sábado, 23 de fevereiro de 2008

SAARTIJE BAARTMAN – ZOOLÓGICOS HUMANOS – A MULHER PRETA HUMILHADA


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com
Introdução
O colonialismo, escravidão, racismo e todas as suas mazelas, as questões de concepções normativas de beleza têm como principal alvo a mulher preta. Surpreendem as músicas cantadas em Salvador-BA pelos grupos de pagode.
Uma das músicas atualmente mais cantadas em Salvador com grande cobertura da mídia é “Vaza canhão”, interpretada pelo grupo Black Style.
Vaza Canhão
Black Style
Composição: Robyson
Cantor falando: "Eu conheci essa mulher no Orkut, ela me disse que era loira, com um metro e oitenta, com os olhos verdes, com um bundão, com peitão... eu fiquei louco marquei um encontro com ela e deu música."
E eu conheci uma menina na Internet
Ela me disse que é um verdadeiro avião
Eu marquei um encontro com ela na avenida sete
E quando eu vi a menina pirei o cabeção
Ela tem cara de jaca
Nariz de chulapa
Estria nas pernas
Bunda de peteca
Perna de alicate
Cabelo de asolã
.......................
E ela tinha uma papada
Parecia um urubu
Tinha uma impigem na cara
E cocava uu..uhhhh
http://letras.terra.com.br/black-style/1053925/
Vídeo da Banda Black Style encontrado no site Youtube Br.
Os estereótipos usados são de extrema falta de sensibilidade para com as mulheres pretas, falta o respeito às próprias mães, avós, irmãs, companheiras e filhas; músicas repetidas e dançadas pelas crianças, adolescentes, jovens, mulheres e senhoras pretas sem analisarem profundamente a exploração da sexualidade e do corpo da mulher, da sua estética e comportamentos. Sem analisar verdadeiro o racismo empregado nos termos “urubu” e “cabelos de asolã”, comprovando assim o aprisionamento da consciência.
E conforme Carlos Cavalcanti no artigo:Por que os negros preferem as loiras?
"Por que eles preferem as loiras?
Parece que está virando regra: negro bem- sucedido tem sempre uma loira a tiracolo. Não é um problema só nosso. Muito menos de falta de esclarecimento. Basta lembrar de algumas frases do líder negro norte-americano Eldridge Cleaver, em sua autobiografia Alma no Exílio. "...Não existe amor entre um homem negro e uma mulher negra. Eu, por exemplo, amo as mulheres brancas e odeio as negras. Está dentro de mim, tão profundo que já não tento mais arrancar." "Todas as vezes que eu abraço uma mulher negra, estou abraçando a escravidão, e quando envolvo em meus braços uma mulher branca, bem... estou apertando a liberdade."
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/02/274659.shtml
O processo histórico da violência caucasiana através do racismo científico, quando divulgaram como verdadeiras o fenótipo caucasiano utilizando uma pseudociência, objetivando destruir o povo preto, e as conseqüências dessas mentiras ficaram introjetadas em grande parte da nossa população. O racismo científico utilizou das formais mais cruéis homens e mulheres pretas africanas e afro americanas para tentar mistificar a superioridade caucasiana.
ZOOLÓGICOS HUMANOS
Na Europa e nos Estados Unidos da América surgiram o Human Zoo (zoológicos humanos) um meio de popularizar o racismo científico e tentar comprovar através da antropologia e da antropometria a inferioridade dos não-brancos.
Em 1836, Phineas Taylor Barnum exibiu durante sete meses a Joice Heth: escravizada, anciã, cega e quase paralisada de seus movimentos, inventando que a mesma possuía mais de 161 anos de idade, havia sido escravizada da família Washington, carregando o próprio George Washington, líder da independência dos USA, ainda bebê.
Barnum foi desmentido, após uma autopsia realizada pelo Dr. David L. Rogers em um local de show na cidade de Nova York na presença de 1500 expectadores. Mesmo após a sua morte Joice Heth serviu para os estudos caucasianos racistas.
Após perder a esposa e dois filhos em um massacre no Congo pelas Forças Armadas do genocida Leopoldo II da Bélgica, Oto Benga foi outro exemplo de vitíma do racismo cientifico dos caucasianos. Benga foi trazido aos Estados Unidos, em 1904, pelo missionário cristão Samuel Phillips Verner. Oto Benga e mais oito Batwa, erradamente chamados de “Pigmeus” pelos caucasianos, sendo exposto em uma gaiola no zoológico de Bronx em Nova York ao lado com um chimpanzé, idéia originaria de Madison Grant, um dos maiores eugenistas da história. Houve protestos de pastores pretos batistas, especialmente do Pastor James H. Gordon que disse:
- A nossa raça está bastante deprimida com a exibição de um de nós como um macaco.
Após ser retirado do Zoológico trabalhou na plantação de tabaco e em 20 de março de 1916 após passar por diversas humilhações e racismos, Oto Benga realizou uma dança ritual e disparou um tiro sobre o próprio coração acabando o seu calvário nos Estados Unidos da América.

Outro exemplo foi o Show Popular ocorrido em Stuttgart na Alemanha com amostras de africanos apresentado de 02 de julho a 05 de agosto de 1928.
Em breve escreverei mais detalhadamente sobre os zoológicos humanos, sendo o nosso objetivo neste artigo comentar sobre Saartjiee Baartaman, exemplo do desrespeito feito as mulheres pretas e a sua memória deve ser lembrada por toda a militância panafricanista no planeta.
SAARTTJIE BAARTMAN
Nasceu em 1789 no Cabo Oriental, membro do povo Griqua, subgrupo dos Koi San, conhecidos também como “Bushman” considerados os primeiros habitantes da África do Sul.
São considerados descendentes diretos do Homo Sapiens que evoluiu há mais ou menos 100 mil anos, os seus marcadores de DNA não são encontrados em nenhum outro povo fora da África, são os humanos mais antigos do planeta. Conforme pesquisa feita pelo geneticista Spencer Wells', publicado no National Geographic News em 2003, são a prova biológica que todos os seres humanos descendem dos africanos pretos, os quais são os seres originais feitos a imagem e semelhança de Deus.
A família de Saartjiee mudou-se para perto do Cabo Town e ela escravizada, com 20 anos de idade, de um fazendeiro holandês, foi percebida pelo cirurgião Willian Dunlop, o qual observou o seu fenótipo e constatou que ela possuía steophagia (aumento do glúteo), então foi levada da Cidade do Cabo para Londres e Paris entre 1810-1814.
No decorrer deste período ela foi exibida em "freak shows" em muitos lugares e tratada como um ser medonho, exótico, monstruoso, bizarro e apresentada em circos, museus, bares, universidades e outros locais pelos caucasianos, sendo transformada no ícone da inferioridade racial da mulher preta pelo período de cem anos.
Ela veio a falecer em 1815, seu corpo foi levado para o Museu de História Natural de Paris, onde o famoso "cientista naturalista" G. Cuvier realizou sua autópsia, moldou em gesso um molde de seu corpo, retirou seu cérebro e genitais que foram preservados em garrafas de formol e foram exibidos ao público no Museu do Homem até 1992. Mas alguns africanos nunca esqueceram Baartman. Nelson Mandela fez um pedido à França em 1994 para que seus restos mortais fossem devolvidos. Sua causa ganhou impulso no pós-apartheid da África do Sul quando surgiu uma nova consciência da identidade étnica. Por todo o país, os povos indígenas estão afirmando sua herança, direitos, alegando não só o reconhecimento político e cultural, mas também a restituição da terra ancestral e à proteção dos direitos de propriedade intelectual. O San, uma vez conhecidos como os bushmen da África meridional, com êxito histórico valorizadas terras tribais e ganhou uma quota-parte dos produtos comercializados internacionalmente de medicamentos fabricados a partir de suas plantas medicinais tradicionais. E agora Baartman khoisan da tribo, que foi reconhecido pelas Nações Unidas como um indígena "First Nation", tendo ganhado uma vitória para tribal reconhecimento por garantir o regresso dos' Hottentot Venus' para a África do Sul.
Demorou anos de negociações e questionamentos antes que uma lei fosse votada, em 6 de março de 2002, que possibilitou o seu retorno. Analistas Jurídico francês disseram que o texto foi redigido cuidadosamente para evitar que ele seja utilizado em outros casos. Investigação ministro francês Roger-Gerard Schwartzenberg disse: "A França pretende restabelecer a dignidade de Saartjie Baartman, que foi humilhada e explorada como uma mulher, como uma Africana". Embaixador Thuthukile Skweyiya declarou:
"Saartjie Baartman está começando sua última viagem para casa, com um livre, democrática, não-sexista e não-racista sul-africano. Ela é um símbolo da nossa nacional necessidade de confrontar nosso passado e restaurar dignidade para todos os nossos povos."
Em 09 de agosto de 2002 o Presidente Mbeki dirigiu-se à cerimônia, disse: "A história de Sarah Baartman é a história do povo Africano". É a história da perda da nossa antiga liberdade... É a história da nossa redução ao estado de objetos que possam ser possuídos, utilizados e rejeitados por outros".
Baartman se tornou um ícone na África do Sul como representante de tantos aspectos da sua história. O Saartjie Baartman: Centro de Mulheres e Crianças, um refúgio para as sobreviventes da violência doméstica, foi aberto na Cidade do Cabo, em 1999.

Saartjie é um dos maiores símbolos da resistência do povo preto.
Saartjie é um símbolo do panafricanismo, da luta das mulheres pretas e do combate ao racismo empregado sem pudor pelos caucasianos europeus.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

BATALHA ESPIRITUAL – AS CRIANÇAS BRUXOS DO CONGO

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com

Com a invasão do continente africano e conseqüentemente a colonização, seqüestro e a escravidão de milhões de pretas e pretos, um dos fatores de dominação foram à imposição religiosa cristã branca na África e nas Américas.


Introdução
Na dominação territorial-política e econômica os momentos de genocídios desenvolveram-se paralelamente com a escravização mental, criando uma geração prisioneira da consciência. Fez-nos acreditar nos modelos políticos e econômicos estruturados pelo invasor europeu, tanto na África como na Afro – América. Exemplos contemporâneos, ao assistirmos com “alegrias e esperanças” a possibilidade de Obama tornar-se candidato a presidência nos USA. Enquanto no Brasil, vemos ensaios de grupos imponderados com propostas de nomes para o chamado “poder” na SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial): mudanças de nomes e continuação de velhas estruturas.
Percebemos a inoculação da escravidão mental, a continuação do modelo econômico-imperialista dos USA e do mesmo modelo de exclusão, desta vez com “algumas cotas”, para tentar calar a boca da maioria e beneficiando com cargos uma minoria sedenta do “poder” envolvida com os partidos políticos, os mesmos nomes que não conseguem pôr em passeata 10 mil pessoas e, ainda sim, afirmam representar milhões de pretas e pretos no Brasil.
Essa pequena reflexão versará sobre as mudanças estruturais no pensar africano e no seu viver religioso que afetaram o nosso povo modificando a sua identidade, comportamentos e maneiras de enfrentar os problemas sócio-políticos, destruindo o modelo de vida ancestral, favorecendo a dominação, nos dividindo e conseqüentemente nos explorando.
A mídia tem sido o meio caucasiano mais potente para concretizar a exploração através da escravidão mental. Ela detém um poder político-sócio-econômico considerável, atingindo veementemente com falta de respeito às religiões não brancas, afirmo isso, porque o alvo preferido da mídia religiosa evangélica no Brasil e na África está nas religiões afro-brasileira e ancestrais africanas, enquanto religiões européias como o Espiritismo Kardecista, não o é.
Para entendermos as desconstruções no viver religioso e no pensar religioso atual africano, tornar-se-á necessário citar, sem muitos detalhes doutrinas criadas dentro dos USA pelas igrejas brancas que atingem diretamente os africanos na África e seus descendentes na diáspora:
Maldição Hereditária
Na crença em maldições hereditárias a cultura africana é considerada maldita, e para que este crente que tem ligações com ela, se veja livre de suas maldições dos antepassados (apenas crer em Jesus não é suficiente), é necessário que ele ainda faça renúncias verbais e unções com óleo sagrado pelo corpo, para se desvincular de todo envolvimento (direto ou indireto) com a cultura preta que é neste contexto considerada demoníaca; e qualquer relação futura que ele venha ter com esta cultura, isso poderá ainda trazer de volta as maldições, para isso é aconselhável que este novo crente, se afaste totalmente da cultura demoníaca (cultura preta), para enfim adotar como padrão os valores euro-norte-americano de ser evangélico, como se estes valores culturais fossem de alguma forma mais puros, santos e superiores.
Batalha Espiritual
Na Batalha Espiritual o caso parece ser mais sério ainda para o preto, pois se olharmos cuidadosamente nos livros que tratam do assunto (principalmente dos E.U.A, traduzidos para o português. Ver o livro de ficção: Este Mundo Tenebroso, de Frank E. Peretti – Editora Vida) veremos que os exércitos de Deus são todos brancos e loiros e o exército do diabo são todos pretos e negros.
Os demônios expulsos em sessões de libertação destas igrejas, em grande parte são identificados como sendo do panteão das religiões afro, denotando assim uma implacável demonização desta cultura por parte dos crentes, que por herança histórica, passaram a ver todas as culturas que não são euro-norte-americana, como sendo obra do demônio.
Também os anjos, quando vistos em ditas experiências espirituais destes crentes brasileiros, estes seres espirituais são sempre brancos, loiros e de olhos azuis (padrão euro-norte-americano), e quando estas visões raramente fogem do comum, nota-se que o anjo avistado é ruivo.
E isso pode ser observado também nos livros de batalha espiritual do escritor Daniel Mastral, onde supostamente foi visto um anjo ruivo, o qual é apresentado como o mentor de Daniel Mastral (ex-satanista), conforme o próprio autor narra ao longo de sua história. Observa-se também, que durante esta narrativa, este anjo ruivo é identificado por Neuza Itioka(Grace), como sendo o próprio Arcanjo Miguel (o príncipe dos exércitos celestes).

http://www.jornalismogospel.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=9590
E congoleses estão indo para os USA reforçando a idéia da batalha espiritual: "A religião para eles não é como a ocidental", diz Jacob Olupona, professor de tradições religiosas africanas na Escola de Teologia da Universidade Harvard. "Não é vista simplesmente como significado e referência em uma ordem transcendental. A religião é vista como algo que funciona. Existe uma visão utilitária a respeito, e as pessoas procuram por soluções sob ângulos e maneiras diferenciados".
Os membros do culto dizem que, porque seus ancestrais não eram cristãos, viviam amaldiçoados, e que a África também vive uma maldição. Agora, os pecados dos pais recaem sobre os filhos.

http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2165827-EI8141,00.html
Teologia Da Prosperidade
Fundada também nos USA essa teologia afirma que, todo crente tem que ser rico, não morar em casa alugada, ganhar bem, além de ter saúde plena, sem nunca adoecer. Caso não seja assim, é porque está em pecado ou não tem fé. O crente deve ter carro novo, casa nova (jamais morar em casa alugada!), as melhores roupas, uma vida de luxo. Dizem que Jesus andou no "cadillac" da época, o jumentinho. O cristão deve determinar, exigir, requerer, tomar posse.

Esses fatores econômicos atingem a maioria da população preta no mundo. Uma prosperidade que o alvo é se tornar rico igual os brancos norte-americanos e desejar usufruir do seu mundo capitalista, tornando-se uma apologia ao modo de viver dos USA, ocultando os interesses imperialistas de dominação e exploração dos USA. Convencer um povo através da religião que a prosperidade está a mãos é uma forma bem sutil de escamotear a verdade.
A Maldição Hereditária, A Batalha Espiritual e a Teologia da Prosperidade são concepções brancas neopentecostais nas quais podemos fazer uma leitura econômica de valores do neoliberalismo ao valorizar a riqueza e o individualismo.
Resultado dessa inoculação da escravidão mental no modo de pensar religioso e viver em muitas regiões africanas encontram casos espantosos na Terra-Mãe, como o que será citado agora, na Republica Federativa do Congo.
Congo – Terra Abençoada à Terra Amaldiçoada
A história do Congo é lindíssima e rica de acontecimentos históricos que nos orgulham de sermos descendentes também dessa região africana. O Reino do Congo ou Império do Congo foi um reino africano localizado no sudoeste da África no território que hoje corresponde ao noroeste de Angola, a Cabinda, à República do Congo, à parte ocidental da República Democrática do Congo e à parte centro-sul do Gabão. O comércio transatlântico de escravos à partida da embocadura do Congo para as Caraíbas e o Brasil cessou ao redor de 1862.

Em agosto de 1865 o rei Leopoldo II da Bélgica sem conseguir colonizar o Extremo Oriente voltou-se totalmente os seus interesses para o continente africano criando a Associação Internacional Africana (AIA) objetivando a exploração e “civilização” da África Central, sendo aplaudido pela grande iniciativa em setembro de 1876 na Conferência Geográfica ocorrida em Bruxelas por diversos representantes europeus, foi considerado um filantropo em planejar levar a civilização aos africanos e ajudá-los.
Atendendo ao convite do chanceler do II Reich alemão, Otto Von Bismarck, 12 países com interesse na África encontraram-se em Berlim, entre novembro de 1884 a fevereiro de 1885 para a realização de um congresso. O objetivo de Bismarck era que os demais reconhecessem a Alemanha como uma potência com interesses em manter certas regiões africanas como protetorados. Além disso, acertou-se que o Congo seria propriedade do rei Leopoldo II da Bélgica (responsável indireto por um dos mais terríveis genocídios de africanos), transformado, porém em zona franca comercial. Tanto a Alemanha, como a França e a Inglaterra combinaram reconhecimentos mútuos e acertaram os limites das suas respectivas áreas. O congresso de Berlim deu enorme impulso à expansão colonial, sendo complementado posteriormente por acordos bilaterais entre as partes envolvidas, tais como Convênio franco-britânico de 1889-90, e o Tratado anglo-germânico de Heligoland, de 1890. Até 1914 a África encontrou-se totalmente divida entre os principais países europeus (Inglaterra, França, Espanha, Itália, Bélgica, Portugal e Alemanha).
Com a Conferência de Berlim o Rei Leopoldo II consegue impor-se no Congo que é o segundo país em extensão territorial da África e dirigiu a colônia como se fosse uma possessão pessoal. Recebendo a sua parte na divisão da África. Vale ressaltar que o Congo tem cerca de 2,5 milhões de quilômetros quadrados e Bélgica tem uma área de 30 528 km². O rei Leopoldo II transformou o Congo no quintal de sua casa. O que ele fez no Congo foi explorar e auferir imensos lucros a sua filantropia foi baseada no genocídio de 10 milhões de africanos, nada devendo a Hitler e seu extermínio.
A invasão belga foi culpada de desequilíbrio ecológico, manifestação de epidemias como a varíola, matanças de milhares de elefantes para retirada do marfim, exploração desenfreada das riquezas minerais, desestruturação familiar e ruptura dos valores ancestrais, em todas essas questões a presença de missionários católicos e protestantes foi fundamental, com exceção para o Reverendo presbiteriano afro-americano William Henry Sheppard (1865 – 1927) - de terno branco - que denunciou veementemente as atrocidades dos belgas no Congo. Em 1908, após uma forte campanha da imprensa européia e mundial, que revelou as atrocidades que ali eram cometidas, a região deixou de ser um domínio pessoal do monarca e foi transformada em colônia da Bélgica, condição que se manteve até 1961, quando o Congo conquistou sua independência sob a liderança do pan-africanista Patrice Lumumba, criou o Movimento Nacional Congolês (MNC), primeiro partido formado numa base nacional, e não étnica que posteriormente foi detido sob a proteção dos soldados das Nações Unidas, Lumumba acabaria sendo entregue a seus inimigos e deportado para a província de Katanga, onde o líder local, Moisés Tchombé, a soldo de companhias mineradoras européias, o mandou assassinar juntamente com dois de seus companheiros.
Atualmente a região congolesa de Katanga possui alguns dos melhores depósitos mundiais de cobre e cobalto. Outras áreas do país possuem fontes ricas de minerais diversos, incluindo diamantes, ouro, ferro e urânio, o primeiro produtor mundial de Coltan, na África onde está 80% das reservas mundiais. A República Democrática do Congo (RDC) concentra mais de 80% das jazidas, dos quais se extraem metais mais cobiçados do que o ouro, onde 10 mil mineiros labutam todo dia na província de Kivu (no leste do Congo) O coltan é essencial para as novas tecnologias, estações espaciais, naves tripuladas que se lançam no espaço e às armas mais sofisticadas. Sendo estas áreas alvos da cobiça internacional dos países ocidentais e da China.
Ao Congo pouco restou à sua população após das atrocidades da colonização belga. Privados de qualquer dignidade humana, assolado pelas doenças trazidas pelos colonizadores caucasianos, pela guerra civil, outra herança direta das divisões instauradas pelos belgas, e mais recentemente pela corrupção no governo, restou-lhes apenas as esperanças de um milagre.
Milagres esses financiados pelo Governo às igrejas neopentecostais, nas igrejas do despertar, que já contam com cerca de 10.000 templos na capital, Kinshasa. Podemos citar: “Ministério da Fé Audaciosa”, “Ministério da Fé Abundante”, “Ministério do Combate Espiritual”, “Exército do Eterno”, “Exército da Vitória”, “Ministério do Poder”, “Igreja de Deus Vivo”, “a Arca Noé”, entre outras.
Essas igrejas utilizam dentro do seu arcabouço as doutrinas da maldição hereditária, instigam e propagam a batalha espiritual e são adeptas à Teologia da Prosperidade, que tem iludido e desestruturado a população do Congo e casos semelhantes também ocorrem em Angola com especialmente com a população Bakongo.
Com a colonização e cristianização do Congo surgiram novas igrejas de cunho neopentecostal como as igrejas do despertar,
Estas igrejas do despertar também estão ligadas à emergência de um novo fenómeno, "as crianças-feiticeiras": as famílias persuadem-se que a origem das suas desgraças se deve ao "feitiço" que um dos filhos teria lançado e acontece mesmo que este se convença que está dotado de poderes sobrenaturais ou maléficos. O desenfeitiçamento é da competência do pastor, pago pela família, acontecendo mesmo que a criança "culpada" seja posta fora de casa, indo então engrossar as coortes de crianças da rua. A criança pode também ficar a cargo do "religioso", que não se privará de recorrer à violência física e aos maus tratos. Esta explosão das "seitas" e das práticas mágico-religiosas reflecte a profunda desestruturação social criada pelos anos de guerra, pelo êxodo rural e pela deslocação forçada das populações. Resta esperar que, se o país retomar a senda do desenvolvimento, os Congoleses consigam preservar o melhor da sua prática religiosa e da sua "economia da solidariedade", desfazendo-se de todas as derivas.
http://www.enjeux-internationaux.org/articles/num11/pt/eleicoes.htm
“As igrejas do despertar são caracterizadas igualmente pelas curas milagrosas de todas as espécies de doenças, pela expulsão dos demónios (de pobreza ou de “bloqueio”, ou seja, os demónios que impedem que se obtenha um visto para o Ocidente), pelos transes com virtude catársicas.”
Os fieis dessas igrejas são utilizados, a exemplo do que ocorre no Brasil, como massa de manobra política e alicerce dos pastores que diferente da maioria população preta do congo são riquíssimos.
Para expandir e dominar as igrejas do Congo utilizam os programas televisivos chamados de “tele-evangelismo” que foram trazidos por missionários e pastores norte-americanos brancos, e tornou-se hoje um dos grandes poderes econômicos e políticos do congo.
“Os tele-evangelistas americanos, bem como numerosos evangelistas suíços, alemães e suecos financiarão inicialmente o desenvolvimento dos seus colegas congoleses. Estes patrocinadores estrangeiros foram-se sucessivamente retirando, desiludidos pelo facto dos pastores congoleses serem mais propensos a utilizar os seus subsídios para fins pessoais do que para fins religiosos. Mas, a máquina estava lançada, e o negócio lucrativo dos milagres não parou de prosperar no Congo.”
Uma das grandes atrocidades pregadas nas Igrejas do Congo é chamada de “Calvário das crianças-feiticeiras de Kinshasa”. Depois da destruição do modo matrilinear, destruições da base familiar preta e das sucessivas repressões às tradições religiosas originárias da população do Congo diversas crianças são acusadas de bruxaria, chamadas então de Kindoki, e conseguintemente abandonadas pelos pais.
Embora o impacto de inicio seja estarrecedor, cerca de 70% das crianças moradoras de rua na capital do Congo são acusadas de bruxaria e abandonadas pelos pais, com o incentivo das pregações dos pastores. De uma parte e de outra do rio Congo, os pregadores afirmam: o diabo esconde-se nos olhos desesperados das crianças abandonadas, acusadas de trazem com eles o mal e o pecado.
“Mama Louise Mujinga, 55 anos, partilha um alojamento nojento com quinze “crianças feiticeiras”. Os seus métodos de exorcismo são relativamente suaves: não recorre nem à pancada nem à tortura, submete as crianças a um jejum de nove dias, e dá-lhes apenas um bocado de pão e um copo de água ao pôr-do-sol. “Devem sofrer para se entregarem inteiramente a Deus e serem libertas do mal”, explica. Segundo ela, as crianças transformam-se frequentemente emanimais durante a noite. “Tu, em que é que te transformaste?”, pergunta a uma criança aterrorizada. “Em rato”, respondeu. “E tu?” pergunta a outro. “Em gato.” Outro rapaz afirma que se transforma regularmente em porco, outro, em cabra. “São muito perigosos”, continua Mama Mujinga. “Vejam esta criança. A sua mãe teve uma gravidez de onze meses. E apenas quando expulsei o demónio que estava nele é que ele pôde vir ao mundo. Aquele, além, paralisou o seu pai. O homem já não se podia mover. Então tive que expulsar o espírito maligno. Felizmente, tenho as minhas orações para me proteger.”
Há mais de 40.000 mil crianças acusadas de bruxaria na capital da Congo, que vivem escondidas, esse fato começou a ser denunciado pela ONG Save the Children:
A ONG "" denunciou ontem, o abusos e a violência de que são vítimas milhares de crianças, acusadas de bruxaria, na República Democrática do Congo um fenômeno que começou no início da década de 90, nas grandes cidades desse país africano.
A "Save the Children" publicou um informe, segundo o qual, em torno de 70 mil crianças são acusadas ou perseguidas por bruxaria, a maioria das quais, na capital do país, Kinshasa.
O informe revela que a perda dos valores tradicionais, o poder alcançado por alguns grupos religiosos como, por exemplo, a "Igreja do despertar", e o trauma dos anos de guerra (que deixaram um saldo de quatro milhões de mortos e um milhão e 600 mil deslocados) têm levado a coletividade a considerar certas crianças como uma possível ameaça, da qual é preciso se proteger.
Alguns eventos naturais ao crescimento de uma criança são considerados, por alguns pregadores e por numerosas famílias congolenses como "sinais inequívocos de bruxaria": debilidade física, magreza, baixa estatura, aspecto de desnutrido, sujeira, epilepsia, desordens de comportamento, desobediência, má-educação, nervosismo e incontinência urinária, além do fato de vagar pelas ruas, tudo isso pode ser sinônimo de que a criança é uma bruxa ou um bruxo. A maioria dessas "características" é própria da adolescência e, outras tantas derivam da pobreza e do escasso nutrimento.
Os pregadores da "Igreja do despertar" asseguram que a bruxaria é capaz de provocar danos, de trazer má sorte, de contagiar enfermidades e desencadear matanças. Essa "seita" religiosa atua graças a doações que obtém, por meio de exorcismos, e conta com a condescendência de funcionários estatais, aos quais paga consistentes subornos. (AF)
Fonte: Rádio Vaticano
http://noticiascristas.blogspot.com/2007/07/congo-violncia-contra-crianas-acusadas.html
A multiplicação de igrejas evangélicas, pentecostais ou africanas havida desde finais dos anos 1980 em Angola e no Congo acompanhou o crescimento das denominações pentecostais em outras partes da África e do mundo.
No Brasil podemos notar posicionamento semelhante:
A Serviço Do Diabo
Para Elinaldo Renovato de Lima, líder da AD em Paranamirim (RN), desmascara as verdadeiras intenções da obra. "As crianças são alvo predileto do diabo. Ele quis matar os meninos de Belém, visando a Jesus. Graças a Deus, seu plano foi frustrado, pois os pais de Jesus obedeceram à direção Divina, tirando-o para bem longe dos que queriam destruir sua vida. Era o 'projeto Herodes'. Esse projeto continua em vigor. O diabo quer destruir as mentes infantis, levando-as a crer que existem poderes sobrenaturais que podem ajudá-las na luta entre o bem e o mal. É uma trama diabólica, pois, usando o mal, o inimigo das crianças faz com que elas acreditem que estão sendo ajudadas. Harry Potter é mais uma das armadilhas do diabo", denuncia pastor Elinaldo.
Pastor Elinaldo faz um paralelo com um dos períodos negros da humanidade registrado na Bíblia: "O menino bruxo está fazendo com que milhares de crianças no mundo deixem de crer no poder de Deus para crer no poder da bruxaria. No Antigo Testamento, em Canaã, antes da chegada de Israel, pais jogavam seus filhinhos no fogo, nos braços do deus moloque. Hoje, crianças são lançadas diretamente nos braços de satanás".
A preocupação do Pastor Elinaldo Renovato de Lima tem todo fundamento. Basta lembrar da declaração da escritora diante dos primeiros protestos, em entrevista ao The London Times, edição de 17 de julho de 2001. "Acho que é uma total bobagem protestar contra os livros infantis, dizendo que estão atraindo as crianças a Satanás... As pessoas deveriam estar contentes por isso! Esses livros guiam as crianças para uma compreensão que o fraco e idiota Filho de Deus é uma fraude", afirma a escritora. Não é à toa que nos livros de Rowling todas as pessoas que não são bruxos são chamados de "estúpidos" ou "trouxas".
"Creio que tal declaração dispensa mais comentários. Está mais do que claro que os Pais Cristãos devem manter seus filhos à distância dessa literatura perversa e maligna, que tem por objetivo afastar ainda mais as crianças de Deus e iniciá-las na bruxaria.
A Bíblia tem razão: "Instrui o menino no caminho em que deve andar; até quando envelhecer não se desviará dele", Pv 22.6. Jesus disse: "Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais; porque dos tais é o Reino de Deus", Mc 10.14. Que os Pais Cristãos zelem melhor pela vida de seus filhos, afastando-os do 'projeto herodes', como os pais de Jesus o fizeram", alerta o ministro.
Leia toda a declaração: http://www.marciobatista.jor.br/diaforos/pontosponderar/midia/pontos_harry3.htm
Os novos ventos doutrinários criados nos Estados Unidos da América se direcionaram especialmente para a América Latina e a África objetivando manter a dominação política, as quais com extrema sagacidade atacam a ancestralidade e hoje atinge as crianças especificamente no Congo e de maneira diretamente também no Brasil. Crianças-bruxos no Congo expulsas de casas acusadas de feitiçaria e crianças pretas no Brasil que odeiam sua ancestralidade por acharem que são descendentes de feiticeiros. É necessário que estejamos alerta e protejamos as nossas crianças denunciando a falácia da maldição hereditária e da batalha espiritual que domina os meios de comunicação e nos atinge independente da prática religiosa.
Não podemos permitir que envenenem o nosso povo e o caminho é a solidariedade panafricanista: Um só povo e uma só luta.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

É NECESSÁRIO RESPEITAR NOSSAS MEMÓRIAS - QUILOMBOS E CRISTÃOS-NOVOS NO BRASIL NUNCA FORAM ALIADOS.




Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com


Li essa semana em diversas listas do Movimento Negro um artigo de Jane Bichmacher de Glasman, escritora e doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica da USP, o qual inicial com a seguinte frase:
"Consciência negra não é só Zumbi dos Palmares. Há muitas estórias para serem contadas. No mês da Consciência Negra, não vamos deixar de lado as boas histórias também. Você sabia que há judeus negros? Na África há dois povos muito antigos que só recentemente foram reconhecidos como judeus: os Falashas e os Lembas."

"Zumbi dos Palmares abriu o quilombo não apenas aos negros foragidos da escravidão, mas também aos judeus que estavam fugindo da inquisição"

"Com a chegada de numerosos judeus fugidos da inquisição, a população abriu-se aos brancos e estes últimos muito inspiraram a sua organização económica e política a partir de então."
E termina o artigo:
"Quando homenageamos no dia 20 de novembro a Consciência Negra, é preciso relembrar os horrores e a suprema vergonha do passado escravagista, da mesma forma que devemos relembrar os horrores do Holocausto dos judeus e outras minorias da II Guerra Mundial."

Leia todo o artigo:

http://comunidadeshemaisrael.blogspot.com/2006/11/os-negros-e-os-judeus.html
Houve alguns questionamentos e algumas sugestões de que esse assunto estivesse presente em todos os seminários do Movimento Negro e que fosse um tema sempre ventilado, trazendo-me uma forte preocupação porque nem tudo que reluz é ouro e venho compartilhar com os irmãos e irmãs pretas considerações sobre os cristãos-novos e a escravidão e a situação dos Falashas em Israel.
Em primeiro momento, foi o holocausto um crime horrível praticado pelos nazistas o qual como todos sabem levou seis milhões de seres humanos a morte, e genocídio não se esquece, tem sempre que ser lembrado de geração em geração para que não mais ocorra.
Não podemos esquecer o maior genocídio da história mundial realizado na África com quase 200 milhões de assassinatos e mais de 30 milhões de escravizados. Nós ainda não aprendemos a chorar os nossos mortos; porque dizem que devemos esquecer a escravidão e seus assassinatos. Nessa parte os judeus têm muito a ensinar e ninguém de sã consciência dirá a comunidade judaica mundial para esquecer o holocausto, porque será considerada inimiga do povo de Israel.
Falando em holocausto está havendo uma grande polêmica no carnaval do Rio de Janeiro, porque a Escola de Samba Viradouro que tem o tema ARREPIOS queria levar para a avenida uma alegoria sobre o holocausto, e teve de recuar por causa do plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio o qual concedeu uma liminar, a pedido da Federação Israelita do Rio, proibindo a escola de samba de levar à Marquês de Sapucaí o carro alegórico que representa o Holocausto. Segundo decisão da juíza de plantão até a manhã de hoje, se o carro for exibido na avenida, a Viradouro terá de pagar multa de R$ 200 mil.
Leia mais:
http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid118135,0.htm
Muito importante os israelitas preservarem a memória dos seus ancestrais vítimas da bárbarie do nazismo na segunda guerra mundial. Um exemplo que deveria ser seguido pela população preta brasileira que a todo o momento tem a sua história romantizada e seus ancestrais vítimas do maior genocídio mundial.


Operário prepara carro alegórico da escola de samba Viradouro representando o Holocausto, nesta segunda-feira, na Cidade do Samba, no Rio de Janeiro. Photo by Sergio Moraes. http://br.reuters.com/article/entertainmentNews/idBRN2848317620080128?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0
E os protestos surgiram em uma comunidade do Orkut contra a decisão na justiça:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=75760&tid=2580784584753995588&start=1
A Dra. Jane Bichmacher de Glasman, deixou de explicar as riquezas adquiridas pelos cristãos-novos nas Américas com o tráfico de escravizados africanos e exploração da mão-de-obra-escravizada nas fazendas açucareiras, na mineração, com os escravizados-de-ganho nas cidades coloniais e imperiais do Brasil escravocrata. Em hipótese nenhuma estou negando as perseguições inquisitoriais aos marranos em terras brasileiras, mas, estou afirmando que muitos deles conseguiram se adaptar como cristãos-novos ao modo de produção escravista colonial e dele tirarem proveitos econômicos astronômicos. Não podemos concordar com romantismos históricos simplesmente, é necessária uma análise acurada quando se tratam da história diásporica e escravagista a qual os nossos ancestrais foram submetidos.
Uma das provas incontestes que ainda se mantêm no Brasil da escravização realizada pelos cristãos-novos aos nossos ancestrais são os sobrenomes que se mantêm até hoje dentro da comunidade preta brasileira. Impostos pelos judeus aos seus escravizados pretos, e eu sou uma prova inconteste, tenho o sobrenome Oliveira, significando que um dos meus ancestrais foi escravizado de cristãos-novos, tema esse que trabalhei detalhadamente no próximo livro que lançarei em fevereiro deste ano intitulado Afro-Reflexões.
Insinuar uma coligação de escravizados pretos e cristãos-novos em formação de quilombos é deveras preocupante carecendo de dados históricos e tenta apagar a união dos cristãos-novos com as forças coloniais na opressão da população preta nas Américas.
A história não se escreve com achismos e muito menos com acomodações e junções objetivando inserir no fato ocorrido acomodações políticas. Os Judeus sefardistas, conhecidos como marranos, traficaram e escravizaram pretos, de oprimidos se tornaram opressores, e devemos ter cuidados com essas informações sobre a resistência de nossos ancestrais. É necessário exigirmos respeito a nossa memória.
Em HOLOCAUSTO NEGRO: CITAÇÕES

Escravidão Negra, o Rabino Marc Lee Raphael escreve:
"Judeus também tiveram uma ativa participação no tráfico colonial holandês de escravos; realmente, os estatutos das congregações do Recife e Maurício (1648) incluíam um imposta (taxa judia) de cinco soldos por cada escravo negro que um judeu brasileiro comprasse da Companhia das Índias Ocidentais. Leilões de escravos eram adiados se eles caíam num feriado judaico. Em Curaçao, no século dezessete, como também nas colônias britânicas de Barbados e Jamaica, no século dezoito, mercadores judeus desempenharam um papel destacado no comércio de escravo. De fato, em todas as colônias americanas, seja francesa (Martinica), britânica ou holandesa, mercadores judeus freqüentemente dominavam. "Isto não foi menos verdadeiro no continente norte-americano, onde durante o século dezoito judeus participaram do 'comércio triangular' que trazia escravos da África para as Índias Ocidentais e lá os trocava por melaço, que por sua vez era levado para a Nova Inglaterra e convertido em rum para vender na África. Isaac da Costa, de Charleston, nos anos de 1750, David Franks, de Philadelphia, nos anos de 1760, e Aaron Lopez, de Newport, nos finais dos anos de 1760 e início dos de 1770 dominaram o comércio judeu de escravos no continente americano."

Leia mais sobre a declaração do Rabino Raphael Ira Rosenwaike :
"Em Charleston, Richmond e Savannah a maioria (acima de três-quartos) das famílias judias tinham um ou mais escravos; em Baltimore, apenas uma em cada três famílias era dona de escravo; em Nova Iorque, uma em cada oito... Entre famílias donas de escravos o número médio de escravos variava de cinco em Savannah a um em Nova Iorque." ""The Jewish Population in 1820," in Abraham J. Karp, ed., The Jewish Experience in America: Selected Studies from the Publications of the American Jewish Historical Society (Waltham, Massachusetts, 1969, 3 volumes), volume 2, pp. 2, 17, 19. Cecil Roth "Os judeus de Joden Savanne (Suriname) foram também os primeiros na supressão das sucessivas revoltas negras, de 1690 a 1722: estas eram na verdade amplamente dirigidas contra eles, uma vez que eram os maiores donos de escravo da região." History of the Marranos (Philadelphia: Jewish Publication Society of America, 1932), p. 292. Jacob Rader Marcus.
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/01/301745.shtml
Sobre os cristãos-novos em Recife escreveu Ana Beatriz Magno:
"Da população civil, 1.492 moradores eram judeus, atraídos da Holanda para o Brasil pela idéia de fazer daqui filial da terra prometida. A maioria dos israelitas era de origem ibérica e correu para os países baixos durante a Inquisição.
Logo enriqueceram no Brasil e aqui brigaram pela permanência de Nassau quando, em 1644, a Holanda ordenou o retorno do conde. Dois dos mais famosos israelitas, David Coronel e Duarte Saraiva, lotearam uma rua só para seus irmãos de fé, chamados de. gente da nação.. Era a rua dos judeus, hoje do Bom Jesus, preservada no centro do agora restaurado Recife antigo.
Ali, num prédio de dois andares, fundaram a primeira sinagoga das Américas e trouxeram da Holanda Aboab da Fonseca para ser o primeiro rabino do continente. Aqui escreveu a primeira oração judaica em terras brasileiras."
http://www2.correioweb.com.br/hotsites/500anos/recifeholandes/recifehol1.htm

"Gradualmente porém, com a transferência do capital da Europa para as Américas, cristãos-novos e Judeus abertamente a professar a própria religião — estes últimos sobretudo nas Caraíbas, no Suriname e, ora sim ora não na Guiana Francesa e na Guiana Britânica — conseguiram acumular riquezas e a estabelecer-se no seio da população, contribuindo à prosperidade da colónia. Isto implicava sobretudo ser proprietários terreiros, ser donos de plantações e, óbvia e tristemente, ser donos de escravos africanos. Infelizmente, então, de opresso o Povo de Israel nas Américas, uma vez ambientado, tornou-se opressor. Nisso não havia nenhuma diferença entre eles e as suas contrapartidas de fé católica a residirem nas Américas. Foi sobretudo por esta razão, pelo facto de os Judeus/cristãos-novos terem um interesse económico na prosperidade do Brasil que as autoridades coloniais, mesmo se com uma certa relutância, lhes deram cargos administrativos. A Metrópole sabia que iam defender os seus interesses económicos."
Leia mais: http://www.triplov.com/cictsul/exodus.html
Leia mais na Visão Judaica on line:
História dos judeus no Brasil - Capitulo VIII
Período Pós-Holandês - Dispersão e Acomodação (1654 – 1700)http://www.visaojudaica.com.br/Principal/Historia/historiadosjudeusnobrasil/8.htm
Na questão das populações pretas em Israel também se torna preocupante a adaptação e inserção na soc iedade israelense e diversos casos de racismo ocorrem:
http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2007/08/03/wisrael103.xml

Nascida em uma pequena cabana na Etiópia Oriental, a bela modelo Esti Mamo(foto abaixo) nascida em 1983 foi obrigada a viver em guetos falasha no sul de Israel, enfrentando o racismo por causa da sua origem africana e cor da pele. Hoje é considerada uma das mais belas modelos do mundo.
Leia mais: http://www.ajlmagazine.com/content/032006/estimamo.html

Violenta manifestación «falasha» en contra del racismo interjudaico
Los hebreos negros etíopes acusan al Gobierno y al pueblo israelíes de ejercer contra ellos la segregación racial.
Leia todo o artigo do jornal El Mundo de 29 de janeiro de 1996:
http://www.elmundo.es/papel/hemeroteca/1996/01/29/mundo/80691.html

A autora do artigo foi infeliz na comparação de “outras histórias”, quilombos e cristãos-novos no Brasil nunca foram aliados. Os quilombos de homens e mulheres escravizadas que lutaram pela liberdade e os cristãos-novos de escravizadores que lucraram com a escravidão.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

ABORTO - FALTA DE AFETIVIDADE AFRICANA E QUEBRA DA ESPIRITUALIDADE ANCESTRAL



Por: Ulisses Passos, 19 anos, Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke. E-mail: ulisses_soares@hotmail.com


Há muitos anos, o Movimento Negro Brasileiro levantou suas vozes contra a esterilização de mulheres pretas no Brasil tendo um enfrentamento muito sério, especialmente de organizações na Bahia, defendendo o direito à vida e continuidade de existir como povo. Nos últimos tempos, vozes do Movimento Negro defendem não somente o chamado planejamento familiar como forma de minorar a pobreza do nosso povo, como também a descriminalização do aborto, como forma de evitar milhares de mortes de adolescentes pretas no Brasil anualmente.
O aborto é a terceira causa de mortalidade materna no Brasil, tornando-se um problema de saúde pelo elevado índice de mortes prematuras de jovens pretas.
O Dossiê da RedeSaúde apresenta o seguinte quadro sobre a Violência nos serviços de Saúde:
“Muitas mulheres que se dirigem aos serviços de saúde enfrentam um atendimento marcado pela violência. Não são raros os relatos de casos de curetagem sem anestesia, quando em início de aborto; tratamento preconceituoso, negligência e maus-tratos nas situações de aborto provocado; falta de esclarecimentos e orientação adequada; exames ginecológicos feitos com pouco cuidado; falta de privacidade quando examinadas; abuso sexual por parte dos profissionais e tratamento preconceituoso em casos de violência sexual.”
Acesse o Dossiê no site:
http://dhnet.org.br/dados/relatorios/dh/br/jglobal/jglobal2000/mulheres2000.html#_ftnref15
A feminilização e racialização da pobreza no Brasil têm sido alvos de diversos estudos de militantes pretas e a tangência de desinformação é preocupante das mulheres que são levadas por diversas circunstâncias a prática da interrupção da gravidez. O CNNC/BA como organização Panafricanista, Afrocentrista e defensora do Cristianismo de Matriz Africana possui uma postura religiosa, e principalmente africana, na concepção sobre a vida se manifestando contra a prática do aborto.
Este ano de 2008, o CNNC/BA promove o ano da Família Preta, contra sua deterioração e preocupado com a sua reestruturação segundos os modelos da africanidade, buscando na reeducação do homem e da mulher preta o respeito à sua família preta. Sendo assim, a discussão que ventilaremos será sobre a nossa concepção de fé de pretas e pretos cristãos e nosso amor pelo povo preto no planeta. Dessa forma, iremos versar sobre o assunto que está intrinsecamente ligado a deterioração de família preta: O Aborto.
Para compreendermos o chamado planejamento familiar como forma de minorar a pobreza, Tornar-se-á indispensável ventilarmos sobre a teoria do britânico, pastor anglicano, demógrafo, professor de história e de economia política: Thomas Robert Malthus.
Malthus foi o primeiro a desenvolver uma teoria populacional relacionando crescimento populacional com a fome. Ele afirmou que dadas às condições médias da terra agrícola, que os meios de subsistência, nas mais favoráveis circunstâncias, só poderiam aumentar no máximo, em progressão aritmética: 1>2>3>4>5>6>7>8>9>10>11>12>13>... por toneladas de alimentos. Enquanto que a população humana aumenta em progressão geométrica: 2>4>8>16>32>64>128>... milhões de pessoas a mais. Com base nessa observação, a teoria malthusiana defende o controle da natalidade. Thomas Malthus trabalhou sob as “leis” da inevitabilidade biológica de uma superpopulação humana e afirmou que a economia do século 19 não daria conta de prover os meios necessários para alimentar todos. É com base nessa Teoria que se funda as bases do chamado controle de natalidade.
Leia mais sobre a Teoria Malthusiana:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_Populacional_Malthusiana
O ABORTO E Á FILOSOFIA EUGENISTA
A Eugenia é a filosofia mais intrínseca do aborto, tendo suas bases lançadas na Europa para explicar cientificamente o racismo.
O Primo de Charles Darwin e descobridor das impressões digitais humanas, o antropologista Francis Galton (1822 – 1911) cunhou o termo ideologia eugênica, em seu livro intitulado Inquires into Human Faculty, de 1883, inspirado pela obra do primo: A Evolução das Espécies, e da idéia da seleção natural, preconizou muitos estudos em conjunto com seu primo sobre antropologia, QI humano, doenças físicas e mentais possivelmente herdadas, fundando assim a ideologia da Eugenia, que defende mediante pesquisas cientificas a superioridade dos caucasianos em relação às outras raças, colocando o povo preto como a pior delas.
Arthur de Gobineau, outro grande teórico do racismo e eugenista, afirmava que a mistura de raças era inevitável e levaria a raça humana a graus sempre maiores de degenerescência física e intelectual. É-lhe atribuída a frase
"Não creio que viemos dos macacos, mas creio que vamos nessa direção".
Gobineau visitou o Brasil, dizendo que única saída seria o incentivo à imigração de "raças" européias, consideradas superiores, para “embranquecer” o Brasil e retirar dele os resquícios da população inferior que este abriga.
No Brasil, a eugenia teve grande importância no pensamento hegemônico que fundou o Estado Moderno, após a proclamação da República. Em certa medida, o movimento higienista e sanitarista, que teve Osvaldo Cruz (1872-1917) seu principal idealizador foi a base para o surgimento, em 1917, do pensamento eugênico no Brasil, por meio do médico Renato Kehl. Ambos defendiam a “limpeza étnico-racial”, o embraquecimento do Brasil, a esterilização das mulheres pretas, mestiças e indígenas e seu controle de natalidade, para aproximar o Brasil nos moldes do Estado Moderno Europeu.
Conforme Richard Miskolci (Pesquisador-Bolsista Recém-Doutor do CNPq associado ao Dep. de Sociologia da UNESP/Araraquara):
“Nancy Ordover nos recorda que considerar a eugenia como parte do passado é uma atitude irresponsável e perigosa. Em seu livro lançado recentemente nos Estados Unidos - American Eugenics: Race, Queer Anatomy, and the Science of Nationalism - a pesquisadora independente mostra que a eugenia não existiu apenas na Alemanha nazista, nem encontrou seu túmulo nos anais da pseudociência.
A eugenia continua viva com outros nomes e sob o pretexto de seguir objetivos distintos dos que nos legaram a vergonha das esterilizações em massa e das formas "científicas" de limpeza étnica. O Projeto Genoma, as pesquisas que buscam a determinação genética de comportamentos sexuais, além das experiências e práticas médicas que apelam para a necessidade de controle da natalidade são herdeiros diretos desta corrente científica.
O apelo das teorias eugênicas está em sua proteção do status quo e na insistência em remédios científicos e/ou tecnológicos para lidar com problemas que requerem mudanças sociais e institucionais profundas. Assim, a mudança social é rechaçada em nome da eliminação dos grupos que ameaçam a ordem estabelecida.”
Acesse toda análise do autor no site:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-83332003000200014&script=sci_arttext
Segundo Alexandre Machado Rosa, licenciado e mestrando em Educação Física pela Unicamp; membro do observatório de políticas públicas de esporte e lazer, o pensamento eugênico continua a ser reproduzido no Brasil, nos dizeres dele:
“No Brasil, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, reavivou velhas feridas históricas, ao declarar que é favorável ao aborto como forma de controle da violência e que as mulheres grávidas das favelas são “fabricas de marginais”. Por lançar declarações polêmicas e se referir às teses do livro Freakonomics, que segue a velha fórmula da antropologia criminal de Cesare Lombroso (1835-1909), Cabral pisou em terreno perigoso e colocou em risco seu histórico democrático. De quebra, fez coro com as declarações e ações racistas pelo mundo.
Outro personagem brasileiro que acaba fazendo eco numa proporção menor, é o médico Drauzio Varella. No dia 14.04.2007, publicou, na Folha de S.Paulo um artigo intitulado Tal qual avestruzes, no qual resgata uma resolução da World Scientific Academies, de 1993, que afirma: “A humanidade se aproxima de uma crise. Durante o tempo de duração da vida de nossos filhos, nosso objetivo deve ser o de atingir crescimento populacional igual a zero”.
Em um dos artigos, intitulado Os filhos deste solo, ele aponta uma visão determinista, condena a pobreza à não reprodução e evoca conceitos elaborados por Malthus, como a teoria da taxa de reposição - quando afirma que Para manter constante a população de um país, cada casal deveria ter dois filhos. Um para substituir a mãe quando ela morrer, e outro para substituir o pai. É a chamada "taxa de reposição"
.
Leia esse artigo sobre a Eugenia completo no site:
http://diplo.uol.com.br/2007-11,a2047
MARGARET SANGER: O MOVIMENTO FEMINISTA E A EUGENIA
Uma das mais influentes pensadoras e militantes do movimento feminista, que teve seu modelo importado para o Brasil, é também uma das maiores defensoras do racismo eugênico. Margaret Sanger (1879 – 1966), precursora do movimento feminista nos Estados Unidos, afirmava que “o leito matrimonial é a influência mais deletéria da ordem social e a maternidade é uma escravidão”, socialista, defensora da teoria malthusiana, e do controle de natalidade da população preta, nos seus dizeres dela: “raça inferior, materialmente e mentalmente pobre”.
Sanger foi diretora de publicação da Birth Control Review por mais de vinte anos, revista que defendia o controle de natalidade para a população que ela considerava inferior. Na mesma revista, Sanger escreveu em maio de 1919 : "Mais nascimentos entre as pessoas aptas e menos entre as não aptas, esse é o principal objetivo do controle da natalidade". A capa do número de novembro de 1921 dizia: "Controle da natalidade, para criar uma raça de puros-sangues!".
Em outras edições da Revista Birth Control Review, Sanger emite outras declarações eugênicas, todas tendo o povo preto como alvo:

-
“O ato mais piedoso que pode realizar uma família numerosa por um de seus filhos menores, é matá-lo" (1920).
-
"Os serviços de maternidade para as mulheres dos bairros miseráveis são prejudiciais para a sociedade e para a raça. A caridade não faz senão prolongar a miséria dos inaptos" (1922).
-
"Nenhuma mulher e nenhum homem terá direito de ser mãe ou pai sem uma licença de procriação” (1934).
Sanger, em 1929, criou para o Harlem, grande gueto preto na cidade
de Nova York, USA, o chamado PROJETO NEGRO, que pregava o Planejamento Familiar e o Controle de Natalidade da população. Palestrou nas Igrejas Pretas no Harlem convencidas do seu projeto de controle populacional, enganados pela promessa da redução da pobreza e de melhorias para o povo preto.
Paradoxalmente também palestrava para a WKKK (também conhecida como o Women's Ku Klux Klan ou Mulheres do Ku Klux Klan), um dos vários auxiliares da Ku Klux Klan, enaltecendo o controle de natalidade como forma de manutenção dos “puros-sangues”.
Interessante, abrir um parêntese, e informar que de três em três dias, mais pretos norte-americanos são mortos por aborto do que foram assassinados pela Ku Klux Klan em toda a sua história.

O ABORTO E AS IGREJAS PRETAS
Atualmente, as Igrejas Pretas Norte-Americanas estão desenvolvendo campanhas contra o aborto, afirmando se tratar de um enorme genocídio contra o povo preto.
Conforme o Pastor Howard Clenard Childress, Jr.,
“O aborto é a maior decepção que tem atormentado a Igreja Preta desde o próprio Lúcifer”.
Childress, Jr. tem liderado a campanha anti-abortista dentro dos USA. Segundo o site da Organização que ele é um dos organizadores, são dados:
- Entre 1882 e 1968, 3446 eram negros linchados nos Estados Unidos. Esse número é ultrapassado, em menos de três dias por aborto.
- 3 de cada 5 mulheres Afro-americanas grávidas interrompe sua gravidez.
- Desde 1973, tem havido mais de 13 milhões de crianças pretas mortas e suas mães vitimadas pela indústria do aborto nos Estados Unidos.
-Com 1 / 3 de todos os abortos realizados em mulheres pretas, a indústria do aborto recebeu mais de 4.000.000.000 (sim, bilhões) de dólares da comunidade negra.
Conforme relato de Erma Clardy Craven (falecido) líder no movimento social pelos Direitos Civis:
“Vários anos atrás, quando 17000 bebês abortados foram encontrados em um deposito do lado de fora de um laboratório de patologia em Los, Angeles, Califórnia, foram observadas cerca de 15000 serem de ser bebes negros".
Acesse o site do BlackGenocide:
http://www.blackgenocide.org/home.html
A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS APÓIA O ABORTO.
Atualmente, declarações da Igreja Universal do Reino de Deus e da Rede Record de Televisão, apoiando o Controle de Natalidade e a prática do Aborto, têm sofrido árduos ataques.
De acordo com o site: O Verbo - Noticias Cristãs - em entrevista à Revista Veja, o Bispo Supremo da Universal, Edir Macedo, diz que “a criança não vem pela vontade de Deus”, portanto cabe à mulher decidir pelo nascimento.
Confira trecho da Entrevista à Revista Veja:
FO LHA — Em sua biografia, o Sr. defende o aborto. Atualmente, a Record e a Record News exibem campanha pelo aborto. Por quê?
MACEDO — Sou favorável à descriminalização do aborto por muitas razões.
1) O que os que são contra o aborto têm feito pelas crianças abandonadas?
2) Por que a resistência ao planejamento familiar? Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada.
FOLHA — “Deus deu a vida e só Ele pode tirá-la”, segundo a Bíblia. Não é contraditório um líder cristão defender o aborto?
MACEDO — A criança não vem pela vontade de Deus. A criança gerada de um estupro seria de Deus? Não do meu Deus! Ela simplesmente é gerada pela relação sexual e nada mais além disso. Deus deu a vida ao primeiro homem e à primeira mulher. Os demais foram gerados por estes
O que a Bíblia ensina é que se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele (Eclesiastes 6.3). Não acredito que algo, ainda informe, seja uma vida.
Acesse o Site com a Entrevista:
http://juliosevero.blogspot.com/2007/10/revista-veja-confirma-posio-pr-aborto.html
O ABORTO E A ESPIRITUALIDADE AFRICANA
O Brasil é o campeão mundial em concentração da riqueza: enquanto os 20% mais ricos acumulam bens e capital, 18% da população detém a miséria absoluta, numa diferença de 32 vezes entre os opostos.
Infelizmente, o discurso caucasiano feminista tem-se confundido com a africanidade, muitas vozes são mais brancas do que as vozes daqueles que retiraram a vida de milhões de crianças na África e conseqüentemente nos levaram a pobreza e diretamente retira o direito a vida do nosso povo.
O aborto é uma questão política do povo preto e não pode ser discutido sem levar em conta os fatores da pobreza, sobrevivência e espiritualidade. Há uma adjetivação de fundamentalismo e machismo quando se fala na questão do direito a existir como povo, como se fosse à concepção um ato somente feminino. Nas principais religiões do mundo a concepção não é exclusiva da mulher, mas, da mulher, do homem e de Deus, especialmente dos hebreus.
Qual será a concepção daquelas pessoas que apóiam o aborto? A concepção dessas pessoas é africana?
As pessoas do Movimento Negro que apóiam a pratica do aborto realmente têm um plano político contra a terceira maior causa de mortes das mulheres no Brasil? Será que disponibilizando clinicas especializadas em abortos nos bairros pobres, a situação da família preta irá melhorar?
A questão do aborto está especialmente sobre o foco da maternidade e paternidade responsáveis, não sendo simplesmente uma banalidade decisória de deixar ou não viver um ser africano.
O direito a vida do povo preto na África e na diáspora na concepção do CNNC/BA começa no feto e continua por toda a eternidade, porque somos um povo repleto de espiritualidade e continuidade original da criação divina. Quando Javé disse: Crescei-vos e multiplique-se, ele falou diretamente as populações pretas na África, não existia nenhum branco no planeta. Essa ordem expressa de Javé foi direcionada as populações pretas. E por mais que os caucasianos inventem teorias como a malthusiana, que digam que somos a causa da pobreza e da violência no mundo, que tenham medo da pobreza que criaram para o nosso povo aumente e afete as suas praias, seus locais de lazer, que inventem cotas de poder. Nada poderá impedir a promessa de Javé dita ao preto Abrão: a sua descendência será como a areia do mar e ninguém poderá contar.
As concepções de gestação e hereditariedade africanas têm que continuar vivos na militância preta independente das religiões, porque o direito a vida do povo preto e sua união é a maior bandeira do movimento panafricanista.
O aborto é condenado nos escritos Africanos bíblicos e é uma negação das mitologias africanas no Brasil. Desconheço pastores e pastoras pretas que apóiem essa pratica. Não conheço nenhuma história dos Orixás, Inquices e Vodunces, que coabite com a pratica do aborto. Conheço histórias de defesa da fecundidade, de defesa da vida e da procriação.

Em conversas a respeito da prática de Aborto na Comunidade Preta, um Ogãn de Candomblé me escreveu:
Nós, do Candomblé, somos contra o aborto porque seguimos aos desígnios de Olodumaré, Senhor Supremo da Criação, amamos a Olorum, o Senhor do Orum e como suas criaturas o respeitamos.
Exu- o dono dos caminhos, das estradas. Aquele que dá seguimento de vida tem no falo (pênis) o seu símbolo maior. Está ligado intrinsecamente a fertilidade.
Oxum - Dona das águas doces exerce no ventre materno uma função elementar que é a proteção do mesmo, assegurando a gestação da vida.
Oxalá- O Orixá maior, o Senhor do Alá, dono do branco, juntamente com Ajalá, criou o homem enquanto ser vivente.
Oxossi- Dono da caça e da fartura, garantidor do alimento que assegura a sobrevivência humana.
Yemanjá - Representada com os seios fartos. Pariu vários orixás, típica mãe africana.


ABIKÚ
A respeito da prática do Aborto, a ancestralidade africana dentro da Cultura Yorubana, desenvolve resquícios espirituais e físicos e tem no principio do ABIKU, a palavra já diz tudo: A = Nós; Bi = Nascer; Ku = Morrer [Nós nascemos para morrer], leia a citação abaixo:

"O legado dos antigos pelas suas crenças, histórias e ritos da sua prática religiosa e cultural, se adaptam e se aplicam em qualquer tempo, através da sua sabedoria, com muita propriedade.
Em seu tempo, não há referências ao aborto, mas ao contrário, o esforço pela manutenção da vida, inclusive em quantidade.
Pela prática divinatória através do jogo de búzios, nos dias de hoje identificamos muitos desses abikús, que percebemos em uma segunda instância, muitos são "criados", passam a existir por ingerência do ser humano através do aborto, é até simples de entender e ver por uma ótica e lógica astral/espiritual a qual simplesmente não podemos deletá-la da nossa mente e inteligência, ou na pior das hipóteses, ignorá-la.
No instante em que o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, esta nova matéria existente já é provida de alma e espírito, que os cristãos chamam de "anjo da guarda" e os yorubanos de "orixá" (guardião da cabeça), este fenômeno consta na teologia Yorubana, na lenda de Ajálá, que será comentada.
Quando da execução do aborto propriamente dito, o ser humano supostamente, exerce o "seu direito" de eliminar aquele ser; mas somente a parte material, o corpo, por ele criado através do ato sexual de procriação, matando de forma definitiva o feto. Mas e o que por ele não foi criado, alma e espírito, onde fica, para onde vai? Esta análise via de regra não é feita ou levada em consideração, acaso haverá conseqüências? Seriíssimas, que aqui descrevemos com muita convicção, pautado nas mais diversas constatações através dos consulentes, por mais de duas décadas, dos sintomas pós-aborto, a presença daquela "figura" que aparece de uma forma genética, oriunda de gerações passadas, os que são provocados e voltam ainda na mesma geração, e os que voltarão em nossos descendentes, e da forma mais imprevisível possível.
A grande maioria de seres que nascem com deformidades, doenças graves, mortes prematuras... Tem grandes possibilidades de serem abikús fabricados pelo homem.
Nos dias de hoje, quando morre uma criança ainda nova, há muita possibilidade de ser um abikú que está voltando ao "céu", bem como persiste a probabilidade de voltar em um próximo filho, ainda na mesma geração ou na próxima; quando uma criança fica muito doente e corre risco de vida, pode averiguar na família se já há caso de aborto ou morte prematura, é bem possível.
As reações, mais da mãe que do pai, em caso de aborto, porque muitas vezes o pai não fica sabendo e não participa da decisão, na sua vida, no seu dia a dia são sintomáticas: desequilíbrio generalizado, na vida pessoal, no trabalho, em casa, nos estudos, nada dá certo, nada vai bem, angustia, depressão, pessimismo, falta de ânimo, aparentemente tudo deveria estar bem, mas as coisas não "vão". É a influência daquele "ser", que contrariando as leis da natureza foi "fisicamente" eliminado, o qual fica gravitando num outro plano próximo aos pais, afetando suas vidas com estes sintomas.
Até mesmo por uma questão de justiça, não poderá um abikú que foi "gerado" por uma família, aparecer em outra, que nada tem a ver com o ato irresponsável de outros, e percebemos que uma criança que já nasce deformada de alguma forma, ou uma doença grave com morte, quem sofre realmente na sua plenitude são os pais, porque a dor interna é maior que a dor física, a criança já nasceu daquela forma, para ela que não sentiu e não sabe ser saudável, não percebe e não imagina como se sente alguém normal, portanto a sua dor ou problemas, para si é normal.
Esta situação pode e deve ser tratado no seu campo espiritual, o antigo nos legaram instrumentos dentro da religião yorubá, para fazê-lo, através de ebós e oferendas específicas, que se vale do mesmo princípio aplicado nos países yorubanos, quer seja: "enganar" os abikús; Muito se pode melhorar e modificar, evidente que em alguns casos é irreversível após o nascimento, mas se detectado ou informado o babalorixá ou yialorixá competente, pelo que foi descrita, a mãe que poderia vir a ter um filho abikú, por meio desses ebós e oferendas pode-se evitar a vinda de um ser deformado ou com problemas sérios, que na realidade, nada mais é que um "retorno sob forma de castigo" de atos nossos ou de gerações passadas, de um processo que nunca foi tratado ou interrompido.
Desta forma vê-se que o aborto é uma situação que transcende a ingerência das pessoas, pois é algo ligado diretamente à natureza, e conseqüentemente ao Seu Criador, modifica-se ou escapa da lei dos homens, mas não à Divina. Este é um fato porque nenhuma religião da terra permite o aborto".
Leia sobre os Abikús no site:
http://www.geocities.com/pwpercio/abiku.html
Será que as pessoas que defendem o aborto acreditam realmente nas crenças e ensinamentos vindos da África? Ou desrespeitam os ensinamentos ancestrais?
Como tenho dito a influência caucasiana tem modificado as nobres concepções do nosso povo. A defesa do aborto é uma estratégia das populações brancas no mundo. Na Europa, países como a Alemanha e a Áustria estimulam o crescimento populacional. Eles têm medo das imigrações de pretos, porque roubaram as riquezas africanas, se enriqueceram com a África e exploraram os seus filhos, mudaram formas de viver e concepções de mundo e hoje quando a promessa está se cumprindo, defendem a morte dos nossos fetos, continuidades do povo de Deus espalhados em diversos continentes e em diversas religiões. A morte dos seres originais.

ABORTO E O CONNEB – CONGRESSO DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL –
Nos dias 21 e 22 de Abril de 2007, no SESC Venda Nova de Belo Horizonte/MG foi realizada a Assembléia Nacional do Congresso de Negras e Negros do Brasil. Nesta Assembléia foi estipulada a Monção número 6, que diz:
“... Partindo desta realidade as maiorias das mulheres realizam aborto inseguro (sem assistência médica nem orientação) é tratado de forma punitiva no ambiente hospitalar, possuindo perfil de mulheres pobres e em sua maioria jovem negras configurando-se numa reprodução do racismo institucional, e principalmente, do pensamento hegemônico do machismo que trata a mulher como ser inferior, incapaz de tomar decisões, se submetendo a uma realidade de que o pensamento judaico-cristão determina que toda mulher deve cumprir o papel de ser mãe e que sua vida seja reduzida ao universo do lar.
As jovens negras estão morrendo, devido um Estado que não discute sexualidade, diversidade sexual e os direitos reprodutivos.
Contra a política de abstinência sexual de Bush, pelo Estado Laico e contra o conservadorismo da saúde pública.”
Leia toda a monção no site:
http://www.overmundo.com.br/blogs/congresso-nacional-de-negras-e-negros-do-brasil
Esta monção foi erradamente formulada porque a prática do aborto é condenada pelas recriações de religiões de matriz africana no Brasil e em religiões de todo o mundo. Será que as matriarcas dos grandes e tradicionais Ilês da Bahia apóiam essa pratica? Será que Mãe Stella de Oxóssi, como Sacerdotisa de um dos Ilês mais famosos da Bahia (Ilê Asè Opó Afonjá), que iniciou a campanha contra o Sincretismo Religioso e Mãe Tatá do Terreiro da Casa Branca no Engenho Velho apóiam o aborto? Será que a doce Mãe Hilda do Ilê Asè Jitolu também apoia essa prática? O que será que dizem essas grandes matriarcas e detentoras do conhecimento ancestral africano?
O papel da maternidade é defendido dentro do candomblé e sem a defesa da maternidade e da vida não existe candomblé. O que tem ocorrido é que, sem permissão, as religiões de matriz africana são usadas para defender pontos de vistas sobre o aborto que não são as concepções da maioria dos Ilês no Brasil.

CONCEPÇÃO BÍBLICA SOBRE O ABORTO
A concepção bíblica, como as demais religiões de matriz africana, é a favor da manutenção da vida e contra à prática do aborto. Dentro da Filosofia Cristã a concepção da vida é composta por três personagens: Mãe, Pai e Deus, sendo que apenas D-us por ser o Senhor da Criação pode retirar a vida.
A concepção Bíblica contra o aborto começa com a orientação expressa de Javé pela procriação ainda no Jardim do Éden, na África, e pela construção da Família Preta. É inegável segundo as Escrituras que há existência e individualidade desde momento da concepção.
“Mas tu és o que me tiraste do ventre; o que me preservaste estando ainda aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.” Salmos 22:9-10.
“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.” Efésios 1:4-5.

Será que nós pretos e pretas devemos apoiar a prática do aborto? Será que devemos enquanto pessoas e enquanto povo apoiar essa prática? O que o leitor e leitora pensa sobre essa polêmica temática?


domingo, 13 de janeiro de 2008

OS MÓRMONS E OS NEGROS


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com

O fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons) foi Joseph Smith em 1830.


Ele afirmou ter recebido algumas revelações de anjos, e por intermédio de um "enviado de Deus" o local exato onde encontraria um livro escrito em placas de ouro, que contava a história dos primeiros habitantes americanos. As placas "tiveram de ser devolvidas a Deus", mas sua tradução resultou no Livro dos Mórmons. Smith se considerava o verdadeiro representante de Deus. Ele apoiava a poligamia (homem com várias mulheres). Os mórmons declaram que a nova Sião será reconstruída no continente americano, através deles. Também atribuem ao Livro dos Mórmons à mesma importância da Bíblia.


A Primeira Visão - Deus o Pai e Jesus Cristo aparecem ao menino Joseph Smith Jr. na primavera de 1820


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Está escrito no Livro de Mórmon:
I Néfi 12: 22 e 23 -
E disse-me o anjo: eis que estes "degenerarão", caindo na incredulidade.
E aconteceu que vi que depois de haverem degenerado, caindo na incredulidade, tornaram-se um povo escuro, sujo e repulsivo, cheio de preguiça e tipo de abominações.
2 Néfi 5:21-25 -
E ele fez cair a maldição sobre eles, sim, uma dolorosa maldição, por causa da sua iniqüidade. Pois eis que haviam endurecido o coração contra ele de tal modo que se tornaram como uma pedra; e como eram brancos, notavelmente formosos e agradáveis, a fim de que não fossem atraentes para meu povo o Senhor Deus fez com que sua pele se tornasse escura.
E assim diz o Senhor Deus: Eu farei com que sejam repugnantes a teu povo, a menos que se arrependam de suas iniqüidades.
E amaldiçoada será a semente que se misturar com a semente deles; porque será amaldiçoada com igual maldição. E o Senhor assim disse e assim foi.
E por causa da maldição que caiu sobre eles, tornaram-se um povo preguiçoso, cheio de maldade e astúcia e procuravam animais de caça no deserto.
E o Senhor Deus disse-me: Eles serão um castigo para teus descendentes, a fim de fazer com que se lembrem de mim e se não se lembrarem de mim e não derem ouvidos a minhas palavras, castigá-los-ão ate que sejam destruídos.
Os Mórmons se dizem descendentes da tribo perdida dos filhos de José.
1 Néfi 5:14 que diz: E aconteceu que meu pai Leí, também descobriu nas placas de latão uma genealogia de seus pais; soube, portanto, que ele descendia de José, sim, aquele mesmo José e que fora vendido no Egito e que fora preservado pela mão do Senhor para que pudesse preservar seu pai, Jacó, e toda a sua casa, evitando que morressem de fome. E eles comeram do fruto que lhes confirmou a brancura em
1 Néfi 12:12-13 que diz: E eu, Néfi, vi também muitos da quarta geração que morrem em retidão. E aconteceu que vi as multidões da Terra reunidas. E em 1 Néfi 13:15 diz: E vi que o espírito do Senhor estava sobre os gentios e eles prosperam e receberam a terra por herança; e vi que eram brancos, muitos belos e formosos, como era meu povo antes de ser exterminado.
É interessante notar que José era um hebreu, sendo redundante dizer que era preto bisneto de Abraão que também era um preto. José casou-se com uma egípcia chamada Asenate ou Asenet, sendo assim, seus filhos Efraim e Manasses eram pretos e egípcios. Nisto está presente a incoerência dos mórmons, eles se dizem seguidores de uma tribo de Israel que vivia na América, e foi visitada por Jesus Cristo com certeza absoluta, não foi nenhuma tribo dos filhos de Israel, mas, um delírio do escritor do livro. Porquanto todas as tribos de Israel eram pretas.
Os Mórmons criaram a sua igreja e teologia centradas no equívoco, na discriminação racial, no desconhecimento bíblico e histórico.
Principal templo em Utah-USA, 60% da população de deste estado americano segue a religião mórmon.



Crianças e jovens africanos mórmons
Nas questões analíticas da fé mórmon os seus escritos são racistas, antipreto e anti¬evangelho de Jesus Cristo, e quando interpretam o livro de Gêneses dizem que existiram homens pré-adâmicos e identificam a serpente como um homem negro, que foi ao jardim do Éden e seduziu Eva e do fruto dessa relação nasceu "Caim" que é o filho da maldição e pai de todos os pretos. Por isso que eles afirmam que todos os pretos têm a pele preta para que possam ser identificados como seres distantes da descendência de Adão, permitindo o governo de Satanás e também afirmam em seus escritos que quem se misturar com a descendência de Caim, os pretos, será contaminado. Os Mórmons acreditam que os pretos não se originam de Deus e os brancos são a raça de Deus, filhos de Adão.
Os Mórmons dizem que os pretos podem aceitar o evangelho, contudo, de¬vem apresentar uma fé verdadeira, têm que ser sinceros e sendo batizados de¬vem ser fieis todos os dias da sua vida, sendo assim, poderão entrar no Reino Celestial onde serão empregados dos brancos.
Os mórmons também dizem que podem lavar com sabão o preto, sendo impossível limpar a marca da maldição e afirmam que foi o próprio Deus que a colocou, por culpa do próprio preto, devido o seu pecado na preexistência.
Em relação ao continente africano, em algumas publicações mórmon diz: Que foi Deus também que colocou os pretos para serem renegados, deixando cair uma cortina de ferro na África.

Algumas citações dos mórmons:
"Você vê alguns grupos da família humana são negros, desajeitados, feios, desagradáveis e baixos em seus costumes, selvagens e aparentemente sem a benção da inteligência que é normalmente dada à humanidade. O primeiro homem que cometeu o odioso crime de matar um de seus irmãos foi amaldiçoado por mais tempo do que qualquer outro filho de Adão. Caim matou seu irmão. Caim poderia ter sido morto e isto teria findado aquela linhagem de seres humanos. Mas não era para ser assim, e o Senhor pôs uma marca nele, que é o nariz chato e a pele negra. Siga a história da humanidade até após o dilúvio e ali uma nova maldição é lançada sobre a mesma raça — eles seriam 'servos de servos';
Journal of Discourses,
volume 7, páginas 290-291.

JOSEPH SMITH
Primeiro Profeta, Presidente e Fundador da Igreja Mórmon escreveu:
"Se eu tivesse algo a ver com o negro, eu os manteria limitados à sua própria espécie por lei rigorosa, e eu os colocaria num plano nacional de igualdade”.

History of the Church (História da Igreja), volume 5, páginas 218-219.

BRUCE R. McCONKIE
Membro do Quorum dos Doze Apóstolos da Igreja Mórmon ESCREVEU:
"
Aqueles que eram de menor valor na preexistência, e que, portanto tiveram certas restrições espirituais impostas sobre eles durante suas vidas mortais, são conhecidas por nós como negros. Tais espíritos foram enviados a Terra através da linhagem de Caim, sendo que a marca colocada nele devido a sua revolta contra Deus e o assassinato de Abel é a pele negra (...)
Missionário Mórmon na África.
"Degeneração racial, resultando em diferenças de aparência e em capacidade espiritual, têm surgido desde a queda. “Nós conhecemos as circunstâncias sob as quais a posteridade de Caim (e mais tarde de Cão) foi amaldiçoada com aquilo que chamamos características raciais negróides”.

Mormon Doctrine,
página 616


São centenas de citações racistas escritas pelos seguidores da religião Mórmon e tantas outras que encontramos no livro considerado sagrado por eles. Os mórmons agora já dizem aceitar pastores pretos, porque o próprio Deus revelou em 1978 que já era hora de levar o evangelho à África
e ao Brasil. Ao crescimento se acelerou desde o dia 9 de junho de 1978, quando o profeta mórmon Spencer W. Kimball declarou que homens de descendência Africana poderiam ser ordenados ao sacerdócio. Até aquela data, missionários mórmons normalmente evitavam brasileiros e pessoas pretas em outras partes do mundo, porque eles eram considerados “amaldiçoados para o sacerdócio” e desqualificados espiritualmente para posições de liderança importantes. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é extremamente ativa e crescente em todo o mundo.


O Templo de Porto Alegre, Brasil, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

No Brasil atualmente existem quase 1 milhão de membros. (928.926 membros da Igreja em 31 Dezembro 2006).Estima-se que mais de trinta mil obreiros são sustentados pelo Mormonismo.
Em Recife, no bairro Torre, está sendo construído um templo considerado o maior da América Latina. O Mormonismo é uma organização extremamente rica, com uma arrecadação anual estipulada em 5,9 bilhões de dólares e o patrimônio é avaliado em 30 bilhões de dólares.
Há quatro anos, a liderança internacional elegeu o Nordeste como prioridade para suas investidas, pois é aqui o lugar onde mais crescem fora dos Estados Unidos. O Brasil tem o terceiro maior número de mórmons no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do México. A Igreja Mórmon no Brasil também envia seus membros como missionários para outros países, como Moçambique e Angola.
Um dos candidatos que disputam as prévias pelo Partido Republicano a presidência dos Estados Unidos é da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias (Mórmon) Mitt Romney, governador de Massachusetts de 2003 a 2007,
Na Bahia encontramos centenas de mórmons, com templos em bairros predominantes de população preta, como o que está localizado no Sieiro-Liberdade em Salvador. E muitos pretos são propagadores dessa doutrina, com uma ideologia discriminatória que continua no livro dos Mórmons e nos escritos bem recentes dos seus teólogos.
Em uma comunidade do orkut cujo tema são os mórmons na discussão sobre racismo um membro colocou a seguinte questão:

Roddrigo
...
Está aí Raimunda, uma boa idéia.

O Livro de Mormon é racista e segundo a nossa constituição RACISMO é um dos dois crimes inafiançáveis e imprescritíveis... (O outro é o atentado contra o estado democrático de direito)
Logo ainda está em tempo de colocar o Livro de Mormon frente a Lei Brasileira.
Talvez alguém querai dirigir-se as Organizações Negras da Bahia e entrar em contato com o setor jurídico munido do livro de mormon bem como de outros comentários racistas provenientes do alto clero da Igreja!


http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=350064&tid=2502809268853734251&na=3&nst=91&nid=350064-2502809268853734251-2533071170315059242


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