domingo, 13 de janeiro de 2008

OS MÓRMONS E OS NEGROS


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com

O fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons) foi Joseph Smith em 1830.


Ele afirmou ter recebido algumas revelações de anjos, e por intermédio de um "enviado de Deus" o local exato onde encontraria um livro escrito em placas de ouro, que contava a história dos primeiros habitantes americanos. As placas "tiveram de ser devolvidas a Deus", mas sua tradução resultou no Livro dos Mórmons. Smith se considerava o verdadeiro representante de Deus. Ele apoiava a poligamia (homem com várias mulheres). Os mórmons declaram que a nova Sião será reconstruída no continente americano, através deles. Também atribuem ao Livro dos Mórmons à mesma importância da Bíblia.


A Primeira Visão - Deus o Pai e Jesus Cristo aparecem ao menino Joseph Smith Jr. na primavera de 1820


.
Está escrito no Livro de Mórmon:
I Néfi 12: 22 e 23 -
E disse-me o anjo: eis que estes "degenerarão", caindo na incredulidade.
E aconteceu que vi que depois de haverem degenerado, caindo na incredulidade, tornaram-se um povo escuro, sujo e repulsivo, cheio de preguiça e tipo de abominações.
2 Néfi 5:21-25 -
E ele fez cair a maldição sobre eles, sim, uma dolorosa maldição, por causa da sua iniqüidade. Pois eis que haviam endurecido o coração contra ele de tal modo que se tornaram como uma pedra; e como eram brancos, notavelmente formosos e agradáveis, a fim de que não fossem atraentes para meu povo o Senhor Deus fez com que sua pele se tornasse escura.
E assim diz o Senhor Deus: Eu farei com que sejam repugnantes a teu povo, a menos que se arrependam de suas iniqüidades.
E amaldiçoada será a semente que se misturar com a semente deles; porque será amaldiçoada com igual maldição. E o Senhor assim disse e assim foi.
E por causa da maldição que caiu sobre eles, tornaram-se um povo preguiçoso, cheio de maldade e astúcia e procuravam animais de caça no deserto.
E o Senhor Deus disse-me: Eles serão um castigo para teus descendentes, a fim de fazer com que se lembrem de mim e se não se lembrarem de mim e não derem ouvidos a minhas palavras, castigá-los-ão ate que sejam destruídos.
Os Mórmons se dizem descendentes da tribo perdida dos filhos de José.
1 Néfi 5:14 que diz: E aconteceu que meu pai Leí, também descobriu nas placas de latão uma genealogia de seus pais; soube, portanto, que ele descendia de José, sim, aquele mesmo José e que fora vendido no Egito e que fora preservado pela mão do Senhor para que pudesse preservar seu pai, Jacó, e toda a sua casa, evitando que morressem de fome. E eles comeram do fruto que lhes confirmou a brancura em
1 Néfi 12:12-13 que diz: E eu, Néfi, vi também muitos da quarta geração que morrem em retidão. E aconteceu que vi as multidões da Terra reunidas. E em 1 Néfi 13:15 diz: E vi que o espírito do Senhor estava sobre os gentios e eles prosperam e receberam a terra por herança; e vi que eram brancos, muitos belos e formosos, como era meu povo antes de ser exterminado.
É interessante notar que José era um hebreu, sendo redundante dizer que era preto bisneto de Abraão que também era um preto. José casou-se com uma egípcia chamada Asenate ou Asenet, sendo assim, seus filhos Efraim e Manasses eram pretos e egípcios. Nisto está presente a incoerência dos mórmons, eles se dizem seguidores de uma tribo de Israel que vivia na América, e foi visitada por Jesus Cristo com certeza absoluta, não foi nenhuma tribo dos filhos de Israel, mas, um delírio do escritor do livro. Porquanto todas as tribos de Israel eram pretas.
Os Mórmons criaram a sua igreja e teologia centradas no equívoco, na discriminação racial, no desconhecimento bíblico e histórico.
Principal templo em Utah-USA, 60% da população de deste estado americano segue a religião mórmon.



Crianças e jovens africanos mórmons
Nas questões analíticas da fé mórmon os seus escritos são racistas, antipreto e anti¬evangelho de Jesus Cristo, e quando interpretam o livro de Gêneses dizem que existiram homens pré-adâmicos e identificam a serpente como um homem negro, que foi ao jardim do Éden e seduziu Eva e do fruto dessa relação nasceu "Caim" que é o filho da maldição e pai de todos os pretos. Por isso que eles afirmam que todos os pretos têm a pele preta para que possam ser identificados como seres distantes da descendência de Adão, permitindo o governo de Satanás e também afirmam em seus escritos que quem se misturar com a descendência de Caim, os pretos, será contaminado. Os Mórmons acreditam que os pretos não se originam de Deus e os brancos são a raça de Deus, filhos de Adão.
Os Mórmons dizem que os pretos podem aceitar o evangelho, contudo, de¬vem apresentar uma fé verdadeira, têm que ser sinceros e sendo batizados de¬vem ser fieis todos os dias da sua vida, sendo assim, poderão entrar no Reino Celestial onde serão empregados dos brancos.
Os mórmons também dizem que podem lavar com sabão o preto, sendo impossível limpar a marca da maldição e afirmam que foi o próprio Deus que a colocou, por culpa do próprio preto, devido o seu pecado na preexistência.
Em relação ao continente africano, em algumas publicações mórmon diz: Que foi Deus também que colocou os pretos para serem renegados, deixando cair uma cortina de ferro na África.

Algumas citações dos mórmons:
"Você vê alguns grupos da família humana são negros, desajeitados, feios, desagradáveis e baixos em seus costumes, selvagens e aparentemente sem a benção da inteligência que é normalmente dada à humanidade. O primeiro homem que cometeu o odioso crime de matar um de seus irmãos foi amaldiçoado por mais tempo do que qualquer outro filho de Adão. Caim matou seu irmão. Caim poderia ter sido morto e isto teria findado aquela linhagem de seres humanos. Mas não era para ser assim, e o Senhor pôs uma marca nele, que é o nariz chato e a pele negra. Siga a história da humanidade até após o dilúvio e ali uma nova maldição é lançada sobre a mesma raça — eles seriam 'servos de servos';
Journal of Discourses,
volume 7, páginas 290-291.

JOSEPH SMITH
Primeiro Profeta, Presidente e Fundador da Igreja Mórmon escreveu:
"Se eu tivesse algo a ver com o negro, eu os manteria limitados à sua própria espécie por lei rigorosa, e eu os colocaria num plano nacional de igualdade”.

History of the Church (História da Igreja), volume 5, páginas 218-219.

BRUCE R. McCONKIE
Membro do Quorum dos Doze Apóstolos da Igreja Mórmon ESCREVEU:
"
Aqueles que eram de menor valor na preexistência, e que, portanto tiveram certas restrições espirituais impostas sobre eles durante suas vidas mortais, são conhecidas por nós como negros. Tais espíritos foram enviados a Terra através da linhagem de Caim, sendo que a marca colocada nele devido a sua revolta contra Deus e o assassinato de Abel é a pele negra (...)
Missionário Mórmon na África.
"Degeneração racial, resultando em diferenças de aparência e em capacidade espiritual, têm surgido desde a queda. “Nós conhecemos as circunstâncias sob as quais a posteridade de Caim (e mais tarde de Cão) foi amaldiçoada com aquilo que chamamos características raciais negróides”.

Mormon Doctrine,
página 616


São centenas de citações racistas escritas pelos seguidores da religião Mórmon e tantas outras que encontramos no livro considerado sagrado por eles. Os mórmons agora já dizem aceitar pastores pretos, porque o próprio Deus revelou em 1978 que já era hora de levar o evangelho à África
e ao Brasil. Ao crescimento se acelerou desde o dia 9 de junho de 1978, quando o profeta mórmon Spencer W. Kimball declarou que homens de descendência Africana poderiam ser ordenados ao sacerdócio. Até aquela data, missionários mórmons normalmente evitavam brasileiros e pessoas pretas em outras partes do mundo, porque eles eram considerados “amaldiçoados para o sacerdócio” e desqualificados espiritualmente para posições de liderança importantes. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é extremamente ativa e crescente em todo o mundo.


O Templo de Porto Alegre, Brasil, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

No Brasil atualmente existem quase 1 milhão de membros. (928.926 membros da Igreja em 31 Dezembro 2006).Estima-se que mais de trinta mil obreiros são sustentados pelo Mormonismo.
Em Recife, no bairro Torre, está sendo construído um templo considerado o maior da América Latina. O Mormonismo é uma organização extremamente rica, com uma arrecadação anual estipulada em 5,9 bilhões de dólares e o patrimônio é avaliado em 30 bilhões de dólares.
Há quatro anos, a liderança internacional elegeu o Nordeste como prioridade para suas investidas, pois é aqui o lugar onde mais crescem fora dos Estados Unidos. O Brasil tem o terceiro maior número de mórmons no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do México. A Igreja Mórmon no Brasil também envia seus membros como missionários para outros países, como Moçambique e Angola.
Um dos candidatos que disputam as prévias pelo Partido Republicano a presidência dos Estados Unidos é da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias (Mórmon) Mitt Romney, governador de Massachusetts de 2003 a 2007,
Na Bahia encontramos centenas de mórmons, com templos em bairros predominantes de população preta, como o que está localizado no Sieiro-Liberdade em Salvador. E muitos pretos são propagadores dessa doutrina, com uma ideologia discriminatória que continua no livro dos Mórmons e nos escritos bem recentes dos seus teólogos.
Em uma comunidade do orkut cujo tema são os mórmons na discussão sobre racismo um membro colocou a seguinte questão:

Roddrigo
...
Está aí Raimunda, uma boa idéia.

O Livro de Mormon é racista e segundo a nossa constituição RACISMO é um dos dois crimes inafiançáveis e imprescritíveis... (O outro é o atentado contra o estado democrático de direito)
Logo ainda está em tempo de colocar o Livro de Mormon frente a Lei Brasileira.
Talvez alguém querai dirigir-se as Organizações Negras da Bahia e entrar em contato com o setor jurídico munido do livro de mormon bem como de outros comentários racistas provenientes do alto clero da Igreja!


http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=350064&tid=2502809268853734251&na=3&nst=91&nid=350064-2502809268853734251-2533071170315059242


sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

MAKEDA - A RAINHA DE SABAH


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com


Os historiadores caucasianos não puderam mascarar e esconder a história da bela rainha preta relatada nos escritos hebreus ,cristãos e muçulmanos .Os escritos etíopes a chamam de Makeda e no Corão o seu nome é Balkis. Os primeiros pais da Igreja ,Orígenes e Jerônimo escreveram que ela foi uma rainha preta africana, também assim o fez Flavius Josephus, escritor judeu do 1º século.
A Bíblia conta a sua visita a cidade de Jerusalém, ao rei Salomão, em 1 Reis 10: 1 - "A rainha de Sabah ouviu falar da fama de Salomão e foi submeter o rei à prova por meio de enigmas. Chegou a Jerusalém com uma imponente comitiva de camelos carregados de perfumes; muito ouro e pedras preciosas."
A Rainha Makeda ou Balkis conheceu Salomão através do potente comércio realizado entre o Reino de Israel e as nações da época. A tradição diz que o rei Salomão encantado com a fama desta bela mulher preta,considerada uma das mais sábias, poderosas, belas e ricas Rainhas a convidou para visitar o reino de Israel. Aceitando o convite ela seguiu em viagem do reino de Sabah na cidade de Marib, no extremo sul da Península Arábica, a leste do mar Vermelho no Yemen para Jerusalém.
A cidade de Marib estava situada a 2000 metros de altitude rodeada de roseiras per­fumadas e nesse reino preto, não havia miséria. A população fora sadia e feliz.


Ruínas do templo Mahram Bilqis onde está sepultado o corpo de Makeda.

Contam às tradições que a Rainha de Sabah percorreu 4.800 m2 de deserto, se­guindo as rotas das caravanas e realizou a viagem em três anos e meio, levando consigo quase 800 camelos, burros e mulas, que foram carregados de pedras preciosas; diversos metais, inclusive ouro, especiarias, perfumes e animais. Estes presentes são confirmados em Reis 10:10- "Então a

Rainha de Sabah deu ao rei quatro toneladas de ouro, grande quantidade de perfumes e de pedras preciosas. Nunca houve tantos perfumes como os que a Rainha de Sabah trouxe para o rei Salomão."
Chegando a Jerusalém a tradição diz que ela passou seis meses no Reino de Israel, conta-se também que a Rainha de Sabah maldosamente foi insinuada de ser feiticeira, tendo um belo corpo e os pés de uma cabra. Então, o Rei Salomão mandou construir uma fonte de água feita dos mais belos mármores, peixes ornamentais lindos e plantas aquáticas, na frente ao seu trono, objetivando no momento que ela chegasse ficasse descalça. A bela Rainha chegou mais cedo do que o esperado; ele a observou, cuidadosamente a cada passo. Ela levantou a saia de fios de ouro e ficou descalça. Salomão contempla os mais lindos pés que já tinha visto da mais bela mulher da cor de ébano. Ficando apaixonado a primeira vista.
Passaram dias desafiando um ao outro com enigmas e conhecimentos científicos. Salomão a cada dia que passava aumentava o seu amor e desejo por Ma­keda.
Um dia antes de ela partir, foi preparado um grande banquete e colocado poderosos temperos afrodisíacos na comida. Salomão propôs a Rainha de Sabah um acordo, e disse:
- Nada do meu reino nesta noite você pode pedir ou pegar. Colocou no meio do quarto uma jarra de água. No meio da noite, a rainha com sede, conseqüência da alimentação picante, acordou e bebeu da água da jarra. Salomão disse:
-Você quebrou o acordo.
Ela respondeu:
- Apenas bebi a água, porque estava sedenta.
E ele respondeu:
- A água é o mais precioso bem do meu reino.
Makeda e Salomão se enamoraram, as últimas pesquisas exegéticas comprovam que ela foi a noiva do Cântico dos Cânticos e este livro de amor foi escrito em sua homenagem.
Cânticos 1:5-Eu sou preta e formosa
Após os seis meses, ela preparou-se para partir e ele entregou um sinete de ouro e os mais belos presentes que tinha no Reino de Israel. Quando ela partiu, Salomão sonhou que o sol não mais brilharia em Jerusalém e chorou, com o co­ração saudoso, refletiu sobre a existência e escreveu o livro de Eclesiastes.
Sem ambos saberem, ela estava grávida, e após nove meses e cinco dias nasceu um menino que foi chamado Al-Hakim-Hakim de lbn, “Filho do Homem Sábio" seu nome real era Menelik. Cresceu ouvindo de sua mãe historias de seu pai Salomão e aos trezes anos de idade completando a maioridade da tradição judaica, e em outras tradições relatam vinte e dois anos, ela o envia para Jerusalém com o sinete Real.
Quando chega a Jerusalém Menelik é reconhecido por Salomão e ungido com rei no Templo Sagrado, recebendo o nome de Davi, seu avô, sendo convidado a reinar depois da morte de seu pai em Israel. Menelik recusou, alegando que não poderia deixar o seu país e sua mãe. Salomão despediu-se do seu filho o qual foi acompanhado de diversos oficiais, sacerdotes, conselheiros e mil representantes de cada tribo de Israel para a Etiópia, entregando sobre a sua proteção o bem mais precioso dos hebreus :a Arca da Aliança, que até hoje se encontra na cidade de Axum. A Rainha de Sabah é considerada nos escritos bíblicos, a mulher mais sábia do Primeiro e do Segundo Testamento, só sendo superada em importância por Maria que gerou Yeshua. Makeda foi considerada uma mulher de extrema sabedoria e de fé. Em 1 Reis 10:9 ela diz: "Seja bendito Javé, o seu Deus, que foi benevolente e o colocou sobre o trono de Israel." E no evangelho de Mateus, Yeshua disse, em Mateus 12:42 : "A rainha do meio-dia se levantará no dia do juízo com essa geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é mais do que Salomão."
Na Igreja do Sagrado Sepulcro em Jerusalém há um afresco relembrando o amor de Salomão e Makeda.

O CNNC está disponibilizando por e-mail para você amada(o) leitor uma copia do Livro Kebra Nagast: A Glória dos Reis da Etiópia que relata a história de Salomão e a Rainha de Sabah, a conversão dos etíopes e a linhagem salomônica dos reis da Etiópia. Escreva para o e-mail do CNNC e adquira a sua cópia: cristaosnegros@yahoo.com.br

sábado, 15 de dezembro de 2007

KWANZA: CELEBRAÇÃO AFRICANA

Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke
Kwanza é uma celebração dos pretos e pretas norte-americanos, com enfoque sobre os valores Africanos da família preta, da responsabilidade comunitária, o comércio, e a auto-gestão. Kwanza não é um feriado político, ou religioso, mas um momento a celebração do povo preto, dos nossos antepassados e da nossa cultura.
A palavra Kwanza é derivada da frase em Kiswahili ‘Kwanza do Ya Matunda’, que significa ‘Primeiros Frutos da Terra’, fazendo menção aos primeiros frutos em África.
A princípio, a Kwanza era uma festa comemorada no continente africano, na tradição dos povos africanos de reservar determinada época para festejar a fartura da colheita, e juntos cantar, dançar, comer e beber e comemorar a colheita das primeiras frutas e vegetais. Traria os primeiros alimentos que cresceram ou iguarias que faziam destes para a festa.
Seu fundador é Ron Karenga, conhecido também com Ron “Maulana” Everett, Maulana significa o professor Mestre, em Kiswahili. Karenga foi o primeiro preto a estudar na Universidade da Califórnia, onde aconteceu realização da primeira Kwanza no ano de 1966.
A festa do Kwanza é comemorada durante sete dias, a partir do dia 26 de Dezembro até o dia 01 de janeiro, ligada pela luta dos direitos civis nos U.S. A nos anos de 1960. Foi estabelecido com o objetivo de reconectar os africanos em diáspora com suas características ancestrais e culturais, embasado nas tradicionais festas africanas. Karenga também afirma que a festa do Kwanza não é uma substituição a feriados religiosos e sim uma festa em que os pretos e pretas possam comemorar a semelhança de como faziam nossos ancestrais antes de serem seqüestrados pelos Europeus Caucasianos.
O Kinara é o centro do parâmetro da Kwanza e representa o estado original pelo qual viemos: nossos ancestrais. Também está dividido em sete princípios do Kwanza, conhecidos também como Nguzo Saba. O Kwanza se tornou a manifestação cuja filosofia é à recuperação das tradições e razões dos nossos ancestrais perdidas, com ênfase na união comunitária entre os pretos do mundo, movimento político hoje conhecido como PanAfricanismo.
Os sete princípios do Kwanza, cada um deles comemorados em um dia dos sete da festa, são:
UMOJA – Significa unidade, e representa manutenção da unidade na família, na comunidade, na nação e na raça.

KUJICHAGULIA – Significa Autodeterminação, representa os valores de determinação que o povo preto deve apresentar para resolver as questões que nos afligem.

UJIMA – Significa Trabalho Coletivo e Responsabilidade, Construção conjunta e manutenção da nossa comunidade unida para fazer nossos problemas da irmã e dos irmãos nossos problemas e para resolvê-los junto.

UJAMAA – Significa Economia cooperativa, para construir e manter nossas próprias lojas, supermercados e outros negócios e para comercializar junto com nossos irmãos e irmãs pretas.

NIA – Significa Finalidade, almeja a construção do coletivo e tornar-se de nossa comunidade a fim restaurar nossos povos a sua grandeza outrora tradicional.

KUUMBA – Significa Criatividade, tem por objetivo fazer sempre quanto nós pensemos ser necessário, a nossa maneira, a fim deixar nossa comunidade mais bela e benéfica do que quando nós a herdamos, sempre buscando a melhoria do povo preto.

IMANI – Significa Fé, para acreditar com nossos corações em nosso povo preto, nossos pais, nossos professores, nossos líderes e a vitória de nosso esforço.
Esta citação é feita no início da celebração da Kwanza:
‘Para nossa Terra-Mãe, África, berço da civilização.
Para os antepassados e seus indomáveis espíritos
Para os idosos a partir dos quais podemos aprender muito.
Para os nossos jovens, que representam a promessa do amanhã.
Para o nosso povo, as pessoas originais.
Para a nossa luta e na lembrança daqueles que têm lutado em nosso nome.
Para Umoja, o princípio da unidade, que deve nortear tudo o que fazemos.
Para o criador, que fornece todas as coisas grandes e pequenas’
Sendo este um momento propício para reflexão e inserção do Kwanza em nosso calendário comemorativo, tendo em vista que nenhuma festividade será comparada à Kwanza, em que realmente podemos refletir sobre a situação do nosso povo preto.
Por isso que o CNNC/BA (Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos/BA), vai realizar sua primeira Kwanza no CDCN ( Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra), localizado na rua do Paço, às 17 h do dia 25 de dezembro.
E que jamais possamos esquecer esses sete princípios que configuram o ideal da Kwanza, que sejam enraizados nas nossas mentes e principalmente em nossas ações.

sábado, 8 de dezembro de 2007

O BOM VELHINHO BRANCO E O MAU VELHINHO PRETO









Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com


Recordo-me dos diversos natais da minha infância na Igreja Presbiteriana, e sempre via lamentos e lacrimejos de meninas pretas por não poderem representar nas peças natalinas: os anjinhos. Criança adora participar e ser anjinho no natal, pois aumenta a auto-estima e a insere no vivenciar místico da religiosidade cristã, onde os anjos têm um papel fundamental como mensageiros de Deus, e muitos fiéis erradamente acreditam que um dia se transformarão em anjos na Glória Celestial.
Quando criança participei de diversos funerais de “anjinhos” pretos em caixões brancos, sendo apenas considerados anjinhos as crianças pretas após a morte. Eu acreditava piamente que se tornaram anjinhos, mas, nunca presenciei anjinhos pretos e vivos na igreja.
O tempo passa e a festa natalina continua nas igrejas como sendo a mais pomposa do ano, festejando o nascimento de Jesus Cristo, com seus presépios e dezenas de cânticos:
-Pinheirinho que alegria..
- Nasce Jesus...

E por ai vai, sendo mais alegres as crianças, que vivem sonhos e os transformam em fantasias. Mas quais os sonhos e fantasias repassadas e ensinadas para as crianças pretas?
Este ano já comecei a receber felicitação natalina e evidente que não vou responder. Vejo sempre no Orkut, pretos que mudam as suas fotos e colocam a de Papai Noel, o bom velhinho. Ficam até engraçados, por assim não se dizer ridículos, pretos de Papai Noel e Papai Noel Pretos, já começam a aparecer em alguns shoppings, tudo pelo consumismo para atrair o 13º salário da população, mas, felizmente, são poucos pretos de Papai Noel e abaixo vocês entenderão o por quê.
Todo estudante da História da Igreja sabe que a festa de Natal é uma adaptação da Igreja Romana, no século IV d.C, aos cultos ancestrais europeus que referenciavam o deus Sol, que era comemorado no dia 25 de dezembro, e nada tem haver com o Cristianismo de Matriz Africana. Contudo, tudo que vem do Norte é considerado sagrado, até os demônios natalinos também. Não podemos esquecer que o mal vem do Norte.
A palavra Natal vem do termo latino “Nativitas”, o mesmo que Nascimento, sendo o dia 25 de dezembro uma data referente a comemoração ao solstício de inverno e não tem nada haver com a data de nascimento de Jesus Cristo, e Papai Noel uma invenção européia reforçada na Contra-Reforma Católica, do bom velhinho que distribuía presentes no dia 25 de dezembro.
As crianças no início de sua formação são atingidas pelos meios de comunicação, religião, família e especialmente a escola e fortemente influenciadas por toda a existência.
Os autores brasileiros estereotiparam as personagens pretas como "Bertoleza", de Aluísio Azevedo e as diversas gerações foram influenciadas com Monteiro Lobato escritor de personagens como a de tia Nastácia, uma idosa preta, solteira, cozinheira, medrosa, analfabeta e abobalhada que servia de chacota para as crianças e adultos:
- Deus me livre de entrar num quarto onde há garrafa de saci dentro! Credo! Nem sei como dona Benta consente semelhante coisa em sua casa. Não parece ato de cristão…
(LOBATO, Monteiro. O Saci in Obra infanto-juvenil de Monteiro Lobato, v. 2)
Bestializada ao invés de lábios, beiços grandes, sempre assustada e medrosa, quituteira e em alguns casos "vilã", quando o assunto é o porco Rabicó
- salvo da panela por Narizinho..
Supersticiosa, a tudo esconjura com um "cruz-credo". Ou, como resumiu Emília, num raro elogio:
-Tia Nastácia é uma danada!
- "A boa negra deu uma risada gostosa, com a beiçaria inteira"
Por outro lado a Dona Benta de formação cultural eurocentrada demonstrava conhecimentos e bondades nunca existidos nas mulheres brancas em relação ao povo preto na real história brasileira.
E também o tio Barnabé, um preto idoso de mais de 80 anos, que contava histórias e não passava de um preto bobo.
Na tradição de muitos contos brasileiros os idosos e idosas pretas são considerados violentos e assustadores. Na minha infância, eu tive medo do velhinho do Saco que seqüestrava as crianças, retira o fígado e comia. Isso me dava medo de idosos brancos porque eu sabia que os idosos pretos não assustavam, eu os chamava carinhosamente de vovô ou de vovó. Recordo-me da vovó, uma senhora que era zeladora de umbanda, assim diziam, mas, todos e todas pediam a benção e eu fazia o mesmo, ela era carinhosa e bondosa. Nunca tive medo de idosos pretos e pretas, mas tinha medo dos idosos brancos, hoje sei que eles deveriam ter medo das crianças pretas, sempre me olhavam assustados e temerosos.
Como citado, à população preta é sempre estereotipada, podemos ver no poema racista, relacionado ao mulatismo e a mulher preta, em “Sobre Mulatas Orgulhosas e Crioulos Atrevidos”: conflitos raciais, gênero e nação nas canções populares (Sudeste do Brasil, 1890-1920):
A branquinha é prata fina
Mulata – cordão de ouro
Cabocla – cesto de flores
A negra – surrão de couro
A branca come galinha
Mulata come peru
Cabocla come perdiz
A negra come urubu
Dentro desse modelo racista, inclusive os Idosos Pretos também foram atingidos. O Idoso do Surrão, ou Negro do Surrão, é citado dentro do Clássico de Gilberto Freyre Casa-Grande & Senzala (pág. 458 da 9.ª edição brasileira), como um estereótipo do Idoso Preto, que maltrata as crianças, matava, esquartejava e as comia. Conforme descrita em canção popular:
Canta, canta
Meu surrão
Que eu te dou
Com este bordão.
É mister, desmascarar o que tem sido ensinado de geração em geração, onde o Idoso e Idosa Pretas são àqueles do qual as crianças pretas devem temer, enquanto, o bom velhinho, Papai Noel, branco e gordo, é aquela do qual devem esperar presentes e fazer pedidos no Natal.
À crença no Papai Noel, idoso branco, bondoso, carinhoso, justo, presenteador, em contraste com o Idoso do Surrão, preto, sujo, mal, seqüestrador e assassino, faz com que as crianças percam o respeito à ancestralidade, o carinho, pelos idosos e idosas pretas e as crianças brancas aprendem o preconceito e a falta de respeito pelo povo preto.
Devemos empretecer e abandonar os conceitos racistas que os brancos introduziram na nossa comunidade, perfazendo novas leituras e interpretações das lendas e mitos construídos e/ou introduzidos na comunidade Preta em território brasileiro, baseados em pensamentos racistas, em outras palavras, mitos discriminatórios planejados dentro e pós-regime escravagista.
O Velho do Saco, na verdade é o Idoso do Surrão o qual trabalhei em meu livro infantil: O Boi Mandingueiro e o Saci.
Fiz no meu livro uma desconstrução de personagens pretas como o Saci que tem duas pernas, não sendo mutilado e nem viciado em tabaco, uma criança amiga de todos na floresta.
O Idoso do Surrão, um griot guardador das tradições e protetor de todas as criancinhas, que traz no saco frutas e remédios da floresta.
“Esse Idoso era amoroso, cheio de netinhos e netinhas... Era um médico ancestralista africano, que conhecia as ervas a terra, a água e todas as forças da natureza. Amava todas as pessoas e só fazia o bem. No surrão levava frutas e doces para as criancinhas assenzaladas, e receitas da floresta para curar as doenças de todas as pessoas”. [extraído do livro O Boi Mandingueiro e o Saci, de Walter Passos].
A nossa história ancestral é detentora de tradições africanas de respeito aos idosos e idosas em todas as culturas. Nós, pretas e pretos cristãos, devemos nos assenhorear da história, falarmos para as nossas crianças pretas, que Papai Noel nada tem a haver com o Yeshua, que Papai Noel é uma invenção branca e demoníaca, e serviu e serve para o capitalismo norte-americano, foi o chamariz das grandes vendas de coca-cola em 1930.

O grande fator interessante é a perseguição a tudo que é de origem africana: as nossas culturas ancestrais; as reelaborações de cultos de matriz africana; as línguas dos nossos antepassados, mas, a manutenção dos demonismos do norte é mantida e não contestados dentro das igrejas cristãs, e infelizmente perpetuados por lideranças pretas de diversas religiões. O CNNC/Ba não festeja o Natal e desde o ano passado adotamos a Kwanza como celebração e lembrança das nossas origens africanas.
Recordemos que a nossa ancestralidade é de respeito aos idosos e idosas e que sejamos verdadeiros griots para as nossas crianças.



Que Yeshua nos abençoe e tenhamos um belo Kwanza a partir do dia 26 de dezembro !

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

SEM IGUALDADE NÃO HÁ DEMOCRACIA RACIAL


Valdir C. Estrela. Coordenador de Assuntos Educacionais da União de Negros pela Igualdade/BA (UNEGRO), Sociólogo, Professor de História e de Filosofia.
Recentemente lançado no mercado pela Editora Nova fronteira, o livro Não Somos Racistas, de Ali Kamel, diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, levanta a seguinte tese principal: As ações afirmativas são uma resposta irracional para um problema fictício – o racismo institucional brasileiro.
O autor vê o Estatuto da Igualdade Racial como um exercício de discriminação racial chancelado pelo Estado sob a pressão de um determinado movimento social. Considera a proposta de cotas como falácia e diz que os seus defensores negam a miscigenação como dado central da sociedade brasileira.
Kamel classifica de excludentes essas propostas, pois deixam de fora 19 milhões de brancos pobres, e questiona até a situação dos mulatos de pele clara nesse processo.
Para ele, o Estatuto da Igualdade Racial é uma receita para que os cidadãos brasileiros recebam tratamento desigual por parte do Estado.
Afirma que a pobreza não discrimina: atinge brancos, negros, mulatos. Em seguida, se contradiz ao reconhecer que “Negros e pardos são maioria entre os pobres porque o nosso modelo econômico foi sempre concentrador de renda: quem foi pobre (e os escravos, por definição, não tinham posses) sempre esteve fadado a continuar pobre”.
No final, é ele quem se arvora a dar a receita: políticas universais inclusivas, especialmente investimentos consistentes em educação.
Mas a sua grande pérola é a afirmação de que a idéia de um Brasil racista foi inventada a partir dos anos 1950 por cientistas sociais como Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. Foi em consonância com sua obra Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional que o próprio FHC, quando presidente, implementou as primeiras políticas de “ação afirmativa” no funcionalismo público.
Ao comentar o livro, a revista Veja, edição 1969, com base nos argumentos de Ali Kamel, exige dos parlamentares que comporão a próxima legislatura do Congresso Nacional que “coloquem um ponto final nessa escalada, recusando o Estatuto da Igualdade Racial”, e ainda recomenda como salutar a todos a leitura de Não Somos Racistas. A quem interessar possa, a brochura em questão está à venda nas melhores casas do ramo.
O autor, que me parece, é de origem judia, – e ainda que não seja – que eu saiba, nunca escreveu nada questionando a reparação reivindicada e deferida a favor dos judeus massacrados durante a barbárie nazista, que durou menos de 20 anos. O extermínio negro na África e na diáspora durou quase 500 anos. Mas isso não faz a menor diferença. Ou faz, Sr. Kamel?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

ROSA PARKS: A MULHER QUE TRANSFORMOU UMA NAÇÃO E AJUDOU A ACABAR COM JIM CROW




Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke. E-mail: ulisses_soares@hotmail.com

No mês de novembro no Blogger do CNNC/BA foram homenageados algumas personalidades que combateram pela liberdade do povo preto em diversas do planeta. Nossa última homenageada foi uma grande mulher que mudou a vida dos africanos na diáspora nos Estados Unidos da América.

Rosa Louise McCauley nasceu no dia 4 de fevereiro de 1913 em Tuskegee no Alabama – Usa, filha do carpinteiro James McCauley e da professora Leona McCaule, os seus pais se separaram e aos dois anos de idade foi residir com a sua mãe na casa da avó materna em Pinel Level no Alabama, com uma saúde frágil sofrendo de amigdalite e de baixa estatura, aos 11 anos de idade foi matriculada em uma escola industrial para meninas (Miss White's School Girls) onde aprendeu a profissão de costureira, não tendo condições de ir para Alabama State Teachers College's High School realizar o ensino secundário, forçada a abandonar os estudos para cuidar da mãe que adoecera e seu irmão menor Sylvester foi trabalhar para ajudar no sustento da família.
Na Infância foi vítima de ataques da Ku Klux Klan(KKK), organização racista formada por brancos protestantes que queimavam as casas de bairros pretos e praticavam linchamentos, e viu a sua avó com uma espingarda na mão guardando a entrada da sua residência. Houve um período que negros eram linchados sem julgamento nos Estados Unidos e as fotos são de extrema crueldade, a qual não postarei nesta página, por serem de extrema violência e as denomino exemplos do holocausto preto.
Conhecedora e vítima diariamente da segregação racial, presenciou a escola industrial em que estudava queimada duas vezes por incendiários racistas e as professoras pretas constantemente humilhadas, a menina Rosa Louise sabia que teria de enfrentar o racismo e suas seqüelas.
Em 1932 casou-se com o barbeiro Raymond Parks, um jovem de pouca educação formal por causa da segregação racial, e sua mãe Gery Parks o orientou corretamente para a sobrevivência como preto no sistema racista americano. Rosa Parks foi importante no sustento da família, vendendo a sua força de trabalho como empregada doméstica e até como ajudante em hospital, o seu marido insistiu em que terminasse os estudos e ela concluiu o ensino secundário em 1933. Raymond foi um ativista da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), organização fundada em 12 de fevereiro de 1909 por diversas pessoas entre eles o panafricanista Du Bois e brancos anti-racistas para atuar contra a discriminação racial dentro dos Estados Unidos da América, neste ano de 2007 a NAACP decretou estado de emergência pelo aumento da violência contra a juventude preta.
Na década de 30, Rosa foi uma das primeiras ativista a protestar contra a acusação injusta imposta a nove jovens pretos acusados de estuprarem duas jovens brancas, caso conhecido nos Estados Unidos como Scottsboro Boys.
Rosa Parks atuou na NACCP a partir de 1943, trabalhando de secretaria até 1957 e participando de diversas atividades pelos direitos civis.
Foi membro ativa da Igreja Metodista Episcopal Africana fundada em 1790 e antes da guerra de Secessão já possuía 20000 mil membros nos estados do norte, e enviou missionários para os estados do sul sendo a que mais combateu a segregação nos Estados Unidos antes e depois da guerra da secessão. Um dos salmos preferidos pela irmã Rosa Parks foi o salmo 23 que diz:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor de seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale das sombras da morte, não temerei mal algum, porque Tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor por longos dias."
Para que possamos compreendera a segregação na qual foi vítima é necessário conhecer um conjunto de leis conhecidas como Jim Crow nos estados sulistas e fronteiras dos Estados Unidos, executadas entre 1865 a 1965, que separava brancos e negros nas escolas, locais públicos, hospitais, transportes, etc.
Jim Crow foi mais do que leis, tornando-se uma maneira de vida branca americana, regras e costumes, foi à legitimação do racismo anti-preto, tendo diversos tentáculos, especialmente nos meios de comunicação em massa. O termo Jim Crow surge de uma canção feita por um ator branco Thomas Dartmouth (TD) "Daddy" Rice imitando um negro, o qual dizia ser um idoso escravizado que andava com dificuldade ou um jovem preto estereotipado. Ele foi um menestrel que ridicularizava os pretos norte-americanos no século XIX e pintava o seu rosto de preto. Leia mais: http://www.ferris.edu/jimcrow/who.htm
A contribuição de muitas igrejas brancas foi fundamental nas elaborações dessas leis e muitos teólogos e pastores brancos ensinavam nas igrejas que os negros foram amaldiçoados por Deus e estas leis eram da vontade divina, baseadas na má interpretação da maldição de Cam.
Havia toda uma regra de condutas para serem obedecidas pela comunidade africana nos USA, entre elas, exemplificamos: Relações sexuais entre brancos e pretos destruiriam a América Branca; se um homem preto estendesse a sua mão para ajudar uma mulher branca poderia ser acusado de estupro; e em hipótese alguma o preto poderia dizer que um branco estava mentindo; nunca falar que era mais inteligente que um branco,e proibido de mostrar afetividade em público,um beijo entre um casal de pretos era considerado violação da lei, etc..
Algumas dessas leis proibiam o casamento inter-racial de uma pessoa branca com uma preta até a oitava geração; se um homem preto estivesse com uma mulher branca na mesma sala à noite no trabalho, ou um homem branco com uma mulher preta, seriam presos e condenados até 12 meses de prisão; escolas para crianças brancas e pretas eram separadas, lanchonetes, restaurantes, cinemas, banheiros, bebedouros, etc. Leia mais exemplo em: http://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Crow_laws
Em 01 de dezembro de 1955 Rosa Parks recusou-se a ordem do motorista James Blake a ceder lugar a um homem branco dentro de um ônibus, este ato de “desobediência civil” a levou a ser presa e fichada criminalmente pela polícia, acusada de violação do capitulo 6, seção 11 do Código de Segregação racial de Montgomery e condenada a pagamento de multas e prisão domiciliar . Em quatro de dezembro de 1955 as igrejas pretas começaram a organizar o boicote o qual foi referendado no dia nove de dezembro quando líderes pretos se reuniram na Igreja Metodista de Zion e o Rev. Ralph David Abernathy sugeriu o nome "Montgomery Improvement Association" (MIA). Os membros foram eleitos e como presidente, um jovem ministro desconhecido da Dexter Avenue Baptist Church, Dr. Martin Luther King, Jr. As Igrejas Pretas lideraram a luta pelos Direitos Civis nos Estados Unidos.
Não foi o primeiro fato ocorrido, outras pessoas já haviam sido presas por se recusarem a se levantar para cederem lugares em transportes públicos aos brancos, mas esse ato teve conseqüências que mudaram a vida dos descendentes de africanos nos Estados Unidos. O incidente resultou no boicote aos ônibus em Montgomery que perdurou durante 382 dias e Rosa Parks disse em uma de muitas das suas entrevistas:
-Nós não temos quaisquer direitos civis. Era apenas uma questão de sobrevivência, de existência de um dia para o outro. Eu me lembro, quando ia dormir, de uma garotinha ouvindo a “Ku Klux Klan” rondando à noite, e ouvindo um linchamento, e com medo de que a casa viesse abaixo pelo fogo.
Na mesma entrevista, ela citou sua longa convivência com o medo como a razão de sua intrepidez em decidir apelar para suas convicções, durante o boicote aos ônibus.
-“Eu não tinha qualquer espécie de medo e foi um alívio saber que eu não estava só.
Racistas retaliaram o boicote aos ônibus com o terrorismo. Igrejas Pretas foram queimadas ou dinamitadas. A casa de Martin Luther King's foi bombardeada na madrugada do dia 30 de janeiro de 1956. No entanto, a comunidade preta organizou com o boicote, um dos maiores e mais bem sucedidos movimentos populares contra a segregação racial realizado por africanos na diáspora nos USA, que originou outros protestos, e que colocou King como um dos líderes à frente do Movimento dos Direitos Civis. O Pastor Martin Luther King Jr liderou Montgomery Improvement Association, resultando em lutas que forçaram o termino da segregação racial nos transportes públicos e no fim das leis Jim Crow, se tornando um dos principais nomes nos Estados Unidos na luta contra a segregação, árduo defensor do integracionismo na sociedade branca americana sendo os seus métodos e sonhos questionados por diversos militantes, como Malcolm X, Fred Hampton, Stokely Carmichael e muitos outros panafricanistas, mas, nunca retirado os méritos de suas ações em prol da liberdade do nosso povo.
Rosa Parks desempenhou um papel importante na internacionalização da sensibilização para a situação dos pretos e pretas americanos nas lutas pelos direitos civis. O boicote aos ônibus de Montgomery também foi a inspiração para boicote na cidade de Alexandria, Eastern Cape da África do Sul, que foi um dos principais eventos na radicalização da maioria preta daquele país, sob a liderança do Congresso Nacional Africano.
Após o boicote Rosa Parks foi perseguida perdendo o emprego e seu marido também tendo que ficar desempregado.
Teve uma vida de lutas e militância pelo povo preto, tendo o seu trabalho reconhecido e homenageada por diversas autoridades, ganhando a medalha do governo americano e faleceu no dia 24 de outubro aos 92 anos, cercada de amigos e deixando pelo seu exemplo a chama acessa para o povo preto.

PRETAS POESIAS

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