sábado, 16 de junho de 2012

OS JARAWA – UM POVO PRETO EM EXTINÇÃO – SAFARI E ZOO HUMANO


Por Walter Passos - Historiador 
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Habitantes das Ilhas Andamam estão localizados em arquipélagos no Oceano Índico na Baía de Bengala, entre a península indiana ao oeste e a Birmânia no norte e leste. A maioria das ilhas é parte do Andaman e Nicobar na Índia, enquanto um pequeno número ao norte do arquipélago pertence à Birmânia.



Nestes arquipélagos habitam remanescentes dos primeiros grupos humanos que migraram do continente africano há aproximadamente 60.000 mil anos. Alguns destes grupos foram extintos após o contato com invasores ingleses que propiciaram um verdadeiro etnocídio através de assassinatos, doenças infectocontagiosas, mudanças dos hábitos alimentares, introdução dos vícios do tabaco e do alcoolismo e a exploração sexual.

Os primeiros invasores britânicos criaram um assentamento em 1789 e iniciaram o processo destrutivo, como se pode ler no diário do governador britânico à época, onde menciona que recebeu instruções para destruir os nativos por intermédio do álcool e do ópio.

Assim, como muitos outros grupos originais, a maioria dos membros da tribo Bo - grupo étnico primevo - sucumbiu às doenças introduzidas pelos britânicos no século XIX. O desaparecimento de Sr Boa em janeiro de 2010, último remanescente da população, também significa o desaparecimento de uma das línguas mais antigas do mundo. O desejo demoníaco dos antigos britânicos, infelizmente cumpriu-se:

BOA SR, THE LAST MEMBER OF THE BO TRIBE, SINGS


Entre os grupos remanescentes, iremos nos ater a explanação sobre os Jarawa, a principio porque seu estudo é de suma importância do pan-africanismo os estudos dos povos pretos em África, das migrações voluntárias e dos prisioneiros das guerras árabes e cristãs que espalharam os africanos em diversas regiões do planeta, e não podemos esquecer-nos dos judeus e os seus lucros com o tráfico. Sendo fundamental para nós o entendimento da história da humanidade e da compreensão do ódio e propagação da supremacia branca contra os povos originais.

VISITING THE JARAWA TRIBE PT. 2


Os Jarawa vivem nas ilhas ocidentais do Grande e Médio Andaman no Oceano Índico, onde são caçador-coletores, caçam porcos selvagens e lagartos, pescam com arcos e flechas e coletam sementes, frutos e mel. Eles são nômades e vivem em grupos de 40 a 50 pessoas, cujo total da população não ultrapassa o total de 300 pessoas, todos sob tutela do governo indiano, com situação de sobrevivência crítica. Desde os primeiros contatos em 1998 a ameaça da extinção é quase inevitável.


Diversas empresas de turismo organizam safáris humanos (excursões para fotografarem e verem o “exótico”), prática de civilizações brancas com os povos pretos o chamado zoo humano. Inclusive foi criado um resort turístico perto da comunidade expondo a população a pessoas estranhas a sua cultura que trazem influências nefastas, há casos de abusos de jogarem comida e pagarem a policiais para as mulheres jarawas dançarem para eles:

INDIGENOUS PEOPLE ON DISPLAY IN "HUMAN ZOO" IN INDIA


ANDAMAN TRIBES LURED TO DANCE FOR TOURISTS


Na década de 70 do século passado foi construída uma estrada no território Jarawa que trouxe colonos, madeireiros e caçadores. Afetando o ecossistema da floresta e os caçadores ilegais matando os animais usados na alimentação da população.

JARAWA MAN DENOUNCES POACHERS INVADING THEIR LAND


As doenças também estão ameaçando a existência dos Jarawa, foi detectado um surto de sarampo e outras epidemias trazidas por pessoas estranhas ao habitat. O governo da Índia também objetiva levar as poucas crianças para o aprendizado da língua e dos costumes da civilização, que porá fim a milenar cultura e todo o conhecimento adquirido dos ancestrais em milhares de anos.

Outro perigo que ronda a população dos Jarawa são as campanhas de evangelização dos cristãos que como raposas astutas tentam entrar na comunidade Jarawa para disseminar ensinamentos comprovadamente perigosos com palavras de salvação e no fundo contribuirão para mais um etnocídio de um povo original. Não podemos ficar omissos.

As visitações das “pessoas de boas intenções” apesar das “proibições” do governo indiano tem demonstrado um perigo constante à preservação do povo jarawa, sendo crianças os alvos prediletos.

JARAWA TRIBE OF ANDAMAN ISLANDS


A diminuta população dos Jarawa necessita do apoio internacional para ter uma chance da não findar. A historiografia relata diversas civilizações pretas que desapareceram após contatos com o mundo “civilizado branco".


Os métodos de extermínio físico e cultural são vários, desde o morticínio violento praticado por grupos economicamente interessados nas terras habitadas por estes povos (genocídio freqüentemente brindado com a impunidade ou mesmo o patrocínio de governos racistas, autoritários e/ou corruptos) e destruição de seus ecossistemas, até pressões psicológicas coletivas insuportáveis: através da discriminação pública, da imposição de programas “educativos” que anulem os valores próprios destas culturas, da “evangelização” de missões confessionais que impõe modelos religiosos frontalmente opostos à cosmologia e culturas tradicionais destes povos, entre outros.

A imposição de um mundo globalizado para as civilizações nativas esconde interesses econômicos, culturais, religiosos e racistas que devem ser combatidos por todas e todos que respeitam a diversidade humana e o direito a terra e a vida.

Shalom!

ENDANGERED JARAWA - INDIA

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sexta-feira, 8 de junho de 2012

JOHN CHILEMBWE – UM PASTOR BATISTA CONTRA O RACISMO E O COLONIALISMO


Por Malachiyah Ben Ysrayl.
Historiador e Hebreu-Israelita
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O Malawi ocupa uma pequena região do sudoeste do continente africano, limita-se ao norte com Tanzânia, ao leste e ao sul com Moçambique e ao oeste com a Zâmbia. O seu nome se deve ao lago Malaui ou Nyasa, que ocupa um sexto do seu território.

A capital do Malawi é a cidade de Lilongwe, localizada no centro do país, o maior centro comercial é a cidade de Blantyre - Escócia, nome dado em homenagem à terra natal do explorador e pastor presbiteriano David Livingstone, que muito contribuiu com as suas viagens de “evangelização” para a colonização da África.

LAGO MALAWI


Os Chewas constituem 90% da população da região central, a tribo Nianja predomina no sul e a Tumbuka no norte. Além disso, um número significativo de Tongas vive no Norte; Ngonis - um ramo dos Zulus que vieram de África do Sul, no início dos anos 1800 - vivem abaixo do norte e regiões menores centrais, e os Yao, que são na sua maioria muçulmanos, predominam na região Sul do país e vivem em uma faixa larga a partir de Blantyre e Zomba ao norte do Lago Malawi e no leste da fronteira com o Moçambique. Bantus de outras tribos vieram de Moçambique como refugiados.


JOHN CHILEMBWE E A REVOLTA DOS BATISTAS

Neste país, provavelmente na região Chiradzulu de Niassalândia, nasceu John Chilembwe, por volta de 1871. Seu pai era um Yao e sua mãe era uma escravizada Mang'anja (grupo étnico tradicional da área, vítima da escravidão pelos árabes e dos Yao que eram comerciantes de escravizados).

Os Yao são originais do norte de Moçambique e migraram por causa da fome em seu país e auxiliaram como intermediários para os árabes. Chilembwe é uma mistura dos dois grupos étnicos, representa a situação de ambos. Ele cresceu sob a atmosfera de insegurança predominante das regiões Sul de Niassa. Quando os britânicos colonizaram a área em 1891, nomeando de Niassalândia, eles estabeleceram um governo e missões, e procurou controlar os povos nativos da região.

John Chilembwe, um homem alto, asmático, era o cozinheiro da família do missionário batista Joseph Booth e cuidava da sua filha, tornando-se seu amigo, como consequência foi batizado na fé batista em 17 de julho de 1893 por Joseph Booth, que havia fundado a Missão Zembesi Industrial de cunho fundamentalista como uma alternativa para as mais antigas missões presbiterianas da Escócia que exploravam a população nativa. Booth criticava as missões presbiterianas e pregava uma igreja igualitária, ideia radical e que agradou ao novo convertido. Booth pregava:

"Sinceramente agora, não é uma imagem maravilhosa de ver homens elegantemente vestidos ... pregando um evangelho de autonegação aos homens e escravas .... Eu nunca me senti tão completamente envergonhado .... Devemos ... obedecer ao ensino [o] [do Evangelho]. ".

Em 1897, John viaja com a família Booth para os EUA onde frequentou o Virginia Theological College, um seminário teológico preto, e teve contato com os ensinamentos do branco abolicionista John Brown e dos pan-africanistas Booker T. Washington, Marcus Garvey e outros pretos na América. Estes ensinamentos foram determinantes para as futuras decisões a serem tomadas.

Foi diplomado por esta faculdade teológica preta e ordenado pastor batista pela National American Baptist Convention, retornou a Niassalândia e fundou a Missão Providência industrial, criando sete escolas africanas independentes, que em 1912 tinha 1000 alunos e 800 estudantes adultos. Construiu uma igreja de tijolos bem arquitetada, e em um trabalho pan-africano plantaram lavouras de algodão, café e chá.

O esforço educacional do Pastor John Chilembwe na propagação da paz e do bem-estar da população, combatendo o alcoolismo, a necessidade do trabalho e do aprendizado, a censura veemente contra a prática de homicídios, roubos e todo o tipo de crimes, o fez um homem respeitado e admirado pelo seu povo.

John Chilembwe com sua mulher, Ida, e sua filha, Emma, em uma fotografia, provavelmente entre 1910 e 1914.

A crueldade e o racismo dos brancos colonizadores o obrigaram a tomar uma decisão: Ficar omisso concordando e participando da opressão e pregando uma vida futura no céu para os membros da sua igreja ou agir em combate ao racismo. Optou por uma teologia libertária e se envolveu diretamente no sofrimento dos seus paroquianos, decisão esta tomada décadas posteriores por diversos pastores batistas que não se calaram com o sofrimento do seu povo, um dos maiores exemplos foi o de Martim Luther King.

No período anterior a 1915 a fome atingiu a região e muitos imigrantes moçambicanos vieram para a região e concomitantemente grileiros brancos começaram a se apossar das terras mais férteis e iniciaram uma cobrança exorbitante aos moradores, obrigando aos homens a migrarem para cidades distantes.

Além disso, William Jervis Livingstone, um gerente de fazenda local, tratava seus trabalhadores (muitos deles paroquianos de Chilembwe) asperamente e incendiou igrejas rurais de Chilembwe, que reclamava em voz alta sobre o racismo.

Mas a sua profunda alienação seguiu do surto da I Guerra Mundial na Europa, bem como o recrutamento, que Chilembwe lamentou, dos homens de Niassa para as batalhas contra os alemães na vizinha Tanzânia. "Entendemos que fomos convidados para derramar nosso sangue inocente na guerra deste mundo .... [Mas] haverá quaisquer boas perspectivas para os nativos ... após a guerra?" Chilembwe perguntou. "Estamos impostos a mais do que qualquer outra nacionalidade sob o sol." O restante de sua carta aberta, assinada "em nome de seus compatriotas", foi um protesto forte contra o descaso aos africanos.

Um mês depois, em janeiro de 1915, Chilembwe decidiu "dar um golpe e morrer, pois o nosso sangue vai certamente significar algo no passado." Esta era a única maneira, ele declarou, "para mostrar ao homem branco, que o tratamento que estão dispensando aos nossos homens e mulheres era péssimo e nós estamos determinados a atacar primeiro e dar o último golpe, e, em seguida, todos morrem pela forte tempestade de exército dos homens brancos." Ele falou a seus 200 seguidores da inspiração de John Brown, e advertiu-lhes para não roubar nem para molestar as mulheres brancas. Em 23 de janeiro, em diferentes ataques, seus homens decapitaram Livingstone, mataram outros dois homens brancos e vários africanos , poupando um número de mulheres brancas e crianças, saquearam uma loja de munição em uma cidade grande próxima, e se retiraram para orar. Quando os ataques não conseguiram despertar o apoio local, Chilembwe fugiu em direção a Moçambique. Desarmado, vestindo um casaco azul escuro, uma camisa de pijama listrado sobre uma camisa de cor, e calças de flanela cinza, ele foi morto em 03 de fevereiro por funcionários coloniais.

Chilembwe é reverenciado como um herói moderno em Malawi, que alcançou a independência em 1964. Ele foi o primeiro a expor os principios do inconformismo colonial e o primeiro a quebrar a crença generalizada que "os nativos estavam felizes" sob a dominação estrangeira. um precursor e mártir do nacionalismo do Malawi.

Ele é relembrado no Malwi no dia 15 de janeiro como um heroi nacional.

"É muito tarde agora para falar do que pode ou não pode ter sido. Tudo o que seja pelas razões nós somos convidados a participar na guerra, a verdade é, somos convidados a morrer para Niassalândia. Nós deixamos tudo para a consideração do Governo, esperamos na misericórdia de Deus Todo-Poderoso, que algumas coisas do dia vão dar certo e que o Governo vai reconhecer a nossa indispensabilidade, e que a justiça prevalecerá."

JOHN Chilembwe
Em nome de seus compatriotas
Niassalândia tempos No.48, 26 de novembro de 1914

LOUIS ARMSTRONG -GO DOWN MOSES


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sexta-feira, 1 de junho de 2012

QUINTETO ABANÃ – LINDAS CANÇÕES DE MATRIZ AFRICANA



Por Malachiyah Ben Ysrayl.
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Giovanino Di Ganzá é um jovem paulista, filho de um indígena tapuio e uma mulher preta do Maranhão. Poeta, compositor, musicólogo, Bacharel em Violão Erudito, que tem dedicado os seus dons para divulgar lindas canções dos ancestrais indígenas e africanos, e como ele mesmo escreveu:

-Sou músico erudito entregue à música afro.

Giovani tem um blogger que deve ser visitado e proporciona melhores informações sobre o seu trabalho, além de facebook.

DI GANZÁ - MARACATU (IV)


Ele faz parte do Quinteto Abanã que é uma palavra de origem Tupi-Guarani que significa: Gente de cabelo duro.

QUINTETO ABANÃ

O Quinteto Abanã é um projeto musical que surgiu da necessidade de investigar e pesquisar as canções extraídas das manifestações populares brasileiras de matriz africana, por meio de arranjos autorais e de domínio público que misturam o popular com o erudito. O grupo se propõe a criar releituras deste legado ancestral, composições que resgatam músicas de terreiros tradicionais dos povos yorubá, banto, keto e angola.

O abanã inicia seu trabalho em 2008 a partir do encontro entre o violonista Giovani Di Ganzá e a cantora lírica Vanessa Teixeira, músicos de formação erudita e pesquisadores das manifestações populares brasileiras. Em 2011, o duo convida mais três integrantes para compor o Quinteto Abanã, o percussionista e compositor João Nascimento, o violoncelista Renato Antunes e o flautista e cantor Douglas Lima.

Com objetivo de retratar o universo mitológico dos orixás em sua musicalidade sacra afro-brasileira, o Quinteto Abanã baseia-se principalmente em pesquisas de etno-musicólogos como o ilustre Mário de Andrade, apresenta em seu repertório arranjos que misturam a sensibilidade e a pureza do canto lírico, os ritmos marcantes (de ijexá, congo, barravento, aguerê, alujá e outros) tradicionais dos terreiros afro-brasileiros e as melodias e harmonizações refinadas executadas nos instrumentos acústicos convencionais (violão, violoncelo e flauta).

QUINTETO ABANÃ




OBALUAIÊ - QUINTETO ABANÃ





ONÍ SÉ A ÀWÚRE - QUINTETO ABANÃ




Ouça as músicas do Quinteto Abanâ:
http://www.myspace.com/quintetoabana
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sexta-feira, 25 de maio de 2012

RELEMBRANDO A PUNIÇÃO: RACISMO E CASTIGOS NA ESCOLA



Por Malachiyah Ben Ysrayl.
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Ednei, uma criança de dois anos de idade, filho da minha sobrinha, estudou em uma escola e foi vítima de uma pedagogia equivocada: Ficou de pé com o rosto na parede na sala de aula em frente a outros coleguinhas da mesma idade. A “professora” alegou como motivo:

- “Ele é muito teimosinho, por isso ficou de castigo”

E quando a mãe ia buscá-lo a “educadora” comentava baixinho:

- “Graças a Deus que ele vai embora”.

Após ouvir conselhos, a minha sobrinha o transferiu para outra escola com mais recursos pedagógicos. Este fato aconteceu em 2012, com uma criança, pessoa hipossuficiente que precisa ser respeitado e representado em todos os seus atos:

O Estatuto da Criança e do Adolescente, lei 8069/90, dispõe acerca da proteção integral a crianças e adolescentes, e versa em seus artigos :

"Art. 18 - E dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

Art. 53 - A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:

I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II. direito de ser respeitado por seus educadores;
III. direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
IV. direito de organização e participação em entidades estudantis;
V. acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.”

Corroborando com a determinação legal, os estudos psicopedagógicos também descrevem ser essencial ao desenvolvimento das crianças um tratamento emocional e moral dignos, como se extrai do trecho abaixo:

"De acordo com Vygotsky (2007), é a partir dos dois aos cinco anos de idade, que as crianças aumentam a qualidade de discriminação perceptiva em relação ao próprio corpo. O repertório de habilidades motoras aumenta com a compreensão mais exata, uma locomoção mais coordenada o que facilita a exploração do meio. As atividades psicomotoras auxiliam as crianças a adquirirem noção de espaço, lateralidade, orientação em relação a seu corpo às pessoas e objetos. O ritmo traduz uma organização dos fenômenos sucessivos, tanto no plano da motricidade, quanto no plano da percepção dos sons emitidos no curso da linguagem (LE BOUCH, 1998, p. 100)
.
Os educadores têm necessidade de conhecer todos os aspectos do desenvolvimento da criança, para colocar em prática um trabalho global, dinâmico, flexível, e, sobretudo, recreativas, para atender as suas reais necessidades determinadas pelo nível de maturação."

http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-psicomotricidade-na-educacao-infantil-e-sua-importancia-4998429.html

Comentando com o meu filho sobre o meu sobrinho-neto, aproveitei e relembrei as escolas domésticas onde as crianças eram alfabetizadas nas residências dos professoras, que usavam o espaço larário para o aumento da renda familiar, suprindo a falta de escolas particulares e públicas naquele tempo.

As educadoras, em sua grande maioria, não possuíam formação acadêmica e nem o ensino secundário ou o normal, curso profissionalizante de segundo grau para a formação de professoras primárias, muitas delas haviam cursado as séries iniciais do antigo ginásio (5ª a 8ª séries) - hoje, ensino fundamental II - e, para a época, significava um grande conhecimento intelectual.

Relatei as práticas pedagógicas baseadas na violência física e psicológica. Fatos que possivelmente ainda ocorrem em algumas cidades interioranas e bairros considerados periféricos, não posso afirmar categoricamente por falta de dados.

Interessante que os castigos sofridos por crianças da minha geração ficaram nas memórias, formou-se gerações vítimas de uma educação equivocada e baseada nos castigos sofridos pelos nossos ancestrais escravizados em território brasileiro.

As punições aos estudantes eram injustas e excessivas, criavam o terror nas mentes dos educados, e muitos deles preferiam não ir às escolas. Estes que conseguiram estudar em escolas domésticas ainda foram privilegiados, porque muitos não puderam dar prosseguimento aos estudos por necessitar contribuir com a economia doméstica, tendo que trabalhar ainda bastante jovens. Na verdade, eu ainda fui um privilegiado por meus pais poderem pagar escolas domésticas, estas permitiram a continuidade dos estudos em escolas mais aprimoradas.

Aos seis anos de idade, devaneava com alguns colegas se a escola pegasse fogo, por fim, não seriamos vítimas dos castigos. Nunca sofri castigos corporais, mas as humilhações foram diversas.
Entre os diversos castigos e humilhações, sofridas pelos alunos, recordo-me destes:

Reguada, beliscão, cascudo, puxão de orelha, palmatória, ajoelhar no caroço de milho cru ou tampinha de garrafa (a criança a ser punida se ajoelhasse com os joelhos nus sobre grãos de milho cru ou tampinha de garrafa. Para além de uma elevada humilhação o castigo produzia dor muito intensa, pungente localizada e deixava graves vestígios na pele dos joelhos, tais como hematomas profundos e, se a duração do castigo fosse elevada, feridas abertas), humilhação em pé de cara na parede com um par de orelhas de burro na porta da escola (exposição pública do erro e tornava chacota para os colegas) , proibição de ir ao banheiro (diversos alunos faziam as necessidades fisiológicas na roupa, imaginem a vergonha) e de merendar (os que levavam a merenda sofriam, mas muitos nem merenda possuíam), ficar de castigo depois da aula (muitos apanhavam dos pais quando chegavam em casa), Vassourada (agressão com o cabo de vassoura na cabeça), entre outros.

Os meus estudos foram todos no estado do Rio de Janeiro, e na minha infância, uma professora sempre dizia que eu era baiano, porque os meus pais eram de Salvador. Preto, baiano e macumbeiro e eu ficava triste por ser epitetado de todas essas formas. Certa vez, minha mãe, para me livrar dos constantes abusos que sofria, levou a minha certidão de nascimento para comprovar que eu não era baiano, e sim, carioca. Hoje, ao repensar aquela situação, sentiria orgulho de ser alcunhado de baiano, pois toda minha ancestralidade e africanidade está na Bahia, terra que vivo há mais de 30 anos.

Alguns anos da minha infância, residi no bairro da Liberdade, em Salvador/BA e convivi com uma experiência interessante:

O hábito de pedir a benção aos mais idosos, e as lindas senhoras sentadas nas portas das casas nos esperavam e ai daquele que se esquecia de pedir a benção. No dia seguinte, via o resultado do pretenso “esquecimento”, pois elas comunicavam as “comadres” (as nossas mães) o nosso ato de rebeldia, e consequentemente pagávamos pela falta de respeito. Um pedido de benção baseada também na submissão e no medo. Em Salvador,nas escolas domésticas possuíam o hábito conhecido como: Sabatina que ocorria em dias variados, especialmente nas terças-feiras, onde um aluno arguia o outro sobre a tabuada e o que errava tomava bolos de palmatória.

Os cadernos eram usados para os estudantes escreverem centenas de vezes as mesmas frases, exemplo:

- Não devo conversar na sala de aula. Devo fazer o dever de casa. Não devo responder a professora, etc.

- Alguns epítetos eram usados pelas educadoras, o mais comum era chamar o estudante de “burro”

"Vivenciou a palmatória" - Dona Tereza


Outro fato interessante ocorria com relação a mãe da Professora. Esta a substitua algumas vezes nos casos de sua ausência, mas sempre estava presente nas aulas, escondida as janelas, observando as conversas e não perdia tempo em manter o silêncio com um cabo de vassoura na cabeça do “conversador”. Outras ficavam na sala de aula monitorando as atitudes dos estudantes e pronta para entrar em ação, se houvesse a quebra do silencio monástico em sala de aula.

Os pais apoiavam esta didática e pediam para os filhos e filhas serem “exemplados”. Recordo-me que a mãe adotiva de um colega de classe da cor de ébano, adotado por uma família branca aonde era vítima constante de espancamentos e humilhações, chegou à escola com um quilo de milho para que a professora o colocasse de joelho, e no mesmo dia foi colocado em uma tábua com os caroços de milhos crus, e ele gemia com a dor produzida pelo castigo insano. Só que não resolveu, ele continuava a reagir e não conseguia ser alfabetizado. Exigiam dele uma docilidade de “preto no seu lugar” e na sua tenra idade era um “preto rebelde”. Então, o método de tortura foi aprimorado e a mãe adotiva juntamente com a professora trouxe uma tábua com tampinhas de garrafa. Foi castigado duramente como um preto recapturado na escravidão. Ele chorou de dor e por muitos dias andou de cabeça baixo. Este episódio me deixou bem assustado e após relatar a minha mãe este quadro demoníaco, ela me retirou desta "Casa dos Horrores".

Em algumas conversas com pais de estudantes que viveram este processo educacional, e os seus filhos não conseguem acompanhar o aprendizado, eles manifestam certo saudosismo pelo modelo educacional que passaram. Esta concepção de culpa é decorrente da filosofia judaico-cristã de um país com histórico de colonização e escravidão. Foram introjetados mecanismo de autopunição nos antigos estudantes e que se reproduz atualmente nos educadores que de maneiras diferentes acreditam na “incapacidade” e desinteresse dos educados de aprender e muitos educadores se punem, sem compreender que são vítimas de uma educação violenta, não pluralista e com ideais elitistas, apesar das escolas estarem fora do centro do poder.

Não condeno as antigas professoras das escolas domésticas, porque merecem o nosso respeito e agradecimento pela alfabetização. A pedagogia que seguiam fora repassada através das antigas educadoras e elas acreditavam que estavam fazendo o melhor, muitas amavam os estudantes e supriram a falta de investimentos na educação e dos direitos humanos. Foram as professoras da década de 60 do século passado.

Tenho boas recordações de duas professoras domésticas e as suas mães que nos tratavam com carinho como se fossem membros da família, acredito que as que castigavam e usavam de violência tinham problemas sérios de ajustamento social.

No Brasil, a educação manteve desde os padres-mestres os castigos como uma prática pedagógica aceita por educadores e pais para o aprendizado das crianças, infelizmente, os anos nas décadas passadas a tortura e a humilhação psicológica eram fatores determinantes para o aprendizado, deixaram lembranças de uma pedagogia do terror, que objetivava a domesticação e formação de pessoas acríticas , sem questionamentos, calados e submissos.

Assumo que não sinto saudades das escolas domésticas, mas, será que apesar do fim das torturas físicas a pedagogia é libertadora? E as humilhações psicológicas aos estudantes por causa da cor da pele se extinguiram?

Shalom!  

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domingo, 20 de maio de 2012

A NOVA ESTRÁTEGIA DOS MÓRMONS COM A POPULAÇÃO PRETA - WILLARD MITT ROMNEY UM MÓRMON EM DIREÇÃO A CASA BRANCA


Por Malachiyah Ben Ysrayl.
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Willard Mitt Romney, de descendência escocesa e alemã, candidato mais forte do Partido Republicano a Presidência dos USA, da 5ª geração da SUD (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), fez uma declaração infeliz em Alabama:

"Eu entendo o quão difícil pode ser para um afro-americano na sociedade de hoje. Na verdade, posso me relacionar com pessoas negras muito bem. Meus ancestrais, uma vez possuído escravos, e é na minha linhagem a trabalhar estreitamente com a comunidade negra. No entanto, só porque eles foram libertados mais de um século atrás não significa que eles podem agora ser aproveitadores. Eles precisam ser orientados a trabalhar duro, e os incentivos simplesmente não estão lá para eles. Quando eu for presidente eu pretendo trabalhar em estreita colaboração com a comunidade negra para trazer um sentimento de orgulho e ética de trabalho de volta à vista por eles."

https://www.facebook.com/pages/BlacksAfro-Americans-for-Mitt-Romney/231659056888330

Mitt Romney - Who Let the Dogs Out?


Resolvi escrever este artigo para que possamos discutir as novas estratégias dos mórmons no Caribe, Brasil e África. Porque muitos pretos nestas três regiões do planeta seguem e defendem esta prática religiosa.

Há muitos pretos que não se importam com a história dos seus antepassados como se não fizessem parte dela, por isso a ignoram, e tentam viver fora da realidade alimentando o racismo que abate a sua autoestima. Ignorar a história dos seus antepassados tem sido uma fuga radical da própria realidade, levando alguns ao absenteísmo, e em casos mais graves a uma patologia que deve ser tratada urgentemente, ou optam a autonegação e covardia de olhar dentro de si mesmo.

Um destes graves problemas patológicos ou esquecimento voluntário se trata de questionar ilações da Igreja de Jesus Cristo dos Santos Últimos Dias, conhecida popularmente como a Igreja dos Mórmons. Em primeiro momento, é necessário afirmar que todo ser humano é livre para seguir qualquer religião, conforme reza o artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e, no Brasil, a Constituição Federal em seu art. 5º, VI. Então, aqui a discussão não é sobre a opção religiosa, mas o que a história desta prática de fé afetou os africanos e seus descendentes no planeta.

O chamado mormonismo surgiu nos USA com o profeta Joseph Smith Jr, em m 06 de Abril de 1830, com alguns convertidos e em 1838 mudou seu nome para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Foi um jovem que teve diversas visões, perturbações e sonhos, conforme ele mesmo descreveu em seus escritos.

Em 1820, Smith teve uma visão de Deus e Jesus Cristo: “Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: — Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”

Se você quiser saber mais sobre os mórmons e ter acesso a mais de 100 comentários, acesse o artigo de minha autoria escrito em 13 de janeiro de 2008:
http://cnncba.blogspot.com.br/2008/01/os-mrmons-e-os-negros.html

A teologia mórmon sempre considerou por mais de 125 anos a população preta como inferior e descendente do fratricida Caim. Os pretos eram considerados pelos mórmons como amaldiçoados, uma raça inferior. Nesse sentido, vê-se o que o Profeta Brigham Young relatou:

"Você vê alguns grupos da família humana que são pretas, grosseiras, feias, desagradáveis, tristes, baixos em seus costumes, selvagens, ad aparentemente sem a benção da inteligência que é normalmente dada à humanidade. O primeiro homem que cometeu o odioso crime de matar um de seus irmãos foi amaldiçoado por mais tempo do que qualquer um dos filhos de Adão. Caim matou seu irmão. Caim poderia ter sido morto, e que teria posto fim a essa linha de seres humanos. Este não era para ser e que o Senhor pôs uma marca nele, que é o nariz chato e pele preta. Rastrear humanidade até depois do dilúvio, e, em seguida, outra maldição é pronunciada sobre a mesma raça -. que seria o servo "de funcionários”; e que será, até que a maldição é removida, e os abolicionistas não pode ajudá-lo, nem sequer a alterar esse decreto.” Journal of Discourses, Volume 7, páginas 290 291.

Blacks Called NIGGERS By Mormon Joseph Smith


Com uma nova revelação em 1978, os mórmons afirmam que deixaram a sua postura racista e a igreja estendeu as bênçãos do sacerdócio de todos os membros dignos, e se dedicam a converter pretos no Caribe, América e África. Quais são os motivos dessa nova estratégia dos mórmons?
Nos USA, entre os mórmons somente 1% são pretos e a maioria da população não esqueceu o que foi ensinado por mais de um século que eles tinham um pacto com Satanás e eram amaldiçoados. Na Pérola de Grande Valor, diz, "A negritude veio em cima dos descendentes de Caim, que foram desprezados entre todos os povos."

Ainda, são feitas campanhas milionárias tentando demonstrar que o racismo não existe mais, e divulgando uma igualdade racial com latinos e pretos preocupados com a campanha presidencial. Pretos e latinos em grandes outdoors afirmam serem mórmons.

Inclusive no Mali, um dos países mais pobres da África, apesar de ser o terceiro maior produtor de ouro do continente, o candidato a presidente Yeah Samake segue a religião mórmon, e deles tem recebido apoio financeiro substancial, mas com o golpe militar se torna incerto se haverá mesmo eleições. O interesse dos mórmons no continente africano é deveras interessante.


BYU GRAD BECOMES MAYOR OF OUELESSEBOUGOU, MALI


Na África do Sul, os mórmons trazem uma boa mensagem aos brancos calvinistas Afrikaaner por causa das semelhantes crenças religiosas sobre a maldição de Cam. Para os brancos a história mórmon é parecida com Grande Marcha, quando os africânderes invadiram Traansvaal para “domar” o deserto, e estabelecer a “liberdade”.

Mas, muitos pretos se tornaram calvinistas e agora mórmons. Muitos pretos esquecem ou ignoram a sua história de opressão e seguem a religião dos antigos senhores.
Disse o Profeta Brigham Young:

"Devo dizer-lhe a lei de Deus em relação à raça Africana? Se o homem branco que pertence à semente escolhida misturar seu sangue com a semente de Caim, a penalidade, sob a lei de Deus, é a morte no local. Isso vai ser sempre assim." Journal of Discourses, Volume 10, página 110.

SOUTH AFRICAN YOUTH SING OF CHRIST


Em outros países africanos a SUD tem conseguido adeptos com uma mensagem mais amena e aproveitando os problemas econômicos e analfabetismo de uma grande parcela da população. Caso também que ocorre no Brasil onde muitos pretos e pretas tem aderido ao mormonismo sem sequer atentar para a história.

Mórmons - Racismo no Templo


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