Por Walter Passos, historiador, panafricanista, afrocentrista, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br Msn: kefingfoluke1@hotmail.com Skype: lindoebano
Na Bahia, milhares de descendentes de africanos estão puxando as cordas dos blocos: os chamados cordeiros.
Estes homens e mulheres pretas retratam a discrepância étnico-socioeconômica de uma minoria abastada (branca) e da maioria despossuída (preta), que aproveita este período momesco para obter uma renda extra, sem ter consciência de que fomenta uma sociedade discriminatória, estão nas ruas recolhendo latinhas, vendendo cerveja, comidas e lanches e a sua força física, envolvidos em possíveis atos de violência que surge em uma aglomeração de mais de dois milhão de foliões.
O consumo exacerbado pela juventude de bebidas alcoólicas e outras substâncias que inibem a timidez e trazem momentos de uma falsa alegria.
O carnaval é uma festa para brancos e ricos que podem dispor de dinheiro para pagar os caríssimos blocos empurrados por trios elétricos, em uma cidade de esmagador contingente populacional de pretas e pretos. Estes que inconscientemente permitiram a apropriação dos ritmos e danças de origem africana, inclusive aspectos de sua religiosidade fazem parte da festa, não ocorrendo este fato com as religiões cristãs.
Os pretos e pretas não usufruem diretamente dos milhões de reais que geram nesta empresa chamada carnaval baiano. Isto sem falar nas Escolas de Samba do Rio de Janeiro e São Paulo que se tornaram cartões postais do Brasil para o mundo, em que suas comunidades, antes organizadoras dos desfiles, hoje não mais detêm o controle da festa nem das escolas, estas que em sua maioria são dominadas por homens brancos. Mas, tudo é festa, é carnaval, a maioria do nosso povo está “feliz” pra tudo terminar na quarta-feira.
Apesar de todas estas contradições o carnaval foi uma maneira de se ativar a consciência dos afro-baianos sobre as questões da negritude, de afirmação racial através do lúdico, especialmente nos bairros denominados periféricos, com o surgimento de blocos como: Bloco Afro Ilê-Ayê na Liberdade; Olodum no Centro Histórico; Muzenza, com seus extintos ensaios na Ribeira, e posteriormente na Liberdade; Araketu em Periperi; Badauê no Engenho Velho de Brotas e tantos outros.
As manifestações africanas trouxeram em um momento histórico o dizer não à branquitude dos blocos de trio e a alegria de afirmar na música do Ilê Aiyê:
Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).
Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).
Branco, se você soubesse o valor que o preto tem.
Tu tomavas banho de piche, branco e, ficava negrão também.
E não te ensino a minha malandragem.
Nem tão pouco minha filosofia, não?
Quem dá luz a cego é bengala branca em Santa Luzia.
Ilê Aiyê carnaval 2008
O carnaval é comemorado em diversas regiões da América Africana e na África:
A origem das festividades populares neste período é estritamente africana, apesar dos relatos eurocêntricos afirmarem que a origem desta celebração popular foi a Europa, sendo adaptada pelos africanos escravizados, há omissões históricas das origens. Evidente de que os europeus se apropriam do conhecimento africano e colocaram uma nova roupagem, nesse caso reinterpretaram as grandes festas africanas, relacionadas às colheitas, deturpando-lhes o verdadeiro sentido.
A história das celebrações está relacionada ao princípio da nossa civilização, na origem dos rituais, na fertilidade e na colheita das primeiras lavouras às margens do Nilo, em que os primeiros agricultores celebravam-nas com danças e músicas.
Estas festividades possuem sua origem no antigo Egito (Khemet) como celebração do Ano Novo Solar Africano, isto é, o Ano Novo Solar em Khemet, em que era reconhecida a importância do sol e do rio Nilo na vida dessa população, que fora precursora de diversas ciências e tecnologias, a exemplo da astronomia e as ciências naturais, entre tantas outras.
O ritmo da vida egípcia estava em torno do Nilo, onde a linhagem real, a autoridade para governar, a religião e a ciência estão intrinsecamente interligadas durante seus onze mil anos de existência. A comemoração do carnaval está ligada intrinsecamente à deusa egípcia Isis e se festejavam 05 dias de folia com muita pompa.
Os festivais do antigo Khemet tinham a intenção de sintonizar os celebrantes com os ciclos da natureza e do universo através da simbologia do mito e do ato sagrado do ritual. Eles apontavam para a natureza, com a celebração da lua minguante no inverno, o retorno de um novo ano, e da fertilidade.
A apropriação histórica infelizmente existe na história das nações invasoras, e ainda hoje livros eurocêntricos divulgam, ensinam essa e outras “verdades”, negando e omitindo suas verdadeiras origens: o continente africano.
Já na sociedade grega modificaram-se os rituais, acrescendo a bebida e o sexo, com as celebrações dionisíacas, cultos ao deus do prazer: Dionísio.
Na Roma Antiga, as festividades foram conhecidas como bacanais, saturnais e lupercais, em que festejavam respectivamente os deuses Baco, Saturno e Pã. Nas sociedades européias começaram a aparecer os primeiros grupos de travestidos, homens vestidos de mulher. Nestas também foi acrescentada uma função política de distensão social às celebrações, tolerando o espírito satírico, a crítica aos governos e governantes nos festejos.
As celebrações pagãs do antigo Império Romano, relacionadas com a chegada do Ano Novo e da primavera, persistiu mesmo após o triunfo do cristianismo pagão com a forma de carnaval. Num sentido religioso, esta festa era a última oportunidade que as pessoas tinham para abastecer o corpo com abundantes alimentos e bebidas antes de começar a época da Quaresma, que representou o jejum e a penitência. Carnaval é assim, às vezes chamado de Anti-Quaresma.
Nesse sentido, a palavra pode ser interpretada como "Carne Vale", em latim significa "adeus carne", "carnaval", na verdade, deriva de "navalis carrus": o "carro naval" ou navio, que carregava o Deus do Mar celta ou germânico, de sua morada do Norte para as festas de inverno. Em Roma, na abertura dessas festas ao deus Saturno, carros buscando semelhança a navios saíam na "avenida", com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os carrum navalis.
Muitos dizem que daí surgiu a expressão carnevale. Os europeus adaptaram os carros alegóricos que existiam na Babilônia, em honra do deus Marduk, e no Egito, para a deusa Isis, a rainha-deusa da vida e da luz, que abre o ano. E nas festas romanas se elegia o príncipe do carnaval para reinar na folia.
O novo olhar grego e romano resultou na modificação das festas de colheitas africanas, perdeu-se o sentido da celebração do novo ano solar e da benignidade do rio Nilo e a criação de novas tecnologias que serviram para o bem estar das comunidades primevas africanas.
As mudanças realizadas por estes deturpantes olhares europeus tiveram continuidade na Afro-América, especialmente no Brasil, com festas de total ausência da solidariedade africana, que hoje louvam deuses greco-romanos remodelados: o dinheiro, a desigualdade sócio-étnica e a perversão sexual.
Por Walter Passos, historiador, panafricanista, afrocentrista, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br Msn: kefingfoluke1@hotmail.com Skype: lindoebano
A Bolívia, país central na América do Sul, com uma extensão territorial 1.098.580 km², com duas capitais: La Paz (administrativa) e Sucre (judicial). A população estimada é de nove milhões de habitantes, 30% de Quechua, 30% de mestiços (mistura de brancos e nativos), 25% de Aymara, 15% de brancos e 0,5% da de pretos.
O povo preto é marcante na Bolívia por sua resistência, apesar do pequeno contingente populacional devido ao massacrante histórico de exploração dos espanhóis. Conhecer a Geografia Africana nas Américas é de vital importância ao entendimento do tráfico negreiro patrocinado pelas civilizações cristãs, da possibilidade de estreitar uma rede afro-latina de informações panafricanas e combater o isolamento das informações veiculadas pela mídia suprindo a falta de projetos educacionais em programar a matéria Geografia Africanas nas Américas no ensino fundamental ou médio.
Presume-se que a população preta da Bolívia seja de 50 mil pessoas, mas, não se sabe ao certo.
BLACK BEAUTY IN BOLIVIA
A população africana vive no Yungas (na língua aimará significa "Terra Quente”) em diversas cidades pequenas e isoladas e aldeias das montanhas. Yungas é uma zona transitória entre o planalto andino e a floresta amazônica.
As prováveis origens da população afro boliviana são do Senegal, Congo e Angola. O apelido de Angola é muito comum. Apesar de viverem perto dos aymara, nunca perderam a sua Identidade Africana.
Após o seqüestro do continente africano foram forçados a trabalhar nas minas de prata de Potosi - a 4000m acima do nível do mar na Bolívia, Situada na cordilheira ocidental dos Andes, é a cidade mais alta do mundo, tendo atualmente 110 mil habitantes. Fundada em 1545, logo após a descoberta pelos espanhóis das suas minas de prata, Potosi tornou-se rapidamente no maior produtor mundial de prata, bem como numa das povoações mais prósperas e com maior número de habitantes do mundo na época.
Em 1987, foi declarada pela UNESCO "Patrimônio da Humanidade", um local que não deve ser esquecido por ser um dos maiores cemitérios de nativos americanos e africanos mortos pelos cristãos europeus. Inicialmente, o trabalho nas minas de Potosi foi realizado por nativos (indígenas) escravizados extraindo e refinando a prata, mas a exposição a doenças européias, mercúrio e a brutalidade levou a população a diminuir 90%, um genocídio das comunidades nativas.
Para compensar a diminuição da força de trabalho indígena, os colonos fizeram um pedido em 1608 para a Coroa em Madri para começar o seqüestro de 1500 a 2000 escravizados africanos por ano. Um total estimado de meio milhão de africanos trazidos da África Central para trabalhar nas minas de alta altitude de Potosi durante toda a era colonial na Bolívia.
A população indígena era ainda o essencial da força de trabalho de mineração, mas os africanos estavam envolvidos em refino e cunhagem. Estes detinham o conhecimento tecnológico da mineração e fundições de metais, é de suma importância lembrar que eles trouxeram uma cultura muito avançada relacionados à fundição de metais; porque foram os primeiros mineradores do planeta.
De 1556 a 1783 - a era de ouro de Potosi - um total de 45.000 toneladas de prata pura foi extraído de Cerro Rico, 7.000 toneladas do que foi para a monarquia espanhola serviu para pagar as suas dívidas, a outra parte foi destinada a enriquecer o capitalismo europeu à custa de indígenas e africanos.
Entre as explorações mais vexatórias, submeteram os africanos escravizados a empurrar os moinhos da Casa de La Moneda como "mulas humanas". A vida útil de uma “mula” foi de apenas dois meses, sendo inutilizada e imediatamente substituída. Nas Minas no Brasil (Minas Gerais e Goiás) os africanos eram obrigados a beber um laxante feito de pimenta malagueta, vinagre e sal após o trabalho na mineração.
Nas minas de Potosi os africanos inalavam a fumaça tóxica da fundição e os vapores de mercúrio, trabalhavam nas minas sem luminosidade por cerca de quatro meses, ao saírem tinham os olhos vendados para proteger da luz solar. O trabalho era de uma jornada acima de 12 horas diárias e foram usadas crianças, também sujeitas ao amianto, gases tóxicos, explosões. Os espanhóis davam aos africanos folhas de coca para “aliviar” o sofrimento e a fome. É considerada pelos historiadores a maior exploração de africanos no período colonial realizado pelos europeus, um desrespeito a humanidade na exploração do trabalho escravizado.
Os europeus realizaram um genocídio sem precedentes na África e na América destruindo civilizações nativas e se apropriando da força de trabalho e das riquezas, com o apoio incondicional do cristianismo, o qual usufruiu dos trabalhos indígenas e africanos escravizados.
De Potosi os africanos que sobreviveram à exploração, um verdadeiro genocídio nas minas foram vendidos para as haciendas – organização do latifúndio na América espanhola – localizadas na região subtropical dos Yungas.
Nota-se que a existência dos afrobolivianos se deu a resistência à escravidão e a exploração, porque de meio milhão de africanos, sobrevive atualmente aproximadamente 10% que foram levados para Potosi. Não podemos esquecer que a possibilidade da sobrevivência se deu as fugas individuais e coletivas e a formação de palenques nas densas florestas bolivianas.
ENTREVISTA DE NELSON VILCA A UNA AFROBOLIVIANA
É deveras interessante é de que na Bolívia ainda existe um forte sentimento de pertencimento às raízes africanas, na manutenção da memória ancestral; a tradição oral relata que entre os escravizados do Congo foram seqüestrados descendentes da nobreza congolesa antes da invasão francesa e belga. Em 2007, o neto de Bonifácio Pinedo, o agricultor Julio Pinedo foi coroado rei, sendo o único conhecido como descendente direto de uma realeza congolesa. Possivelmente é o único rei na América Africana, foi reconhecido pela população preta e pelo prefeito (governador) de La Paz, José Luis Paredes, o qual o entregou a coroa e o bastão como símbolo da realeza africana.
- "Não estamos na Bolívia pela escolha. Nós fomos trazidos aqui pela força e obrigados esquecer os nossos costumes".
Afirmou categoricamente Martina Padredos, uma afro-boliviana de Yungas, que veio à cidade para a coroação do rei, e continuou:
- "O mínimo que o Estado pode fazer é reconhecer que somos membros deste país também."
Na verdade, é uma questão de afirmação étnica importante de ser africano.
REY AFROBOLIVIANO (1/2)
A mais conhecida afirmação cultural afroboliviana é a Saya, dança de beleza incomparável:
Os intereses económicos que movían la práctica del comercio de esclavos en el siglo XVIII hicieron que la población africana emigre a Latinoamérica. Y como la música y la danza es parte de la vida del ser humano, esta también viajó a la tierra de Los Andes, donde se adaptó a prácticas ancestrales ya existentes.
Su origen africano está implícito en la deformación del vocablo Nsaya de Origen Kikongo (Africa); así la saya etimológicamente significa: trabajo en común bajo el mando de un (a) cantante principal. Está compuesta de música, danza, poesía y ritmo donde se utiliza bastante la metáfora y la sátira, tocando temas de la esclavitud y de la situación actual.
La Saya afro-boliviana presenta elementos del ancestro africano; sin embargo posee algunas peculiaridades sincréticas aymaras como la vestimenta, especialmente en las mujeres. "La Saya" boliviana fue declarada patrimonio cultural e intangible del departamento de La Paz
Palanqueras: Lindas mulheres do Palenque de San Basilio
Ministro aulas há mais de 20 anos e não noto até hoje os educadores ensinarem aos estudantes a presença de pretos nas Américas, especialmente na América Latina, e muito menos é estudado o processo de escravidão que aprisionou famílias, as separou e espalhou por todo o continente americano.
A visibilidade de populações negras na América Latina se dá em momentos de extrema crise como foi o caso relatado pela mídia dos problemas com os marrons no Suriname (América Holandesa), o terremoto do Haiti, atletas que fogem de delegações cubanas, e outros fatos que trazem repercussões. Não quero discutir neste momento essas categorias geográficas que nos dividiram em latinos, anglo-saxônicos, holandeses.
Os europeus após invadirem vastas regiões africanas, seqüestraram os prisioneiros de guerras e escravizaram famílias falantes da mesma língua e uma das mais nefastas conseqüências é de que hoje são obrigados a se comunicar com a língua do opressor e amaldiçoam ou consideram exóticas as línguas dos seus ancestres.
Apesar dessas divisões regionais os pretos e pretas “latino-americanos” possuem uma resistência histórica que os mantêm vivos e visíveis na América Latina, quebrando a manutenção programada da invisibilidade nos livros didáticos e da mídia eurocêntrica.
A mídia e os livros didáticos que chegam às chamadas “periferias”, fora do chamado centro de conhecimentos e do poder, ignoram as questões cruciais dos “africanos latino-americanos”, alimentando a invisibilidade perversa e a negação dos problemas cruciais de milhões de pessoas, cerceando uma pan-africanismo nas Américas.
A Colômbia possui mais pretos e pretas do que o Haiti, é o terceiro país em população africana nas Américas,sendo superado por Brasil e Estados Unidos da América, com cerca de 10 milhões. Há mais pretos e pretas na Colômbia do que em 24 países africanos, entre eles: Ruanda, Somália e Congo. A mídia não comenta sobre os pretos colombianos. Ouvimos falar das FARCS, de atentados terroristas, do tráfico de drogas, das ameaças de Hugo Chaves ao povo colombiano, dos problemas fronteiriços com o Equador. E assistimos em jogos grandes jogadores colombianos que atuam na seleção ou em clubes brasileiros. Torna-se necessário conhecermos este país vizinho e um pouco da história afro-diásporica de pretos e pretas que foram escravizados pelos espanhóis. A escravidão espalhou africanos em toda a América escravista e as conseqüências pós- abolição deixou uma herança maldita de discriminação racial que gerou desemprego, falta de habitação, cruciais problemas de saúde, insegurança, crises de identidade, continuidade da catequização católica, alvos primordiais das evangelizações protestante, e em grande massa especialmente das igrejas pentecostais e neo-pentecostais e, a não aceitação nestes países do ser – africano, levando-os a maioria populacional a constante marginalização social, econômica, cultural e religiosa.
Na Colômbia, 80% dos pretos e pretas vivem na pobreza extrema, apesar de suas habitações estarem em áreas de riqueza e muitos sob o fogo cruzado das FARCS e do Exército Colombiano. Não me aterei a comentar sobre a população chamada afro-colombiana neste artigo, por causa da complexidade histórica e a riqueza cultural da terceira população preta nas Américas. Em breve, irei escrever sobre a resistência destes irmãos africanos no território colombiano. Convido-vos a realizar uma pequena reflexão sobre o Palenque de San Basilo. Localizado no sopé da Serra de Maria, distante a 70 km de Cartagena das Índias, que foi o principal porto do Caribe no comércio transatlântico de escravos do século XVI ao início do século XIX, está o Palenque de São Basílio com uma população aproximada de 3.500 habitantes.
Os espanhóis tiveram que enfrentar diversas guerras dos cimarrones em suas colônias nas Américas, os escravizados da atual Colômbia fugiram dos navios, da mineração, de fazendas, e do serviço doméstico, após as fugas, se uniram para formar pequenos grupos. Muitos foram capazes de viver em quilombos protegido por pântanos e densas florestas. Protegiam-se das tropas construindo cercas de troncos de árvores, galhos e espinhos. Viviam da agricultura da subsistência de mandioca, milho, feijão, batata, banana, além da pesca e pilhagem. Armados com arcos e flechas, garruchas e pedras, as comunidades Cimarrón lutaram bravamente contra a dominação espanhola, e muitas vezes foram para a batalha com os rostos pintados das cores vermelha e branca.
Um dos grandes líderes da resistência foi o rei Africano, Benkos Biohó, conhecido no folclore tradicional como o Rei dos Matuna. Benko é um nome de uma região no leste do rio Senegal. Foi um líder da resistência Africana, que realizou ataques organizado do porto vizinho de Cartagena com outras 10 pessoas, e fundou San Basilio de Palenque, a "aldeia lendária do Cimarróns".
A história de Benkos Biohó sempre foi de resistência, relata-se que desceu de barco o rio Madalena fugindo para a liberdade, sendo infelizmente recapturado, mas, escapou novamente em 1599 em terras pantanosas do sudeste de Cartagena, e organizou um exército de africanos que dominaram todos os montes de Maria. Possuía um serviço de inteligência e com ele conseguiu impetrar diversas derrotas as forças espanholas e abalar economicamente o império espanhol na região. Os grandes avanços das tropas de Benko levaram o governador a fazer um acordo de paz em 16 de junho de 1605. Não sendo possível derrotar os quilombolas, em 18 de julho de 1605, o governador de Cartagena, Geronimo Suazo e Casasola, ofereceu um tratado de paz para Benkos Bioho, reconhecendo a autonomia do Matuna Palenque. O tratado foi violado pelos espanhóis em 1619, quando andando descuidado Bioho foi preso, enforcado e esquartejado em 16 de março de 1621. O governador Garcia Giron, que ordenou a execução, alegando que era perigoso o respeito de que Bioho havia gerado na população e “está por trás dele e encantamento que toma todas as nações da Guiné está na cidade.
Até o final do século XVII, a região de Montes de Maria contava com mais de 600 quilombolas, sob o comando do Domingo Padilla, que reivindicou para si o título de capitão, enquanto sua esposa Jane adotou o de vice-rainha, e as tentativas de contestar com sucesso na soberania de as autoridades coloniais.
Tornou-se o primeiro local livre de toda a América escravagista por decreto real do Rei de Espanha, no ano 1713. Fato histórico notório porque se deu 18 anos após a destruição da Confederação dos Palmares (1695), 57 anos antes dos holandeses serem forçados a assinar tratados de paz com os grupos Ndyuka no atual Suriname (1760) e 91 anos antes dos africanos derrotarem o Império Frances e conseguirem a independência do Haiti (1804).
Em 1774 San Basilio, pela primeira vez figurou no censo do governo colonial espanhol.
PALENQUE SAN BASILIO, BOLIVAR, MAROON COMMUNITY IN COLOMBIA É único local da América Latina que se fala uma língua crioula baseada no espanhol:
O The New York Times noticiou em 18 de outubro de 2007, que a língua Palenquero possa ser a única linguagem espanhola baseada em crioulo da América Latina e a gramática é tão diferente do espanhol, que os falantes do espanhol não podem entendê-lo. Alguns lingüistas acreditam que o Palenquero pode ser o último resquício de um espanhol falado pelos escravizados na América Latina. A língua crioula criada à base do vocabulário espanhol com uma forte influência de idiomas africanos de origem bantu: kikongo e kimbundu do Congo e Angola. Também pelo Português, a língua do os seqüestradores de Africanos escravizados para a América do Sul no século XVII. A língua palenquera não se limita unicamente a seus aspectos gramaticais e estruturais. A língua palenquera é toda uma construção cultural relacionada com a interpretação da realidade desta comunidade.
Em 2005 a aldeia de Palenque de São Basílio foi proclamada obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
SON PALENQUE-HIMNO DE SAN BASILIO DE PALENQUE
Oh, Oh, Oh, Oh, Oh... Palenque fue fundado, fundado por Benkos Biohó Y el esclavo se liberó hasta que llegó a famoso (bis)África, África, África, África... Yo tengo mi rancho grande, también tengo mi machete Lo tengo dentro de mi rosa, en el pueblo de Palenque (bis)África, África, África, África... Contra los blancos luchó con todos sus cimarrones, Y vencido los españoles la libertad nos brindó (bis)África, África, África, África.
A riqueza ancestral do Palenque de San Basilio é diversificada, um pedaço da África na Colômbia, um forte conhecimento medicinal africano, com técnicas de curas das enfermidades.
“Como botánicos o yerbateros son conocidos los depositarios del saber médico tradicional basado en la combinación de plantas y de partes de animales que se administran en momentos y modalidades determinadas. Las tomas, baños o emplastos son las modalidades más comunes de administración de los medicamentos tradicionales; los cuales van generalmente acompañados de rezos (secretos) como complemento o condición necesaria de su actuación terapêutica”.
Os rituais fúnebres na religião de matriz africana, conhecida como lumbalú:
El origen del lumbalú se remonta al territorio bantú en el continente africano.47 Etimológicamente está compuesto por el pre.jo /lu/ que significa colectivo y /mbalú/ que significa melancolía, recuerdos o re.exión. Este rito se lleva a cabo cuando fallece una persona en Palenque, y se celebra por medio de cantos y bailes alrededor del cadáver, cuando una voz líder es acompañada por un coro que la sigue de manera espontánea durante nueve días y nueve noches. En el lumbalú se condensan las concepciones de Palenque ya que: “En el lumbalú se relacionan íntimamente el baile, la música y el canto. El lumbalú en sí mismo es música, a un nivel rítmico, es canto en cuanto manifestación oral, es baile (baile ri muerto) como expresión corporal y es un ritual.
No Palenque se conservou a música africana e a tradicional forma de fabricação de instrumentos para interpretá-la, como tambores (os mais conhecidos são: o pechiche, o bongó, a timba, o bombo, o llamador e o alegre), a marimbula e as maracas.
O bullerengue sentado: é um canto feminino que em suas origens se associava às mulheres grávidas. Hoje em dia, é cantado pela voz feminina que interpreta os versos que são respondidos por um coro de mulheres.
A chalupa: é o ritmo mais alegre da música palenquera. O som de negros: é uma dança onde se mostra o cortejo de namoro entre o homem e a mulher. A chalusonga: é a mistura da música do continente africano com alguns estilos do Caribe insular e a imitação destes últimos nos instrumentos do Palenque.
O som Palenquero: é o formato do som cubano trazido pelos trabalhadores cubanos aos talentos açucareiros no Caribe colombiano o século XX que se fusionou com a música da região. Saiba mais sobre o Palenque de San Basilo, acessando: http://palenquedesanbasilio.masterimpresores.com/files/index.asp
Na Colômbia, como no Brasil, a mestiçagem programada para o embranquecimento da população africana, originou diversas colorações epiteliais, criando crise do chamado mulato ou mestiço, e a negação de ser africano, por isso a identidade e preservação do Palenque de São Basílio serve como parâmetro identitário para milhões de colombianos, que estão se auto-descobrindo como originários da Mãe-Africa.
Por Walter Passos, historiador, panafricanista, afrocentrista, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br Msn: kefingfoluke1@hotmail.com Skype: lindoebano
O terremoto que abalou o Haiti arrasou uma nação predominantemente africana nas Américas, a qual serve de exemplo para todos os africanos que foram colonizados ou escravizados, pela fragilidade econômica e tecnológica de seus países. Presidente do Haiti vê destruição similar a dias de guerra
“Autoridades do Haiti, a nação mais pobre do Ocidente, dizem acreditar que o número de mortos possa chegar a 200 mil mortos, enquanto três quartos da capital precisarão ser reconstruídos. Préval, de 66 anos, que como muitos compatriotas pareceu atordoado com a enormidade da catástrofe, afirmou que não dormiu por dois dias após o terremoto. Ele prefere não dizer quantas pessoas podem ter morrido na tragédia. Questionado sobre quais itens são prioridade - se comida, água, comunicações ou polícia nas ruas -, ele disse: "Todos, meu amigo. Todos.” http://br.noticias.yahoo.com/s/16012010/48/manchetes-presidente-haiti-ve-destruicao-similar.html
Haiti earthquake aftermath
O histórico de resistência às civilizações cristãs é um marco na história da população preta mundial. O Haiti representa o não a escravidão e a exploração e, por isso juntamente com o Zimbábue na África são “maus exemplos” a dominação econômica, cultural e racial cristã e branca ocidental. Por isso estão no patamar dos países mais pobres do planeta. A mídia eurocêntrica em um momento tão grave e de solidariedade ainda ataca o Haiti, tire suas próprias conclusões assistindo Arnaldo Jabor falando sobre a situação . Lamentável!!! Arnaldo Jabor fala sobre a situação do Haiti - 13/01/10 Sobre o movimento de resistência e libertação no Haiti leia o nosso artigo: A REVOLTA DE ZAMBA BOUKMAN: O OGAN QUILOMBOLA
Em 1988, estive na cidade Colón no Panamá em um encontro de Teologia e conheci três pessoas bem interessantes, uma jovem preta dominicana e dois haitianos, sendo um deles, católico e outro praticante de religião de matriz africana. A dominicana falava bem o português porque tinha passado um período em São Paulo e tentava me convencer que eu não era negro, eu era diferente dos haitianos, eles eram negros e nós, a dominicana, os negros de outros países e eu não éramos negros. A discriminação dos dominicanos contra os haitianos é um fato ainda não digerido por mim, como o colonizador conseguiu nos dividir de uma forma tão violenta, africanos seqüestrados. O haitiano católico também discriminava o outro haitiano por dizer ser o mesmo de origem bantu e afirmar que os negros que praticavam o “vodu bantu” eram os mais ignorantes de todo o Haiti. O que muitos chamam de vodu ou vodu haitiano é uma versão de cerca de tradições religiosas do que é agora o Benin, Togo, Nigéria e Congo. Há uma elite formada de pessoas mais claras, os mestiços e brancos, demonstrando um muro racial dentro da comunidade haitiana. Inclusive a declaração do cônsul geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, gerou protestos de diversas organizações:
DESGRAÇA NO HAITI ESTÁ SENDO BOA PARA NÓS AQUI E FOI CULPA DA MACUMBA, DIZ CÔNSUL NO BRASIL
Estes fatos nos trazem a reflexão do racismo e intolerância com o povo haitiano, vítima de um desastre natural ocorrido, o qual não sabe das conseqüências trágicas que ainda ocorrerão no nível de endemias, e outras mazelas.Além disso, líderes religiosos aproveitam o desastre para divulgar ideologias racistas contra o povo preto no planeta, como se eles não fossem descendentes diretos dos algozes da população haitiana e de toda população outrora escravizada, onde seus ancestres através da guerra fizeram prisioneiros, para serem vítimas da exploração econômica nas Américas e herdeira da pobreza, da intolerância e de todas outras formas de violência, até os dias atuais:
“O evangélico americano Pat Robertson, que anima um programa de TV, lançou uma polêmica nos Estados Unidos ao explicar que o terremoto que arrasou Porto Príncipe seria a consequência de um "pacto com o Diabo" selado pelos haitianos há dois séculos para se livrar dos franceses. "Eles se reuniram e selaram um pacto com o Diabo. Disseram a ele: 'serviremos a você se nos livrar dos franceses'. A história é verdadeira. E o Diabo respondeu: 'está certo'", relatou Pat Robertson, 80 anos, que foi candidato às primárias republicanas para a eleição presidencial de 1988. "Desde então, eles são vítimas de uma série de maldições", afirmou o evangélico, comparando a situação no Haiti com a do país vizinho, a República Dominicana, relativamente próspera.”
Declaração do Pastor Pat Robertson sobre pacto demoníaco feito pelo Haiti:
O tele-evangelista Pat Robertson exprime a idéia da maioria dos protestantes históricos no Brasil: Batistas, Presbiterianos, Metodistas, Anglicanos, Luteranos, das igrejas pentecostais e neopentecostais. Ele fala diretamente ao subconsciente de milhões de “evangélicos” que entendem que a prosperidade financeira é uma benção de Deus, por isso, o crescimento da Teologia da Prosperidade.
Pat Robertson é herdeiro do preconceito de uma sociedade sulista norte-americana que linchava e enforcava negros e descaradamente iam para as igrejas batistas, presbiterianas, anglicanas, pentecostais e outras aos sábados e domingos louvar e cantar ao Deus Cristão. Destas igrejas que vieram os missionários para o Brasil “evangelizar” e alienar os negros, que se tornaram os que mais odeiam a sua ancestralidade africana e se tornaram pessoas sem identidade, os quais se espelham na identidade do opressor cristão branco que os evangelizou. Pat Robertson e as igrejas que fazem missão no Haiti continuam a agredir e disseminar como lobos vestidos de ovelhas o racismo anti-preto. Os batistas brasileiros reforçam a idéia de Pat Robertson, neste artigo:
Batistas: Por um novo HaitiPor Marcia Pinheiro
“Desde 2008 os batistas brasileiros estão presentes no Haiti através de missionários da própria terra, conveniados com Missões Mundiais. Atualmente são 11 obreiros que trabalham na plantação de igrejas, evangelização, formação de liderança e em projetos sociais. Eles trabalham para mostrar o amor e a misericórdia do verdadeiro Deus àquela população que, em sua maioria, vive na mais profunda pobreza material, mergulhada na idolatria e feitiçaria, e escravizada pela prática do vodu.”
Inclusive é engraçado a IURD falar aos quatro ventos de tanto poder que possui que os seus pastores e familiares no Haiti não foram atingidos pelo terremoto e nem o templo destruído. O Poder está na IURD. Imagine o resultado como mensagem poderosa a milhões de pretos que seguem essa igreja e demonizam os africanos e afro-diásporicos?
DEUS GUARDA, OS QUE GUARDAM A SUA PALAVRA !
“Os pastores e membros da Igreja Universal do Reino de Deus no Haiti não foram atingidos pelo terremoto que abalou a capital do país, o Universal.org apurou hoje.Os pastores Pedro e Marciano, encarregados do trabalho da Igreja no Haiti, confirmaram que todos os pastores e suas famílias estão bem, e até agora não houve registro de vítimas entre os membros da igreja. O edifício da IURD sofreu poucos danos, apenas uma parede rachada.” http://www.movimentouniversal.com.br/terremoto-no-haiti-nao-atinge-membros-da-iurd%E2%80%8F/
"Deus é soberano e justo, perdoa quem Ele quer perdoar e castiga quem Ele quer castigar (Romanos 9:15-16). E quem somos nós para censurarmos o que Ele faz ou deixa de fazer? (Romanos 9:20).
O mundo inteiro está sob a Sua ira santa e se Ele ainda não descarregou os Seus castigos sobre o Brasil, por causa da idolatria, da imoralidade e da incredulidade que tem grassado aqui (inclusive em algumas igrejas ditas evangélicas), é porque tem sido misericordioso demais com este país.
Lamento e até tenho chorado, emocionada, ao ver as manchetes que a TV tem apresentado sobre a enorme catástrofe que se abateu sobre o Haiti, mas os crentes bíblicos já podiam esperar que isto acontecesse, a qualquer momento, pois além da situação geográfica muito perigosa, o país tem se dedicado à prática do voodoo, há mais de 200 anos. Isto significa que Satanás e não o Senhor Jesus Cristo é o “deus” adorado naquele país pobre e atrasado.
Cada vez que eu lia um texto escrito por missionários batistas americanos, mostrando a adoração que o povo daquele país tem feito aos demônios, ficava me indagando até quando Deus iria suportar tanta iniquidade religiosa, antes de despejar a Sua ira sobre aquele povo infeliz. Deus é tão bondoso e paciente que suportou tudo, por muitas décadas, e somente agora resolveu agir. Isto porque, provavelmente, o Seu Filho está preste a regressar à Terra e o Pai está começando a purificar o que há de pior na mesma.
Nós, os crentes, devemos nos acautelar e seguir os mandamentos de Sua Palavra, pela qual seremos julgados, pois, conforme lemos na 1 Pedro 4:17, “Já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus”... E, com tantos crentes rebolando dentro das igrejas “animadas”, nesta cidade serrana, poderemos ser os primeiros a sentir o peso do castigo divino.
Certa vez, um engenheiro me contou que Teresópolis foi construída sobre um pântano (não sei se é verdade) e que, um dia, todo o seu chão de concreto poderá explodir, se forem dadas descargas sanitárias de uma só vez. Isto me deixou apavorada!
Voltando ao assunto do Haiti, vejamos abaixo as colocações de um irmão (batista) muito sábio e querido, moysesmagno@ hotmail.com sobre o assunto:
1. O Haiti foi dedicado ao "voodoo", em 1791.
2. O "voodoo" é uma mistura de espiritismo africano e bruxaria. 3. O presidente Jean-Bertrand Aristide, em 1991, REDEDICOU o país ao "voodoo". Ele foi deposto, logo após.
4. 75% dos haitianos professam o "voodoo" , junto com os católicos romanos. 5. A padroeira dos romanistas é a "sra. do perpétuo socorro" (Vade retro!). 6. Os evangélicos,com aproximadamente 20% de presença,são,até ,perseguidos por pregarem a Verdade.
"Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança" (Salmo 33.12).
"Não erreis: deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6.7).
É deveras interessante o artigo escrito pelo Pastor metodista Zé Do Egito que em um trecho diz:
“Concluo, dizendo que: Minha leitura bíblica me diz que o demônio escraviza, mostrando-me que, ele veio para roubar, matar e destruir. Com base nesse meu pensar eu gostaria de lembrar ao Cônsul, ao Pat Robertson e a outros que pensem iguais a eles, que, quem praticou roubos, morticínios e destruições de culturas e civilizações inteiras com maior eficácia e freqüência foram os chamados colonizadores europeus.
Além desse lembrete, deixo as seguintes indagações:
Se o diabo veio para roubar, matar e destruir: qual o espírito que movia a cristandade nas Cruzadas, inquisições, colonizações e outas atitudes que mataram a milhares de pessoas?
Sendo assim, quem mais se aproxima mais de ligações com o diabo? Os dominados, ou seus dominadores?”
A ajuda humanitária dos países ocidentais não é 0,1% do que foi e é subtraído dos países africanos na invasão, colonização, escravidão, neo-colonialismo e atual exploração da África e nem da apropriação da mão-de-obra escravizada que passaram os africanos no Haiti e nas Américas.
Estamos caminhando para a grande festa brasileira do carnaval daqui a alguns dias e torna-se necessário que as “lideranças do Movimento Negro” possam mobilizar as organizações em uma grande campanha pan-africana de solidariedade aos nossos irmãos haitianos. Já há organizações que estão se mobilizando. As grandes escolas de samba que gastam milhões para se apresentarem deveriam abrir os seus barracões para receberem pelo menos um litro de água potável, neste momento de sofrimento, desespero, sede, fome e luto dos nossos irmãos e irmãs haitianos.
Os negros do cristianismo que ofertam milhões de reais diariamente e mensalmente nas igrejas católicas e evangélicas possam doar em suas igrejas, pelo menos uma garrafa de água mineral. Não são somente nossos irmãos por serem seres humanos. São nossos irmãos e irmãs por serem oriundos da Mãe-Africa.
Milhares de mortos estão ainda nas ruas de Porto Príncipe e você o que estás fazendo para ajudar os sobreviventes haitianos?
O historiador não é um colunista que escreve para agradar os seus leitores. A função do historiador é retratar a verdade histórica independente que os agrade ou desagrade. Nós, pretos e pretas, esquecemos de uma boa parcela da nossa história porque ela não foi repassada totalmente através da tradição oral pelos nossos ancestrais ou não foi documentado por nós no sequestro que nos foi imposto, isto não quer dizer que estes fatos foram apagados, pois, as fontes primárias e secundárias estão sendo redescobertas e pesquisadas, aliadas as pesquisas arqueológicas e outras fontes de estudos como a oralidade afro-asiática e afro-americana.
A escravização dos africanos teve como algozes nações muçulmanas, cristãs e com importante participação ativa dos judeus, sempre é bom ressaltar que os judeus ao qual nós referimos, não são os hebreus. Os judeus são europeus askenazis e sefardistas que enriqueceram com o tráfico escravagista especialmente de hebreus na África.
Há muitos estudos sobre o tráfico transatlântico que analisam a rota maldita de homens, mulheres e criança, prisioneiros de guerras feitas no continente africano por cristãos e judeus. Novas descobertas surgem a todo o momento, outrossim, sabemos que muito há ainda de ser escrito porque há casos encobertos e manipulados. Especialmente no tráfico feito pelo Islã pela rota através do Oceano Indico. Alguns historiadores estimam que entre 11 e 18 milhões de escravizados africanos cruzaram o Mar Vermelho, Oceano Índico e o Deserto do Saara ou mais de 9.4 a 14 milhões de africanos sequestrados para as Américas no Comércio escravista transatlântico . Muitos escravizados africanos foram transformados em eunucos, uma violência dos árabes muçulmanos praticando a mutilação genital contra os homens pretos, castrando-os: The Islamic slave trade : the untold story - (part 3 of 5)
Conforme Bokolo de Elikia M', abril 1998, Diplomatique do Le Monde: “O continente africano foi sangrado de seus recursos humanos através de todas as rotas possíveis. Através do Saara, através do mar Vermelho, dos portos do Oceano Índico e através do Atlântico. Pelo menos dez séculos de escravismo para o benefício dos países muçulmanos (do nono ao décimo nono séculos).“ Continua: “Quatro milhões escravos exportados através do mar Vermelho, outros quatro milhões com portos Swahili do Oceano Índico, talvez tanto como nove milhões ao longo da rota da caravana transporte transariano, e onze a vinte milhões” O racismo da elite muçulmana foi profundo e se agravou quando o império se tornou cada vez mais dependente do trabalho escravizado. Por exemplo, o famoso historiador muçulmano, al-Mas'udi, afirma as dez qualidades dos africanos, deste modo: "sobrancelhas finas, cabelos carapinha, nariz largo, lábios grossos, dentes afiados, pele fétida, sem inteligência, mãos e pés deformados, pênis alongado e alegria excessiva, certamente a pessoa com tez preta (al-Aswad) é esmagada pela alegria devido à imperfeição de seu cérebro e, portanto, seu intelecto é fraco" Ibn Khaldun, um dos mais proeminentes historiadores árabes, fundador da sociologia cinco séculos antes de Auguste Conte (1840), possuía preconceito contra os pretos africanos: "Portanto, as nações de negros são, em regra, submissas à escravidão, porque [os negros] tem pouco [que é essencialmente humano] e têm atributos que são bastante semelhantes aos animais mudos. No que tange aos prisioneiros de guerra feitos pelo islamismo as discussões são recentes e dificilmente analisada nos centros acadêmicos e no chamado Movimento Negro no Brasil. O Islã escravizou milhões de africanos especialmente hebreus na África e neste artigo iremos discorrer de uma das revoltas de africanos escravizados por muçulmanos, considerada como a maior. A rebelião Zanj, uma série de revoltas que tiveram lugar ao longo de um período de quinze anos (869-883 d.C), perto da cidade de Basra (também conhecida como Basara) na região do Iraque no dias atuais. Em 868 d.C, o império islâmico Abássida teve a sua capital em Bagdá, durante mais de um século. Foi o momento na história islâmica, quando o Oriente Médio estava em evolução. O império abássida era o maior do mundo, indo da costa atlântica da África do Norte no Ocidente até as fronteiras da China no Oriente. Bagdá era uma metrópole de um milhão de pessoas, um centro inovador em ciências, filosofia, literatura e música. Com todo o seu poder, o império Abássida no século IX enfrentou um problema sério para se manter economicamente: recursos humanos. Assim, os turcos são trazidos como soldados, e milhares de africanos da África Oriental são raptados para o Oriente Médio como escravizados, oriundos do Quênia, Tanzânia, Etiópia, Malawi e Zanzibar (ilha ao largo da costa da Tanzânia continental Zanj que deu o seu nome). Historiadores são incertos sobre quando e como o Zanj chegou pela primeira vez no Oriente Médio, mas ambos os poderosos impérios islâmicos que dominaram a região durante este período, o califado Omíada (661 - 750) e do califado Abássida (750 - 1258), foram conhecidos por terem reduzidos africanos a escravidão. Escritores árabes chamaram a estes povos de língua Bantu da África Oriental do Zanj, que significa "negro". A visão negativa sobre os africanos é exemplificada na seguinte passagem do Kitab al-wah Bad '-tarikh, vol.4 pelo escritor medieval árabe Al-Muqaddasi: - "Quanto ao Zanj, são pessoas de cor preta, nariz achatado, cabelo crespo, e pouca compreensão ou inteligência." Al-Jahiz também afirmou em seu Kitab al-Bukhala ("avareza e dos avarentos") que: - "Nós sabemos que o Zanj (negros) são os menos inteligentes e menos exigentes da humanidade, e os menos capazes de compreender as conseqüências de suas ações." Al-Dimashqi (Ibn al-Nafis), diplomata árabe, também descreveu os habitantes do Sudão e da costa Zanj: "... as características morais encontrados na sua mentalidade se aproximam das características instintivas encontrada naturalmente em animais." Outro exemplo, o historiador egípcio Al-Abshibi (1388-1446) escreveu: - "Diz-se que quando o [preto] escravo está saciado, ele fornica, quando ele está com fome, ele rouba." A tática dos escravistas era que o povo Zanj não conhecia a língua árabe, e esta dificuldade tinha por objetivo particularmente de se tornarem dóceis. Isso também ocorreu nas Américas com os nossos ancestrais. Os Zanj em condições de extrema miséria foram obrigados a trabalhar no sul do Iraque, limpando o solo pantanoso de uma rocha dura de camada de sal em terríveis condições úmidas, com vários metros de espessura que cobriam a terra. Os fazendeiros árabes obrigavam o trabalho extremo da retirada de toneladas de sal antes que eles pudessem cultivar a terra, desenterrado camadas de solo arável e arrastado toneladas de terra para o trabalho intensivo de plantas de culturas como a cana de açúcar. Possuíam uma dieta alimentar pobre composta basicamente de tâmaras, semolina e pouca farinha, além da exploração do trabalho brutal e extenuante, inevitavelmente, conduziu os Zanj à rebelião, envolvendo 500.000 escravizados. Esta Revolta não foi à primeira registrada na região do sul do Iraque: um escravizado negro, Rabah Shir Zanji (o "Leão do Zanj"), liderou uma rebelião em Basra, em 694-695 d.C. Revoltas armadas continuaram a entrar em erupção nesta parte do Golfo Pérsico, mas a rebelião Zanj do final do século nono estava em uma escala sem precedentes. Em toda história escrita pelos vencedores, existem relatos que precisam ser melhores investigados, de que um homem misterioso, foi aos escravizados Zanj e lhes prometeu uma vida melhor neste mundo, e no próximo. Dizendo que Deus lhe havia ordenado para liderar o Zanj na guerra. Seu nome era Ali Bin Muhammad e reivindica a linhagem do Profeta. Disse: "Uma nuvem lançou uma sombra sobre mim e um trovão ressonou nos meus ouvidos e uma voz se dirigiu a mim. " A maior dessas revoltas durou quinze anos, 868-883, durante o qual os africanos derrotam após derrota infligida sobre os exércitos árabes enviou para reprimir a revolta. É importante ressaltar que as forças Zanj foram rapidamente aumentadas por grandes deserções em massa dos soldados negros sob o emprego do Califado Abbassida em Bagdá. Zanj infligiram derrotas severas sobre os exércitos do Califado. A revolta foi chamada de "revolta ou rebelião negros Zanj. Durante catorze anos, os Zanj venceram as batalhas e construíram a sua própria república, que incluíam no seu auge seis cidades, chegando a 70 quilômetros de Bagdá. Os historiadores árabes lembram o que chamam do dia "infame das barcaças", quando o líder Zanj apreendeu 14 navios. Os proprietários tentaram juntar os seus barcos, de modo a formar uma espécie de ilha, mas a liderança Zanj enviou reforços para garantir uma grande vitória. Eles dominaram os barcos, mataram os homens a bordo, libertaram os escravizados, tomaram tesouros cujo valor não pode ser estimado, e a luta ocorreu três dias seguidos, ocuparam a cidade matando muitos dos seus habitantes. O povo Zanj construiu sua própria capital, chamada Moktara, significa "Cidade Eleita” que cobria uma grande área e floresceu durante vários anos. Eles ainda cunharam sua própria moeda e realmente dominaram o sul do Iraque. O exército Abássida estava ocupado apagando incêndios em todo o império, mas naquele momento, o Zanj se tornou o inimigo número 1. O califa de Bagdá decidiu ordenar ao chefe do exército para concentrar o seu poder de fogo contra os rebeldes Africanos, e era apenas uma questão de tempo. A rebelião Zanj só acabou sendo suprimida com a intervenção de grandes exércitos árabes, inclusive através do reforço das tropas egípcias, e a lucrativa oferta de anistia e as recompensas para qualquer rebelde que optasse por se render. Não devemos esquecer que essas informações são de historiadores árabes. O Exército cercou a capital da República Zanj e, no assalto final, os Zanj foram dispersos, e o líder Bin Mohamed Ali, morto, com a cabeça espetada num poste e os vencedores desfilaram pelas ruas de Bagdá. A derrota final da rebelião, não resultou na reintrodução da escravidão em massa, mas na integração dos rebeldes nas forças do governo central, na verdade a maioria dos escravizados foram mortos sofrendo imensas brutalidades. Estes eventos foram escritos por historiadores árabes, em particular al-Tabari, são relatos de vencedores que escrevem a história conforme os seus desejos. Os Zanj nunca contaram o seu lado da história. Os historiadores árabes consideram as rebeliões Zanj como subversivas, e são lembrados como “inimigos", Um dos líderes Zanj Ali bin Muhammad foi amaldiçoado e apelidado de "o abominável". When "Negroes" dominated "Arabs" part 2 (Zanj revolt) O povo africano sempre se afirmou no mundo conquistando a sua dignidade básica, defendendo e exigindo seus direitos humanos inalienáveis. O povo africano em todo o planeta nunca aceitou a escravidão e nem se humilhou aos seus opressores.
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