segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A FOME NA ÁFRICA - OS MITOS DA FOME AFRICANA

Por Aidan Foluke, membro da COPATZION, Tesoureira do CNNC/BA e Acadêmica de Enfermagem. E-mail: vanessasoares13@hotmail.com

Skype: aidanfoluke


Um dos primeiros relatos bíblicos sobre a fome está relacionado com KEMET onde José interpreta um sonho do faraó e abastece os celeiros por 07 anos, e torna-se a salvação para todas as nações circunvizinhas e por este motivo os hebreus foram residir em Kemet. A África sempre é relacionada como local de bênçãos tanto assim que lá foi o Jardim do Éden.

No dia 16 de outubro, dia Internacional contra a fome, os olhos do mundo se voltam para as populações pretas no planeta que é sua maior vítima. Esta data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Interessante lembrar que algumas nações participantes da ONU foram às principais colonizadoras e destruidoras do equilíbrio do continente Africano. Celebrado em mais de 150 países o dia mundial contra a fome (ou dia mundial da alimentação) tem como objetivo conscientizar a humanidade sobre a difícil situação enfrentada pelas pessoas que passam fome e estão desnutridas, e promover em todo o mundo a participação da população na luta contra a fome.

Segundo dados da ONU, 854 milhões de pessoas sofrem de fome em todo mundo, e, aproximadamente 24 mil pessoas morrem de fome por dia. Desses, estima-se que 16 mil sejam crianças.

A maioria das pessoas quando ouve a palavra África associa à pobreza, AIDS, guerras étnicas, pecado, demonismo e principalmente a fome. O Continente-Mãe se tornou o modelo da morte (vitória do colonizador- cristão imperialista que conseguiu desestruturar sociedades equilibradas).

Inventaram mitos para culpar os próprios africanos e afro-diásporico da pobreza e da fome, fazendo com que fossem esquecidas as causas do empobrecimento da população: Colonialismo e Racismo - de mãos dadas se apropriaram das riquezas naturais, escravizaram e mudaram hábitos alimentares e de cultivos, escondendo os reais motivos do empobrecimento e da fome dos pretos no planeta.

Poverty in Africa - In your Eyes




Entre algumas mentiras propagadas, destacamos:

A NATUREZA É A PRINCIPAL CAUSA DA FOME NA ÁFRICA - MENTIRA

Ecologicamente equilibrados os sistemas alimentares africanos foram prejudicados, pois as melhores terras agrícolas foram tomadas para o cultivo de café, cana de açúcar, cacau e outras colheitas de exportação que eram vistos como os meios para o desenvolvimento econômico de acordo com a teoria neoclássica da vantagem comparativa. Privados e fundos do governo foram investidos para desenvolver estas culturas, enquanto a produção de alimentos para a maioria pobre foi negligenciada. Milhões de hectares de florestas e árvores foram destruídos, roubando a terra do reabastecimento orgânico. Culturas de exportação como algodão, amendoim e tabaco absorvem grandes quantidades de nutrientes do solo. Após a colheita de cada ano, o solo foi deixado nu e desprotegido levando a erosão acelerada. É esta infeliz, mas evitável situação que tem contribuído para a fome provocada pela desertificação de vastas áreas na África.

A FOME É CAUSADA PELA SUPERPOPULAÇÃO - MENTIRA

Contrariamente à opinião popular, a fome não é causada pela extrema densidade populacional. Se fosse, nós esperaríamos encontrar fome generalizada em países densamente povoados como Japão e Holanda e pouca ou nenhuma fome nos países de baixa densidade populacional como o Senegal e Zaire, onde, de fato, a desnutrição e a fome são comuns.
Os africanos usam uma porcentagem muito pequena dos recursos do globo. Por exemplo, 850 milhões de habitantes da África (11,3 % da população mundial) consomem apenas 2,4 % da energia comercial do mundo, enquanto 300 milhões de pessoas os EUA (4,9 %da população mundial) consomem 25,1%
É verdade que a taxa de crescimento da população da África (3,0% por ano) é maior do que a de qualquer outro continente. É importante, no entanto, para compreendermos a relação real entre as taxas de crescimento populacional e da fome. Elevadas taxas de crescimento da população não causam fome. Ao contrário, ambos são conseqüências das desigualdades sociais que privam as maiorias pobres - especialmente mulheres - da segurança e oportunidade econômica necessária para que optar por ter menos filhos.

OS GOVERNANTES AFRICANOS SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA NÃO PRODUÇÃO DE ALIMENTOS - MENTIRA

Para colocar toda a culpa nos governos africanos é dar a entender que eles só controlam o destino dos seus países. As forças que institucionalizou a fome em África são compostas por corporações transnacionais, os governos ocidentais, agências internacionais e as elites africanas, bem como os governos. A África é um continente diverso, com mais de 50 governos que vão desde alguns que são descaradamente anti-agricultores e de pessoas que realmente tentando ajudar a maioria pobre. Mas em cada nação, pode-se dizer que apenas quando o ganho maior controle dos recursos do seu país é que vamos ver um fim às políticas que sistematicamente empobrecem as pessoas e deixá-los vulneráveis a desastres naturais. Muitos governantes africanos se preocupam em adaptações ao modelo ocidental, apesar de um grupo de líderes estarem convictos que na formação de um modelo panafricanista ira começar a resolver as questões africanas.



O MERCADO DE ALIMENTAÇÃO MUNDIAL PODE RESOLVER OS PROBLEMAS DA FOME NA ÁFRICA - MENTIRA
A maioria das pessoas não consegue perceber que o mercado mundial é o pior inimigo da África. Quase todos os países Africanos dependem da exportação de tecnologia, alimentos industrializados e são grandes devedores internacionais. Enquanto os preços reais no mercado mundial para estes produtos têm diminuído durante o período pós-II Guerra Mundial, os preços das importações de manufaturados dos países industrializados aumentaram de forma constante. Ao longo da África Subsaariana, os preços baixos afetaram mercados e comunidades locais que dependem de um leque muito restrito das exportações. A maioria de africanos encontra-se na armadilha do "comércio", onde são forçados a produzir culturas de subsistência e continuam a viver suas vidas em extrema pobreza.

A AJUDA HUMANITÁRIA PODE RESOLVER A FOME NA ÁFRICA – MENTIRA

Os Estados Unidos e a Europa dooam grandes quantidades de alimentos de emergência para a África, o alimento que tem, sem dúvida, salva milhares de vidas. Mas, embora seja essencial para ajudar as pessoas em necessidade, é preciso lembrar que a ajuda alimentar, na melhor das hipóteses, só trata os sintomas da fome e da pobreza, e não suas causas. A ajuda alimentar pode comprometer a produção alimentar local, inundando os mercados africanos com preços dos alimentos inaccessíveis a maioria da população. A concentração da ajuda os USA e da Europa possuem objetivos estratégicos e não humanitários. De todos, os USA ajudam à África sendo que 60 % dos recursos se concentram em apenas um país: Egito. Os USA ajudam outros 53 países africanos e quase metade desta é remetida para apenas seis países (África do Sul, Moçambique, Etiópia, Senegal, Libéria e Zâmbia). A ajuda humanitária é uma falácia porque detrás há interesses de exploração e as nações mais ricas do mundo são acusadas de padrões duplos - exportam bilhões de dólares em armas para países pobres, enquanto debatem medidas para tirá-los da pobreza.

A SOBERANIA ALIMENTAR SERÁ RESOLVIDA PELA AGRA (ALIANÇA PARA UMA REVOLUÇÃO VERDE NA ÁFRICA) – MENTIRA

A iniciativa ‘Aliança para uma Revolução Verde na África’ (AGRA) financiada pelas Fundações Gates e Rockfeller chegou à África anunciando que irá ajudar os pequenos agricultores a entrar no mercado, são projetos milionários financiados para a promoção da biotecnologia na agricultura fazendo os agricultores mais dependentes de produtos químicos de alta toxicidade, sementes hibridas e plantações geneticamente modificadas, destruindo os conhecimentos ancestrais de agricultura, beneficiando os fazendeiros ricos e aumentando as dívidas dos africanos.
Em maio de 2008, delegados de organizações de camponeses de diferentes países africanos que compartilham a visão do movimento internacional camponês, La Via Campesina, se reuniram em um encontro regional em Madagascar. Eles expressaram sua oposição à introdução de políticas destrutivas que estão minando a produção local de alimentos ao forçarem os agricultores a produzir cultivos comerciais para as corporações transnacionais (TNCs) e a comprar seus próprios alimentos no mercado mundial. Os camponeses e os pequenos agricultores não colhem nenhum benefício dos preços mais altos. Plantam alimentos, mas os benefícios da colheita geralmente são tirados de suas mãos: também muito freqüentemente já têm sido prometidos aos credores, às empresas de insumos agrícolas, ou diretamente aos comerciantes ou à unidade de processamento.

As conseqüências são imprevisíveis com apropriação das terras florestais desalojando as comunidades tradicionais com monoculturas para biocombustíveis, como: jatrofa em Gana e Zâmbia; cana-de-açúcar na Uganda, Tanzânia e Quênia; dendezeiro em Benim, Camarões e Costa do Marfim. Resultado de mais miséria para os africanos e benefícios aos países ocidentais, estas políticas destrutivas estão minando a produção local de alimentos ao forçarem os agricultores a produzir cultivos comerciais para as corporações transnacionais (TNCs) e a comprar seus próprios alimentos no mercado mundial, colocando também os sistemas sociais e toda a cultura africana em maior decadência.

A ÁFRICA PAGA O PREÇO DO PECADO - GRANDE MENTIRA

De todos os mitos este com certeza é a matriz que os sustentam. Baseados na maldição do continente africano que todos os malefícios foram, são e serão feitos. A péssima interpretação, falsificação e omissão dos escritos bíblicos propiciam a total perversidade feita em África. O Cristianismo protestante e católico mantém milhares de missionários no continente africano, constroem templos majestosos e convencem os africanos que eles são amaldiçoados e precisam mudar seus hábitos culturais e renegarem os seus hábitos milenares, inclusive hábitos alimentares. Ressaltando que seus missionários serviram para observar a África e suas riquezas. Do continente abençoado a África se tornou amaldiçoada pela grande mentira das igrejas cristãs.
Conclusão
Do Saara, o maior deserto do Planeta, às riquezas em fauna e flora das florestas equatoriais da África Central. A África apresenta variações climáticas impressionantes sendo considerado o paraíso na terra. A África cobre apenas 20% do território do mundo, mas estima-se que 90% das reservas mundiais de platina e 65% dos diamantes. Ela também tem cerca de 40% de ouro e 60% de manganês e cobalto, enquanto a África do Sul reivindica 80% de cromita do mundo.
A fome entre os africanos é um objetivo mundial de destruição do povo santo, morte daqueles que são a imagem e semelhança de YAH. Pois as mesmas nações que levam a sua desarmonia para a Continente Mãe são aqueles que “desejam” criar novas formas de cultivo para atender os interesses ocidentais. Catequizar os africanos para se sentirem culpados da fome como grandes pecadores e incultos. Propagando pela mídia os modelos ocidentais de vida. Criando até uma data de reflexão das misérias feitas por eles e doando migalhas estratégicas para o povo original. Estes fatos “solidários” disfarçam os horrores que eles mesmos organizaram. A fome se tornou também uma arma política em que os países ocidentais estão projetando suas agendas nos países afetados da África. A China e a Índia são as últimas potencias na entrada do clube de exploração, ambos os países estão lutando arduamente para influenciar mais e mais países para expropriar as riquezas africanas.

The Beauty Of Africa


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

OS GRANDES MONUMENTOS DO ZIMBABWE


Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano


Agradecemos aos nossos leitores por mais de 110 mil visitas oriundas de 111 países e continuem acessando e emitindo as suas opiniões e sugerindo temas para serem discutidos. Também iremos aceitar artigos comprometidos com a questão panfricanistas a afrocentristas, basta entrar em contato com a direção do CNNC/BA, se for aprovado serão publicados.

O Zimbábue está localizado na África Austral com uma Área de 390.759 km². A população do Zimbábue, em 2005, foi estimada pela Organização das Nações Unidas em1 3.031.000, o que a colocou como número 67 na população entre as 193 nações do mundo. A prevalência de HIV / SIDA tem tido um impacto significativo sobre a população do Zimbábue. As Nações Unidas estimaram que 33,9% dos adultos entre as idades de 15-49 estavam vivendo com HIV / AIDS em 2001. A epidemia de AIDS tem elevadas causas de mortalidade na população e alta também as taxas de mortalidade infantil e baixa expectativa de vida, conseqüente da exploração invasora britânica.

O nome original é Dzimbabew: DZIMBA= Casa, IBWE= Pedra, significa Casa de Pedra. A origem desta nação remonta ao século XIV, quando uma tribo Bantu fixou-se no local. Ali se desenvolvia a civilização dos Makaranga à qual se integraram os nativos locais, o povo Chona. Mais tarde foi chamado Império do Monomotapa, ou, ainda, Mwanamutapa. No Congresso de Berlim (entre novembro de 1884 a fevereiro de 1885), a Inglaterra recebeu a região como protetorado, e para homenagear a si próprio, Rhodes a batizou de Rodésia. Depois o território foi dividido em duas áreas: a Rodésia do Norte e a Rodésia do Sul. A Rodésia do Norte conquistou a independência e rebatizou-se de Zâmbia, mas, na Rodésia do Sul os colonos brancos apropriaram-se da região implantando o sistema de apartheid, semelhante ao da África do Sul e foram derrotados pelo valoroso povo que consegui a independência em 1980, tomando então o nome de Zimbábue e a capital é a cidade de Harare.

Em 1980, Robert Mugabe, o líder nacionalista negro, foi eleito. Em 1987 foi estabelecido um regime presidencial, sendo Mugabe escolhido chefe de Estado. O Zimbábue é um país que sofre ataques diretos da mídia ocidental que tentam isolá-lo internacionalmente por causa da expulsão dos fazendeiros brancos após a independência e as terras distribuídas para os fazendeiros negros por Robert Mugabe.
A civilização do Grande Zimbábue foi uma das mais importantes do mundo e deve fazer parte dos estudos africanos e ensinados as nossas crianças e adolescentes. Os primeiros invasores a chegarem a esta região ficaram abismados com esta poderosa civilização no interior da África Austral. Um dos primeiros europeus a visitar a Grande Zimbábue foi um geólogo alemão Carl Mauch, em 1871. Como outros antes dele, Mauch se recusou a acreditar que os africanos poderiam ter construído uma rede tão extensa de monumentos feitos de pedra de granito. Assim, afirmou que os grandes monumentos de Zimbábue foram criados por personagens bíblicos do Norte: "Eu não acho que estou muito errado se supor que a ruína do morro é uma cópia do Templo de Salomão no Monte Moriá e no edifício a cópia de uma planície do palácio onde a rainha de Sabá viveu durante sua visita a Salomão”. Mauch afirmou ainda que somente civilizados (brancos) poderiam ter construído os monumentos. Interessante que a historiografia da época e ainda hoje acreditam que Makeda a rainha de Sabá e os hebreus foram brancos.
Há um grupo de hebreus que vivem no Zimabaue há muito tempo em Rusape, e possui reivindicações antigas e contemporâneas. De acordo com a tradição da comunidade, do povo banto, que a história tem provado não eram os moradores originais da África Austral, mas migrou do norte, eram realmente hebreus. A comunidade se compara favoravelmente com símbolos tradicionais banto, mas, ritos funerários, os padrões de circuncisão, os costumes matrimoniais e as práticas agrícolas, aos dos antigos israelitas. Eles estão convencidos de que são descendentes de uma tribo dos verdadeiros hebreus.

History project - Great Zimbabwe


Outros europeus especularam que os a civilização do Zimbábue foi construída por chineses, portugueses, árabes, persas ou outras civilizações consideradas superiores aos africanos nativos. E muitos afirmaram que as construções foram realizadas por uma raça branca perdida, há 1100 a.C ou por seres de outros planetas ou até pelo próprio diabo.
Cecil Rhodes e Richard Hall, e outros britânicos continuaram mentindo sobre os monumentos, removendo e destruindo uma importante parte do sitio arqueológico.
Em 1905, o arqueólogo britânico David Randall-MacIver estudou os monumentos, e ele se tornou o primeiro pesquisador europeu do sitio a afirmar que as habitações eram "inquestionavelmente Africanas em cada detalhe." Após a afirmação MacIver, foi considerado autor de uma blasfêmia para os imperialistas britânicos, e os arqueólogos foram banidos do site do Zimbábue por quase 25 anos.
A arquitetura do Grande Zimbábue foi uma das mais desenvolvidas do planeta, são quinhentas impressionantes estruturas. A maioria delas tem a forma cônica. O lugar apresenta uma extensão de aproximadamente 385 km², no mais alto planalto da África Austral. Estas belíssimas construções foram feitas de pedra, divididas e separadas em blocos e colocadas juntas com algum desconhecido método e sem usar argamassa. É considerado o mais importante de toda a África só sendo superado pelo sitio do Vale do Nilo com as suas pirâmides. Na região foram encontrados fósseis que datam de 500 mil anos antes de Cristo e se desenvolveu uma das culturas mais avançadas do continente, comparável à de Khemth, Kusch, Mali, Axum e à da Abissínia, nos tempos da Rainha de Sabá.

Na cidadela, haviam sido encontrados alguns pássaros de pedra sabão, colocados em cinco pesados pedestais de pedra. Um número de achados que nos remetem a antiga civilização Egípcia e a América Pré-Colombiana.
Tem sido teorizado que as construções vieram do norte da África, mas não contém inscrições, que possa solucionar uma mínima parte do grande mistério que ronda as ruínas.

Contudo, muitos artefatos foram desenterrados como jóias e braceletes da Arábia, objetos trabalhados na Índia. Distinguem-se três importantes construções: um templo oval cercado por uma muralha de 2,5 km com 9m de altura e 4,5m de largura; no interior da muralha erguem-se duas torres, a maior, com 10m de altura; e mais, uma fortaleza e casas. A pesquisa arqueológica e histórica também encontrou objetos de ouro, cobre bronze, jóias, marfim e gemas preciosas, alguns destes, oriundos da Índia e da China, esculturas de pedra e desenhos
O arqueólogo e jornalista francês Robert Charroux disse: "No meio das ruínas, mas em bom estado de preservação, nós encontramos, como em Machu Picchu, no Peru, altas torres ovais como silos, sem fendas nas paredes, só poderiam ser habitadas por homens voadores. Machu Picchu é conhecido como: o domicílio dos homens voadores."
Os complexos do vale são dominados pelo Huru Imba. A altura da parede principal do Huru Imba é de cerca de 32 pés, que é de 800 metros de comprimento, e utiliza uma surpreendente 15.000 toneladas de blocos de granito. Os blocos impressionantes foram construídos sem argamassa. A construção deste complexo teve habilidade, determinação e indústria, e assim o Huru Imba demonstra um elevado nível de concretização administrativa e social, reunindo pedreiros e outros trabalhadores em grande escala.
A extensa rede de negócios feitos no Grande Zimbábue uma das regiões comerciais mais importantes do continente africano. Os itens de negociação principais foram de ouro, ferro, cobre estanho, gado, e também conchas de búzios. Encontraram vidros da Síria, uma moeda cunhada em Kilwa, Tanzânia e persa e cerâmica chinesa a partir do 13-14 º séculos. O Grande Zimbábue foi um importante centro comercial e político. Além de estar no coração de uma rede comercial extensa. O local foi o centro de um poderoso reino político, que estava sob um governante central cerca de 350 anos (1100-1450 dC). Muitos escritores ocidentais têm tentado reduzir a importância do Grande Zimbábue criando especulações absurdas por não aceitarem que as civilizações pretas foram às matrizes de todo o conhecimento humano e civilizatório.
Os exploradores-invasores europeus saquearam e roubaram grande parte da riqueza. O sitio arqueológico está muito violado, sendo destruído e artefatos levado para vários museus em toda a Europa, América e África do Sul.
Atualmente mais de 20.000 turistas visitam o sitio todos os anos e continuam a causar danos às ruínas, enquanto esses turistas violam as paredes para encontrar emoções e lembranças. Hábito dos ocidentais de destruir os sítios arqueológicos do povo preto.

Grande Zimbábue foi utilizado e construído como um centro religioso e um lugar de onde eles adoraram Mwari, o criador de toda a vida, bem como o sustentador de todas as coisas e tem o status de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1986. As construções do Grande Zimbábue comprovam o desenvolvimento tecnológico das primeiras civilizações do planeta que surgiram no continente africano. A historiografia ocidental tenta a todo o custo esconder a verdadeira história da África e nesse mês de novembro, infelizmente, muitos professores vão trabalhar o chamado folclore e perdem uma grande oportunidade de falar para os estudantes que são descendentes de civilizações aguerridas e desenvolvidas que foram os primeiros habitantes do planeta e conhecedores de toda a ciência. Ter consciência negra é conhecer o seu passado histórico para poder desenvolver o seu presente com orgulho de ser afro-diásporico.

Zimbabwe - The Great Zimbabwe Ruins

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CRIANÇAS PRETAS USADAS COMO ISCAS DE JACARÉS - TORTURA NA ESCRAVIDÃO


Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

A história da escravidão precisa ser recontada sem esconder os atos de desumanidade e humilhação que passaram os nossos ancestrais concomitantemente com a resistência impetrada de heroísmo que permitiram a nossa sobrevivência em terras estranhas. Há um esquecimento premeditado das diversas facetas do cotidiano do escravizado, e muitos professores evitam falar das torturas sofridas pelos nossos antepassados, alegando que as nossas crianças já passam por diversos sofrimentos e relembrar fatos de extrema violência perpetrados pelo homem branco cristão escravizador afetará a auto-estima da criança e servirá de chacota em salas de aula. Os educadores estão errados, porque a história não deve e nem pode ser escondida e remodelada conforme os gostos dos acadêmicos que vivem enfeitando a escravidão para suprir a falsa democracia racial. Na história da escravidão ocorreram diversas torturas independentes de gênero e idade. As mais horripilantes se referem às crianças pretas e, na memória dos africanos nos Estados Unidos remete quando foram usadas como iscas para jacarés na Flórida


Logo após a guerra civil americana foram criadas diversas imagens retratando o horror da escravidão como uma afronta ao povo preto, especialmente as lembranças de Iscas feitas com crianças pretas. Nesta imagem ao lado reparem como a imagem da criança é animalesca.
As imagens são temáticas de jacarés. A análise de uma grande coleção de artefatos com imagens de africanos pelos racistas americanos revela vários temas de interesse comum. Um deles é o retrato do povo preto (muitas vezes nu), em especial as crianças, como alimento para os jacarés. Imagens de pretos como "iscas de jacaré" pode ser encontrado em gravuras, postais, e mesmo na publicidade de produtos. Alguns modernos itens ainda conectam as pessoas pretas aos jacarés famintos.

Abaixo estão expostas algumas imagens que refletem a violência racial e os seus próprios olhos te ajudarão refletir sobre os objetivos humilhantes que serviram para atacar todo um povo afro-diásporico:



Na campanha presidencial dos Estados Unidos no ano passado na convenção nacional do partido republicano um representante da Flórida foi com um chapéu de jacaré relembrando esse massacre do povo preto. Repare os detalhes e tire a sua própria conclusão:

É um chapéu de jacaré, com um boneco semelhante ao candidato presidencial Barack Obama nas mandíbulas.



Black babies used for alligator bait


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

CESARE BORGIA – O GAROTO PROPAGANDA DO VATICANO

Por Ademário Ashanti, Professor e Pan-Africanista e Afrocentrista.
E-mail: ademaravilha@yahoo.com.br

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. João 8:32


A força propulsora que me moveu a produzir este texto vem da minha fé e esperança de que um dia a Nova Jerusalém seja estabelecida para todo o sempre, livre das garras de Lúcifer e de seus anjos malignos que governam este Sistema de Coisas. Sistema este que tem na Besta do Apocalipse sediada em Roma um dos seus mais autênticos representantes.
A falsificação da verdade, a camuflagem e o estabelecimento do europeu à “imagem e semelhança” do Filho de Deus, o negro Yahoshua, o Leão Conquistador da tribo de Judá, tem sido a tática mais perversa imposta pela Europa para o domínio dos povos africanos, asiáticos e americanos a nível psicológico, religioso e político. Esta tática tinha como objetivo principal, a negação dos verdadeiros hebreus ao mundo, enquanto os askenazis e sefardins se apropriavam da identidade dos hebreus e da terra prometida (Israel) e apoiados pelo Vaticano escravizaram os negros semitas (hebreus) aqui na América.
Tomo como exemplo a “imagem de Cristo” que é usada como modelo desde o Renascimento europeu, especificamente o italiano. Nela o modelo utilizado em nada identifica a verdade histórica. Trata-se de um homem comum que viveu na Itália Renascentista: ele chamou-se Cesare Borgia. Este é o Garoto Propaganda do Vaticano que “deu certo”.
ESTAS IMAGENS REPRESENTAM A MESMA PESSOA: CESARE BORGIA (O ANTICRISTO)

Cesare Borgia/The Deceiver (Cesare Borgia/ O Enganador)


Vejamos um pouco a biografia dele e decidam vocês se o mesmo teve uma vida que justificasse tal honra:
Como a maioria dos segundos filhos da nobreza italiana, César foi educado em seus primeiros anos para se tornar um homem da Igreja, como seu pai o Papa Alexander VI. Indubitavelmente seu caráter não era de um religioso. Como o pai, Cesare foi um bi-sexual, e suas ligações femininas e masculinas são amplamente reconhecidas desde sua adolescência. Foi apontado como amante de sua própria irmã Lucrecia Bórgia.
Abandona a carreira eclesiástica (para a qual tinha pouco gosto), utilizando como justificativa o assassinato do seu irmão João, (assassinato este cometido pelo próprio Cesare Borgia), o qual deveria substituir nos assuntos temporais (João era capitão das forças militares do papado). Feito Duque Valentino em 1498 pelo rei Luís XII de França, que queria um papa aliado, Cesare Borgia tornou-se modelo para o livro O Príncipe, de Maquiavel. Calculista e violento tentou, com o apoio do pai, constituir um principado na Romanha em 1501. Posou para Michelangelo a pedido do pai, Papa Alexander VI, para substituir a imagem do verdadeiro Messias (Yahoshua) que até então era representada na sua cor original, negra, tanto em Roma quanto nas principais catedrais européias, asiáticas e africanas. Foi um projeto maligno e satânico concebido pelo Vaticano para substituir e apagar da memória histórica todas as personagens bíblicas reais hebraicas negras por imagens caucasianas.
No dia 31 de dezembro de 1502, para se livrar de seus inimigos (entre eles, Oliverotto de Fermo), convidou-os para seu palácio de Senigallia, depois os aprisionou e assassinou-os. Após a morte de seu pai, foi encarcerado sucessivamente pelo Papa Júlio II e pelo rei de Castela. Escapando daquele reino, serviu como soldado no exército de Navarra (que tinha por rei o cunhado de César), e morreu aos trinta e um anos, no ano de 1507, em Viana, na Espanha.
Ao que consta, César Bórgia foi contemporâneo do escritor Nicolau Maquiavel, tendo servido de modelo para o autor em sua obra "O Príncipe". No cinema, César Bórgia foi representado por Orson Welles no filme Prince of Foxes.
CESARE BORGIA IDOLATRY V. ORIGINAL BLACK ETHIOPIAN YESUS!



É triste e vergonhoso ver muitos IRMÃOS PRETOS em suas Igrejas louvarem diariamente a este "Yahoshua" fictício. Mas o apóstolo João nos testifica: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". João 8:32
Esta é a nossa esperança e a nossa missão.
Diga não a esta farsa e não a este garoto propaganda imposto pelo Vaticano Renascentista. Shalom!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA - VIOLAÇÃO DO CORPO DA MULHER

Por Aidan Foluke, membro da COPATZION, Tesoureira do CNNC/BA e Acadêmica de Enfermagem. E-mail: vanessasoares13@hotmail.com

Skype: aidanfoluke


Desde os primórdios as questões fisiológicas feminina sempre foram ponto de questionamento, principal quanto se fala nos seus órgãos sexuais/reprodutores. Sabe-se que o sistema reprodutor feminino é divido em órgãos genitais internos e externos. Na sua porção interna encontramos o útero, tubas uterinas, ovário, vagina e na parte externa os lábios maiores e menores, o monte púbico, o vestíbulo da vagina, o clitóris, o bulbo do vestíbulo e as glândulas vestibulares maiores. A partir desse pontuamento dos órgãos genitais, vamos entender o que significa a tão complexa e polêmica circuncisão feminina.

A circuncisão feminina pode ser chamada de mutilação genital feminina (MGF) ou castração feminina. O geógrafo Agatharchides de Cnido, no século II a.C. relatou nos seus escritos a prática dessa cirurgia mutiladora nas comunidades que habitavam na costa ocidental do Mar Vermelho (agora atual Egito). Com base nessa localização geográfica, parece que a origem desse ato é Egípcia e se espalhou em direção ao sul e ao oeste. Alguns pesquisadores acreditam que a circuncisão feminina estava enraizada na mitologia de Kemet da bissexualidade dos deuses, sendo refletida aos mortais essa característica a cada indivíduo possuidor de uma alma masculina e uma alma feminina. A alma feminina do homem foi localizada no prepúcio do pênis e a alma masculina da mulher no clitóris. Para que houvesse o desenvolvimento saudável e equilibrado dos gêneros, a alma feminina tinha que ser extirpada do homem e a alma masculina da mulher.
A circuncisão foi, portanto a prática essencial para a transição dos meninos em homens e das meninas em mulheres. Entretanto, é questionável o conhecimento das populações que praticam a circuncisão feminina com a mitologia de Kemet.

Em muitas comunidades a maior justificativa para circuncisão feminina é o controle sexual das mulheres. Tal controle psicofísico é imposto de maneira tão violenta que deixam seqüelas por toda vida. Esse controle sexual pode ser pontuado como:
1. Preservação da virgindade;
2. Ajuda a ter uma boa saúde;
3. Tem um valor estético muito grande;
4. Previne a promiscuidade;
5. Cria mais oportunidade de matrimônio;
6. A conservação da fidelidade;
7. Aumenta a fertilidade;
8. Potencializa a desempenho sexual e o prazer masculino;
9. Promove a coesão política e social;
10. A conservação da opção sexual – não lesbianismo.
FEMALE GENITAL MUTILATION...WHY SHOULD WE CARE??

A mutilação foi e é comum em diversas culturas. Sendo praticada por indígenas da América Central e do Sul e ainda faz parte do cotidiano cultural dos Shipibo-Conibo do Peru, um povo guerreiro da família Pano que vive na região do Ucayali. Segundo sua tradição, depois da menarca, toda jovem deve se submeter à circuncisão. Eles abordam outras justificativas muito interessantes como: “se não tirasse cresceria um pênis ali”; “se não todas as suas inimigas caçoariam dela”; “ela seria discriminada”; “a verdadeira mulher não tem”.
Na América do Norte os puritanos praticaram a mutilação como respostas médicas a masturbação das mulheres. O Dr. AJ Bloco de New Orleans, em um artigo intitulado "Sexual Perversion in the Female" (1894) cita um de seus casos, e descreveu como uma estudante de quatorze anos que sofria de nervosismo e palidez tinha sido curada por "liberar o clitóris de suas adesões" e se livrou da lepra moral. Em 1866, um jornal médico americano discutindo o trabalho de um médico britânico, Dr. Isaac Brown Baker, que afirmou ter sucesso no tratamento de epilepsia e outras perturbações do sistema nervoso em pacientes do sexo feminino por excisão do clitóris. Depois de notar que a grande massa da opinião médica inglesa foi de forte oposição às idéias de Baker e "irrestritamente condenou" o seu funcionamento. O editor americano concordou com a profissão médica Inglês, declarando que a retirar do clitóris é "para acalmar a irritabilidade sexual é tão filosófico como a retirar o órgão análogo do macho”. Entre outros artigos médicos defendiam nos U.S.A a extirpação do clitóris para curar o lesbianismo e mulheres ninfomaníacas.
No continente Africano a circuncisão feminina surgiu antes da invasão do Islamismo. A lei islâmica, conhecida como sharia é baseado especialmente no Alcorão, que segundo os islamitas contém proclamações do próprio Deus ao profeta Maomé não diz nada de suporte em apoio à circuncisão feminina. Na igreja Copta, uma das igrejas mais antiga do cristianismo fundada segundo a tradição pelo apóstolo Marcos no Egito em meados do I século d.C. há prática da circuncisão feminina, porém sem bases na doutrina teológica. Mas seguindo parte da tradição religiosa, que as mulheres devem permanecer castas até o casamento. Apesar de altos líderes religiosos manifestarem oposição a esta prática, é ainda apoiada por séculos de tradição e fé da família.
Uma tradição relata que Sara esposa de Abraão, percebendo o interesse crescente de Abrão por Agar, uma princesa de Khemeth que foi escolhida para engravidar, ficou enciumada e irada, mandando mutilar os órgãos sexuais de Agar, tendo ai uma circuncisão.
Inicialmente as circuncisões eram feita por mestres homens, os quais decidiam sobre a função sexual feminina. Reforçando historicamente a idéia de que as mulheres são propriedades de seus maridos que lhe devem toda e total submissão, que os corpos femininos necessitam de correção, a contestação do respeito, dignidade e pudor das mulheres e especialmente a independência e diferenciação na aparência natural da sua genitália e sua função sexual normal. Essas mulheres são submetidas à circuncisão há milhares de anos, e o costume está profundamente enraizado no pensamento humano de cada região. Muitas vezes é a própria mulher que deseja dar continuidade a esse ritual. É uma prática de diversas culturas em todos os continentes, e utilizada em diversos países da África, da Ásia, ente populações de imigrantes africanos na Europa.
No mapa há uma relação das nações que grupos culturais continuam com a mutilação feminina.
A circuncisão feminina é característica pela retirada totalmente ou parcial das partes da genitália externa feminina, principalmente do clitóris, órgão que quando estimulado proporciona o prazer sexual feminino. A Organização Mundial da Saúde (OMS) condena a prática da mutilação genital feminina tão prejudicial à mulher, tanto física como emocionalmente. Geralmente é feito sem anestesia ou antibióticos. Esta prática é agonizante, dolorosa e extremamente perigosa. Muitas meninas morrem de hemorragia, muitas têm infecções crônicas que dura toda a vida, como também muitos problemas com parto, no relacionamento conjugal, na menstruação e de caráter psicológico.
Female Genital Mutilation (Circumcision)

A Organização Mundial de Saúde conjuntamente com nove dos mais representativos organismos das Nações Unidas, publicou o acordo específico sobre a Mutilação Genital Feminina, com a reclassificação dos quatro tipos de identificados:
1. Remoção parcial ou total do clitóris e/ou do prepúcio (clitoridectomia).
• Tipo I a - remoção apenas do prepúcio (capuz) do clitóris;
• Tipo I b - remoção do clitóris com o prepúcio.
2. Remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios, com ou sem excisão dos grandes lábios (excisão).
• Tipo II a - remoção apenas dos pequenos lábios;
• Tipo II b - remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios;
• Tipo II c - remoção parcial ou total do clitóris, dos pequenos lábios e dos grandes lábios.
3. Estreitamento do orifício vaginal através da criação de uma membrana selante, pelo corte e aposição dos pequenos lábios e/ou dos grandes lábios, com ou sem excisão do clitóris (infibulação).
• Tipo III a - remoção e aposição dos pequenos lábios;
• Tipo III b - remoção e aposição dos grandes lábios.
4. Atos não classificados: todas as outras intervenções nefastas sobre os órgãos genitais femininos por razões não médicas, por exemplo: punção/picar, perfuração, incisão/corte, escarificação e cauterização.

Qualquer tipo de MGF provoca danos nos genitais femininos e no seu funcionamento,
originando complicações físicas que podem ser mais ou menos severas consoante o tipo de corte e sua extensão; quem realiza a mutilação, a existência ou não de condições assépticas e a própria condição física da mulher, jovem ou menina.
Profissionais de saúde que realizem MGF violam o princípio fundamental de ética médica de “primeiro, não prejudicar”.
Os riscos imediatos de complicações de saúde resultantes dos Tipos I, II e III:
• Dor intensa devido ao corte de terminações nervosas e de tecido genital;
• Choque hipovolêmico;
• Sangramento excessivo e choque séptico;
• Dificuldades na eliminação de urina ou fezes;
• Infecções;
• Vírus de Imunodeficiência Humana;
• Morte por hemorragia ou infecções diversas, incluindo tétano e septicemia.
Os riscos em longo prazo para a saúde resultantes dos Tipos I, II e III
• Dor crônica;
• Infecções;
• Infecções pélvicas crônicas;
• Infecções do trato urinário;
• Quelóides;
• Infecções do aparelho reprodutivo e infecções sexualmente transmissíveis;
• Vírus de Imunodeficiência Humana;
• Aumento da prevalência de herpes genital;
• Complicações no parto;
• Fístulas obstétricas devido a um parto mais demorado e obstruído;
• Perigos para os recém-nascidos;
• Diminuição da qualidade de vida sexual.
Os riscos adicionais de complicações resultantes do Tipo III (infibulação)
• Intervenções cirúrgicas subseqüentes;
• Problemas urinários e menstruais;
• Incontinência urinária;
• Relações sexuais dolorosas;
• Infertilidade.
Alguns estudos revelam um aumento de:
• Medo/receio de ter relações sexuais;
• Síndrome de stress pós-traumático;
• Ansiedade, depressão e perda de memória;
• Perturbações psicossomáticas com quadros de sintomatologia como insônia, pesadelos, perda de apetite, perda de peso ou ganho de peso excessivo, pânico, dificuldades desconcentração e aprendizagem, Cleptomania.
Disfunção sexual feminina e dispareunia(…), alterações no relacionamento do casal ou da sexualidade masculina. Existem estudos que referem que homens casados com mulheres excisadas procuram, fora do contexto do casamento, mulheres não excisadas que descrevem como “completas” e “quentes”.
Texto modificado o original é encontrado no site: http://www.apf.pt/cms/files/conteudos/file/folhas%20de%20dados/MGF2009.pdf
Estudos atuais afirmam que mesmo após a circuncisão a mulher continua tendo libido sexual em suas relações. Sendo mutilação genital feminina é uma operação destrutiva com resultados altamente patológicos, entretanto, é uma questão cultural de milhares de anos, praticadas em diversas culturas e religiões. Na nossa concepção é uma violação fundamental dos direitos humanos e viola o corpo das mulheres. Nós mulheres e homens que acreditamos na respeitabilidade da infância, na dignidade e espiritualidade dos seres humanos, temos que levantar a nossa voz de protesto e na desmistificação das suas justificativas.Maasai Female Circumcision Dance

sábado, 19 de setembro de 2009

BRUXARIA BRANCA - A EXPRESSÃO DO MAL


Por Walter Passos, historiador e teólogo Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano

Facebook: Walter Passos

As crianças, independentes de cor epitelial e prática religiosa, têm receio e curiosidades em relação a bruxas e fadas. A didática através do lúdico as insere no mundo da fantasia criado pelos adultos, em uma realidade controversa e de explicações através das fábulas de problemas não resolvidos.
Todos os povos e civilizações sempre tiveram códigos de moralidade e de costumes, entretanto, o desconhecimento de outro grupo cultural cria falsas respostas através de ideologias discriminatórias. Os questionamentos de gerações afloram nos contos, nas mitologias do poder e de identidades dos grupos sociais, e nestas análises as respostas estão inacabadas, gerando conflitos, surgindo à necessidade didática de final feliz para o grupo social que idealiza a fábula, conforme as suas aspirações sociais e influências religiosas.
Neste sentido, os povos que sofreram invasões e foram escravizados encontram nas fábulas e mitos do invasor e escravizador referências deturpadas de si mesmo, pois são forçados a se encontrar no pertencimento do outro e, aprendem a desprezar os seus contos e mitos, seja por desconhecimento de sua história ou rejeição de sua ancestralidade.
Quando conhecemos o mundo, a mulher nos é apresentada como símbolo do amor materno, sabedoria, religiosidade, compreensão e poder. Para a criança o ato de “falar com a minha mãe!” tem um significado muito forte. O ato da comunicação torna-se instrumento de pertencimento com aquela que teve o poder da procriação e manutenção da vida.
Nas sociedades europeias e em seus contos a mulher é representada como detentora do poder mágico da bondade, como as fadas (a mulher submissa sempre atenta aos desejos do homem) bruxas e feiticeiras (simbolizada da perversão e maldade, questionadoras do patriarcado).
A maioria das crianças conhece o Conto Branca de Neve e os Sete Anões, da relação conflituosa, gerada pela disputa de beleza física, entre a protagonista com sua madrasta, uma rainha-bruxa. O clássico cinematográfico da Disney foi premiado com um Oscar especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. A história finaliza com a quebra do feitiço do sono eterno por um beijo do príncipe, que vive “feliz para sempre” com branca de Neve, a mais bela, notadamente por ser a mais branca, como o nome já sugere. Incrível que muitos aniversários de crianças, a idéia de ser uma princesa como a branca de neve e encontrar um príncipe encantado é um sonho de milhões de meninas pretas.


Branca de Neve e os Sete Anões - Filme Completo Parte Única



Estes estigmas são perpassados e formulam identidades que influenciam civilizações neste mundo globalizado, através dos diversos meios de comunicação e muitos o são adaptados conforme as concepções ocidentais.
Aparentemente essa idéia de fadas, bruxas e feiticeiras nada de mal trazem, porque no conceito da ideologia eurocêntrica a criança conhecerá o mundo e poderá trabalhar as diversas facetas de um diamante que está sendo lapidado para a vida toda.
Outro exemplo são os livros da escritora britânica J. K. Rowling da série Harry Potter com mais de 550 milhões de cópias vendidas - ocupam o quarto lugar no ranking dos livros mais vendidos da história da humanidade, além de se tornarem filmes campeões em bilheterias. Nestes a maioria das ações se passa na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwart onde ensinam a considerar os que não são bruxos de trouxas.
Inclusive a idéia de bruxas e fadas está dentro do cristianismo de forma explicita. Muitas igrejas cristãs recomendam o filme - As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa -, considerado conto de fadas cristão, adaptado do livro de Clive Staples Lewis, conhecido como C. S. Lewis. Foram vendidos mais de 200 milhões de cópias dos 38 livros deste autor irlandês e membro da Igreja Anglicana, os quais foram traduzidos para mais de 30 línguas. Lewis é considerado por muitos como o maior escritor cristão que o mundo já teve, e as suas obras são recomendadas por homens e mulheres formadoras de opiniões, citada por pregadores, estudadas em faculdades, nos seminários e nos institutos bíblicos. É comum ouvir em certos púlpitos mensagens onde Lewis é mais citado do que Yahoshua, e seus livros de referencial em lugar da Sagrada Bíblia.
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, tem uma interpretação sob o ponto de vista cristão, o Guarda-roupa representa o mundo espiritual, a Feiticeira Branca representa o inimigo das nossas almas (Satanás) e o Leão, representa Yahoshua, o Leão da Tribo de Judá, o Senhor de todos os homens. Após Aslam (o Leão) se entregar em favor de Edmundo (a redenção de Yahoshua, para cobrir seu erro arrependimento), ressuscita selando a vitória sobre o inimigo. Para uma grande maioria dos cristãos é uma maneira de evangelizar as crianças, e a bruxaria europeia é sagrada, não demoníaca. Demonizar bruxas, feiticeiras, magos, fadas, gnomos, druidas, e outras figuras brancas contidas nos contos europeus são um ato de rebeldia, racismo ou heresia.

Aslan and Jesus Christ's Crucifixion and Resurrection



Os conceitos do viver africano e afro-diásporico não deveriam ser baseados no pensamento ocidental eurocêntrico e suas experiências de fadas e bruxas, porque não trazem as realidades históricas e mitológicas africanas, e as crianças pretas introjeta falsas sonhos-realidades do mundo que só servem para baixar a autoestima. Os contos de fada numa visão junguiana são uma representação simbólica de problemas gerais humanos e suas soluções possíveis, só que os simbolismos eurocêntricos e suas respostas existências são diferentes e muito diferentes para nós.
Desde a nossa tenra infância aprendemos a respeitar e admirar as vovós, as tias e todas as senhoras da nossa convivência, porque as nossas mães nos informaram que as mesmas eram detentoras de ensinamentos antigos e inclusive conheciam os segredos de realizar um bom parto, rezar o corpo contra o mau-olhado e receitar remédios das folhas. Já tomamos muitos banhos de folha nas nossas vidas e já tivemos o corpo rezado por senhoras pretas. Nunca ouvi a minha mãe e minhas tias se referirem as idosas como bruxas ou feiticeiras. O nosso povo sempre respeitou os mais idosos, e ainda é educada a prática de pedir a benção aos mais antigos, forte lembrança de pessoas da minha geração que lêem este artigo.
O Povo preto é um povo que amava os idosos e os respeitavam pelo conhecimento do mundo. É gostoso ouvir em reuniões aqui em Salvador quando um idoso (a) recebe o respeito dos mais novos, demonstrando que a força da ancestralidade ainda não foi destruída por total pelas influências cristãs ocidentais.
São deprimentes as conceituações e divulgação do poder da mulher africana e afro-diásporica nos novos paradigmas criados pelo cristianismo: de detentoras do conhecimento ancestral para perversas feiticeiras e bruxas ocidentais. O que tem levado essas mudanças na criação de novos juízos de valor sobre o conhecimento das mulheres pretas?
Desde a chegada dos primeiros missionários na África começou a perseguição às detentoras do conhecimento, e inseriram nos seus discursos a mudança, outrora mulheres sábias foram consideradas “bruxas” e feiticeiras. A “bruxaria e feitiçaria” são conhecimentos ancestrais perpassados das diversas tradições, representando símbolos que proporcionam uma sensação de familiaridade e continuidade da experiência do viver das comunidades.
O filme Kiriku e a Feiticeira precisa de uma análise mais aprofundada sobre as relações de poder da mulher e feitiçaria sobre a ótica afrocentrada. A feiticeira Karaba no final segue a linha eurocêntrica de encantos e desencantos e casa-se com Kiruku e todos ficam em paz.
KIRIKU E A FEITICEIRA (PARTE 8/8)

As invasões europeias e seus modelos filosóficos afetaram profundamente as culturas ancestrais criando novas realidades socioeconômica e política, e os resultados desastrosos do colonialismo, capitalismo e modernidade corrompem o mundo invisível, desequilibrando processos naturais e espirituais do bom viver visível e outrora equilibrado. A antropologia, a filosofia, a sociologia e a história e seus conceitos eurocêntricos ainda tem discipulado entre as academias, africanos e afro-diásporico na defesa e propagação de suas análises, servindo como ciências não somente observadoras e críticas, mas decisórias para explicar modos e comportamentos de sociedades milenares com a ótica do invasor e colonizador.
As sociedades africanas e afro-diasporicas analisadas por xenófobos, individualistas que temem e não entendem o desconhecido e classifica-os como inferior, tornam-se necessário que usemos as nossas metodologias afrocentradas para darmos respostas as ciências que tenta nos destruir, deve ser por isso que tenho críticas às academias, porque não desejo e nem almejo os seus títulos de conhecimento eurocêntrico.
O conhecimento africano é baseado na solidariedade e os conflitos ocorridos possuem em seus mitos diferenças explicitas nas suas resoluções, os que visam o bem estar coletivo e não a individualidade. Quando se ensina as crianças acerca das yabás e das Yami Osorongá, através da oralidade da palavra verbalizada, entendem-se o seu poder de resolução dos problemas sociais, essas chamadas de “feiticeiras” que representam as forças da natureza e equilíbrio social diferem filosoficamente das malvadas bruxas e das “bondades das fadas”, apesar de que muitas das mitologias helênicas foram apropriadas do conhecimento africano, inclusive conceituações metafísicas já conhecidas e desenvolvidas no Vale do Nilo.
O empobrecimento dos africanos, as mudanças alimentares, o aumento das doenças, como o ebola e a AIDS, a destruição de áreas agrícolas e transformações no modo tradicional de cultivos, o desprezo pela solidariedade, a quebra da respeitabilidade pelos anciãos e anciãs, e a desconfiança do poder das mulheres, resulta na intensificação da procura de dinheiro, no desejo incontido de adquirir bens materiais, influenciadas pelas famosas teologias da prosperidade (ideologia capitalista travestida de religiosidade), fez com que as tradições sejam progressivamente desprezadas e ignoradas. Tornando os africanos e afro-diásporicos alvos mais fáceis de controle e dominação, porque quando duvidamos das nossas tradições e desprezamos a nossa ancestralidade estamos cometendo suicídio espiritual e físico, que amaldiçoa o legado ancestral e cria uma geração corrompida e envergonhada de ser o que é.
O entendimento do que chamo de choque cultural entre os africanos e os caucasianos, se dá em todos os sentidos da existência, porque as nossas tradições não separam o corpo em dicotomia e tricotomia, somos um ser integral conforme os escritos dos antigos hebreus. Com o advento da Cultura Helênica e sua apropriação e deformação do pensar africano, proporcionou a quebra da afrocentricidade e a divulgação filosófica da eurocentrismo.
A mudança no devir do ser preto especialmente pode tentar uma análise do mundo mágico branco e o mundo mágico preto. É um parâmetro inteligível do por que as mitologias são diferentes e as conceituações socio-religiosas são dispares, não sendo acentuada a bipolaridade do bem e do mal.
E conforme o Dr. LLAILA AFRIKA:

AFRICANOS:

  • Unificação do espírito, corpo e mente para o conhecimento.
  • Verdade e Mentira são diferentes
  • O Propósito do conhecimento e das ações é a justiça, a retidão e a precisão
  • Os Conhecimentos são conectados holisticamente.

CAUCASIANOS:

  • Fragmentação e Divisão para o conhecimento
  • Verdade e Mentira são as mesmas e corretas
  • O Propósito do conhecimento é o controle dos outros e o poder.
  • Os Conhecimentos são conectados por idéias fragmentadas.


Como vimos acima os modelos africanos e caucasianos são dispares em relação às vivências, retratam que os choques culturais deturparam violentamente a concepção de vida e relações com a natureza. Entender como o conhecimento ancestral das mulheres e o poder não somente simbólico como mágico foi afetado violentamente pela xenofobia européia, que pelo medo do diferente não compreendeu os conceitos e saberes não conhecidos, é uma caminho urgente dos praticantes da afrocentricidade, para reparar os males feitos as nossas crianças, criadas a imagem e semelhança das fadas e bruxas ocidentais.
As mulheres acusadas de bruxaria possuíam dentro do poder matriarcal e da construção matrilinear importância fundamental ainda existente e resistente dentro de muitos povos africanos que opõe a islamização e a cristianização.
As africanas são cosmopolitas como ainda são as mulheres pretas na América Africana e guardiãs do conhecimento. Na concepção europeia as mulheres sempre foram submissas, desprezadas e humilhadas, consideradas fontes de perversão e vitimas da inquisição, torturadas, queimadas e demonizadas. Consideradas objetos, propriedades do macho: bruxas as que resistem à opressão e fadas as que permitem os desejos masculinos. Por isso o surgimento do feminismo que é mais um ismo branco em contraposição a outra deformação, o machismo. Bem diferente dos conceitos afrocentrados de equilíbrio dos gêneros.
As mulheres pretas guardiãs do conhecimento foram primeiramente desacreditadas pelos missionários e pelo poder colonial, existem legislações em países africanos que as perseguem e as condenam, crianças e mulheres são assassinadas em diversos países pelo crime de bruxaria, acusadas por membros das comunidades, seguidores da falta de tolerância européia.
A perseguição as “Bruxas Africanas” pelo catolicismo e igrejas do protestantismo histórico tem se tornado mais violenta com a ascensão de cultos pentecostais e nopentencostais inclusive em uma disputa pelo poder. Estes grupos precisam mostrar poder diferente do maior poder que é o amor, criou no continente africano, a nova inquisição que parte para a destruição e morte de milhares de crianças e mulheres.
No Brasil a falta de respeitabilidade com as religiões de matriz africana por parte do cristianismo: católico, protestantismo histórico, pentecostais e neopentecostais, têm na gênese do racismo a vertente da idéia de religiões de bruxas e feiticeiras. Bruxalizar o conhecimento africano é a maneira mais eficaz de catequizar e converter milhões de africanos, escondendo séculos de opressão de bruxos cristãos e bruxas cristãos que trouxeram a desordem econômica e a escravidão.
A religião católica ainda tenta através da catequese, desestruturar tradições, como foi o caso da visita do papa Bento XVI em Angola quando apelou aos católicos à conversão dos adeptos da bruxaria ameaçados por “espíritos” e “poderes do mal” e afirmou que o Cristianismo era uma ponte entre as pessoas locais e os colonizadores portugueses.

PAPA BENTO XVI EM ANGOLA

Os europeus foram os grandes piratas na África e praticantes da xenofobia, com uma idéia de vida solitária e anti-solidária, divulgando o pessimismo, a individualidade e a ganância.
Entre todos esses fatores foi impossível para o europeu e o cristianismo se adequar a prática da solidariedade africana e tentaram destruí-la, necessitando, então, que o renascer africano e afro-diásporico tentassem recriar o pan-africanismo, porque deixou de acontecer por causa da divisão territorial, da escravização e colonização, resultando no continente africano transformações de xenofobia por xenofilia entre os primeiros seres humanos.
Na África e na Afro-América o medo dos conhecimentos ancestrais e as mudanças orquestradas determinando o diferente como inferior e demoníaco foram direcionados par abater a família, na representação feminina. “Bruxalizar” é quebrar o poder feminino, embrutecer os homens pretos, criar uma sociedade de órfãos, desagregando a família preta.
“Bruxalizar” tornou-se para os invasores cristãos e muçulmanos negar milhares de anos de conhecimento em todas as áreas da ciência.

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
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