sábado, 10 de novembro de 2007

Yaa Asantewaa: A Rainha Guerreira Ashanti


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista 
Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com
 Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Nesse Novembro Negro, hoje iremos discorrer sobre uma das poderosas mulheres pretas da Historia da África recente que empreendeu guerra contra o dominador europeu. As mulheres africanas sempre estiveram na direção de grandes reinos e prontas para o comando de seu povo, muitas dessas civilizações possuíam o modo de produção matrilinear.
Uma dessas mulheres foi Yaa Asantewaa, líder da última resistência realizada no século passado em território africano, diretamente contra o colonialismo britânico feito pela civilização Ashanti, uma confederação de reinos que se desenvolveu no sul de Gana nos séculos XVIII e XIX, tendo a sua capital na cidade de Kumasi, com edifícios feitos de terra, madeira e palha, que hoje são considerados patrimônios da humanidade.
Esta civilização originou-se dos Akan que criaram o Sankofa. O Sankofa é uma metáfora usada em Gana para simbolizar a necessidade de voltar para trás, para recuperar as coisas perdidas, demonstrando que sempre podemos retificar nossos erros; aprender do passado e construir alicerces para o futuro. Sankofa é olhar para trás, manter os pés no chão e direcionar os ombros para frente, buscando a melhoria individual intrínseca na melhoria coletiva. Em Akan existem duas palavras que estão relacionadas à família. A palavra "abusua" é um grupo de descendência corporativa, enquanto que a palavra "fifo" (literalmente pessoas de casa) significagrupo residencial, construindo as bases do Sankofa.
Símbolo do Sankofa

As mulheres africanas Ashantis escolhiam os líderes das aldeias e da civilização com um todo. O poder matrilinear estava instituído dentro do Direito Ashanti, bastante organizado, com regras de condutas consuetudinárias que determinavam o comportamento das relações comerciais, políticas, bélicas, familiares e principalmente políticas.


Os Ashantis desenvolveram dentro de seu arcabouço tecnológicos uma comunicação bastante eficiente, com duzentos quilômetros de alcance, através dos tambores fazendo a transformação do próprio idioma, incluindo acentos, vírgulas e demais estruturas gramaticais para sons em tambores.
Além da estrutura bélica bastante organizada e matrilinear, outra característica fantástica do povo Ashanti é a forma de organização da comunidade através de normas de conduta, ou seja: o Direito Ashanti. Grande parte das normas Ashanti, apesar de não estarem delimitas em normas literais, ainda são utilizadas em Gana, trazendo grande influência a doutrina jurídica daquele país.
Os Ashantis são sete milhões de pessoas, cerca de 30% da população atual de Gana e não devemos confundir com o Império da Gana que perdurou até o ano 1.200 d.C. Há pormenores interessantes nessa civilização, um equilíbrio no poder no que tange a matrilinearidade.
O Império britânico manteve em guerra a civilização Ashantis durante o período de cem anos. No final do século XIX o império britânico após aprisionar o herdeiro do reino Ashanti o Asantehene Prempeh enviou a capital Kumasi o Lord Hodgson, e mandaram um ultimato as lideranças objetivando conseguir o cetro dourado, símbolo da união, poder e soberania Ashanti e houve uma reunião com todos os chefes e nenhum deles contestou a exigência feita, demonstrando covardia perante o branco invasor .Então repentinamente Yaa Asantewaa Rainha -Mãe de Ejisu(1850-1921) levantou-se e falou:
- “Agora eu vejo que alguns de vocês temem ir adiante para lutar pelo nosso rei. E se fosse nos dias heróicos de Osei Tutu, Okomfo Anokye e Opoku Ware que foram chefes e não se sentariam para ver o seu rei ser levado para longe sem disparar uma bala, nenhum homem branco temeu falar para o líder dos Ashantis do jeito que o governador falou para o chefe de vocês hoje de manhã. É verdade que a bravura dos Ashantis acabou? Eu não poso acreditar. Isto não pode ser. Eu tenho que falar isto: Se você é um homem Ashanti e não for adiante , então nós iremos. Nós as mulheres iremos. Eu chamarei as minhas companheiras. Nos lutaremos contra o homem branco. Lutaremos até que a última de nós caia em campo de batalha.
Esta intervenção recobrou os ânimos dos guerreiros Ashantis para combater os homens brancos até que eles libertassem o Asantehene Prempeh. Durante meses os Ashantis foram liderados por Yaa Asantewaa que pela sua coragem e determinação manteve os ingleses no Forte. O exército inglês enviou mais soldados e com melhores armamentos invadiram a cidade de Kumasi. Yaa Asantewaa e outros líderes foram capturados e enviados ao exílio.
Yaa Asantewaa fez a última guerra liderada por uma mulher dentro do território africano para defender o seu povo do domínio branco e morreu longe de sua terra no ano de 1921 com 71 anos de idade.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

JOÃO CÂNDIDO O METODISTA


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com


"As vozes murmuram nos ouvidos como se ainda estivéssemos com medo nas senzalas e não falamos em sons altos iguais aos tambores africanos, e mais um aniversário da Revolta da Chibata se completará, e o povo preto evangélico desse país está calado. As pretas e pretos deve repudiar as senzalas, não acreditar nas mentiras da Casa Grande e tomar atitudes quilombolas em busca da própria dignidade. Os brancos metodistas tentam esconder que João Cândido foi membro dessa denominação."

É inaceitável como às lideranças brancas evangélicas brasileiras dominantes nas igrejas, direcionam e ensinam o que a população preta nas igrejas protestantes deve ter como referência na história brasileira, colocando os heróis e heroínas pretas no esquecimento, negando as suas participações na história da igreja, pensando que não temos consciência histórica, nos tratando como se fossemos desprovidos de inteligência. Na verdade ainda não dominamos como deveríamos as cátedras das faculdades de teologia, não escrevemos os artigos das grandes revistas evangélicas, não opinamos na educação bíblica dominical e os pretos que estão perto do poder recebem migalhas e se dizem satisfeitos e nada farão pela maioria da população preta. Não temos liderança preta evangélica ou de outras religões. Não conheço nenhum preto ou preta que possa convocar 10% da população preta para uma caminhada, como fez o líder muçulmano Louis Farrakan nos USA que convocou 1 milhão de homens negros para marchar sobre Washigthon, em 16 de outubro de 1995. Especialistas da Universidade de Boston afirmam que o número de pessoas na Marcha de 1 Milhão de Homens foi de 870 mil pessoas, com margem de erro de 25% (de 655 mil a 1,1 milhão). Sendo assim, ainda estamos muito longe de unificar o nosso povo preto e entendermos as nossas dificuldades e deixarmos a ilusão de sermos estrelas e lideranças sem povo.
Conforme o último censo somos 15 milhões de pretas e pretos evangélicos, então 1% são 150 mil pessoas pretas que podem participar de uma caminhada, infelizmente, ainda não temos essa mobilização e nenhuma religião tem de tal amplitude, os evangélicos pretos organizados tomarão essa dianteria. Somos milhões amordaçados e com os olhos vendados. Em igrejas que possuem uma concepção mais aberta para as questões sociais, como é o caso da Igreja Metodista do Brasil a qual possui um grande ícone da luta contra a discriminação racial como o reverendo Sant Anna, e referenciais como a pastora Maria da Fé – Fezinha -, a Pastora Laiza, a irmã Diná, o antropólogo Rolf, entre tantos outros. Têm pastorais para atuarem contra a discriminação racial, as lutas são de muitas dificuldades e conforme o prof. metodista José Carlos Barbosa: A Igreja Metodista é a única denominação protestante que tem uma Pastoral de Combate ao Racismo,que, por outro lado, não tem apoio nem recursos humanos e financeiros para o seu funcionamento. É só para inglês ver.
Há alguns anos tenho conversado com o Sant`Anna e insistido sobre o reconhecimento de um dos maiores heróis pretos da história que foi o marinheiro João Cândido, e ainda não sei se somente a luta do Reverendo Antonio Sant Anna dentro do metodismo fará os metodistas reconhecer seriamente a importância desse homem preto que lutou pela dignidade dos marinheiros pretos e no final de sua dura vida morreu como um metodista. Está na hora de escrevermos e-mails para os bispos e bispas brancas metodistas cobrando o reconhecimento de João Cândido. As vozes murmuram nos ouvidos como se ainda estivéssemos com medo nas senzalas e não falamos em sons altos iguais aos tambores africanos, e mais um aniversário da Revolta da Chibata se completará, e o povo preto evangélico desse país está calado. As pretas e pretos deve repudiar as senzalas, não acreditar nas mentiras da Casa Grande e tomar atitudes quilombolas em busca da própria dignidade. Os brancos metodistas tentam esconder que João Cândido foi membro dessa denominação.
Vamos conhecer um pouco dessa história:
João Cândido Felisberto nasceu no município de Rio Grande no estado do Rio Grande do Sul, filho de João Cândido Velho e dona Inácia Felisberto, sendo seus pais ex-escravizados. Entra aos 14 anos de idade na escola de aprendizes de marinheiros no Rio Grande do Sul, conduzido pelo poderoso Almirante Alexandrino de Alencar, também gaúcho. Em 1895, com 15 de anos de idade, tornou-se marujo e no Rio de Janeiro embarcou no Cruzador Andrada. É transferido para o encouraçado Riachuelo e conheceu Montevidéu, Buenos Aires, e no pequeno navio Jutay visitou Belém e Manaus, quando em direção ao Acre em 1909 esteve em New Castle, na Inglaterra, se aprimorando nos conhecimentos do navio Minas Gerais. Aos 30 anos de idade em 22/11/1910 liderou 2 mil homens pretos na maior revolta armada em poder do fogo da história brasileira. O Brasil na época era possuidor dos mais poderosos navios de guerra, comprados na Inglaterra. Os oficiais eram oriundos das camadas poderosas da sociedade brasileira, filhos de cafeicultores, profissionais liberais, políticos. Os marinheiros eram meninos pretos, presos pela polícia nas ruas de diversas cidades brasileiras, habitantes dos quilombos urbanos.
Vai se reproduzir dentro dos navios uma relação antagônica entre o descendente do senhor colonial X descendente do escravizado. Feridas que até hoje não foram cicatrizadas na sociedade brasileira e estavam muitas abertas. Havia passado somente 22 anos da abolição da escravatura. É provável que alguns marinheiros tenham sido escravizados.
Homem com pouca alfabetização, mas muita criatividade e vivacidade, não tinham uma falangeta do dedo indicador na mão direita em virtude de uma computação traumática ao carregar um canhão. Esse peso do canhão contribuiu para que sua letra fosse defeituosa. Foi o primeiro marinheiro do mundo a comandar uma esquadra, com uniforme branco de praça, apenas com distintivo, um lenço de seda vermelho ao pescoço, um apito e uma velha espada de abordagem. Após a revolta, João Cândido, foi preso, internado, julgado e libertado aos 32 anos de idade, tuberculoso, totalmente desprovido de qualquer bem, foi lutar para ganhar o pão de cada dia, tendo uma vida dura e nunca alheia aos movimentos que ocorriam no Brasil, teve 03 esposas e diversos filhos. João Cândido, depois de Zumbi dos Palmares foi um dos mais importantes pretos na história de resistência do nosso povo no Brasil. Foi um homem de extrema sensibilidade e fé, um servo de Yeshua o aceitando como Salvador pessoal na Igreja Metodista de Jardim América-RJ e por causa da doença e idade freqüentava a Igreja Metodista de São João de Meriti-RJ. Vindo a falecer no dia 06 de novembro de 1969 na cidade do Rio de Janeiro, com o ofício fúnebre sendo realizado pelo Reverendo Metodista Lucas Mazon.

sábado, 3 de novembro de 2007

Nat Turner o Profeta-Guerreiro: Líder da Insurreição Escrava na Virginia.


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com



No mês de novembro através do nosso blogger, com média 51 visitas diárias, o CNNC/Ba (Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos da Bahia) homenageará diversos homens e mulheres que lutaram pela liberdade do povo negro. A nossa concepção panafricanista é que todos e todas que lutaram na África e na diáspora são exemplos de resistência na história do nosso povo independente onde estejamos. É o Novembro Negro onde os nossos leitores (as) conhecerão a biografia de eminentes defensores (as) do passado e do presente que dedicaram e dedicam a sua vida no combate ao racismo e procuram caminhos reais de liberdade.

O nosso primeiro homenageado será o profeta batista Nat, que teve o sobrenome do escravizador Benjamin Turner. Nat Turner nasceu em 02 de outubro de 1800 em Southampton County- Virginia –USA, Sua mãe e avó haviam sido seqüestradas da África e escravizadas, e possuíam um profundo ódio a escravidão.
Nat Turner era apenas um garoto quando as pessoas o ouviram descrever acontecimentos que haviam ocorrido antes do seu nascimento e foi considerado um profeta e tornou - se profundamente religioso. Nat aprendeu ler e escrever ainda na tenra idade, considerado extremamente inteligente, tendo recebido da sua mãe uma revelação sobre a sua função na comunidade, especialmente pelas marcas na cabeça e no peito que possuía. A sua mãe o ensinou a combater a escravidão, ai vemos a função da família negra como mentoras da liberdade. O exemplo da avó e mãe de Nat nos ensina que no processo educativo familiar primeiro é necessário liberta-se da escravidão mental a qual fomos submetidos. Em toda a escravidão tentaram programar e introjetar pela educação deformada e a religião sem libertação o medo, influenciando o subconsciente da população escravizada que não deveria resistir e hoje continuam com os meios de comunicação na diáspora, especialmente nos evangélicos brasileiros, mas, a cada dia irmãs e irmãos de diversas denominações e muitos pastores e pastoras já não aceitam mais o racismo e estão se organizando em todo o país.
Nat estava a todo o momento lendo histórias da Bíblia e era um fervoroso crente sempre orando e jejuando. Acreditava no batismo do Espírito Santo e que poderia ter um relacionamento direto com Deus e tinha o dom das visões, comum à comunidade preta na África e na diáspora, independente de credo religioso, realidade não entendida pelo racionalismo ocidental que tenta explicar o inexplicável e coloca Deus como inacessível a humanidade. Deus está e sempre esteve e estará presente direcionando os caminhos do povo preto.
Já na idade adulta tornou-se um pregador batista e acreditava que Deus o chamou para libertar o seu povo da escravidão. No seu relacionamento direto com Deus por meio de orações e jejuns compreendeu que deveria combater a opressão do seu povo a todo o custo e entendeu que a escravidão era obra do Satanás e os escravizadores não estavam a serviço do Eterno.
Nas suas pregações admoestou um branco chamado Etheldred T. Brantley que ficou doente e foi curado após nove dias pelas orações de Nat. Teve como auxiliares diretos 04 escravizados também batistas: Henry, Hark, Nelson e Sam.
Foram três visões que marcaram profundamente a sua vida. A primeira ocorreu em 1821 após fugir para a floresta e passar trinta dias; a segunda visão ocorreu em 1825 quando viu luzes no céu e gotas de sangue como orvalho caindo na plantação do milho e em 12 de maio de 1828 teve a terceira visão quando o Espírito Santo o mandou lutar contra Satanás que escravizava o seu povo e um sinal do céu seria dado para começar a rebelião. Em 1831, foi vendido a Joseph Travis e em fevereiro do mesmo ano um eclipse do Sol foi entendido por Turner como um sinal divino para que iniciasse a revolta e com mais 04 escravizados planejaram o ataque para 04 de julho dia da independência dos Usa, mas caiu doente e o ataque teve que ser adiado. Em 21 de agosto, ele e mais sete outros escravos mataram Joseph Travis e sua família e deram início a uma rebelião que resultou em 55 brancos mortos.
Porém, ao contrário da insurreição maciça de escravizados que esperava desencadear, somente 75 juntaram-se a ele. A resposta dos escravizadores brancos, no entanto, foi extrema: 3000 homens da guarda estadual foram enviados para abafar a insurreição, o que rapidamente conseguiram. Seguiu-se o massacre de quase 200 escravizados e até na Carolina do Norte bem distante da Virginia posteriormente houve execuções dos que não haviam participado da insurreição pela liberdade. A rebelião terminou quando as milícias começaram a perseguir Nat e os outros escravizados, sendo capturados quinze guerreiros e imediatamente enforcados. Nat escapou e escondeu-se por cerca de seis semanas até que foi preso em 05 de novembro e executado em 11 de novembro de 1831, sendo decapitado e esquartejado e alguns brancos que por sinal eram cristãos guardaram partes do seu corpo como recordação.
Livros e filmes foram feitos sobre Nat Turner: “As Confissões de Nat Turner”, um romance de William Styron ganhou o Prêmio Pulitzer de Ficção em 1968. Este livro teve grande aclamação crítica e popular, mas vários criticos da comunidade preta o considerou racista.
Nat Turner: A Troublesome Property, um filme de Charles Burnett, foi lançado em 2003.
Sua "confissão", ditada para Thomas R. Gray, foi tomada quando estava detido na prisão: http://www.melanet.com/nat/nat.html
Nat Turner deixou-nos uma lição de luta contra a escravidão e a sua vida de fé demonstrou que a oração e jejum lhe deram forças e coragem para enfrentar os escravizadores. Sabia através da leitura bíblica que Deus não aceita a discriminação e a opressão do homem pelo homem e no dia 11 de novembro contemos para as nossas crianças a história do homem de Deus, o pregador batista Nat Turner que como Zumbi dos Palmares lutou pela liberdade.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

AS IGREJAS BRASILEIRAS PRECISAM DE UMA NOVA REFORMA?


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com


No dia 31 de outubro as igrejas protestantes históricas relembram da Reforma Protestante ocorrida no Sec.XVI que tem como maiores referências: Martinho Lutero e João Calvino. A comemoração da Reforma é uma reflexão das chamadas Igrejas Históricas, a saber: Igreja Luterana, Igreja Anglicana ou Episcopal, Igreja Presbiteriana, Igreja Metodista e Igreja Batista, as quais se consideram guardiães do protestantismo, defendendo o pertencimento a estruturas eclesiásticas herdadas de quase 500 anos, e nesse ínterim temos uma parcela considerável de membros pretos nas Igrejas Históricas que se sentem parte dessa história e a defende como um dos maiores símbolos da sua vida. É bom ressaltar não ser importante para a maioria das Igrejas Pentecostais e Neopentecostais a lembrança do movimento reformista do Sec. XVI.
No caso específico das Igrejas Históricas a idéia de pertencimento a uma estrutura religiosa cria um vínculo de irmandade entre os seus membros através da conversão e práticas conjuntas que faz com que os membros descendentes de africanos deixem de identificar-se na sua comunidade étnica de origem e assimilem uma nova identidade eurocêntrica: Cristão Reformado. Esse novo preto seguidor da Reforma Protestante se auto-considera um predestinado, membro de uma família internacional intelectual que o faz se sentir diferenciado e superior aos outros pretos de outras vertentes do protestantismo por ser detentor de uma história, de freqüentar templos elitizados de membros de classe média e classe alta e no dizer de uma menina pobre preta:

-“Na minha igreja só tem gente culta. Lá só tem elite.”

Há igrejas reformadas nos bairros pobres que criam uma falsa imagem de poder e inserção social nos membros pretos por participarem de estruturas burguesas apesar de nada usufruírem em suas vidas do poder protestante histórico no Brasil.
A Reforma Protestante indubitavelmente mudou a história da Europa Ocidental e conseqüentemente influenciou na formação dos USA, tanto os principais países reformados como os USA não discutiram em seus postulados e Confissões que são formulados eurocentricos a África e os africanos que foram considerados inferiores, destarte, invadiram o continente e escravizaram os seus habitantes criando até os dias de hoje um afropessimismo, de terra de males e superstições e paradoxalmente de riquezas que deveriam ser exploradas para beneficiar os predestinados oriundos da reforma do século XVI.
A igreja Católica reage à Reforma Protestante no seu Concílio de Trento e cria órgãos repressivos especialmente com a inquisição e fortalecem organismos como as confrarias. As confrarias foram criadas por padres brancos objetivando acalmar a população escravizada e catequizar os nossos ancestrais para a não reação a escravidão, nenhuma confraria foi criada por iniciativa do escravizado. Tema que futuramente escreverei nesse blogger sobre as chamadas irmandades pretas que servem para manutenção da ordem católica.
Os reformados seqüestraram especialmente para os Estados Unidos milhões de africanos os quais foram convertidos as diversas igrejas protestantes. As mudanças religiosas surgiram com a praticidade política de diversos pregadores pretos como o batista Nat Turner, homem de oração e jejum, um guerreiro-pregador, líder da importante rebelião dos escravizados seguidores da fé batista em 21 de agosto de 1831 no estado da Virginia. Foi preso e julgado, sendo enforcado e decapitado e partes do seu corpo gurdadas pelos escravizadores como lembrança.

Richard Allen foi o fundador da Igreja Metodista Episcopal Africana de Bethel na Filadélfia em 1794 e em 1801 publicou o primeiro hinário concebido exclusivamente para o uso de uma congregação preta. Foram inserções sociais baseadas no sentimento de fé e comunidade, na mudança do eixo e perspectiva, de pertencimento a uma comunidade africana e desenvolvimento dos seus membros, que resultou em editoras, bancos, universidades, escolas, empresas, etc., em uma verdadeira prática panafricana de solidariedade a partir da fé tendo como alvo o desenvolvimento da comunidade preta. Os Estados Unidos possuem 3.300 universidades. Destas, 107 são universidades pretas, freqüentadas por mais de 90% de alunos descendentes de africanos.
Não podemos esquecer o Pastor Martin Luther King nas suas lutas pelos direitos civis e dos jovens panteras negras. No Brasil contamos os pastores(as) pretos que levantam as sua vozes para defender a nossa comunidade e contamos os pastores brancos(as) que são verdadeiramente solidários a uma igreja onde todos sejam iguais.
No Brasil apesar de um contingente imenso de pretas e pretos com mais de 15 milhões nas igrejas protestantes, a reforma do século XVI continua inalterada e voltada nas suas comemorações para o eurocentrismo e desenvolvimento de uma comunidade que não se preocupa com os descendentes de africanos. Será necessário que façamos uma reforma nas estruturas vigentes das igrejas? Teremos que criar instituições eclesiásticas que possam nos beneficiar? Ou continuaremos na inércia e sem questionar as instituições existentes que não demonstram interesses de mudanças?As organizações cristãs pretas no Brasil precisam se voltar mais para dentro das igrejas e falar com os membros, convidá-los para o desenvolvimento e engajamento em uma nova reforma que possa nos beneficiar. Se cada membro militante ou simpatizante do CNNC e de outras entidades cristãs pretas conversar com 10 membros em menos de um mês teremos mais de 100 mil militantes PRETOS dentro das igrejas e atuantes nas lutas contra a discriminação racial e seremos as vozes mais representativas do MOVIMENTO NEGRO BRASILEIRO. Aproveite esse momento e telefone para o seu irmão (a) preto, envie um e-mail ou passe um scrap convidando-o para mudar essa realidade. Você minha irmã e meu irmão comprometido com o Reino de Deus é o agente da verdadeira Reforma que urge em realizarmos nas nossas mentes. Ninguém falará por ti e nem por mim, falemos por nós mesmos. Eles nunca falarão por nós. Temos que interferir nestas estruturas e criarmos pertencimento a nossa comunidade preta. Tenha coragem e comece a reforma dentro de você e entre em contato agora com o seu irmão (a). É necessário coragem e fé e acertadamente disse Martin Luther King Jr:

-"A medida de um homem não se afirma em tempos de conforto e conveniência, mas repousa nos seus posicionamentos em tempos de desafios e controvérsias."

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O MEDO DE JESUS CRISTO PRETO


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos.Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com


“Aquele que estava sentado parecia uma pedra de jaspe e cornalina; um arco-íris envolvia o trono com reflexos de esmeralda.” Apocalipse. 4:3





Jaspe


Cornalina

Estas foram sábias palavras do escritor do livro de Revelações sobre Yeshua, e retratam o pensamento teológico-histórico desde o surgimento do CNNC- Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos, especialmente da sua Regional-Bahia na aceitação literal de Jesus Cristo (Yeshua) como um homem preto africano. Há alguns aspectos que devemos compreender do medo da verdadeira essência humana de Yeshua proveniente dos ataques da pseudo-história e negligências das teologias de todas as matizes.


Yeshua: O mais importante homem preto da história mundial

A enciclopédia de Cambridge afirma que Yeshua foi um homem preto da Etiópia. O imperador romano: Justiniano II "O Grande", teve seu rosto esculpido em uma moeda e do outro lado a do Yeshua Preto. A Igreja Católica Romana sabe que Yeshua foi um homem preto e ela mantém documentos escondidos. Além disso, a palavra Cristo vem do indiano Krishna, que significa preto. Existem provas arqueológicas de catacumbas romanas dos primeiros de séculos onde esculpiam Yeshua Preto, havendo provas na icnografia católica dos primeiros séculos e nas catedrais ainda existentes na Europa das madonas pretas.


Jornal britânico voltado ao público afro-descendente publica a lista dos negros mais importantes da história

Jesus Cristo está no topo da lista dos cem maiores negros da história mundial foi o primeiro colocado em uma lista de cem maiores ícones negros da história mundial. A lista foi feita pelo jornal britânico New Nation. Pelé, Nelson Mandela, Martin Luther King e Muhammad Ali são outros nomes publicados no jornal destinado aos negros britânicos. Em relação a polêmicas em relação à cor de Jesus, o editor do jornal é enfático e afirma que “o cristianismo etíope, que precede o europeu, sempre descreve Jesus como sendo um africano". Para ele na própria Bíblia esta a descrição de Jesus como um homem de pele escura.
A lista de ícones negros foi elaborada por um grupo de jornalistas e personalidades da comunidade negra britânica.
A lista de ícones negros:

1. Jesus
2. Martin Luther King

3. Malcolm X

4. Nelson Mandela

5. Muhammad Ali

6. Mary Seacole

7. Oprah Winfrey

8. Bob Marley

9. Marcus Garvey

10. Inventores negros Garret Morgan, George Washington Carver e Elijah McCoy

Yeshua e a Igreja Embranquecida
Os meios de comunicação em massa há vários anos, tem difundido as provas científicas, históricas, bíblicas e arqueológicas que Jesus Cristo foi um homem negro. O cristianismo católico e protestante tem agido como seres mudos, cegos e surdos. Não seria necessário discutirmos esse assunto porque quando estudamos a história dos verdadeiros hebreus, sabemos que foi uma civilização preta, e quando Yeshua nasceu o seu povo preto estava dominado pelos brancos do Império Romano. A história nos relata que essa idéia de brancura na iconografia cristã é muito recente e fo­ram os pintores renascentistas que criaram essa imagem européia. A imagem renascentista de Jesus Cristo ocidental foi financiada com a venda de indulgências pelo papa descendentes dos Médicis o qual, aumentou a corrupção na Igreja Católica Apostólica Romana, resultando na Reforma Protestante do século XVI, liderada por Lutero, Calvino, Wesley e outros reformadores caucasianos, os quais não se importaram com a comunidade preta e suas igrejas participaram ativamente do comércio escravagista.
No catolicismo e no protestantismo foi criada a imagem da vergonha nos di­zeres do Rev. James Cone, no seu livro - "O Deus dos Oprimidos": Representam Cristo em branco e rosa, loiro de olhos azuis e milhões de crianças gravam a i­magem deste falso nazareno em suas memórias. Cristo nos envergonha com a sua pigmentação que obviamente não é nossa. Essa imagem nos condena pela nossa cor negra, pelos nossos narizes chatos, pelo nosso cabelo pixaim, pelo nosso estranho poder e expressar nossas emoções cantando, gritando e dançando. A imagem do Cristo branco é tão calma, tão delicada, tão branca, que milhões de negros tentam ser como ele."
José Carlos Gentili no seu livro: A Igreja e os Escravos escreveu: "O choque de ter que adorar uma realidade negra, após esta sociedade ter massacrado, por séculos, sob o regime da escravidão daqueles africanos , impactaria, negativamente, razão pela qual Jesus Cristo continua sendo apresentado pela industria cinematográfica de Hollywood como um doce anjo branco, de olhos azuis, embora a verdade seja outra."
E continua: O Cristianismo etíope que precede o europeu sempre descreve Jesus como africano e nas igrejas da África, o Senhor é negro - um homem que sofre no continente que sofre.
Teríamos uma linhagem Jesus/Deus de cor negra, sob a criação do Espírito Santo negróide! Certamente, a pomba do Divino não seria branca, como é apresentado, sequer Jesus branco, loiro, olhos azuis, divinal. Em países com forte tendência racial do preconceito racial, como os Estados Unidos e países de influência germânica, a demonstração de que Jesus é negro acarretaria desconfiança na adoração de um DEUS ETÍOPE, um salvador de almas que os brancos teriam de absorver como não sendo uma figura a sua imagem.
O medo das igrejas embranquecidas se dá no tocante ao questionamento que o CNNC faz da opressão do povo preto nas igrejas e na sociedade e das mentiras ensinadas sobre Yeshua..


Yeshua e as Religiões de Matriz Africana
Quando o CNNC afirmou no seu Congresso Nacional em Salvador-Bahia em abril deste ano que o Cristianismo é de matriz africana, algumas vozes de membros do candomblé se levantaram assustados e sem ação. Nós do CNNC provamos que adoramos Yeshua que tem a sua origem na África e é preto. Ninguém pode ousar a afirmar que adoramos divindades criadas pelos europeus, porque não aceitamos imagens brancas de Yeshua e cremos na África reconstruída, no paraíso africano. Infelizmente, as religiões que vieram da África com os nossos ancestrais, ainda levam padres brancos para rezar missas em suas sedes religiosas, e erradamente ainda confirmam os seus iniciantes em igrejas católicas, corroborando o cristianismo europeu o qual o escravizou e usufruiu do maior genocídio da história mundial, e em muitas casas que visitei as principais lideranças são brancas e as imagens das energias da natureza são representadas por homens e mulheres brancas. Há muitos anos atendendo um convite do Olodum participei de uma mesa na Casa de Benin em Salvador-Bahia e fui vaiado quando disse em publico que não aceitava imagens das yabás como mulheres brancas, sereias nórdicas e mediterrâneas. Aquela vaia me deixou muito feliz porque falei uma verdade e representantes brancos do candomblé mostraram o seu poder de persuasão e domínio e membros importantes pretos ficaram calados, não me apoiaram porque eu ali me apresentei como um pastor evangélico. Em apoio aos brancos disseram que eu tinha de bater a cabeça na pedra. Respondi: - Bater a cabeça na pedra e aceitar divindades brancas sem questionar machucaria a minha cabeça.
Atualmente já começou um questionamento sobre essas representações e amigos(as) já me falam que não concordam com essas influências caucasianas e suas imagens deturpadas das divindades africanas.

O CNNC/BA acredita piamente que Deus criou a humanidade preta na África e se manifestou em todas as religiões de Matriz Africana espalhadas pelo planeta com a sua imagem preta. Aceitar de outra maneira é incorrer em erros.

O nosso povo preto tem que dar aleluias e améns de felicidade e júbilo porque o Salvador escolheu se incarnar em um africano descendente da humanidade original: O NOSSO SALVADOR VIVE E É PRETO E AMA TODA A HUMANIDADE. ALELUIA!!!
Texto adaptado do livro: AFROREFLEXÕES, autoria de Walter Passos, a ser lançado em breve.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

NÃO AS MISSÕES CRISTÃS NA ÁFRICA!


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos.Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com

“Hoje, vejo a necessidade de nós pretos sairmos da invisibilidade e descobrirmos a África abençoada dos nossos ancestrais dentro de nós”. Walter Passos.

Incrível que pareça, ainda há no seio do protestantismo nacional, grupos que discipulam jovens para se tornarem missionários na África. Quais são as motivações desses jovens de todas as cores epiteliais a sentirem-se comovidos para as missões em território africano? Que continente é este que precisa de missões cristãs? Por que jovens pretos se alistam nesses grupos missionários?
São perguntas que surgem em minha mente. Quando criança também desejava ser um missionário no continente africano, abandonar minha família, envolver-me no mato - palavra incorreta e medonha para designar floresta, essa nossa língua brasileira tem cada uma: mato,mata, significando floresta, depois dos portugueses matarem a floresta na sua colonização insana, o nome ficou, fixou-se até interessante, floresta como sinônimo de mato e mata. Começou com os portugueses matando florestas e índios, tendo como conseqüência o “matamento” e destruição do ecossistema brasileiro, fato esse também não discutido nas igrejas. Da mesma forma o vocábulo “desmatamento”, porque partindo dessa ótica tratar-se-ia da retenção da destruição das florestas, do término do “matamento” da flora, e não como é empregado, no sentido antônimo, de destruição, aniquilação da mesma.
Voltando a idéia das missões, eu sonhava em ir para a África pregar a verdade aos negros africanos. Eu os considerava atrasados e dignos de pena. Lia gibis de Tarzan, homem branco criado por macacos que era superior a todos os africanos, além disso, ouvia relatos de missionários que chegavam do continente africano. Eu achava interessantes esses relatos missionários, e em qualquer igreja da minha cidade quando chegava um missionário (a) eu queria ouvir para entender as missões.
Os nossos hinários falam em missões e de um Cristo que deixou de ser o Príncipe da Paz para se tornar um General, Capitão, um Senhor da Guerra. Há um hino escrito por Henry Maxwell Wright (1849-1931), bastante conhecido e cantado dentro de grandes Igrejas históricas, “O Pendão Real”, hino oficial da IPI – Igreja Presbiteriana Independente, que dá cores aos batalhões inimigos:
“Eis formado já os negros batalhões
Do grande usurpador
Revelai-vos hoje bravos campeões,
Nas hostes do Senhor ”.
A idéia da escuridão está presente no hino “Igreja Alerta” e essas próprias nações estão solicitando missionários, conforme o autor A. J. Rodrigues da Silva.
“Queremos luz” é o grito das nações pagãs,
Que vem atravessando o imenso mar,
Ir já, pregar as Boas-Novas de perdão,
Sem esquecer também aqui de semear.
No hino “Marchemos, Sem Temor”, o autor Robert Hawkey Moreton (1844-1917) torna Jesus o Senhor da Guerra:
“Vamos com Jesus, e marchemos sem temor
Vamos ao combate, inflamados de valor;
Eia, pois! Lutemos todos contra o mal;
Em Jesus nós temos grande general”.
A maioria dos protestantes brasileiros se transformou de Embaixador do Reino de Deus para ser soldado de Cristo e guerreiro do Exército do Senhor, sendo assim há necessidade de uma guerra santa dentro do continente africano, através das missões, para dominar religiosamente o que estava dominado politicamente através das armas e da guerra, e essa guerra santa continua através das missões. Há de fazermos algumas reflexões sobre essa visão não realista do continente africano.
Os interesses dos países de manterem a dominação africana continuam de formas mais elaboradas e sabendo nós que essas missões ainda são continuidade dos primeiros missionários americanos e europeus, com suas concepções de desprezo às culturas nativas. Atualmente há uma globalização litúrgica e de conceitos teológicos que nada têm com o evangelho de Nosso Senhor Yeshua, outrossim, conceitos eurocêntricos de branqueamento desses países, além do mais, são retiradas ofertas para manutenção de jovens que se deslocam para o continente africano, e estas ofertas saem do trabalho suado de membros descendentes de africanos, que já somam milhões no Brasil, mas, infelizmente não são membros de maioria preta, porque estão branqueados teologicamente e culturalmente, menosprezando e negando a sua origem africana, porque ser preto na diáspora é entender o seu processo histórico e não se envergonhar do seu passado ancestral e não combater as suas origens, tornando-se instrumentos de tentativas de aniquilamento cultural do nosso próprio povo. Seguir o Evangelho de Yeshua não é combater expressões culturais milenares.
Tenho certeza que as nossas preocupações devem ser voltadas para a realidade nacional, de quase a metade da população brasileira que é Preta, conforme os últimos censos, e as igrejas deveriam se voltar para as questões da comunidade preta, investir recursos na melhoria dos membros pretos de suas igrejas, intervirem como Igreja nos graves problemas sociais nos quais vivemos e somos esquecidos, permitir que jovens pretos freqüentem suas escolas burguesas e o acessem a educação planejada para as elites brancas desse país. Torna-se necessário tirar as vendas dos olhos dos líderes religiosos que vêem a África como símbolo do mal e necessitando urgente de evangelização branqueada. Urge a necessidade de sentar com esses jovens e explicar que a colonização ocorrida no continente africano foi baseada na violência e no extermínio de milhões de pessoas, sendo esse assunto da mais alta relevância ao notarmos exemplos como o antigo Congo Belga, atual República Democrática do Congo, sendo maior que a própria Bélgica. A Grã-Bretanha desejava unir a cidade do Cabo na África do Sul à cidade do Cairo, no Egito. A França dominou todo o Magreb e outras regiões africanas, como a Costa do Marfim e o Senegal, terra dos meus ancestrais maternos. Portugueses católicos são culpados da situação de extrema pobreza de Moçambique, e retiraram tudo que puderam de Angola, da Guiné-Bissau e outras regiões africanas. Houve uma “mata” nas florestas tropicais e subtropicais da África, uma destruição das savanas, um quase aniquilamento da fauna e um violento ataque às culturas desses países, concomitantemente a demonização de culturas ancestrais.
Foi à cristandade com uma idéia deturpada de Cristo- General que devastou o continente africano e enriqueceu os países colonialistas e neocolonialistas, que seqüestraram os seus filhos e filhas para a América.
Hoje, eu vejo a necessidade da igreja combater os graves problemas que sofremos na sociedade brasileira e se voltar para dentro de si mesma e ver que a África está aqui com seus representantes sentados e esquecidos nos templos lotados.
Hoje devemos exigir das Igrejas o respeito à memória e ao continente africano que foi sucatado e sangrado, olhando os seus filhos na diáspora dentro do continente americano. Hoje vejo a necessidade de se criar uma nova discussão teológica dentro dos seminários e das escolas bíblicas dominicais, com uma nova pedagogia baseada em livros e conceitos afrocentrados, de novos livros teológicos que não sejam meras interpretações de realidades alemãs, inglesas e norte-americanas, os quais brilhantes pastores negros repetem conceitos de Rudolf Bultmann, Paul Tillich, Dietrich Bonhoeffer, Louis Berkoff, Oscar Cullmann, Rubem Alves e tantos outros e posam como intelectuais na teologia, e infelizmente nada sabem de sua ancestralidade e nem o nome das bisavós maternas e paternas, e ignoram a história do seu povo como que eles não existissem. Desconhecem a história das primeiras comunidades africanas cristãs que surgiram antes do Cristianismo Romano e ojerizam o conhecimento ancestral da Mãe-África, a sua musicalidade e concepções maravilhosas de Deus que se revelou através de Yeshua, o Cristo. Mas são meros defensores da teologia alemã e seus teólogos, de confissões inglesas, dos conceitos liberais, fundamentalistas ou conservadores nos Estados Unidos, e acabam tendo propostas evangelicais para os negros brasileiros e africanos. Na verdade conseguem ter conceitos caucasianos e defendê-los melhor do que os seus autores.
Que as igrejas também discutam a lei 10.639 e através dessa lei sejam quebrados os preconceitos criados pela sociedade e reforçados pelas igrejas referentes aos africanos e seus descendentes no Brasil
Hoje, vejo como o momento de questionar as missões que se direcionam para salvar os “coitadinhos dos africanos” que vivem na “escuridão” e convocam jovens pretos não conhecedores da sua própria realidade, da sua história e da sua ancestralidade, tornam-se simplesmente portadores de ideologias caucasianas-ocidentais anticulturais e globalizantes, os quais não conhecem os seus próprios problemas como descendentes de africanos, porque não participam dessas questões no Brasil e são enviados para a África, acreditando em uma democracia racial brasileira e branqueados culturalmente e teologicamente, enquanto temos problemas imensos de nossa população e eles não são nem citados por aqueles que querem salvar os africanos e permitem que o nosso povo preto continue discriminado na sociedade e nas igrejas. Tornando-se necessário que os encontros de pretas e pretos se tornem um fator missionário verdadeiro de questionamentos para nossas irmãs e irmãos que ainda estão presos aos conceitos e pensamentos dos teólogos das grandes plantações sulistas americanas.
Hoje, vejo a necessidade de nós pretas e pretos sairmos da invisibilidade e descobrirmos a África abençoada dos nossos ancestrais dentro de nós.


Texto adaptado do livro: AFROREFLEXÕES, autoria de Walter Passos, a ser lançado em breve.
ALGUMAS COMUNIDADES NO ORKUT DE MISSÕES NA ÁFRICA:
RADICAL AFRICA-
FUR, quem se interessa??
TUAREG, Quem se interessa?
FUTA JALON, Quem se interessa?
WOLOF, Quem se interessa?
MANINKA, Quem se interessa?
TUKULOR, Quem se interessa?
SUSU, Quem se interessa?
HAUSA, Quem se interessa?
SONGHAI, Quem se interessa?
FULA KUNDA, Quem se interessa?
SOKOTO, Quem se interessa?
MOUROS, Quem se interessa?
FULANI, Quem se interessa?
SONINKE, Quem se interessa?
SEREER, Quem se interessa?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

AS COTAS NEGADAS: ESCOLAS CRISTÃS E O POVO PRETO


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos.Pseudônimo: Kefing Foluke.


Completar-se-á em novembro um ano que ocorreu o I Encontro de Negras e Negros Cristãos da Bahia realizado pelo CNNC/BA no Colégio Duque de Caxias – Liberdade –Salvador – Bahia, nesta oportunidade eu fiz a proposta-denúncia de que as cotas deveriam ser também aplicadas às Igrejas Protestantes que são detentoras de Universidades, Faculdades e Escolas pelo Brasil. Atualmente já se escrevem sobre essa idéia e fico vendo novos horizontes para uma grande campanha nacional de pretas e pretos independentes de credo religioso, filosófico e político aliados aos evangélicos pretos objetivando a concretização dessa proposta.
Há um processo excludente de oportunidades aos evangélicos pretos nas igrejas brasileiras em todas as esferas de poder eclesiástico, uma continuidade da exclusão da sociedade que a Igreja não isenta o membro da discriminação racial por ser evangélico. Um fato interessante é que pessoas pretas evangélicas repetem o discurso ao serem convidadas a discutir a exclusão, e afirmam acertadamente que Deus não faz acepção de pessoas. Infelizmente acreditam que discutir a discriminação racial dentro das Igrejas é torna-se racista. A vítima se acha algoz, o preto Evangélico não entende que quando chama O DISCRIMINADOR DE IRMÃO E É CHAMADO POR ELE REPETE UMA FALACIA. “Irmão” na igreja e quando sai do templo está fora da irmandade cristã e cai na realidade de ser apenas considerado como um descendente de africano, discriminado por este.
O crescimento das igrejas evangélicas com templos suntuosos, universidades, escolas, rádios, televisões, jornais, fazendas e outros bens demonstram que há uma maneira bem capitalista de aproveitamento de ofertas e dízimos, e nesse sentido Max Weber, no livro “A Ética protestante e o Espírito do Capitalismo”, o qual conclui que na concepção protestante de ser abençoado é ter bens materiais podemos aplicar ao protestantismo brasileiro vindo dos Estados Unidos e no desenvolvimento atual da Teologia da Prosperidade. Não sendo eu Weberiano, concordo que o protestantismo e capitalismo são simbióticos.
Milhões de pessoas pretas se dedicam a evangelização, missões e manutenção de estruturas as quais não dividem os lucros com a comunidade preta. Esse fato se torna digno de estudos mais aprofundados para o entendimento de contribuições que não retornam ao contribuinte e servem para conquistar mais pretos e pretas que se tornarão dizimistas e manterão bem vivas as instituições que os excluem.
Grandes igrejas evangélicas mantêm estruturas poderosas de ensino no Brasil, conhecidas por todos nós. Os Presbiterianos, Adventistas, Metodistas, Luteranos, Batistas, Anglicanos, Assembléia de Deus e outras denominações. A Igreja Presbiteriana do Brasil possui uma das mais importantes universidades paulistas: o Mackenzie, administrada pelo Supremo Concílio da IPB além de escolas e seminários. A grande rede educacional Adventista, as Faculdades e Colégios Luteranos, as Universidades metodistas como: Instituto Metodista de Ensino Superior: Universidade Metodista de São Paulo, Colégio Metodista em São Bernardo do Campo, Colégio Metodista em Bertioga, Colégio Metodista em Itapeva, as Faculdades Integradas Bennett: o Centro Universitário Metodista Bennett e o Colégio Metodista Bennett, escolas e seminários. A Universidade Metodista de São Paulo oferece bolsas de estudos para EducaAfro, alunos africanos e tem um trabalho social. Mas, nenhuma Igreja Protestante voltou-se internamente para atender os membros pretos das suas comunidades.
Nesse pequeno artigo vou analisar superficialmente a maior denominação do protestantismo histórico brasileiro: os batistas. Possuidores de dezenas de faculdades e Escolas no Brasil desde o Rio Grande do Sul ao Amazonas, abaixo informações e links de algumas delas:
ANEB - Associação Nacional de Escolas Batistas –http://www.aneb.org.br/diretrizes.asp
As instituições de ensino batistas, subordinadas à denominação, por meio das entidades da Convenção Batista Brasileira ou das Convenções Batistas Estaduais ou Regionais; - http://www.aneb.org.br/associados_natos.asp
Escolas associadas à Convenção batista: http://www.aneb.org.br/associados_convidados.asp
Outras Instituições batistas:
http://www.aneb.org.br/associados_outras_batistas.asp
INSTITUIÇÕES COM CURSOS SUPERIORES:
a. das Convenções Batistas Estaduais:
Colégio Batista Shepard/RJIBEV/ES
Colégio Batista Mineiro/MG
CBBrasileiro/SP
CBAlagoano/AL
b. Outras: UNIGRANRIO/RJ
Faculdades Souza Marques/RJ
Faculdade Batista da Amazônia/AM
Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil/RJ
Os Colégios e Faculdades Batistas poderiam simplesmente instituir o sistema de cotas de 20% para membros batistas pretos em todo o Brasil, apesar de que a educação nestas organizações não é voltada ao povo preto. Os Colégios religiosos são considerados entidades filantrópicas e muitos deles, não posso afirmar que são todos, não cumprem a idéia de filantropia, tanto assim que abaixo no link há informação de um Colégio Batista processado:
Colégio Batista Fluminense, entidade filantrópica, não oferecia bolsa para alunos carentes. http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/direitos-do-cidadao/mpf-rj-move-acao-contra-escola-em-campos/
Notamos a falta de conscientização política pan-africanista entre os evangélicos pretos e um despertar de consciência para a realidade de inserção nas igrejas. São fatos de extrema preocupação. Esta rápida análise sobre a Educação Batista no Brasil nos leva a tecer considerações sobre a exclusão dos pretos evangélicos. Vale ressaltar que muitas dessas escolas foram fundadas há mais de 100 anos com o objetivo de manter o status quo de um ensino diferenciado de influência católica e voltada para a classe média, como modelos protestante norte-americanos e nesse projeto não fomos incluídos. Por isso tornar-se-á necessário que pastores batistas brancos ou pretos que vivem e acreditam realmente no Evangelho exijam direitos para o os pretos e pretas e questionem diretamente colegas de pastorado, igrejas e as convenções sobre a educação excludente. O inacreditável é que no censo de 2000 eram 3.162.691 de batistas brasileiros, colocando na base de 50% de pretos seriam na base de 1.581. 230 pretos que de uma maneira ou outra são dizimistas e dão ofertas, na média de 50 reais por pessoa, sendo assim por mês desembolsam mais de 75 milhões de reais e por ano mais de 948.731.000 (948 milhões e 731 mil reais) que não voltam para a educação dos seus membros pretos. Com esse montante a comunidade preta batista poderá ter as suas próprias universidades e escolas que atenderiam uma parte significativa dos seus membros. Quando trabalhamos a questão de que são 15 milhões de pretos evangélicos contribuintes mensalmente com 50 reais, fico perplexo. Porque são 15 milhões de pessoas doando voluntariamente um total de 750 milhões de reais mensais e anualmente nove bilhões de reais para manter estruturas poderosas e que continuam a exclusão do nosso povo nas suas estruturas eclesiásticas.
O movimento Negro nos Estados Unidos da América surgiu e solidificou-se dentro das Igrejas Protestantes e voltou-se para implementação de Universidades e Escolas com a contribuição das Igrejas Pretas. No Brasil há tanto dinheiro ofertado e não aprendemos que devemos caminhar para a auto-gestão.
José Carlos Barbosa escreveu um livro “Negro não entra na igreja: espia da banda de fora", eu discordo e digo o preto entra na igreja, contribui e fica do lado de fora. Mas, se não há acepção de pessoas?

sábado, 13 de outubro de 2007

A MARCA DA CRUZ: BENÇÃO OU MALDIÇÃO PARA O AFRICANO?

Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke

O apóstolo Paulo disse: “Levo no meu corpo as marcas de Cristo” (Gal. 6:17). Afirmação que tem criado diversas interpretações por diversos grupos cristãos e teólogos.
A Cruz é contestada pelas Testemunhas de Jeová como um símbolo de origem “pagã”. A conotação de paganismo historicamente é bem diversa do que possamos imaginar, sendo repetidos erros através da história e ainda hoje na interpretação etimológica da palavra “pagã”. No Primeiro Testamento, os pagãos são os caucasianos, idéia esta continuada no Segundo Testamento. Sendo um dos temas que será abordado detalhadamente no curso que será ministrado em dezembro pelo Prof. Walter Passos e Prof. Ademário Brito, em Salvador-Bahia.
A cruz em que foi assassinado Yeshua (Cristo) pelos romanos tornou-se um símbolo para a Igreja, como sinal de identificação e até de veneração. A igreja Católica e as Reformadas usam a cruz dentro dos seus templos e ultimamente Igrejas Pentecostais e Neopentecostais que antes não a aceitavam tem modificado a concepção e já as vemos ornamentando templos.
A cruz cristã, após ser apropriada pelos europeus, tornou-se o símbolo da morte e da dominação na conquista de regiões africanas, americanas, asiáticas e oceânicas. Conquistar, escravizar e cristianizar.
Na África as civilizações européias dividiram os lucros da escravidão e colonização com a Igreja Católica Apostólica Romana, tendo essa se beneficiado com as pilhagens e mortes de milhões de pessoas. A cruz era a marca da posse e a marca da morte. Nos portos de Gorée, São Paulo de Luanda e outros quando os africanos eram seqüestrados e presos para o tráfico eram marcados a ferro e brasa com o símbolo da cruz e batizados iniciando o processo de cristianização forçada para povos que não eram cristãos. A cruz tornou-se assim para muitas civilizações africanas o significado do perigo, da destruição, da escravização e da pilhagem feitas pelos caucasianos europeus e suas civilizações que em nome de um deus mercantilista sangrou o continente africanos e seus filhos e marcaram os seus corpos como propriedade e aceitação forçada de uma nova fé, de um novo nome e de uma maldita vida.
Enquanto esses fatos ocorriam em outras regiões africanas à cruz era e é um simbolismo de fé e uma identificação com Yeshua.
Em meados do século 1°, após pregar no Continente Africano, pelo Egito, Marcos ergueu sua igreja em Alexandria. Daí a cidade ser considerada a Sede da Igreja São Marcos Copta Ortodoxa. A Igreja Copta Egípcia é uma organização cristã mais antiga que a Igreja Católica Apostólica Romana e hoje tem cerca de nove milhões de egípcios, e surgiu bem antes do Islamismo, sendo seguidora de Yeshua há quase 2000 anos, como mais uma prova viva do Cristianismo de Matriz Africana.
Os Zebaleens, um grupo 40 mil Egípcios Cristãos Coptas, vivem jogados na periferia de Cairo, em quatro comunidades, em que Moqattam é a principal, com cerca de 30 mil habitantes, sobrevivendo com o único trabalho permitido: a coleta de lixos, provenientes de 20 milhões de habitantes de Cairo. São crianças, jovens, mulheres, homens e idosos sobrevivendo com ganhos em média de um dólar por dia e sem nenhuma assistência oficial ou remuneração do governo local. O trabalho dos Zebaleens é visto como o mais desprezível possível na sociedade egípcia, especialmente por causa da criação de porcos, animal considerado impuro no islamismo, cuja concessão foi permitida como mais um símbolo de humilhação.
Eles marcam seus pulsos voluntariamente com a cruz de Cristo, como forma de orgulho e oposição, como uma marca indestrutível de sua identificação com sua comunidade e igreja vítimas de um violento genocídio silencioso, essa minoria copta, carrega nos seus corpos a marca do Cristo.
O deturpado uso da Cruz ainda hoje é empregado nas missões para sangrar e amaldiçoar o continente africano, como também seus descendentes na diáspora, transformando e negando seu verdadeiro e maior simbolismo: o sacrifício de Yeshua para remissão dos pecados e união do povo preto sob o Cristianismo de Matriz Africana.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Malcolm X


Por: Aidan Dudu Labalãbã. Este é o meu pseudônimo, o qual escolhi por não aceitar os nomes dados pelo escravizador. O meu nome pela língua imposta pelos brancos é Vanessa e sou membro da Igreja Presbiteriana Unida, em Salvador-Bahia e Tesoureira do CNNC/Bahia

"As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram as que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos.” Malcolm X

Falar de cinema preto é maravilhoso, especialmente como uma jovem preta, pobre e cristã, vivendo em uma sociedade racista que, desde pequena, meus pais ensinaram-me a resistir. Tenho o privilégio de comentar um dos melhores filmes que assisti, diversas vezes, aqui em casa. O filme que marcou profundamente a minha vida nesse meu pouco tempo de existência foi Malcolm X, de Spike Lee. Tenho atualmente 18 anos de idade e o filme ajudou-me a ver, por outro lado, o sistema social discriminatório com o qual sou obrigada a conviver. E descobrindo assim que a problemática do povo preto é mundial. Seja aqui ou nos Estados Unidos, somos vítimas do racismo branco. Por isto estou iniciando os estudos do pan-africanismo e me considero uma africana no Brasil.
O Filme “Malcom X” foi produzido por um dos maiores cineastas pretos do mundo, Spike Lee, em 1992, tendo no elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Albert Hall, Al Freeman Jr., Delroy Lindo, Spike Lee e Theresa Randle. Spike Lee produziu, entre outros filmes, She's Gotta Have It (1986), Faça a Coisa Certa (1989), Febre da Selva (1990) e Mais e Melhores Blues (1991).
No filme, Spike Lee retrata a vida de Malcolm Little, que tem uma vida igual à de muitos pretos no mundo, mas com um desejo incomum e deturpado: de se parecer com o homem branco, de possuir a mulher branca, de se descaracterizar fisicamente e espiritualmente, possuindo os seus apetrechos, jeitos e trejeitos, até torna-se pior do que seu espelho: o homem branco.
No decorrer do filme observamos o avanço e tomada de consciência de Malcom, após ser preso e conviver com os seus próprios pesadelos e encontrar-se consigo mesmo através da Nação do Islã. Mudou o seu nome para Malcom X, porque os sobrenomes que temos foram colocados pelos senhores de escravizados, pois a letra X é uma incógnita nos estudos das áreas exatas.
Após a saída da prisão, Malcom X é um outro homem, com um discurso realista sobre o cotidiano da população preta dos Estados Unidos, bem diferente dos discursos de integração de Martim Luther King.
Se você ainda não assistiu a este filme, deve fazê-lo. Porém, não só; assista-o com seu grupo de amigos pretos e amigas pretas, com a sua família, com a sua igreja, para que todos possam adquirir uma nova consciência, tornando-se pan-africanistas como foi Malcom X. Considero o pan-africanismo o modo mais eficaz de solidariedade e luta para possuirmos novamente a essência que nos tentaram tirar após o seqüestro da Mãe – África.

MALCOLM X

EUA - 1992 - Drama - 192 minutos
Diretor: Spike Lee
Roteiro: Arnold Perl e Spike Lee
Direção de fotografia: Ernest R. Dickerson
Montagem: Barry Alexander Brown
Elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Albert Hall, Al Freeman Jr., Delroy Lindo, Spike Lee e Theresa Randle
Distribuição: Universal Pictures

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A HOMOSSEXUALIDADE E AS IGREJAS EVANGÉLICAS

Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke

A homossexualidade consiste em uma prática antiga das civilizações brancas (caucasianas) como a grega e a romana. Há inúmeras discussões e afirmações de que foi desconhecida das civilizações africanas. Sendo exercida no regime de escravidão, por africanos e seus descendentes, por falta de mulheres e entre as “sinhazinhas” com as escravizadas.
Há vozes discordantes sobre a homossexualidade no continente Africano e há vozes que a afirmam, como os escritos do antropólogo Luís Mott, que disse ser Zumbi, líder preto do Quilombo dos Palmares, homossexual, criando desavenças com integrantes do Movimento Negro Brasileiro.
Leia: http://www.terra.com.br/istoegente/43/reportagens/rep_gays.htm
Nas reuniões do Movimento Negro Brasileiro a homossexualidade é bastante discutida, os homossexuais negros e negras têm exigido o direito a voz e voto dentro de todos os congressos, sendo criados debates exclusivos sobre a temática, como o que ocorreu no ENJUNE – Encontro Nacional da Juventude Negra, em julho desse ano. Embora integrantes questionem a homossexualidade das pessoas pretas, afirmando que estas não devam seguir opção sexual diferente da hetero. Existem dezenas de organizações negras homossexuais e diversas redes na internet.
O Primeiro Testamento e o Segundo Testamento condenam a prática homossexual. A questão da homossexualidade é antiga dentro das igrejas protestantes e sempre foi tratada de maneira velada como se não fosse uma realidade inerente a todas as igrejas. Nós últimos anos surgiram igrejas de homossexuais no Brasil, como a Metropolitana e a Acalanto e seus pastores(as) defendem o homossexualismo como uma prática de amor igual a dos heterossexuais e inclusive o casamento de pessoas do mesmo sexo.
No artigo publicado na Revista Época o Pastor Victor Ricardo afirma: Sou pastor e sou gay "Teólogo diz que há assédio nas igrejas e que parte do preconceito contra homossexuais se deve a traduções erradas da Bíblia.
http://br.groups.yahoo.com/group/clippingevangelico/message/901
A discussão tornou-se mais iminente com o projeto de Lei 5003/2001, de autoria da Deputada Iara Bernardi - PT - que criminaliza a homofobia e que está no Plenário para votação, e o PL 7052/2001 que estabelece o dia 17 de maio, já consagrado dia Mundial contra a Homofobia, como Dia Nacional de Combate a Homofobia. Este projeto tem levantado vozes de inúmeras denominações contrárias e de pastores conhecidos.
Silas Malafaia da Assembléia de Deus tem se posicionado contra a prática homossexual: "Se toda prática deturpada, pecaminosa, imoral for legalizada, onde vai parar a nossa sociedade? Se a sociedade legalizar suas aberrações, ela se destruirá. Um erro moral nunca pode ser um direito civil.Porém, qualquer homossexual que confessar o seu pecado, receber Jesus como Salvador e obedecer à Sua Palavra, poderá tornar-se um heterossexual, poderá ser recuperado e liberto. Jesus tem poder para isto. "http://www.prsilasmalafaia.com.br/

Segundo Wesley Souza Medeiros no seu blogger Folha Cristã:"A bomba estourou neste último domingo, após o pastor Silas Malafaia fazer algumas declarações em rede nacional sobre a homosexualidade. Mas ele não foi o primeiro, já está cada vez mais na moda a onda do processo por homofobia.Me entristeço porque em todos os casos que estão acontecendo estão querendo processar pastores e membros evangélicos, porque falam aquilo que está na bíblia, e este é o grande problema, o maior de todos! É com muito pesar que chego a conclusão de que a palavra de Deus está correndo o risco de ser proibida no Brasil, e do jeito que a coisa está isso não vai demorar muito.Não sou maior do que ninguém, talvez o mais pequeno de todos, preciso assim como todos precisam, da misericórdia de Jesus Cristo, mesmo eu nunca tendo processado ninguém, talvez eu corra o risco de ser processado, não por expor minha opinião, mas por dizer que eu concordo com aquilo que diz a bíblia!"http://folhacrista.blogspot.com/2007/08/brasil-vive-onda-de-processos.html

Assista o vídeo com o Pastor Silas Malafaia: http://br.youtube.com/watch?v=guELfBEz9bk
Assista a homília completa:
http://www.overbo.com.br/modules/x_movie/x_movie_subwin.php?cid=59&lid=99
Pronunciamento do Colégio Episcopal da Igreja Metodista sobre o projeto de lei acerca da homofobia
"Afirma o ensino Bíblico de que Deus criou homem e mulher, e esta é a orientação sexual reconhecida pela Igreja. E este mesmo ensino Bíblico classifica como um pecado a prática do homossexualismo. Deste modo, é inalienável o direito da Igreja de pregar e ensinar no privado e no público contra a prática homossexual como um pecado e desobediência aos ensinos de Deus. O fato da Igreja compreender o homossexualismo desta maneira não a impede de receber, acolher e dialogar com os homossexuais.A Igreja quer, no entanto, preservar o seu direito de questionar a conduta humana, qualquer que seja ela, inclusive a conduta homossexual, de modo a poder desempenhar sua missão de pregar a reconciliação do ser humano com Deus, com o seu próximo e consigo mesmo".
Leia todo o Pronunciamento: http://www.hermeneutica.com/mensagens/metodista.html
Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia
Leitura: Salmo 1
A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo”.
Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie Leia todo o manifesto: http://mackenzie.br/chancelaria/manifesto.htm
São inúmeros os posicionamentos de igrejas e pessoas evangélicas independente da cor epitelial contra os homossexuais. Você leitor e leitora como se posiciona? Comente o artigo e responda a nossa enquete.

PRETAS POESIAS

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Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias