As mulheres pretas na história das civilizações africanas e afro-diásporicas sempre tiveram papel proeminente na defesa dos direitos de vida do seu povo, foram e ainda são o alicerce para manutenção de lutas intestinas contra todo o tipo de opressão, infelizmente a mentalidade androcêntrica, sexista e machista ocidental tenta omitir exemplos de resistência.
Na concepção panafricanista e afrocentrada a importância da luta do povo preto ignora fronteiras demarcadas geograficamente pelos invasores e colonizadores europeus. A importância de conhecermos exemplos de resistências na África e na diáspora impositiva serve como resgate da história e exemplos a ser seguido, sendo assim, conheçamos um pouco a história dessa grande mulher que viveu no século XIX e início do século XX nos Estados Unidos da América: Ida B. Wells, uma defensora da justiça racial e de gênero.
Nasceu em 16 de julho de 1862 em Holly Springs, Mississipi, filha do carpinteiro James Wells e de Elizabeth "Lizzie Bell" Warrenton Wells, escravizados libertos. Após a Guerra de Secessão, os seus pais e um irmão caçula morreram de febre amarela em uma epidemia que ocorreu no sul dos USA. Amigos e parentes decidiram que as seis crianças, filhos do casal, seriam criadas por tios e tias, causando a separação familiar. Ida desaprovou a idéia e retirou-se da escola, tornando-se professora para criar e sustentar os seus irmãos e manter a família unida. Retornou aos estudos não deixando de trabalhar, concluindo o ensino médio.Em 1884 liderou uma campanha contra a segregação racial no transporte ferroviário quando um condutor da Chesapeake, Ohio & South Western Railroad Company disse-lhe para levantar e ceder o lugar para um homem branco, ela recusou-se então dois condutores tiveram que arrastá-la para fora do local, isso 71 anos antes de Rosa Parks. Ao chegar no seu destino, à cidade de Memphis, contratou um advogado para postular contra a ferrovia, ganhando a causa no tribunal local. Entretanto, a ferrovia recorreu para o Supremo Tribunal do Tennessee que inverteu a decisão em 1887.
Durante sua participação na caminha pelos direitos dos votos das mulheres, foi obrigada a ficar na parte de trás, o que a levou a iniciar a sua vida como jornalista, tornando-se co-propietária e editora do Free Speech (Liberdade de Expressão), um jornal anti-segregacionista de Memphis em Beale Street, escrevendo artigos na defesa do povo preto. Em 1892 foi forçada a abandonar a cidade porque os seus editorias foram considerados demasiadamente agitadores.
Em um dos seus artigos no The Free Speech, escreveu:
"Na cidade de Memphis não há nada que possamos fazer acerca do linchamento, no momento em que estamos a em menor número e desarmados. A máfia branca poderia ajudar a si mesma entregando munição de graça; todavia a ordem é rigidamente executada contra a venda de armas de fogo para negros. Há, portanto, apenas uma coisa que se deve fazer; resgatar o nosso dinheiro e sair dessa cidade que não protege nossas vidas e nossos bens, nem nos dar um julgamento justo nos tribunais, mas nos assassina a sangue frio quando acusados pelas pessoas brancas."
Em 1892 publicou um dos seus maiores panfletos Southern Horrors: Lynch Law in All Its Phases, que se pendurou até 1895, com artigos intitulados: O Recorde Vermelho, onde documentava suas pesquisas na luta contra os linchamentos, sendo a maioria de acusação de violações de mulheres brancas pelos homens pretos, estupros baseados em mentiras, que objetivavam impedir o desenvolvimento econômico da comunidade preta e manter a supremacia do homem branco, e desenvolver a ideologia da inferioridade da comunidade preta. Enquanto que homens brancos estrupavam mulheres pretas e até crianças de oito anos de idade.Ida Wells estudou o linchamento de 728 homens, mulheres e crianças pretas, no período de dez anos que precederam o linchamento de Moss. Em apenas um terço desses casos eram pretos acusados de estupro e em menor número deles eram realmente culpados do crime. A maioria morreu acusada por crimes como: incendiário, preconceito racial, por queixas de brancos e acusados de
fazerem ameaças. Entre esses, destaca-se o caso, em que aos treze anos de idade Mildrey Brown foi enforcado com as provas circunstânciais de que ela havia envenenado uma criança branca. As investigações constataram um grande número relacionamentos inter-racial, e ela afirmou que as mulheres brancas tinham tomado a iniciativa de algumas dessas falsas denuncias. Entre 1882 quando foram pela primeira vez realizada estatísticas até 1968 quando as formas clássicas de linchamento tinham desaparecido, 4743 pessoas haviam morrido, 3446 dos quais homens e mulheres pretas. No entanto, as estatísticas não dizem toda a história. Estes foram os casos registrados, outros nunca foram notificados para além da comunidade envolvida.
Os Brancos traziam seus familiares, inclusive crianças pequenas para assistir; os jornais anunciavam antecipadamente, as ferrovias realizavam excursões com grandes números de bilhetes vendidos, os linchamentos eram anunciados até nas igrejas brancas. Partes do corpo dos negros vitimados: dedos, orelhas, ou genitália eram adquiridos como lembranças. O linchamento tornou-se um lazer e uma maneira de impor o terror e controlar as aspirações da população preta, tentando demonstrar que após a escravidão o preto americano era um refém dentro dos USA e tinha que saber o seu lugar de cidadão e cidadã sem direitos.
A imagem abaixo é um exemplo do trabalho de Ida como jornalista e advogada em prol dos Direitos Humanos. Ela foi publicada em The Richmond Planet, em 26 agosto de 1893.
Em 1893 , ela juntamente com outras lideranças como Frederick Douglass, considerado um dos mais importantes militantes pretos dos USA
organizou um boicote distribuindo 2000 panfletos. No ano de 1896, ela ajudou a organizar a Associação Nacional de Mulheres Pretas. Realizou duas viagens a Inglaterra para denunciar o linchamento de pretas e pretas dentro dos USA, tornando-se a primeira mulher preta jornalista a trabalhar como correspondente internacional.
Ela também se tornou uma incansável militante pelo sufrágio da mulher, Ida B. Wells-Barnett, juntamente com Jane Addams, bloqueou com sucesso a criação de escolas segregadas em Chicago. Em 1906, ela ingressou com William EB Dubois e outros para o Movimento Niagara, sendo uma das duas mulheres pretas a assinar o “convite" para formar a NAACP - Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor - em 1909. Embora Ida B. Wells fosse um dos membros fundadores da (NAACP), ela também foi uma das poucas lideranças pretas explicitamente a se a opor Booker T. Washington e sua estratégia. Como resultado, ela foi vista como um dos mais radicais dos chamados "radicais" que organizou o NAACP
Mais tarde, em 1930, ela revoltou-se com os candidatos dos principais partidos para o legislativo, de forma que Wells-Barnett decidiu concorrer a uma cadeira no Estado Illinois, o que fez dela uma das primeiras mulheres negras a correr para os cargos públicos nos EUA. Um ano depois, em 25 de março de 1931 ela faleceu depois de uma vida cruzada por justiça.
Ida foi uma defensora dos direitos da mulher e pelo direito ao voto. Sem medo atuou contra o sexismo e o racismo, combatendo os linchamentos dos homens pretos e mulheres pretas, documentando centenas desses assassinatos. Há diversas organizações criadas de apoio a população preta que receberam o nome desta importante militante que amou o seu povo e dedicou a sua vida em prol da justiça e do respeito dele, considerada assim como a Mãe do Movimento dos Direitos Civis.
Uma classe de rádio para os jovens no Projeto Habitação Ida B. Wells, 1942. 

Discordo do autor. Machado de Assis foi o maior escritor realista brasileiro e fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL), sendo perseguido por diversos escritores da sua época e epitetado como o “Bruxo do Cosme Velho”, e ainda hoje continua sendo acusado de omisso nas questões relacionadas a causa preta, a escravidão, e a situação do escravizado. Infelizmente o autor do texto não conhece profundamente a literatura machadiana. 


Na década de 1890, africanos foram torturados pelos alemães no Sudoeste da África, atualmente chamada Namíbia, antes do holocausto dos judeus na Alemanha, africanos sofreram torturas e foram vítimas de experiências médicas, o que resultou em milhares de mortes, aumentando o número de vítimas do neocolonialismo europeu, em conseqüência ao ódio para com povo original. A separação de brancos e pretos foi aprovada pela Reichstag (parlamento alemão), que promulgou uma lei contra os casamentos mistos nas colônias africanas.
Show Popular ocorrido em Stuttgart na Alemanha, com amostras de africanos apresentado entre 02 de julho a 05 de agosto de 1928.



Nesta propaganda nazista a foto retrata a amizade entre uma "Ariana" e uma mulher negra. A legenda afirma: "O resultado! Uma perda de orgulho racial"




O cristianismo se estabeleceu como religião oficial de Axum no quarto século, com a conversão do rei Ezana. Salmo 68: 32- “E a Etiópia estendia as mãos para Deus.”
A Arca da Aliança levada de Israel por Menelik estava no Monastério de Tana Kirkos, o lago mais largo da Etiópia e fonte do Nilo Azul. O Rei Ezana mandou buscá-la e a colocou em uma capela sagrada em Axum, onde só uma pessoa pode vê-la, o homem sagrado, o guardião das tradições religiosas.
O Imperador Lalibela viveu em 1185- 1225 d.C foi um dos mais proeminentes governantes de Axum. Conta à tradição que sua mãe o chamou de Lalibela porque no dia de seu nascimento ele foi cercado por diversas abelhas. Este mudou a capital para Rhoa e a rebatizou de Lalibela. Foi o primeiro a construir igrejas nas rochas, em locais que nomeou com passagens bíblicas: sepulturas com o nome de Adão e Jesus Cristo, córregos com o nome de Jordão e etc.
Ainda há monges negros seguidores da igreja etíope que moram nessas cavernas. A liturgia das onze igrejas continua a ser no Ge'ez antigo.
O incenso queimado em rituais religiosos de hoje foram herdados do antigo cristianismo etíope. O Cristianismo da Etiópia é um dos mais antigos do mundo, tem cerca de 1600 anos. A teologia da Igreja Ortodoxa Etíope mantém ritos do Antigo Testamento, como a guarda do sábado, a circuncisão no oitavo dia após o nascimento, a abstenção da carne de porco.




Isis -Deusa Preta do Egito

A Madona Preta do Nekromanteion- Grécia
Virgem Preta - Notre Dame - Dijon 

Diversos Blogs em muitos países divulgaram a situação de algumas igrejas e seus pastores na Nigéria que acusam crianças de bruxarias. Sem olhar mais acurado, de certo preconceituoso, usa-se a mídia como arma psicológica para agredir o povo preto, perpassando mais uma vez a ideologia caucasiana de que tudo na África é demoníaco.








O pastor nega cobrança de exorcismos, mas reconhece que sua congregação é pobre e tem que trabalhar duro para cumprir com as contas e vive das doações. Também pacientemente ele explica a condição das crianças bruxas: