sábado, 15 de novembro de 2008

RELAÇÕES INTER-RACIAIS - A FALSA DEMOCRACIA RACIAL

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Por Jose Raimundo. Pan-africanista, Afrocentrado. Membro da Igreja Pan-Africanista Tzion. Pseudônimo: Thembi Sekou Okwui. E-mail: soulafrica@hotmail.com


As relações inter-raciais são constantemente discutidas e rediscutidas nos países de formação escravacrota, sendo motivos de grandes polêmicas e embates. Já fizeram parte de dispositivos de leis em diversos países escravizadores, como a Inglaterra, e até há pouco tempo nos USA, como o sistema legislativo Jim Crow, que proibia a união inter-racial prevendo o julgamento dos infratores e sua condenação.
Clique aqui e leia mais sobre as leis do Jim Crow
Até mesmo em âmbito religioso as proibições foram bem explicitas como orientações de igrejas brancas, como no caso dos adventistas, quando Ellen G. White escreveu: “Mas há uma objeção ao casamento da raça branca com a preta. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer à sua prole aquilo que a coloca em desvantagem; não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitariam a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança para toda a vida.”(Ellen Gould White, Mensagens Escolhidas - vol.2; Editora Casa Publicadora, Sto. André - SP; 1985 - pág. 343 e 344).
Ellen White continua: "Em resposta a indagações quanto à conveniência de casamento entre jovens cristãos de raças branca e preta, direi que nos princípios de minha obra esta pergunta me foi apresentada, e o esclarecimento que me foi dado da parte do Senhor foi que esse passo não deveria ser dado...Nenhuma animação deve ser dada a casamentos dessa espécie entre nosso povo..." (Ellen Gould White op.cit.).
Se por um lado, em diversas sociedades e organizações religiosas houve proibições nas relações inter-raciais, em outras, como a arquitetura racial do Brasil, isso foi bem difundida e elaborada como sistema de dominação e manipulação.
Gilberto Freire no seu livro Casa Grande e Senzala e Sobrados Mocambos demonstra com uma sagacidade perversa a falsa formação do Brasil baseados em relações de senhores brancos com escravizadas pretas, o qual ainda hoje tem servido como parâmetros e defesas de um país miscigenado, reforçado também pelos escritos de Darcy Ribeiro, no seu socialismo moreno.
No Orkut, site de relacionamento de maior acesso no Brasil, encontramos dezenas de comunidades exaltando os relacionamentos inter-raciais e citamos algumas:
O Amor Não Tem Cor
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=15109546
Amor Interacial
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=11849495
Relacionamento Interracial
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=2389862
No entanto, a miscigenação no Brasil não dever ser vista sob a ótica pacífica e amorosa de uma pura e simples integração racial, construída pelos pensadores acima referidos e difundida pelas escolas, universidades, igrejas, mídia e outros intelectuais brancos. Na verdade, a miscigenação tem que ser vista sob a ótica da exploração sexual de homens e mulheres negras, para atender o desejo da elite branca de fazer deste país uma nação “quase” européia.

No Livro Rediscutindo a mestiçagem no Brasil – Identidade nacional versus Identidade negra, Kabengele Munanga explica como a mestiçagem serviu como mecanismo de aniquilação da identidade negra, servindo ao propósito do racismo para desmobilizar, criar falácias de igualdade racial e inserir na mente da população negra o desejo de branqueamento.
Acreditamos que a mestiçagem foi um plano elaborado para enfraquecimento e dominação dos africanos no Brasil, pois com a existência de mestiços, há uma população em crise, sem identidade definida, que opta em se manter ao lado do projeto de sociedade do opressor, trazendo conseqüências psicológicas danosas a sua existência, como aborda a grande pensadora negra Neusa Santos em seu livro “Torna-se Negro”, pag. 7,:
“Os esforços para curar a “ferida” vão então suceder-se numa escalada patética e dolorosamente inútil. Primeiro tenta-se metamorfosear o corpo presente, atual, de modo penoso e caricato. São os “pregadores de roupa” destinados a afilar o nariz ou os produtos químicos usados para alisar o “cabelo ruim”. Em seguida, vêm as tentativas de aniquilar, no futuro, o corpo rebelde à mutação, no presente. São as uniões sexuais com o branco e a procriação do filho mulato. O filho mulato e o neto talvez branco representam uma louca vingança, suicida e homicida, contra um corpo e uma “raça” que, obstinadamente, recusam o ideal branco assumido pelo negro. “
O sociólogo Roquildes Ogunbá, militante do movimento negro, assevera na comunidade do orkut MULHER NEGRA & HOMEM NEGRO:
"A miscigenação está na ordem do dia: brancas com negros e brancos com negras. A idéia de mistura tem sido manipulada pela mídia, imprensa, tv, rádio etc, como uma prova de que não existe racismo e nem discriminação racial. Muitos negros e negras têm pego carona em tal discurso e afirmam que quando rola o amor é o que vale. Sendo assim, temos assistido a cada dia um número "privilegiado" de casais que têm se unido para "clarear" as futuras gerações. Este fato tem contribuído para desaparecimento da família negra e modificado certos valores entre negras e negros."
Ultimamente a juventude preta militante tem discutido em alguns fóruns sobre relacionamentos, e recusado participar destas relações inter-raciais como forma de afirmação e prática de vida africana. Exemplo disso na Bahia o Grupo Mídia Étnica criou o dia: Beije sua preta ou seu preto.

- Quase duas décadas depois, o Instituto de Mídia Étnica está reativando essa campanha, denunciando o estereotipo de casais negros nos meios de comunicação, criticando a nossa invisibilidade nas propagandas e criando elementos para elevação da auto-estima de homens e mulheres pret@.
Participe de nosso “beijaço”: dia 12 de junho às 17h30 no Passeio Público.

Os jovens do CNNC/BA e da Igreja Preta (COPTAZION) se orgulham pelas suas namoradas e namorados pretos.
Kefing Foluke no livro Afro-Reflexões, também discorreu sobre a temática:
“O homem e a mulher negra precisam se reencontrar fora da senzala e reconstruir no útero do ser negro um novo relacionamento de respeito e amorosidade, lembrando sempre que somos frutos de um amor depreciativo formulado nas senzalas da escravidão. Não estamos mais abandonados e jogados na fétida senzala de amores depreciativos, por isso não devemos ter medo de amar. O amor deve ter início na auto-afirmação do ser negro, assim redescobriremos à vontade de sentir profundamente a intensidade de um beijo bem gostoso entre uma negra e um negro.”
Segundo o membro da Igreja Preta - COPATZION-(Comunidade Pan-africanista de Tzion) José Raimundo, ativista pan-africanista, ratificando o posicionamento do CNNC, acrescenta que essa falsa democracia racial no Brasil é tão forte que influenciou as relações afetivas no próprio movimento negro; exemplo disso é que um dos maiores expoentes do Movimento Negro, o nonagenário Abdias do Nascimento, apesar de tentado desconstruir o mito da democracia racial, possuí em sua prática afetiva um relacionamento com uma mulher branca, sendo um dos grandes vacilos que marcará a sua trajetória.Pois num país que tem como sistema de dominação uma política intensa de mistura entre raças, a ação mais enérgica e reacionária que um militante do movimento negro pode ter é manter relacionamentos com pessoas de sua própria espécie, ou seja, pretas. Isso, aliás, não é só reacionário, num país como o Brasil, isso chega ser uma arma revolucionária contra a dominação racial.
Por fim, que nós pretas e pretos saíamos da escravidão mental que nos aprisiona, abandonemos a contemplação daqueles que descendem dos escravizadores, não nos permitamos vivenciar a “Síndrome de Estocolmo” e busquemos o amor entre as pessoas africanas: o amor preto. Pois, para preservação da nossa história, cultura, valores e legados é necessário preservarmos a integridade do nosso povo através da reconstituição / reconstrução de famílias pretas. É necessário dizermos não a miscigenação racial.

Richie Stephens - where is the love

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

NOVO MOVIMENTO NEGRO

Por Jose Raimundo. Pan-africanista, Afrocentrado. Membro da Igreja Pan-Africanista Tzion. Pseudônimo: Thembi Sekou Okwui. E-mail: soulafrica@hotmail.com

Há quem afirme que nenhum acontecimento do passado se perde no tempo, mas sim, transforma-se. Pelo visto, a transformação, dando origem a algo novo, é um processo natural da existência das coisas. E por ser um processo natural, a transformação é inevitável. Existindo ou não uma força contrária, ela sempre irá acontecer, mesmo que parcialmente, para o benefício da continuidade da existência.
Hoje, acontece algo de crucial importância para sobrevivência do movimento negro, e porque não dizer da comunidade negra, no Brasil, qual seja, a existência de análises e avaliações aprofundadas das ações e políticas do movimento negro nos últimos tempos e seus possíveis avanços. O fruto destas análises e avaliações é o advento da necessidade de renovação do movimento negro contemporâneo, seja pela mudança estrutural e ideológica do que concebemos tradicionalmente, no Brasil, como movimento negro (o movimento social negro), seja pelo surgimento de um novo segmento do movimento negro de caráter libertário, que seguirá seu caminho próprio e natural.
No entanto, a meu entender, só uma mudança estrutural e ideológica do tradicional movimento social negro no Brasil não significa necessariamente um avanço se a finalidade do mesmo ainda for à mesma: a busca incessante por integração racial e aceitação do desumano projeto de relações humanas que esta ai posto. Acredito que o avanço essencial compreende, para além da necessária mudança estrutural e ideológica, uma mudança da própria finalidade do movimento negro e do rumo por ele a ser tomado. Apesar do momento histórico “não ser favorável à existência de um movimento negro de caráter libertário”, pois as relações raciais entre negros e brancos, e a dominação (política, social e, sobretudo, econômica) deste último se dar, no Brasil e no mundo, sob o discurso da “democracia”, dos “diretos humanos universais” e da “igualdade entre os povos”, nos permitindo ter a falsa impressão de que “estamos chegando lá”, acredito que é necessário transcendermos a esta realidade ideológica e analisar as relações raciais sob a luz do fato de que nós estamos, na essência da verdade, em todas as partes do mundo, por nossa própria conta em risco e que os brancos não estão afim de viverem junto com os negros numa sociedade igualitária, justa e solidária.
Mais do que em tempos passados, quando tínhamos que reagir contra o inimigo certo e visível, e não tínhamos esta falsa sensação de liberdade, e deste falso tributo ideológico a igualdade, presentes como velcro da dominação branca, precisamos ser a força reacionário e subversiva que vai possibilitar o surgimento de um novo contexto histórico de luta para o nosso povo. E é justamente a percepção desta necessidade de forçar a mudança do contexto histórico que nos envolve que surge, como efeito colateral, a necessidade de mudança da finalidade do movimento negro, adquirindo este uma percepção de luta de caráter libertário, com vistas a autodeterminação do povo preto-africano.
No entanto, é de se perceber que a necessidade do surgimento de um novo movimento negro, ou de um novo segmento do movimento negro, de caráter libertário, deve emergir antes da desconfortável realidade de subjugação e dominação que se abate sobre a população negra do que do contexto histórico que nos faz pensar o mundo. Apesar de ser compreensível que o contexto histórico é um fator determinante para a constituição e significação das ações e percepções humanas, não é menos verdade que a realidade vivenciada por um determinado grupo também determina, ou pelo menos deveria determinar, suas ações e percepções. Por exemplo, quando afirmam que o pan-africanismo não tem mais razão para existir porque o contexto histórico que permitiu seu nascimento desapareceu, nada mais estão fazendo os observadores limitados do que condicionar as ações e percepções de luta de um povo ao contexto histórico controlado pelo opressor.
Daí, na contramão desta afirmativa errônea, surge uma outra afirmativa, a de que: a existência da ideologia pan-africanista é necessária antes porque a realidade do povo preto ainda é de subjugação, de humilhação em suas condições, de desesperanças, de falta de autonomia para realizar o básico por si, sem o real poder de interferir no seu destino (O Poder Negro), de falta de identidade e sentimentos coletivos, etc., do que do fato de o contexto histórico atual permitir ou não, ou ser favorável ou não, a existência do mesmo. O pan-africanismo encontra razão para existir porque ainda somos um povo escravizado, sendo que, enquanto estivermos subjugados pelos dogmas do racismo, que é a continuação da escravidão numa perspectiva moderna, deve existir a necessidade da ideologia libertária pan-africana.
O pan-africanismo é a única saída para o povo negro do mundo encontrar-se consigo mesmo num futuro de paz e liberdade O pan-africanismo é a mais eficaz ferramenta de unificação dos povos africanos do mundo, nos possibilitando pensar num real projeto de libertação negra, para além das fronteiras e identidades nacionais que limitam o nosso pensamento, nos dando um sentido para vivermos enquanto uma nação negra. Seja lá qual for os rumos e as finalidades dos movimentos negros no Brasil, pois sua complexidade e pluralidade é visível, o que mais deve deixar a comunidade negra tranqüila é o fato de existir dentro do movimento negro um segmento transformador, revolucionário e libertário, que soube, e esta sabendo, transcender na análise do contexto histórico controlado e imposto pelo opressor e buscar uma real e verdadeira saída para libertação do povo preto, sem acreditar que somente a vivência conjunta com os brancos é a única solução para os nossos problemas.
Um novo movimento negro não significa, necessariamente, a mudança dos quadros dos militantes e das ideologias políticas integracionistas que norteiam as ações e pensamentos do movimento negro social. Até porque sempre existirão os “Pai Tomas” que estarão atrelados à estrutura de Poder Branca e fazendo o jogo do opressor. Um novo movimento negro significa o surgimento de uma militância negra alternativa, liberta da cosmovisão européia de mundo, que está preocupada em trabalhar para construção de uma nação africana, seja continentalista seja diaspórica, forte e auto-suficiente. O novo movimento negro (libertário) pode e vai co-existir paralelamente ao velho (integracionista). Mas o novo é preciso e já está nascendo. O novo movimento negro é aquele que acredita que a liberdade africana do passado é a mesma que deve ser reconquistada no futuro. Ou façamos por nós mesmos em vistas de nossa liberdade e dignidade, ou deixemos os outros fazerem aquilo que nós deveríamos fazer por nós mesmo e nos dominar eternamente. Nós, do CNNC, acreditamos nessa perspectiva.
BOB MARLEY - ONE LOVE

domingo, 2 de novembro de 2008

VIOLÊNCIA CONTRA O POVO PRETO

Por Vanessa Passos. Acadêmica de Teologia. Panafricanista, Afrocentrista, Tesoureira do CNNC/BA - Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos/BA e membro do Grupo Agar -Grupo de Mulheres Pretas Cristãs. Pseudônimo: Aidan Foluke. E-mail: vanessasoares13@hotmail.com





Por Sueli Casaes. Acadêmica de Teologia. Panafricanista, Afrocentrista. Diretora de Mulheres Pretas do CNNC/BA - Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos/BA e Presidente do Grupo Agar - Grupo de Mulheres Pretas Cristãs. Pseudônimo: Manana Foluke. E-mail: suelicasaes@yahoo.com.br

Por Jose Raimundo. Bacharel em Direito. Pan-africanista, Afrocentrista. Pseudônimo: Thembi Sekou Okwui. E-mail: panafricanista@hotmail.com

"Bem aventurados o que têm fome e sede de Justiça porque serão fartos."
Mateus 5:6.

Nós declaramos total repúdio às ações praticadas por membros da polícia baiana contra a irmã preta Dara Foluke, diretora de Comunicação do Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos/BA.
As ações policiais, em regra violentas e constrangedores contra o povo preto, devem ser desconstruídas do seio da nossa sociedade, sendo a juventude a maior vítima em um país onde somos a maioria da população. E somente nós, povo preto, podemos mudar tal realidade, denunciando que o povo preto não é sinônimo de ladrão, pensamento esse advindo da escravidão, ainda que muitos teorizem, afirmem e desejem.
As incursões racistas devem ser destruídas, não apenas nas ações, mas principalmente na escravidão mental que está assolando o nosso povo, ideologicamente afetado por concepções de uma falsa democracia racial e na inércia dos detentores do poder, tanto aqueles que sofrem as ações excessivas da polícia, aqueles que dirigem os táxis e principalmente aqueles que integram a própria força coercitiva do Estado.

Sim, vivemos em uma Sociedade Racista, e nossa luta é contra esta Sociedade.
Repudiamos a ação racista do Taxista César Augusto, repudiamos a todo excesso racista coercitivo da polícia, repúdiamos ao racismo em si, repúdiamos a violência contra o povo preto!
Nós sempre pregamos o Amor ao Povo Preto, porque o amor nos une, nos liberta e nos trará a Salvação. amor integral, como um único corpo e hoje estamos feridos, porém cada vez mais fortes.
"Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vosdsa vocação; há um só Deus, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos nós, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos." Efésios 4:4-6.

Por Vanessa Passos, Ulisses Passos, Sueli Casaes e José Raimundo.
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Amada irmã Dara Foluke (Ítala Herta) nós da Família Foluke sentimos muito com o ocorrido. O que aconteceu com você nos afeta diretamente, pois somos um corpo e quando uma parte desse corpo sofre algum problema todo ele fica debilitado. E apenas se recupera por total quando essa parte comprometida volta a está 100 % outra vez. Estamos orando por ti, clamando para o Santo Espírito restaurar sua ferida e a nossa também. A Santa Escritura Africana nos diz que os exaltados serão humilhados, mas que os humilhados serão exaltados. (Lucas 18:14)
O sermão do monte em no seu versículo 6 do capitulo 5 de do evangelho de Mateus, também acalma nossos corações quando YESHUA nos diz: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Nossa amada irmãzinha lembre-se que não nossa luta não é carnal, mas sim espiritual. Pois muitas serão aqueles que desejam destruir, abalar a espiritualidade do povo escolhido, dos verdadeiros filhos de Yavé. Mas no livro de Zacarias, o próprio Yavé nos diz: ai daquele que tocar na menina dos olhos DELE!
Estamos disponíveis para te ajudar no necessário. A sua dor é a nossa dor.
Yavé permanece contigo, Yeshua te abençoa e o Santo Espírito lhe restaura sempre!

Confira o depoimento da Diretora de Comunicação do CNNC/BA, Dara Foluke:

Por Ítala Herta. Acadêmica de Comunicação Social, Pan-africanista, Afrocentrista e Diretora de Comunicação do CNNC/BA – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Dara Foluke. E-mail: italaherta@hotmail.com

"Era 00h30min de sábado quando falei para Henrique e Saturnino – dois amigos que me acompanhavam em um evento que estava ocorrendo no Centro Histórico de Salvador (Pelourinho) – que queria ir embora, pois estava cansada... Fomos! Destino? O Bairro da Boca do Rio. Nós três moramos perto uns dos outros, e dividirmos um táxi ‘amenizaria os riscos de sermos confundidos ou assaltados’ – pensamos. Ainda na saída do ‘Pelô’, encontrei minha tia (Nelma Suely), meu tio (Wilson Freitas) e meu primo (Rafael Melo), e recusei o convite de ir com eles para o ensaio do Ilê Ayê, no bairro da Liberdade, reforçando a afirmação anterior de querer ir logo para casa. Nos cumprimentamos, eles entraram no carro e eu e meus dois amigos continuamos andando em direção à Praça da Sé, onde solicitamos o serviço de táxi do Sr. Cezar Augusto da Silva Purificação. Ainda no meio do caminho, o carro do meu tio acompanhava o táxi e nos cumprimentamos de longe. Tudo parecia muito tranqüilo dentro do carro: conversávamos apenas sobre o final daquela noite, sobre o evento, sobre o lugar por onde passávamos...Chegando ao início da ladeira da Fonte Nova, o taxista parou o carro e alegou que uma das portas se encontrava aberta. Abri e fechei minha porta e pedi aos outros que conferissem as outras portas. Todos disseram ‘Não tem nenhuma porta aberta!’, e eu complementei: ‘Por favor, taxista, leve o carro adiante, pois tenho medo de assalto.’ Olhando pelo retrovisor, ele ligou a lanterna do seu carro, sinalizando algo. Nenhum dos três entendia o motivo d’ele ter parado naquele local, àquela hora... Nesse mesmo momento, ainda com o carro parado, Cezar Augusto começou a gritar e a se debater dentro do carro. De maneira muito rápida, travou as portas do veículo com os três dentro e saiu do carro gritando e afirmando que era um assalto, que eu e os meus dois amigos éramos assaltantes! Neste exato momento, uma viatura da polícia civil pela qual nós tínhamos passado sem perceber, antes da ladeira, atendeu aos sinais e acusações do taxista.Com armas em punho, os policiais gritavam e mandavam todos deitarem no chão. Eu e os meus amigos, desesperados com os gritos e as acusações do taxista diante da polícia, saímos pela única porta aberta do táxi. Nesse momento, eu caí de cara no chão... Os meninos já estavam rendidos. Eu levantei com a roupa toda ensangüentada e desesperada, pedindo para que os policiais não atirassem, porque nos éramos inocentes. Disse que a abordagem deles era ilegal e um dos policiais pegou no meu braço, me jogou no chão, e em voz alta e com sua arma apontada para minha cabeça, falou: ‘Cala a boca, sua puta! Ilegal o quê, sua vagabunda?’. Me viraram de costas. No chão e com a cara no asfalto, rendida, começaram a me revistar, levantaram minha blusa. Procurando a arma, abaixaram a roupa de Saturnino. Henrique, também rendido pelos os policiais, clamava para nenhuma daquelas armas disparar contra nós.Lembra do meu tio? Deus que o colocou no nosso caminho, atendendo ao pedido do meu primo, que reconheceu que o táxi parado era o meu. Eles pararam o carro a alguns metros de distância e subiram a ladeira correndo, gritando pelo meu nome, pedindo para não atirarem, pois eram pessoas inocentes que se encontravam no chão. Minha tia, já pensando o pior ao me ver no chão, ensangüentada.Ainda no chão, os três humilhados e rendidos, olhávamos para o taxista, que a essa altura já tinha se tocado da atrocidade que havia cometido. Porém, o acontecimento não acabou por aí. Nós fomos interrogados no local, e fomos encaminhados – e não, acompanhados – à delegacia, o que significava que as vítimas não eram Ítala, Saturnino e Henrique, mas sim o taxista!Levei cinco pontos no queixo e ainda estou com hematomas no meu corpo. Na delegacia, fizeram meus amigos mostrarem se realmente tinham dinheiro para pagar o serviço de táxi.

É foda! tornar público é amenizar a dor desta humilhação!!

Inha e Jack estamos juntos e fortes sempre!!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A MULHER NO RASTAFARIANISMO


Por Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

 
Considero o rastafarianismo um dos movimentos mais importantes da luta da emancipação do povo preto em diversas regiões do planeta no século XX e suas influências ainda hoje são de vital importância.
A história escrita pelo modelo de sociedade patriarcal, machista, sexista, autoritário e branco omite a participação das mulheres e quando o fazem, colocam-na como procriadoras e subservientes, a serviço exclusivo dos homens.
Não sendo eu um rastafári as minhas observações e ilações virão de uma análise superficial, convido as mulheres e homens rastafáris e a comunidade preta para um devir mais acurado da posição da mulher no rastafarianismo. E falar de gênero é esmiuçar relações sociais de poder onde está inserido o saber, a linguagem e o corpo; na criação e divulgação de estereótipos e na violação da alteridade.
Conversei com algumas irmãs e fiz leituras de artigos, convido-vos a realizarmos um olhar sobre a mulher no rastafarianismo, onde tentarei analisar alguns ângulos indicativos da predominância do homem, deixando em desequilíbrio os gêneros o que implica em perdas relevantes para a formação das pessoas, a formação educativa das crianças, a compreensão do mundo e da vida, refletindo-se na convivência diária na busca do viver panafricano e afrocentrado.
Compreender como o poder da linguagem androcêntrica, a não equidade das posturas, a negação da partilha dos saberes e a opressão das emoções, dentro do rastafarianismo, são temas amplos, portanto, que não pode ser esgotado em um artigo de blogger.
É de suma importância salientarmos a posição das mulheres pretas nas organizações que se propõem libertárias dentro do sistema babilônico opressivo; a mulher preta é o principal baluarte e mantenedor de esperanças, quando voltamos aos estudos do tradicionalismo africano, lá encontramos sem nenhuma dúvida como gestora do equilíbrio: a mulher preta. Hoje a função do pensamento afrocentrado e panafricanista, em redescobrir olhares e posições, a questão de gênero torna-se fundamental na compreensão da busca para Zion.
É necessária a libertação mental objetivando desenvolvermos uma relação verdadeiramente amorosa, solidária, paritária e respeitosa entre os gêneros.
Muito admirável é o tratamento honorifico prestado pelos homens às mulheres as chamando de rainhas ou irmãs, especialmente em homenagem a grande mulher preta da Etiópia, Majestade Imperial Imperatriz Menen, esposa do Imperador Haile Selassié.

Para a sua análise algumas regras difundidas pelo rastafarianismo sobre a “posição das mulheres” na organização:

MULHER NYABINGHI
A mulher nyabinghi deve reger-se pelos princípios rastafari, durante o encontro as mulheres têm como responsabilidade cuidar das crianças e ensinar-lhes os princípios rastafari. A mulher Nyabinghi não toca o tambor durante o encontro mas pode tocar alguns instrumentos de percussão. Deve manter uma postura modesta durante o encontro, não usar calças e manter o cabelo coberto. Como H.I.M. (Selassie) é o Ser supremo do encontro Nyabinghi , a rainha deve reconhece-lo como tal, em caso de conflito com o seu companheiro também deve recorrer à ajuda dos padres para em conjunto e de um modo privado e construtivo encontrarem a solução do problema.
Durante o seu período de menstruação a rainha/sister Nyabinghi não deve comparecer nos encontros, quando a mulher Nyabinghi tem um filho não deve estar presente nos encontros durante 3 meses e no caso de filha o período é de 4 meses. A mulher Nyabinghi deve abster-se das condutas imorais, adúlteras e que, no geral, vão contra os princípios de JAH. Deve manter-se longe do álcool, carne, drogas e toda alimentação não Ital, tem de estar longe de actividades corruptas e criminosas e como uma verdadeira filha de JAH rastafari deve pugnar pela paz. A mulher Nyabinghi pode usar jóias, mas não pode furar as orelhas, porque é contra a vontade de JAH.
http://redmeditation.vilabol.uol.com.br/rascultura/rastafarianismo.htm

Mulheres no Rastafarianismo:
O papel das mulheres Rastafari
· Mulheres são conhecidas como Rainhas
· O principal papel da mulher é cuidar de seu Rei
· As mulheres são consideradas subordinadas aos homens
· As mulheres são consideradas como dona-de-casa e cuida das crianças

· As mulheres não devem cometer infidelidade
· As mulheres não são chamadas de Rastafari, senão por seus maridos
· Mulheres não podem ser líderes
· Os homens são os chefes espirituais da família
· As mulheres não devem cozinhar para seus maridos quando estiverem menstruadas
· As mulheres não devem usar maquiagem, vestir roupas promíscuas, ou usar produtos químicos em seus cabelos
· As mulheres não devem usar controle de natalidade, uma vez que é considerada uma tática européia para reprimir o desenvolvimento da população Africana. Isto se baseia no Antigo Testamento na profecia que "As sementes de Israel será inumeráveis '
· As mulheres também devem se abster do aborto que é considerado crime
· As mulheres devem cobrir os cabelos para orar, em consonância com o ensinamento bíblico em 1 Coríntios 11:5: "E qualquer mulher que reza ou proclamar a mensagem de Deus no culto público sem nada na cabeça desacredita o seu marido..."

http://www.bbc.co.uk/religion/religions/rastafari/beliefs/women.shtml
As vozes de mulheres pretas tem questionado posturas machistas que usam indevidamente a Bíblia e textos paulinos para a manutenção da opressão feminina, que é anti-bíblico e anti-africano.
A cantora de reagge Sister Carol declarou:
“Mas se continuarmos a suprimir o lado feminino, então encaminhamo-nos para o caos. Porque existe um demasiado desequilíbrio neste momento. Tem que existir equilíbrio. As mulheres devem ser representadas. Devem ser reconhecidas. Elas devem ser amadas e acarinhadas e veneradas e respeitadas e devem lhes ser dada a oportunidade para que possam contribuir para a sociedade. Tal como acontecia antigamente no Egipto e mesmo antes.Por isso, eu tento trazer à luz uma renascença ou um renascimento pelo respeito da mulher. Porque se me desrespeitam e se continuam o desrespeito para com a Mãe África, a Mãe Natureza, a mãe do universo, então dirigimo-nos para a extinção…” http://www.portaldoreggae.com/portal/modules.php?name=News&file=print&sid=873

Diversos fatores contribuíram para o aumento da deformação patriarcal através da escravidão, colonialismo, imperialismo e neocolonialismo afetando a África pós-colonial e as relações entre gênero na diáspora forçada, sendo repetidos, infelizmente, na família preta e em diversos setores do Movimento Negro.
A igualdade entre os sexos é uma característica típica das mais antigas e equilibradas sociedades, de acordo com as reivindicações dos modernos estudos sobre o matriarcalismo.
Outro fator importante para entendermos o processo deformativo do patriarcado é sobre a transformação lingüística, porque através da palavra vem à dominação de gênero, através do uso da linguagem vem à opressão, o domínio das emoções. A mudança das línguas originais dos povos africanos e afro-diásporicos afirmou o poder patriarcal.
As traduções do hebraico e do grego têm modificado culturas matriarcais no forçar do poder masculino em sociedades equilibradas, muitos estudiosos e estudiosas questionam as exegeses e hermenêuticas, afirmado a manipulação de tradutores que forçam o androcentrismo em muitos textos do Primeiro e do Segundo Testamento. Urge desconstruir paradigmas androcêntricos e patriarcais e se construir uma exegese e hermenêutica de gênero para entendermos o desejo de Javé para todas e todos que como os rastafáris usam o seu Santo Nome. Não podemos usar o nome de Javé para oprimir as mulheres. Javé não é machista, patriarcalista, androcêntrico e opressor.
Dedication to Rastafari Women


A sociedade matrística, a que precede o surgimento do patriarcado, foi uma sociedade de real equilíbrio entre gêneros, onde as reações eram bem diferentes das nossas. O advento da sociedade patriarcal trouxe o desequilíbrio, a violência, a ganância, a submissão das mulheres.
As nossas ancestrais na África e nos diversos momentos migratórios para povoar o planeta, também, no seqüestro forçado para a escravidão na América, demonstraram que a mulher preta tem sido a nossa força de resistência. A conseqüente tentativa de reelaboração do viver africano adaptado a realidade cruel da escravidão e racismo, fez-nos os homens pretos a copiar relações de subserviência feminina não encontrada nas mais antigas comunidades africanas, mas, desenvolvidas primeiramente nos climas gelados onde sociedades também matriarcais, se transformaram em sociedades patriarcais, opressivas e escravagistas e desenvolveram práticas que não devem servir de exemplos em uma vida afro-diásporica e de repatriação mental.
O movimento rastafári tem-se modificado substancialmente desde as suas origens e hoje há grupos que fazem interpretação do movimento conforme o seu bem querer: na negação da mulher preta defendendo o casamento inter-racial com mulheres brancas, segundo eles não mais representam a Babilônia.
Lutan Fyah - Woman of Principle - Original!


Na Jamaica diversos questionamentos surgem sobre a opressão das mulheres, como uma continuidade do modelo patriarcal escravagista e cristão europeu, o qual oprimiu e estabeleceu relações econômicas e sociais as quais foram incorporadas no relacionamento de gênero e influenciou no tratamento dados por homens as mulheres pretas na sociedade e conseguintemente no rastafarianismo. Estruturou-se um poder masculino com regras opressivas baseado na dependência psicológica, deformando o modelo familiar, econômico e religioso ancestral, a contraponto do cristianismo de matriz africano e das religiões africanas.
As irmãs e rainhas são grandes mantenedoras das famílias comercializando produtos, como cestas, tapetes, malhas, vassouras, etc, e muitas mulheres são analfabetas, proibidas de usarem perfumes porque “atrairão” amantes e paradoxalmente os homens praticam sexo livremente com quantas parceiras desejarem, entre outros comportamentos questionáveis. Tenho observado que homens tem se aproveitado do movimento rastafári e usando os dreads, para o turismo sexual com as mulheres brancas representantes de modelos econômicos opressivos; realmente um paradoxo no movimento original.
Conheço homens seguidores do rastafarianismo que não concordam com essas posturas e como dizem a Babilônia é mentirosa. E afirmo que a mulher sendo tratada como uma posse do homem para o seu bel-prazer e satisfação das suas vontades é anti-africanismo, decididamente é a cópia do modelo branco excludente, o qual o rastafarinismo se propôs a combater.
Quando estudamos o rastafarianismo não podemos deixar de citar a grande Rita Marley que pelo seu exemplo de mulher preta, tem inspirado novas gerações de mulheres a questionar o poder masculino, entre as suas citações:
"Há uma linha no interior da fé, tanto quanto o homem e a mulher estão envolvidos. Nos primeiros tempos o homem humilhava as mulheres - por causa da nossa humildade. Mas depois percebemos que Deus não tem um significado egoísta - Tomou uma mulher e um homem para mostrar a beleza, ao criar os seres humanos. A mulher dá o nascimento até o homem: ela suporta e alimenta a fruta... Dentro da fé, as mulheres têm vivido através dela. Eu tenho os ajudado, penso eu, para superar essas coisas. Eu sei que estou sendo usada como um exemplo para as mulheres Rastas. Estamos orgulhosas de sermos quem somos. Dignidade e autoconfiança... Tudo está dentro de você. Constrói sobre o que você faz melhor. A Bíblia diz cantores e tocadores de instrumentos devem estar lá. Nós temos uma responsabilidade, um destino, um trabalho... fazendo o certo, fazendo isso bem...”A vivência dos verdadeiros homens rastafaris com as rainhas pretas, as mulheres originais, as mais belas e sabias de toda a humanidade e louvável e tem que ser admirado e difundido; sendo necessário que as nossas rainhas e irmãs sejam inseridas realmente compartilhando todos os momentos da vida, não somente, como mãe, irmã, filha e companheira. É aquela que deve tocar também o tambor sagrado na comunicação com a ancestralidade e com Javé, educar, administrar, orientar a família preta e planejar uma sociedade equilibrada e matriarcal.
Deixo-vos palavras de pessoas pretas para a vossa meditação:

Gênesis 1:27 - Criou, pois, Deus a humanidade à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
'O sistema foi desenhado para manipular as mulheres e fazê-las aparecerem como inferiores incompetentes e sem inteligência. Não respeito pessoas que não respeitam as mulheres. As mulheres e sua dignidade têm de ser respeitadas'.
Peter Tosh
Bob Marley - No Woman No Cry (Live)








ACESSE PRETAS POESIAS:

sábado, 11 de outubro de 2008

IGBOS - OS JUDEUS NEGROS NA NIGÉRIA


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br


Os Ibos (Igbo) são um dos maiores grupos étnicos na África, tendo a maioria da população concentrada na Nigéria, dominando parte do sul e o oeste desta com cerca de 25 milhões de pessoas. Encontram-se também em Camarões, Guiné Equatorial (Ilha de Fernando Po), Gana, Serra Leoa, Costa do Marfim, Gabão, Libéria e Senegal e atualmente milhares nos USA.
A tradição oral mais antiga afirma que sua presença, no que é chamada de Terra dos Igbo, decorre de mais de 1500 anos.


Face feita em bronze. Os Igbos foram os primeiros a desenvolver a metarlugia com grandes técnicas.

Os Igbos envolveram-se no conflito mais sangrento da história do continente africano no século XX, a guerra de Biafra (1966-1970), que resultou em cerca de um milhão de mortes, Igbos em sua grande maioria.
De 1995 a 1997 o Primeiro Ministro de Israel Yitzhak Rabin, de origem Askenazi - população caucasiana européia convertida à religião dos hebreus a cerca de 1000 anos atrás, originários da região da Geórgia, no antigo reino da Kazaria, e que hoje se auto-determinam Benei-Yisrael (Linhagem de Sangue dos Hebreus) - enviou uma equipe para a Nigéria em busca das tribos perdidas de Israel, objetivando constatar a história do povo Igbo que guardam as tradições hebréias bem antes dos Askenazis.
No momento, existem 26 sinagogas em toda a Nigéria e a comunidade de Hebreus Igbo está estimada em cerca de 40000 pessoas, em uma população total de 140.000.000 de igbos, yorubás e outros grupos étnicos. Algumas das maiores comunidades incluem o Instituto Gihon em Abuja, assim como as comunidades do sul, como Port Harcourt. A Ibo Benei Yisrael atualmente é liderada pelo conservador / Masorti Rabino Howard Gorin.
Algumas fontes afirmam que havia a presença de hebreus na Nigéria a partir de 638 a.C. Acredita-se que os Hebreus retornaram para a África após a destruição do Primeiro e Segundo Templo, em Jerusalém, e estabeleceram comunidades em todo o continente Africano.

Hebreus cativos na Babilônia

Outras fontes sugerem que descendentes de hebreus também poderiam ter surgido a partir de migrantes de Djerba, na Tunísia, que tinham fugido para o Norte de África após a destruição dos templos.
Na história recente há provas incontestes de outros grupos de hebreus estabelecendo-se no sul da África subsaariana e a oeste em toda a África do Norte, possivelmente seguindo o caminho da conquista árabe.
Através da mais antiga tradição oral, os Igbos afirmam ser de ascendência Israelita e descendentes diretos de três tribos de Israel: Gade, Zebulom, e Manassés. Alguns sustentam que, entre as famílias da comunidade estão os descendentes de Cohanim (descendente masculino de Arão, irmão de Moises) e Levitas, sacerdotes hebreus e seus assistentes, que cuidavam do Templo de Jerusalém. A comunidade nigeriana hebraica é composta quase exclusivamente de descendentes de Cohanim.

LINHAGENS
Os Igbos apresentam três linhagens que definem sua ascendência:
Benei Gath: Os Igbos afirmam que descendem da Tribo de Gath ben-Ya `aqov (Gade), que foi o 8 º filho do patriarca Israelita Ya` aqov (Jacó). Este grupo tem vestígios da sua linhagem através de Eri ben-Gath, filho de Gade. Os clãs a partir desta linhagem são compostos pelos Aguleri, Umuleri, Oreri, Enugwu Ikwu, Ogbunike, Awkuzu, Nteje, e Igbariam.
Benei Zevulun: Os Igbos afirmam serem descendentes da tribo de Zevulun ben-Ya `aqov (Zebulom), que foi o 5 º filho de Ya` aqov (Jacó). Esta linhagem compreende os Ubulu Okiti e Ubulu Ukwu, no Estado Delta, que se fixaram na Ubulu Ihejiofor. Segundo a tradição oral, é dito que um descendente da Tribo de Zevulun chamado Zevulunu, aconselhado por certo Levita, a casar-se com uma mulher de origem Oji, que era descendente da tribo de Judá, e a partir desta união nasceu Ozubulu ben-Zebulunu. Diz-se que Ozubulu teve quatro filhos que se fixaram em outras regiões. Esses filhos foram: Amakwa, entre os quais um clã no Neni, o descendente do estado de Anambra, e Egbema, de quem o clã está em Egbema Ugwuta, no estado de Imo e no clã Ohaji Egbema, descendentes no estado dos Rios.
Benei Menashe: Igbos também são descendentes da Tribo de Menasheh ben-Yoseph (Manassés). Menasheh foi um dos netos de Ya `aqov (Jacó) através do seu 11 º filho Yoseph (José). De acordo com a Torá, Jacó reivindicou tanto Manassés e quanto seu irmão Efraim como seus próprios filhos. Sua linhagem é descrita como os Amichi, Ichi e Loures-Ichi.

Ibo Benei-Yisrael: Família do Clã Ozubulu na Nigéria.

É bem possível que certamente os Ibo Benei-Yisrael descendem da família dos sacerdotes levitas, migrantes de Jerban (Tunísia), já que estes afirmaram ter saído de Judá e fixaram-se no Norte da África antes e depois do 1º e 2º templo, em Jerusalém. O cenário mais provável é que os antepassados dos Ibo Benei-Yisrael foram constituídos de clãs familiares de israelitas que, por diversas razões, deixaram Israel antes e durante o exílio assírio e babilônico. Isso explicaria como sua tradição oral contém as tribos originarias desses clãs especificados.
No século IX o judeu-viajante Eldad ben-Mahli (Eldad, o Danita), afirmou que o Ibo Benei-Yisrael pode ser descendente de vários membros das "Tribos Perdidas de Israel." Ele argumentou que os judeus da África vieram das tribos de Dan, Naftali, Gade e Aser, os quais tinham fugido da Terra de Israel, de modo a não participar da guerra civil entre Israel e Judá durante o tempo de Jereboão, adversário de Roboão (Filho de Salomão) (922-901AC ou 931-910 AC). Eldad sustentou que esses judeus inicialmente estiveram em Havilá, além dos rios da Etiópia. Possuíam uma cópia do Tanach, menos os livros de Ester e Lamentações. Esses judeus não tinham conhecimento da Mishna ou Talmude babilônico, mas possuíam sua própria tradição Talmúdica em que todas as leis foram creditadas aos Yehoshua bin Nun, que as recebeu de Moisés.
O Primeiro Testamento relata fatos que ocorreram principalmente na Afro – Ásia, e como sempre tenho escrito, era um só continente antes da criação do canal de Suez pelos europeus, é de mister importância estudar as relações comercias dos hebreus; entre elas, cito um dos períodos mais prósperos de Israel, o reinado de Salomão e as viagens mercantes:
I Reis 10:22 - Porque o rei tinha no mar uma frota de Társis, com a de Hirão; de três em três anos a frota de Társis voltava, trazendo ouro e prata, marfim, bugios e pavões.
Eze 27:12 - Társis negociava contigo, por causa da abundância de toda a casta de riquezas; com prata, ferro, estanho e chumbo, negociavam em tuas feiras.
Nas escavações em sítios arqueológicos na Nigéria e especialmente na terra dos Igbos encontram-se centenas objetos feitos em bronze e chumbo representando navios, demonstrando que essa civilização realizou viagens longínquas e foram exímios marinheiros e comerciantes.
Teólogos e historiadores brancos que tentam negar o conhecimento africano chegam ao cúmulo do ridículo e afirmam que Társis foi a região da Bretanha ou da Península Ibérica, que na época possuía marfim, ouro, pavões, prata, ferro, bronze... Sem comentários.

PRÁTICAS RELIGIOSAS
Os Igbos praticam diversas religiões sendo o cristianismo seguido pela maioria da população. Nas religiões tradicionais chamam a Deus pelo nome de Chukwu "Chi" (ser espiritual) e "Figueira da Foz", sem distinção de gênero, sendo impossível descrevê-lo. É Onipotente e Onipresente, o ser humano, a terra e o céu estão sobre o seu controle e a sua vontade. É o que gera todas as coisas, em algumas comunidades Igbo o significado pode ser também olisa (orisa). O Mundo espiritual é a morada do criador também dos orixás, dos desincorporados e espíritos malignos e do espírito ancestral. É a futura morada do ser vivo após a morte. . O mundo dos mortos é cheio de atividades sobrenaturais. Entre o homem e Deus estão os espíritos dos antepassados do homem que viveu de acordo com as leis e costumes comunitários e que tenha praticado a sua sabedoria para aqueles que vivem na terra.
Muitas práticas religiosas Igbo apresentam marcantes semelhanças com costumes judaicos mencionado no Torá e mesmo nos dias de hoje. Esses costumes incluem: circuncisão com oito dias após o nascimento de uma criança do sexo masculino, a proibição de comer animais impuros, separação das mulheres durante o ciclo menstrual, a colocação de Tallit e Kippah, e as comemorações de feriados como o Yom Kippur e Rosh Hashaná. Nos últimos tempos, as comunidades têm adotado feriados, como Hannukah e Purim, que só começaram a ser observados depois de muitas das tribos de Israel já terem se dispersado.
Um fato interessante é o relacionado à Figueira no Primeiro Testamento que representa o povo hebreu (Israel).


Rabino Howshua Amariel apresenta Rabino Ben Oi Daniel, o chefe da Comunidade Judaica Igbo com uma placa.

Quando os primeiros missionários fizeram a sua invasão na África Ocidental, o clã Ozubulu do Ibo Benei-Yisrael resistiu à cristianização e nunca se converteu. Nos últimos anos, os descendentes de Ozubulu estão modernizando muito a antiga forma de fé que os seus antepassados praticavam.
Há também entres os Igbos uma forte presença cristã católica. Tanto assim que o Cardeal Francis Arinze é de origem Igbo, nigeriano, líder da Igreja na África e foi amigo próximo do Papa João Paulo II. Arinze é considerado um conservador, mas um interlocutor crucial para melhorar o diálogo do Vaticano com grupos muçulmanos, budistas e hindus, principalmente nos países empobrecidos, filho de um chefe Igbo, nasceu em 1º de novembro de 1932 e foi um dos cardeais cotados para ser escolhido como Papa.
Os Igbos têm como a sua principal alimentação o inhame e realizam festivais anuais de agradecimento pela colheita, sendo usado também na medicina e rituais religiosos oferecidos às divindades e aos ancestrais.
Com o tráfico de africanos durante a escravidão, milhares de Igbos foram seqüestrados paras as Américas e dispersos para colônias como a Jamaica, Cuba, Haiti, Estados Unidos, Brasil, Belize, Trinidad e Tobago, entre outros. Elementos da cultura Igbos ainda podem ser encontrados nestes locais.


Universitárias Igbo na Nigéria.

É uma minoria da população Igbo que continua resistindo e seguindo a religião dos seus antepassados hebreus, após sofrerem a invasão dos países brancos cristãos e de pretos islamizados.
Além dos Igbos serem de origem Hebraica, estudos têm demonstrado que outros grupos de pretos africanos também a possui. Há indícios de que os Yorubás, um dos principais grupos étnicos da Nigéria, importante referencial das pretas e pretos no Brasil, também possui origem hebraica, sendo tema de um futuro artigo.

Jews of Nigeria 2 - Shabbat Service 1ab

domingo, 21 de setembro de 2008

PEDAGOGIA AFROCENTRADA

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Poesta, Pan-africanista, Afrocêntrico  E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Desde implementada a lei 10.639, e posterior reformulação na lei 11.645, universidades, escolas e movimentos sociais buscam alternativas e novas práticas pedagógicas para sua implementação. Dirimam respostas de melhor obter sucesso na elaboração de material didático, como dizem, contemple os diversos falares brasileiros.
Entretanto, não se deve omitir que a história da pedagogia e suas práticas nunca contemplaram os africanos no Brasil. Na elaboração dos diversos materiais, os quais vêm a meu conhecimento, noto a falta de concepções afrocentradas. Não nego, contudo, as contribuições e propostas para a formação de uma educação crítica realizada por educadoras e educadores discordantes da educação privilegiada aos valores eurocêntricos.
Mister ressaltar que desde a década de 80 do século passado além de mim outros educadores e educadoras na Bahia voltaram as suas preocupações para um ensino direcionado a África, necessário a formação do nosso povo, a saber: Ana Célia, Valdina Pinto, Arany Santana, Jorge Conceição, Manoel Almeida e entre outros.
Entre os poucos evento e palestras, foi ministrado um curso no CEAO (Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia) em 1986 que ampliou a visão dos conhecimentos acerca do continente africano, sendo um dos professores, ministrando a matéria geografia da África, Jorge Conceição, nome que não deve ser esquecido na história da militância preta no Brasil quando trabalharmos os estudos africanos e propostas alimentares necessários ao reencontro da ancestralidade.
Há um desconhecimento ou omissão da história recente do Movimento Negro Brasileiro acerca de diversas conquistas das décadas de 80 e 90 do século XX, especialmente no que concerne a propostas educacionais, decisórias na transformação do agir da sociedade brasileira e resultou em um movimento negro mais consistente e aguerrido. Hoje as propostas educacionais são a continuidade de discussões e trabalhos feitos por mulheres e homens pretos que enfrentaram a academia de valores europeus afirmando que a educação era excludente e racista, entre esses nomes se destacam o de Manoel de Almeida Cruz e de Ana Célia Silva, a qual na minha concepção, é uma das maiores intelectuais que marcou e marca a história da educação nesse país.
Na resistência de elaboração de propostas educacionais a contribuição de um amigo já falecido que ousou discutir uma nova fórmula pedagógica, deve ser sempre relembrada: Manoel de Almeida Cruz. Publicou em 1989, ALTERNATIVAS PARA COMBATER O RACISMO SEGUNDO A PEDAGOGIA INTERÉTNICA.Manoel elaborou um projeto de pedagogia que deve ser discutido e lembrado por educadores e militantes pretos mais jovens, uma proposta revolucionária para a época e nos traz ainda hoje reflexões, apesar de falhar em não ter uma dinâmica afrocentrada, foi um marco feito há 19 anos.
Não foi compreendido por diversos setores do Movimento Negro, inclusive considero que há ainda um autofagismo que deve ser discutido e curado entre nós. E faltou-lhe o apoio necessário dos setores acadêmicos em uma maior divulgação. A lembrança de Manoel Almeida nos mostra a capacidade que temos de gerir os nossos caminhos, foi ela um marco advindo de um sociólogo preto sem mídia, poder e dinheiro. Leia mais sobre a obra de Manoel Almeida.
No que concernem as propostas pedagógicas, o ensino da história é fundamental como base de iniciação de pressupostos de encaminhamentos. A história por ter sido manipulada e mascarada tornou-se objeto de questionamentos no âmago de formação educacional, permitindo rever normas há muito inquiridas em uma sociedade herdeira de um modo de produção escravagista e conseguintemente anti-preto e anti-África.
As diversas escolas pedagógicas não contemplam as necessidades de uma população afro-diasporica no caminho de afirmação como povo, porque não há um reconhecimento positivo da nossa herança africana e, se trabalhou de diversas formas que a herança fosse esquecida na divulgação de uma sociedade sem conflitos, de um povo miscigenado, morenado, mulatado, de diversas colorações epiteliais, sem identidade e sem perspectiva afirmativa, restando o seu encontro da falsa felicidade no espelhar e desejar se apropriar do passado do seu escravizador e renegar o seu passado histórico. Foi este ato pedagógico bem planejado objetivando que ficássemos alienados, o qual não obteve êxito pela reação especialmente através de educadores e educadoras pretas, e não posso deixar de citar na minha formação de militância a saudosa Bia (Maria Beatriz do Nascimento) a qual considero a minha mentora na luta contra a discriminação racial e inúmeras conversas e encontros com a saudosa Lélia Gonzalez.
No momento que a percepção dos estudantes é aguçada, trabalhada, provocada na afrocentricidade há o encontro dentro do âmago e surgem os questionamentos de que algo está errado, e a criticidade permite a introjeção analítica de como são vistos na sociedade brasileira, e concomitantemente aos educadores e educadoras buscarem alternativas de uma nova visibilidade real da sua africanidade. Ocorre apenas quando os educadores e educadoras renascerem na sua pretitude, sendo este é o maior desafio na educação.
Alguns questionamentos os educadores e educadoras pretas necessitam refletir quando se deparam com esses desafios:
- Como educar na afrocentricidade se ainda estou embranquecido nos meus conceitos pedagógicos?
- Como educar na afrocentricidade se ainda vejo os estudantes pretos com os olhares discriminatórios?
- Como educar na afrocentricidade se ainda repito os conceitos de que os estudantes pretos são incapazes?
- O que posso fazer e como procurar ajuda se ainda não me encontrei na minha africanidade e tenho que ser o condutor-educador de formação de consciências de crianças, jovens e adultos que como eu sou o próprio instrumento de libertação?

Estas perguntas e outras deveriam ser feitas por todo educador e educadora preta que recebe os novos desafios educacionais e se compromete em transformar a escola como força-motriz geradora de mudanças sociais; apesar de ter que enfrentar oposições constantes de mentes escravizadas.
As idéias perpassadas de que somos somente um povo originário do tráfico africano, demarca a nossa história criando uma poderosa mentira e negação de milhares de anos formativos de desenvolvimento africano e afro-diásporico civilizatório, outrossim, faz com que haja a idéia de uma simples adequação ao modelo educacional vigente, o qual afirma as diferenças e dessemelhanças, com um único padrão copiado e defendido pelas elites descendentes de escravizadores: o modelo educacional branco.
As propostas “inclusivas” no currículo escolar, na concepção de muitos educadores, perpassam apenas com participações de danças, cantos e manifestações do lúdico, que de longe não contemplam integralmente a verdade histórica do resgate da afrocentricidade da educação e filosofia educacional afrocentrada, a qual poderá urgentemente reformular o cerne metodológico-histórico-pedagógico. Apenas afirmam que nunca estivemos dentro do modelo educacional vigente e mais uma vez a tenacidade de militantes pretos tem que fazer a diferença, apesar de que falta o interesse maior de educadores e educadoras pretos e pretas formados no academicismo ocidental e desconhecem que foram as maiores vitimas do racismo, sendo educados como reprodutores da dominação e da escravização mental reproduzida nas salas de aula, principalmente através dos livros didáticos base da formação na infância os quais ainda continuam nas salas de aula. Um bom início de desconstrução é ler os livros da Profa. Dra. Ana Célia Silva da UNEB (Universidade Estadual da Bahia), especialmente “A discriminação do negro no livro didático” e “A representação social do negro no livro didático: o que mudou?”Não há mais uma proibição normativo-pedagógica de trabalhar a história e a afrocentricidade como o caminho restaurador das mentes dominadas por valores eurocêntricos; existe o medo das mudanças de se olhar a si mesmo como um educador-condutor da liberdade e, não um escravizado-condutor da paidagogia helênica.
Ainda é totalmente questionável a apresentação de discursos e práticas de educadores pretos e brancos, quando problematizam e propõem alternativas para a formação dos estudantes, desconhecendo a história do saber, o inicio da capacidade humana de construir conhecimento. Simplesmente recorrem à pedagogia grega, como o início estrutural e formativo da educação no planeta. A pedagogia não é originária da Grécia, apesar da palavra paidagogia ser de origem grega. O início do saber e de diversas maneiras de educar é africana.
Os gregos aprenderam com os africanos que a educação constituiria o início de todo esforço humano. Ela seria a justificativa ao mesmo tempo da existência individual e do grupo. A palavra educar (em Latim, educare) é uma tradução do grego paidagogia: pais (criança) e ago (conduzo), que significa a educação integral da pessoa: física, estética, moral, intelectual e religiosa. A própria percepção helênica, apesar de ser repetida por pedagogos e pedagogas não é desenvolvida na formação educacional, e temos que ressaltar que o conhecimento grego foi uma cópia dos conhecimentos de Kemet (Egito) e dos primeiros pretos que desenvolveram a civilização em terras da Grécia. Nas cidades-estados da Grécia ensinavam-se concepções escravagistas, sexistas e patriarcais, bem diferentes do saberes africanos ancestrais e matriarcais.
As mentes estão infectadas pelas mentiras eurocêntricas, dos seus racionalismos e cartesianismos que apregoam nas formações acadêmicas a incapacidade africana e ensinam com desenvoltura o “saber” surgido na Grécia e desenvolvido no mundo ocidental branco. Se a base formativa do conhecimento, do saber, é helênica, e os métodos pedagógicos usados na escola originam-se de educadores e filósofos ocidentais, nada como se adequar a estas escolas e adaptar as alternativas educacionais ao pensamento do construtivismo de Jean Piaget e de Emilia Ferrero, e de outras concepções européias. Aflorar nas discussões as propostas de Paulo Freire como metodologias a serem inseridas nos projetos escolares, sem maiores contestações ao que o povo preto entende e almeja como construção de uma liberdade educacional afrocentrada.
As alternativas pedagógicas atualmente defendidas são de uma simplória inserção no currículo escolar, especialmente através do ensinamento da história sem criticidade e moldada em autores e autoras que entendem a história africana como uma simples contribuição na formação da sociedade brasileira, infelizmente está obtendo sucesso, aliás, tornando-se verdadeira e validada pela maioria de educadores e educadores desconhecedores da afrocentricidade, cujo desenrolar de ensinamentos é de contribuir na difusão de conhecimentos de inclusão, com ensinamentos de uma África colonizada e distribuída para os seus algozes após a conferência de Berlim. Uma África que se restringe ao Golfo de Benin e a Angola, esquecendo-se que o tráfico seqüestrou populações de diversões rincões e de múltiplas culturas, inclusive islamizadas. Negando a diversidade cultural africana e sua diversidade através de migrações antes do tráfico que povoou e civilizou regiões diversas em todos os continentes. Recorta-se o conhecimento de um continente quase quatro vezes maior do que o Brasil. Nega-se a sua formação como originário de civilizações incluindo a Ásia, Oceania, Américas e Europa antes do surgimento das populações brancas.
É de práxis o entendimento dos diversos questionamentos realizados por educadores e educadoras militantes do Movimento negro sobre o modelo educacional vigente no Brasil, deram o primeiro passo de negação e contestação das práticas pedagógicas eurocentradas. Disseram não e propuseram novos modelos, mas faltou nessas propostas a afrocentricidade e esse é o desafio. Conclui-se da discriminação na educação brasileira e caminhos novos teriam que ser tomados de inserção da população preta, de dar visibilidade, de se conhecer o que chamam de “contribuição do negro” na formação da sociedade brasileira. Mas, não houve ainda a formulação de uma pedagogia afrocentrada, pois a afrocentricidade é um renascer preto da consciência, alterando-se o foco de aprendizado europeu que busca a mera inclusão discursiva, baseada na democracia racial, a proposta da afrocentricidade caminha-se para a PRÁTICA de resgate e a vivência histórica da África, a mãe-geradora do conhecimento da humanidade. Temos sempre quer dizer aos estudantes quando ministramos aulas em todas as áreas: A África é a matriz de todo o conhecimento humano.
A pedagogia eurocêntrica é inserida a todo o momento através da comunicação especialmente do poder televisivo. A mídia tornou-se o grande caminho de desconstrução das diversas tradições da oralidade ainda existentes, e paradoxalmente de formação que invade os neurônios e afirma o projeto mistificador de uma pedagogia inclusiva de direitos a todos, através de programas beneficentes de leis como cotas, retirando a palavra reparação da escravidão.
A idéia de diversidade cultural, pluriétnica, multifacetada, demonstra etimologicamente e na praticidade que a maioria da população preta está fora do poder real, apesar de que aspectos da ludicidade sejam admirados e colocados como apresentação para turista ver e principalmente para gerir rendas, as quais não são investidas diretamente no desenvolvimento econômico-educacional dos seus atores e atrizes, que vivem nos chamados guetos e periferias, em uma geopolítica perversa e excludente, como o caso do carnaval, capoeira, acarajé, etc.
As manifestações culturais de protesto através da musicalidade, como o reggae, rap, hip-hop, as artes como o grafite e vestimentas não européias são consideradas marginais. Inclusive em um estado como a Bahia a calça jeans tornou-se obrigatória como parte do uniforme escolar, sem preocupações maiores do desconforto de um clima tropical.
A Pedagogia eurocêntrica e a sua história demonstram a falta de respeitabilidade com o outro, pois no ínterim, há a idéia de superioridade racial das nações que impuseram um modelo de vida e de pensamento, como o primevo, real e verdadeiro. O caminho que temos é a prática do panafricanismo e na difusão dos ensinamentos afrocentrados, especialmente na reescrita da história africana e afro-diásporica. Na publicação de material didático que possa suprir as dificuldades encontradas por educadoras e educadores questionadores do material didático das grandes empresas. Na formação de educadores e educadoras que possam trabalhar uma pedagogia afrocentrada e direcionada a nossa população a qual desde a escravização esteve fora do interesse formativo e somente por pressões do Movimento Negro conseguimos algumas vitórias, sendo o momento de ampliar a luta pela educação e de se planejar uma pedagogia afrocentrada.
Temos que explicar aos coordenadores pedagógicos que estão com as mentes voltadas para as experiências norte-americanas, européias e israelenses de educação, e seguem esses modelos tentando-os dar aplicabilidade para a formação de um novo pensar educacional, que não conseguirão êxito porque continuarão a contribuir diretamente na concepção de superioridade européia de tentar explicar a história e a educação suas metodologias e olhares não pretos, apesar de falarem dos pretos. Temos respostas de gerir uma pedagogia afrocentrada de resgate da auto-estima e de retirar o véu branco que paira sobre a história preta formativa do planeta.
Temos que começar a trabalhar conjuntamente para a realização de encontros educacionais onde todos e todas que acreditam na afrocentricidade e no panafricanismo objetivem a maior difusão de um novo modelo educacional libertador e formulem projetos que possam gerir nos meios populares essas mudanças.
A educação é o melhor caminho na inserção de transformações imediatas que ampliem os horizontes na construção de um projeto político-libertador dos descendentes de africanos no Brasil.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O EVANGELHO DO TERROR

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br


Aumenta a cada dia o confronto ideológico na sociedade brasileira baseado em opções religiosas e, incrível que pareça, até pessoas pretas que afirmam seguir ideologias marxistas e ser atéias, tem tomado partido em defesa de algumas religiões, afirmando estas possuírem a “pureza ancestral religiosa africana”; demonstrando nada além do grave desconhecimento geo-histórico do continente africano.
Torna-se necessário reafirmar que com base nos conhecimentos afrocentrados a África é o berço de todas as concepções religiosas e gênese das filosofias do planeta. Ressaltando ainda que aqueles esquecem que Karl Marx, Lenin e Trotski foram homens brancos, com pensamentos e doutrinas brancas, e seus escritos não resolveram e jamais resolverão a opressão do povo preto.
De outro lado, uma grande maioria preta adjetivada de evangélicos, que no Brasil tornou-se sinônimo de intolerantes, continua em uma grande cruzada evangelística, modificando as bem-aventuranças em más-aventuranças, propagando um evangelho do terror, seguindo ensinamentos europeus de falta de respeito na continuidade das cruzadas no século XXI.
Evangélicos X Religiões de Matriz Africana, tema mais discutido nos grupos e fóruns do Movimento Negro na internet, jornais e até a Rede Globo divulgou a Marcha contra a Intolerância Religiosa, aonde os organizadores esperam colocar nas ruas no Rio de Janeiro cem mil pessoas que se sentem prejudicadas e perseguidas. Do lado dos chamados intolerantes, no entender deles, nenhuma perseguição ocorre apenas o cumprimento do “Ide e Pregai o Evangelho a toda a criatura” conforme os escritos do Evangelista Marcos. Uma má interpretação de Marcos. O “Ide e Pregai as Boas Novas de Paz a toda à criatura”, não é fazendo a Guerra e jogando Sal Grosso em terreiros. Isso é fazer a Vontade do Diabo, o Pai de todas as contendas e mentiras.
Fui criado em igreja Presbiteriana, filho de mãe presbiteriana, e os meus filhos são a terceira geração de presbiterianos e quem sabe os meus netos e netas, formando a quarta geração, também. Conheço pretas e pretos que já são a quarta geração e outros caminhando para a quinta geração, isso no Brasil, nos USA ou na Jamaica encontraremos gerações bem mais antigas. De forma imprescindível deve-se afirmar que no continente africano encontraremos gerações milenares na Etiópia e no Egito, com a Igreja Copta, que seguem o Cristianismo muito antes dos brancos europeus.
No Brasil, há milhões de pretas e pretos que seguem o cristianismo protestante, em inúmeras igrejas, sejam históricas, pentecostais, neopentecostais ou apostólicas, Essas siglas não me incomodam. Todas e todos são considerados evangélicos, termo bem abrangente para que os crêem no Evangelho. O Evangelho significa “Boas Novas do Reino de Deus”. Aceitar o Evangelho é mudar de caminho e anunciar aos outros o Único Caminho: Yeshua - O Caminho, A Verdade e A Vida.
O que leva pessoas a considerarem as outras, inclusive membros de sua família, como seguidoras do Satanás? O que faz com que pessoas ajam violentamente em agressões físicas? Destruição de locais religiosos? Invasões de privacidade e ao cúmulo de jogarem sal grosso e amaldiçoarem locais de culto? Quais são os caminhos da falta de respeito? Há uma guerra religiosa entre seguidores de religiões de pretos e a religião dos brancos? O que podemos fazer para acabar ou atenuar esses ataques?




Conversando com uma amiga de mais de 20 anos, adepta do candomblé, senti como está magoada e tratou-me como se eu fosse um dos agressores a sua religião. Achei interessante que todos e todas que são protestantes hoje são considerados culpados dos ataques. Inclusive a mesma afirmou que não votaria no candidato a prefeito de Salvador Walter Pinheiro porque é evangélico, e nem na candidata a vereadora Creuza Maria, mulher e militante preta Presidente Nacional do Sindicato das Empregadas Domésticas, por ser evangélica.
Como se Pinheiro e Cleuza tivessem culpa da falta de respeito que tem se acirrado principalmente na Bahia. Mas, entendo a reação como uma forma de protestar politicamente contra os ataques dos chamados evangélicos aos cultos afro-brasileiros. Entendo e respeito, mas, não concordo. Se formos ver por esse lado todos os escritos de Martin Luther King, Steve Biko, Nelson Mandela, Fred Hampton, Desmond Tutu. A vida de João Cândido e inúmeras personalidades na África e na diáspora teriam que ser esquecidas e considerados traidores e traidoras do povo preto.
O Evangelho são Boas Novas de Paz, Justiça, Compreensão, Amorosidade, Perdão e Reconciliação entre os seres humanos e Reconciliação com o Criador e Doador da Vida, trazendo a esperança de um Reino justo e igualitário para a humanidade.
Toda manifestação de intolerância e falta de respeito com o outro é anti-evangelho. Todo intolerante segue a Sinagoga de Satanás e dá um falso testemunho das Boas Novas de Yeshua.
Sabemos que desde a apropriação do cristianismo pelos europeus começou a intolerância, as guerras realizadas pela cristandade, as cruzadas que ceifaram milhões de vidas, a colonização, a escravização, o imperialismo. As destruições de civilizações milenares, e as perseguições físicas e psicológicas contra os africanos na África e na diáspora forçada. Esses fatos são Anti-Evangelho de Yeshua.
O povo preto evangélico não pode se voltar contra a sua própria família, não pode demonizar a África. Não podemos fazer o jogo do racismo. Fazer o jogo do racismo é Anti-Evangelho de Yeshua.
O Falso Evangelho tem se tornado as Más Novas do Terror, da tristeza, da falsa superioridade racial, da desagregação familiar, da quebra da fraternidade, da desconstrução de uma solidariedade pan-africanista.
Meu irmão e minha irmã preta que lê esse artigo, preste bem atenção: Não foram as religiões afro-brasileiras culpadas pela escravização dos nossos ancestrais e pelo seqüestro. Não foram as religiões afro-brasileiras culpadas pela pobreza da maioria da nossa população. Não foram eles. Foram os europeus que transformaram o Evangelho da Vida em um Evangelho do Terror. Meu amado e minha amada irmã não façam o jogo do racista. Não pregue o Evangelho da Morte. Viva o Evangelho da Vida.
Se houvesse o respeito não seria necessário que 15 milhões de irmãos e irmãs pretas e pretos estivessem cultivando o ódio contra os irmãos e irmãs não cristãos. Torna-se necessário que paremos e pensemos o que isso nos levará? A perda de amizades? A maior desestruturação familiar? Um cisma na caminhada entre cristãos pretos e seguidores de religiões afro-brasileiras?
Nós do CNNC entendemos que por detrás da intolerância religiosa, está a intolerância racial, porque também somos vitimas deste anti-evangelho do Terror. Muitos jovens cristãos pretos passam por problemas psicológicos nas igrejas, por causa das vestimentas, e inclusive, os seus dreads e tranças são consideradas do demônio. Somos chamados de hereges e mentirosos ao afirmamos que há racismo no Brasil e nas Igrejas Protestantes. O racismo é anti-evangelho de Yeshua.
Recentemente tivemos o caso da pastora Cleuza Caldeira que foi discriminada por ser preta e mulher na Igreja Presbiteriana Independente. Confira o artigo: UMA MULHER NEGRA E SEU DIREITO DE SER
Estamos torcendo que a Marcha do dia 21 de setembro triplique o número de participantes que são almejados. É necessário um basta na falta de respeitabilidade e que possamos conviver fraternalmente, convivendo com as diferenças e como um só povo preto que ainda nesse país é a maior vítima da discriminação racial, seja evangélico, católico, espírita, candomblecista, muçulmano, budista ou ateu.
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados".

Dia 19/09, em Salvador, Lançamento da 4ª CAMINHADA PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA.
Todos e todas à marcha de 21 de setembro na Praia de Copacabana – RJ contra a Intolerância Religiosa!


terça-feira, 19 de agosto de 2008

CANDACE E MATRIARCADO - O PARLAMENTARISMO NO IMPÉRIO DE KUSH




Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano
 Facebook: Walter Passos

Formadoras das civilizações, as mulheres africanas representaram as primeiras deusas, mães, educadoras, sacerdotisas, médicas, cientistas, comerciantes, diplomatas e governantes do mundo. Nesse contexto, o estudo das Candaces é de suma importância para a compreensão da História Africana.
Os estudos antropológicos nas sociedades africanas e afro-diásporicas retratam a concepção de poder androcêntrico, aonde o cristianismo primitivo africano foi modificado para concepção patriarcal grega-platônica da inferiorizarão das mulheres com bases na hermenêutica antropológica de sociedades cristãs europeias. Da mesma forma, o estudo das sociedades islamizadas no continente africano corroboraram concepções patriarcais outrora desconhecidas e praticadas nas mais antigas civilizações africanas.
Com a invasão, colonização e imperialismo, novos modelos produtivos baseados na exploração de classes sociais incorreram na feminilização da pobreza e na masculinização do poder, inclusive das religiões tanto na África como na diáspora. Os antropólogos brancos tentaram explicar o matriarcado e o modo de produção matrilinear com as suas concepções racistas e machistas que nos obriga assim a recorrer aos estudos da afrocentricidade para um real entendimento das sociedades africanas, como resgate da verdade histórica, que nos ajudará contra a opressão de classe, o racismo e o patriarcalismo.
O entendimento do poder matriarcal africano configura o principal alicerce para a compreensão da civilização kushita.
Kush, uma das civilizações mais antigas do mundo, foi uma sociedade de base matriarcal, onde havia o equilíbrio entre os gêneros e a difusão da justiça e igualdade, diferentemente de civilizações brancas recentes na história mundial, a exemplo de Grécia e Roma que desenvolveram o modo de produção escravagista antigo, baseados em sociedades patriarcais e patrilineares. Dentro do matriarcado não houve escravização e nem exploração de gênero, fato este que ocorreu com o advento do patriarcado e conseqüentes mudanças no viver africano primevo.
A diferença essencial do governo das kandaces comparado a outros do mundo antigo é que não era um poder vitalício e nem hereditário. Uma kandace governava por dez anos, outra por vinte anos, outra por 30 anos, em seguida o ciclo recomeçava em uma alternância de poder, evitando o despotismo, possibilitando uma paz política que proporcionou o grande desenvolvimento da civilização kushista. Havia um parlamento que detinha o verdadeiro poder composto por sacerdotisas e sacerdotes, anciãos e anciãs (com função senatorial) representantes da população, sendo levado esse modelo para Kemet ( Egito).
Na verdade, a origem da democracia é africana, sendo copiada pelos gregos em diversos estudos realizados por eles na Núbia e em Kemet (Egito).
O conhecimento desse modelo de governo, somente ocorre com as últimas pesquisas pautadas na afrocentricidade. Acusamos tantos legados roubados pelos europeus, outrossim, formas de governo foram deformadas e posteriormente copiadas como o modelo parlamentar hoje instituído em países europeus e na monarquia japonesa. A civilização kushita já havia desenvolvido o parlamentarismo milhares de anos antes dos europeus.
O matriarcado não impedia em alguns momentos que homens participassem do governo como reis ou esposos das Kandaces, sendo escolhido pelo parlamento, podendo se tornar governante ou consorte da rainha, conforme as leis da matrilinearidade.
Uma das mais poderosas Kandaces foi Amanirenas, que serviu como chefe de Estado, Comandante-chefe do exército, e Sumo Sacerdotisa de Isis.
Amanirenas comandou a aliança do exército Kushita-Kemita à ocupação romana de Kemet, e a invasão do resto da África no tempo do Imperador Augusto César.
Amanirenas apesar do poder exercido era considerada humilde e amável, detentora de um porte atlético. Com cerca de 50 anos de idade empreendeu as mais violentas batalhas contra os romanos.
O conflito entre os romanos e os Kushitas originou-se da invasão feita pelos romanos a Kemet (Egito), levando o exército kushita a invadi-lo sob o comando de Amanirenas e do seu filho Akinidad, atacando a fortaleza de Assuam, resultando na captura de tropas romanas que haviam incendiando cidades e templos, entre elas o templo de Karnak, o exército kushita derrubou a estátua do imperador Augusto levando a cabeça para a cidade de Meroé como prêmio de guerra.
Na realidade o domínio dessa poderosa rainha ainda é um enigma para os historiadores porque nesse período foram encontradas tropas fieis a Amanirenas espalhadas em diversas regiões da África, indicando que o Kushitas possuíam exércitos em todas a África. Heliodurus escreveu que os exércitos kushitas estavam espalhados em todas as regiões da África e apesar de Roma ter enviado uma força de 10.000 infantes, 800 cavaleiros e milhares de auxiliares, num total de cerca de 30.000 militares, no final seriam derrotados pelo poderoso exército de Amanirenas.
No final, o imperador romano Cesar Augusto e o general Gaius Petronius forma obrigados a negociar a paz, recebendo mensageiros kushitas na ilha de Samos, no mar Egeu, com flechas de ouro enviadas pela Kandace Amanirenas com a seguinte mensagem: “Trata-se de um presente da kandace. Se você quer guerra, as mantenha porque vai precisar delas. Se você quer paz, aceita-as como um símbolo de minha cordialidade e amizade". Augusto César aceitou o presente e terminou a guerra.
Entre as concessões feitas por Augusto foi a permissão que os Kushitas seguidores de Isis prosseguissem a sua adoração em Elefantina, cidade egípcia controlada pelos romanos, e o pagamento indenizatório para construção de templos em Kush, uma vez que alguns tinham sido destruídos pelos romanos.

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Kush foi o mais importante Império Africano que se desenvolveu ao redor do Rio Nilo, superando os Egípcios e dos quais estes descendem.
A viagem ocorre de forma interativa, em que a criança obterá conhecimentos da Geografia Africana, da História do Reino de Kush, da Afrocentricidade e do Pan africanismo, questões de grande relevância na sua formação contemporânea quanto descendente de africanos.
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