quinta-feira, 9 de julho de 2009

AIDS – ACASO OU CONSPIRAÇÃO ANTI-PRETO

Por Aidan Foluke, Membro da COPATZION, Tesoureira do CNNC e Acadêmica de Enfermagem.
Skype: aidanfoluke
O Vírus da imunodeficiência humana (HIV) é o organismo causador da doença chamada AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) que na sua forma progressiva ataca o sistema imunológico com o aparecimento de infecções oportunistas que vão desde a tosse ao coma, entre elas destacamos: Tuberculose, Pneumocistose (Pneumocystis carinii), Infecções fúngicas recorrentes na pele, boca e garganta, Diarréia crônica por Isóspora ou criptosporidium, Diarréia crônica com perda de peso, Neurotoxoplasmose, Neurocriptococose, Citomegalovirose. A AIDS também torna as pessoas particularmente suscetíveis ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, especialmente os causados por vírus, como o câncer de colo de útero e o sarcoma de Kaposi.

Nas crianças com AIDS, as infecções oportunistas surgem como formas severas de infecções bacterianas comuns a toda criança como: conjuntivite, infecções de ouvido e amigdalite.
As entidades cientificas de saúde, cientistas, líderes de países, organizações políticas e militantes pretos manifestam-se emitindo opiniões diversas sobre as possíveis causas e conseqüências dessa pandemia que tem afetado a humanidade,

ceifando vidas e condenando a morte milhões de pessoas e a maioria preta no planeta, especialmente de países africanos e africanos em diáspora.

Entre os diversos pontos de vistas há os que defendem a questão da AIDS como um vírus desenvolvido por fatores do “acaso” e outros que acusam abertamente a criação de um vírus geneticamente modificado para a destruição dos indesejáveis: homossexuais, prostitutas, viciados em drogas e a população preta mundial. Irei expor estes pontos de vistas cabendo ao leitor e a leitora decidir o que melhor lhe aprouver.

HISTÓRICO DA AIDS SOBRE A CONCEPÇÃO DO ACASO:
Na literatura da medicina a AIDS ainda tem uma origem polêmica e os primeiros diagnósticos aconteceram nos USA nos inícios dos anos 80 do século passado. Alguns casos foram diagnosticados em homens homossexuais em Nova York e na Califórnia que desenvolveram infecções oportunistas e cancros raros resistentes a tratamentos conhecidos. Neste período ainda não se usava o nome AIDS, entretanto, as pessoas afetadas sofriam de uma síndrome desconhecida.
A descoberta do vírus HIV ocorreu posteriormente e é reconhecido como causador da AIDS, havendo ainda hoje questionamentos entre cientistas. Foram feitas pesquisas da origem do HIV e como se manifestou nos seres humanos e descobriram em laboratórios americanos e franceses que o HIV é um lentivirus (vírus lentos), porque demora a produzir efeitos no organismo. São encontrados em animais como ovinos, eqüinos, bovinos e felinos (gato). No caso da AIDS os cientistas europeus e americanos constataram que o lentivirus é proveniente do SIV (Vírus da Imunodeficiência dos Símios) que afeta os macacos e em humanos se manifesta como HIV-1 e HIV-2.
O HIV-2 corresponde ao SIVsm encontrado nos White-crowned ou White-collared Mangabey, que habita nas florestas do Senegal e no Leste de Gana.



O HIV-1 corresponde ao SIVcpz encontrado em chimpanzés comuns no centro da África, afirmação defendida por Paul Sharp da Nottingham University e Beatrice Hahn da University of Alabama.
Os cientistas que defendem a transmissão dos macacos para humanos alegam que houve zoonose no momento em que caçadores africanos se alimentaram de chimpanzés ou o sangue do animal entrou em contato com feridas do caçador. Alegam também que a contaminação ocorreu através do uso de seringas não descartáveis que pode ter sido usadas em algum caçador e transmitido o vírus para a população.
Recentemente Jim Moore, especialista em primatas defende a “Teoria do Colonialismo” ou “Coração das Trevas”, afirmando que no final no século XIX e início do século XX, a exploração colonial francesa na África Equatorial e a exploração colonial belga no Congo belga, forçaram trabalhadores africanos a trabalhos exaustivos, a fome, falta de saneamento básico, foram obrigados a se alimentar de macacos e vacinados contra a varíola para serem mantidos vivos, e também prostitutas foram usadas o que serviu de aumento da doença. As provas foram apagadas porque os colonizadores destruíram os laudos médicos.
E ainda houve informações de relações bestiais entre africanos e macacos, que infelizmente muitas pessoas acreditam.


HISTÓRICO DA AIDS SOBRE A CONCEPÇÃO DA CONSPIRAÇÃO:
Na história da medicina sabemos de relatos de infecções propagadas no período da escravidão e pós-abolição. Relembremos da sífilis no Brasil colônia, quando homens brancos estupraram meninas pretas virgens procurando a cura da doença.
Nos USA uma comunidade inteira foi infectada com sífilis em 1932 servindo como cobaias para estudos, que determinavam "a partir de autópsias as patologias advindas do corpo humano." Quase 400 homens pretos pobres com sífilis a partir de Condado de Macon, Alabama, foram usados para o experimento. Os alemães invadiram a Namíbia e além do crime do genocídio realizaram experiências genéticas no povo preto.
http://cnncba.blogspot.com/2009/01/o-genocdio-esquecido-revolta-dos.html
Povos no planeta foram vítimas de invasores europeus que transmitiram doenças desconhecidos. Então, por este “histórico doentio” torna-se compreensível que exista um importante grupo de líderes e cientistas que acreditam e defendam a hipótese da conspiração do AIDS.
A controvérsia do surgimento da AIDS ocorre da não aceitação de que o vírus veio proveniente do macaco, sendo considerada por eminentes cientistas uma grande farsa difundida com propósito de esconder a sua verdadeira intenção. Vamos conhecer essas idéias:
Os primeiros artigos sobre a conspiração da AIDS ocorreram com a Sociedade Real de Londres que realizou uma série de conferências procurando descobrir a causa inicial da AIDS e a origem do HIV. Respeitados cientistas e acadêmicos debateram a possibilidade de que o HIV-1, o mais amplo e mortal vírus da AIDS em humanos evoluiu de contaminações acidentais de vacina e posterior transmissão para a maioria de aldeões africanos.


Segundo o site New World Order, o HIV / AIDS na África foi inicialmente espalhados por hospitais missionários católicos romanos e os seus re-uso de "agulhas sujas". Estes hospitais regularmente obtêm doações de material médico / vacinas diretamente a partir da Igreja Católica Romana com os Cavaleiros de Malta, através dos seus membros no seio da indústria farmacêutica. Desde a década de 1970 Cavaleiros de Malta apóiam e ajudam organizações como AmeriCares Knightsbridge Internacional que têm fornecido suprimentos médicos a países necessitados, incluindo África do Sul, Haiti e Camboja - países que agora são mais atingidas pelo HIV / AIDS.
http://www.geocities.com/newworldorder_themovie/aids.html
Houve uma vacinação em massa para imunização da poliomielite que contaminou milhares de pessoas no continente africano.

O criador da vacina foi o judeu askenazi Hilary Koprowski, que em 1957 na África Central a sua vacina foi cultivada em células de macaco. Alguns especulam que a AIDS nesta região fora desenvolvida a partir do vírus da imunodeficiência símio. Koprowski nega qualquer ligação com o HIV. O Jornalista britânico Edward Hooper divulgou uma hipótese de que a AIDS foi criada inadvertidamente no final dos anos de 1950, no Congo Belga por Koprowski quando investigava uma vacina contra poliomielite.

A Dra. Wangari Muta Maathai, queniana, mestre em Biologia e doutora em Anatomia, ativista feminista e defensora do meio ambiente, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2004 por sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, da democracia e da paz. Ela se tornou a primeira mulher africana, e primeiro ambientalista a ganhar o prêmio.
Em uma entrevista para a revista "Time" acerca do Prêmio Nobel da Paz alegaram que ela disse que "a AIDS é uma arma biológica fabricada pelo mundo desenvolvido para acabar com a raça negra". Maathai posteriormente, em uma declaração escrita, emitida em Dezembro de 2004: "Eu não diria nem acreditam que o vírus foi desenvolvido por pessoas brancas ou poder branco a fim de destruir os povos africanos. Tais opiniões são perversas e destrutivas."

O Cientista askenazi Jakob Segal de origem lituana, afirma que a AIDS foi criada em laboratório, no Fort Detrick (Centro de investigação de Guerra Biológica) a partir de Visna e HTLV-I.
Afirmou que o novo vírus foi testado em condenados que se voluntariaram para o experimento em troca de sua libertação da prisão. Sem mostrar sinais precoces da doença, os prisioneiros foram libertados depois de seis meses. Alguns eram homossexuais, e estava em Nova York, onde a doença foi inicialmente detectada em 1979.
Os investigadores não tinham contado sobre a criação de uma doença com períodos muito longos de encubação. (Um ano é relativamente curto para a AIDS, mas não seria incomum se a infecção foi induzida por injeções de doses elevadas.) Se os investigadores tiveram suas cobaias humanas em observação por um longo tempo, eles descobriram a doença e poderia ter sido conteúdo.
Em outras palavras, Segal disse que a AIDS é o resultado de pesquisas e experiências em armas biológicas.
Dr. Alan Cantewwll Jr., é um aposentado dermatologista, e investigador na área do cancro e microbiologia da AIDS. Ele é autor de cerca de 30 artigos publicados entre o final dos anos 1960 e meados de 1980, predominantemente em sarcoma de Kaposi e outras neoplasias dermatológicas relacionadas com a infecção do HIV.
Mais recentemente, ele tem escrito artigos especulativos sobre a origem do HIV, sugerindo que pode ter sido liberada uma guerra biológica do vírus e / ou deliberadamente colocados em uma Hepatite B vacina usada visam americano homossexuais e negros.


Seus livros são publicados pela Aries Rising, sua própria editora, que começou em 1984, para divulgar suas idéias. Ele também foi publicado em Nova Aurora ', uma revista australiana dedicada a "apresentar notícias e informações ignoradas ou deliberadamente suprimida pela mídia", Orgânica, paranóia, Steamshovel Imprensa e os Novos Africanos.
O Rev. Jeremiah Wright pregou sermões em que culpou o governo americano de criar um estado racista e inventar o vírus do HIV como uma forma de genocídio contra o povo de cor. Este foi um dos fatores do afastamento de Barack Obama de seu antigo pastor e mentor.
Tshabalala-Msimang foi graduada pela Fort Hare University em 1961. Como um número de jovens de um Congresso Nacional Africano CADRES enviado ao exílio para a educação, ela recebeu a formação médica na Primeira Leningrado Instituto Médico na União Soviética de 1962 a 1969. Ela foi então treinada em obstetrícia e ginecologia na Tanzânia, finalizando em 1972. Em 1980 ela recebeu um mestrado em saúde pública da Universidade de Antuérpia na Bélgica.
Ministra da Saúde da África do Sul de 1999 a 2008 no governo do presidente Mvuyelwa Thabo Mbeki, é uma eminente defensora da medicina tradicional africana e relutou em aplicar os medicamentos anti-retrovirais para o tratamento da AIDS, sugerindo o uso da medicina tradicional africana, como o uso do limão, beterraba, alho, batatas africanas e uma dieta alimentar equilibrada, recebendo o apoio do presidente, sendo duramente criticada pelo mundo ocidental.



A pandemia da AIDS tem afetado duramente a população preta no planeta e é uma doença que ainda não tem cura. Na Bahia os dados de 2007 do DATASUS atestam que 114 pessoas pretas foram diagnosticadas como novos casos. Os números reais não são conhecidos por motivos de medo, preconceito, falta de informação e descaso com a saúde da população em geral. É necessário que os profissionais que cuidam da saúde da população preta fiquem mais atentos a disseminação da doença que está levando o nosso povo a um processo de destruição.


Vote na enquete e manifeste a sua opinião: A AIDS foi uma fatalidade ou uma conspiração anti-preto?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

AS NAÇÕES MAROONS DO SURINAME

Ndyuka ou Okanisi
O Suriname possui seis nações de maroons (quilombolas): Ndyuka ou Okanisi, Saamaka, Pamaka, Matawai, Aluku ou Boni e Kwiinti.
Todas as nações quilombolas partilham uma história de uma repressão brutal aos seus antepassados que foram seqüestrados de várias partes da África para trabalhar como escravizados nas plantações de açúcar, café e algodão no Suriname. Os antepassados recusaram o jugo da escravidão e fugiram para a floresta tropical sul-americana e travaram uma guerra de guerrilha prolongada e vitoriosa aos seus antigos opressores. No decorrer do século XVIII, os colonos holandeses foram forçados a assinar tratados de paz com os grupos Ndyuka (1760), o Saamaka (1762), o Matawai (1767) e os Aluku (1860). Outros grupos Maroon conseguiram também a sua liberdade.
A história das seis nações e sua resistência é bem diferente dos estudos dos quilombos no Brasil onde encontramos uma farta documentação de mocambos e quilombos destruídos praticamente em todo o território nacional, sendo o clássico mais conhecido e ponto de afirmação étnica de luta, os Palmares com Zumbi e seus quilombolas, o qual ainda não foi profundamente estudado apesar de existirem livros, filmes, trabalhos arqueológicos e um memorial.
Há um trabalho incipiente de milhares de quilombos existentes atualmente em território brasileiro com diferentes históricos: fugas de escravos, ex-senzalas, terras doadas ou compradas pós-abolição, posseiros, que leva a conceituações distintas, mas, nenhum deles deve ser comparado às nações maroons do Suriname.
As seis nações maroons tiveram o êxito que os Palmarinos não conseguiram. É uma história viva de lutas por liberdade, terra e africanidade iniciadas em 1670, há mais de 300 anos. É o grande patrimônio material e imaterial da resistência dos africanos na América – Africana, e deve ser fator primordial de apoio dos pan-africanistas em todo o planeta.
No vídeo abaixo retrata a nação Djuka na antiga Guiana Holandesa em 1933. As imagens falam mais altas que as palavras racistas do locutor:
DUTCH GUIANA - LAND OF THE DJUKA 1933

AS LÍNGUAS DOS MARRONS DO SURINAME
Um dos fatores mais lindos da resistência dos escravizados foi à manutenção da língua dos ancestrais e o mais surpreendente é o fato de que sistemas de escritas Africanos sobreviveram aos horrores da escravidão
A LINGUA DJUKA

Nação Igbo e Nação Ndjuka

A nação Ndjuka possui uma escrita própria baseada na língua da nação igbo, que contem 56 letras e foi criada por Afáka Atumisi em 1910 e que continua a ser utilizado no século 21 e 10% dos Ndjuka estão alfabetizados nesta escrita.
É de vital importância o histórico da formação dessa língua. Conta-se que 1908, Afáka Atumisi sonhou com um espírito que lhe disse que era o momento de ensinar aos Ndyuka uma forma de escrever. O espírito prometeu ensinar-lhe um ou dois sinais a cada noite quando o visitasse. E assim aconteceu. Afáka que não sabiam ler e nem escrever, aprendeu 56 sinais silábicos do seu conselheiro espiritual, cada um constituído por uma vogal ou uma consoante seguida por uma vogal.
Em 1910, quando ocorreu o aparecimento do cometa de Halley, Afáka sentiu-se convencido de que tinha sido dado um importante instrumento para a melhoria do destino da nação e começou a ensinar os sinais para o Ndyuka.
Todas as pessoas que aprenderam bem à escrita recebem o título de "bukuman". Afáka foi o primeiro ede-bukuman (chefe da associação de bukuman). Com a sua morte em oito de julho de 1918, Abena da aldeia Saaye, herdou o título e as responsabilidades. Antes de morrer, em 1960, Abena tinha formado o seu filho, Alufaisi Kasitioe, para usar a escrita. Alufaisi treinou André RM Pakosie sobre a maneira de ler e escrever. Em 1 º de julho de 1977, Alufaisi escolheu Pakosie como sucessor para o cargo de ede-bukuman. Quando Alufaisie morreu em 1993, Pakosie assumiu todas as responsabilidades relacionadas com a função de ede-bukuman. Ele lecionou a várias pessoas no Suriname e na Holanda o bom uso da escrita do Afáka. É a única escrita em uso na América - Africana que foi elaborada especificamente por um preto, sendo utilizada em sua grande parte no Suriname e também por maroons na Guiana Francesa.
Os saramakas também criaram um língua que é falada por 24.000 pessoas no Suriname e 2.000 na Guiana Francesa.
Surgiu a partir do contato entre os idiomas Inglês, holandês e línguas africanas (Kongo, Akan e Gbe) além de ter sido fortemente influenciada pelo Português falado pelos sefardins e seus escravizados que foram levados do Brasil. Os judeus sefardins foram grandes aliados dos holandeses e após a derrota destes se refugiaram no Guiana Holandesa onde continuaram como grandes proprietários de lavouras de cana-de-açúcar e de milhares de escravizados. Além disso, as palavras em Português compõem quase 40 por cento de seu vocabulário, incluindo alguns morfemas gramaticais. A língua sarmacaan e todas as línguas crioulas são uma afirmação da africanidade e resistência a língua do escravizador, pois quebra a ideologia do “totalmente domesticado”. Infelizmente alguns pretos e pretas se orgulham de falar e escrever a língua dos escravizadores (português, espanhol, inglês, francês, holandês) melhor do que eles.


A RESISTÊNCIA DA RELIGIÃO DOS ANCESTRAIS E A TENTATIVA DE EVANGELIZAÇÃO
Alabi viveu na segunda metade do século XVIII, foi chefe tribal dos quilombolas saramakas e o primeiro convertido ao cristianismo.
O registro escrito dos missionários que viveram nas aldeias saramakas se estende de 1765 a 1813 e constitui um relato pormenorizado de seu fracasso geral em ganhar almas de Satã, assim como um retrato tocante da resistência saramaka. Os textos foram escritos ao mesmo tempo para a congregação na Europa, enquanto registro inspirador dos sofrimentos e êxitos dos missionários, e como confissão pessoal a Deus, o forte sentido cuja imanência emerge de cada página. Esses textos dos morávios, ricos e teologicamente exóticos, colocam desafio sinalizador ao intérprete que busca compreender o encontro entre europeus e africanos deslocados na América colonial.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832004000100013&script=sci_arttext
As nações mantiveram a religião dos ancestrais apesar das inúmeras tentativas de evangelização da Igreja Moravia, fato este costumeiro de religiões brancas acharem que os povos pretos são adoradores de Satanás. Os moravios empreenderam diversas campanhas e conseguiu converter alguns lideres quilombolas. A questão das diversas igrejas cristãs e os quilombolas merece um artigo mais aprofundado.
A prática africana da religião das nações é uma preciosa forma de resistência, porque sabemos que toda evangelização é a destruição e satanização dos povos pretos. Atualmente cerca de 25 por cento são cristãos - principalmente da Igreja Moravia (alguns desde os meados do século 18), outros Católicos Romanos e, cada vez mais hoje, evangélicos de outras igrejas. A religião praticada pelas nações maroons é uma realaboração dos cultos ancestres africanos e uma reafirmação da africanidade. A base religiosa é de influência principalmente dos povos akan (Ashanti) (Gana), Ewe e Fons (Togo, Benin- antigo Daomé e Ocidente da Nigéria) e do estuário do rio Congo, a região do Lwango . A religião é conhecida por Winti e tem como base a adoração de um Deus Único Criador e Superior , cultos aos ancestrais e as forças da natureza.

Naks Wan Rutu Tapu Kromanti winti dance part2

Em 25 de fevereiro de 1980 o recém independente Suriname foi alvo de um golpe militar que se instalou no país até o início dos anos 90. Um dos principais líderes militares foi Desiré Delano Bouterse, o qual é acusado de diversos crimes e foi condenado na Holanda, o qual mantém um mandado internacional de prisão.
De (1986-1992) a nação saramanka e a nação djuka tiveram que reagir armados ao governo de Desiré Delano Bouterse e as forças do Exército , com uma organização de guerrilha liderada por Roony Brunswijk, ex-segurança do presidente Bouterse, que fundou o "Junglecommand" (Comando da Selva) que obteve um série de vitórias iniciais, a consequência foi uma violenta repressão das forças armadas, massacre, assassinatos, detenções e a fuga de mais de 10.000 quilombolas para a Guiana Francesa e locais escondidos em Paramaribo.
Atualmente a luta é das nações maroons no interior, são contra as poderosas madeireiras chinesas, mineradores de bauxita e de ouro, que representam interesses financeiros transnacionais.
Em 26 de junho de 2006 a Comissão Intermaricana de Direitos Humanos em conformidade com as disposições 50 e 61 da Convenção Americana apresentou um requerimento ao Tribunal da Justiça contra o estado do Suriname, conforme petição dos líderes dos doze clãs da nação Saramaka que alegaram violações do estado surinamês aos direitos a propriedade e a proteção judicial.

Saiba mais sobre a geografia, história das nações maroons no curso Geografia e História da América –Africana.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

SARAMAKAS - SAMARAKANS

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano
SURINAME
O Suriname encontra-se na parte norte da América do Sul, costa Atlântica a 2 ° -6 ° de latitude norte, 54 ° -58 ° de longitude Oeste (163.266 km²). Limita-se a leste com a Guiana Francesa, a oeste com a Guiana e ao sul com o Brasil. O interior está coberto de florestas e os rios convertem-se em um único acesso. O Suriname é extremamente diversificado etnicamente, linguisticamente, e religiosamente, os muçulmanos constituem 20% da população do Suriname, a percentagem mais elevada de muçulmanos em todos os países das Américas; a sua população estimada em cerca de 470.000 pessoas. “Consiste de aproximadamente 38 % de “Hindustanis” (descendentes de trabalhadores contratados que importou da Índia durante o final do século XIX), 31 % de “crioulos” (descendentes de escravizados africanos), 15 % de “javaneses” (descendentes dos indonésios importados como trabalhadores contratados no início do século XX), 10% de "quilombolas" (descendentes de escravizados africanos, que escaparam das plantações e formaram suas próprias comunidades no interior das florestas), e menor número de Portugueses judeus (sefardistas), chineses e libaneses. As primeiras populações do Suriname, cerca de 12.000 descendentes dos habitantes originais ameríndios ainda sobrevivem: Caribes e Arawaks na planície costeira; Trio, Wayana, Warrau, Wayarekule e algumas dezenas de Akurio no interior do país.
Quase toda a população vive ao longo da faixa costeira, a metade reside na capital, Paramaribo. Sendo o menor estado em território e população da América do Sul e tem como língua oficial o neerlandês, única no hemisfério ocidental e não faz parte dos Países Baixos.
A região havia sido observada pelos holandeses, mas a invasão das terras dessas populações pelos europeus foi em 1630, quando colonos Ingleses liderados pelo Capitão Marshall objetivaram fundar uma colônia. Tentaram desenvolver culturas de tabaco, mas o empreendimento fracassou financeiramente. Em 1650 Lord Willoughby governador de Barbados resolveu fundar uma colônia no Suriname.
Em 26 de fevereiro de 167O a região foi novamente invadida por sete navios holandeses liderados por Abraham Crijnssen e após três horas de lutas venceram e colocaram o nome da região de Forte Zelândia. Em 31 de julho de 1667, os Ingleses e os holandeses assinaram o Tratado de Breda, no qual, de momento, o status quo foi respeitado: os holandeses poderiam manter a ocupação britânica do Suriname e da ex-colônia holandesa New Amsterdam (moderna Nova York). A região invadida e nomeada pelos ingleses de Willoughbyland foi renomeada Guiana Holandesa. A França também ocupou a região a qual foi devolvida aos holandeses em 1816 após a derrota de Napoleão.
Em 1954, o Suriname adquire o autogoverno, e os Países Baixos mantiveram o controle da defesa e os negócios estrangeiros. Em 1973, o governo local, liderado pelo NPK (uma grande parte partido crioulo) iniciou negociações com o governo holandês sobre a independência, que foi concedida em 25 de novembro de 1975.
O CATIVEIRO E EXPLORAÇÃO DOS AFRICANOS
Os protestantes calvinistas holandeses traficaram 300.000 africanos, homens e mulheres da costa ocidental e de regiões centrais para as plantações de açúcar, café, cacau, algodão, extração de madeiras e diversos serviços de exploração. A apropriação da doutrina da predestinação dos verdadeiros hebreus foi dada nova ressignificação e simbolismos, sendo fundamental para os calvinistas holandeses e ingleses para a escravização e exploração e dos povos originais. Não somente entraram em guerra no Suriname, também na África do Sul onde criaram baseados na doutrina da predestinação o sistema do apartheid.

http://bibliodyssey.blogspot.com/2007/08/surinam-slave-trade.html
Poucos professores de história sentem-se preparados para discutir tão importante tema nas escolas e universidades. Recordo-me quando iniciei os estudos sobre as comunidades quilombolas no início da década de 80 do século passado no estado da Bahia e era censurado por militantes negros que não compreendiam a existência dessas comunidades, e hoje se arvoram em “doutores e doutoras de quilombos”, fui inúmeras vezes censurado por afirmar que milhares de quilombos ainda existiam em uma época que só se falava no quilombo de Palmares, e alguns historiadores pesquisavam resistência escravizada quilombola somente em arquivos. Tenho grandes agradecimentos ao Mario Maestri Filho, meu ex-professor de história, aos seus ensinamentos e compreensão ao ensinar-me que estudar história do Brasil sem entender escravidão não era possível, e ao pesquisador Guilherme que em 1981 me fez compreender que quilombos se estudam in loco, visitando as comunidades.
O estudo dos quilombolas ainda está em fase inicial, apesar de algumas regularizações de “terra de preto”, não há condições de estudos mais aprofundados no que tange a história, sobretudo iniciaram-se incipientes e recentes escavações arqueológicas em Palmares. Torna-se necessário a formação de arqueólogos pretos objetivando a pesquisa em comunidades quilombolas em toda a América-Africana. No geral poucos estudos lingüísticos estão sendo realizados nas comunidades em território brasileiro, as quais ainda sofrem um processo de discussões políticas e ataques da grande mídia, porque terra de pretos é um problema que afeta os interesses dos latifundiários.
Os pretos escravizados se rebelaram de diversas maneiras, e entre elas a formação de quilombos em toda a América-Africana, sendo este fato histórico essencial para a compreensão do escravismo e sua derrocada. Muitas designações foram dadas, no Suriname receberam o nome de “bush negroes” nas colônias inglesas, de “maroons”, cimarrons, em Cuba, de 'palenques'. Novos estudos são feitos dessas comunidades em diversos países, como na Jamaica, USA, Venezuela, Equador, Republica Dominicana, etc.
Na verdade, ainda a muito de se estudar este fenômeno em toda a América-Africana. No Brasil, estas comunidades eram chamadas de quilombos, mocambos, coitos, palmares, cafundós, terra de pretos, entre outras.
Uma das mais importantes comunidades de descendentes de escravizados fugidos é a dos Saramakas do Suriname que ainda hoje é atuante e ainda resiste, com uma identidade própria, um estado dentro do estado surinamês. Enfrentaram o estado em uma guerra violenta iniciada no ano de 1986, obrigando milhares de quilombolas a se refugiarem na Guina Francesa, e em pleno século 21 é considerado o maior quilombo sobrevivente da América-Africana.
Infelizmente pouco se fala dessa resistência do povo Saramaka nos meios populares e os militantes pretos a desconhecem em sua maioria, este é o assunto que compartilharei com as leitoras e leitores desse blogger, de antemão, será apenas um escurecimento das informações relegadas nos bancos de educação eurocentrados.
OS SARAMAKAS




Diversos grupos de escravizados fugidos do Suriname se organizaram em quilombos, e os ancestrais dos Saramaka foram africanos capturados e vendidos para a escravidão no final do século XVII e início do século XVII para trabalhar nas plantações de açúcar, madeira, e cafezais. Oriundos de vários povos Africanos e falando muitas línguas diferentes, fugiram para a densa floresta tropical, individualmente e em pequenos grupos e, por vezes em grandes grupos. Realizaram rebeliões por quase 100 anos lutando uma guerra de libertação. Um século antes da emancipação dos escravizados, o estado holandês foi obrigado a assinar um tratado com os saramakas e vivem como um estado dentro do Suriname.

A FAMÍLIA SARAMAKA
Acredito que a organização familiar é à base da manutenção da herança ancestral das pretas e dos pretos e os saramakas conseguiram manter a unidade familiar, apesar de terem se refugiado na floresta e convivido com os nativos, conseguiram preservar as suas tradições africanas. Evidente que as inferências ocorreram, mas não foram determinantes e não mudaram na continuidade da africanidade deste povo.
Entre eles os princípios da matrilinearidade são importantes e, pois determinam os bens materiais e espirituais, é importante entender que matrilinearidade não é matriarcalidade.
O casamento é precedido de permanentes agrados entre os homens e mulheres, apesar de que muitos homens tenham até sete esposas durante a vida com a prática da poligamia.
A fertilidade das mulheres celebrada, e a prática da amamentação das crianças se prolonga por um bom tempo, diferente dos padrões ocidentais.
As crianças têm uma educação matrilinear sendo orientados pela família materna e as jovens estão aptas ao casamento aos quinze anos de idade e os rapazes aos vinte anos.
Possuem uma economia baseada no extrativismo, na caça e na pesca, praticando também a agricultura com as culturas do arroz, mandioca, taro, quiabo, milho, plátanos, banana, cana de açúcar, e o amendoim. Cuidam também de plantas nativas como a fruta-pão, coco, laranja, mamão e abóbora. A caça e a pesca são partilhadas entre os parentes. Os homens constroem casas e canoas e esculpem uma vasta gama de objetos de madeira para uso doméstico, tais como cadeiras, pás, bandejas, utensílios para cozinhar, pentes e outros utensílios. As mulheres costuram e bordam as roupas e fazem panelas de cabaça e trabalham na cerâmica e na produção de cestas. Atualmente já lideram comunidades.



O trabalho assalariado fora das aldeias é de prática masculina como também as viagens para ganhar dinheiro no litoral do Suriname e da Guiana Francesa para fornecer as mercadorias ocidentais consideradas essenciais para a vida em suas casas e aldeias, tais como espingardas, pólvora, ferramentas, vasos, tecidos, espreguiçadeiras, sabão, querosene e rum. Durante a segunda metade do século XX, as pequenas lojas aparecerem em muitas aldeias, e peças de motores, rádios transistores, e gravadores . Hoje em dia, telefones celulares são onipresentes e a comunicação com Paramaribo, tanto por homens como por mulheres, tem aumentado bastante. E novas oportunidades econômicas na indústria de mineração do ouro - para os homens, a prostituição de mulheres - estão atualmente a ser explorada.
Pela importância deste fato histórico será dividido em duas partes, na segunda parte versaremos sobre as religiões e muitas formas de adivinhação para descobrir as causas das doenças ou infortúnio; rituais, incluindo a bela percussão e danças, a veneração dos ancestrais e a adoração do deus-serpente, os espíritos das florestas e rios; as crenças sobre várias almas; idéias sobre as maneiras que o conflito social pode causar a doença; os extensos ritos dos gêmeos; o culto secreto dos guerreiros, os funerais como o mais importante de todos os rituais.
A medicina africana atendia aos brancos e no século XVIII apesar da presença de oito médicos brancos na colônia, os escravizados desempenharam crucial papel com as suas ervas e curas, tanto entre os cristãos e os judeus. Também iremos escrever sobre a língua e a guerra dos Saramakas (OCORRIDA NO FINAL DA DÉCADA DE 80 DO SÉCULO PASSADO AOS ANOS 90).


terça-feira, 16 de junho de 2009

OLMECAS - A CIVILIZAÇÃO PRETA AMERICANA

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano

Ao iniciar as discussões acerca dos Olmecas, importante é ressaltar que esta nomeação foi posta por arqueólogos ao se depararem com essa civilização preta, e não sabendo como chamá-la optaram por este nome asteca referente à população que habitava essa região. As pessoas que habitavam a região na qual a cultura se desenvolveu eram chamados de Olmecas que, em Nahuatl (a língua dos Astecas), quer dizer: Habitantes do País da Borracha. Isso se deve ao fato de que naquela região havia muitas seringueiras, árvores de onde se extrai o látex utilizado na fabricação da borracha. Então, já sabemos que o nome Olmeca não é como os membros dessa civilização africana se autodenominavam. Mas, enquanto os estudos arqueológicos continuam, apesar de uma parte dos sítios se encontrarem em propriedade das instalações do PEMEX (Petróleos Mexicanos), o equivalente a Petrobrás e outros soterrados pelos pântanos mexicanos, aguardamos novas descobertas e decifrações dos hieróglifos para sabermos a verdadeira denominação.
Sempre digo aos estudantes a necessidade da localização espacial dos fatos históricos, não há história sem geografia, a interdisciplinaridade entre estas duas ciências é fundamental paras o entendimento das civilizações. Uma das táticas do eurocentrismo é negar ou tentar modificar as localizações das civilizações pretas, como o caso de Khemet, da negação dos estudos dos povos do Vale do Indo, a ausência de discussão geográfica das civilizações pretas na Oceania e na Europa. A arte de negar e dissimular os fatos históricos tem contribuído para o desconhecimento das civilizações pretas no planeta, com os Olmecas a questão ainda é mais profunda, pois há todo um complô acadêmico de negação da africanidade desta civilização dentro do próprio México e no mundo ocidental, apesar das provas arqueológicas, os defensores do eurocentrismo dominam as principais academias de história. A nossa equipe se sente desafiada a desmitificar a história eurocêntrica, por este motivo a nossa equipe em breve disponibilizará o curso de Geografia e História da América-Africana, com uma concepção afrocentrada, sendo o primeiro do Brasil.
A civilização dos Olmecas estava situada no Golfo do México e começou a ser pesquisada através da arqueologia no século XX:

A descoberta de uma antiga agenda no México de 3113 anos a.C. comprova que a civilização dos Olmecas é muito mais antiga deixando exasperados muitos historiadores e arqueólogos que tentam negar esta civilização preta. Os relatórios apontam que as autoridades mexicanas ficaram "envergonhadas", porque afirmavam que o início cerca de 1200 anos a.C. A descoberta do calendário comprova que há 3113 anos antes de Cristo, os pretos habitavam a América.

Hieróglifos Olmeca



Os cientistas afrocentrados têm realizados diversos estudos que comprovam que os Olmecas possuem ligação direta com as civilizações africanas, e de acordo com Clyde Winters, os Olmecas foram africanos Mandinka da África Ocidental que utilizaram a forma de escrita Mende para escrever e falar a língua Mende, a mesma língua falada por Cinque no filme Amistad.

Homem Mandinka Atual

A forma de escrever Mende foi encontrada em monumentos no Monte Alban, no México, posteriormente descobiu-se que a língua é a mesma falada pelo povo Mende da África Ocidental.
Não somente o fenótipo com os pretos africanos comprovam a origem dos olmecas e também muitos dos seus rituais religiosos, como a utilização de machados como adereço e respeitabilidade a força da natureza, representada pelo trovão, a utilização de sacerdotes-rei e o respeito às crianças.
Após escavações na região costeira de Vera Cruz foram encontradas muitas casas em três locais: La Venta, Tres Zapotes, e San Lorenzo; os quais mostram especialmente em La Venta os antecedentes das futuras civilizações da Mesoamerica, com templos construídos em torno de praças em padrão regular e toda a área de cerimonial de um longo eixo central em direção norte-sul. O fator interessante é que esta ordenação é parecida e contemporânea das civilizações do Vale do Indo, como o caso das ruas de Monhejo-Daro e Harappa.

A civilização olmeca é batizada de futura-mãe, devido aos traços comuns legados a outras civilizações meso-americanas. Esses traços seriam: o culto ao jaguar, os centros cerimoniais, a escrita, o calendário, a construção de pirâmides escalonadas e o jogo ritual com bolas de borracha. Ao redor desses centros os olmecas cultivaram o milho, o feijão e a abóbora aplicando uma agricultura de coivara ao longo dos rios. A dieta alimentar ainda era complementado com a caça e a pesca. Os olmecas não conheciam os metais, mas usavam o jade como principal minério para construção de maravilhosos trabalhos artísticos.

Artesãos Olmecas foram hábeis em retratos de animais, por exemplo, o peixe navio.Os olmecas, como outras civilizações americanas, construíram templos e pirâmides parecidas com as construídas pelos pretos de Khemth e Kush-Nubia, sendo uma preocupação aos eurocentristas, evidente que a migração dos povos pretos confirma que foram primeiros a fazer comércio ao redor do planeta e desenvolver civilizações.
Mais de 22 pedras esculpidas em forma cabeças de rocha basalto sólida tem identificados pretos em características raciais, bem como traços culturais como penteados, tranças com pérolas e cabelo retorcido, além de um tipo de capacete de guerra identificado como Nubiano foram encontrados esculpidos nas esculturas colosais Olmecas em conexão com a África Ocidental e Khemth / região de Kush.

Em 1982 Professor Alexander von Wuthenau comparou cabeças Olmecas com Rei Taharka, um Nubio-Kushita, Faraó do Egito antigo.

Destarte, é impossível em um artigo de blogger descrever essa importante civilização preta, mas, é um dos caminhos simplórios para uma desconstrução do mito eurocentrista, e não somente os Olmecas tem características africanas. Outras importantes civilizações da América - Africana a possuem, por isso em breve a nossa equipe estará oferecendo o curso Geografia e História da América-Africana.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O PRETO NA AMÉRICA ANTES DA INVASÃO EUROPÉIA

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano


CONSIDERAÇÕES INICIAIS: A TENTATIVA DA NEGAÇÃO DA HISTÓRIA PRETA
Diversas descobertas arqueológicas continuam sendo feitas comprovando o único caminho para entender as civilizações ancestrais: a afrocentricidade. Historiadores, antropólogos, lingüistas, arqueólogos, biólogos e outras áreas do conhecimento tentaram esconder durante séculos e acobertar achados históricos que comprovam a presença africana em todo o planeta - a conexão preta na civilização mundial.
São vãs as tentativas de embranquecer Khemet, Mesopotâmia (Terra dos Etíopes), os chamados aborígenes e outras populações da Oceania, o Vale do Indo, as primeiras populações pretas na China e do Japão, na Tailândia, os primeiros habitantes da Grécia e de toda a Europa, a Espanha Mourisca, a população preta inicial das Américas, e especialmente os verdadeiros hebreus que são os pretos cativos que vieram para as Américas conforme a releitura de Deuteronômio 28 e de toda a história bíblica. Se você se interessa por esta verdade escondida, escreva para hebreuspretos@gmail.com
Para Hegel, a África era a parte do continente situado ao sul do Saara e habitado pelos pretos. Ele considerava o norte da África como parte da Europa, continente de história, e o Egito, em seu pensamento, era isolado como um grade sítio de cultura oriental. A partir dessa distinção, percebemos que para Hegel, os pretos constituem um grupo humano sem qualquer forma de história, porque seu continente, a África, “é o país da infância que para além do dia da história consciente, é envelopado pela cor negra da noite.”. Ainda segundo ele, os pretos não têm nem história empírica, o que significa que eles não têm nem civilização e nem cultura. De outra parte, eles não têm história de pensamento, o que testemunha sua incapacidade para pensar e da existência de pensamento na África.
Fico deveras pensativo quando intelectuais pretos conhecem de cor as escolas racistas não as compreendendo assim, e tentam procurar saídas para o nosso povo baseados em ideologias discriminatórias.
Os defensores da incoerência histórica baseadas no eurocentrismo não conseguem se manter de pé, por causa das provas incontestes, e os ataques aos historiadores pretos afrocentrados não estão mais surtindo efeito. Está sendo desmantelada a grande mentira eurocêntrica criada na invasão do continente africano e americano através da escravidão e colonização: O POVO PRETO NÃO TEM HISTÓRIA. A máxima na história das civilizações do planeta atualmente é: O POVO PRETO É O INÍCIO E CONTINUIDADE DE TODA A HISTÓRIA.
Todas as concepções filosóficas e políticas estruturadas na base do eurocentrismo, rotuladas de direitas ou esquerdas combatem a afrocentricidade, seja marxista, weberiana, não importa.
O europeu e seus descendentes acreditam que são superiores e se apropriaram de riquezas artísticas, de tesouros ancestrais, maculando a verdade, e expondo as suas prendas de guerra em museus: Museu do Louvre, Museu do Homem e, recentemente, o Museu do Quai Branly, tornando-se provas incontestes da apropriação de uma parte da história africana e afro-diásporica. As concepções formuladas no pensamento europeu não compreendem e não aceitam a história baseada nas sociedades africanas e suas migrações pelo planeta.

Estátua de Imhotep no Museu do Louvre

Muitos com a concepção eurocêntrica começam a mudar de opiniões porque não podem violar os fatos e infelizmente muitas pessoas pretas que nada sabem sobre a ciência da história e da afrocentricidade andam se autotitulando de “afrocêntricos”, sendo meros eurocêntricos maquilados de pretos, mas, deve ter cuidado para não servirem de repetidores da história eurocêntrica e de suas táticas da pós-modernidade, outra invenção eurocêntrica que em breve será discutida neste blogger pelo Griot Ademário ou por mim.
Sobre a população preta inicial das Américas antes da invasão dos europeus é mister que a História das Américas seja enriquecida com uma nova matéria: Geografia e História da América-Africana. Os chamados “detentores de conhecimentos” que repassam informações européias as nossas crianças e adolescentes, obrigados pelas leis que tentam normatizar fora da afrocentricidade à história dos povos africanos e afro-diásporicos, repito com a visão do europeu, libertem-se da escravidão mental e aproveitem a oportunidade de conhecer a face preta da história americana. Geografia e História da América - Africana será um dos cursos que a nossa equipe de História afrocentrada disponibilizarará em breve. Por mais informações entre em contato com historiafrocentrada@gmail.com

LUZIA E O HOMEM DA LAGOA SANTA
Lembro-me da saudosa Maria Beatriz do Nascimento (Bia) lá pelo final da década de 70 no Grupo de Trabalhos André Rebouças da UFF (Universidade Federal Fluminense quando conversávamos e afirmava que os povos pretos habitaram as Américas antes dos chamados ameríndios e da invasão branca européia.
Um dos achados arqueológicos pela missão arqueológica franco-brasileira considerado um dos fósseis mais antigos da América de 11.500 a 12 mil anos encontrado em escavações na Lapa Vermelha, uma gruta na região metropolitana de Belo Horizonte - Minas Gerais refere-se ao crânio de uma mulher com idade entre 20 e 25 anos . Os traços lembram os atuais aborígenes da Austrália e os pretos africanos - com o nariz largo, e bochechas e queixos salientes que foi chamada de Luzia, apelidado pelo bioarqueólogo Walter Alves Neves, do Instituto de Biociências da USP. Ele se inspirou em Lucy, a célebre fóssil de Australopithecus afarensis de 3,5 milhões de anos achado na Tanzânia em 1974. As pesquisas na Lagoa Santa foram feitas pelo pioneiro das descobertas dessas ossadas humanas, o naturalista dinamarquês Peter Lund que se radicou em Lagoa Santa na década de 1830. Ele encontrou grande número de fósseis humanos e de animais pré-históricos já extintos nas cavernas da região. O maciço calcário do carste de Lagoa Santa favorece a fossilização das ossadas.
Segundo a arqueóloga Rosângela Albano, que dirige o Centro de Arqueologia Annette Laming Emperaire (é o nome da arqueóloga francesa que coordenou junto com André Prous a missão franco-brasileira que descobriu o crânio de Luzia, em 1975), Lund descobriu cerca de 70 ossadas humanas, a maioria das quais enviadas para o museu de Copenhague. Naquele século, muitas outras ossadas foram encontradas por pesquisadores brasileiros e de outros países.
A presença das populações pretas na América é bem difusa em diversas regiões e hoje começaremos uma discussão simplória sobre a mais conhecida que a cada momento
OS OLMECAS

Estátua Olmeca

O conhecimento da civilização Olmeca é iniciante, quando falamos das civilizações nas Américas o conteúdo é sobre os Maias, Astecas e Incas, e pronto. Explicou-se e exformou o que chamam das civilizações “pré-colombianas”. Sendo assim, os Olmecas será a primeira civilização que iremos comentar , e de antemão, saibam que estamos falando de uma civilização preta, considerada pela arqueologia como mais antiga que a civilização dos Maias. Os Olmecas deram um xeque-mate nos defensores do eurocentricismo que se apegam a qualquer centelha que possa surgir objetivando negar a migração dos povos africanos há milhares de anos.
Continua na segunda-feira dia 15/06 neste blogger.

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias