quarta-feira, 15 de abril de 2009

A TRIBO DE DAN – O CULTO A SERPENTE E SUA DIFUSÃO NA ÁFRICA E NA AFRO-AMÉRICA


Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br



INTRODUÇÃO
Para entender os povos afro-diásporicos, as suas origens históricas e mitologias, é necessário perfazer caminhos ainda não percorridos pela historiografia afrocentrada. Compreender as nossas formações tem sido cientificamente prazeroso, mas necessitamos avançar e compartilhar conhecimentos, e ao mesmo tempo desenraizar as informações ocidentais que mascaram e embranquecem a história da humanidade. A escassez de registros escritos dos antepassados escravizados com as tradições sofrendo constantes transformações, o não desenvolvimento de novos griots, a falta de respeito à oralidade nas relações de aprendizado, a quebra da manutenção das tradições familiares e religiosas, são fatores que precisam ser revistos imediatamente. Muito se tem de escondido e modificado nas formações do nosso povo e chegou o momento de recolhermos através da oralidade, da documentação, da arqueologia, da lingüística e de outras ciências a verdade escondida.
Na África vem ocorrendo transformações através do islamismo, a colonização, a escravidão, perdas territoriais, migrações forçadas, cristianização e a atualmente a globalização. Isto vem afetando as tradições orais, destruindo os sítios históricos o leva à perda identitária ou adaptações e junções de civilizações outrora díspares, aumentando os conflitos étnicos pela necessidade de pertencimento e afirmação da ancestralidade.
Recordo os momentos de criança em que a minha mãe contava fatos ocorridos na sua infância e ensinava-me sobre as suas vivências no bairro de São Caetano em Salvador-Bahia.
Eu sempre gostava de molhar as plantas do jardim. Creio que foi o “trabalho” mais gostoso da minha vida, poder observar os diversos tipos de roseiras, antúrios, avencas, margaridas e diversas outras plantas. Um dia, creio ter 08 anos de idade, eu chamei a minha mãe. Na verdade, gritei com medo, porque havia uma bela cobra entre as plantas; minha mãe veio correndo e ficou deveras assustada com a presença do ofídio e diversos vizinhos vieram “cuidar” do animal da forma mais brutalizada possível. Ela, após o susto, contou-me que na sua infância uma mulher da nossa família constantemente entrava em transe e se arrastava igual à cobra e isso a deixava bastante assustada, fato esse que ocorria na residência dos seus familiares. Minha mãe não gostava de cobras e nem de vê-las na televisão ou em revistas.
O fascínio, o medo, a curiosidade sobre a cobra vem dos primórdios da humanidade e praticamente faz parte da mitologia de todas as civilizações por causa do poder regenerativo de suas escamas, o que fez com que esta se tornar-se símbolo de adoração entre muitos povos.
O papel da serpente foi destaque na cultura egípcia. A serpente simboliza o começo e o fim dos tempos e a fertilidade. No antigo Khemet (Egito), como em muitas culturas, a ouroborus, uma serpente engolia a sua cauda, sendo um símbolo de rejuvenescimento e de eternidade, um interminável ciclo de inícios e terminações. A serpente representava tanto o bom e o ruim: a vida a energia, a ressurreição, sabedoria poder, astúcia, morte, escuridão, maldade, e corrupção.
Talvez o mais poderoso símbolo de Khemet fosse o uraeus, representada pelo Faraó como um emblema dourado na testa como uma espécie de coroa, que era o símbolo da suprema realeza e do poder.

Era retratada no uraeus uma Cobra, uma ardente serpente que cuspia fogo nos inimigos do Faraó. As Serpentes na parte lateral do uraeus representam as deusas, que expulsaram os inimigos de Rá, deus do sol. O uraeus também possuía poderes mágicos e os egípcios acreditavam ser o olho mágico do deus Horus. Também usava o uraeus a poderosa deusa Isis, esposa do deus Osíris.


O olho de Horus, incorporando Nekhbet a deusa abutre (esquerda) e Wadjet a Cobra a deusa da direita.

Sempre fui um leitor dos escritos sagrados e relatos da serpente se encontram dos Gênesis ao livro das Revelações, inclusive com o poder da comunicação, da fala, da exposição de idéias, da provocação à mulher no Jardim do Éden que pode com a sua sensibilidade e inteligência questionar o seu companheiro sobre a árvore e seu fruto proibitivo, e os dois, homen e mulher resolveram em conjunto seguir os conselhos da serpente e desobedecer ao Eterno.

A SERPENTE NA BÍBLIA
Têm sido encontradas umas trinta espécies de serpentes na Palestina, muitas das quais são altamente venenosas. Pela primeira vez é a serpente mencionada em Gn 3.1,13, onde se diz ser ela o mais sagaz de todos os animais selvagens. As perigosas propriedades da serpente acham-se mencionadas no Sl 58.4: ‘Têm peçonha semelhante à peçonha da serpente’, e também em Dt 32.24 e Pv 23. 32. Parece, em algumas passagens, afirmar-se que o veneno reside na língua (Jo 20.16 - Sl 140.3), em vez de ser atribuído à mordedura, como corretamente se acha indicado em Nm 21.9 e Pv 23.32. Ao hábito que têm as serpentes de se ocultarem, refere-se o livro do Eclesiastes (10.8), e o do profeta Amós (5.19). A maneira particular do seu caminhar é considerada como maravilhosa em Pv 30.19. Em Is 59.5, a expressão ‘chocam ovos de áspide’ mostra que era bem conhecido o fato de serem as serpentes animais ovíparos (cp. com 34.15). E ao ato de se domesticarem e serem encantadas as serpentes há referências em Sl 58.5, Ec 10.11, e Jr 8.17. Yahosua uma vez aludiu à prudência tradicional da serpente (Mt 10.16).
Aos nove anos minha saudosa mãe pediu-me para ir à casa de uma irmã preta para dar um recado e chegando lá, notei diversos livros que foram jogados no lixo em frente à casa e entre eles, um de Artur Ramos da década de 30, o qual guardo até hoje, e folheando as suas páginas com o passar dos anos tive o meu primeiro contato com a cobra sagrada dos fons e ewes: Dan.
Neste momento os meus olhos se abriram para o relato do livro de Gênesis e a história dos 12 filhos Jacó (Israel), entre eles um chamado Dan, filho de Bila:
E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela, para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela.
Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu.
E concebeu Bila, e deu a Jacó um filho.

"Então disse Raquel: Julgou-me Deus, e também ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou-lhe Dä." Gênesis 30- 3-6
Um costume dos hebreus era as benções destinadas aos filhos e Israel abençoou os 12 filhos cada uma com a sua especificidade. A benção recebida por Dã proferida pelo seu pai Israel:
Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel.
Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, de modo que caia o seu cavaleiro para trás.
A tua salvação tenho esperado, ó Senhor!
Gênesis 49: 16 -18
Vemos no texto acima que Dan é relacionado com a serpente, inclusive na religião chamada Judaísmo, que não existe nos escritos bíblicos e é uma criação dos askenazis e sefardins, o símbolo da tribo de Dan está relacionado com a serpente:

Símbolo da tribo de Dan usada pelo judaísmo

"Quando o povo hebreu peregrinava pelo deserto após a saída da escravidão em Khemet, desconsiderou o amor e a dedicação de Yah:
Então partiram [os hebreus] do monte Hor, pelo caminho do Mar Vermelho, a rodear a terra de Edom; porém a alma do povo angustiou-se naquele caminho. E o povo falou contra Iavé e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil. Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo; e morreu muita gente em Israel. Por isso o povo veio a Moisés, e disse: Havemos pecado porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Então Moisés orou pelo povo. E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido mordido, olhar para ela. “E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, mordendo alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia.”
Num 21:4-9

DAHOMÉ



O antigo Dahomé atualmente é o Benin localizado na África Ocidental, um dos países que teve a maioria da sua população seqüestrada e escravizada para as Américas, trazendo o culto dos Vodunsis ao Brasil, República Dominicana, Porto Rico, Cuba, Estados Unidos e no Haiti tornando-se um dos símbolos nacionais: o culto Vodu.
A palavra DAHOMÉ, tem dois significados: Um está relacionado com certo Rei Ramilé que se transformava em serpente e morreu na terra de Dan. Daí ficou "Dan Imé" ou "Dahomé", ou seja: aquele que morreu na Terra da Serpente. Segundo as pesquisas, o trono desse rei era sustentado por serpentes de cobre cujas cabeças formavam os pés que iam até a terra. Esse seria um dos significados encontrados: Dan = "serpente sagrada" e Homé = "a terra de Dan", ou seja, Dahomé = "a terra da serpente sagrada".
Dahomé tem uma belíssima história de resistência ao invasor francês com as suas mulheres guerreiras, você pode saber mais acessando o artigo:
AS GUERRREIRAS DO DAOMÉ- A RESISTÊNCIA DA MULHER AFRICANA CONTRA O INVASOR FRANCÊS



DÃ A SERPENTE
Diversas civilizações africanas cultuam a serpente e o culto foi trazido pelos escravizados para as Américas. As mais importantes influências e reelaborações de fé encontram-se entre os descendentes que vieram do Golfo de Benin: os Ewe, Gen, Aja e Fon, que no Brasil são conhecidos como Jejes, e tem como uma das principais divindades a Serpente Real Píton (Dangbê) relacionada também ao arco-íris que é cultuada na cidade de Ouidah.


O culto a Dan é oriundo de Khemet (Egito). Os faraós usavam seus anéis e coroas com figuras de serpente que dentro da cosmogonia possuíam importância fundamental. O culto veio do Egito até Dahomé.
A palavra JEJE vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Não existe e nunca existiu nenhuma nação Jeje, em termos políticos no continente africano. A denominação de “nação Jeje” no candomblé no Brasil, especialmente na Bahia e no Maranhão foi à junção dos povos vindos da região de Dahomé, que se autodenominavam mahins da região leste e Saluvá ou Savalu da região sul. Jeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubá.
De acordo com a cosmogonia Ewe a criação do mundo se deu com Mawu-Lisa, e ajudado pela serpente Dã que possui o movimento, a força, o eterno rejuvenescimento. Ela agiu como um instrumento de Mawu-Lisa e auxiliar no processo de ordenação do mundo como se segue: em primeiro lugar, o mundo se reuniu pela Serpente, e os locais das águas foram determinados. Em segundo lugar, as duas metades do universo foram soldadas. A serpente organizou, colocou em ordem, mantendo o princípio do universo e manutenção do poder. Após criarem o universo, os animais e as florestas, criaram o ser humano da argila e da água. Para os Ewe princípio feminino de vida é Lisa e o princípio masculino da morte é Mawu.


Templo da Píton em Benin

Os fons já possuem uma tradição que Nana Buluki foi à mãe de Mawu-Lisa, sendo Mawu o princípio feminino e Lisa o masculino. O filho de Mawu-Lisa, Dã a serpente cósmica, ajuda na ordenação do universo, possuindo rolos acima da terra, e o mesmo número abaixo. Juntas, estas bobinas apoiaram Mawu-Lisa na criação. Mawu é associado com a lua, noite, fecundidade, maternidade, doçura, perdão, descanso e alegria, quando Lisa está identificada com o sol, dia, calor, trabalho, poder, guerra, força e raciocínio. A cosmologia Fon tem a Terra flutuando na água, enquanto que acima do círculo celestial os corpos estão na superfície interna de uma cabaça. Outros vodus são atribuídos o governo de outras partes do mundo: o céu está sob a égide da Heyvoso, a terra, o domínio do Sakpata, o mar e as águas são o reino da Agbe-naete.
O povo hebreu no deserto após ter sido atacado por serpentes venenosas obteve a cura ao encarar a serpente de bronze, perdendo o medo, e este fez com O culto à serpente perdurar 700 anos na sociedade dos hebreus, sendo veementemente combatida pelo rei Ezequias:
"Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã." 2 Reis 18:4
Não significando que tenha se extinguido após aquela época, porque estava na lembrança do evangelista João que fala da serpente fazendo uma analogia do Messias que veio para curar o povo de Ysrayl.
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:14-15.
A palavra NEUSTÃ é uma combinação de palavras do hebraico para a serpente e bronze, sendo assim, os hebreus representavam uma serpente de bronze e a cultuavam. Diversas populações africanas da costa ocidental e na Afro - América ainda mantém em seus ritos semelhanças nos escritos hebraicos nos dão pistas plausíveis para traçarmos os caminhos da diáspora dos hebreus em direção à África Ocidental nos tempos de Moisés e pós-Moisés, após o cativeiro assírio e babilônico; e de mais de um milhão de hebreus que retornaram ao continente africano após os anos 70 depois do nascimento de Yahoshua, fugindo da fúria do império romano. Algumas etnias africanas se dizem descendentes dos danitas, nisso observamos os hebreus da Etiópia e os hebreus lemba na região sul africana.
Os mais sérios estudos da África Ocidental têm comprovado a origem hebraica dessas civilizações, inclusive com relatos dos griots e a prática ainda vigente da guarda do sábado e a circuncisão.
O culto a Neustã entre os hebreus, provavelmente começou em 1.200 a.C e já se passaram mais de 3.000 anos. O culto a serpente Dan na África e na Afro - América, o nome de um filho de Ysrayl, Dan, que é relacionado à cobra, é mera coincidência?

terça-feira, 24 de março de 2009

O GENOCÍDIO DOS TUTSIS – UM MASSACRE DE POSSÍVEIS DESCENDENTES DE HEBREUS

Por Walter Passos, historiador e teólogo

E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Há muitos estudos, documentários e filmes sobre o genocídio dos tutsis e hutus em Ruanda, e os fatos não foram totalmente elucidados. Os estudiosos realizam análises das causas imediatas do conflito e suas conseqüências sem se anteverem aos estudos mais profundos da divisão entre esses povos. Os tutsis vivem também em Burundi e são 5% da população do Congo.

A idéia generalizada de que todos os pretos são iguais tem-se desfeito há algum tempo quando nos deparamos com diversidades históricas e culturais. Na Bahia ainda há pessoas que através da religiosidade se autodenominam de nações diferentes, citamos, por exemplo: jeje, congo-angola e ketu. Recordo-me de um falecido tio paterno que exercia a função sacerdotal de peji-ogan e quando perguntado sobre a sua nação “dobrava a língua” (falava na língua da nação) e se apresentava com orgulho, demonstrando afirmação de sua origem étnico-religiosa, e ficava deveras aborrecido quando por brincadeira eu trocava a sua ancestralidade.
Compreender as diferenças históricas dos povos de Ruanda e Burundi é fundamental em novas pontuações que culminaram com o genocídio de mais de 1 milhão de pessoas em 1994 no território ruandês. O grande genocídio foi à culminância de embates anteriores ente esses povos: Twa (Batwa), Hutu e Tutsi.

TWA OU BATWA O que podemos afirmar de populações realmente autóctones na região são os Twa conhecidos também como Batwa, erradamente denominados de pigmeus pelos gregos. Vício das civilizações brancas de renomearem povos e regiões.
Comprovadamente os Twa são os mais antigos habitantes do continente africano, habitando a região dos Grandes Lagos, na África Central em Ruanda, Burundi e Uganda, sendo encontrados também na Republica Popular do Congo com uma população total de aproximadamente 80.00 mil pessoas.


HUTUS Os Hutu ou Wahutu de origem bantu são o maior grupo populacional que habitam em Ruanda e Burundi e segundo historiadores migraram para esta região no décimo primeiro século originário do Chade, deslocando os Twa e criando pequenos reinos até a chegada dos Tutsis que dominaram os dois povos.
TUTSIS
Pode argumentar-se que o atual conflito entre os povos dos Grandes Lagos Africanos à volta do Grande Vale do Rift da África Central pode ser atribuído ao tempo de Salomão, o último dos grandes reis do hebreu império Davidico. Segundo a Bíblia, Salomão tinha setecentas esposas e trezentas concubinas (1 Reis 11:3). As mulheres são descritas como princesas estrangeiras, incluindo a filha do faraó. As relações entre a Rainha de Sabá e Salomão também são discutidas, tanto na Bíblia e no Corão. O Kebra Nagast, ou o Livro da Glória dos Reis, conta as origens da Dinastia Salomônica da Etiópia em que Menelik I (originalmente chamado CEAN La-Hakim, "Filho do Sábio"), foi o primeiro Imperador do Etiópia, é dito ser o filho do rei Salomão e da Rainha de Sabá.

BURUNDI DRUMMES




Os tutsis habitam em Ruanda e Burundi e historicamente são estrangeiros nessas terras. Esse povo é considerado de origem hebraica segundo a tradição oral em Burundi do clã Zagwei e de outros clãs. Conforme a oralidade dos tutsis, eles vieram de um reino hebreu na antiga região de Kush, destruído no ano 1270 d.C; e migraram para diversas regiões africanas incluindo o que conhecemos atualmente por Burundi, Ruanda, partes da Uganda, Tanzânia e Congo.
Reconstruíram o Império de Kush do Sul de 1270 a 1527, segundo a lei mosaica, perdendo a tradição escrita da Torá neste período migratório e de adaptação nas novas regiões e dominaram as populações hutus e twa.
A tradição oral localiza geograficamente os ancestrais oriundos de uma área em torno da Etiópia, como o Reino de Kush, no momento em que um reino hebreu englobava também hoje o Sudão. Quando os reis hebreus de Kush foram substituídos primeiramente por governantes cristãos e, em seguida, governantes muçulmanos, vários clãs migraram para região dos Grandes Lagos Africanos.
Com a chegada dos invasores europeus e a cristianização, houve uma resistência para a manutenção das leis mosaicas sendo quase totalmente destruídas com a chegada das tropas alemãs e posteriormente belgas. Importante ressaltar que na Tora, alemão significa askenazi. Os hutus se converteram a fé cristã e as terras dos tutsis foram tomadas e entregues aos hutus, acirrando o conflito entre esses dois povos.
Após a derrota da Alemanha na primeira guerra mundial a Bélgica se apropriou de Ruanda, Burundi e do oeste do Congo e criou uma política religiosa de destruição da fé e prática hebraica entre os Tutsis, destronando o rei hebreu de Ruanda e proibindo em 1917 o grande festival anual dos ritos do Sukkoth (Festa dos Tabernáculos) que duravam oito dias, celebrando as primeiras colheitas ou os primeiros frutos, relatados no livro de Levítico 23:34- 36
Disse mais o Senhor a Moisés:
Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias.
No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
Por sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao oitavo dia tereis santa convocação, e oferecereis oferta queimada ao Senhor; será uma assembléia solene; nenhum trabalho servil fareis
.
Segundo o Professor Yochanan (Jean) Bwejeri membro do clã Zagwei Bene-tutsi do povo do Burundi, o terrorismo católico e das forças invasoras dos belgas, os tutsis foram proibidos da continuação da prática da fé dos seus ancestrais hebreus e uma impiedosa inquisição se alastrou , e forçadamente os tutsis foram obrigados a seguir o cristianismo.
O professor Yochanam continua afirmando que:
- O nome original do patriarca tutsi foi Himai, um descendente de Ham, um dos filhos de Noé. A palavra "tutsi" é construída a partir da raiz de Kushi. Kush ou Cush está situado a sul da terra do Egito ao longo das margens do Nilo. Os Cushitas e os hebreus bíblicos têm muitos contatos. Um dos mais interessantes é que o Rei Cushita incentivou a rei Ezequias de Judá a resistir aos assírios. (II Reis 19:9. 14).
Os tutsis são "tradicionalmente dedicados" para o " boi ruivo ", que na Bíblia é chamado de novilha vermelha (Pará adumah). O sagrado boi foi sacrificado no templo construído por Ikhnaton. Sob a lei mosaica (Números 19), as cinzas da novilha vermelha foram utilizadas no ritual de purificação de pessoas que tocaram em um cadáver.
Entre 1270 e 1527 CE (durante o período do Império Kushita do Sul), os tutsis secretamente codificaram na oralidade a lei mosaica dos Doze Códigos Ocultos de Havila. Em conformidade com os Códigos, eles desenvolveram um festival nacional de regresso chamado Umuganuro, que ele compara a Sukkot (Festa dos Tabernáculos).
Os emblemas hebreus do Império Kushita do Sul são os Tambores de Salomão, o Leão de Judá e o Cetro. O cetro recorda a instituição dos 70 anciãos, de acordo com a sugestão do sacerdote "Kushita", Jetro, a Moisés. (Êxodo 18, Números 10:29-30 e Habacuc 3:7). Estes três emblemas mantiveram os sagrados símbolos dos tutsis no início do século 20. Os Tambores de Salomão foram exibidos uma vez por ano no Sukkoth (Umuganuro). Para além dos três símbolos e do apego aos bois ruivos, a partilhar com os hebreus tutsis o culto a um Deus e com a proibição de casamento com povos não hebraicos.

A DIVISÃO ÉTNICA FEITA PELOS BELGAS
Quando os belgas dominaram a região realizaram genocídios na população do Congo e acirraram a divisão dos hutus e tutsis e twas em Ruanda. Sobre a questão do genocídio realizado pelos belgas no Congo, leia o artigo publicado neste blogger sobre as crianças acusadas de bruxaria no Congo:
- O rei Leopoldo II transformou o Congo no quintal de sua casa. O que ele fez no Congo foi explorar e auferir imensos lucros a sua filantropia foi baseada no genocídio de 10 milhões de africanos.
Confira o artigo: http://cnncba.blogspot.com/2008/02/batalha-espiritual-as-crianas-bruxos-do.html
Os belgas na época acreditaram que os tutsis eram originários do continente perdido de Atlântida ou de local desconhecido, inventando uma superioridade racial e criando desavenças entre os povos, que estavam conseguindo viver na mesma região, inclusive com casamentos intergrupais.
Os belgas decidiram limitar a cargos administrativos e de ensino superior para o tutsi, e decidiram quem era tutsi. Identificou algumas características físicas, mas não para todos. Mas o rastreio das genealogias foi morosa e poderia também ser imprecisa, dado que os indivíduos podem mudar conforme a sua categoria de fortunas aumentaram ou diminuíram na possessão de gados. Os belgas decidiram que o procedimento mais eficiente foi simplesmente registrar todos, observando seu grupo de filiação, por escrito, de uma vez por todas. Como precederam? Todos os ruandeses nascidos posteriormente seriam registrados como tutsis, hutus, ou Twa no momento do seu nascimento. O sistema foi posto em prática na década de 1930, cada ruandês, declararava a sua identidade étnica. Cerca de 15 % da população se declarou tutsi, aproximadamente 84 % disseram que eram hutu, e o restante 1% disseram que eram Twa. Esta informação foi inscrita em registros no escritório do governo local e indicados nos bilhetes de identidade que adultos ruandeses foram então obrigados a transportar. O estabelecimento de registro escrito, não muda completamente no grupo final da filiação. Neste breve período os hutu descobriram as vantagens para se tornar tutsi mesmo após os registros haverem sido estabelecidos, assim como outros mais recentes têm encontrado waysto tutsi apagando as suas origens. Mas, com o registro oficial da população, mudar a etnicidade tornou mais difícil.
A própria gravação dos grupos étnicos, em forma escrita reforça a sua importância e mudou a sua característica. Não mais flexível e amorfo, as categorias tornaram-se tão rígidas e permanente que alguns contemporâneos europeus começaram a referir a eles como "castas". A elite dominante, a maioria influenciada por idéias européias e os beneficiários imediatos da nítida demarcação de outros ruandeses, cada vez mais salientou separatividade e a sua superioridade presumida. Entretanto os hutu, oficialmente excluídos do poder, começaram a sentir a solidariedade dos oprimidos.
A ideologia do eugenismo estava em pauta nos países europeus e assim eles viram divisões entre os tutsis (etíopes) os hutus (bantus) e Twas (pigmeus), criando uma escala racial e aumentando a exploração econômica entre as populações.
Os tutsis culturalmente desenvolveram o pastoreio do gado, tornando-os melhores sucedidos economicamente, como uma minoria foi considerada a aristocracia de Ruanda e dominava os camponeses hutus durante décadas, sobretudo enquanto Ruanda estava sob o poder colonial belga.
Os hutus representam 90 % da população, e a maioria vivem da agricultura.
Os twa ficaram nessa hierarquia racial e econômica entre os mais empobrecidos

Após a independência de Ruanda em 1962, a maioria hutu inverteu os papéis no poder e, oprime os tutsis por discriminação sistemática e de atos de violência. Como resultado mais de 300.000 tutsis fugiu para países vizinhos e formaram um exército rebelde guerrilheiro, a Frente Patriótica Ruandesa.
Em 1990, esse exército rebelde invadiu Ruanda e forçaram presidente hutu Juvenal Habyalimana em assinar um acordo que determinou que os hutus e tutsis compartilhassem o poder. Este foi um dos prenúncios para a vingança.

A MÍDIA A SERVIÇO DO ÓDIO
A mídia desempenhou um papel crucial no genocídio: rádios e a mídia impressa alimentaram as mortes, enquanto a mídia internacional ignorava o massacre. Os jornais em Ruanda incentivaram o ódio contra os tutsis, posteriormente divulgado por estações de rádio. O jornal Kangura de propriedade estatal tinha um papel central, iniciando um processo anti-tutsi e anti-RPF na campanha em outubro de 1990. No decorrer do Tribunal Penal Internacional para a Ruanda, os indivíduos que trabalhavam no Kangura foram acusados de produzir folhetos, em 1992, retratando um facão e perguntando "O que devemos fazer para completar a revolução social de 1959?" - Uma referência a revolta hutu que derrubou a monarquia tutsi e a violência que resultou em milhares de mortes de maioria tutsi e forçou cerca de 300.000 tutsis para fugir ao vizinho Burundi e Uganda. “O Jornal Kangura publicou também o famoso Mandamento dos hutus, que exortou os Hutus ao massacre de tutsis e, mais em geral a mensagem de que o comunicado RPF tinha perdido uma grande estratégia, uma característica do artigo foi intitulada” Plano de Colonização Tutsi”.
Devido às altas taxas de analfabetismo na época do genocídio, o rádio foi uma forma importante para o governo de entregar mensagens ao público. Duas principais estações de rádio que incitaram à violência antes e durante o genocídio foram a Rádio Ruanda e a Rádio Télévision Libre des Mille Collines (RTLM). Em Março de 1992, a Rádio Ruanda foi utilizada pela primeira vez diretamente na promoção do abate de tutsis em Bugesera, ao sul da capital nacional Kigali. A Rádio Ruanda repetidamente alertava que difundiram um comunicado hutu em Bugesera que seria atacada por tutsi, uma mensagem utilizada pelos funcionários locais para convencer os hutus que precisavam para se proteger, atacar primeiro. Liderado por soldados, hutus civis e dos membros do Interahamwe, posteriormente atacaram e mataram centenas de tutsis. No final de 1993, a RTLM' altamente sensacionalizava o relato sobre o assassinato do presidente do Burundi, um hutu, e utilizaram para sublinhar suposta brutalidade tutsi. A RTLM falsamente relatou que o presidente havia sido torturado, incluindo castração da vítima (em tempos pré-coloniais, alguns reis tutsis derrotados foram castrados por governantes inimigos). Desde finais de Outubro de 1993, a RTLM repetidamente difundiu temas desenvolvidos pelos extremistas da imprensa escrita, sublinhando as diferenças entre os hutus e tutsis, que os tutsis eram de origem estrangeira, e a parte desproporcionada de riqueza e poder tutsi, e os horrores do passado de tutsi. A RTLM também repetidamente sublinhou a necessidade de estar alerta para possíveis ataques parcelas de tutsis e convocou os hutus a se prepararem para se "defender" contra os tutsis. Após seis de Abril de 1994, as autoridades usaram a Rádio Ruanda e a RTLM para estimular e direcionar assassinatos, especificamente nas áreas onde as mortes não havia iniciadas. Ambas as estações de rádio foram usados para incentivar e mobilizar, em seguida, para dar diretrizes específicas para a realização dos assassinatos.
A RTLM tinha usado termos como inyenzi (baratas em Kinyarwandan) e tutsi permutavelmente com outras se referindo especificamente aos combatentes do RPF e advertiu que os combatentes da RPF estavam vestidos com roupas civis e foram deslocados para zonas de combate. Estas mentiras deram a impressão de que todos os tutsis eram adeptos do RPF e estavam lutando contra o governo. As mulheres faziam parte da anti-tutsi propaganda antes do genocídio de 1994, por exemplo, os "Dez Mandamentos hutu", publicada em dezembro de 1990 pelo "Kangura" incluiu quatro mandamentos que retratavam mulheres tutsis como ferramentas do povo, como armas sexuais que seriam utilizadas pelos tutsis para enfraquecer e destruir, em última instância, os homens hutu. O sexo baseado em propaganda inclui também, caricaturas em jornais impressos alusivos as mulheres tutsi como objetos sexuais. Exemplo de propaganda com base no gênero usado para incitar o ódio gerou uma guerra de estupro e inclui declarações de autores como a "Mulher tutsi: Você acha que é boa demais para nós" e "Vamos ver o gosto de uma mulher tutsi”.
ESTUPRO DAS MULHERES TUTSI
Os efeitos em longo prazo da guerra e os estupros em Ruanda para as vítimas incluem isolamento social (estigma social anexado ao estupro significava alguns maridos que tinham deixado as mulheres que foram vítimas de estupro na guerra, ou que as vítimas tornaram-se impróprias para o casamento), gravidez indesejadas e bebês (algumas mulheres recorreram ao aborto auto-induzido), vítimas de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo sífilis, gonorréia e HIV / AIDS (acesso aos medicamentos anti-retrovirais permanece limitada). O Relator Especial sobre Ruanda estimou que entre 2000 e 5000 gravidezes resultassem do estupro de guerra (entre 250.000 e 500.000 mulheres e meninas foram estupradas).
Ruanda é uma sociedade patriarcal e as crianças, herdam a etnia do pai, sublinhando que a guerra do estupro ocorreu no contexto do genocídio. A principal questão que envolve a reintegração é o fato de que a violência que havia ocorrido freqüentemente envolveu vizinhos; as mulheres viveram ao lado de estupradores, assassinos e torturadores. Foi muito difícil logo após o genocídio dos tutsis a confiança nos hutus, que não tinham qualquer envolvimento no genocídio.
Os assassinatos em seguida se espalharam por todo o campo com as milícias hutu, armados com catanas, paus, pistolas e granadas, começou matando indiscriminadamente civis tutsis.


Todas as pessoas que se deslocavam e Ruanda tinham que possuir cartões de identificação especificando sua etnia, uma prática herdada e imposta no período colonial. Estes cartões de identificação étnica agora significavam a diferença entre a vida e a morte


Fuga dos tutsis

Há muitos bons filmes em locadoras que podem ser vistos e discutidos sobre a questão do genocídio, um dos mais comentados é Hotel Ruanda. Vale à pena conhecer um pouco mais sobre o genocídio.
Em 1994 mais de um milhão de tutsis e moderados hutus foram massacrados em Ruanda de 06 de abril até meados de julho, com a omissão da Franca e suas ex-colônias, apoiados pelo silêncio da ONU dos Estados Unidos da América e de países europeus.


Os assassinatos só terminaram após tutsi armados, invadiram Ruanda a partir de países vizinhos, e conseguiram derrotar os hutus e pôr fim ao genocídio em Julho de 1994. Até então, mais de um décimo da população, um número estimado de um milhão de pessoas, possivelmente de origem hebraica tinham sido assassinadas.
O genocídio que sofreram os tutsis não pode ser esquecido e completar-se-á 15 anos, onde seres humanos deturparam a solidariedade e respeito pelas diferenças. Toda a falta de respeito ao outro leva a intolerância e a violência.
Rwanda Genocide

sexta-feira, 13 de março de 2009

GENOCÍDIO DOS ABORÍGENES AUSTRALIANOS - GERAÇÃO ROUBADA.

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail:
walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

A Austrália está localizada no sudoeste da Oceania com uma área de 7.682.300 km², e possuí uma população de 19, 8 milhões de habitantes (censo 2006): 95% de europeus meridionais e setentrionais, 3,5% de asiáticos, 1,5% de grupos étnicos autóctones - aborígenes. As histórias dos grupos nativos da Austrália remontam a milhares de anos sendo uma das incontestes provas da afrocentricidade. Os nativos australianos são pessoas pretas, como todos os primeiros habitantes do planeta.
Novas evidências de DNA mostram que os aborígenes australianos descenderam de migrantes que deixaram a África há cerca de 50 mil anos, descobriram cientistas da Universidade de Cambridge. Os pesquisadores afirmam que as descobertas reforçam a teoria evolutiva conhecida como "Out of Africa" - saída da África -, segundo a qual todos os homens modernos são descendentes de um único grupo de Homo sapiens que deixou a África há quase 2 mil gerações.
Há uma necessidade urgente de se rever os estudos sobre a presença das populações originais e suas histórias. Infelizmente, os historiadores e educadores se atêm ao continente africano como o único continente a ser estudado, omitindo as migrações voluntárias que se destinaram a diversas regiões do planeta. Não conhecer e praticar a afrocentricidade é negar a presença das populações pretas como  primeiras civilizações, e corroborar na manutenção da educação reducionista e racista.
Os pretos da Austrália atualmente estão reduzidos a 1,5% da população, e houve um culpado desse extermínio. Não foram exterminados pela vontade de YAH, mas, exterminados pela usura e xenofobia da civilização branca cristã. Torna-se então, necessário conhecer um pouco dessa história e as táticas de extermínio de homens, mulheres e crianças originais.




A INVASÃO DO CONTINENTE PRETOA área da Oceania é de 8.480.355 km² e a população é aproximadamente de 32 milhões de habitantes, cerca de 75% desta população habita em cidades (urbana), enquanto somente 25 % mora na zona rural, aproximadamente, 90% do continente está na Austrália.
Podemos tranquilamente afirmar que todo o continente da Oceania (nome dado pelos invasores brancos) foi originalmente um continete preto, como foi todo o planeta antes do aparecimento da civilização branca , eram terras sagradas de homens e mulheres pretas.


Os primeiros registros históricos da presença de brancos nos mares da Austrália datam de 1606 e 1770 com os famigerados calvinistas da Holanda, através da Companhia das Indias Ocidentais, que definiram as regiões norte, oeste e sul como Nova Holanda. Em 1770 a Inglaterra declarou-se dona da região Leste, denominando-a de Nova Gales do Sul. A Australia foi invadida de uma maneira concreta entre 18 e 20 de janeiro 1788 com 11 navios e 1350 pessoas e ai começou o inferno para a população preta.
Na historia das civilizações pretas não há recusa do estrangeiro, fato este proveniente da melanina que induz a espiritualidade e a respeitabilidade pelo diferente. Este foi o caso dos nativos autralianos que foram atraiçoados pela pervesidade do homem branco que bem recebidos começaram a destruir os nativos roubando os recursos e as terras, levando a reação armada especialmente do povo Eora que foram os primeiros a ter contatos com o invasor inglês, pois habitavam a região hoje conhecida como Sidney. Existiam mais de 400 etnias na Australia com diversas línguas e costumes e quase duzentas delas com extensões de certos países da Europa, vivendo em um sistema clânico de respeito a natureza.


Entre os povos importantes que resitem ao colonizador branco estão os Pitjantjatjara Anangu que residem na região sul.

A segunda importante população são os Arrernte que vivem nas terras centrais da Australia e são guardiães da tradição.
O terceiro povo são os Luritja que habitam no derserto ocidental
Entretanto alguns povos foram praticamente dizimados pela varíola, gripe e diversas outras doenças desconhecidas e pelo etnocídio praticado pelas armas dos invasores. Um dos casos mais demoníacos foi do povo da Tasmânia que somavam 8.000 pessoas e foram totalmente dizimadas na “Guerra Negra”. Sendo Truganini, a última sobrevivente uma guerreira que, no início do século XX, foi acorrentada e exposta como peça de museu vivo, morreu após uma greve de fome. Salve a memória dessa guerreira Preta!
A TÁTICA BRANCA DA MISCIGENAÇÃO RACIAL E DA DESTRUIÇÃO DA FAMÍLIA PRETA

Para os ingleses, aquele "novo continente" foi considerado, ou seja, terra-de-ninguém. Afinal, não havia pessoas vivendo lá, mas sim alguns “remanescentes do Neolítico”, como diziam.
"O Estado de Western Austrália (Austrália Ocidental) foi o primeiro a estabelecer leis discriminando e segregando a minoria aborígine da maioria branca. Os nativos ficaram restritos, em sua maioria, às reservas nas fronteiras da linha dos coelhos. E, quando eram enviados às cidades, eram impedidos de ter acesso acertas regiões, bem como a inúmeros direitos civis. Foi instituído nesta época o cargo de Protetor-Chefe dos Aborígines. Este era responsável pelo “bem-estar” dos nativos, podendo selecionar quais crianças desta população seriam retiradas de suas famílias e levadas aos “centros educacionais”, para aprenderem a viver como brancos.
Tais “centros” eram, na realidade, campos de concentração de aborígines, nos quais as crianças eram obrigadas a abandonar seus idiomas e costumes tradicionais, e assumirem uma orfandade. Passado este estágio, eram então, catequizadas e ensinadas a trabalhos da mais baixa qualificação: para os rapazes trabalhos agrícolas ou manuais urbanos, para as moças prendas domésticas. Após saírem dos “centros educacionais”, os jovens aborígines agora “civilizados”, eram enviados a famílias de toda a Austrália, que passavam a ser responsáveis por eles, inclusive por seus casamentos. Um detalhe sórdido era escondido dentro deste sistema: somente crianças mestiças eram levadas aos “centros educacionais”. Estas poderiam casar somente com brancos, para que seus traços sangüíneos aborígines fossem apagados em três ou quatro gerações. O discurso oficial de “civilizar os aborígines” se tornava insustentável diante do fato de que em uma mesma família, crianças mestiças foram levadas, e crianças “100% aborígines”, não. Em 1937, a Federação Australiana proclamou uma lei na qual os aborígines do centro e do norte, que fossem mestiços, deveriam ser “civilizados” de forma continuada. Em 1951, esta lei foi estendida a todos os aborígines da Austrália. Com o tempo, desapareceria o problema aborígine.
Entre 1910 e 1960, período em que a transferência de crianças de suas famílias para os “centros educacionais” esteve em seu auge, calcula-se que de 10% a 30% de todos os nascidos aborígines foram levados. Nenhuma família ficou intocada. A partir da década de 1960, este processo diminui gradativamente, até que em 1972 tal lei é finalmente abolida.
“Geração roubada” foi o nome dado a todas estas gerações de crianças aborígines levadas de suas famílias para a “civilização”. Quando o filme foi lançado, em 2002, o governo federal afirmou que o livro com o qual este se baseou e, o próprio filme, narravam mentiras. Resta lembrar que este mesmo governo, foi um dos poucos que respondeu prontamente à solicitação de tropas por parte de George W. Bush, para as invasões do Afeganistão e do Iraque. Em 1997, a Justiça Australiana havia deliberado que o ocorrido com as “gerações roubadas” havia sido um genocídio. Porém, negou quatro pedidos de ressarcimento estatal aos descendentes destas pessoas e de seus familiares. A alegação foi de que os pais haviam consentido com a retirada das crianças. Há imprecisões, pois estes pais eram analfabetos, e muitas vezes nem compreendiam o idioma inglês. Sua “assinatura” era na realidade um “X” em uma folha. "
A tática da destruição das famílias “aborígenes” deu resultado porque extinguiram  línguas e civilizações, miscigenando as famílias cortaram o laço da ancestralidade. A participação das Igrejas Católica, Anglicana e Presbiteriana foi fundamental para destruir as populações nativas.
Uma das principais táticas destruidoras dos invasores brancos foi a miscigenação racial, prática que gerou resultados, pois apaga a memória ancestral e cria uma geração de pessoas confusas e com crises de identidade, formando gerações que amam o chamado lado eugênico vencedor. Na Austrália os chamados aborígenes chegam a 455 mil pessoas, cerca de 1,5% a 2% da população, com uma expectativa de vida de 17 anos inferior a um branco e são discriminados, empobrecidos, marginalizados e a maioria nas prisões.

Assistiam o filme Geração Roubada e tirem as suas conclusões.







 

Acesse:
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias

terça-feira, 3 de março de 2009

NEGRO SPIRITUALS - CANÇÕES DE RESISTÊNCIA.


Por Walter Passos - Teólogo e Historiador
Pseudônimo: Kefing Foluke.
Um dos mais belos ritmos musicais de resistência na escravidão foram os chamados spirituals, e diversos estudos sobre a sua origem ainda são temas de pesquisas de musicólogos, teólogos e historiadores.
De acordo com o excelente artigo escrito pelo musicólogo Juarês de Mira:
“A musica sempre esteve presente nas aspirações e lutas por liberdade dos negros desde que nas Américas, aportaram trazidos como escravos. Deles foi roubado, sua língua, família, e grande parte de sua cultura; ainda assim seus opressores não puderam remover a sua música, que era a expressão da alma deste povo. Ano após ano esses escravos e seus descendentes aceitaram o cristianismo que era a religião de seus senhores. A Música era parte integrante do dia a dia do africano e era usada nos trabalhos, nas caçadas, nas festas, enfim toda a atividade era pontuada com musica. O poder desta musica da Diáspora aparece como elemento condutor da grande herança ancestral e cultural da Mãe África.
O Musicólogo M. Kolinsky fez um estudo comparativo de Negro spirituals e Canções Nativas da África Ocidental, e muitos eram idênticos, ou intimamente aparentados em estrutura tonal (escala e modo). Um Spiritual que ficou mundialmente conhecido no arranjo de Bob Dylan (many Thousands Go) , No More Auction Block For Me, segundo Kolinsky é claramente idêntico a uma canção do povo Achanti (Gana).”Leia todo o artigo: http://negrospirituals.blogspot.com/2008/05/negro-spirituals-um-canto-de-liberdade.html
Analisar as manifestações libertárias pretas com os olhares das ciências sociais brancas, utilizando os seus instrumentos metodológicos deformados e preconceituosos, infelizmente, tem levado estudiosos pretos a tecerem conclusões equivocadas, como se estes fossem modelos a serem seguidos por nosso povo. Já se passou o momento de aceitar as conclusões dos pesquisadores brancos sobre a nossa história, as nossas manifestações religiosas, as nossas vivências. Os que escreveram e escrevem sobre nós, as suas análises, independente se forem feitas em grandes centros acadêmicos, tem que ser questionados e postas à prova. Sempre duvide dos estudos feitos pelos descendentes dos escravizadores, e no caso especifico dos catequizados pelo catolicismo e convertidos ao protestantismo desconfiem quando falarem da história dos hebreus e da cor de Yahoshua.

A escravidão foi formada de grandes campos de concentração baseada no latifúndio, na monocultura e exploração da mão-de-obra escravizada. O alento, a esperança, a contestação e o desafio as normas escravistas vigentes, foram também expressas através da musicalidade em toda a América escravista.

Os Negros Spirituals tornaram-se uma das formas mais elaboradas de cânticos e práticas de resistência especialmente nos Estados Unidos da América, que serviram como mensagens e manutenção da unidade para o enfretamento contra o sistema cristão branco escravista e manutenção de resquícios históricos ancestrais.
Diversas canções foram códigos de fugas ocultos e de duplas mensagens, planejando rebeliões ou evitando recapturas de escravizados fugidos. Os negros spirituals estão fortemente ligados a revolta do pastor preto Nat Turner, terma já publicado neste blogger: http://cnncba.blogspot.com/2007/11/nat-turner-o-profeta-guerreiro-lder-da.html
Relacionamos também os spirituals a Harriet Tubman valorosa mulher preta que lutou contra a escravidão, o racismo e o direito ao sufrágio das mulheres, entre seus fatos importantes houve incursões para libertar mais de setenta escravizados, conhecidas como Black Moses.
Entre tantas canções citamos os exemplos de: "And He never said a mumbelin’ word," "Go down Moses," "Oh Freedom," e "Steal Away to Jesus."

Uma das grandes características dos intelectuais pretos protestantes brasileiros é desconhecerem a sua história africana. Ignorar a civilização hebraica e sua migração para extensas regiões da África Ocidental e conseqüente escravização para as Américas, criando diversas formas de resistência, tornou-se uma forma de embranquecimento histórico e teológico, os tornando co-participes da má interpretação da história bíblica e do verdadeiro Povo Hebreu. Não detendo esse conhecimento ou negando a aprendê-lo, incorre em erros de análises. Como foi o caso de um antigo pastor preto o qual escreveu um artigo na Revista Simpósio nº 27 de junho de 1983, páginas 237 -252. Este artigo escrito pelo Reverendo Leontino Farias dos Santos, doutor em teologia e pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPI), intitulado: Aspectos sociolingüísticos da tradução de hinos protestantes Camp meetings e Negro Spirituals. Apesar de o reverendo tentar explicar a origem da musicalidade dos escravizados repete concepções calvinistas de superioridade racial branca:
“...Os fieis geralmente assim procediam porque estavam excitados a ponto de chegar ao frenesi, ao êxtase em seu mais alto grau, onde toda a ordem é esquecida e cada um dança, rodopia, pula berra e canta como quer, apesar de na vida normal ser pessoa pacta e disciplinada.
As pessoas envolvidas perdem a noção do ridículo e se lançam a histeria, possuídas por espíritos estranhos, com berros, uivos, linguagem ilógica e cânticos espirituais...
Queremos nos referir à criatividade, capacidade de improvisação e harmonia que caracterizam os cânticos espirituais dos negros. Sem técnica pré-estabelecida, sem ensaios, sem cultura musical e sem cultura geral historicamente reconhecida pelos povos mais desenvolvidos...
Outra característica é a criação de canções de sofrimento com demonstração de espírito de resignação...”
O autor usa adjetivos discriminatórios ao referir-se a expressões corporais africanas, repetindo termos da academia branca que se considera humana e trata os africanos e seus descendentes como “bestiais”:
“As pessoas envolvidas perdem a noção do ridículo e se lançam a histeria, possuídas por espíritos estranhos, com berros, uivos, linguagem ilógica e cânticos espirituais..”.

Como é o caso do Reverendo Leontino, um homem preto, que deveria reanalisar o texto, e reescrevê-lo com uma concepção empretecida, livre das influências acadêmicas brancas calvinistas, apesar de trazer para época informações interessantes, no meu caso particular, de ter acesso há 26 anos a estas pesquisas.
O que me levou a refletir sobre esse tema não sendo um musicólogo foi a canção Kum Ba Yah, uma das musicas favoritas de muitos hebreus-israelitas.

O que chama a atenção imediata é o nome sagrado de Yah nesta linda canção. Yah é abreviatura de YHWH, não devemos pronunciar Jah, Javé ou Jeová porque não existe na língua hebraica a letra J.
Uma das primeiras perguntas: Como os escravizados conheciam essa canção com o nome sagrado de Yah?
Encontramos o nome de Yah que é uma abreviação de YHWH cerca de 50 vezes nos livros bíblicos e citamos alguns exemplos:
A primeira ocorrência do nome Yah ocorre em Êxodo 15:2, quando Moisés e o Povo Hebreu cantam uma canção sobre a derrota de Faraó e seus cavaleiros:
(Yah é a minha força e canção e Ele se tornou a minha salvação)

Esta canção veio do continente africano e não foi influenciada pelos escravizadores cristãos brancos, sendo especial entre os spirituals na escravidão.
O conhecimento do nome sagrado de Yah pelos escravizados pretos antes da catequização nos dá pistas sobre a presença de hebreus pretos na África Ocidental e faz-nos refletir a história do povo hebreu e sua diáspora, sendo este um tema a ser publicado futuramente neste Blogger.
Louvado seja Yah para sempre! Hal-le-lu-Yah!!!

 Acesse:
Poemas de amor ao povo preto:  

sábado, 31 de janeiro de 2009

AL- KAINA- RAINHA PRETA HEBRÉIA

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Os Tamasheq são um grande grupo de povos nômades do Sahara e Sahel (região da África situada entre o deserto do Sahara e as terras mais férteis ao sul) região que partilham uma língua comum e à história. Os Tamasheq foram erroneamente denominados de berberes (bárbaros) pelas tropas romanas - hábito das civilizações brancas ou dos descendentes de Jafé, chamados de gentios ou pagãos nos livros bíblicos, de discriminar as outras civilizações. Os Tamasheq apesar de serem amplamente conhecidos como Tuaregues (palavra criada pelos árabes que significa “abandonados por Deus”) não se auto denominam desta forma e não gostam de serem assim chamados. Chamam-se de Imouhar(en), de Imajeghan ou de Kel tamasheq. "Imouhar” significa "aqueles que são livres”.

Sahel
Durante mais de dois milênios, suas caravanas têm atravessado o deserto do Sahara - uma área maior que o Brasil - conectando a região costeira do Mediterrâneo ao Norte de África para os grandes centros comerciais sobre a borda sul do deserto.

Tamasheq da Argélia
Família Tamasheq
Uma cultura matrilinear – importante não confundir com matriarcado – aonde questões como a herança, os nomes e títulos são transmitidos através da linhagem materna. Isto permite as mulheres Tamasheq deter posições autônomas na sua sociedade, apesar das atuais normas culturais predominantes serem de influência islâmica em toda a grande parte da sua região, incluindo Níger, Mali, Argélia, Burkina Faso e Líbia. Seus números populacionais são estimados em cerca de 3,5 milhões.
Os Tamasheq não transportam grandes posses nas suas viagens, concentram a maioria das suas riquezas em pequenos itens como jóias e artesanatos de couro, feitos da mesma forma que eles tenham sido por inúmeras gerações.
Iremos discorrer sobre uma importante rainha preta chamada de Al- Kaina que viveu no século sétimo após o nascimento de Yashosua e foi hebréia.
Os hebreus migraram em número de milhões para a África e muitos fatos da história africana tiveram como personagens os hebreus, seria redundância e contra-senso, adjetivá-los de pretos, porque os verdadeiros hebreus têm os corpos reluzentes de melanina.

Verdadeiros Hebreus
A comunidade hebréia dos Jarawas, membros do Zenata, uma das três principais divisões dos Tamasheq, juntamente com Senhaja e Masmuda, eram tradicionalmente nômades cujo principal local foi o Médio Magrebe (principalmente na Argélia ocidental).
Muitos estudiosos muçulmanos atestaram a veracidade da pretitude de Al- Kaina, entre eles citamos: Ibn Khaldun, que viveu no século 13, uma respeitada autoridade na história Tamasheq, o famoso geógrafo al-Idrisi, nascido em Ceuta, Espanha, no século 12, que escreveu sobre pretos hebreus no Sudão ocidental do século 16. O historiador e viajante Leon Africanus, um muçulmano da Espanha, conviveram com mulher hebréia que trabalhou na sua casa sua lhe ensinou hebraico e emigrou com a família para o Marrocos em 1492. Leon Africanus posteriormente foi convertido ao catolicismo, mas permaneceu interessado em comunidades hebraicas que encontrou durante a sua deslocação na África Ocidental. Qualquer pessoa em são consciência observando o período histórico e a espaço geográfico dos fatos, imediatamente há de contestar a brancura na personagem, criada para confundir e difundir mentiras.

Al-Kaina - criação dos brancos Mulher Tamasheq da Argélia.
Al-Kahina foi uma mulher hebréia na história da África do Norte, uma guerreira, líder do seu povo, rainha do povo Jarawa, figura religiosa importante, que nos faz lembrar a preta Débora o livro de Juízes. Conhecida como DAHIA-AL KAHINA, Dahia, Damia, Diah, Kahina é soletrado Kahena, Kaena ou Cahen.
Entendendo melhor a participação dessa rainha preta hebréia é de suma importância, seu genitor chamava-se Tabat, ou Thabitah, e o nome al-Kahina é uma forma feminina de "Cohen", isso pode indicar que a sua família ou os Jawaras foram Cohanim, descendência de Arão, irmão de Moisés, da tribo de Levi. Também poderia ter sido um título dado a ela pessoalmente, algo como "sacerdotisa" ou "profetisa". Seus inimigos a chamavam de bruxa, devido o seu conhecimento e o dom de profetizar. Ela casou pelo menos uma vez, e teve filhos. Além disso, quase nada se sabe da sua história pessoal.

Do lado esquerdo uma falsa kaina no seriado Xena, a direita uma Tamasheq.
Em muitos momentos históricos os Tamasheq tiveram que enfrentar inimigos, como os cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos e árabes. Na época da morte do profeta Maomé em 632, os muçulmanos apenas estavam na Arábia. Apenas dez anos mais tarde árabes muçulmanos tinham atingido uma das mais espetaculares conquistas na história. Eles conquistaram a Síria (635-636), a Palestina (638-640), e o Egito (639-642), a partir do primeiro e conquistaram os bizantinos (635-637) e, em seguida a Pérsia (637-642).
No ano de 680 D.C os árabes varreram toda a África do Norte a partir do Egito para o Atlântico. O líder muçulmano Oqba ibn Nafi atingiu o Atlântico em Marrocos e, segundo a lenda, andava no mar e cortou a água com sua espada na frustração de que não havia mais terras a conquistar.
Pretos escravizados pelos árabes
Em seu retorno, em março 683, Oqba foi derrotado e morto pelos Tamasheq. A conquista árabe parou por uma década, mas no ano 698 os muçulmanos finalmente conquistaram Cartago, expulsaram completamente os cristãos bizantinos a partir de África. Agora, os conquistadores enfrentaram a sua última e mais obstinado inimigo. O povo comandado por Al-kaina, a rainha hebréia.
O que se sabe é que logo após o general árabe Hassan ibn al Numan sair vitorioso dos bizantinos de Cartago, foi derrotado pelas tropas de Kahina. Hassan recuou provavelmente todo o caminho de volta ao Egito. E Kahina apossou-se de Cartago e governou a maior parte do norte da África.
De acordo com Ibn-Khaldun, como ela esperou para a inevitável renovação das tropas árabes, realizou uma desastrosa política. Ela declarou que os árabes pretendiam conquistar a África do Norte só em virtude da sua riqueza, e ordenou que os nômades Tamasheq destruíssem as cidades, pomares e rebanhos dos sedentários Tamasheq, e fazer da África do Norte um deserto.
Kahina enganou-se com esta decisão. Os árabes estavam determinados a tomar a África do Norte, independentemente da sua riqueza ou pobreza, porque havia pessoas a serem convertidas ao Islã, e a África do Norte era uma porta de entrada para a Espanha e Europa. Sem surpresa, de acordo com Ibn-Khaldun, esta tática de cidades queimadas, custou a Kahina o apoio dos outros Tamasheq.
Em 702 D.C, Hassan novamente invadiu as terras dos Tamasheq e rapidamente derrotou Kahina. Na véspera da batalha final, Kahina ordenou seus filhos irem ao inimigo e tiveram de se converter ao Islã. Kahina acreditava que a sobrevivência de sua família e a supremacia sobre o seu povo, em última instância, eram mais importantes do que as questões do nacionalismo ou da religião.
Podemos afirmar que existiu um “pan-africanismo” de Kahina e este superou no momento de guerra as diferenças religiosas entre hebreus, cristãos e praticantes de religiões locais, os quais se uniram com o lema: "Leões de Judá e África" contra a propagação e a escravização do Islamismo". Kahina reuniu oito grupos de Tamasheq, unidos pela liberdade e pelo bem-comum. Cerca de 50.000 guerreiros e entre eles milhares de hebreus foram massacrados. A maioria dos hebreus foi forçada a converter-se ao Islã.
A importância pan-africana de Kahina é fundamental na junção de comunidades em sonhar em usufruir uma África livre do terremoto islâmico que na jihad destruiu reinos e mudou para sempre o mapa e civilizações africanas, trazendo a escravidão para populações outrora livres e preparando o caminho para o cristianismo deformado europeu, sendo vítimas especialmente os descendentes de hebreus na África , que mantinham tradições e normas hebraicas em diversos grupos que posteriormente foram seqüestrados para as Américas.
Danse Tamacheq
 

Acesse:
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias