Aumenta a cada dia o confronto ideológico na sociedade brasileira baseado em opções religiosas e, incrível que pareça, até pessoas pretas que afirmam seguir ideologias marxistas e ser atéias, tem tomado partido em defesa de algumas religiões, afirmando estas possuírem a “pureza ancestral religiosa africana”; demonstrando nada além do grave desconhecimento geo-histórico do continente africano.
Torna-se necessário reafirmar que com base nos conhecimentos afrocentrados a África é o berço de todas as concepções religiosas e gênese das filosofias do planeta. Ressaltando ainda que aqueles esquecem que Karl Marx, Lenin e Trotski foram homens brancos, com pensamentos e doutrinas brancas, e seus escritos não resolveram e jamais resolverão a opressão do povo preto.
De outro lado, uma grande maioria preta adjetivada de evangélicos, que no Brasil tornou-se sinônimo de intolerantes, continua em uma grande cruzada evangelística, modificando as bem-aventuranças em más-aventuranças, propagando um evangelho do terror, seguindo ensinamentos europeus de falta de respeito na continuidade das cruzadas no século XXI.
Evangélicos X Religiões de Matriz Africana, tema mais discutido nos grupos e fóruns do Movimento Negro na internet, jornais e até a Rede Globo divulgou a Marcha contra a Intolerância Religiosa, aonde os organizadores esperam colocar nas ruas no Rio de Janeiro cem mil pessoas que se sentem prejudicadas e perseguidas. Do lado dos chamados intolerantes, no entender deles, nenhuma perseguição ocorre apenas o cumprimento do “Ide e Pregai o Evangelho a toda a criatura” conforme os escritos do Evangelista Marcos. Uma má interpretação de Marcos. O “Ide e Pregai as Boas Novas de Paz a toda à criatura”, não é fazendo a Guerra e jogando Sal Grosso em terreiros. Isso é fazer a Vontade do Diabo, o Pai de todas as contendas e mentiras.
Fui criado em igreja Presbiteriana, filho de mãe presbiteriana, e os meus filhos são a terceira geração de presbiterianos e quem sabe os meus netos e netas, formando a quarta geração, também. Conheço pretas e pretos que já são a quarta geração e outros caminhando para a quinta geração, isso no Brasil, nos USA ou na Jamaica encontraremos gerações bem mais antigas. De forma imprescindível deve-se afirmar que no continente africano encontraremos gerações milenares na Etiópia e no Egito, com a Igreja Copta, que seguem o Cristianismo muito antes dos brancos europeus.
No Brasil, há milhões de pretas e pretos que seguem o cristianismo protestante, em inúmeras igrejas, sejam históricas, pentecostais, neopentecostais ou apostólicas, Essas siglas não me incomodam. Todas e todos são considerados evangélicos, termo bem abrangente para que os crêem no Evangelho. O Evangelho significa “Boas Novas do Reino de Deus”. Aceitar o Evangelho é mudar de caminho e anunciar aos outros o Único Caminho: Yeshua - O Caminho, A Verdade e A Vida.
O que leva pessoas a considerarem as outras, inclusive membros de sua família, como seguidoras do Satanás? O que faz com que pessoas ajam violentamente em agressões físicas? Destruição de locais religiosos? Invasões de privacidade e ao cúmulo de jogarem sal grosso e amaldiçoarem locais de culto? Quais são os caminhos da falta de respeito? Há uma guerra religiosa entre seguidores de religiões de pretos e a religião dos brancos? O que podemos fazer para acabar ou atenuar esses ataques?
Conversando com uma amiga de mais de 20 anos, adepta do candomblé, senti como está magoada e tratou-me como se eu fosse um dos agressores a sua religião. Achei interessante que todos e todas que são protestantes hoje são considerados culpados dos ataques. Inclusive a mesma afirmou que não votaria no candidato a prefeito de Salvador Walter Pinheiro porque é evangélico, e nem
na candidata a vereadora Creuza Maria, mulher e militante preta Presidente Nacional do Sindicato das Empregadas Domésticas, por ser evangélica.
Como se Pinheiro e Cleuza tivessem culpa da falta de respeito que tem se acirrado principalmente na Bahia. Mas, entendo a reação como uma forma de protestar politicamente contra os ataques dos chamados evangélicos aos cultos afro-brasileiros. Entendo e respeito, mas, não concordo. Se formos ver por esse lado todos os escritos de Martin Luther King, Steve Biko, Nelson Mandela, Fred Hampton, Desmond Tutu. A vida de João Cândido e inúmeras personalidades na África e na diáspora teriam que ser esquecidas e considerados traidores e traidoras do povo preto.
O Evangelho são Boas Novas de Paz, Justiça, Compreensão, Amorosidade, Perdão e Reconciliação entre os seres humanos e Reconciliação com o Criador e Doador da Vida, trazendo a esperança de um Reino justo e igualitário para a humanidade.
Toda manifestação de intolerância e falta de respeito com o outro é anti-evangelho. Todo intolerante segue a Sinagoga de Satanás e dá um falso testemunho das Boas Novas de Yeshua.
Sabemos que desde a apropriação do cristianismo pelos europeus começou a intolerância, as guerras realizadas pela cristandade, as cruzadas que ceifaram milhões de vidas, a colonização, a escravização, o imperialismo. As destruições de civilizações milenares, e as perseguições físicas e psicológicas contra os africanos na África e na diáspora forçada. Esses fatos são Anti-Evangelho de Yeshua.
O povo preto evangélico não pode se voltar contra a sua própria família, não pode demonizar a África. Não podemos fazer o jogo do racismo. Fazer o jogo do racismo é Anti-Evangelho de Yeshua.
O Falso Evangelho tem se tornado as Más Novas do Terror, da tristeza, da falsa superioridade racial, da desagregação familiar, da quebra da fraternidade, da desconstrução de uma solidariedade pan-africanista.
Meu irmão e minha irmã preta que lê esse artigo, preste bem atenção: Não foram as religiões afro-brasileiras culpadas pela escravização dos nossos ancestrais e pelo seqüestro. Não foram as religiões afro-brasileiras culpadas pela pobreza da maioria da nossa população. Não foram eles. Foram os europeus que transformaram o Evangelho da Vida em um Evangelho do Terror. Meu amado e minha amada irmã não façam o jogo do racista. Não pregue o Evangelho da Morte. Viva o Evangelho da Vida.
Se houvesse o respeito não seria necessário que 15 milhões de irmãos e irmãs pretas e pretos estivessem cultivando o ódio contra os irmãos e irmãs não cristãos. Torna-se necessário que paremos e pensemos o que isso nos levará? A perda de amizades? A maior desestruturação familiar? Um cisma na caminhada entre cristãos pretos e seguidores de religiões afro-brasileiras?
Nós do CNNC entendemos que por detrás da intolerância religiosa, está a intolerância racial, porque também somos vitimas deste anti-evangelho do Terror. Muitos jovens cristãos pretos passam por problemas psicológicos nas igrejas, por causa das vestimentas, e inclusive, os seus dreads e tranças são consideradas do demônio. Somos chamados de hereges e mentirosos ao afirmamos que há racismo no Brasil e nas Igrejas Protestantes. O racismo é anti-evangelho de Yeshua.
Recentemente tivemos o caso da pastora Cleuza Caldeira que foi discriminada por ser preta e mulher na Igreja Presbiteriana Independente. Confira o artigo: UMA MULHER NEGRA E SEU DIREITO DE SER
Estamos torcendo que a Marcha do dia 21 de setembro triplique o número de participantes que são almejados. É necessário um basta na falta de respeitabilidade e que possamos conviver fraternalmente, convivendo com as diferenças e como um só povo preto que ainda nesse país é a maior vítima da discriminação racial, seja evangélico, católico, espírita, candomblecista, muçulmano, budista ou ateu.
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados".
Dia 19/09, em Salvador, Lançamento da 4ª CAMINHADA PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA.
Todos e todas à marcha de 21 de setembro na Praia de Copacabana – RJ contra a Intolerância Religiosa!





É o primeiro CD Infantil com história e jogos interativos sobre História da África direcionado especificamente para as crianças e adolescentes. 
Os kushitas, em épocas mais recentes, ocupavam o sul do Nilo com seu impressionante exército de arqueiros.


Nasceu em 16 de julho de 1862 em Holly Springs, Mississipi, filha do carpinteiro James Wells e de Elizabeth "Lizzie Bell" Warrenton Wells, escravizados libertos. Após a Guerra de Secessão, os seus pais e um irmão caçula morreram de febre amarela em uma epidemia que ocorreu no sul dos USA. Amigos e parentes decidiram que as seis crianças, filhos do casal, seriam criadas por tios e tias, causando a separação familiar. Ida desaprovou a idéia e retirou-se da escola, tornando-se professora para criar e sustentar os seus irmãos e manter a família unida. Retornou aos estudos não deixando de trabalhar, concluindo o ensino médio.

Os Brancos traziam seus familiares, inclusive crianças pequenas para assistir; os jornais anunciavam antecipadamente, as ferrovias realizavam excursões com grandes números de bilhetes vendidos, os linchamentos eram anunciados até nas igrejas brancas. Partes do corpo dos negros vitimados: dedos, orelhas, ou genitália eram adquiridos como lembranças. O linchamento tornou-se um lazer e uma maneira de impor o terror e controlar as aspirações da população preta, tentando demonstrar que após a escravidão o preto americano era um refém dentro dos USA e tinha que saber o seu lugar de cidadão e cidadã sem direitos.
A imagem abaixo é um exemplo do trabalho de Ida como jornalista e advogada em prol dos Direitos Humanos. Ela foi publicada em The Richmond Planet, em 26 agosto de 1893. 

Uma classe de rádio para os jovens no Projeto Habitação Ida B. Wells, 1942. 
Discordo do autor. Machado de Assis foi o maior escritor realista brasileiro e fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL), sendo perseguido por diversos escritores da sua época e epitetado como o “Bruxo do Cosme Velho”, e ainda hoje continua sendo acusado de omisso nas questões relacionadas a causa preta, a escravidão, e a situação do escravizado. Infelizmente o autor do texto não conhece profundamente a literatura machadiana. 


Na década de 1890, africanos foram torturados pelos alemães no Sudoeste da África, atualmente chamada Namíbia, antes do holocausto dos judeus na Alemanha, africanos sofreram torturas e foram vítimas de experiências médicas, o que resultou em milhares de mortes, aumentando o número de vítimas do neocolonialismo europeu, em conseqüência ao ódio para com povo original. A separação de brancos e pretos foi aprovada pela Reichstag (parlamento alemão), que promulgou uma lei contra os casamentos mistos nas colônias africanas.
Show Popular ocorrido em Stuttgart na Alemanha, com amostras de africanos apresentado entre 02 de julho a 05 de agosto de 1928.



Nesta propaganda nazista a foto retrata a amizade entre uma "Ariana" e uma mulher negra. A legenda afirma: "O resultado! Uma perda de orgulho racial"




O cristianismo se estabeleceu como religião oficial de Axum no quarto século, com a conversão do rei Ezana. Salmo 68: 32- “E a Etiópia estendia as mãos para Deus.”
A Arca da Aliança levada de Israel por Menelik estava no Monastério de Tana Kirkos, o lago mais largo da Etiópia e fonte do Nilo Azul. O Rei Ezana mandou buscá-la e a colocou em uma capela sagrada em Axum, onde só uma pessoa pode vê-la, o homem sagrado, o guardião das tradições religiosas.
O Imperador Lalibela viveu em 1185- 1225 d.C foi um dos mais proeminentes governantes de Axum. Conta à tradição que sua mãe o chamou de Lalibela porque no dia de seu nascimento ele foi cercado por diversas abelhas. Este mudou a capital para Rhoa e a rebatizou de Lalibela. Foi o primeiro a construir igrejas nas rochas, em locais que nomeou com passagens bíblicas: sepulturas com o nome de Adão e Jesus Cristo, córregos com o nome de Jordão e etc.
Ainda há monges negros seguidores da igreja etíope que moram nessas cavernas. A liturgia das onze igrejas continua a ser no Ge'ez antigo.
O incenso queimado em rituais religiosos de hoje foram herdados do antigo cristianismo etíope. O Cristianismo da Etiópia é um dos mais antigos do mundo, tem cerca de 1600 anos. A teologia da Igreja Ortodoxa Etíope mantém ritos do Antigo Testamento, como a guarda do sábado, a circuncisão no oitavo dia após o nascimento, a abstenção da carne de porco.
