econômico, Kemete foi o local ideal e mais seguro para a sobrevivência dos hebreus, desde a época de Avraham (Abraão, pai de muitos pretos).

Em outra análise, não há como concordar com alguns grupos afrocentristas, notadamente inimigos dos hebreu-israelitas, que habitualmente se referem à civilização de Kemete para atribuí-la todo o conhecimento, restando aos hebreus a absorção e adaptação cultural, ao passo que também negam a pretitude de Israel, apoiando, por ignorância, a farsa Askenazi.

Esta análise equivocada demonstra ausência do conhecimento histórico de Kemete e de suas relações econômicas, políticas e culturais. Sem mais delongas, não podemos esquecer que o povo hebreu se origina em Kemete e a sua cor epitelial não era diferenciada, tanto assim que em diversos relatos eles são considerados um só povo, como é o preto hoje.

Hebreus Israelitas cativos na Babilônia

No livro de Bereshit (Gênesis) há diversos relatos dos hebreus se parecerem com os habitantes de Mizraim, alguns exemplos: Os dez irmãos de Yosef não o reconheceram, no sepultamento de Yaacov e Moshe cresceu na corte do faraó. Inclusive Yahoshua foi levado para Mizraim com os seus pais Yosef e Miryahm fugindo de Herodes por causa da matança das crianças de Beit Lehem.

Após esse introito, necessário para elucidar alguns temas sobre a comunidade dos hebreus em Kemete, discorreremos sobre a comunidade hebraica de Elefantina, uma ilha do rio Nilo, a oeste de Aswan, na fronteira com a Núbia (Sudão), que se estabeleceu na região no V século antes da nossa eram comum.



Elefantina é uma palavra de origem grega que significa elefante, os antigos habitantes de Mizraim chamavam de Yebo, que também significa elefante, este nome surge por causa dos elefantes que foram levados do sul para a Núbia. A ilha possuía uma importância geográfica estratégica por causa das constantes guerras entre Kemete e o poderoso império de Kush.

Por que os hebreus se instalaram na Ilha de Yebo? Há algumas hipóteses:

- O rei Manasses da Judéia enviou soldados que se estabeleceram em Elefantina apoiando o Império de Mizraim.

- Mercenários judeus foram enviados para o Egito durante o reinado do faraó Psammetichusis II, o rei Zedequias teria sido o responsável pelo ato. Isto porque, o rei Zedequias foi o único governante de Judá contemporâneo com Psammetichusis II. Desde então, Mizraim teria sido mais propenso a apoiar os rebeldes antibabilônicos, a presença de mercenários judeus em MIzraim pode ter sido visto como um ato de cooperação contra um inimigo comum. Corroborando com essa hipótese, extraímos o escrito no Livro de II Reis:

"Com isso, todas as pessoas [restante dos judeus em Judá] desde o menor até o maior, juntamente com os oficiais do exército, fugiu para o Egito com medo dos babilônios." (2 Reis 25:26).

Alguns profetas falam da presença de hebreus no Egito, entre eles, Isayah:

"Veja, eles virão de longe,
alguns do norte, alguns do oeste,
alguns da região de Assuão [Siena]. " -Isayah 49:12

A vivência dos hebreus em Elefantina ainda é estudada com afinco, pois permite através de uma vasta quantidade de documentações, entre elas, papiros e sítios arqueólogicos, o entendimento da diáspora dos hebreus.

Elefantina era conhecida como a terra do deus Khnub, originário de Kush-Nubia como outros importantes deuses e deusas de Kemete. Originalmente esse deus é representado como um homem com cabeça de carneiro. Os hebreus construíram um templo para YHWH parecido com o templo de Salomão o qual foi destruído por egípcios, por causa dos holocaustos, que incluíam ovelhas, bois e cabras. O sacrifício de carneiros no templo era claramente uma das principais causas da revolta dos egípcios. Um documento encontrado retrata a destruição final do templo em 410 aC, Segundo o documento, os sacerdotes egípcios de Khnub cooperou com Vidranga que enviou o seu filho Nefayan no comando de um exército egípcio e ordenou "o templo de YHWH na Fortaleza de Elefantina tem que ser destruído"

Há um papiro que solicitar ao rei Dario da Persa a reconstrução do templo de Elefantina, acesse o link:

http://www.kchanson.com/ancdocs/westsem/templeauth.html

Na ilha diversos papiros denominados como “Papiros de Elefantina”, foram encontrados nos assoalhos das casas, vasos de cerâmica e jarros. Estes documentos escritos em aramaico, e alguns em hierático e demótico, relatam a vida cotidiana, isto é, assuntos políticos, religiosos, econômicos e sociais. Os documentos legais encontrados estão preocupados com ações judiciais; vendas; casamento, empréstimo, presentes e outros contratos relacionados com posses de propriedade.

De especial importância é a "Carta da Páscoa", que remonta a 419 a.C. A carta era de Ananias para Jedenayah da guarnição israelita em Elefantina. Em sua carta, Hennanyah instruiu os hebreus a "manter o Festival do Pão Ázimo" e "serem puros e cuidadosos.", juntamente com outras instruções relacionadas à observância do festival. Os estudiosos suspeitam que Hennanyah tenha sido o irmão da figura bíblica, Neemyah.

O destino desconhecido da comunidade de Elefantina pode ser interpretado de maneiras variadas. Uma possibilidade é a migração para a Núbia, assim como os soldados egípcios fizeram durante o tempo de Psammetichus. Sendo assim, seria uma estranheza se os hebreus fossem brancos de olhos azuis como são os askenazis, que se dizem judeus e habitam no território de Israel e se originam do Cáucaso.

Outra hipótese, mais instigantes, é que caminharam para o ocidente da África, devido a diversas tradições orais de grupos étnicos que afirmam terem vindo de Mizraim ou Kemete (Antigo Egito) e de Kush-Núbia e resguardam em sua linguística e costumes, hábitos inteiramente hebraicos.

Shalom!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEDICINA E MULHERES NO ANTIGO EGITO - MERIT PTAH E PESESHET: AS PRIMEIRAS MÉDICAS DO PLANETA.




Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano


A civilização do antigo Egito (Kemet) não oprimia as mulheres como a civilização grega, erradamente considerada o berço da democracia pelo eurocentrismo, onde as mulheres não eram consideradas cidadãs. Em Kemet, as mulheres se tornaram proeminentes em diversas áreas do conhecimento. Elas eram especialistas em física, astronomia, matemática, arquitetura e demais ciências. Todas as profissões foram abertas às mulheres e aos homens, incluindo os serviços religiosos, administração, negócios e medicina, entre outros campos. Na medicina havia institutos médicos em Heliópolis e Sais, chamadas "peri-ankh" ou "casas da vida" as suas especialidades se destacaram na ginecologia e obstetrícia.

No antigo Egito, nas Escolas de Medicina, elas aprenderam a cuidar da gravidez (pré-natal), parto, fertilidade e contracepção, sendo assim, sabemos que eram médicas ginecologistas e obstetras. No bíblico livro de Êxodo há um relato do trabalho dessas médicas, no capitulo1: 15-22

"O faraó do Egito disse às parteiras dos hebreus, uma das quais se chamava Sifra e a outra Fúa: Quando ajudardes as mulheres dos hebreus a darem à luz, olhai o sexo da criança. Se for um menino matai-o. Se for uma menina deixai-a viver". As parteiras, porém, temiam a YHWH. Não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenara e deixaram os meninos viver. Então o faraó do Egito lhes convocou e lhes disse: "Por que fizestes isso e deixastes viver os meninos? As parteiras responderam ao Faraó: "As mulheres dos hebreus não são como as egípcias; são cheias de vida, antes de a parteira chegar já deram à luz". Deus tornou as parteiras eficazes e o povo se multiplicou e se tornou bem forte. Ora, como as parteiras temessem a YWHH e YHWH lhe houvesse dado uma descendência, o Faraó deu esta ordem a todo o seu povo: “Todo menino recém-nascido, jogai-o ao rio. Toda menina, deixai-a viver”.

Sifra e Fúa são citadas como as primeiras médicas do povo hebreu ainda no Egito, demonstrando que a ciência medica de Kemet foi cosmopolita.

O conhecimento químico dos médicos egípcios foi tão grande que alguns atribuem a origem da palavra "química" para "Kemet", o antigo nome do Egito. Drogas de fontes diferentes foram utilizadas. Minerais, como enxofre, antimônio e zinco foram utilizados principalmente nos olhos e pomadas da pele. Produtos de origem animal, como carne de boi e fígado, assim como mais de 160 plantas (muitos delas ainda em uso) foram utilizadas na forma de comprimidos, pós ou supositórios (retal e vaginal). Entre as plantas comuns utilizadas foram senna, plátano, óleo de rícino, goma arábica, hortelã e linhaça. A levedura foi utilizada para a indigestão e externamente para úlceras de perna. Os medicamentos mencionados no papiro Ebers, por exemplo, incluem o ópio, maconha, mirra, incenso, erva-doce, canela, Senna, tomilho, henna, zimbro, aloe, linhaça e mamona.

Quais as civilizações ocidentais antigas que podemos citar o desenvolvimento e a liberdade das mulheres? Você só pode falar de civilizações africanas.

No antigo Egito há mais de 100 documentos com imagens que aparecem nas paredes de tumbas e nos hieróglifos gravados em estelas, provas incontestes de que as mulheres egípcias se tornaram grandes professoras em escolas de formação médica.


A primeira mulher descrita como médica na história do planeta foi Merit Ptah. A imagem dela pode ser vista numa tumba na necrópole próxima a pirâmide de degraus de Saqqara. O filho dela que era um Alto Sacerdote, descreveu-a como "A Médica-Chefe". Merit Ptah Viveu no ano 2700 a.C logo depois do grande médico Imhotep.


Uma cratera de impacto sobre Vênus recebeu o nome Merit Ptah em homenagem a primeira médica da história da humanidade. Uma mulher preta e africana.


Um dos nomes mais conhecidos de médicas do antigo Egito foi o de Peseshet, descoberta a estela em 1930 nas escavações de Gizé, pelo professor Selim Hassan, a inscrição da estela, datada de cerca de 3100-2100 a.C., está escrito: Supervisora dos doutores ou Chefe dos doutores.

Não foi apenas uma médica em seu próprio direito, mas, também a supervisora e administradora de todo um corpo de médicos do sexo feminino. Exerceu a medicina quase 5.000 anos atrás e foi imortalizada por seu filho em seu túmulo como "A médica-chefe".

A dama Peseshet sabia tomar o pulso, examinar a retina e a pupila do olho, a cor e a textura da pele, avaliar a qualidade da circulação da “energia” dos vasos. Assim, ela podia fazer um diagnóstico e concluía com uma destas três frases: − Uma doença que conheço e tratarei. − Uma doença que conheço e tentarei tratar. − Uma doença que desconheço e não poderei tratar.

“Desde o início dos tempos, mulheres sábias colhiam ervas e faziam infusões, davam os cuidados do dia a dia que eram quase que toda a ajuda disponível para os doentes até dois séculos atrás. Elas banhavam os artríticos e manipulavam suas articulações, acompanhavam as mulheres grávidas e faziam seus partos. Uma vez que a maioria dos remédios era ineficaz há até cerca de cem anos, pode-se dizer que a maior parte da medicina prática estava na mão das mulheres.”

Peseshet tinha acesso a numerosos tratados médicos que proporcionavam observações classificadas com rigor, diagnósticos e prescrições. Havia aprendido a preparar poções, ungüentos e cataplasmas; utilizava fumigações medicinais e prescrevia dietas alimentares, de acordo com o transtorno da saúde. A ginecologia era uma de suas maiores especialidades. Aos remédios materiais, a dama Peseshet acrescentava a prática da magia, a faculdade de desviar o efeito da fatalidade.

Elaine Alves e Paulo Tubino (História da Mulher na Medicina)

LADY PESESHET!


No entanto, outra notável egípcia deixou sua marca no campo da obstetrícia e ginecologia no século II d.C, uma médica chamada Cleópatra, não confundir com a rainha egípcia, escreveu extensivamente sobre a gravidez, parto e de saúde da mulher. Seus escritos foram consultados e estudados há mais de 1000 anos.

“Desde o início dos tempos, mulheres sábias colhiam ervas e faziam infusões, davam os cuidados do dia a dia que eram quase que toda a ajuda disponível para os doentes até dois séculos atrás. Elas banhavam os artríticos e manipulavam suas articulações, acompanhavam as mulheres grávidas e faziam seus partos. Uma vez que a maioria dos remédios era ineficaz há até cerca de cem anos, pode-se dizer que a maior parte da medicina prática estava na mão das mulheres.”

Ian Carr (Women in Healing and the Medical Profession, 2004)

É deveras importante compreendermos as descobertas facilitadoras e revolucionárias para as vidas das mulheres neste século já eram praticadas em Kemet(Egito), os métodos contraceptivos eram usados por uma minoria das mulheres, as que se dedicavam a prostituição, as filhas solteiras e por prescrições médicas no caso de problemas psiquiátricos e da gestação pós-gravidez.

As egípcias conheciam testes de gravidez, um deles usava a cevada e um tipo de trigo, o emmer, em sacos de areia, os umedeciam durante alguns dias com a urina. Se a cevada crescesse seria um menino, se fosse o emmer (farro), seria uma menina, se não houvesse a germinação significava que não havia gravidez, e a ciência comprovou que a urina das mulheres que não estão grávidas impede que a cevada germine.



O Egito desenvolveu diversos métodos de controle de natalidade, um deles enumeramos como o precursor do diafragma feito de estrume de crocodilo e mel e uma ducha feitos de urina e alho. Abaixo outros contraceptivos usados pelas antigas mulheres do Egito:

DIU – As mulheres usavam a madeira da acácia para evitar a gravidez
PÍLULA- Usavam a romã que é rica em estrogênio.
TAMPÃO CONTRACEPTIVO - O "Papiro de Ebers" datado de 1550 a.C, é o primeiro manuscrito detalhando os meios de contracepção, indicando o uso da acácia, cabaça moída e misturada com mel sendo umedecida e colocada na vagina.
ESPERMICIDAS – Usavam diversos cremes misturados com diferentes tipos de óleos e mel
PRESERVATIVOS - Feitos de membranas de ovinos que protegiam contra as doenças infecciosas.

Possuíam tratamento para aumentar a fertilidade das mulheres, consistia que ficassem agachadas e eram tratadas com o vapor da mistura quente de incenso, óleo, tâmaras e cerveja. Para induzir ao parto colocavam no abdômen sal marinho e trigo emmer.

Existiam maternidades, chamadas casas de Parto, situadas ao lado dos templos, usadas especialmente pelas mulheres nobres. As diversas formas eram utilizadas, em pé, ajoelhadas, de cócoras, sentada sobre os calcanhares em tijolos ou sentada nas cadeiras de parto. Vede a gravura abaixo:

Há alguns recortes importantes que as médicas pretas do antigo Egito nos ensinam: Uma medicina holística, os métodos de cura natural, a importância das mulheres como exemplo histórico na igualdade de gênero e oportunidades que foram cerceadas nas civilizações ocidentais.

Notamos que houve um retrocesso na história da humanidade e as civilizações africanas primevas nos tem muito a ensinar de que as oportunidades e a igualdade são um exemplo que deve ser reconquistado por toda a humanidade.

Shalom!

domingo, 15 de agosto de 2010

VERDADEIRO PAI DA MEDICINA – IMHOTEP OU HIPÓCRATES?





Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano



"No Egito, os homens são mais hábeis em Medicina do que qualquer outra da espécie humana". Homero, em Odisséia.



Na historiografia, o erro crucial é a falsificação da história africana, realizada por autores do eurocentrismo, problema identificado por Cheik Anta Diop em seus diversos escritos. Este vilipêndio foi programado e com objetivos perversos; a falácia do eurocentrismo tentou apagar da memória mundial a verdade histórica, e afetar psicologicamente os africanos e afro-diaspóricos, conseguindo êxito na diminuição da auto-estima de bilhões de pessoas. A denúncia desta perversidade eurocêntrica é um dos caminhos que todo historiador na África ou em diáspora deve participar, desenvolvendo e tendo em prática a afrocentricidade.

Fico deveras preocupado quando ouço intelectuais pretos se gabarem de possuir conhecimentos de proeminentes teóricos europeus que criaram, decretaram e difundiram a inferioridade intelectual dos africanos, exemplos: Voltaire (1694-1778), Cuvier (1769-1832), Gobineau (1816-1882) Lévy-Bruhl (1857-1939) Hume (1711-1776) Kant (1724-1804) Hegel (1770-1831), entre outros.

Já participei de debates onde doutores afro-diaspóricos cheios de empáfia se apresentam como weberianos, marxistas, gramscinianos, pós-modernistas, e diversas outras adjetivações, combatendo o conhecimento afrocêntrico. Lembro da frase muito peculiar de Malcolm X:

“É preciso ter muito cuidado, muito cuidado mesmo, ao apresentar a verdade ao homem preto que nunca antes ouviu a verdade a respeito de si mesmo, de sua espécie e do homem branco”.

O filosofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel afirmou:

“A África, na história, ficou reclusa, sem conexão com o resto do mundo, é a terra do ouro, recolhida em si mesma, o país da infância, que além da época da história consciente, está enterrada na escuridão da noite.”


Presunçoso, racista e desinformado este filósofo alemão, desconhecia o grande conhecimento preto-africano, se o conhecesse não escreveria esta asneira (asno).

Nesta falsificação da história foi necessário promover uma civilização branca ocidental, como símbolo do conhecimento, da sabedoria aonde todas as ciências se tornaram “racionais”. Elegeram a civilização helênica. Não satisfeitos tentaram mascarar a genes de todo o conhecimento humano: África.

Ignóbeis gregos que plagiaram os conhecimentos africanos antigos, mas, os documentos históricos os desmentem, os próprios escritos gregos são provas de onde obtiveram o conhecimento como meros aprendizes, os quais são corroborados com os monumentos e escritos feitos pelos reais criadores na África.

Dentre esses grandes plágios e absorções de conhecimentos a medicina africana foi uma das maiores vítimas, tema que discorrerei com as amadas e amados ledores deste blogger.

Hipócrates, Herófilo, Erasístrato (“pai da fisiologia?”), Galeno de Pergamo, reconheceram de que suas informações são Khemitas, estudadas no templo de Imothep, em Memphis.

Quando falamos em história da medicina, todo estudante das ciências médicas cita o grego Hipocrates, considerado o pai da medicina, líder da Escola de Cós, autor de vários tratados médicos, e sendo homenageado até hoje com “O juramento de Hipócrates” nas formaturas dos médicos e médicas, vejamos um trecho:

"As coisas sagradas devem ser ensinados as pessoas puras, é um sacrilégio se comunicar com pessoas de fora até que tenham iniciado nos mistérios da ciência. Palavras de Hipocrates repetindo os seus mestres das Escolas de Mistérios no Egito.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.” Juramento de Hipocrates.


HIPPOCRATES OF COS (THE FATHER OF MEDICINE)




As pesquisas históricas comprovaram que Hipocrates aprendeu medicina no Egito e plagiou diversos ensinamentos, entre eles, o diagnóstico de infertilidade feminina. Hipocrates sempre fora fiel aos ensinamentos, iniciado nos Templos de Thoth, dos seus mestres egípcios das Escolas de Mistérios.

O conhecimento da medicina chegou à Grécia em três momentos complementares. A princípio, as relações comerciais entre egípcios e os povos do Mediterrâneo levaram o conhecimento de sua avançada ciência em relação àqueles povos, principalmente aos gregos. Em seguida, espantados com os conhecimentos imensurável dos egípcios, os mesmos gregos, como Sócrates e Hipocrates, foram ao Egito aprender nas chamadas Escolas dos Mistérios. Por fim, a invasão de Alexandre e o roubo de preciosos documentos médicos que se tornaram excepcional fonte documental de estudos para os gregos nas ciências médicas e posteriormente para os romanos.

IMHOTEP – VERDADEIRO PAI DA MEDICINA

Antes de adentramos ao conhecimento real de Imhotep, vejamos algumas curiosidades sobre o verdadeiro pai da medicina:

São atribuídas obras arquitetônicas belíssimas a Imhotep, dentre elas se destaca a Pirâmide de Djoser (também chamada pirâmide escalonada ou dos degraus).

Observe agora o detalhe com o nome de IMHOTEP em hieróglifo, proveniente do complexo da pirâmide de Sakkara.

Entre outras coisas Imhotep também é atribuída à previsão e prevenção de uma fome de sete anos que veio sobre a terra, ele previu a fome depois de interpretar um sonho do faraó Djoser. Neste sonho do deus do Nilo falou ao faraó, e Imhotep foi o único que poderia interpretar o sonho. Qualquer pessoa com algum conhecimento básico da Bíblia notará imediatamente que esta história é idêntica à de José, o menino pastor que foi vendido como escravizado por seus irmãos, Joseph agora, depois de muitas tentativas finalmente chegou ao Egito, onde ele previu e, impedido, uma fome de sete anos, tornou-se o grão-vizir para faraó da época e em todo o Egito a única pessoa que estava acima dele, foi o faraó, similar à vida de Imhotep.


E, como não poderia deixar de ser, a Indústria branca do cinema hollywoodiana tem usado a chamada sétima arte para distorcer os fatos históricos africanos, e usaram a personagem Imhotep colocando como vilão, um ser perverso, mesquinho que ressuscita pensando no seu bem-estar e sem preocupações humanitárias. O ator do filme A Múmia e o Retorno da Múmia são o sul-africano Arnold Vosloo. No filme, Imhotep é condenado à pior de todas as maldições egípcias após ter se relacionado com Ank-Su-Namon amante do faraó Seti I, do qual era seu sacerdote. Assim, após um grupo de pesquisadores acordarem a múmia (Imhotep) de seu túmulo, as pragas do Egito caem sobre a cidade e a maldição sobre aqueles que o acordaram.



O verdadeiro pai das ciências médicas, Imhotep, viveu no Egito antigo em (2700-2670 a.C), o significado do seu nome é: "aquele que vem em Paz”. Foi também, administrador, teólogo, escritor, astrônomo e arquiteto.

Imhotep é um exemplo do culto da personalidade. Aproximadamente 100 anos após a sua morte, foi considerado como um semideus médico. Em aproximadamente 525 a.C., cerca de 2.000 anos após a sua morte, foi elevado à categoria de um deus, e substituiu Nefertum na tríade grande em Mênfis. No Cânon de Turin era considerado como filho de Ptah. Imhotep, conjuntamente Amenhotep, foi os únicos egípcios mortais que alcançaram o estatuto de deuses. Foi também associado com Thoth, deus da sabedoria, da escrita e da aprendizagem.

Patrono dos médicos, no Egito, endeusado na época e invocado nas orações, ele foi adorado pelos gregos como Asclépio e pelos romanos como Esculápio. Os pagãos - cristãos romanos o consideravam “Príncipe da Paz”. Imhotep viveu durante a Terceira Dinastia no corte do Faraó Zoser, Imhotep havia morrido 2500 anos antes do nascimento de Hipócrates. Foi honrado pelos Romanos e os imperadores Claudius e Tibério ordenaram que fossem feitas inscrições louvando Imhotep nas paredes dos seus templos egípcios.

Imhotep escreveu textos médicos, a ele é creditada a autoria do papiro de Edwin Smith, é a única cópia de parte de um antigo livro egípcio sobre trauma da cirurgia. O mais antigo escrito de literatura médica, e é o mais antigo documento cirúrgico do mundo. È considerado pelos grandes professores das ciências médicas ocidentais como o berço do pensamento analítico da medicina.

Possui mais de 90 termos anatômicos e 48 lesões são descritas, uma das grandes importâncias deste grande legado da medicina que contem 17 páginas riquíssimas sobre questões médicas- cirúrgicas da traumatologia, abordando diagnósticos e métodos de tratamento. Fez os primeiros prontuários médicos da história.

Um dos fatores que chama a atenção deste papiro é a descrição anatômica dos pés a cabeça, demonstrando vasto conhecimento sobre o coração, rins, bexiga, baço, fígado e ureteres que as escolas médicas da Idade Média seguiram e é usado até hoje nas escolas de medicina.


Fundou uma escola de medicina em Memphis, e diagnosticou e tratou mais de 200 doenças, entre elas: 15 doenças do abdômen, 11 da bexiga, 10 do reto, 29 dos olhos, 18 da pele, cabelos, unhas e língua. Também conhecia a posição e a função dos órgãos vitais e da circulação do sistema sanguíneo. Imhotep extraía os remédios das plantas.

ANCIENT AFRICA BY VAN SERTIMA PT 3



Imhotep entrou na história por seus conhecimentos médicos e vasta sabedoria. No Egito havia também a biblioteca Faraônica Imhotep, que armazenavam todos os seus tratados de medicina e cirurgia. Na Grécia os templos dedicados a ele se tornaram centros de estudos médicos.

O povo cantou provérbios séculos mais tarde após a sua morte e 2500 anos depois, havia tornado um deus da medicina, nos quais os gregos, que o chamam Imouthes, reconheceu o seu próprio Asclépio.

IMHOTEP, O MÉDICO



De acordo com Clemente de Alexandria, os Egípcios possuíam mais de 42 livros de Hermenêutica, e cerca de seis livros médicos, a saber: sobre a construção do corpo, sobre as doenças, sobre os equipamentos (o médico), sobre a medicação, os olhos (sobre doenças), sobre as condições das mulheres.

O maior compêndio de medicamento foi compilado por Hermes, um médico de origem grega que estudou no Egito, e constou de seis livros. O primeiro dos seis livros estava diretamente relacionado à anatomia, outro psíquico, outro de farmacologia e outros temas.

“A arte de curar está dividida. Cada tratamento médico de uma doença, e não vários, e tudo está cheio de doutores. Há médicos para os olhos, para a cabeça, os dentes, para o corpo e medicina interna.” Heródoto, Histórias, II, 84



THE LEGACY OF IMHOTEP




Detalhando inscrição egípcia instrumentos médicos, incluindo serras ósseas, ventosas, facas e bisturis, afastadores, escalas, lanças, cinzéis e instrumentos dentários.


A medicina em Kemet, segundo textos encontrados freqüentemente relatam que os médicos, eram: oculistas, dentistas que usavam fios de ouro e realizaram obturações com cimento mineral e outras técnicas foram amplamente usadas. Havia especialistas, incluindo médicos veterinários. A documentação é vastíssima sobre a medicina e muitos papiros foram encontrados trazendo a luz os conhecimentos africanos sobre a ciência médica, que descreve as doenças, e o tratamento aplicado em todas as áreas da medicina, incluindo ginecologia, cirurgia óssea e as queixas de olhos, entre outras doenças.





Os antigos egípcios inventaram também a prótese para os que nasciam com deformidade ou sofriam algum acidente. Em 2007, uma múmia feminina datada entre 1000 e 600 a.C foi encontrado um dedo protético criado a partir de madeira e couro.

Criaram os primeiros hospitais do mundo, os santuários de cura onde médicos e sacerdotes cuidavam dos doentes.

O estudo da anatomia e fisiologia mostra um grau de conhecimento do funcionamento do corpo humano, sua estrutura, o trabalho do coração e vasos sanguíneos.
Entre os diversos procedimentos do antigo estava à trepanação (cirurgia do crânio) e a cesariana.

O conhecimento médico no antigo Egito tinha uma reputação excelente, e os governantes de outros impérios solicitavam aos faraós egípcio de enviar-lhes o melhor médico para tratar os seus entes queridos. Se você vivesse no chamado “mundo antigo” o seu centro médico de referência seria Kemet (Egito). E se quisesse se tornar um bom médico ou médica iria estudar no Egito, país das melhores faculdades de medicina e dos melhores médicos do mundo. Na terra dos pretos você aprenderia com profundidade a medicina.

"Os egípcios eram hábeis na medicina mais do que qualquer outra arte." Heródoto.

No próximo número, a segunda parte deste artigo.

Shalom!

segunda-feira, 29 de março de 2010

AKHENATON E ÉDIPO - HISTÓRIA OU MITO - O PLÁGIO DOS GREGOS DA HISTÓRIA AFRICANA



Por Walter Passos,
Historiador,Panafricanista, Afrocentrista e Teólogo
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

 Facebook: Walter Passos
Skype: lindoebano



Pergunta da Esfinge?

"Que animal caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e três à tarde e, contrariando a lei geral, é mais fraco quando tem mais pernas?" Édipo conseguiu decifrar o enigma, dizendo que era o homem; ele engatinha quando bebê, anda com duas pernas ao longo da vida e precisa de um bastão na velhice. Ao ouvir a resposta, a esfinge, derrotada, jogou-se num abismo.

Sófocles, no século V a.C., narrou a história do personagem em três de suas obras mais notáveis: Édipo rei, Édipo em Colona e Antígona. O drama sofocleano suscita ilações em diversas culturas em diferentes épocas. Das numerosas obras para teatro baseadas no mesmo mito destacam-se, entre os romanos, o Édipo de Sêneca e, entre os clássicos, a tragédia publicada por Corneille em 1659. No século XX, o compositor russo Igor Stravinski criou o oratório Édipo Rei e os escritores franceses André Gide e Jean Cocteau retomaram o mito em obras literárias. especialmente no chamado “Complexo de Édipo. E não podemos esquecer de Shakespeare que em sua obra Hamlet relembra o mito, segundo os seus críticos.

NESTE MOMENTO DEVEMOS ATENTAR AO SEGUINTE FATO: TEBAS É CAPITAL DE KEMETE (EGITO ANTIGO) E TEBAS É O NOME DA CIDADE GREGA ONDE ESTAVA A ESFINGE NO MITO DE ÉDIPO.

Há muitas discussões sobre o tal “Complexo de Édipo”, Inclusive por intelectuais pretos na África e na diáspora. A peça teatral: ÉDIPO TIRANO: E SE UM HERÓI GREGO FOSSE NEGRO, dirigida por Ludmyla Pena e encenada pelo grupo teatral Cítero, composto pelo Coletivo de Estudantes Negros da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

A idéia de produzir a peça nasceu da leitura e interpretação da monografia apresentada por Rogério José, também ator da peça. Rogério José estudou as traduções da história de Édipo de 1789 até 2002. E nestas leituras, conforme explica, comparou uma das versões, a produzida pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. No estudo norte-americano, observou que nos versos 742 e 743, Jocasta descreve Laio, pai de Édipo, como um melas, ou seja, alguém que tem forte melanina, um negro. Ao verificar a tradução da obra de Édipo para a língua portuguesa, Rogério então constatou que a expressão melas não fora traduzida corretamente, mas sim foi aplicada a expressão megas, a qual representa que Laio fora um homem grande e forte. "Na verdade houve sim uma desconstrução do real sentido da palavra melas, porque na versão da peça em português há sim a omissão do termo para assim omitir que Laio e que Édipo pudessem ser gregos, mas não negros", destaca o ator.


Ainda não li a peça, mas concordo plenamente que os mitos gregos foram africanos, como foi relatado no artigo anterior, de que os africanos povoaram e civilizaram a Grécia, sendo assim toda a mitologia grega é de personagens cheias de melanina. Não só Édipo, Jocasta, Laio e todas as personagens desta tragédia foram pretas.

O complexo de Édipo é uma das teorias desenvolvidas por Sigmund Freud, um dos criadores da Psicanálise, traçando um paralelo de uma das fases do desenvolvimento humano com o mito de Édipo. Simboliza o espírito de "disputa" entre a criança e seu progenitor do mesmo sexo pela atenção do progenitor do sexo oposto. Em primeiro momento há um questionamento da aceitação desta tragédia grega como um problema universal, o qual não é verdadeiro, apenas reforça o eurocentrismo na base das explicações dos problemas sociais. A concepção freudiana de analise mental também não é universal e muito menos as suas propostas de superação.

Outra interpretação de Édipo desposar a sua mãe Jocasta conforme estudiosos foi acrescentada posteriormente na tradição helênica. Erich Fromm, um europeu contesta essa concepção universal de Édipo e discorda das ilações de Freud. Fromm acreditava que o mito estava relacionado ao problema do poder matriarcal anterior e o poder patriarcal vigente na época.
Do outro lado a questão de Édipo historicamente surge por causa de Crísipo, que envergonhado cometeu suicídio, após ser estuprado por Laio, pai de Édipo. A deusa Hera envia a esfinge a Tebas para punir a cidade. A punição sugere que a prática da pedofilia ou pederastia era censurada na sociedade helênica.

A questão levantada por esse mito é: Por que Crísipo se mataria se o amar um homem fosse uma prática aceitável na sociedade helênica da época? As conseqüências desse ato de Laio trouxeram uma maldição sobre a sua família de consequências trágicas.

A sociedade grega posterior tinha uma concepção de sexualidade diferente de outras sociedades africanas da época, praticava a pederastia.

Um afresco de um túmulo em Paestum, uma colônia grega na Itália, representando casais pederastas.

O Batalhão Sagrado de Tebas, famoso por suas vitórias, era formado por 150 pares de amantes homoafetivos, ou seja, 300 homens.

Se houvesse maneira de conseguir que um estado ou um exército fosse constituído apenas por amantes e seus amados, estes seriam os melhores governantes da sua cidade, abstendo-se de toda e qualquer desonra. Pois que amante não preferiria ser visto por toda a humanidade a ser visto pelo amado no momento em que abandonasse o seu posto ou pousasse as suas armas. Ou quem abandonaria ou trairia o seu amado no momento de perigo? Platão (428 a.c - 348 a.c)

A mulher na sociedade helênica era um simples objeto, não sendo considerada cidadã, bem diferente das mulheres das civilizações do Vale do Nilo e de outras regiões africanas as quais eu tenho conhecimento.

Menandro, dramaturgo ateniense escreveu:
- "Ensinar uma mulher a ler e escrever? Que coisa terrível de se fazer! Como alimentar uma cobra de mais vil veneno.”

O mito de Édipo tem estudos que sugere mais um plágio da história de Kemete, através de Immanuel Velikovsky nascido em 1895 de uma família próspera judaica, em Vitebsk, Rússia (agora na Bielo-Rússia), aprendeu várias línguas, graduado em língua russa e matemática, após viajar pela Europa e Palestina matriculou-se na Universidade de Moscovo, e recebeu um diploma em medicina em 1921.

De 1924 -1939 Velikovsky viveu no Mandato Britânico da Palestina, e praticou a medicina (prática tanto geral e psiquiatria), e também a psicanálise (ele estudou com o aluno de Sigmund Freud, Wilhelm Stekel em Viena).

Residindo nos EUA escreveu diversos obras polêmicas e através da influência do livro Moisés e o Monoteísmo de seu antigo mestre Sigmund Freud, publicou Édipo e Akhnenaton, afirmando que a história do faraó egípcio Akhenaton foi a origem da lenda grega de Édipo, e que Amenófis III era Laio, e Tutankhamon foi Etéocles.

Nas comparações feitas por Velikovsky o mito grego foi mais um plágio da história real Kemete. Ele afirma através de suas pesquisas documentais que o verdadeiro a história de Édipo não foi um mito como acreditava Freud, mas uma personagem histórica que habitou em Kemete: Akhenaton.

Neste momento devemos atentar ao seguinte fato: Tebas é uma cidade de Kemete e Tebas é o nome da cidade grega onde estava a esfinge no mito de Édipo.

Akhenaton um faraó da XVIII dinastia de Kemet, que governou por 17 anos, iniciando o seu governo entre 1370 a.C a 1358 a.C filho de Amenhotep III e da Rainha Chefe Tiye. Seu irmão mais velho, o príncipe Tutmés morreu quando ambos eram crianças. Akenaton foi notável em abandonar o politeísmo tradicional e a introduzir a adoração centrada em Aton, às vezes é descrito como monoteísta ou henoteísta. Fundou uma nova capital para Kemete, a cidade de Armana.

Immanuel Velikovsky encontra um paralelo entre a família de Akhenaton e a família de Édipo, rei de Tebas - sua cegueira e o exílio, sua maldição sobre seus filhos, que posteriormente mataram uns aos outros nas portas de Tebas, e a coragem de sua filha, Antígona, que sepultou seu irmão caído, apesar do decreto oficial contrário e ficou enclausurada em um túmulo como punição. Dr. Velikovsky descobre e analisa as semelhanças entre o mito e a realidade, ele resolve uma série de mistérios sobre os túmulos no Vale dos Reis, terra de Tutankhamon e seu famoso enterro, que há muito intriga os arqueólogos, e traz a vida todos os números de ambas as tragédias antigas.

Há um divisor de águas muito profundo sobre o Mito de Édipo Grego e a sua versão anterior em Kemete, simplesmente porque a história de Akhenaton é ainda muito controversa. A primeira delas foi a esfinge feminina alada de Tye (mãe de Akhenaton), copiada pelos gregos, que introduziram as esfinges aladas na sua mitologia.

Não há túmulos convincentes ou locais de sepultamento para os participantes na tragédia grega, onde supostamente foram encontrados.



O Édipo rei, é um personagem inocente, obrigado a viver fora de sua família e posteriormente comete o parricídio inconscientemente e desposa a própria genitora. No caso de Akhenaton, Velikovsky chama a nossa atenção para a idéia de que o histórico Amenófis IV (Akhenaton) condenado à nascença, por causa de uma profecia sinistra que ele iria matar seu pai e os herdeiros com sua mãe, ele foi criado em uma terra distante no exílio, provavelmente com os parentes reais em uma região na Pérsia ou próxima, onde o incesto mãe-filho estava em voga. Voltando a Tebas (Kemete) reivindica sua realeza, alguns dizem que por ter assassinado seu pai, teve filhos com sua mãe, como profetizou ele sabia que a rainha Tiy (Kiya) foi a sua mãe. Acreditava-se que o incesto que trouxe uma praga sobre a sua cidade capital, para que seus súditos o expulsou, cego, para o deserto. Esta pode ser a história de Akhenaton.

Na tragédia grega, Édipo mata o pai em uma região desolada, onde três estradas se cruzam. Mesmo fato ocorreu no cruzamento de 03 caminhos em Kemete com Akhenaton.

Quando os sacerdotes de Amon da cidade de Tebas (os gregos plagiaram e chamaram Zeus) desaprovaram o casamento de Amenófis IV com a sua mãe, a recém-viúva rainha Tiy, ele substituiu o culto de Amon para o culto de Atom (O Disco Solar). Fato ocorrido com a desaprovação da homossexualidade em Tebas pela esfinge, representante da deusa Hera, e a ascensão do deus patriarcal Zeus que era um bissexual e gostava de meninos novos com a vitória de Édipo. Será que o mito de Édipo foi uma vitória da prática homossexual em Tebas e a derrota do poder matriarcal de Hera sendo substituída por Zeus?

A questão do incesto ocorre na história de diversas civilizações, entre os hebreus é notória a história de Ló que manteve relações com as filhas. Na mitologia yoruba Exu tenta manter relações sexuais com Yemanjá, sendo salva por seu outro filho Ogum, há a tentativa do incesto não realizado.

Apesar dos egiptólogos não terem conclusões definidas da vida de Akhenaton e muitas hipóteses irão ainda surgir sobre a sua vida e, há argumentos específicos que comparados ao Édipo grego são deveras interessante:

1- As esculturas de Akhenatom mostram que tinha os membros inchados e Édipo em grego significa “pés inchados”

2- As inscrições sugerem que desposou a sua mãe Tye e com ela gerou descendência, mesmo ocorrido com Édipo que a desposou sua mãe Jocasta e procriaram dois filhos e duas filhas.

3- Há especulações por causa do túmulo de Tye a sua morte foi proveniente de suicídio e Jocasta suicidou.

4- Há especulação seque Akheneton ficou cego e foi peregrinou com a sua Meritaten a qual teve uma morte drástica. Antigona, filha de Édipo foi enterrada viva.

5- A história conta que Akhnetom desapareceu e Édipo foi retirado da terra pelas Êumenidas, as desusas da vingança.

A vida dos faraós de Kemete (Egito Antigo) era conhecida pelo chamado mundo antigo e foi relatada através do poderoso comércio, das conquistas, da colonização de outros territórios fora da África, mas migrações africanas. Os grandes dramaturgos gregos e romanos aproveitavam histórias reais e criaram as suas peças teatrais, repetido por grandes escritores até os dias atuais.

Na nossa comunidade há um desejo incontido, um fetiche que envenena, e a satisfação de sentir-se inserido nas concepções eurocentradas. Evidente de que os estudos dos mitos europeus e as tentativas de comparação para a superação dos problemas da comunidade afro-diásporicos são imanentes. O que demonstra que esta necessidade de comparação e inserção, revela que a nossa mitologia é desconhecida, resultando na negação do passado.

Se encontrar nos mitos europeus, nas suas cosmogonias, religiões e filosofias aliadas a psicanálise na procura de respostas para as vivências não escravizadoras das mitologias africanas, das ciências não europeias, reflete em desejos de uma sociedade que supere a opressão de gênero, o racismo, os conflitos entre pais e filhos, a violência urbana, o encontro entre nós sem o desejo insano de competitividade, o qual nos separa e reforça as forças da discriminação e opressão. Urge o conhecimento das mais antigas sociedades africanas e como enfrentaram os seus conflitos, porque delas descendemos e com certeza poderá nos trazer explicações mais próximas aos nossos anseios e esperanças.

Shalom!!!


ACESSE PRETAS POESIAS:

terça-feira, 23 de março de 2010

A ESFINGE DE GIZÉ – A ESFINGE COPIADA PELOS GREGOS - A TENTATIVA DE BRANQUEAMENTO E A MUTILAÇÃO DA ESFINGE DE GIZÉ.


Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista, Afrocentrista, Teólogo e Membro da COPATZION(Comunidade Pan-Africanista de Tzion).
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano


A cada momento os estudos da afrocentricidade funcionam como um delimitar do estabelecido como verdade histórica e a crítica histórica, realizando uma reescrita necessária para as sociedades independentes de cor epitelial.

Os gregos plagiaram os conhecimentos africanos e suas tecnologias, nas artes copiaram um dos seus maiores monumentos, o qual chamou de Esfinge.


A história da chamada “Esfinge” de Gizé remonta há milhares de anos a.C., localizada no planalto de Gizé, na margem ocidental do rio Nilo, próxima da cidade do Cairo - Egito. Este monumento de Kemete tem corpo de leão, com as patas dianteiras estendidas, e cabeça humana, coberta com uma manta. Parece representar o deus Hórus, guardião de templos e túmulos, nada ainda se pode afirmar. Algumas esfinges posteriores, no entanto, ostentavam cabeças de carneiros e falcões. As imagens ficavam diante dos templos, em ambos os lados da avenida de acesso (dromos), com função protetora (???), como no grande templo de Karnak.

The Pyramids at Giza circa 1920's

As dimensões da Esfinge de Gizé são de 73,5 metros (241 pés) de comprimento, 6 metros (20 pés) de largura e 20,22 m (66,34) de altura, é a maior estrutura criada a partir de um único pedaço de pedra.

Apesar da tentativa de datação, a esfinge tem sido relacionada pelos egiptólogos como a representação da imagem do faraó Quéfren, que é muitas vezes creditado como o criador do monumento. Isso colocaria o tempo de construção entre 2520 a.C e 2494 a.C. Porque a evidência limitada dando origem a Khafra é ambígua e circunstancial, a idéia de quem construiu a Esfinge, e quando, continua a ser objeto de debate. Não há um consenso da data de sua construção e os motivos.

Robert Bauval, um engenheiro belga, com um toque de astronomia, foi um dos primeiros a documentar como os monumentos da região de Gizé na terra imitam várias constelações no céu. Juntamente com Graham Hancock, Bauval fez a afirmação em uma série de livros populares que as três pirâmides alinham com o cinto "brilhante" das estrelas da constelação de Orion. Os matemáticos e astrônomos aprovaram o seu cálculo. Hancock faz as seguintes citações sobre o cálculo de Bauval.

"... Os monumentos de Gizé como um todo foram dispostos de modo a não fornecer um retrato do céu como os habitantes de Kemeth tinham olhado durante a Quarta Dinastia por volta de 2500 a.C, mas como eles... olharam em torno do ano 10.450 a.C Mais provocante, ele mostra que a Esfinge foi construída bem antes dos outros monumentos na área mais antigo como a data mais provável, mas como um ponteiro para o nosso próprio tempo em que teremos de enfrentar padrões semelhantes de mundos em colisão como calotas polares derretendo.
"

Nestes pressupostos datam a sua construção de até 13.000 a.C., baseando-se na análise do calcário e sinais de erosão provocados por água. Observem! Existe um grupo de pesquisadores que afirmam que a esfinge seria muito mais antiga, datando de, no mínimo, 10.000 a.C.

O monumento é ainda um enigma para os cientistas atuais, como foi para a civilização helênica e outras civilizações que o copiaram e dele criaram mitos para explicar os seus problemas sociais.
As primeiras esfinges gregas surgem em objetos cretenses do final do período minóico e nas sepulturas de Micenas do fim do período heládico. Na arte e literatura grega, esfinges femininas apareceram pela primeira vez por volta do século VIII a.C, tornando-se, nos próximos dois séculos, bastante populares, esculpidas em mármore, foram colocadas em lápides e nas colunas nos pátios dos templos. O nome Esfinge vem do grego antigo Σφιγξ (Sphinx), nome dado após a plagiarem e construírem uma parecida na cidade Tebas. Na tradição mais antiga é relatado que Hera ou Ares enviou a Esfinge de sua pátria Etiópia (os gregos sempre se lembraram da origem estrangeira da esfinge) para Tebas, na Grécia.

A história da esfinge contada pelos escritores gregos relata claramente que ela veio da Etiópia. Atenção: Os próprios gregos em seus escritos admitem a origem africana da esfinge, e nunca afirmaram que criaram este monumento. As esfinges influenciaram bastante a civilização helênica, tendo como conseqüência que outras foram construídas em diversas cidades gregas.

A Esfinge Naxos foi erguida em cima de 30 pés de altura na coluna jônica, no santuário de Apolo, em Delfos, por parte dos cidadãos da ilha de Naxos em 560-570 a.C - ou, dado o seu estilo sisudo "grave", logo em 580 aC.


Muitas esfinges na Grécia representavam as prostitutas (hetaira) que devoravam rapazes e crianças. Vários textos tratam as esfinges ironicamente como Hetairai, cortesãs, ou seja, especialmente como prostitutas de Megara. Plutarco compara a esfinge ao sorriso insidioso de Hetairai, particularmente em objetos para banheiros femininos, exibindo a Esfinge como um atributo de Afrodite!
No Egito, o monumento de Gizé foi alvo de militares e estudiosos que tentaram vilipendiar a esfinge, de mudar as suas características africanas. Atos desesperados por não aceitar que civilizações pretas construíram os monumentos mais importantes da história da humanidade. Agora com bastante calma olhe esta foto da esfinge atual:


Agora observe esta:

A Esfinge de Gizé - imagem do Joel A. Freeman Black History Collection.

Na foto acima: Os soldados de Napoleão continuaram o trabalho feito pelos turcos e mudaram as características para embranquecê-la, o rosto da Esfinge foi danificado objetivando a não identificação racial. No entanto, vários autores têm comentado sobre a sua aparência preta com as características da Etiópia, confirmada pela tradição de Hera, a deusa grega chamada de Rainha do Céu, que na sua mitologia informa que a Esfinge veio da Etiópia.


Você que é professor de História ou de Artes pode realizar um bom trabalho com os estudantes pedindo para comparar as esfinges e descobrir as diferenças. Com certeza surgirá um bom debate.

Vivant Denon retrata a imagem da Esfinge de Gizé em torno de 1798, antes da sua desfiguração. Denon declarou:

"... Apesar de suas proporções colossais, o contorno é puro e gracioso, a expressão da cabeça é leve, gracioso e tranqüilo, o personagem é Africano, mas a boca e os lábios são grossos, tem uma suavidade e delicadeza de execução verdadeiramente admirável, que parece a vida real e da carne. Arte deve ter sido em um ritmo elevado, quando este monumento foi executado...”

Conde de Volney escreveu:

“Que esta raça de homens negros, hoje, os nossos escravos e objeto de nosso desprezo, muito à qual devemos nossas artes, ciências e até mesmo o uso da fala! Imaginem, finalmente, que está no meio de pessoas (ou seja, os americanos) que se chamam os maiores amigos da liberdade e da humanidade e aprovou a escravidão mais bárbara e questionou se os homens negros têm o mesmo tipo de inteligência que os brancos! "


Pequena história sobre a negritude de Kemet (Antigo Egito)



No próximo artigo comentários sobre Édipo Rei.

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