sexta-feira, 1 de maio de 2009

OS AKANS - ONYAMEE KWAAME, O DEUS DO SÁBADO.

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Nsem nyina ne Onyame ( "todas as coisas / assuntos dizem respeito a Deus") - Provérbio Akan


Nunca ouvi de professores de História da África, especialmente os que ensinam sobre a África Ocidental, comentários acerca da guarda ao sábado. Quando falamos do sábado as pessoas lembram os adventistas e seguidores do judaísmo, havendo um desconhecimento da universalidade do sábado a partir do continente africano: A Terra Sagrada escolhida por Yah para a criação da humanidade.
A ciência comprova que a África é o berço da formação humana, e nos escritos hebreus, os primeiros seres humanos surgiram nas terras de Cush, conforme Gênesis 2:10-14, obviamente, a instituição do sábado ocorreu no Jardim do Éden, conjuntamente com primeiros conhecimentos dos estatutos e das leis de sabedoria aos primeiros seres humanos: os pretos.
“Abençoou YHWH o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera.“ - Gênesis 2:3
Uma das derivações para a raiz da palavra hebraica para sábado שבת "Shabbath" é a do número sete "Shaba" ou "Sabá". A outra raiz para palavra "Shabbath" é a palavra descanso "Shabat". As raízes das palavras juntamente com o "Shabat" nos dão o significado para a Palavra hebraica Sabbath, "Shabbath", que é observado a partir do pôr-do-sol da sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado. Conforme o historiador Leo Africanus, a rainha Makeda de Sabá, era a Rainha do Sábado.
O sábado foi o dia sagrado dos nossos ancestrais da África Ocidental bem antes dos chamados judeus e adventistas adotarem-no como dia ordenado por Yah. Pra você é novidade? Leia todo o texto.
Com a invasão da África pelos países europeus, impuseram o cristianismo e a escravidão através da Igreja Romana, da Igreja Bizantina e das Igrejas Protestantes violando filosofias e tradições e se apropriando das riquezas do solo africano, e do seu maior bem, os seres humanos. Para dominar um povo é necessário inferir nas suas tradições e fazê-lo esquecer dos ensinamentos ancestrais, a escravidão apagou referências importantes dos africanos os quais adotaram crenças do escravizador como verdadeiras. Apesar da abolição da escravidão na Afro - América e da libertação dos povos africanos ainda falta à liberdade da escravidão mental, a qual tornou muitos africanos e afro-diásporicos defensores dos ensinamentos dos seus algozes, mas milhões de homens, mulheres e crianças continuam na tenaz resistência da manutenção dos valores ancestrais.
O domingo como dia santificado provem da civilização branca ocidental que modificou as práticas da Igreja Primitiva e introduziu formas estranhas de adoração.
Abaixo está uma moeda do século 3 d.C que no verso retrata o deus pagão domingo com uma carruagem puxado por quatro cavalos. Na inscrição está escrito SOLI INVICTO (O Invencível DOMINGO)

"Também tirou os cavalos que os reis de Judá tinham dedicado ao sol, à entrada da casa de IHWH, perto da câmara de Natã-Meleque, o camareiro, que estava no recinto; e os carros do sol queimou a fogo." II Reis 23:11.
Ambrósio, o célebre bispo de Milão, disse que quando estava em Milão guardava sábado, mas, quando em Roma guardava o domingo. Isto deu origem ao provérbio: Quando estiver em Roma, faça como Roma faz. "

POVO AKANS
Em Gênesis 36: 27: "Estes são os filhos de Eser: Bilã, Zaavã e Akan"
Deuteronômio 10: 6: "E partiram os filhos de Israel de Beerote-Bene-Jaakan a Moserá; ali faleceu Arão, e ali foi sepultado, e Eleazar, seu filho, administrou o sacerdócio em seu lugar."
I Crônicas 1:42 - "Os filhos de Eser eram: Bilã, Zaavã e Jaakan; os filhos de Disã eram: Uz e Arã."
Os Akans estão em Gana e em Costa do Marfim. O povo Akan de Gana é composto por diversos grupos: Asante, Fante, Akyem, Kwawu, Akuapem, Akwamu, Bono, Dankyira, Ahanta, Nzemaa, Aowin e Wassa.
Possuem um grande tesouro que é o patrimônio em Onyamee Kwaame, o Deus do sábado herdado dos seus ancestrais hebreus os quais escreveram nas Sagradas Escrituras:
"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra.
Mas o sétimo dia é o sábado de YHWH teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Mas o sétimo dia é o sábado de YHWH, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro;
Porque em seis dias fez YHWH os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou YHWH o dia do sábado, e o santificou."
Para o entendimento da guarda do sábado é necessário conhecermos o povo akan que é considerado um grupo lingüístico na África Ocidental. O akan pode traçar a sua história na África Ocidental, de há cerca de novecentos e trinta e três anos, até 1076, antes a sua história torna-se sombria. Há algumas teorias sobre o surgimento deles na região, entre elas é que são oriundos de uma civilização acadiana originária no Médio Oriente. Akan se acredita ser da raiz de Akkane ou Akkana.
Outra teoria é que os antigos Hebreus (Heber) são originários da pequena colônia de Belus Cush, pessoas que viveram no Alto rio Tigre, atual Iraque (parte superior do Vale do Tigre, em tempos remotos, a Mesopotâmia, originalmente chamada de Terra dos Etíopes, antes de ser renomeada pelos gregos), teve origem a partir de Abraão, a tribo de Kwahu (Akans), onde a primeira língua hebraica (Heber) nasceu. Tera foi pai de três filhos: Abraão, Nahor e Haran, sendo que Abraão veio do leste para Khemet (Egito antigo). A tribo de Kwahu originou os Akans, povo que existe ainda hoje na África ocidental.
Relatam-se também de outro grupo akan os akuapens que vivem no sul de Gana e sudoeste da Costa do Marfim como descendentes dos primeiros faraós de Khemet (Egito) da dinastia do faraó akuffu e seus filhos Okyere Afre e Dade Afre. Os akans foram os mais dominantes antigos habitantes de Khemet que inventou o conceito de religião e os deuses. O grande deus e a deusa, OSORO (Osíris) e ISIS (ASAASE) foram criações do akan e eles criaram outros deuses menores como os deuses e deusas dos dias da semana para servir o grande OSORO e ASAASE.
Os estudos demonstram que as raízes dos akans são de hebreus e entre elas uma das mais convincentes são as migrações anteriores ao período do cativeiro babilônico.

Músicos hebreus cativos na babilônia

O falecido presidente Kwame Nkrumah de Gana, um dos mais proeminentes pan-africanistas afirmava que a origem dos Akan era do Egito e muito natural essa afirmação porque com a saída de Moisés multidão de povos o seguiu.

Um dos povos mais conhecidos da África Ocidental são os Ashantis "A maior parte das classes governantes dos Ashanti são descendentes da Etiópia Oriental. O povo Ashanti tem um grande respeito pelo sábado e não guerreavam neste dia sagrado. Mantêm inúmeras tradições dos hebreus, assunto em breve que será postado nesse blogger.
Os akans são detentores de uma das mais belas culturas africanas conhecidos pela sua bela arquitetura, cosmologia, trabalharam a mineração de ouro, ferro, cobre, latão, a fundição do ferro proporcionou ferramentas agrícolas e armas, além de dominarem a matemática e outras ciências. O símbolo mais conhecidos dos akan é a adrinka.


Pesos em ouro -A matemática dos akans que na sua contagem chega aos milhões.


O simbolismo da Adinkra é uma representação visual do pensamento social relacionados com a história, filosofia e crenças religiosas dos povos Akan de Gana e Costa de Marfim.

ALGUNS SIMBOLOS ADRINKA REFERENTES À ONYAMEE KWAAME, O DEUS DO SÁBADO
Representam Deus de uma forma muito peculiar, com um dos tratados teológicos mais belos e profundos, encontramos semelhanças nas escrituras sagradas dos hebreus.
O povo akan acredita que o universo foi criado por um Ser Supremo, a quem se referem a como O b o ade e (Criador), Nyame (Deus), O domankoma (Infinito, Inventor), Ananse Kokuroko (O Grande construtor).
O pensamento religioso Akan é totalmente teocêntrico. Deus é o Ser Supremo e está no centro de tudo. Nesta perspectiva, utilizam símbolos culturais que retratam as suas crenças acerca de Deus, suas atitudes para com Deus e de Sua criação.
A criatividade humana afeta o universo positiva ou negativamente. Em essência, acreditam que o universo é uma criação natural e social. Para os akans é necessário salvaguardar o ambiente do universo de um continuum de membros da sociedade constituída dos mortos, dos vivos, e ainda os que irão nascer.
Acreditam que o Ser Supremo criou a vida e a morte. No entanto, o Ser Supremo, criou o antídoto para o veneno de morte, e foi capaz de superar a morte. Este Ser Supremo, Nyame ou Nyankopon, tem a vida eterna.
O Ser Supremo está em forma espiritual, é indestrutível e coloca parte dessa espiritualidade em seres humanos, como a alma humana (kra). Essa alma do ser humano não morre.

SÍMBOLO DA ONIPOTÊNCIA E DA ONIPRESENÇA DE DEUS
A partir do aforismo Akan: Abode santann yi firi Tete; Obi NTE ase um onim ne ahyease, na Obi ntena ase Nkosi ne awie, Gye NYAME.
Tradução literal: Seu grande panorama da criação remonta a tempos imemoriais, não uma vida que viu o seu começo e ninguém viverá para ver o seu fim, EXCETO DEUS.
O símbolo que reflete a crença de akan em um Ser Supremo, o Criador que se referem por vários nomes - por exemplo, O B O ADE E, NYAME, ONYANKOP O N TWEREAMPON.

SÍMBOLO DA PRESENÇA DE DEUS, DEUS PROTECÇÃO, LUGAR SAGRADO, E ESPIRITUALIDADE

O símbolo que representa a presença de Deus em toda parte. Os akans utilizam-o para o altar de Deus em frente da casa de Deus como um sinal da presença e proteção.


Com a chegada dos europeus na costa de Gana, em 1471, através dos missionários católicos romanos foi introduzido um deus estranho e desconhecido que tem como dia santificado o domingo, atingindo profundamente o conhecimento ancestral dos akan a respeito do dia sagrado, profanando a ancestralidade teológica do Deus do Sábado.
Com a escravização dos povos da África Ocidental os cristãos europeus adoradores do Deus Sol, começaram a batizar os africanos em um dia de domingo, tornando esse dia como o sinal da escravidão.
"E YHWH te fará voltar ao Egito em navios, pelo caminho de que te disse: Nunca mais o verás. Ali vos poreis a venda como escravos e escravas aos vossos inimigos, mas não haverá quem vos compre." - Deuteronômio 28:68
O sábado é um sinal de liberdade entre Yah e o seu povo conforme está escrito:
"Eu sou o YHWH vosso Deus; andai nos meus estatutos, e guardai os meus juízos, e executai-os.
E santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o YHWH vosso Deus."
Ezequiel: 20-19-20.

A IGREJA ORTODOXA ETÍOPE GUARDA O SÁBADO
A Etiópia é uma nação abençoada e sempre zelou pela guarda do sábado, nos escritos sagrados essa nação tem uma importância grandiosa. Toda a África é um exemplo de fé para todo o planeta.
Apesar de estar desviada de algumas leis de Yah a Igreja Etíope uma das mais antigas do mundo ainda guarda o sábado, pois na época ficou livre da corrupção da Igreja Romana que mudou o dia santificado do sábado para o domingo.

NA JAMAICA RASTAFARIS GUARDAM O SÁBADO
A maioria da população jamaicana é descendente dos akans e os principais grupos rastafáris guardam o sábado seguindo a tradição dos seus ancestrais africanos, não permitindo a inferência de novas tradições de pessoas sem origem africana nas comunidades originais. Os não africanos quando entram nas comunidades originais influenciam para o erro e tentam ocidentalizar o pensamento africano.

Lord of the Sabbath, hear our vows
On this Your day, in this Thy house
And own, as grateful sacrifice,
The songs which from Your temple rise.
Now met to pray and bless Your Name,
Whose mercies flow each day the same;
Whose kind compassions never cease,
We seek instruction, pardon, peace.
Thine earthly Sabbaths, Lord, we love,
But there’s a nobler rest above;
To that our laboring souls aspire
With ardent hope and strong desire.
No more fatigue, no more distress
nor sin, nor hell, shall reach the place
No groans to mingle with our songs
which warble from immortal tongues.
No rude alarms of raging foes;
No cares to break the long repose;
No midnight shade, no cloude sun,
But sacred, high, eternal noon.
O long expected day, begin,
Dawn on these realms of woe and sin!
fain would we leave this weary road,
And live in love to rest with God.

A Igreja Metodista de Labadi Emmanuel em Acra, capital de Gana, aproveitou os símbolos Adrinka para declarar que o filho de Yah se ofereceu como sacrifício para salvar a família.



Kwame Nkrumah Memorial Park fountains, Accra, Ghana.

Reparem que no memorial Kwame Nkrumah as estatuas estão representadas tocando o שופר (shofar) instrumento sagrado dos verdadeiros hebreus (pretos) e tocado em dias especiais na história de Israel, traduzido em português por trombetas, na Bíblia.
"Ao terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões, relâmpagos, e uma nuvem espessa sobre o monte; e ouviu-se um sonido do shofar mui forte, de maneira que todo o povo que estava no arraial estremeceu." - Êxodo 19:16.

Os akans souberam muito bem diferenciar o domingo sagrado dos europeus e os chamaram Akwasi Bronii e ainda hoje uma grande parcela da população guarda o sábado.
O sábado é um sinal entre Yah e o seu povo, e os nossos ancestrais em terras africanas sabiam muito bem o dia sagrado para ser observado. A escravidão fez com que nos esquecêssemos do nosso passado, das tradições e dos sagrados mandamentos que Yah nos ordenou.
De acordo com estimativas confiáveis, a África tem a maior concentração de pessoas com essa guarda, com mais 300 milhões de cristãos, cerca de três milhões são adventistas do Sétimo Dia. O importante é que mais de 17 milhões de africanos não seguidores do cristianismo guardam o sábado, entre eles hebreus e diversos grupos étnicos. O sábado é natural para os pretos africanos. Yah sempre esteve presente na África, o seu continente amado!
Em diversos países da Afro - América a nação dos hebreu-israelitas tem se organizado cumprindo a vontade de Yah e irmãos e irmãs guardam o sábado. É necessário que você irmã e irmão se informe mais sobre a sua verdadeira nação.
Guardar o dia de sábado é voltar as nossas raízes africanas e cumprir à o mandamento de Yah, o Deus do sábado dos nossos ancestrais.

"Não despreze a cultura herdada dos seus antepassados." - Provérbio Akan
"Venham embaixadores do Mizraim (Egito); estenda a Etiópia ansiosamente as mãos para Yah." - Salmos 68:31

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A TRIBO DE DAN – O CULTO A SERPENTE E SUA DIFUSÃO NA ÁFRICA E NA AFRO-AMÉRICA


Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br



INTRODUÇÃO
Para entender os povos afro-diásporicos, as suas origens históricas e mitologias, é necessário perfazer caminhos ainda não percorridos pela historiografia afrocentrada. Compreender as nossas formações tem sido cientificamente prazeroso, mas necessitamos avançar e compartilhar conhecimentos, e ao mesmo tempo desenraizar as informações ocidentais que mascaram e embranquecem a história da humanidade. A escassez de registros escritos dos antepassados escravizados com as tradições sofrendo constantes transformações, o não desenvolvimento de novos griots, a falta de respeito à oralidade nas relações de aprendizado, a quebra da manutenção das tradições familiares e religiosas, são fatores que precisam ser revistos imediatamente. Muito se tem de escondido e modificado nas formações do nosso povo e chegou o momento de recolhermos através da oralidade, da documentação, da arqueologia, da lingüística e de outras ciências a verdade escondida.
Na África vem ocorrendo transformações através do islamismo, a colonização, a escravidão, perdas territoriais, migrações forçadas, cristianização e a atualmente a globalização. Isto vem afetando as tradições orais, destruindo os sítios históricos o leva à perda identitária ou adaptações e junções de civilizações outrora díspares, aumentando os conflitos étnicos pela necessidade de pertencimento e afirmação da ancestralidade.
Recordo os momentos de criança em que a minha mãe contava fatos ocorridos na sua infância e ensinava-me sobre as suas vivências no bairro de São Caetano em Salvador-Bahia.
Eu sempre gostava de molhar as plantas do jardim. Creio que foi o “trabalho” mais gostoso da minha vida, poder observar os diversos tipos de roseiras, antúrios, avencas, margaridas e diversas outras plantas. Um dia, creio ter 08 anos de idade, eu chamei a minha mãe. Na verdade, gritei com medo, porque havia uma bela cobra entre as plantas; minha mãe veio correndo e ficou deveras assustada com a presença do ofídio e diversos vizinhos vieram “cuidar” do animal da forma mais brutalizada possível. Ela, após o susto, contou-me que na sua infância uma mulher da nossa família constantemente entrava em transe e se arrastava igual à cobra e isso a deixava bastante assustada, fato esse que ocorria na residência dos seus familiares. Minha mãe não gostava de cobras e nem de vê-las na televisão ou em revistas.
O fascínio, o medo, a curiosidade sobre a cobra vem dos primórdios da humanidade e praticamente faz parte da mitologia de todas as civilizações por causa do poder regenerativo de suas escamas, o que fez com que esta se tornar-se símbolo de adoração entre muitos povos.
O papel da serpente foi destaque na cultura egípcia. A serpente simboliza o começo e o fim dos tempos e a fertilidade. No antigo Khemet (Egito), como em muitas culturas, a ouroborus, uma serpente engolia a sua cauda, sendo um símbolo de rejuvenescimento e de eternidade, um interminável ciclo de inícios e terminações. A serpente representava tanto o bom e o ruim: a vida a energia, a ressurreição, sabedoria poder, astúcia, morte, escuridão, maldade, e corrupção.
Talvez o mais poderoso símbolo de Khemet fosse o uraeus, representada pelo Faraó como um emblema dourado na testa como uma espécie de coroa, que era o símbolo da suprema realeza e do poder.

Era retratada no uraeus uma Cobra, uma ardente serpente que cuspia fogo nos inimigos do Faraó. As Serpentes na parte lateral do uraeus representam as deusas, que expulsaram os inimigos de Rá, deus do sol. O uraeus também possuía poderes mágicos e os egípcios acreditavam ser o olho mágico do deus Horus. Também usava o uraeus a poderosa deusa Isis, esposa do deus Osíris.


O olho de Horus, incorporando Nekhbet a deusa abutre (esquerda) e Wadjet a Cobra a deusa da direita.

Sempre fui um leitor dos escritos sagrados e relatos da serpente se encontram dos Gênesis ao livro das Revelações, inclusive com o poder da comunicação, da fala, da exposição de idéias, da provocação à mulher no Jardim do Éden que pode com a sua sensibilidade e inteligência questionar o seu companheiro sobre a árvore e seu fruto proibitivo, e os dois, homen e mulher resolveram em conjunto seguir os conselhos da serpente e desobedecer ao Eterno.

A SERPENTE NA BÍBLIA
Têm sido encontradas umas trinta espécies de serpentes na Palestina, muitas das quais são altamente venenosas. Pela primeira vez é a serpente mencionada em Gn 3.1,13, onde se diz ser ela o mais sagaz de todos os animais selvagens. As perigosas propriedades da serpente acham-se mencionadas no Sl 58.4: ‘Têm peçonha semelhante à peçonha da serpente’, e também em Dt 32.24 e Pv 23. 32. Parece, em algumas passagens, afirmar-se que o veneno reside na língua (Jo 20.16 - Sl 140.3), em vez de ser atribuído à mordedura, como corretamente se acha indicado em Nm 21.9 e Pv 23.32. Ao hábito que têm as serpentes de se ocultarem, refere-se o livro do Eclesiastes (10.8), e o do profeta Amós (5.19). A maneira particular do seu caminhar é considerada como maravilhosa em Pv 30.19. Em Is 59.5, a expressão ‘chocam ovos de áspide’ mostra que era bem conhecido o fato de serem as serpentes animais ovíparos (cp. com 34.15). E ao ato de se domesticarem e serem encantadas as serpentes há referências em Sl 58.5, Ec 10.11, e Jr 8.17. Yahosua uma vez aludiu à prudência tradicional da serpente (Mt 10.16).
Aos nove anos minha saudosa mãe pediu-me para ir à casa de uma irmã preta para dar um recado e chegando lá, notei diversos livros que foram jogados no lixo em frente à casa e entre eles, um de Artur Ramos da década de 30, o qual guardo até hoje, e folheando as suas páginas com o passar dos anos tive o meu primeiro contato com a cobra sagrada dos fons e ewes: Dan.
Neste momento os meus olhos se abriram para o relato do livro de Gênesis e a história dos 12 filhos Jacó (Israel), entre eles um chamado Dan, filho de Bila:
E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela, para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela.
Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu.
E concebeu Bila, e deu a Jacó um filho.

"Então disse Raquel: Julgou-me Deus, e também ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou-lhe Dä." Gênesis 30- 3-6
Um costume dos hebreus era as benções destinadas aos filhos e Israel abençoou os 12 filhos cada uma com a sua especificidade. A benção recebida por Dã proferida pelo seu pai Israel:
Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel.
Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, de modo que caia o seu cavaleiro para trás.
A tua salvação tenho esperado, ó Senhor!
Gênesis 49: 16 -18
Vemos no texto acima que Dan é relacionado com a serpente, inclusive na religião chamada Judaísmo, que não existe nos escritos bíblicos e é uma criação dos askenazis e sefardins, o símbolo da tribo de Dan está relacionado com a serpente:

Símbolo da tribo de Dan usada pelo judaísmo

"Quando o povo hebreu peregrinava pelo deserto após a saída da escravidão em Khemet, desconsiderou o amor e a dedicação de Yah:
Então partiram [os hebreus] do monte Hor, pelo caminho do Mar Vermelho, a rodear a terra de Edom; porém a alma do povo angustiou-se naquele caminho. E o povo falou contra Iavé e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil. Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo; e morreu muita gente em Israel. Por isso o povo veio a Moisés, e disse: Havemos pecado porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Então Moisés orou pelo povo. E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido mordido, olhar para ela. “E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, mordendo alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia.”
Num 21:4-9

DAHOMÉ



O antigo Dahomé atualmente é o Benin localizado na África Ocidental, um dos países que teve a maioria da sua população seqüestrada e escravizada para as Américas, trazendo o culto dos Vodunsis ao Brasil, República Dominicana, Porto Rico, Cuba, Estados Unidos e no Haiti tornando-se um dos símbolos nacionais: o culto Vodu.
A palavra DAHOMÉ, tem dois significados: Um está relacionado com certo Rei Ramilé que se transformava em serpente e morreu na terra de Dan. Daí ficou "Dan Imé" ou "Dahomé", ou seja: aquele que morreu na Terra da Serpente. Segundo as pesquisas, o trono desse rei era sustentado por serpentes de cobre cujas cabeças formavam os pés que iam até a terra. Esse seria um dos significados encontrados: Dan = "serpente sagrada" e Homé = "a terra de Dan", ou seja, Dahomé = "a terra da serpente sagrada".
Dahomé tem uma belíssima história de resistência ao invasor francês com as suas mulheres guerreiras, você pode saber mais acessando o artigo:
AS GUERRREIRAS DO DAOMÉ- A RESISTÊNCIA DA MULHER AFRICANA CONTRA O INVASOR FRANCÊS



DÃ A SERPENTE
Diversas civilizações africanas cultuam a serpente e o culto foi trazido pelos escravizados para as Américas. As mais importantes influências e reelaborações de fé encontram-se entre os descendentes que vieram do Golfo de Benin: os Ewe, Gen, Aja e Fon, que no Brasil são conhecidos como Jejes, e tem como uma das principais divindades a Serpente Real Píton (Dangbê) relacionada também ao arco-íris que é cultuada na cidade de Ouidah.


O culto a Dan é oriundo de Khemet (Egito). Os faraós usavam seus anéis e coroas com figuras de serpente que dentro da cosmogonia possuíam importância fundamental. O culto veio do Egito até Dahomé.
A palavra JEJE vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Não existe e nunca existiu nenhuma nação Jeje, em termos políticos no continente africano. A denominação de “nação Jeje” no candomblé no Brasil, especialmente na Bahia e no Maranhão foi à junção dos povos vindos da região de Dahomé, que se autodenominavam mahins da região leste e Saluvá ou Savalu da região sul. Jeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubá.
De acordo com a cosmogonia Ewe a criação do mundo se deu com Mawu-Lisa, e ajudado pela serpente Dã que possui o movimento, a força, o eterno rejuvenescimento. Ela agiu como um instrumento de Mawu-Lisa e auxiliar no processo de ordenação do mundo como se segue: em primeiro lugar, o mundo se reuniu pela Serpente, e os locais das águas foram determinados. Em segundo lugar, as duas metades do universo foram soldadas. A serpente organizou, colocou em ordem, mantendo o princípio do universo e manutenção do poder. Após criarem o universo, os animais e as florestas, criaram o ser humano da argila e da água. Para os Ewe princípio feminino de vida é Lisa e o princípio masculino da morte é Mawu.


Templo da Píton em Benin

Os fons já possuem uma tradição que Nana Buluki foi à mãe de Mawu-Lisa, sendo Mawu o princípio feminino e Lisa o masculino. O filho de Mawu-Lisa, Dã a serpente cósmica, ajuda na ordenação do universo, possuindo rolos acima da terra, e o mesmo número abaixo. Juntas, estas bobinas apoiaram Mawu-Lisa na criação. Mawu é associado com a lua, noite, fecundidade, maternidade, doçura, perdão, descanso e alegria, quando Lisa está identificada com o sol, dia, calor, trabalho, poder, guerra, força e raciocínio. A cosmologia Fon tem a Terra flutuando na água, enquanto que acima do círculo celestial os corpos estão na superfície interna de uma cabaça. Outros vodus são atribuídos o governo de outras partes do mundo: o céu está sob a égide da Heyvoso, a terra, o domínio do Sakpata, o mar e as águas são o reino da Agbe-naete.
O povo hebreu no deserto após ter sido atacado por serpentes venenosas obteve a cura ao encarar a serpente de bronze, perdendo o medo, e este fez com O culto à serpente perdurar 700 anos na sociedade dos hebreus, sendo veementemente combatida pelo rei Ezequias:
"Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã." 2 Reis 18:4
Não significando que tenha se extinguido após aquela época, porque estava na lembrança do evangelista João que fala da serpente fazendo uma analogia do Messias que veio para curar o povo de Ysrayl.
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:14-15.
A palavra NEUSTÃ é uma combinação de palavras do hebraico para a serpente e bronze, sendo assim, os hebreus representavam uma serpente de bronze e a cultuavam. Diversas populações africanas da costa ocidental e na Afro - América ainda mantém em seus ritos semelhanças nos escritos hebraicos nos dão pistas plausíveis para traçarmos os caminhos da diáspora dos hebreus em direção à África Ocidental nos tempos de Moisés e pós-Moisés, após o cativeiro assírio e babilônico; e de mais de um milhão de hebreus que retornaram ao continente africano após os anos 70 depois do nascimento de Yahoshua, fugindo da fúria do império romano. Algumas etnias africanas se dizem descendentes dos danitas, nisso observamos os hebreus da Etiópia e os hebreus lemba na região sul africana.
Os mais sérios estudos da África Ocidental têm comprovado a origem hebraica dessas civilizações, inclusive com relatos dos griots e a prática ainda vigente da guarda do sábado e a circuncisão.
O culto a Neustã entre os hebreus, provavelmente começou em 1.200 a.C e já se passaram mais de 3.000 anos. O culto a serpente Dan na África e na Afro - América, o nome de um filho de Ysrayl, Dan, que é relacionado à cobra, é mera coincidência?

terça-feira, 24 de março de 2009

O GENOCÍDIO DOS TUTSIS – UM MASSACRE DE POSSÍVEIS DESCENDENTES DE HEBREUS

Por Walter Passos, historiador e teólogo

E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Há muitos estudos, documentários e filmes sobre o genocídio dos tutsis e hutus em Ruanda, e os fatos não foram totalmente elucidados. Os estudiosos realizam análises das causas imediatas do conflito e suas conseqüências sem se anteverem aos estudos mais profundos da divisão entre esses povos. Os tutsis vivem também em Burundi e são 5% da população do Congo.

A idéia generalizada de que todos os pretos são iguais tem-se desfeito há algum tempo quando nos deparamos com diversidades históricas e culturais. Na Bahia ainda há pessoas que através da religiosidade se autodenominam de nações diferentes, citamos, por exemplo: jeje, congo-angola e ketu. Recordo-me de um falecido tio paterno que exercia a função sacerdotal de peji-ogan e quando perguntado sobre a sua nação “dobrava a língua” (falava na língua da nação) e se apresentava com orgulho, demonstrando afirmação de sua origem étnico-religiosa, e ficava deveras aborrecido quando por brincadeira eu trocava a sua ancestralidade.
Compreender as diferenças históricas dos povos de Ruanda e Burundi é fundamental em novas pontuações que culminaram com o genocídio de mais de 1 milhão de pessoas em 1994 no território ruandês. O grande genocídio foi à culminância de embates anteriores ente esses povos: Twa (Batwa), Hutu e Tutsi.

TWA OU BATWA O que podemos afirmar de populações realmente autóctones na região são os Twa conhecidos também como Batwa, erradamente denominados de pigmeus pelos gregos. Vício das civilizações brancas de renomearem povos e regiões.
Comprovadamente os Twa são os mais antigos habitantes do continente africano, habitando a região dos Grandes Lagos, na África Central em Ruanda, Burundi e Uganda, sendo encontrados também na Republica Popular do Congo com uma população total de aproximadamente 80.00 mil pessoas.


HUTUS Os Hutu ou Wahutu de origem bantu são o maior grupo populacional que habitam em Ruanda e Burundi e segundo historiadores migraram para esta região no décimo primeiro século originário do Chade, deslocando os Twa e criando pequenos reinos até a chegada dos Tutsis que dominaram os dois povos.
TUTSIS
Pode argumentar-se que o atual conflito entre os povos dos Grandes Lagos Africanos à volta do Grande Vale do Rift da África Central pode ser atribuído ao tempo de Salomão, o último dos grandes reis do hebreu império Davidico. Segundo a Bíblia, Salomão tinha setecentas esposas e trezentas concubinas (1 Reis 11:3). As mulheres são descritas como princesas estrangeiras, incluindo a filha do faraó. As relações entre a Rainha de Sabá e Salomão também são discutidas, tanto na Bíblia e no Corão. O Kebra Nagast, ou o Livro da Glória dos Reis, conta as origens da Dinastia Salomônica da Etiópia em que Menelik I (originalmente chamado CEAN La-Hakim, "Filho do Sábio"), foi o primeiro Imperador do Etiópia, é dito ser o filho do rei Salomão e da Rainha de Sabá.

BURUNDI DRUMMES




Os tutsis habitam em Ruanda e Burundi e historicamente são estrangeiros nessas terras. Esse povo é considerado de origem hebraica segundo a tradição oral em Burundi do clã Zagwei e de outros clãs. Conforme a oralidade dos tutsis, eles vieram de um reino hebreu na antiga região de Kush, destruído no ano 1270 d.C; e migraram para diversas regiões africanas incluindo o que conhecemos atualmente por Burundi, Ruanda, partes da Uganda, Tanzânia e Congo.
Reconstruíram o Império de Kush do Sul de 1270 a 1527, segundo a lei mosaica, perdendo a tradição escrita da Torá neste período migratório e de adaptação nas novas regiões e dominaram as populações hutus e twa.
A tradição oral localiza geograficamente os ancestrais oriundos de uma área em torno da Etiópia, como o Reino de Kush, no momento em que um reino hebreu englobava também hoje o Sudão. Quando os reis hebreus de Kush foram substituídos primeiramente por governantes cristãos e, em seguida, governantes muçulmanos, vários clãs migraram para região dos Grandes Lagos Africanos.
Com a chegada dos invasores europeus e a cristianização, houve uma resistência para a manutenção das leis mosaicas sendo quase totalmente destruídas com a chegada das tropas alemãs e posteriormente belgas. Importante ressaltar que na Tora, alemão significa askenazi. Os hutus se converteram a fé cristã e as terras dos tutsis foram tomadas e entregues aos hutus, acirrando o conflito entre esses dois povos.
Após a derrota da Alemanha na primeira guerra mundial a Bélgica se apropriou de Ruanda, Burundi e do oeste do Congo e criou uma política religiosa de destruição da fé e prática hebraica entre os Tutsis, destronando o rei hebreu de Ruanda e proibindo em 1917 o grande festival anual dos ritos do Sukkoth (Festa dos Tabernáculos) que duravam oito dias, celebrando as primeiras colheitas ou os primeiros frutos, relatados no livro de Levítico 23:34- 36
Disse mais o Senhor a Moisés:
Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias.
No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
Por sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao oitavo dia tereis santa convocação, e oferecereis oferta queimada ao Senhor; será uma assembléia solene; nenhum trabalho servil fareis
.
Segundo o Professor Yochanan (Jean) Bwejeri membro do clã Zagwei Bene-tutsi do povo do Burundi, o terrorismo católico e das forças invasoras dos belgas, os tutsis foram proibidos da continuação da prática da fé dos seus ancestrais hebreus e uma impiedosa inquisição se alastrou , e forçadamente os tutsis foram obrigados a seguir o cristianismo.
O professor Yochanam continua afirmando que:
- O nome original do patriarca tutsi foi Himai, um descendente de Ham, um dos filhos de Noé. A palavra "tutsi" é construída a partir da raiz de Kushi. Kush ou Cush está situado a sul da terra do Egito ao longo das margens do Nilo. Os Cushitas e os hebreus bíblicos têm muitos contatos. Um dos mais interessantes é que o Rei Cushita incentivou a rei Ezequias de Judá a resistir aos assírios. (II Reis 19:9. 14).
Os tutsis são "tradicionalmente dedicados" para o " boi ruivo ", que na Bíblia é chamado de novilha vermelha (Pará adumah). O sagrado boi foi sacrificado no templo construído por Ikhnaton. Sob a lei mosaica (Números 19), as cinzas da novilha vermelha foram utilizadas no ritual de purificação de pessoas que tocaram em um cadáver.
Entre 1270 e 1527 CE (durante o período do Império Kushita do Sul), os tutsis secretamente codificaram na oralidade a lei mosaica dos Doze Códigos Ocultos de Havila. Em conformidade com os Códigos, eles desenvolveram um festival nacional de regresso chamado Umuganuro, que ele compara a Sukkot (Festa dos Tabernáculos).
Os emblemas hebreus do Império Kushita do Sul são os Tambores de Salomão, o Leão de Judá e o Cetro. O cetro recorda a instituição dos 70 anciãos, de acordo com a sugestão do sacerdote "Kushita", Jetro, a Moisés. (Êxodo 18, Números 10:29-30 e Habacuc 3:7). Estes três emblemas mantiveram os sagrados símbolos dos tutsis no início do século 20. Os Tambores de Salomão foram exibidos uma vez por ano no Sukkoth (Umuganuro). Para além dos três símbolos e do apego aos bois ruivos, a partilhar com os hebreus tutsis o culto a um Deus e com a proibição de casamento com povos não hebraicos.

A DIVISÃO ÉTNICA FEITA PELOS BELGAS
Quando os belgas dominaram a região realizaram genocídios na população do Congo e acirraram a divisão dos hutus e tutsis e twas em Ruanda. Sobre a questão do genocídio realizado pelos belgas no Congo, leia o artigo publicado neste blogger sobre as crianças acusadas de bruxaria no Congo:
- O rei Leopoldo II transformou o Congo no quintal de sua casa. O que ele fez no Congo foi explorar e auferir imensos lucros a sua filantropia foi baseada no genocídio de 10 milhões de africanos.
Confira o artigo: http://cnncba.blogspot.com/2008/02/batalha-espiritual-as-crianas-bruxos-do.html
Os belgas na época acreditaram que os tutsis eram originários do continente perdido de Atlântida ou de local desconhecido, inventando uma superioridade racial e criando desavenças entre os povos, que estavam conseguindo viver na mesma região, inclusive com casamentos intergrupais.
Os belgas decidiram limitar a cargos administrativos e de ensino superior para o tutsi, e decidiram quem era tutsi. Identificou algumas características físicas, mas não para todos. Mas o rastreio das genealogias foi morosa e poderia também ser imprecisa, dado que os indivíduos podem mudar conforme a sua categoria de fortunas aumentaram ou diminuíram na possessão de gados. Os belgas decidiram que o procedimento mais eficiente foi simplesmente registrar todos, observando seu grupo de filiação, por escrito, de uma vez por todas. Como precederam? Todos os ruandeses nascidos posteriormente seriam registrados como tutsis, hutus, ou Twa no momento do seu nascimento. O sistema foi posto em prática na década de 1930, cada ruandês, declararava a sua identidade étnica. Cerca de 15 % da população se declarou tutsi, aproximadamente 84 % disseram que eram hutu, e o restante 1% disseram que eram Twa. Esta informação foi inscrita em registros no escritório do governo local e indicados nos bilhetes de identidade que adultos ruandeses foram então obrigados a transportar. O estabelecimento de registro escrito, não muda completamente no grupo final da filiação. Neste breve período os hutu descobriram as vantagens para se tornar tutsi mesmo após os registros haverem sido estabelecidos, assim como outros mais recentes têm encontrado waysto tutsi apagando as suas origens. Mas, com o registro oficial da população, mudar a etnicidade tornou mais difícil.
A própria gravação dos grupos étnicos, em forma escrita reforça a sua importância e mudou a sua característica. Não mais flexível e amorfo, as categorias tornaram-se tão rígidas e permanente que alguns contemporâneos europeus começaram a referir a eles como "castas". A elite dominante, a maioria influenciada por idéias européias e os beneficiários imediatos da nítida demarcação de outros ruandeses, cada vez mais salientou separatividade e a sua superioridade presumida. Entretanto os hutu, oficialmente excluídos do poder, começaram a sentir a solidariedade dos oprimidos.
A ideologia do eugenismo estava em pauta nos países europeus e assim eles viram divisões entre os tutsis (etíopes) os hutus (bantus) e Twas (pigmeus), criando uma escala racial e aumentando a exploração econômica entre as populações.
Os tutsis culturalmente desenvolveram o pastoreio do gado, tornando-os melhores sucedidos economicamente, como uma minoria foi considerada a aristocracia de Ruanda e dominava os camponeses hutus durante décadas, sobretudo enquanto Ruanda estava sob o poder colonial belga.
Os hutus representam 90 % da população, e a maioria vivem da agricultura.
Os twa ficaram nessa hierarquia racial e econômica entre os mais empobrecidos

Após a independência de Ruanda em 1962, a maioria hutu inverteu os papéis no poder e, oprime os tutsis por discriminação sistemática e de atos de violência. Como resultado mais de 300.000 tutsis fugiu para países vizinhos e formaram um exército rebelde guerrilheiro, a Frente Patriótica Ruandesa.
Em 1990, esse exército rebelde invadiu Ruanda e forçaram presidente hutu Juvenal Habyalimana em assinar um acordo que determinou que os hutus e tutsis compartilhassem o poder. Este foi um dos prenúncios para a vingança.

A MÍDIA A SERVIÇO DO ÓDIO
A mídia desempenhou um papel crucial no genocídio: rádios e a mídia impressa alimentaram as mortes, enquanto a mídia internacional ignorava o massacre. Os jornais em Ruanda incentivaram o ódio contra os tutsis, posteriormente divulgado por estações de rádio. O jornal Kangura de propriedade estatal tinha um papel central, iniciando um processo anti-tutsi e anti-RPF na campanha em outubro de 1990. No decorrer do Tribunal Penal Internacional para a Ruanda, os indivíduos que trabalhavam no Kangura foram acusados de produzir folhetos, em 1992, retratando um facão e perguntando "O que devemos fazer para completar a revolução social de 1959?" - Uma referência a revolta hutu que derrubou a monarquia tutsi e a violência que resultou em milhares de mortes de maioria tutsi e forçou cerca de 300.000 tutsis para fugir ao vizinho Burundi e Uganda. “O Jornal Kangura publicou também o famoso Mandamento dos hutus, que exortou os Hutus ao massacre de tutsis e, mais em geral a mensagem de que o comunicado RPF tinha perdido uma grande estratégia, uma característica do artigo foi intitulada” Plano de Colonização Tutsi”.
Devido às altas taxas de analfabetismo na época do genocídio, o rádio foi uma forma importante para o governo de entregar mensagens ao público. Duas principais estações de rádio que incitaram à violência antes e durante o genocídio foram a Rádio Ruanda e a Rádio Télévision Libre des Mille Collines (RTLM). Em Março de 1992, a Rádio Ruanda foi utilizada pela primeira vez diretamente na promoção do abate de tutsis em Bugesera, ao sul da capital nacional Kigali. A Rádio Ruanda repetidamente alertava que difundiram um comunicado hutu em Bugesera que seria atacada por tutsi, uma mensagem utilizada pelos funcionários locais para convencer os hutus que precisavam para se proteger, atacar primeiro. Liderado por soldados, hutus civis e dos membros do Interahamwe, posteriormente atacaram e mataram centenas de tutsis. No final de 1993, a RTLM' altamente sensacionalizava o relato sobre o assassinato do presidente do Burundi, um hutu, e utilizaram para sublinhar suposta brutalidade tutsi. A RTLM falsamente relatou que o presidente havia sido torturado, incluindo castração da vítima (em tempos pré-coloniais, alguns reis tutsis derrotados foram castrados por governantes inimigos). Desde finais de Outubro de 1993, a RTLM repetidamente difundiu temas desenvolvidos pelos extremistas da imprensa escrita, sublinhando as diferenças entre os hutus e tutsis, que os tutsis eram de origem estrangeira, e a parte desproporcionada de riqueza e poder tutsi, e os horrores do passado de tutsi. A RTLM também repetidamente sublinhou a necessidade de estar alerta para possíveis ataques parcelas de tutsis e convocou os hutus a se prepararem para se "defender" contra os tutsis. Após seis de Abril de 1994, as autoridades usaram a Rádio Ruanda e a RTLM para estimular e direcionar assassinatos, especificamente nas áreas onde as mortes não havia iniciadas. Ambas as estações de rádio foram usados para incentivar e mobilizar, em seguida, para dar diretrizes específicas para a realização dos assassinatos.
A RTLM tinha usado termos como inyenzi (baratas em Kinyarwandan) e tutsi permutavelmente com outras se referindo especificamente aos combatentes do RPF e advertiu que os combatentes da RPF estavam vestidos com roupas civis e foram deslocados para zonas de combate. Estas mentiras deram a impressão de que todos os tutsis eram adeptos do RPF e estavam lutando contra o governo. As mulheres faziam parte da anti-tutsi propaganda antes do genocídio de 1994, por exemplo, os "Dez Mandamentos hutu", publicada em dezembro de 1990 pelo "Kangura" incluiu quatro mandamentos que retratavam mulheres tutsis como ferramentas do povo, como armas sexuais que seriam utilizadas pelos tutsis para enfraquecer e destruir, em última instância, os homens hutu. O sexo baseado em propaganda inclui também, caricaturas em jornais impressos alusivos as mulheres tutsi como objetos sexuais. Exemplo de propaganda com base no gênero usado para incitar o ódio gerou uma guerra de estupro e inclui declarações de autores como a "Mulher tutsi: Você acha que é boa demais para nós" e "Vamos ver o gosto de uma mulher tutsi”.
ESTUPRO DAS MULHERES TUTSI
Os efeitos em longo prazo da guerra e os estupros em Ruanda para as vítimas incluem isolamento social (estigma social anexado ao estupro significava alguns maridos que tinham deixado as mulheres que foram vítimas de estupro na guerra, ou que as vítimas tornaram-se impróprias para o casamento), gravidez indesejadas e bebês (algumas mulheres recorreram ao aborto auto-induzido), vítimas de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo sífilis, gonorréia e HIV / AIDS (acesso aos medicamentos anti-retrovirais permanece limitada). O Relator Especial sobre Ruanda estimou que entre 2000 e 5000 gravidezes resultassem do estupro de guerra (entre 250.000 e 500.000 mulheres e meninas foram estupradas).
Ruanda é uma sociedade patriarcal e as crianças, herdam a etnia do pai, sublinhando que a guerra do estupro ocorreu no contexto do genocídio. A principal questão que envolve a reintegração é o fato de que a violência que havia ocorrido freqüentemente envolveu vizinhos; as mulheres viveram ao lado de estupradores, assassinos e torturadores. Foi muito difícil logo após o genocídio dos tutsis a confiança nos hutus, que não tinham qualquer envolvimento no genocídio.
Os assassinatos em seguida se espalharam por todo o campo com as milícias hutu, armados com catanas, paus, pistolas e granadas, começou matando indiscriminadamente civis tutsis.


Todas as pessoas que se deslocavam e Ruanda tinham que possuir cartões de identificação especificando sua etnia, uma prática herdada e imposta no período colonial. Estes cartões de identificação étnica agora significavam a diferença entre a vida e a morte


Fuga dos tutsis

Há muitos bons filmes em locadoras que podem ser vistos e discutidos sobre a questão do genocídio, um dos mais comentados é Hotel Ruanda. Vale à pena conhecer um pouco mais sobre o genocídio.
Em 1994 mais de um milhão de tutsis e moderados hutus foram massacrados em Ruanda de 06 de abril até meados de julho, com a omissão da Franca e suas ex-colônias, apoiados pelo silêncio da ONU dos Estados Unidos da América e de países europeus.


Os assassinatos só terminaram após tutsi armados, invadiram Ruanda a partir de países vizinhos, e conseguiram derrotar os hutus e pôr fim ao genocídio em Julho de 1994. Até então, mais de um décimo da população, um número estimado de um milhão de pessoas, possivelmente de origem hebraica tinham sido assassinadas.
O genocídio que sofreram os tutsis não pode ser esquecido e completar-se-á 15 anos, onde seres humanos deturparam a solidariedade e respeito pelas diferenças. Toda a falta de respeito ao outro leva a intolerância e a violência.
Rwanda Genocide

sexta-feira, 13 de março de 2009

GENOCÍDIO DOS ABORÍGENES AUSTRALIANOS - GERAÇÃO ROUBADA.

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail:
walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

A Austrália está localizada no sudoeste da Oceania com uma área de 7.682.300 km², e possuí uma população de 19, 8 milhões de habitantes (censo 2006): 95% de europeus meridionais e setentrionais, 3,5% de asiáticos, 1,5% de grupos étnicos autóctones - aborígenes. As histórias dos grupos nativos da Austrália remontam a milhares de anos sendo uma das incontestes provas da afrocentricidade. Os nativos australianos são pessoas pretas, como todos os primeiros habitantes do planeta.
Novas evidências de DNA mostram que os aborígenes australianos descenderam de migrantes que deixaram a África há cerca de 50 mil anos, descobriram cientistas da Universidade de Cambridge. Os pesquisadores afirmam que as descobertas reforçam a teoria evolutiva conhecida como "Out of Africa" - saída da África -, segundo a qual todos os homens modernos são descendentes de um único grupo de Homo sapiens que deixou a África há quase 2 mil gerações.
Há uma necessidade urgente de se rever os estudos sobre a presença das populações originais e suas histórias. Infelizmente, os historiadores e educadores se atêm ao continente africano como o único continente a ser estudado, omitindo as migrações voluntárias que se destinaram a diversas regiões do planeta. Não conhecer e praticar a afrocentricidade é negar a presença das populações pretas como  primeiras civilizações, e corroborar na manutenção da educação reducionista e racista.
Os pretos da Austrália atualmente estão reduzidos a 1,5% da população, e houve um culpado desse extermínio. Não foram exterminados pela vontade de YAH, mas, exterminados pela usura e xenofobia da civilização branca cristã. Torna-se então, necessário conhecer um pouco dessa história e as táticas de extermínio de homens, mulheres e crianças originais.




A INVASÃO DO CONTINENTE PRETOA área da Oceania é de 8.480.355 km² e a população é aproximadamente de 32 milhões de habitantes, cerca de 75% desta população habita em cidades (urbana), enquanto somente 25 % mora na zona rural, aproximadamente, 90% do continente está na Austrália.
Podemos tranquilamente afirmar que todo o continente da Oceania (nome dado pelos invasores brancos) foi originalmente um continete preto, como foi todo o planeta antes do aparecimento da civilização branca , eram terras sagradas de homens e mulheres pretas.


Os primeiros registros históricos da presença de brancos nos mares da Austrália datam de 1606 e 1770 com os famigerados calvinistas da Holanda, através da Companhia das Indias Ocidentais, que definiram as regiões norte, oeste e sul como Nova Holanda. Em 1770 a Inglaterra declarou-se dona da região Leste, denominando-a de Nova Gales do Sul. A Australia foi invadida de uma maneira concreta entre 18 e 20 de janeiro 1788 com 11 navios e 1350 pessoas e ai começou o inferno para a população preta.
Na historia das civilizações pretas não há recusa do estrangeiro, fato este proveniente da melanina que induz a espiritualidade e a respeitabilidade pelo diferente. Este foi o caso dos nativos autralianos que foram atraiçoados pela pervesidade do homem branco que bem recebidos começaram a destruir os nativos roubando os recursos e as terras, levando a reação armada especialmente do povo Eora que foram os primeiros a ter contatos com o invasor inglês, pois habitavam a região hoje conhecida como Sidney. Existiam mais de 400 etnias na Australia com diversas línguas e costumes e quase duzentas delas com extensões de certos países da Europa, vivendo em um sistema clânico de respeito a natureza.


Entre os povos importantes que resitem ao colonizador branco estão os Pitjantjatjara Anangu que residem na região sul.

A segunda importante população são os Arrernte que vivem nas terras centrais da Australia e são guardiães da tradição.
O terceiro povo são os Luritja que habitam no derserto ocidental
Entretanto alguns povos foram praticamente dizimados pela varíola, gripe e diversas outras doenças desconhecidas e pelo etnocídio praticado pelas armas dos invasores. Um dos casos mais demoníacos foi do povo da Tasmânia que somavam 8.000 pessoas e foram totalmente dizimadas na “Guerra Negra”. Sendo Truganini, a última sobrevivente uma guerreira que, no início do século XX, foi acorrentada e exposta como peça de museu vivo, morreu após uma greve de fome. Salve a memória dessa guerreira Preta!
A TÁTICA BRANCA DA MISCIGENAÇÃO RACIAL E DA DESTRUIÇÃO DA FAMÍLIA PRETA

Para os ingleses, aquele "novo continente" foi considerado, ou seja, terra-de-ninguém. Afinal, não havia pessoas vivendo lá, mas sim alguns “remanescentes do Neolítico”, como diziam.
"O Estado de Western Austrália (Austrália Ocidental) foi o primeiro a estabelecer leis discriminando e segregando a minoria aborígine da maioria branca. Os nativos ficaram restritos, em sua maioria, às reservas nas fronteiras da linha dos coelhos. E, quando eram enviados às cidades, eram impedidos de ter acesso acertas regiões, bem como a inúmeros direitos civis. Foi instituído nesta época o cargo de Protetor-Chefe dos Aborígines. Este era responsável pelo “bem-estar” dos nativos, podendo selecionar quais crianças desta população seriam retiradas de suas famílias e levadas aos “centros educacionais”, para aprenderem a viver como brancos.
Tais “centros” eram, na realidade, campos de concentração de aborígines, nos quais as crianças eram obrigadas a abandonar seus idiomas e costumes tradicionais, e assumirem uma orfandade. Passado este estágio, eram então, catequizadas e ensinadas a trabalhos da mais baixa qualificação: para os rapazes trabalhos agrícolas ou manuais urbanos, para as moças prendas domésticas. Após saírem dos “centros educacionais”, os jovens aborígines agora “civilizados”, eram enviados a famílias de toda a Austrália, que passavam a ser responsáveis por eles, inclusive por seus casamentos. Um detalhe sórdido era escondido dentro deste sistema: somente crianças mestiças eram levadas aos “centros educacionais”. Estas poderiam casar somente com brancos, para que seus traços sangüíneos aborígines fossem apagados em três ou quatro gerações. O discurso oficial de “civilizar os aborígines” se tornava insustentável diante do fato de que em uma mesma família, crianças mestiças foram levadas, e crianças “100% aborígines”, não. Em 1937, a Federação Australiana proclamou uma lei na qual os aborígines do centro e do norte, que fossem mestiços, deveriam ser “civilizados” de forma continuada. Em 1951, esta lei foi estendida a todos os aborígines da Austrália. Com o tempo, desapareceria o problema aborígine.
Entre 1910 e 1960, período em que a transferência de crianças de suas famílias para os “centros educacionais” esteve em seu auge, calcula-se que de 10% a 30% de todos os nascidos aborígines foram levados. Nenhuma família ficou intocada. A partir da década de 1960, este processo diminui gradativamente, até que em 1972 tal lei é finalmente abolida.
“Geração roubada” foi o nome dado a todas estas gerações de crianças aborígines levadas de suas famílias para a “civilização”. Quando o filme foi lançado, em 2002, o governo federal afirmou que o livro com o qual este se baseou e, o próprio filme, narravam mentiras. Resta lembrar que este mesmo governo, foi um dos poucos que respondeu prontamente à solicitação de tropas por parte de George W. Bush, para as invasões do Afeganistão e do Iraque. Em 1997, a Justiça Australiana havia deliberado que o ocorrido com as “gerações roubadas” havia sido um genocídio. Porém, negou quatro pedidos de ressarcimento estatal aos descendentes destas pessoas e de seus familiares. A alegação foi de que os pais haviam consentido com a retirada das crianças. Há imprecisões, pois estes pais eram analfabetos, e muitas vezes nem compreendiam o idioma inglês. Sua “assinatura” era na realidade um “X” em uma folha. "
A tática da destruição das famílias “aborígenes” deu resultado porque extinguiram  línguas e civilizações, miscigenando as famílias cortaram o laço da ancestralidade. A participação das Igrejas Católica, Anglicana e Presbiteriana foi fundamental para destruir as populações nativas.
Uma das principais táticas destruidoras dos invasores brancos foi a miscigenação racial, prática que gerou resultados, pois apaga a memória ancestral e cria uma geração de pessoas confusas e com crises de identidade, formando gerações que amam o chamado lado eugênico vencedor. Na Austrália os chamados aborígenes chegam a 455 mil pessoas, cerca de 1,5% a 2% da população, com uma expectativa de vida de 17 anos inferior a um branco e são discriminados, empobrecidos, marginalizados e a maioria nas prisões.

Assistiam o filme Geração Roubada e tirem as suas conclusões.







 

Acesse:
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias

terça-feira, 3 de março de 2009

NEGRO SPIRITUALS - CANÇÕES DE RESISTÊNCIA.


Por Walter Passos - Teólogo e Historiador
Pseudônimo: Kefing Foluke.
Um dos mais belos ritmos musicais de resistência na escravidão foram os chamados spirituals, e diversos estudos sobre a sua origem ainda são temas de pesquisas de musicólogos, teólogos e historiadores.
De acordo com o excelente artigo escrito pelo musicólogo Juarês de Mira:
“A musica sempre esteve presente nas aspirações e lutas por liberdade dos negros desde que nas Américas, aportaram trazidos como escravos. Deles foi roubado, sua língua, família, e grande parte de sua cultura; ainda assim seus opressores não puderam remover a sua música, que era a expressão da alma deste povo. Ano após ano esses escravos e seus descendentes aceitaram o cristianismo que era a religião de seus senhores. A Música era parte integrante do dia a dia do africano e era usada nos trabalhos, nas caçadas, nas festas, enfim toda a atividade era pontuada com musica. O poder desta musica da Diáspora aparece como elemento condutor da grande herança ancestral e cultural da Mãe África.
O Musicólogo M. Kolinsky fez um estudo comparativo de Negro spirituals e Canções Nativas da África Ocidental, e muitos eram idênticos, ou intimamente aparentados em estrutura tonal (escala e modo). Um Spiritual que ficou mundialmente conhecido no arranjo de Bob Dylan (many Thousands Go) , No More Auction Block For Me, segundo Kolinsky é claramente idêntico a uma canção do povo Achanti (Gana).”Leia todo o artigo: http://negrospirituals.blogspot.com/2008/05/negro-spirituals-um-canto-de-liberdade.html
Analisar as manifestações libertárias pretas com os olhares das ciências sociais brancas, utilizando os seus instrumentos metodológicos deformados e preconceituosos, infelizmente, tem levado estudiosos pretos a tecerem conclusões equivocadas, como se estes fossem modelos a serem seguidos por nosso povo. Já se passou o momento de aceitar as conclusões dos pesquisadores brancos sobre a nossa história, as nossas manifestações religiosas, as nossas vivências. Os que escreveram e escrevem sobre nós, as suas análises, independente se forem feitas em grandes centros acadêmicos, tem que ser questionados e postas à prova. Sempre duvide dos estudos feitos pelos descendentes dos escravizadores, e no caso especifico dos catequizados pelo catolicismo e convertidos ao protestantismo desconfiem quando falarem da história dos hebreus e da cor de Yahoshua.

A escravidão foi formada de grandes campos de concentração baseada no latifúndio, na monocultura e exploração da mão-de-obra escravizada. O alento, a esperança, a contestação e o desafio as normas escravistas vigentes, foram também expressas através da musicalidade em toda a América escravista.

Os Negros Spirituals tornaram-se uma das formas mais elaboradas de cânticos e práticas de resistência especialmente nos Estados Unidos da América, que serviram como mensagens e manutenção da unidade para o enfretamento contra o sistema cristão branco escravista e manutenção de resquícios históricos ancestrais.
Diversas canções foram códigos de fugas ocultos e de duplas mensagens, planejando rebeliões ou evitando recapturas de escravizados fugidos. Os negros spirituals estão fortemente ligados a revolta do pastor preto Nat Turner, terma já publicado neste blogger: http://cnncba.blogspot.com/2007/11/nat-turner-o-profeta-guerreiro-lder-da.html
Relacionamos também os spirituals a Harriet Tubman valorosa mulher preta que lutou contra a escravidão, o racismo e o direito ao sufrágio das mulheres, entre seus fatos importantes houve incursões para libertar mais de setenta escravizados, conhecidas como Black Moses.
Entre tantas canções citamos os exemplos de: "And He never said a mumbelin’ word," "Go down Moses," "Oh Freedom," e "Steal Away to Jesus."

Uma das grandes características dos intelectuais pretos protestantes brasileiros é desconhecerem a sua história africana. Ignorar a civilização hebraica e sua migração para extensas regiões da África Ocidental e conseqüente escravização para as Américas, criando diversas formas de resistência, tornou-se uma forma de embranquecimento histórico e teológico, os tornando co-participes da má interpretação da história bíblica e do verdadeiro Povo Hebreu. Não detendo esse conhecimento ou negando a aprendê-lo, incorre em erros de análises. Como foi o caso de um antigo pastor preto o qual escreveu um artigo na Revista Simpósio nº 27 de junho de 1983, páginas 237 -252. Este artigo escrito pelo Reverendo Leontino Farias dos Santos, doutor em teologia e pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPI), intitulado: Aspectos sociolingüísticos da tradução de hinos protestantes Camp meetings e Negro Spirituals. Apesar de o reverendo tentar explicar a origem da musicalidade dos escravizados repete concepções calvinistas de superioridade racial branca:
“...Os fieis geralmente assim procediam porque estavam excitados a ponto de chegar ao frenesi, ao êxtase em seu mais alto grau, onde toda a ordem é esquecida e cada um dança, rodopia, pula berra e canta como quer, apesar de na vida normal ser pessoa pacta e disciplinada.
As pessoas envolvidas perdem a noção do ridículo e se lançam a histeria, possuídas por espíritos estranhos, com berros, uivos, linguagem ilógica e cânticos espirituais...
Queremos nos referir à criatividade, capacidade de improvisação e harmonia que caracterizam os cânticos espirituais dos negros. Sem técnica pré-estabelecida, sem ensaios, sem cultura musical e sem cultura geral historicamente reconhecida pelos povos mais desenvolvidos...
Outra característica é a criação de canções de sofrimento com demonstração de espírito de resignação...”
O autor usa adjetivos discriminatórios ao referir-se a expressões corporais africanas, repetindo termos da academia branca que se considera humana e trata os africanos e seus descendentes como “bestiais”:
“As pessoas envolvidas perdem a noção do ridículo e se lançam a histeria, possuídas por espíritos estranhos, com berros, uivos, linguagem ilógica e cânticos espirituais..”.

Como é o caso do Reverendo Leontino, um homem preto, que deveria reanalisar o texto, e reescrevê-lo com uma concepção empretecida, livre das influências acadêmicas brancas calvinistas, apesar de trazer para época informações interessantes, no meu caso particular, de ter acesso há 26 anos a estas pesquisas.
O que me levou a refletir sobre esse tema não sendo um musicólogo foi a canção Kum Ba Yah, uma das musicas favoritas de muitos hebreus-israelitas.

O que chama a atenção imediata é o nome sagrado de Yah nesta linda canção. Yah é abreviatura de YHWH, não devemos pronunciar Jah, Javé ou Jeová porque não existe na língua hebraica a letra J.
Uma das primeiras perguntas: Como os escravizados conheciam essa canção com o nome sagrado de Yah?
Encontramos o nome de Yah que é uma abreviação de YHWH cerca de 50 vezes nos livros bíblicos e citamos alguns exemplos:
A primeira ocorrência do nome Yah ocorre em Êxodo 15:2, quando Moisés e o Povo Hebreu cantam uma canção sobre a derrota de Faraó e seus cavaleiros:
(Yah é a minha força e canção e Ele se tornou a minha salvação)

Esta canção veio do continente africano e não foi influenciada pelos escravizadores cristãos brancos, sendo especial entre os spirituals na escravidão.
O conhecimento do nome sagrado de Yah pelos escravizados pretos antes da catequização nos dá pistas sobre a presença de hebreus pretos na África Ocidental e faz-nos refletir a história do povo hebreu e sua diáspora, sendo este um tema a ser publicado futuramente neste Blogger.
Louvado seja Yah para sempre! Hal-le-lu-Yah!!!

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