quarta-feira, 1 de julho de 2009

AS NAÇÕES MAROONS DO SURINAME

Ndyuka ou Okanisi
O Suriname possui seis nações de maroons (quilombolas): Ndyuka ou Okanisi, Saamaka, Pamaka, Matawai, Aluku ou Boni e Kwiinti.
Todas as nações quilombolas partilham uma história de uma repressão brutal aos seus antepassados que foram seqüestrados de várias partes da África para trabalhar como escravizados nas plantações de açúcar, café e algodão no Suriname. Os antepassados recusaram o jugo da escravidão e fugiram para a floresta tropical sul-americana e travaram uma guerra de guerrilha prolongada e vitoriosa aos seus antigos opressores. No decorrer do século XVIII, os colonos holandeses foram forçados a assinar tratados de paz com os grupos Ndyuka (1760), o Saamaka (1762), o Matawai (1767) e os Aluku (1860). Outros grupos Maroon conseguiram também a sua liberdade.
A história das seis nações e sua resistência é bem diferente dos estudos dos quilombos no Brasil onde encontramos uma farta documentação de mocambos e quilombos destruídos praticamente em todo o território nacional, sendo o clássico mais conhecido e ponto de afirmação étnica de luta, os Palmares com Zumbi e seus quilombolas, o qual ainda não foi profundamente estudado apesar de existirem livros, filmes, trabalhos arqueológicos e um memorial.
Há um trabalho incipiente de milhares de quilombos existentes atualmente em território brasileiro com diferentes históricos: fugas de escravos, ex-senzalas, terras doadas ou compradas pós-abolição, posseiros, que leva a conceituações distintas, mas, nenhum deles deve ser comparado às nações maroons do Suriname.
As seis nações maroons tiveram o êxito que os Palmarinos não conseguiram. É uma história viva de lutas por liberdade, terra e africanidade iniciadas em 1670, há mais de 300 anos. É o grande patrimônio material e imaterial da resistência dos africanos na América – Africana, e deve ser fator primordial de apoio dos pan-africanistas em todo o planeta.
No vídeo abaixo retrata a nação Djuka na antiga Guiana Holandesa em 1933. As imagens falam mais altas que as palavras racistas do locutor:
DUTCH GUIANA - LAND OF THE DJUKA 1933

AS LÍNGUAS DOS MARRONS DO SURINAME
Um dos fatores mais lindos da resistência dos escravizados foi à manutenção da língua dos ancestrais e o mais surpreendente é o fato de que sistemas de escritas Africanos sobreviveram aos horrores da escravidão
A LINGUA DJUKA

Nação Igbo e Nação Ndjuka

A nação Ndjuka possui uma escrita própria baseada na língua da nação igbo, que contem 56 letras e foi criada por Afáka Atumisi em 1910 e que continua a ser utilizado no século 21 e 10% dos Ndjuka estão alfabetizados nesta escrita.
É de vital importância o histórico da formação dessa língua. Conta-se que 1908, Afáka Atumisi sonhou com um espírito que lhe disse que era o momento de ensinar aos Ndyuka uma forma de escrever. O espírito prometeu ensinar-lhe um ou dois sinais a cada noite quando o visitasse. E assim aconteceu. Afáka que não sabiam ler e nem escrever, aprendeu 56 sinais silábicos do seu conselheiro espiritual, cada um constituído por uma vogal ou uma consoante seguida por uma vogal.
Em 1910, quando ocorreu o aparecimento do cometa de Halley, Afáka sentiu-se convencido de que tinha sido dado um importante instrumento para a melhoria do destino da nação e começou a ensinar os sinais para o Ndyuka.
Todas as pessoas que aprenderam bem à escrita recebem o título de "bukuman". Afáka foi o primeiro ede-bukuman (chefe da associação de bukuman). Com a sua morte em oito de julho de 1918, Abena da aldeia Saaye, herdou o título e as responsabilidades. Antes de morrer, em 1960, Abena tinha formado o seu filho, Alufaisi Kasitioe, para usar a escrita. Alufaisi treinou André RM Pakosie sobre a maneira de ler e escrever. Em 1 º de julho de 1977, Alufaisi escolheu Pakosie como sucessor para o cargo de ede-bukuman. Quando Alufaisie morreu em 1993, Pakosie assumiu todas as responsabilidades relacionadas com a função de ede-bukuman. Ele lecionou a várias pessoas no Suriname e na Holanda o bom uso da escrita do Afáka. É a única escrita em uso na América - Africana que foi elaborada especificamente por um preto, sendo utilizada em sua grande parte no Suriname e também por maroons na Guiana Francesa.
Os saramakas também criaram um língua que é falada por 24.000 pessoas no Suriname e 2.000 na Guiana Francesa.
Surgiu a partir do contato entre os idiomas Inglês, holandês e línguas africanas (Kongo, Akan e Gbe) além de ter sido fortemente influenciada pelo Português falado pelos sefardins e seus escravizados que foram levados do Brasil. Os judeus sefardins foram grandes aliados dos holandeses e após a derrota destes se refugiaram no Guiana Holandesa onde continuaram como grandes proprietários de lavouras de cana-de-açúcar e de milhares de escravizados. Além disso, as palavras em Português compõem quase 40 por cento de seu vocabulário, incluindo alguns morfemas gramaticais. A língua sarmacaan e todas as línguas crioulas são uma afirmação da africanidade e resistência a língua do escravizador, pois quebra a ideologia do “totalmente domesticado”. Infelizmente alguns pretos e pretas se orgulham de falar e escrever a língua dos escravizadores (português, espanhol, inglês, francês, holandês) melhor do que eles.


A RESISTÊNCIA DA RELIGIÃO DOS ANCESTRAIS E A TENTATIVA DE EVANGELIZAÇÃO
Alabi viveu na segunda metade do século XVIII, foi chefe tribal dos quilombolas saramakas e o primeiro convertido ao cristianismo.
O registro escrito dos missionários que viveram nas aldeias saramakas se estende de 1765 a 1813 e constitui um relato pormenorizado de seu fracasso geral em ganhar almas de Satã, assim como um retrato tocante da resistência saramaka. Os textos foram escritos ao mesmo tempo para a congregação na Europa, enquanto registro inspirador dos sofrimentos e êxitos dos missionários, e como confissão pessoal a Deus, o forte sentido cuja imanência emerge de cada página. Esses textos dos morávios, ricos e teologicamente exóticos, colocam desafio sinalizador ao intérprete que busca compreender o encontro entre europeus e africanos deslocados na América colonial.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832004000100013&script=sci_arttext
As nações mantiveram a religião dos ancestrais apesar das inúmeras tentativas de evangelização da Igreja Moravia, fato este costumeiro de religiões brancas acharem que os povos pretos são adoradores de Satanás. Os moravios empreenderam diversas campanhas e conseguiu converter alguns lideres quilombolas. A questão das diversas igrejas cristãs e os quilombolas merece um artigo mais aprofundado.
A prática africana da religião das nações é uma preciosa forma de resistência, porque sabemos que toda evangelização é a destruição e satanização dos povos pretos. Atualmente cerca de 25 por cento são cristãos - principalmente da Igreja Moravia (alguns desde os meados do século 18), outros Católicos Romanos e, cada vez mais hoje, evangélicos de outras igrejas. A religião praticada pelas nações maroons é uma realaboração dos cultos ancestres africanos e uma reafirmação da africanidade. A base religiosa é de influência principalmente dos povos akan (Ashanti) (Gana), Ewe e Fons (Togo, Benin- antigo Daomé e Ocidente da Nigéria) e do estuário do rio Congo, a região do Lwango . A religião é conhecida por Winti e tem como base a adoração de um Deus Único Criador e Superior , cultos aos ancestrais e as forças da natureza.

Naks Wan Rutu Tapu Kromanti winti dance part2

Em 25 de fevereiro de 1980 o recém independente Suriname foi alvo de um golpe militar que se instalou no país até o início dos anos 90. Um dos principais líderes militares foi Desiré Delano Bouterse, o qual é acusado de diversos crimes e foi condenado na Holanda, o qual mantém um mandado internacional de prisão.
De (1986-1992) a nação saramanka e a nação djuka tiveram que reagir armados ao governo de Desiré Delano Bouterse e as forças do Exército , com uma organização de guerrilha liderada por Roony Brunswijk, ex-segurança do presidente Bouterse, que fundou o "Junglecommand" (Comando da Selva) que obteve um série de vitórias iniciais, a consequência foi uma violenta repressão das forças armadas, massacre, assassinatos, detenções e a fuga de mais de 10.000 quilombolas para a Guiana Francesa e locais escondidos em Paramaribo.
Atualmente a luta é das nações maroons no interior, são contra as poderosas madeireiras chinesas, mineradores de bauxita e de ouro, que representam interesses financeiros transnacionais.
Em 26 de junho de 2006 a Comissão Intermaricana de Direitos Humanos em conformidade com as disposições 50 e 61 da Convenção Americana apresentou um requerimento ao Tribunal da Justiça contra o estado do Suriname, conforme petição dos líderes dos doze clãs da nação Saramaka que alegaram violações do estado surinamês aos direitos a propriedade e a proteção judicial.

Saiba mais sobre a geografia, história das nações maroons no curso Geografia e História da América –Africana.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

SARAMAKAS - SAMARAKANS

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano
SURINAME
O Suriname encontra-se na parte norte da América do Sul, costa Atlântica a 2 ° -6 ° de latitude norte, 54 ° -58 ° de longitude Oeste (163.266 km²). Limita-se a leste com a Guiana Francesa, a oeste com a Guiana e ao sul com o Brasil. O interior está coberto de florestas e os rios convertem-se em um único acesso. O Suriname é extremamente diversificado etnicamente, linguisticamente, e religiosamente, os muçulmanos constituem 20% da população do Suriname, a percentagem mais elevada de muçulmanos em todos os países das Américas; a sua população estimada em cerca de 470.000 pessoas. “Consiste de aproximadamente 38 % de “Hindustanis” (descendentes de trabalhadores contratados que importou da Índia durante o final do século XIX), 31 % de “crioulos” (descendentes de escravizados africanos), 15 % de “javaneses” (descendentes dos indonésios importados como trabalhadores contratados no início do século XX), 10% de "quilombolas" (descendentes de escravizados africanos, que escaparam das plantações e formaram suas próprias comunidades no interior das florestas), e menor número de Portugueses judeus (sefardistas), chineses e libaneses. As primeiras populações do Suriname, cerca de 12.000 descendentes dos habitantes originais ameríndios ainda sobrevivem: Caribes e Arawaks na planície costeira; Trio, Wayana, Warrau, Wayarekule e algumas dezenas de Akurio no interior do país.
Quase toda a população vive ao longo da faixa costeira, a metade reside na capital, Paramaribo. Sendo o menor estado em território e população da América do Sul e tem como língua oficial o neerlandês, única no hemisfério ocidental e não faz parte dos Países Baixos.
A região havia sido observada pelos holandeses, mas a invasão das terras dessas populações pelos europeus foi em 1630, quando colonos Ingleses liderados pelo Capitão Marshall objetivaram fundar uma colônia. Tentaram desenvolver culturas de tabaco, mas o empreendimento fracassou financeiramente. Em 1650 Lord Willoughby governador de Barbados resolveu fundar uma colônia no Suriname.
Em 26 de fevereiro de 167O a região foi novamente invadida por sete navios holandeses liderados por Abraham Crijnssen e após três horas de lutas venceram e colocaram o nome da região de Forte Zelândia. Em 31 de julho de 1667, os Ingleses e os holandeses assinaram o Tratado de Breda, no qual, de momento, o status quo foi respeitado: os holandeses poderiam manter a ocupação britânica do Suriname e da ex-colônia holandesa New Amsterdam (moderna Nova York). A região invadida e nomeada pelos ingleses de Willoughbyland foi renomeada Guiana Holandesa. A França também ocupou a região a qual foi devolvida aos holandeses em 1816 após a derrota de Napoleão.
Em 1954, o Suriname adquire o autogoverno, e os Países Baixos mantiveram o controle da defesa e os negócios estrangeiros. Em 1973, o governo local, liderado pelo NPK (uma grande parte partido crioulo) iniciou negociações com o governo holandês sobre a independência, que foi concedida em 25 de novembro de 1975.
O CATIVEIRO E EXPLORAÇÃO DOS AFRICANOS
Os protestantes calvinistas holandeses traficaram 300.000 africanos, homens e mulheres da costa ocidental e de regiões centrais para as plantações de açúcar, café, cacau, algodão, extração de madeiras e diversos serviços de exploração. A apropriação da doutrina da predestinação dos verdadeiros hebreus foi dada nova ressignificação e simbolismos, sendo fundamental para os calvinistas holandeses e ingleses para a escravização e exploração e dos povos originais. Não somente entraram em guerra no Suriname, também na África do Sul onde criaram baseados na doutrina da predestinação o sistema do apartheid.

http://bibliodyssey.blogspot.com/2007/08/surinam-slave-trade.html
Poucos professores de história sentem-se preparados para discutir tão importante tema nas escolas e universidades. Recordo-me quando iniciei os estudos sobre as comunidades quilombolas no início da década de 80 do século passado no estado da Bahia e era censurado por militantes negros que não compreendiam a existência dessas comunidades, e hoje se arvoram em “doutores e doutoras de quilombos”, fui inúmeras vezes censurado por afirmar que milhares de quilombos ainda existiam em uma época que só se falava no quilombo de Palmares, e alguns historiadores pesquisavam resistência escravizada quilombola somente em arquivos. Tenho grandes agradecimentos ao Mario Maestri Filho, meu ex-professor de história, aos seus ensinamentos e compreensão ao ensinar-me que estudar história do Brasil sem entender escravidão não era possível, e ao pesquisador Guilherme que em 1981 me fez compreender que quilombos se estudam in loco, visitando as comunidades.
O estudo dos quilombolas ainda está em fase inicial, apesar de algumas regularizações de “terra de preto”, não há condições de estudos mais aprofundados no que tange a história, sobretudo iniciaram-se incipientes e recentes escavações arqueológicas em Palmares. Torna-se necessário a formação de arqueólogos pretos objetivando a pesquisa em comunidades quilombolas em toda a América-Africana. No geral poucos estudos lingüísticos estão sendo realizados nas comunidades em território brasileiro, as quais ainda sofrem um processo de discussões políticas e ataques da grande mídia, porque terra de pretos é um problema que afeta os interesses dos latifundiários.
Os pretos escravizados se rebelaram de diversas maneiras, e entre elas a formação de quilombos em toda a América-Africana, sendo este fato histórico essencial para a compreensão do escravismo e sua derrocada. Muitas designações foram dadas, no Suriname receberam o nome de “bush negroes” nas colônias inglesas, de “maroons”, cimarrons, em Cuba, de 'palenques'. Novos estudos são feitos dessas comunidades em diversos países, como na Jamaica, USA, Venezuela, Equador, Republica Dominicana, etc.
Na verdade, ainda a muito de se estudar este fenômeno em toda a América-Africana. No Brasil, estas comunidades eram chamadas de quilombos, mocambos, coitos, palmares, cafundós, terra de pretos, entre outras.
Uma das mais importantes comunidades de descendentes de escravizados fugidos é a dos Saramakas do Suriname que ainda hoje é atuante e ainda resiste, com uma identidade própria, um estado dentro do estado surinamês. Enfrentaram o estado em uma guerra violenta iniciada no ano de 1986, obrigando milhares de quilombolas a se refugiarem na Guina Francesa, e em pleno século 21 é considerado o maior quilombo sobrevivente da América-Africana.
Infelizmente pouco se fala dessa resistência do povo Saramaka nos meios populares e os militantes pretos a desconhecem em sua maioria, este é o assunto que compartilharei com as leitoras e leitores desse blogger, de antemão, será apenas um escurecimento das informações relegadas nos bancos de educação eurocentrados.
OS SARAMAKAS




Diversos grupos de escravizados fugidos do Suriname se organizaram em quilombos, e os ancestrais dos Saramaka foram africanos capturados e vendidos para a escravidão no final do século XVII e início do século XVII para trabalhar nas plantações de açúcar, madeira, e cafezais. Oriundos de vários povos Africanos e falando muitas línguas diferentes, fugiram para a densa floresta tropical, individualmente e em pequenos grupos e, por vezes em grandes grupos. Realizaram rebeliões por quase 100 anos lutando uma guerra de libertação. Um século antes da emancipação dos escravizados, o estado holandês foi obrigado a assinar um tratado com os saramakas e vivem como um estado dentro do Suriname.

A FAMÍLIA SARAMAKA
Acredito que a organização familiar é à base da manutenção da herança ancestral das pretas e dos pretos e os saramakas conseguiram manter a unidade familiar, apesar de terem se refugiado na floresta e convivido com os nativos, conseguiram preservar as suas tradições africanas. Evidente que as inferências ocorreram, mas não foram determinantes e não mudaram na continuidade da africanidade deste povo.
Entre eles os princípios da matrilinearidade são importantes e, pois determinam os bens materiais e espirituais, é importante entender que matrilinearidade não é matriarcalidade.
O casamento é precedido de permanentes agrados entre os homens e mulheres, apesar de que muitos homens tenham até sete esposas durante a vida com a prática da poligamia.
A fertilidade das mulheres celebrada, e a prática da amamentação das crianças se prolonga por um bom tempo, diferente dos padrões ocidentais.
As crianças têm uma educação matrilinear sendo orientados pela família materna e as jovens estão aptas ao casamento aos quinze anos de idade e os rapazes aos vinte anos.
Possuem uma economia baseada no extrativismo, na caça e na pesca, praticando também a agricultura com as culturas do arroz, mandioca, taro, quiabo, milho, plátanos, banana, cana de açúcar, e o amendoim. Cuidam também de plantas nativas como a fruta-pão, coco, laranja, mamão e abóbora. A caça e a pesca são partilhadas entre os parentes. Os homens constroem casas e canoas e esculpem uma vasta gama de objetos de madeira para uso doméstico, tais como cadeiras, pás, bandejas, utensílios para cozinhar, pentes e outros utensílios. As mulheres costuram e bordam as roupas e fazem panelas de cabaça e trabalham na cerâmica e na produção de cestas. Atualmente já lideram comunidades.



O trabalho assalariado fora das aldeias é de prática masculina como também as viagens para ganhar dinheiro no litoral do Suriname e da Guiana Francesa para fornecer as mercadorias ocidentais consideradas essenciais para a vida em suas casas e aldeias, tais como espingardas, pólvora, ferramentas, vasos, tecidos, espreguiçadeiras, sabão, querosene e rum. Durante a segunda metade do século XX, as pequenas lojas aparecerem em muitas aldeias, e peças de motores, rádios transistores, e gravadores . Hoje em dia, telefones celulares são onipresentes e a comunicação com Paramaribo, tanto por homens como por mulheres, tem aumentado bastante. E novas oportunidades econômicas na indústria de mineração do ouro - para os homens, a prostituição de mulheres - estão atualmente a ser explorada.
Pela importância deste fato histórico será dividido em duas partes, na segunda parte versaremos sobre as religiões e muitas formas de adivinhação para descobrir as causas das doenças ou infortúnio; rituais, incluindo a bela percussão e danças, a veneração dos ancestrais e a adoração do deus-serpente, os espíritos das florestas e rios; as crenças sobre várias almas; idéias sobre as maneiras que o conflito social pode causar a doença; os extensos ritos dos gêmeos; o culto secreto dos guerreiros, os funerais como o mais importante de todos os rituais.
A medicina africana atendia aos brancos e no século XVIII apesar da presença de oito médicos brancos na colônia, os escravizados desempenharam crucial papel com as suas ervas e curas, tanto entre os cristãos e os judeus. Também iremos escrever sobre a língua e a guerra dos Saramakas (OCORRIDA NO FINAL DA DÉCADA DE 80 DO SÉCULO PASSADO AOS ANOS 90).


terça-feira, 16 de junho de 2009

OLMECAS - A CIVILIZAÇÃO PRETA AMERICANA

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano

Ao iniciar as discussões acerca dos Olmecas, importante é ressaltar que esta nomeação foi posta por arqueólogos ao se depararem com essa civilização preta, e não sabendo como chamá-la optaram por este nome asteca referente à população que habitava essa região. As pessoas que habitavam a região na qual a cultura se desenvolveu eram chamados de Olmecas que, em Nahuatl (a língua dos Astecas), quer dizer: Habitantes do País da Borracha. Isso se deve ao fato de que naquela região havia muitas seringueiras, árvores de onde se extrai o látex utilizado na fabricação da borracha. Então, já sabemos que o nome Olmeca não é como os membros dessa civilização africana se autodenominavam. Mas, enquanto os estudos arqueológicos continuam, apesar de uma parte dos sítios se encontrarem em propriedade das instalações do PEMEX (Petróleos Mexicanos), o equivalente a Petrobrás e outros soterrados pelos pântanos mexicanos, aguardamos novas descobertas e decifrações dos hieróglifos para sabermos a verdadeira denominação.
Sempre digo aos estudantes a necessidade da localização espacial dos fatos históricos, não há história sem geografia, a interdisciplinaridade entre estas duas ciências é fundamental paras o entendimento das civilizações. Uma das táticas do eurocentrismo é negar ou tentar modificar as localizações das civilizações pretas, como o caso de Khemet, da negação dos estudos dos povos do Vale do Indo, a ausência de discussão geográfica das civilizações pretas na Oceania e na Europa. A arte de negar e dissimular os fatos históricos tem contribuído para o desconhecimento das civilizações pretas no planeta, com os Olmecas a questão ainda é mais profunda, pois há todo um complô acadêmico de negação da africanidade desta civilização dentro do próprio México e no mundo ocidental, apesar das provas arqueológicas, os defensores do eurocentrismo dominam as principais academias de história. A nossa equipe se sente desafiada a desmitificar a história eurocêntrica, por este motivo a nossa equipe em breve disponibilizará o curso de Geografia e História da América-Africana, com uma concepção afrocentrada, sendo o primeiro do Brasil.
A civilização dos Olmecas estava situada no Golfo do México e começou a ser pesquisada através da arqueologia no século XX:

A descoberta de uma antiga agenda no México de 3113 anos a.C. comprova que a civilização dos Olmecas é muito mais antiga deixando exasperados muitos historiadores e arqueólogos que tentam negar esta civilização preta. Os relatórios apontam que as autoridades mexicanas ficaram "envergonhadas", porque afirmavam que o início cerca de 1200 anos a.C. A descoberta do calendário comprova que há 3113 anos antes de Cristo, os pretos habitavam a América.

Hieróglifos Olmeca



Os cientistas afrocentrados têm realizados diversos estudos que comprovam que os Olmecas possuem ligação direta com as civilizações africanas, e de acordo com Clyde Winters, os Olmecas foram africanos Mandinka da África Ocidental que utilizaram a forma de escrita Mende para escrever e falar a língua Mende, a mesma língua falada por Cinque no filme Amistad.

Homem Mandinka Atual

A forma de escrever Mende foi encontrada em monumentos no Monte Alban, no México, posteriormente descobiu-se que a língua é a mesma falada pelo povo Mende da África Ocidental.
Não somente o fenótipo com os pretos africanos comprovam a origem dos olmecas e também muitos dos seus rituais religiosos, como a utilização de machados como adereço e respeitabilidade a força da natureza, representada pelo trovão, a utilização de sacerdotes-rei e o respeito às crianças.
Após escavações na região costeira de Vera Cruz foram encontradas muitas casas em três locais: La Venta, Tres Zapotes, e San Lorenzo; os quais mostram especialmente em La Venta os antecedentes das futuras civilizações da Mesoamerica, com templos construídos em torno de praças em padrão regular e toda a área de cerimonial de um longo eixo central em direção norte-sul. O fator interessante é que esta ordenação é parecida e contemporânea das civilizações do Vale do Indo, como o caso das ruas de Monhejo-Daro e Harappa.

A civilização olmeca é batizada de futura-mãe, devido aos traços comuns legados a outras civilizações meso-americanas. Esses traços seriam: o culto ao jaguar, os centros cerimoniais, a escrita, o calendário, a construção de pirâmides escalonadas e o jogo ritual com bolas de borracha. Ao redor desses centros os olmecas cultivaram o milho, o feijão e a abóbora aplicando uma agricultura de coivara ao longo dos rios. A dieta alimentar ainda era complementado com a caça e a pesca. Os olmecas não conheciam os metais, mas usavam o jade como principal minério para construção de maravilhosos trabalhos artísticos.

Artesãos Olmecas foram hábeis em retratos de animais, por exemplo, o peixe navio.Os olmecas, como outras civilizações americanas, construíram templos e pirâmides parecidas com as construídas pelos pretos de Khemth e Kush-Nubia, sendo uma preocupação aos eurocentristas, evidente que a migração dos povos pretos confirma que foram primeiros a fazer comércio ao redor do planeta e desenvolver civilizações.
Mais de 22 pedras esculpidas em forma cabeças de rocha basalto sólida tem identificados pretos em características raciais, bem como traços culturais como penteados, tranças com pérolas e cabelo retorcido, além de um tipo de capacete de guerra identificado como Nubiano foram encontrados esculpidos nas esculturas colosais Olmecas em conexão com a África Ocidental e Khemth / região de Kush.

Em 1982 Professor Alexander von Wuthenau comparou cabeças Olmecas com Rei Taharka, um Nubio-Kushita, Faraó do Egito antigo.

Destarte, é impossível em um artigo de blogger descrever essa importante civilização preta, mas, é um dos caminhos simplórios para uma desconstrução do mito eurocentrista, e não somente os Olmecas tem características africanas. Outras importantes civilizações da América - Africana a possuem, por isso em breve a nossa equipe estará oferecendo o curso Geografia e História da América-Africana.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O PRETO NA AMÉRICA ANTES DA INVASÃO EUROPÉIA

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano


CONSIDERAÇÕES INICIAIS: A TENTATIVA DA NEGAÇÃO DA HISTÓRIA PRETA
Diversas descobertas arqueológicas continuam sendo feitas comprovando o único caminho para entender as civilizações ancestrais: a afrocentricidade. Historiadores, antropólogos, lingüistas, arqueólogos, biólogos e outras áreas do conhecimento tentaram esconder durante séculos e acobertar achados históricos que comprovam a presença africana em todo o planeta - a conexão preta na civilização mundial.
São vãs as tentativas de embranquecer Khemet, Mesopotâmia (Terra dos Etíopes), os chamados aborígenes e outras populações da Oceania, o Vale do Indo, as primeiras populações pretas na China e do Japão, na Tailândia, os primeiros habitantes da Grécia e de toda a Europa, a Espanha Mourisca, a população preta inicial das Américas, e especialmente os verdadeiros hebreus que são os pretos cativos que vieram para as Américas conforme a releitura de Deuteronômio 28 e de toda a história bíblica. Se você se interessa por esta verdade escondida, escreva para hebreuspretos@gmail.com
Para Hegel, a África era a parte do continente situado ao sul do Saara e habitado pelos pretos. Ele considerava o norte da África como parte da Europa, continente de história, e o Egito, em seu pensamento, era isolado como um grade sítio de cultura oriental. A partir dessa distinção, percebemos que para Hegel, os pretos constituem um grupo humano sem qualquer forma de história, porque seu continente, a África, “é o país da infância que para além do dia da história consciente, é envelopado pela cor negra da noite.”. Ainda segundo ele, os pretos não têm nem história empírica, o que significa que eles não têm nem civilização e nem cultura. De outra parte, eles não têm história de pensamento, o que testemunha sua incapacidade para pensar e da existência de pensamento na África.
Fico deveras pensativo quando intelectuais pretos conhecem de cor as escolas racistas não as compreendendo assim, e tentam procurar saídas para o nosso povo baseados em ideologias discriminatórias.
Os defensores da incoerência histórica baseadas no eurocentrismo não conseguem se manter de pé, por causa das provas incontestes, e os ataques aos historiadores pretos afrocentrados não estão mais surtindo efeito. Está sendo desmantelada a grande mentira eurocêntrica criada na invasão do continente africano e americano através da escravidão e colonização: O POVO PRETO NÃO TEM HISTÓRIA. A máxima na história das civilizações do planeta atualmente é: O POVO PRETO É O INÍCIO E CONTINUIDADE DE TODA A HISTÓRIA.
Todas as concepções filosóficas e políticas estruturadas na base do eurocentrismo, rotuladas de direitas ou esquerdas combatem a afrocentricidade, seja marxista, weberiana, não importa.
O europeu e seus descendentes acreditam que são superiores e se apropriaram de riquezas artísticas, de tesouros ancestrais, maculando a verdade, e expondo as suas prendas de guerra em museus: Museu do Louvre, Museu do Homem e, recentemente, o Museu do Quai Branly, tornando-se provas incontestes da apropriação de uma parte da história africana e afro-diásporica. As concepções formuladas no pensamento europeu não compreendem e não aceitam a história baseada nas sociedades africanas e suas migrações pelo planeta.

Estátua de Imhotep no Museu do Louvre

Muitos com a concepção eurocêntrica começam a mudar de opiniões porque não podem violar os fatos e infelizmente muitas pessoas pretas que nada sabem sobre a ciência da história e da afrocentricidade andam se autotitulando de “afrocêntricos”, sendo meros eurocêntricos maquilados de pretos, mas, deve ter cuidado para não servirem de repetidores da história eurocêntrica e de suas táticas da pós-modernidade, outra invenção eurocêntrica que em breve será discutida neste blogger pelo Griot Ademário ou por mim.
Sobre a população preta inicial das Américas antes da invasão dos europeus é mister que a História das Américas seja enriquecida com uma nova matéria: Geografia e História da América-Africana. Os chamados “detentores de conhecimentos” que repassam informações européias as nossas crianças e adolescentes, obrigados pelas leis que tentam normatizar fora da afrocentricidade à história dos povos africanos e afro-diásporicos, repito com a visão do europeu, libertem-se da escravidão mental e aproveitem a oportunidade de conhecer a face preta da história americana. Geografia e História da América - Africana será um dos cursos que a nossa equipe de História afrocentrada disponibilizarará em breve. Por mais informações entre em contato com historiafrocentrada@gmail.com

LUZIA E O HOMEM DA LAGOA SANTA
Lembro-me da saudosa Maria Beatriz do Nascimento (Bia) lá pelo final da década de 70 no Grupo de Trabalhos André Rebouças da UFF (Universidade Federal Fluminense quando conversávamos e afirmava que os povos pretos habitaram as Américas antes dos chamados ameríndios e da invasão branca européia.
Um dos achados arqueológicos pela missão arqueológica franco-brasileira considerado um dos fósseis mais antigos da América de 11.500 a 12 mil anos encontrado em escavações na Lapa Vermelha, uma gruta na região metropolitana de Belo Horizonte - Minas Gerais refere-se ao crânio de uma mulher com idade entre 20 e 25 anos . Os traços lembram os atuais aborígenes da Austrália e os pretos africanos - com o nariz largo, e bochechas e queixos salientes que foi chamada de Luzia, apelidado pelo bioarqueólogo Walter Alves Neves, do Instituto de Biociências da USP. Ele se inspirou em Lucy, a célebre fóssil de Australopithecus afarensis de 3,5 milhões de anos achado na Tanzânia em 1974. As pesquisas na Lagoa Santa foram feitas pelo pioneiro das descobertas dessas ossadas humanas, o naturalista dinamarquês Peter Lund que se radicou em Lagoa Santa na década de 1830. Ele encontrou grande número de fósseis humanos e de animais pré-históricos já extintos nas cavernas da região. O maciço calcário do carste de Lagoa Santa favorece a fossilização das ossadas.
Segundo a arqueóloga Rosângela Albano, que dirige o Centro de Arqueologia Annette Laming Emperaire (é o nome da arqueóloga francesa que coordenou junto com André Prous a missão franco-brasileira que descobriu o crânio de Luzia, em 1975), Lund descobriu cerca de 70 ossadas humanas, a maioria das quais enviadas para o museu de Copenhague. Naquele século, muitas outras ossadas foram encontradas por pesquisadores brasileiros e de outros países.
A presença das populações pretas na América é bem difusa em diversas regiões e hoje começaremos uma discussão simplória sobre a mais conhecida que a cada momento
OS OLMECAS

Estátua Olmeca

O conhecimento da civilização Olmeca é iniciante, quando falamos das civilizações nas Américas o conteúdo é sobre os Maias, Astecas e Incas, e pronto. Explicou-se e exformou o que chamam das civilizações “pré-colombianas”. Sendo assim, os Olmecas será a primeira civilização que iremos comentar , e de antemão, saibam que estamos falando de uma civilização preta, considerada pela arqueologia como mais antiga que a civilização dos Maias. Os Olmecas deram um xeque-mate nos defensores do eurocentricismo que se apegam a qualquer centelha que possa surgir objetivando negar a migração dos povos africanos há milhares de anos.
Continua na segunda-feira dia 15/06 neste blogger.

terça-feira, 2 de junho de 2009

ESCRAVIDÃO, ALCOOLISMO E DESTRUIÇÃO DO POVO PRETO

Por Aidan Foluke, Enfermeira
MSN:vanessasoares13@hotmail.com
Skype: aidanfoluke

"Estarás perdido, tornando-te o ludíbrio e escárnio de todos os povos onde YAH te houver levado" Dt 28:37
Na história da escravidão as conseqüências do contato dos europeus invasores com os africanos foram devastadoras no âmbito da espiritualidade, do psicológico e da morfofisiologia. As patologias oriundas desse contato forçado suscitaram distúrbios homeostáticos que ainda hoje afetam os africanos na África e Afro-América. O desequilíbrio ecológico da destruição do habitat natural dos povos africanos, a mudança dietética, a negação da farmacopéia oral africana, os traumas da escravidão, o trabalho forçado e insalubre, habitações desprovidas do mínimo saneamento, a demonização cultural e a introdução do álcool da cana-de-açúcar e de outros elementos na dieta foram causas de proliferação de endemias nos escravizados e atualmente afetam os afro-diásporicos.
O uso da fermentação de cereais e frutas existe no histórico das populações africanas e muitos deles usados em rituais religiosos que sofreram transformações profundas com a introdução da fermentação da cana-de-açúcar no Brasil. Aliás, em muitos rituais afro-americanos são veneradas entidades que se embebedam com cachaça. Neste artigo vou discorrer sobre o vício do alcoolismo proveniente da escravidão e sua conseqüência na formação de patologias entre os descendentes de africanos, como um fato inteiramente novo de dominação e perda da identidade ancestral.
O alcoolismo afeta a espiritualidade e a psicomorfofisiologia do dependente. A mudança dietética foi fundamental para quebrar a resistência do organismo do escravizado proporcionando-lhe as adaptações desejadas do agressor-escravizador.
É lastimável o uso das bebidas fermentadas de cana-de-açúcar, a conhecida cachaça, pela maioria da população preta brasileira e se torna ainda mais estranho, quando após reuniões da juventude preta com propósitos libertários uma grande parcela continua coabitando com os vícios impostos pelos dominadores. Na escravidão a cachaça fazia parte da dieta para deixar o escravizado lerdo, abestalhado e de fácil dominação no aceitamento de trabalhos desumanos. Nos engenhos do nordeste era costume dar cachaça aos escravizados na primeira refeição do dia, a fim de que pudessem suportar melhor o trabalho árduo dos canaviais, prática de todo o escravismo no Brasil, que obrigava os escravizados a usarem a cachaça diversas vezes ao dia.
Na musicalidade brasileira inúmeras são as músicas relacionadas ao povo preto e a cachaça, entre estas umas das que mais chama a atenção no intuito discriminatório em todos os sentidos relacionados ao homem preto.

O grupo pernambucano “Quinta Ladeira” reforça o estigma da mulher preta como cachaceira:


Uma parte do álcool é absorvida pelo organismo através da parede do estômago. Outra parte é metabolizada pelas enzimas do fígado. Quando a pessoa bebe muito, o fígado começa a acumular gordura, tornando-se um "fígado gorduroso", cujo tecido se deteriora, levando à hepatite alcoólica ou cirrose, ascite (barriga d'água) e, até, à morte. Entre os homens pretos, a ocorrência de morte devido ao alcoolismo acontece duas vezes mais do que na população branca.
Uma das mais nefastas saídas dos traumas impostos na escravidão na população preta tem sido o refugio ao vício maléfico da aguardente, tornando o Brasil o maior consumidor de cachaça do mundo e levando dessa forma ao consumo recorde pelo povo preto. Baseado nisto, observa-se patologias que são facilmente encontradas em nossa população como: alterações no sangue - hepatite; ossos e articulações - degeneração dos ossos; lesão cerebral - síndrome de Wernicke-Korsakoff; câncer - na boca, esôfago, estômago, fígado; pulmão - pneumonia, tuberculose; epilepsia; síndrome fetal; coração - arritmias, cardiopatia, hipertensão e doença coronariana; fígado - cirrose hepática; transtornos sexuais - disfunção testicular e impotência; esôfago e estômago – corrosões que levam a gastrite, úlcera péptica, esofagite. E os mais diversos sintomas - dificuldade na fala e distúrbios da sensação; apatia e inércia geral; vômitos; incontinência urinária e fezes; inconsciência e anestesia. Além de todas essas patologias e sintomas podem-se citar os transtornos na personalidade dos seus consumidores, os quais são visíveis bem, como: a perda de eficiência, diminuição da atenção, julgamento e controle, instabilidade das emoções, menor inibição.

Fígado com cirrose hepática
As relações interpessoais de uma pessoa que bebe são modificadas, o caráter agressivo é predominante, principalmente nos homens pretos. Segundo especialistas, filhos de pais que consomem álcool em grandes quantidades desenvolvem a chamada síndrome do alcoolismo fetal, que se manifesta em atrasos no crescimento, tendência a ataques epilépticos, anormalidades faciais e problemas de aprendizagem e comportamento, retardamento mental.
Dois graves problemas do vício de álcool na mulher preta são a predisposição da Síndrome de Down - atraso mental em seus bebês e os grandes índices de aborto. Os danos são produzidos, porque a gestante elimina duas vezes mais rápido o álcool do seu sangue que o bebê, forçando-o a realizar uma tarefa para quais seus órgãos não estão preparados.
As mulheres pretas quando grávidas e são viciadas os seus fetos adquirirem defeitos que varia de leve a grave, os quais poderão ser evitados se elas aprenderem a se amar e ao seu povo preto.

É necessário que a mulher preta ame a si própria e ao seu povo preto
O uso do álcool tem aumentado o número de agressões na família, principalmente nas companheiras e nos filhos e filhas. Há inúmeros casos de mulheres pretas dominadas pelo vício da bebida abandonar e até mesmo mutilar as suas crianças. Nas nossas famílias temos históricos de familiares dependentes e sabemos quão mal faz ao equilíbrio familiar e da comunidade preta.
Muito dos delitos cometidos está na violência no transito. A quantidade de presos pretos que cometeram delitos após o uso do álcool, isto é, furtos, agressões, homicídios o fizeram depois de ingerirem bebidas. É necessário que os homens pretos se livrem da maldição da branquinha e da lourinha, as quais trazem males irremediáveis à família afro-diasporica e as mulheres pretas não concordem com a bebedeira de seus companheiros.

Há uma predisposição genética dos descendentes de escravizados a usarem a cachaça, isto explica o projeto do escravizador em longo prazo de dominar uma população através da bebida. Este é um fato que merece melhores discussões em reuniões da juventude preta. Imaginemos uma reunião da juventude com o tema: A dominação racial através da cachaça. Você participaria? Qual seria a sua opinião de acordo com os fatos e observando a sua árvore genealógica?

Quem sabe um dia iremos cantar: 
Na minha casa todo mundo é bamba
Ninguém bebe
E todo mundo samba. 
ACESSE PRETAS POESIAS:

quarta-feira, 27 de maio de 2009

HARAPPA E MONHEJO–DARO – CIVILIZAÇÃO PRETA DO VALE DO INDO

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano

É abissal e crítico o desconhecimento da afrocentricidade entre os estudiosos de história. A maioria dos leitores do artigo anterior ficou espantada e em alguns fóruns fui chamado de insano, confesso fiquei feliz por ter a oportunidade de trazer a algumas pessoas o questionamento sobre a história afro global. Um membro da comunidade de Budismo, neste fórum disse que os pretos agora iriam pedir cotas para o Nirvana e outro em uma comunidade de estudante de história afirmou que os pretos não têm mais o que inventar. Discorrer sobre o Buda Preto foi mexer no vespeiro do eurocentricismo e fazer com que pessoas seguidoras do budismo pudessem demonstrar que a verdade de acreditarem em uma filosofia não branca os afeta profundamente apesar de não se declararem racistas. A incongruência é visível: Dizem que acreditam na igualdade entre os seres humanos e a importância da cor da pele nada significa, mas, seguir filosofias fundadas por pretos é inconcebível.
A ciência da história está acima dos desejos do que pensamos ou do que queremos.
A História das civilizações primevas remonta a única raiz: os povos pretos e suas migrações no planeta. Entender e ensinar história permeia-se no conhecimento dos povos originais como base da evolução da humanidade.
A história civilizatória no Vale do Indo remonta a milhares de anos com a população preta dos dravidianos que fundaram a desenvolvida civilização das cidades de Harappa e Mohenjo-Daro (Colina dos Mortos) aproximadamente em 2200 a.C, seu sitio arqueológico começou a ser estudado somente em 1920 na província de Sind no Paquistão. Foram as primeiras cidades urbanizadas do planeta, contemporâneas ao antigo Kemeth e civilizações mesopotâmicas como a dos sumerianos; com uma extensão territorial maior e ainda desconhecida. Esta civilização ainda está em fase das escavações dos sítios arqueológicos e podendo superar a civilização de Khemet em algumas áreas de conhecimento e tecnologia. Os arqueólogos descobriram na Índia e no Paquistão mais de mil sítios arqueológicos pertencentes ao que hoje chamamos de civilização do Indo, ou de Harappa.
Os sítios arqueológicos, cuja maior parte apresenta uma superfície entre 80 ares e dois hectares, estão espalhados por uma área de 780 mil quilômetros quadrados, ou seja, duas vezes maior que o território da antiga Suméria. Nenhuma civilização da idade do bronze possuía área de influência geográfica tão extensa.
URBANIZAÇÃO:
É considerada a maior das civilizações urbanizadas da antiguidade, superando Khemet, Mesopotâmia e a China. O planejamento urbano foi muito desenvolvido milhares de anos antes do urbanismo do Império Romano. São consideradas Harappa e Monhejo-Daro as cidades mais antigas em planejamento urbano do planeta.
Monhejo-Daro possuía grandes artérias, orientadas na direção norte-sul, com cerca de dez metros de largura, cruzavam em ângulo reto, a cada 200 metros, com ruas que seguiam a direção leste-oeste. Esse traçado dividia a metrópole em quadriláteros, no interior dos quais havia um emaranhado de ruelas sem plano preciso, com larguras variando entre um metro e meio e três metros.
Harappa, que também ostentava uma planificação igualmente avançada, foi construída com um conjunto de pequenas elevações, dominado por uma cidadela, e um quadrilátero de avenidas orientadas na direção norte-sul, delimitando amplos bairros.
As ruas foram matematicamente construídas em forma de cruzamento no sentido norte sul, verdadeiros bulevares, com lojas e restaurantes. Havia poços públicos e sistemas de esgotos e coletores de lixo.
Houve uma preocupação com os trabalhadores e criaram bairros operários para melhorar o seu bem-estar.
A população dessas cidades possuía cabelos crespos, lábios carnudos e narizes largos.

O historiador grego Diodurus Siculus relaciona essas civilizações parecidas com a civilização da Etiópia e o povo de Harappa identificava Osíris como o seu fundador e, conforme Diodurus Siculus Osíris fundou diversas cidades no Vale da Índia, inclusive Nysa, em memória da cidade de Khemet onde fora educado. Outro escritor grego Apolônio de Tyana visitou a Índia no final do primeiro século e escreveu que os seus habitantes eram colonos da Etiópia. Há um documento latino chamado Alexandria Itenerari escrito em 345 d. C para o Imperador Constantino relatando que a Índia é uma continuidade de povos do Egito e Etiópia. O historiador Eusébio escreveu que no reinado do Faraó Amenofis IV, um grupo de etíopes do vale do Indo se estabeleceu no vale do Nilo.
Como já é de notório saber dos estudiosos da afrocentricidade a yoga é uma criação das civilizações pretas detentoras das práticas de curas possibilitadas através da melanina condutora da espiritualidade. Imagino neste momento como ficam os defensores do eurocentrismo. Quais serão os seus argumentos e ataques as provas históricas e arqueológicas? Serão que deixarão de praticar a yoga? A yoga era praticada nesta civilização como também no antigo Khemet (Egito), sendo este o próximo tema deste blogger.
Foi descoberta uma piscina de banho público com águas aquecidas em Monhejo-Daro. A escrita de Harappa ainda não foi decifrada e quando forem descobertos novos escritos grandes revelações surgirão dessa majestosa civilização preta.
Desenvolveram grande tecnologia na produção de alimentos com técnicas avançadas de irrigação e aproveitamento da terra com a plantação do trigo, milho, cevada, ervilhas, gergelim, arroz, cebola, algodão e armazenamento de milhares de toneladas de cereais.
A engenharia naval foi proeminente com navios feitos com teca uma madeira resistente e apropriada que possibilitou a escoação comercial dos produtos tendo uma administração central representada por autoridades religiosas. O comércio exterior atingia toda a região da Mesopotâmia, antes da invasão dos gregos chamada de Terra dos Etíopes, Irã, Ásia Central e possivelmente a regiões da África chegando a Khemet, recebendo como pagamento metais preciosos, possuindo pesos e medidas padronizadas, usavam vinte e um pesos.
Conheciam a mineração e a fundição, pois trabalhavam o ferro, o bronze, o ouro, pedras preciosas e semipreciosas como o lápis, ágata, pérola, cornalina, madrepérola, lápis-lazúli e turquesa foram encontrados sinetes de estealite e outros metais. Foram grandes ceramistas na produção de telhas e vitrais.
A produção dos oleiros através de suas oficinas descobertas deixa os arqueólogos boquiabertos, além de terem usados tinturarias e trabalhado no artesanato de contas.
Os artesãos produziam figuras de elefantes, tigres, crocodilos e diversas pessoas em posição de yoga, fato este já relatado.

Tigre em terracota

Os meios de transportes usavam os bois puxando carroças com rodas de madeira.
Esta poderosa civilização preta foi de uma índole pacifista e de grande sensibilidade espiritual e contemplativa possivelmente sem a existência de classes sociais, que leva aos graves conflitos na sociedade.
Não foram encontrados grandes monumentos louvando os poderosos como grandes palácios, templos, túmulos com tesouros. A eles é denotado o surgimento da religião jainista que prega a paz entre os seguidores e a o respeito profundo pela natureza. Os grandes líderes do jainismo foram homens pretos, inclusive o vigésimo terceiro líder janista é retratado com uma aparência negro-azulada de exemplar beleza.
Além da yoga é destacada a criação do jogo de xadrez, a preocupação e dedicação a infância com a fabricação de brinquedos para as crianças.

E similares a esses carrinhos ainda hoje são usados em áreas rurais do Paquistão e da Índia.
Muito ainda poderíamos escrever sobre estas civilizações, mas, estamos em um blogger e os textos não devem ser cansativos.
Concluindo, estas civilizações do Vale do Indo ainda estão em fase de descobertas e escavações dos sítios arqueológicos. É importante ressaltar que esta civilização existiu antes da invasão dos arianos que impuseram o sânscrito como língua oficial e, hoje os seus descendentes tentam negar a pretitude das civilizações do Vale do Indo e dizem que foram eles os habitantes autóctones da região. Mas, não podem destruir todos os achados em terracota e não poderão deformar a história.

PRETAS POESIAS

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