domingo, 18 de janeiro de 2009

O GENOCÍDIO ESQUECIDO – A REVOLTA DOS HEREROS E NAMA NA NAMÍBIA

Por Walter Passos -Teólogo, Historiador
Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
O POVO HERERO
Provenientes da migração dos bantos da região oriental da África, o povo Herero instalou-se na Namíbia entre os séculos XVII e XVIII. Atualmente tem sua população estimada em 240 mil pessoas vivendo na Namíbia, Botsuana e Angola. O Ovaherero engloba vários subgrupos, incluindo o Ovahimba, o Ovatjimba o Ovambanderu e os vaKwandu, grupos em Angola incluem o vaKuvale, vaZemba, Hakawona, Tjavikwa e Tjimba (herero pobres) e Himba que regularmente atravessam fronteira da Namíbia com Angola quando migram com os seus rebanhos.
Durante o período colonial, os europeus tentaram defini-los como grupos étnicos distintos, mas as pessoas consideram-se todos Ovaherero. Apesar de divididos em diversos subgrupos, possuem o mesmo idioma herero, além de português em angola, inglês em Botsuana e inglês e africâner na Namíbia. Também, os antropólogos brancos a serviço do colonizador-racista tentaram dividi-los em seus estudos de antropologia dizendo que são de origens diferentes. Hábito dos brancos em dividir para governar ou exterminar.

O POVO NAMA OU NAMAQUA
Nama (em fontes mais antigas também chamados Namaqua) é um grupo étnico da África do Sul, Namíbia e Botsuana. Eles falam a língua Nama do Khoe-Kwadi (Khoisan central). Os Namas são o maior grupo de pessoas Khoikhoi, a maioria deles já desapareceram em grande parte como um grupo, exceto os Namas. Muitos vivem em Namaqualand.
Após a Conferência de Berlim, a Alemanha invadiu o continente africano e além de outras regiões anexou à Namíbia, enviando para a África invasores (colonos ou descobridores – denominações usadas pela historiografia branca) que pilharam as terras e riquezas da população nativa. Difundido a supremacia branca e comparando o povo herero a babuínos.

Babuínos

Os homens eram constantemente espancados até a morte e as mulheres vítimas de estupro e escravizadas sexuais dos colonos e soldados alemães.
Como conseqüência dessas violações em 12 de janeiro de 1904 o povo Herero resolveu resistir ao invasor-colonizador - racista alemão, liderados por Samuel Maharero. Conforme os historiadores essa guerra de libertação teve como conseqüência o primeiro genocídio do século do XX, impetrado pelo império alemão contra homens, mulheres e crianças originais: as populações Herero e Nama, habitantes na Namíbia.

Samuel Maharero
Líder guerreiro e chefe do povo Herero, ainda criança foi catequizado e frequentou escolas luteranas que o viam como um futuro pastor, ao crescer e tomar consciência da opressão, rebelou-se contra os invasores alemães e enfrentou as famigeradas tropas colonialistas. Teve que exilar-se em Botsuana onde continuou líder dos exilados herero vindo a falecer em 1923. É relembrando na Namíbia como herói em 26 de janeiro, dia dos hereros.
Hendrik Witbooi
Hendrik Witbooi tem o seu rosto estampado nas notas bancárias na Namíbia. Para seus seguidores ele era conhecido por seu nome de Nama Khaob! Nanseb/Gabemab, que significa "O capitão, que desaparece na grama”, uma referência à sua famosa habilidade como lutador de guerrilha. Nasceu em 1830 em uma família de líderes.
Hendrik Witbooi era um homem religioso. Mais tarde, durante a guerra com os alemães, em 1904-1905, Witbooi voltou ao seu povo com a convicção de que Deus o havia de guiá-los para lutar por sua liberdade contra os imperialistas.

Em Outubro de 1904, dez meses após os hereros estarem em guerra contra os alemães em sua totalidade, Hendrik Witbooi levou Namaland a aliança contra os alemães. No 28 de outubro de 1905 perto de Vaalgras, com 80 anos de idade lutou com os seus soldados e morreu no campo de batalha decorrente de um ferimento na coxa.


Cédula com a foto de Hendrik Witbooi

GENOCÍDIO PRATICADO PELOS ALEMÃES

Kaiser Wilhelm II
Com a mobilização do povo herero, o kaiser Wilhelm II enviou 14.000 mil soldados sob o comando do Tenente-General Lothar Von Trotha, conhecido pela brutalidade ao combater a revolta boxer na China e a violenta repressão aos povos pretos que ofereceram resistência à ocupação alemã na África Oriental (Ruanda, Burundi e Tanzânia), e ao chegar à Namíbia disse a sua finalidade:

- "Eu acredito que a tribo herero como tal deve ser exterminada."
E escreveu:
- "O exercício da violência e do terrorismo é a minha política. Eu vou destruir as tribos Africanas com fluxos de sangue e de dinheiro. Só após essa limpeza pode surgir algo novo, que permanecerá.”E em um comunicado ao povo Herero disse:
"Todos os herero devem deixar a terra. Se recusarem, então eu vou obrigá-los a fazê-lo com as grandes armas. Qualquer herero encontrado dentro de fronteiras alemãs, com ou sem uma arma, vai ser abatido. Não serão tomados prisioneiros. Essa é a minha decisão.”Inspirador e executor do massacre dos hereros na Namíbia o general Lothar Von Trotha seguiu um plano elaborado na Conferência de Berlim de 1885, onde os Hereros e Namas foram eliminados sistematicamente, já que o objetivo era apoderar-se de suas terras; para isso estabeleceram um campo de concentração, trabalhos forçados e execuções em massa.
Em contraste, uma carta do chefe herero Samuel Maharero ao seu povo logo após a eclosão da guerra estabelece que os ingleses, Boers, missionários e pessoas de outras tribos não viriam a ser prejudicados. A história tem demonstrado que ambas as instruções foram diligentemente realizadas.
Em uma batalha decisiva no Hamakari, perto Waterberg, em 11 de Agosto de 1904, as tropas de Von Trotha cercaram a nação herero em três lados e estes foram brutalmente derrotados. Em uma jogada cínica, ele deixou o caminho aberto apenas para a área do deserto do Kalahari. O plano de batalha para as pessoas que escaparam das balas do exército alemão deveriam morrer de sede e poços de 150 milhas (240 km) ao redor do deserto ou eram patrulhados ou envenenados, e aqueles hereros que vieram rastejando para fora do deserto, desesperados por água, foram mortos a baioneta. Isto os deixou com uma única opção: atravessar o deserto dentro de Botsuana, na realidade, marchar para a morte. Esta é, na verdade, como a maioria dos hereros foi exterminado.

Hereros no deserto famintos e sedentos após as tropas alemãs envenenarem os poços de água.
Devido a escassez de trabalho na colônia, o extermínio da campanha de Von Trotha foi finalmente parado por Berlim, e os hereros sobreviventes foram aprisionados em campos de concentração, obrigados ao trabalho escravizado, sobrecarregados, com fome, e expostos a doenças como a febre tifóide e a varíola, a maioria dos homens pereceu e as mulheres foram transformadas em escravas sexuais.
O resultado desta política foi que, a partir de 1904 para 1908, foram reduzidas a nação herero de 80.000 a 15.000 pessoas famintas e refugiadas em sua própria terra.

Guerreiros herero capturados por tropas alemãs
Após a guerra, todos os herero de idade superior a sete anos eram obrigados a vestir um disco metálico em torno de seus pescoços com seu número de registro, designando-os como mão-de-obra disponível.
O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO NA ILHA SHARK
A ilha de Shark foi o local usado de 1904 a 1907 que confinou membros das tribos Herero e Nama. Ao longo dos três anos foi o acampamento onde 3000 pessoas encontraram a morte. Para todos os efeitos, considera-se um acampamento de morte, tal como o seu único propósito era o de exterminar pessoas herero e Namaka.
O trabalho forçado do acampamento foi utilizado para construir Lüderitz e vias férreas. Outros campos existiam em regiões invadidas pela Alemanha, incluindo Swakopmund, Windhoek e Okahandja.

Campo de Concentração na Ilha Shark
EXPERIÊNCIAS GENÉTICAS
Foi no Campo de Concentração da Ilha de Shark que Eugen Fischer realizou as suas primeiras experiências "médicas" sobre raça, genética e eugenia, utilizando como cobaias tanto hereros como os mestiços descendentes dos estupros das mulheres herero. Sob sua supervisão, foram preservados corpos e cabeça que tinham sido enforcados e enviados à Alemanha para dissecção.
Fischer tornou-se diretor do Instituto Kaiser Wilhelm de Antropologia, Hereditariedade Humana e Eugenia. Foi co-autor do livro - Os Princípios da Hereditariedade, Raça e Higiene - que se tornou o livro padrão sobre o assunto na Alemanha.
Hitler nomeou Fischer como reitor da Universidade de Berlim, em 1933, onde lecionou medicina para médicos nazistas. Fischer é por vezes referido como o pai da moderna genética. Este homem foi um grande defensor do aborto e da esterilização dos não-brancos.

Foto de Eugen Fischer - Observe a foto de mulheres pretas nos seus estudos eugênicos.

“EU TAMBÉM VIAJO PARA O CÉU EM UMA CARROÇA."Em seu livro Heróis Herero, Jan-Bart Gewald descreve a morte de um dos líderes cristãos herero, testemunhado por um missionário alemão Friedrich Meier:
“Fraco de doença e de maus tratos, Kukuri foi transportado para a sua execução nas costas de um carro de boi. Ele não mostrou o menor vestígio de medo, mas, em vez disso olhou como se estivesse indo para um casamento! Em uma etapa da viagem, disse ao “Pastor” Meier: como Elias, também eu vou viajar para o céu em um vagão.
Quando eles chegaram o local ainda estava sendo preparado. Meier temia pela tranqüilidade de Kukuri e pediu que parasse de olhar para a forca. Ele respondeu:
- Por que não devo olhar para ela? Não é “a minha madeira" (a minha cruz)?
Os dois oraram e juntos cantaram um belo hino: Então tome minha mão e leva-me. Então Kukuri disse:
- Parece que você ainda teme que eu tenha medo, mas quando um pai chama seu filho, o filho tem medo de ir para ele? Dê a minha esposa, que está em Okahandja, a minha saudação e diga a ela que eu já morri na fé do Senhor Jesus Cristo, assim também diga aos meus filhos, pois você deve sempre vê-los.
Em seguida, disse:
- Senhor Jesus, me ajude.
Kukuri subiu a escada e a corda foi colocada em volta do seu pescoço. Como ele estava caindo, o nó escorregou, de forma que ele caiu no chão, inconsciente. Dois soldados o levantaram e, seguindo ordens, e realizaram disparos de arma de fogo, matando-o. Assim entrou Kukuri na presença do Senhor.
Ainda hoje muitos Hereros são membros da Igreja Luterana, defendendo esta ideologia, e comungando com os brancos que assassinaram seu povo na chamada “Guerra de Pacificação da Namíbia”.

"Irmãs" Luteranas na Namíbia.

Em Windhoek, a Christuskirche e o Reiterdenkmal, monumento que homenageia os soldados alemães que morreram na “pacificação” da Namíbia ao fundo uma igreja luterana.

CONCLUSÃO
A Alemanha compensou os Askenazis (descendentes dos kazars) que se dizem judeus após a 2ª guerra mundial em milhões de dólares e apoiou o mundo branco ocidental cedendo terras no Oriente Médio, para a criação do estado de Israel. Mas, até hoje o brutal genocídio dos povos Herero e Nama não foram compensados, os seus descendentes que perderam terras, gados, e potenciais recursos minerais que estão nas mãos dos descendentes de alemães, não receberam das autoridades alemãs nenhum pedido de desculpas e reparação. Apesar dos protestos e mobilizações das minorias étnicas Herero e Nama.
O povo preto não pode esquecer dos 105 anos da resistência dos Herero e Nama! E também do Genocídio impetrado pelos Alemães.
Viva a memória de Hendrick Vitbooi, Samuel Maharero, e dos 65.000 mil hereros (70% da população) e 10.000 Namas (50% da população) que foram dizimados pelas forças genocidas da Alemanha.
Genocide and the second Reich 7: Shark Island.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

TIMBUKUTU

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, 
Pan-africanista, Afrocentrado 
Pseudônimo: Kefing Foluke. 
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br








Timbuktu foi o maior centro universitário mundial durante séculos, dando continuidade aos conhecimentos espalhados por toda a África em épocas anteriores.
Timbuktu é conhecida como a “cidade santa”, a “misteriosa”, a “inacessível”, a “cidade do ouro” está situada no nordeste do atual Mali, ao sul do imenso deserto do Saara (maior inclusive do que o Brasil) e um pouco afastada da margem esquerda do rio Níger. Foi um dos maiores centros comerciais da história africana da rota do sal e outras mercadorias. Em Timbuktu trocava-se ouro por sal, que era escasso naquela região.

Deserto do Saara
Fundada por volta do século XI pelos tuaregues, a cidade se impôs, a partir do século XIV, como um centro de comércio importante entre o antigo Sudão e o Magrebe, para servir às caravanas que traziam sal das minas do deserto do Saara para trocar por ouro e escravos, trazidos do sul por aquele rio. As três grandes cidades da região (Timbuktu, Gao e Djanné) tornaram-se os pólos de uma efervescente civilização preta cuja memória permaneceu viva. No século XV, Timbuktu contava com não menos de 100 mil habitantes, dentre os quais 25 mil estudantes que frequentavam a Universidade de Sankoré, atualmente transformada em mesquita.
Imperador Mansa Musa


Kankan Mansa Musa foi o décimo imperador Mansa, ou imperador do Mali durante seu auge no século XIV, entre os anos de 1312-1337. Tornou-se famoso por ser um dos grandes benfeitores do conhecimento em Timbuktu.
Durante o período do seu reinado, houve um crescimento do nível avançado de vida urbana nos grandes centros do Mali, especialmente em comparação com o relativo atraso da Europa. Fazendo do Mali um dos principais centros mundiais de conhecimento, estrutura urbana e riquezas.
O Imperador Mansa Musa também foi conhecido por sua peregrinação a Meca, aonde constituiu uma caravana com mais de seis mil pessoas, incluindo mais de cem camelos carregados com mais de 300 kg de ouro cada.
A Universidade de Sankoré foi o mais importante centro universitário de Timbuktu.

MANUSCRITOS DE TIMBUKUTU
Acreditam os estudiosos que há 1.500,000, 00 (hum milhão e meio) de manuscritos em Timbuktu, em que apenas 10% foram restaurados (cento e cinqüenta mil). A maioria destes documentos está em poder de famílias e estão enterradas do deserto, como um bem mais precioso do que o ouro. Nos manuscritos encontram-se atas jurídicas referente à vida dos hebreus (erroneamente chamados de judeus) e de renegados cristãos, assim como estudos de gramática, teologia, astronomia, música, botânica, direito, ciências, comercio, matemática, geografia, história, química, medicina, Economia, Política, entre outros.
Inclusive ao traduzir um manuscrito matemático para francês e enviá-lo a França foi confirmado que o conteúdo de álgebra ensinado em Timbkutu no século XVI, é hoje estudado no segundo ano daquela graduação nas Universidades Francesas.
Considerados como um maná científico inédito, esses manuscritos contradizem o mito da oralidade africana sustentado por intelectuais, como o falecido Hamadou Hampâté Bâ.
A escrita foi parte ativa de eminentes civilizações africanas como Kemet e ainda a indecifrável escrita kushita, uma das mais antigas da história humana; nossa escrita é erroneamente considerada ocidental e branca, pois foi copiada pelos gregos (mestres da cópia e apropriação de conhecimentos) da população preta fenícia.
Obras raríssimas, escritas em língua árabe, por vezes no idioma fula (peul), e em grego por eruditos originários do antigo império do Mali, são considerados um dos mais preciosos escritos da história mundial e se forem traduzidos mudarão a história da África e do planeta.

Ahmed Baba
Ahmed Baba, também conhecido como o “Sudanês o preto”, foi um dos mais importantes doutores em Timbuktu. Foi o último chanceler da Universidade de Sankoré. Ele foi um dos maiores estudiosos Africanos da final do século XVI. Sua vida é um brilhante exemplo de como a variedade e a profundidade do Oeste Africano a atividade intelectual antes da época colonial, escreveu mais de 40 livros: quase todos os livros tinham temas diferentes. Ele estava em Timbuktu, quando foi invadida pelos marroquinos em 1592, e ele foi um dos primeiros cidadãos a protestar contra ocupação de sua amada cidade. Durante a sua expatriação, sua coleção de 1.600 livros, uma das mais ricas bibliotecas do seu dia, estava perdida. E a única biblioteca pública em Timbuktu atualmente, o Instituto Ahmed Baba (que armazena mais de 18 000 manuscritos) é nomeado em sua homenagem.
HEBREUS PRETOS EM TIMBUKTU
 As dez tribos que formaram o reino de Israel após a destruição pelos assírios, no oitavo século, foram dispersos em 586 a.C, quando Nabucodonosor destruiu o Templo de Adonai. Os hebreus fugiram para a África. O rei babilônico levou a tribo de Judá em cativeiro.
A presença de hebreus na África data de quase três mil anos, sem comentar dos hebreus que seguiram para a Etiópia seguindo Balkis ou Makeda a rainha de Sabá.
Os hebreus se instalaram em grandes impérios, como nos impérios do Oeste Africano: Songhai, Mali, Gana e Kanem-Bornu. De acordo com inúmeros relatos contemporâneos de visitantes à esta região vários governantes e administradores do império Songhai eram de origem hebraica até Askia Muhammad subir ao poder em 1492 e decretou que todos os hebreus deveriam se converter ao Islã ou saíram da região.

Na aldeia de Kirshamba, todos os descendentes de hebreus têm o último nome de Djarumba, o que significa o mesmo que "Aliahoudou-Hou," a palavra para hebreus em Songhai.
Em 1984, um historiador de Timbuktu chamado Ismael Haidera começou a investigar a sua história familiar. Ele descobriu, em antigos documentos relacionados a sua família, escritos em hebraico e com muitos nomes hebraicos, e concluiu que ele era, de fato, um descendente de hebreu, embora a família tivesse há muitos anos se convertido ao Islã e procurou esconder a suas origens hebréias, um cumprimento da profecia de que os hebreus dispersos viriam a adorar outros deuses. Ele investigou outras famílias em Timbuktu e as aldeias adjacentes, e descobriu origem hebraica. Todos estavam praticando o islamismo, embora houvesse histórias de aldeias onde ritos hebreus foram praticados em segredo. Em 1993 formaram uma sociedade para todos aqueles alegando ancestralidade hebraica, e em 1997 ele transformou a sociedade em um órgão formal administrativo. Os seus objetivos são para recolher e preservar os registros históricos de famílias hebréias na área, para manter os cemitérios onde estão enterrados, e para voltar a estabelecer uma comunidade hebraica na área, embora isto não parecesse implicar a prática religiosa, que seria difícil em um país muçulmano.
Todos os hebreus em Timbuktu foram convertidos ao longo das gerações ao Islã ou ao Cristianismo, recentes pesquisas históricas estão levando várias famílias a descobrirem a religião de seus antepassados. O Culto a YHWH.
As poderosas civilizações do Vale do Nilo: Nubia-Kush, Khemet e Axum ainda não foram devidamente estudas. As civilizações da Suméria, Babilônia, Harappan, entre outras e a formação do povo hebreu comprovam que todos os conhecimentos estavam com o povo original: Os Pretos.
Timbuktu - Black African History



ACESSE PRETAS POESIAS:

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

COMEMORAÇÃO DA KWANZAA

Por Vanessa Passos. Membro do CNNC/BA - Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos/BA, membro do Grupo Agar -Grupo de Mulheres Pretas Cristãs e membro da COPATZION . Pseudônimo: Aidan Foluke. E-mail: vanessasoares13@hotmail.com

A nossa festa da Kwanza foi maravilhosa, com a presença de toda a família Foluke, do CNNC/BA (Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos da Bahia) e membros da COPATZION (Comunidade Panafricanista de Tzion).

O trabalho para a organização da Kwanzaa foi prazeroso e o irmão Thembi foi as compras das frutas e de outros materias necessários com Aidan, Aswad, Ambolike e Manana. O irmão Thembi foi um dos principais organizadores da celebração, e agradecemos também a irmã Makini e a irmã Kalil e todas e todos que ajudaram a organizar o evento.

Estiveram presentes mais de 50 irmãs e irmãos pretos, entre os convidados o professor de história Jaldemir, o estudante de psicologia Elder Varjão da UFBA, o militante preto Djalma, o sociólogo Valdir Estrela que acompanha todos os eventos do CNNC/BA, a irmã Maura Cristina, a irmã Verônica entre outros.
O nosso especial agradecimento a irmã Jussara do Aspiral do Reggae que conseguiu o espaço do CDCN e sempre nos atende com uma maneira especial e carinhosa. Agradecemos a presença das famílias dos irmãos Beto, do irmão Alexandre da irmã Tereza, do teólogo Osvaldo, da irmã Rose e suas maravilhosas filhas. A presença das crianças nos trouxe alegria e alegria, sem crianças não há esperança e continuidade na luta do nosso povo.
Foram momentos de intensa confraternização onde podemos dançar, cantar, trocar experiências e renovar os votos de um ano de 2009 de continuidade da luta e amor ao nosso povo. O Pastor da COPTAZION Fredson Oliveira esteve presente e nos trouxe uma palavra inspirada de continuidade da luta como o povo escolhido de Yeshua, e sobre as mentiras das comemorações do Natal com o Papai Noel Branco e o grande consumismo dessa festa.
Não podemos esquecer a Irmã Bete e os Irmãos Dal, Beto e Alexandre pelo bolo com o mapa da África muito criativo, belo e gostoso. A todas e todos que participaram da Kwanzaa os agradecimentos da Família Fuloke, do CNNC/BA e da COPATZION.

Vejas as outras fotos da Kwanzaa no orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=10464817996003069858&aid=1230277801

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

KWANZAA E OS SETE PRINCÍPIOS: REPARANDO E RENOVANDO O MUNDO.


Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, PanAfricanista, Presidente do CNNC/BA e membro da COPATZION. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke. E-mail: ulisses_soares@hotmail.com

A princípio, a Kwanza era uma festa comemorada no continente africano na tradição dos povos pretos de reservar determinada época para festejar a fartura da agricultura, e juntos cantar, dançar, comer, beber e comemorar a colheita das primeiras frutas e vegetais. Traziam os primeiros frutos da terra, destes faziam iguarias, e celebravam uma festa.

Baseada no Kinara, que são os setes princípios, a Kwanzaa reúne durante sete dias milhões de descendentes de africanos, celebrando um só povo, uma só luta, um só destino. Cantando e festejando, não mais a colheita, e sim, a sua africanidade e sua união como povo preto. Clique aqui e conheça mais detalhes sobre a Kwanzaa.

Concentremo-nos na temática do ano de 2008, celebrada por milhões de pretos e pretas ao redor do planeta: REPARANDO E RENOVANDO O MUNDO.

Hoje, milhões de pessoas pretas no mundo estão quase que integralmente distantes da africanidade, elas estão integradas e bem estruturadas no modelo de vida branco, ditado pelos costumes do povo branco-europeu ou de seus descendentes. O modelo de igualdade adquiriu sentido viciado, corrompido, em que a igualdade consiste tão somente na total integração e submissão a esse modelo branco predominante.


A escravidão, a invasão do continente-mãe e neo-colonização, transformaram para sempre a história dos africanos e de seus filhos seqüestrados, introduziram em ambos o caos de identidade, o caos espiritual e a aceitação ao modelo racista, machista, escravista, que enraizaram dentro de nós parte dos nossos opressores. Esses fatores demonstram a urgência da necessidade do povo preto no mundo de liberta-se das algemas da escravidão mental, libertar-se do modelo branco imposto e intrínseco nas nossas vidas e buscar outro modelo que nos atenda verdadeiramente e que seja nosso. Mas qual modelo será este? A africanidade é nossa resposta.

A Kwanzaa vem trazer por mensagem uma proposta de reestruturação da africanidade e mais do que isso, motivar a união das pessoas pretas no mundo a celebrá-la. Celebrar faz parte da essência do povo original, unirmo-nos com nossos iguais para celebrar aquilo que nos une é expressar nossa felicidade. E celebra a africanidade é exaltar nossa essência, nossa origem, o que realmente nos une enquanto povo.

A temática desse ano visa apresentar a nós descendentes de africanos a necessidade urgente de reparar e renovar nosso mundo. Não se refere a reparar o sistema criado pelos brancos: os erros causados pelo sistema opressor capitalista e suas desigualdades, ou renovar o planeta com ideais ambientais, igualitários étnicos ou pacíficos.

Para entender o que é de fato Reparar e Renovar o mundo devemos nos ater aos fundamentos da celebração da Kwanzaa: Família Preta, Comunidade Preta e a Cultura Africana. Essa transformação, palavra que pode englobar reparar e renovar, refere-se aos ideais da nossa vida, hoje antagônicos e distantes da nossa história, e como deve ser nossa relação diante dos demais descendentes de africanos e o nosso opressor. A festa da Kwanzaa é uma festa de africanos e seus descendentes para nós mesmos, com nosso próprio mundo, nossas necessidades, nossos desejos, nossa africanidade.

Renovar é um aspecto que depende unicamente de nós mesmos, e este ano a celebração da Kwanzaa vem trazer para nós esse significado. Nos dizeres de Marcus Garvey acerca de nós mesmos:

“Pelos últimos quatrocentos anos, o negro tem estado na posição de ser comandado, da mesma maneira que os animais irracionais são controlados. Nossa raça tem estado sem uma vontade, sem propósito próprio, durante todo esse tempo. Por causa disso, nós desenvolvemos poucos homens capazes de entender o ardor da era que vivemos. Onde podemos encontrar nesta nossa raça homens verdadeiros? Homens de caráter, homens com determinação, homens confiantes, homens de fé, homens que realmente conhecem a si mesmos? Eu tenho me deparado com tantos fracos que se consideram líderes e que, ao examinar, descobri que eles não são nada além de escravos de uma classe mais nobre. Eles executam a vontade de seus senhores, sem questionar.”

A festa da Kwanzaa é uma manifestação panafricanista. Reparando o mundo é uma mensagem de reconstrução da nossa identidade que fora mitigada durante esses 400 anos. A temática vem nos fazer refletir que a nossa por integração nesse sistema branco, a luta por políticas públicas, por ações integralistas e políticas afirmativas, nos fez esquecer que somos comunidade africana, somos estrangeiros nesse continente e não devemos cobrar de um Estado que não fora construído para o homem e mulher preta, um Estado racista e escravista historicamente, um Estado que apóia o extermínio da Juventude Preta e nada efetivamente faz contra isso, não podemos entregar a ele as resoluções das nossas questões, porque esse Estado nunca nos dará o que precisamos, seremos sempre escravos, servos e animais irracionais.

Renovar a nossa família é instituir o modelo de família Preta, unicamente Preta, na nossa sociedade, nos dizeres de Thembi Sekou Okwui:

“A reconstrução da nação preta, do povo preto, começa com a unificação sentimental. O renascimento africano está condicionado ao renascimento da família preta. A nossa reconstrução familiar é a base fundamental para fazer surgir uma nova raça, um novo povo.”

Reparando dentro desse modelo de família preta, as ações dos opressores em nossas mentes, dizimando aquilo que impede nossa comunidade de construir uma verdadeira família preta: machismo, a violência contra a mulher preta, as drogas, o feminismo branco-europeu adotado por milhares de militantes negras que preferem construir o mundo baseado no gênero feminino, a construí-lo em família preta, o aborto maior tentativa de genocídio declarado do nosso povo. Para Renovar e Reparar nosso mundo, o núcleo familiar preto deve ser instituído na nossa reconstrução de sociedade africana.

Os sete dias de celebração da Kwanzaa serão de fundamental importância para essa nossa transformação. Celebrar a Kwanzaa é celebrar nossa africanidade e nenhumas dessas práticas são africanas. São em verdade, praticas demoníacas construídas pelo homem e mulher branca para destruir nosso continente-mãe e seus filhos.

Por fim, vamos todos celebrar a Kwanzaa juntamente com milhões de Pretos e Pretas ao redor do mundo, festejar nossa africanidade, e praticar a temática a partir de hoje: REPARANDO E RENOVANDO O NOSSO MUNDO.

O CNNC irá celebrar a sua segunda Kwanzaa este ano no dia 25 de dezembro às 16:h com a participação da COPATZION e caso você se enquadre nesses princípios e fundamentos, e queria de fato celebrar a africanidade conosco, entre em contato através do e-mail cristaosnegros@yahoo.com.br

A Kwanzaa Celebration '08


PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias