sexta-feira, 19 de outubro de 2007

NÃO AS MISSÕES CRISTÃS NA ÁFRICA!


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos.Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: kefingfoluke@hotmail.com

“Hoje, vejo a necessidade de nós pretos sairmos da invisibilidade e descobrirmos a África abençoada dos nossos ancestrais dentro de nós”. Walter Passos.

Incrível que pareça, ainda há no seio do protestantismo nacional, grupos que discipulam jovens para se tornarem missionários na África. Quais são as motivações desses jovens de todas as cores epiteliais a sentirem-se comovidos para as missões em território africano? Que continente é este que precisa de missões cristãs? Por que jovens pretos se alistam nesses grupos missionários?
São perguntas que surgem em minha mente. Quando criança também desejava ser um missionário no continente africano, abandonar minha família, envolver-me no mato - palavra incorreta e medonha para designar floresta, essa nossa língua brasileira tem cada uma: mato,mata, significando floresta, depois dos portugueses matarem a floresta na sua colonização insana, o nome ficou, fixou-se até interessante, floresta como sinônimo de mato e mata. Começou com os portugueses matando florestas e índios, tendo como conseqüência o “matamento” e destruição do ecossistema brasileiro, fato esse também não discutido nas igrejas. Da mesma forma o vocábulo “desmatamento”, porque partindo dessa ótica tratar-se-ia da retenção da destruição das florestas, do término do “matamento” da flora, e não como é empregado, no sentido antônimo, de destruição, aniquilação da mesma.
Voltando a idéia das missões, eu sonhava em ir para a África pregar a verdade aos negros africanos. Eu os considerava atrasados e dignos de pena. Lia gibis de Tarzan, homem branco criado por macacos que era superior a todos os africanos, além disso, ouvia relatos de missionários que chegavam do continente africano. Eu achava interessantes esses relatos missionários, e em qualquer igreja da minha cidade quando chegava um missionário (a) eu queria ouvir para entender as missões.
Os nossos hinários falam em missões e de um Cristo que deixou de ser o Príncipe da Paz para se tornar um General, Capitão, um Senhor da Guerra. Há um hino escrito por Henry Maxwell Wright (1849-1931), bastante conhecido e cantado dentro de grandes Igrejas históricas, “O Pendão Real”, hino oficial da IPI – Igreja Presbiteriana Independente, que dá cores aos batalhões inimigos:
“Eis formado já os negros batalhões
Do grande usurpador
Revelai-vos hoje bravos campeões,
Nas hostes do Senhor ”.
A idéia da escuridão está presente no hino “Igreja Alerta” e essas próprias nações estão solicitando missionários, conforme o autor A. J. Rodrigues da Silva.
“Queremos luz” é o grito das nações pagãs,
Que vem atravessando o imenso mar,
Ir já, pregar as Boas-Novas de perdão,
Sem esquecer também aqui de semear.
No hino “Marchemos, Sem Temor”, o autor Robert Hawkey Moreton (1844-1917) torna Jesus o Senhor da Guerra:
“Vamos com Jesus, e marchemos sem temor
Vamos ao combate, inflamados de valor;
Eia, pois! Lutemos todos contra o mal;
Em Jesus nós temos grande general”.
A maioria dos protestantes brasileiros se transformou de Embaixador do Reino de Deus para ser soldado de Cristo e guerreiro do Exército do Senhor, sendo assim há necessidade de uma guerra santa dentro do continente africano, através das missões, para dominar religiosamente o que estava dominado politicamente através das armas e da guerra, e essa guerra santa continua através das missões. Há de fazermos algumas reflexões sobre essa visão não realista do continente africano.
Os interesses dos países de manterem a dominação africana continuam de formas mais elaboradas e sabendo nós que essas missões ainda são continuidade dos primeiros missionários americanos e europeus, com suas concepções de desprezo às culturas nativas. Atualmente há uma globalização litúrgica e de conceitos teológicos que nada têm com o evangelho de Nosso Senhor Yeshua, outrossim, conceitos eurocêntricos de branqueamento desses países, além do mais, são retiradas ofertas para manutenção de jovens que se deslocam para o continente africano, e estas ofertas saem do trabalho suado de membros descendentes de africanos, que já somam milhões no Brasil, mas, infelizmente não são membros de maioria preta, porque estão branqueados teologicamente e culturalmente, menosprezando e negando a sua origem africana, porque ser preto na diáspora é entender o seu processo histórico e não se envergonhar do seu passado ancestral e não combater as suas origens, tornando-se instrumentos de tentativas de aniquilamento cultural do nosso próprio povo. Seguir o Evangelho de Yeshua não é combater expressões culturais milenares.
Tenho certeza que as nossas preocupações devem ser voltadas para a realidade nacional, de quase a metade da população brasileira que é Preta, conforme os últimos censos, e as igrejas deveriam se voltar para as questões da comunidade preta, investir recursos na melhoria dos membros pretos de suas igrejas, intervirem como Igreja nos graves problemas sociais nos quais vivemos e somos esquecidos, permitir que jovens pretos freqüentem suas escolas burguesas e o acessem a educação planejada para as elites brancas desse país. Torna-se necessário tirar as vendas dos olhos dos líderes religiosos que vêem a África como símbolo do mal e necessitando urgente de evangelização branqueada. Urge a necessidade de sentar com esses jovens e explicar que a colonização ocorrida no continente africano foi baseada na violência e no extermínio de milhões de pessoas, sendo esse assunto da mais alta relevância ao notarmos exemplos como o antigo Congo Belga, atual República Democrática do Congo, sendo maior que a própria Bélgica. A Grã-Bretanha desejava unir a cidade do Cabo na África do Sul à cidade do Cairo, no Egito. A França dominou todo o Magreb e outras regiões africanas, como a Costa do Marfim e o Senegal, terra dos meus ancestrais maternos. Portugueses católicos são culpados da situação de extrema pobreza de Moçambique, e retiraram tudo que puderam de Angola, da Guiné-Bissau e outras regiões africanas. Houve uma “mata” nas florestas tropicais e subtropicais da África, uma destruição das savanas, um quase aniquilamento da fauna e um violento ataque às culturas desses países, concomitantemente a demonização de culturas ancestrais.
Foi à cristandade com uma idéia deturpada de Cristo- General que devastou o continente africano e enriqueceu os países colonialistas e neocolonialistas, que seqüestraram os seus filhos e filhas para a América.
Hoje, eu vejo a necessidade da igreja combater os graves problemas que sofremos na sociedade brasileira e se voltar para dentro de si mesma e ver que a África está aqui com seus representantes sentados e esquecidos nos templos lotados.
Hoje devemos exigir das Igrejas o respeito à memória e ao continente africano que foi sucatado e sangrado, olhando os seus filhos na diáspora dentro do continente americano. Hoje vejo a necessidade de se criar uma nova discussão teológica dentro dos seminários e das escolas bíblicas dominicais, com uma nova pedagogia baseada em livros e conceitos afrocentrados, de novos livros teológicos que não sejam meras interpretações de realidades alemãs, inglesas e norte-americanas, os quais brilhantes pastores negros repetem conceitos de Rudolf Bultmann, Paul Tillich, Dietrich Bonhoeffer, Louis Berkoff, Oscar Cullmann, Rubem Alves e tantos outros e posam como intelectuais na teologia, e infelizmente nada sabem de sua ancestralidade e nem o nome das bisavós maternas e paternas, e ignoram a história do seu povo como que eles não existissem. Desconhecem a história das primeiras comunidades africanas cristãs que surgiram antes do Cristianismo Romano e ojerizam o conhecimento ancestral da Mãe-África, a sua musicalidade e concepções maravilhosas de Deus que se revelou através de Yeshua, o Cristo. Mas são meros defensores da teologia alemã e seus teólogos, de confissões inglesas, dos conceitos liberais, fundamentalistas ou conservadores nos Estados Unidos, e acabam tendo propostas evangelicais para os negros brasileiros e africanos. Na verdade conseguem ter conceitos caucasianos e defendê-los melhor do que os seus autores.
Que as igrejas também discutam a lei 10.639 e através dessa lei sejam quebrados os preconceitos criados pela sociedade e reforçados pelas igrejas referentes aos africanos e seus descendentes no Brasil
Hoje, vejo como o momento de questionar as missões que se direcionam para salvar os “coitadinhos dos africanos” que vivem na “escuridão” e convocam jovens pretos não conhecedores da sua própria realidade, da sua história e da sua ancestralidade, tornam-se simplesmente portadores de ideologias caucasianas-ocidentais anticulturais e globalizantes, os quais não conhecem os seus próprios problemas como descendentes de africanos, porque não participam dessas questões no Brasil e são enviados para a África, acreditando em uma democracia racial brasileira e branqueados culturalmente e teologicamente, enquanto temos problemas imensos de nossa população e eles não são nem citados por aqueles que querem salvar os africanos e permitem que o nosso povo preto continue discriminado na sociedade e nas igrejas. Tornando-se necessário que os encontros de pretas e pretos se tornem um fator missionário verdadeiro de questionamentos para nossas irmãs e irmãos que ainda estão presos aos conceitos e pensamentos dos teólogos das grandes plantações sulistas americanas.
Hoje, vejo a necessidade de nós pretas e pretos sairmos da invisibilidade e descobrirmos a África abençoada dos nossos ancestrais dentro de nós.


Texto adaptado do livro: AFROREFLEXÕES, autoria de Walter Passos, a ser lançado em breve.
ALGUMAS COMUNIDADES NO ORKUT DE MISSÕES NA ÁFRICA:
RADICAL AFRICA-
FUR, quem se interessa??
TUAREG, Quem se interessa?
FUTA JALON, Quem se interessa?
WOLOF, Quem se interessa?
MANINKA, Quem se interessa?
TUKULOR, Quem se interessa?
SUSU, Quem se interessa?
HAUSA, Quem se interessa?
SONGHAI, Quem se interessa?
FULA KUNDA, Quem se interessa?
SOKOTO, Quem se interessa?
MOUROS, Quem se interessa?
FULANI, Quem se interessa?
SONINKE, Quem se interessa?
SEREER, Quem se interessa?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

AS COTAS NEGADAS: ESCOLAS CRISTÃS E O POVO PRETO


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos.Pseudônimo: Kefing Foluke.


Completar-se-á em novembro um ano que ocorreu o I Encontro de Negras e Negros Cristãos da Bahia realizado pelo CNNC/BA no Colégio Duque de Caxias – Liberdade –Salvador – Bahia, nesta oportunidade eu fiz a proposta-denúncia de que as cotas deveriam ser também aplicadas às Igrejas Protestantes que são detentoras de Universidades, Faculdades e Escolas pelo Brasil. Atualmente já se escrevem sobre essa idéia e fico vendo novos horizontes para uma grande campanha nacional de pretas e pretos independentes de credo religioso, filosófico e político aliados aos evangélicos pretos objetivando a concretização dessa proposta.
Há um processo excludente de oportunidades aos evangélicos pretos nas igrejas brasileiras em todas as esferas de poder eclesiástico, uma continuidade da exclusão da sociedade que a Igreja não isenta o membro da discriminação racial por ser evangélico. Um fato interessante é que pessoas pretas evangélicas repetem o discurso ao serem convidadas a discutir a exclusão, e afirmam acertadamente que Deus não faz acepção de pessoas. Infelizmente acreditam que discutir a discriminação racial dentro das Igrejas é torna-se racista. A vítima se acha algoz, o preto Evangélico não entende que quando chama O DISCRIMINADOR DE IRMÃO E É CHAMADO POR ELE REPETE UMA FALACIA. “Irmão” na igreja e quando sai do templo está fora da irmandade cristã e cai na realidade de ser apenas considerado como um descendente de africano, discriminado por este.
O crescimento das igrejas evangélicas com templos suntuosos, universidades, escolas, rádios, televisões, jornais, fazendas e outros bens demonstram que há uma maneira bem capitalista de aproveitamento de ofertas e dízimos, e nesse sentido Max Weber, no livro “A Ética protestante e o Espírito do Capitalismo”, o qual conclui que na concepção protestante de ser abençoado é ter bens materiais podemos aplicar ao protestantismo brasileiro vindo dos Estados Unidos e no desenvolvimento atual da Teologia da Prosperidade. Não sendo eu Weberiano, concordo que o protestantismo e capitalismo são simbióticos.
Milhões de pessoas pretas se dedicam a evangelização, missões e manutenção de estruturas as quais não dividem os lucros com a comunidade preta. Esse fato se torna digno de estudos mais aprofundados para o entendimento de contribuições que não retornam ao contribuinte e servem para conquistar mais pretos e pretas que se tornarão dizimistas e manterão bem vivas as instituições que os excluem.
Grandes igrejas evangélicas mantêm estruturas poderosas de ensino no Brasil, conhecidas por todos nós. Os Presbiterianos, Adventistas, Metodistas, Luteranos, Batistas, Anglicanos, Assembléia de Deus e outras denominações. A Igreja Presbiteriana do Brasil possui uma das mais importantes universidades paulistas: o Mackenzie, administrada pelo Supremo Concílio da IPB além de escolas e seminários. A grande rede educacional Adventista, as Faculdades e Colégios Luteranos, as Universidades metodistas como: Instituto Metodista de Ensino Superior: Universidade Metodista de São Paulo, Colégio Metodista em São Bernardo do Campo, Colégio Metodista em Bertioga, Colégio Metodista em Itapeva, as Faculdades Integradas Bennett: o Centro Universitário Metodista Bennett e o Colégio Metodista Bennett, escolas e seminários. A Universidade Metodista de São Paulo oferece bolsas de estudos para EducaAfro, alunos africanos e tem um trabalho social. Mas, nenhuma Igreja Protestante voltou-se internamente para atender os membros pretos das suas comunidades.
Nesse pequeno artigo vou analisar superficialmente a maior denominação do protestantismo histórico brasileiro: os batistas. Possuidores de dezenas de faculdades e Escolas no Brasil desde o Rio Grande do Sul ao Amazonas, abaixo informações e links de algumas delas:
ANEB - Associação Nacional de Escolas Batistas –http://www.aneb.org.br/diretrizes.asp
As instituições de ensino batistas, subordinadas à denominação, por meio das entidades da Convenção Batista Brasileira ou das Convenções Batistas Estaduais ou Regionais; - http://www.aneb.org.br/associados_natos.asp
Escolas associadas à Convenção batista: http://www.aneb.org.br/associados_convidados.asp
Outras Instituições batistas:
http://www.aneb.org.br/associados_outras_batistas.asp
INSTITUIÇÕES COM CURSOS SUPERIORES:
a. das Convenções Batistas Estaduais:
Colégio Batista Shepard/RJIBEV/ES
Colégio Batista Mineiro/MG
CBBrasileiro/SP
CBAlagoano/AL
b. Outras: UNIGRANRIO/RJ
Faculdades Souza Marques/RJ
Faculdade Batista da Amazônia/AM
Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil/RJ
Os Colégios e Faculdades Batistas poderiam simplesmente instituir o sistema de cotas de 20% para membros batistas pretos em todo o Brasil, apesar de que a educação nestas organizações não é voltada ao povo preto. Os Colégios religiosos são considerados entidades filantrópicas e muitos deles, não posso afirmar que são todos, não cumprem a idéia de filantropia, tanto assim que abaixo no link há informação de um Colégio Batista processado:
Colégio Batista Fluminense, entidade filantrópica, não oferecia bolsa para alunos carentes. http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/direitos-do-cidadao/mpf-rj-move-acao-contra-escola-em-campos/
Notamos a falta de conscientização política pan-africanista entre os evangélicos pretos e um despertar de consciência para a realidade de inserção nas igrejas. São fatos de extrema preocupação. Esta rápida análise sobre a Educação Batista no Brasil nos leva a tecer considerações sobre a exclusão dos pretos evangélicos. Vale ressaltar que muitas dessas escolas foram fundadas há mais de 100 anos com o objetivo de manter o status quo de um ensino diferenciado de influência católica e voltada para a classe média, como modelos protestante norte-americanos e nesse projeto não fomos incluídos. Por isso tornar-se-á necessário que pastores batistas brancos ou pretos que vivem e acreditam realmente no Evangelho exijam direitos para o os pretos e pretas e questionem diretamente colegas de pastorado, igrejas e as convenções sobre a educação excludente. O inacreditável é que no censo de 2000 eram 3.162.691 de batistas brasileiros, colocando na base de 50% de pretos seriam na base de 1.581. 230 pretos que de uma maneira ou outra são dizimistas e dão ofertas, na média de 50 reais por pessoa, sendo assim por mês desembolsam mais de 75 milhões de reais e por ano mais de 948.731.000 (948 milhões e 731 mil reais) que não voltam para a educação dos seus membros pretos. Com esse montante a comunidade preta batista poderá ter as suas próprias universidades e escolas que atenderiam uma parte significativa dos seus membros. Quando trabalhamos a questão de que são 15 milhões de pretos evangélicos contribuintes mensalmente com 50 reais, fico perplexo. Porque são 15 milhões de pessoas doando voluntariamente um total de 750 milhões de reais mensais e anualmente nove bilhões de reais para manter estruturas poderosas e que continuam a exclusão do nosso povo nas suas estruturas eclesiásticas.
O movimento Negro nos Estados Unidos da América surgiu e solidificou-se dentro das Igrejas Protestantes e voltou-se para implementação de Universidades e Escolas com a contribuição das Igrejas Pretas. No Brasil há tanto dinheiro ofertado e não aprendemos que devemos caminhar para a auto-gestão.
José Carlos Barbosa escreveu um livro “Negro não entra na igreja: espia da banda de fora", eu discordo e digo o preto entra na igreja, contribui e fica do lado de fora. Mas, se não há acepção de pessoas?

sábado, 13 de outubro de 2007

A MARCA DA CRUZ: BENÇÃO OU MALDIÇÃO PARA O AFRICANO?

Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke

O apóstolo Paulo disse: “Levo no meu corpo as marcas de Cristo” (Gal. 6:17). Afirmação que tem criado diversas interpretações por diversos grupos cristãos e teólogos.
A Cruz é contestada pelas Testemunhas de Jeová como um símbolo de origem “pagã”. A conotação de paganismo historicamente é bem diversa do que possamos imaginar, sendo repetidos erros através da história e ainda hoje na interpretação etimológica da palavra “pagã”. No Primeiro Testamento, os pagãos são os caucasianos, idéia esta continuada no Segundo Testamento. Sendo um dos temas que será abordado detalhadamente no curso que será ministrado em dezembro pelo Prof. Walter Passos e Prof. Ademário Brito, em Salvador-Bahia.
A cruz em que foi assassinado Yeshua (Cristo) pelos romanos tornou-se um símbolo para a Igreja, como sinal de identificação e até de veneração. A igreja Católica e as Reformadas usam a cruz dentro dos seus templos e ultimamente Igrejas Pentecostais e Neopentecostais que antes não a aceitavam tem modificado a concepção e já as vemos ornamentando templos.
A cruz cristã, após ser apropriada pelos europeus, tornou-se o símbolo da morte e da dominação na conquista de regiões africanas, americanas, asiáticas e oceânicas. Conquistar, escravizar e cristianizar.
Na África as civilizações européias dividiram os lucros da escravidão e colonização com a Igreja Católica Apostólica Romana, tendo essa se beneficiado com as pilhagens e mortes de milhões de pessoas. A cruz era a marca da posse e a marca da morte. Nos portos de Gorée, São Paulo de Luanda e outros quando os africanos eram seqüestrados e presos para o tráfico eram marcados a ferro e brasa com o símbolo da cruz e batizados iniciando o processo de cristianização forçada para povos que não eram cristãos. A cruz tornou-se assim para muitas civilizações africanas o significado do perigo, da destruição, da escravização e da pilhagem feitas pelos caucasianos europeus e suas civilizações que em nome de um deus mercantilista sangrou o continente africanos e seus filhos e marcaram os seus corpos como propriedade e aceitação forçada de uma nova fé, de um novo nome e de uma maldita vida.
Enquanto esses fatos ocorriam em outras regiões africanas à cruz era e é um simbolismo de fé e uma identificação com Yeshua.
Em meados do século 1°, após pregar no Continente Africano, pelo Egito, Marcos ergueu sua igreja em Alexandria. Daí a cidade ser considerada a Sede da Igreja São Marcos Copta Ortodoxa. A Igreja Copta Egípcia é uma organização cristã mais antiga que a Igreja Católica Apostólica Romana e hoje tem cerca de nove milhões de egípcios, e surgiu bem antes do Islamismo, sendo seguidora de Yeshua há quase 2000 anos, como mais uma prova viva do Cristianismo de Matriz Africana.
Os Zebaleens, um grupo 40 mil Egípcios Cristãos Coptas, vivem jogados na periferia de Cairo, em quatro comunidades, em que Moqattam é a principal, com cerca de 30 mil habitantes, sobrevivendo com o único trabalho permitido: a coleta de lixos, provenientes de 20 milhões de habitantes de Cairo. São crianças, jovens, mulheres, homens e idosos sobrevivendo com ganhos em média de um dólar por dia e sem nenhuma assistência oficial ou remuneração do governo local. O trabalho dos Zebaleens é visto como o mais desprezível possível na sociedade egípcia, especialmente por causa da criação de porcos, animal considerado impuro no islamismo, cuja concessão foi permitida como mais um símbolo de humilhação.
Eles marcam seus pulsos voluntariamente com a cruz de Cristo, como forma de orgulho e oposição, como uma marca indestrutível de sua identificação com sua comunidade e igreja vítimas de um violento genocídio silencioso, essa minoria copta, carrega nos seus corpos a marca do Cristo.
O deturpado uso da Cruz ainda hoje é empregado nas missões para sangrar e amaldiçoar o continente africano, como também seus descendentes na diáspora, transformando e negando seu verdadeiro e maior simbolismo: o sacrifício de Yeshua para remissão dos pecados e união do povo preto sob o Cristianismo de Matriz Africana.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Malcolm X


Por: Aidan Dudu Labalãbã. Este é o meu pseudônimo, o qual escolhi por não aceitar os nomes dados pelo escravizador. O meu nome pela língua imposta pelos brancos é Vanessa e sou membro da Igreja Presbiteriana Unida, em Salvador-Bahia e Tesoureira do CNNC/Bahia

"As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram as que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos.” Malcolm X

Falar de cinema preto é maravilhoso, especialmente como uma jovem preta, pobre e cristã, vivendo em uma sociedade racista que, desde pequena, meus pais ensinaram-me a resistir. Tenho o privilégio de comentar um dos melhores filmes que assisti, diversas vezes, aqui em casa. O filme que marcou profundamente a minha vida nesse meu pouco tempo de existência foi Malcolm X, de Spike Lee. Tenho atualmente 18 anos de idade e o filme ajudou-me a ver, por outro lado, o sistema social discriminatório com o qual sou obrigada a conviver. E descobrindo assim que a problemática do povo preto é mundial. Seja aqui ou nos Estados Unidos, somos vítimas do racismo branco. Por isto estou iniciando os estudos do pan-africanismo e me considero uma africana no Brasil.
O Filme “Malcom X” foi produzido por um dos maiores cineastas pretos do mundo, Spike Lee, em 1992, tendo no elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Albert Hall, Al Freeman Jr., Delroy Lindo, Spike Lee e Theresa Randle. Spike Lee produziu, entre outros filmes, She's Gotta Have It (1986), Faça a Coisa Certa (1989), Febre da Selva (1990) e Mais e Melhores Blues (1991).
No filme, Spike Lee retrata a vida de Malcolm Little, que tem uma vida igual à de muitos pretos no mundo, mas com um desejo incomum e deturpado: de se parecer com o homem branco, de possuir a mulher branca, de se descaracterizar fisicamente e espiritualmente, possuindo os seus apetrechos, jeitos e trejeitos, até torna-se pior do que seu espelho: o homem branco.
No decorrer do filme observamos o avanço e tomada de consciência de Malcom, após ser preso e conviver com os seus próprios pesadelos e encontrar-se consigo mesmo através da Nação do Islã. Mudou o seu nome para Malcom X, porque os sobrenomes que temos foram colocados pelos senhores de escravizados, pois a letra X é uma incógnita nos estudos das áreas exatas.
Após a saída da prisão, Malcom X é um outro homem, com um discurso realista sobre o cotidiano da população preta dos Estados Unidos, bem diferente dos discursos de integração de Martim Luther King.
Se você ainda não assistiu a este filme, deve fazê-lo. Porém, não só; assista-o com seu grupo de amigos pretos e amigas pretas, com a sua família, com a sua igreja, para que todos possam adquirir uma nova consciência, tornando-se pan-africanistas como foi Malcom X. Considero o pan-africanismo o modo mais eficaz de solidariedade e luta para possuirmos novamente a essência que nos tentaram tirar após o seqüestro da Mãe – África.

MALCOLM X

EUA - 1992 - Drama - 192 minutos
Diretor: Spike Lee
Roteiro: Arnold Perl e Spike Lee
Direção de fotografia: Ernest R. Dickerson
Montagem: Barry Alexander Brown
Elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Albert Hall, Al Freeman Jr., Delroy Lindo, Spike Lee e Theresa Randle
Distribuição: Universal Pictures

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A HOMOSSEXUALIDADE E AS IGREJAS EVANGÉLICAS

Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke

A homossexualidade consiste em uma prática antiga das civilizações brancas (caucasianas) como a grega e a romana. Há inúmeras discussões e afirmações de que foi desconhecida das civilizações africanas. Sendo exercida no regime de escravidão, por africanos e seus descendentes, por falta de mulheres e entre as “sinhazinhas” com as escravizadas.
Há vozes discordantes sobre a homossexualidade no continente Africano e há vozes que a afirmam, como os escritos do antropólogo Luís Mott, que disse ser Zumbi, líder preto do Quilombo dos Palmares, homossexual, criando desavenças com integrantes do Movimento Negro Brasileiro.
Leia: http://www.terra.com.br/istoegente/43/reportagens/rep_gays.htm
Nas reuniões do Movimento Negro Brasileiro a homossexualidade é bastante discutida, os homossexuais negros e negras têm exigido o direito a voz e voto dentro de todos os congressos, sendo criados debates exclusivos sobre a temática, como o que ocorreu no ENJUNE – Encontro Nacional da Juventude Negra, em julho desse ano. Embora integrantes questionem a homossexualidade das pessoas pretas, afirmando que estas não devam seguir opção sexual diferente da hetero. Existem dezenas de organizações negras homossexuais e diversas redes na internet.
O Primeiro Testamento e o Segundo Testamento condenam a prática homossexual. A questão da homossexualidade é antiga dentro das igrejas protestantes e sempre foi tratada de maneira velada como se não fosse uma realidade inerente a todas as igrejas. Nós últimos anos surgiram igrejas de homossexuais no Brasil, como a Metropolitana e a Acalanto e seus pastores(as) defendem o homossexualismo como uma prática de amor igual a dos heterossexuais e inclusive o casamento de pessoas do mesmo sexo.
No artigo publicado na Revista Época o Pastor Victor Ricardo afirma: Sou pastor e sou gay "Teólogo diz que há assédio nas igrejas e que parte do preconceito contra homossexuais se deve a traduções erradas da Bíblia.
http://br.groups.yahoo.com/group/clippingevangelico/message/901
A discussão tornou-se mais iminente com o projeto de Lei 5003/2001, de autoria da Deputada Iara Bernardi - PT - que criminaliza a homofobia e que está no Plenário para votação, e o PL 7052/2001 que estabelece o dia 17 de maio, já consagrado dia Mundial contra a Homofobia, como Dia Nacional de Combate a Homofobia. Este projeto tem levantado vozes de inúmeras denominações contrárias e de pastores conhecidos.
Silas Malafaia da Assembléia de Deus tem se posicionado contra a prática homossexual: "Se toda prática deturpada, pecaminosa, imoral for legalizada, onde vai parar a nossa sociedade? Se a sociedade legalizar suas aberrações, ela se destruirá. Um erro moral nunca pode ser um direito civil.Porém, qualquer homossexual que confessar o seu pecado, receber Jesus como Salvador e obedecer à Sua Palavra, poderá tornar-se um heterossexual, poderá ser recuperado e liberto. Jesus tem poder para isto. "http://www.prsilasmalafaia.com.br/

Segundo Wesley Souza Medeiros no seu blogger Folha Cristã:"A bomba estourou neste último domingo, após o pastor Silas Malafaia fazer algumas declarações em rede nacional sobre a homosexualidade. Mas ele não foi o primeiro, já está cada vez mais na moda a onda do processo por homofobia.Me entristeço porque em todos os casos que estão acontecendo estão querendo processar pastores e membros evangélicos, porque falam aquilo que está na bíblia, e este é o grande problema, o maior de todos! É com muito pesar que chego a conclusão de que a palavra de Deus está correndo o risco de ser proibida no Brasil, e do jeito que a coisa está isso não vai demorar muito.Não sou maior do que ninguém, talvez o mais pequeno de todos, preciso assim como todos precisam, da misericórdia de Jesus Cristo, mesmo eu nunca tendo processado ninguém, talvez eu corra o risco de ser processado, não por expor minha opinião, mas por dizer que eu concordo com aquilo que diz a bíblia!"http://folhacrista.blogspot.com/2007/08/brasil-vive-onda-de-processos.html

Assista o vídeo com o Pastor Silas Malafaia: http://br.youtube.com/watch?v=guELfBEz9bk
Assista a homília completa:
http://www.overbo.com.br/modules/x_movie/x_movie_subwin.php?cid=59&lid=99
Pronunciamento do Colégio Episcopal da Igreja Metodista sobre o projeto de lei acerca da homofobia
"Afirma o ensino Bíblico de que Deus criou homem e mulher, e esta é a orientação sexual reconhecida pela Igreja. E este mesmo ensino Bíblico classifica como um pecado a prática do homossexualismo. Deste modo, é inalienável o direito da Igreja de pregar e ensinar no privado e no público contra a prática homossexual como um pecado e desobediência aos ensinos de Deus. O fato da Igreja compreender o homossexualismo desta maneira não a impede de receber, acolher e dialogar com os homossexuais.A Igreja quer, no entanto, preservar o seu direito de questionar a conduta humana, qualquer que seja ela, inclusive a conduta homossexual, de modo a poder desempenhar sua missão de pregar a reconciliação do ser humano com Deus, com o seu próximo e consigo mesmo".
Leia todo o Pronunciamento: http://www.hermeneutica.com/mensagens/metodista.html
Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia
Leitura: Salmo 1
A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo”.
Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie Leia todo o manifesto: http://mackenzie.br/chancelaria/manifesto.htm
São inúmeros os posicionamentos de igrejas e pessoas evangélicas independente da cor epitelial contra os homossexuais. Você leitor e leitora como se posiciona? Comente o artigo e responda a nossa enquete.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

FRED HAMPTON JR. SERÁ RECEBIDO PELO CNNC NA BAHIA




Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke




O Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos- CNNC, a única organização cristã pan-africanista, afrocentrada e defensora do Cristianismo de Matriz Africana do Brasil, através do CNNC/BA, receberá de 11 a 14 de novembro de 2007 o irmão afro-norte-americano Fred Hampton Jr. em Salvador.
Filho de Fred Hampton ativista preto e um dos fundadores dos Black Panthers, Presidente do Partido Panteras Negras que foi assassinado em 1969, Fred Hampton Jr. tem sido um dos grandes expoentes da luta do povo preto, já cumpriu prisão pelo seu amor ao povo preto por causa da sua auto-determinação combatendo o sistema branco excludente com uma visão panafricanista de união do povo preto no planeta.
Saiba mais um pouco sobre os Panteras Negras acessando o artigo da irmã Aidan Dúdú no nosso blogger: http://cnncba.blogspot.com/2007/08/panteras-negras-tratamento-de-choque.htmlchoque.html
Os contatos para sua vinda foram feitos através da Secretaria Executiva do CNNC/Brasil a teóloga e professora Suzete Lima. O irmão Fred Hampton cumprirá uma extensa agenda de atividades em Salvador e Vitória da Conquista - BA, além de visitar os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, onde as organizações :Missão Candace, Posse MalesUhuru e o POCC-Brasil de cunho panafricanista cuidarão da agenda desse grande militante afro-norte-americano. Na Bahia o CNNC/BA e a Missão Candace estará organizando a agenda, que constará de visitas a Escolas estaduais e municipais, organizações do Movimento Negro, guetos do povo preto, Quilombos e Universidades. Os Meios de Comunicação e organizações do Movimento Negro que queiram participar da programação em Salvador devem entrar em contato imediatamente com a direção do CNNC/Bahia através do e-mail cristaosnegros@yahoo.com.br
Em breve mais detalhes sobre a vida e luta do nosso irmão preto Fred Hampton Jr.





domingo, 30 de setembro de 2007

OS PRETOS SEM-TERRAS


Por: Aidan Dudu Labalãbã.
Este é o meu pseudônimo, o qual escolhi por não aceitar os nomes dados pelo escravizador. O meu nome pela língua imposta pelos brancos é Vanessa e sou membro da Igreja Presbiteriana Unida, em Salvador-Bahia e Tesoureira do CNNC/Bahia


O professor de sociologia, do colégio de Ensino Médio que estudo, comentou sobre os sem-terras e mostrou diversas fotos em slides as quais não apareceu nenhuma imagem de pessoas preta, achei estranho porque somos a maioria do povo brasileiro.
Meu pai foi a primeira pessoa que mapeou os quilombos do estado da Bahia, e começou este trabalho antes do meu nascimento, tenho eu agora 18 anos de idade, cresci ouvindo falar sobre as questões agrárias do povo preto e especialmente sobre quilombos e a não participação dos protestantes nessa questão. Até tratores passaram em Igreja da Assembléia de Deus dentro de quilombo,o meu pai escreveu sobre isso, e os protestantes nada disseram, e eu ainda pequena não entendia porque nada disseram e hoje eu sei que igreja formada só de preto não interessa aos poderes das igrejas que tem seus líderes todos brancos fora da nossa realidade.
Não temos imagens constantes de pretos e pretas no Movimento sem-terra, pelo menos os que aparecem na mídia, as nossas imagens são escassas, mas tenho a certeza que somos a maioria dos sem-terras nesse país. Na Bahia não se pode esconder esse fato.
O início do processo de expulsão das terras se deu especificamente após a chegada dos imigrantes brancos da Europa no projeto de branqueamento do país. Na abolição da escravatura, a população preta não estava nos planos agrários, tanto assim, que as minhas bisavós vieram do interior da Bahia. Sabemos que as pessoas migram porque não possuem terras em um país continental que não teve a coragem de fazer a reforma agrária, para beneficiar brancos sem-terras e pretos que nunca tiveram direito a posse dela.
Nas fotos apresentadas na sala de aula eu fiz algumas viagens para tentar imaginar só fotos de brancos. Eu sei que na época da escravidão houveram brancos sem-terras, e alguns fizeram acoitamento para escravos fugidos explorando a sua mão-de-obra, li isso no livro Bahia: Terra de Quilombos, escrito por meu pai quando ele escreveu sobre o Quilombo do Oitizeiro na Bahia.
Sempre ouvi do meu pai que temos de diferenciar os pretos sem-terras e os quilombolas, E AO MESMO TEMPO HÁ PRETOS SEM-TERRAS QUE FORAM QUILOMBOLAS, E HÁ PRETOS QUE ESTÃO SEM -TERRAS E NÃO FORAM PROVENIENTES DE COMUNIDADES DE QUILOMBOS. Eu só sei que sem importar muito as nomeações, o povo preto não tem terras e precisa lutar muito e serem cuidadosos para não perder as que possuem.
Os meios de comunicação não mostram os pretos sem-terras, o que aparece sempre são os pretos nas favelas, nas palafitas, nos meios urbanos, como se não estivéssemos na zona rural. É necessário mostrar a cara do Brasil Preto sem-terra, ao invés da mídia está sempre tentando esconder essa cruel realidade. Divulga-se um Brasil rico e branco, de farturas e com crescente produção agrícola que o nosso povo não tem participação nos seus lucros.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O DIREITO DA FALA: CNNC/BA E CONNEB/BA


Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente do CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos.
Pseudônimo: Kefing Foluke.

Recebi um e-mail o qual me deixou bastante apreensivo sobre os rumos que toma o CONNEB/Bahia - Congresso de Negras e Negros do Brasil/BA - na questão da religiosidade do Povo Preto, bem diferente da decisão em Belo Horizonte, sendo assim, peço-vos que reflitam em algumas questões sobre a PLENÁRIA ESTADUAL DO CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL que ocorrerá no dia 29 de setembro de 2007 (sabado), as 09h, no auditório da Faculdade Visconde de Cairu - Barris - Salvador/Ba., e um dos temas será: Religiosidade do Povo Negro.
Primeiramente parabenizo a escolha do nome de Valdina, uma irmã que conheço há 25 anos e tive o prazer em dezenas de vezes de conversar sobre diversos assuntos, e a tenho em alta consideração pela dedicação e militância em prol dos africanos na diáspora e especialmente pela defesa intransigente do povo banto no Brasil e seu verdadeiro reconhecimento, ainda velado pela crescente iorobofolia criada pela academia branca.
No que tange a minha participação a qual soube por e-mail e está para ser aprovada ou não em plenária em uma disputa com a irmã Elenira do Terreiro do Bogum, a qual será realizada hoje (27/09/07) por voto, não precisará ser realizada, eu não participarei e não permito que em nenhum momento o meu nome entre em disputa pelo direito da fala como representante de uma religião protestante. O direito da fala deve ser natural para os representantes pretos protestantes, então não haverá disputa até que sejam repensados os critérios adotados. Não irei à reunião de sábado.
Na história do candomblé da Bahia com a entrada do branco e suas influências acadêmicas a solidariedade entre as nações ficou abalada, denomino: maldade branca de divisão, de falta de respeito entre as diversas tradições africanas. O pouco que sei, acredito que nada sei sobre candomblé, e o pouco que aprendi com o meu pai e minha mãe, com os meus tios e tias, sendo eu descendente direto de sacerdotes e sacerdotisas, foram de respeito entre diversas pessoas no auge da repressão as casas de culto e na troca de experiências, exercícios de solidariedade quilombolas hoje esquecidos.
Entendo que os ensinamentos anti-solidários brancos estejam na prática inconsciente dos nossos atos, e é necessária a depuração desses atos não solidários. Não compreendo que a caminhada panafricanista não seja exercida, por isso citei o nome de algumas pessoas que sempre respeitaram a minha opção religiosa e aprendo nas trocas de experiências caminhos de respeito e solidariedade. Assim foi a minha vivência com Maria Beatriz do Nascimento e Lélia Gonzalez, mulheres quilombolas que dedicaram preciosos momentos de solidariedade e ensinamentos a um jovem protestante preto.
Um dos significados para o nome jeje na África é forasteiro, e a representação jeje também conforme desejo da plenária em Salvador passará por votação, e inclusive com uma representante dos terreiros mais tradicionais do Brasil: o Bogum, de qual conheci a falecida Doné Nicinha através de Valdina, e o Bogum nos deu tantos nomes importantes, como o falecido jornalista, advogado e poeta Jeová de Carvalho, que estudou no Colégio 02 de julho em Salvador-Bahia, e foi de origem presbiteriana, e tem em seus quadros só para citar: o Gilberto Leal, meu conhecido também de mais de 20 anos de militância. Não entendo que o povo jeje seja colocado também em votação para ter direito a fala. Pode até ser que os chamados "dinossauros" (adjetivo usado para antigos militantes do Movimento Negro), não saibam nada. Lembro-me dos conselheiros de Roboão, que execrou os “dinossauros” conselheiros do seu pai Salomão. I Reis 12:1-14.
Os meus respeitos ao povo Jeje com a irmã Elenira. Os meus respeitos ao povo Angola-Congo com a irmã Valdina e os meus respeito ao povo de Ketu com a irmã Lindinalva Barbosa. Os meus respeitos a todos os africanos na diáspora independente da religião que pratiquem, conforme sempre escrevo: não posso negar o meu irmão (a) porque professa uma fé diferente de mim e está oprimido pelo sistema branco em qualquer religião nesse país. Ele é uma vítima do racismo branco e como preto é tratado, seja protestante, católico, espírita, budista, muçulmano, de umbanda ou de candomblé.
O CONNEB a nível nacional tem como proposta reunir o povo preto no Brasil e que grande responsabilidade e desafio. Aí vem uma pergunta onde está o povo preto? Quais as religiões que praticam? Onde vivem? E por ai vai... Se desejarmos convidar o povo preto para criarmos um projeto político para esse país tem que ter representatividade, apesar de que não seja aquela dos meus sonhos, porque a dos meus sonhos pode não ser a representatividade real da qual desejo. Eu não posso criar uma falsa realidade e isso estou falando no sentido religioso especificamente. Não há como ignorar que no Brasil temos 15 milhões de pretas e pretos professando as diversas vertentes do protestantismo, e temos por alto uns 70 milhões de pretos e pretas que praticam o catolicismo romano. Não posso ficar sonhando em reuniões e quando saio das salas e dos debates acalorados chego em casa, encontro irmãos e irmãs de sangue, pais, tios, tias, primos e primas, companheiros e companheiras que não adotam o meu pensar religioso. Acredito que é necessária uma reflexão mais aprofundada sobre as religiões que estão praticando o povo preto no Brasil, e como questioná-las e inserir os seus membros nas lutas de verdadeira emancipação do nosso povo em uma rede solidaria panafricanista. Ou o CONNEB pretende através dos seus atos afirmar que a religião do preto no Brasil deve ser o candomblé? Pode até fazer politicamente e perderá a oportunidade de ouvir o povo preto brasileiro em sua diversidade religiosa.
Interessante é que alguns membros do CONNEB /BAHIA insistem em negar a voz aos protestantes pretos, mas, ainda não vi nenhuma organização religiosa que se negue a entregar projetos a organismos cristãos, como a CESE- COORDENADORIA ECUMÊNICA DE SERVIÇOS que é formada pela Igreja Católica e cinco igrejas evangélicas. Entendo que esses organismos nada fazem demais porque devem muito ao nosso povo independente de qualquer religião. Mas, será que o CNNC será bem recebido se for pedir apoio financeiro a qualquer organização de candomblé? Se a prática de algumas pessoas que se dizem porta-vozes dos terreiros é não a solidariedade e união. Não acredito que sejam os verdadeiros porta-vozes da religião praticadas pelos meus ancestrais.
O CNNC é a única organização cristã protestante preta que tem coragem de denunciar o racismo nas igrejas protestantes no Brasil e não aceita que os brancos dessas igrejas nos representem, isso deve ser levado em conta e respeitado.
Algumas sacerdotisas ainda rezam missas em seus terreiros e levam as iniciadas para a igreja católica para serem abençoadas por padres brancos, mantendo a tradição herdada do tempo da escravidão, não acredito que esta seja uma prática herdada do continente africano. Os padres brancos e seus rituais são ouvidos. Apesar de discordar dessa prática tenho todo o respeito e sempre que posso ouvir essas rainhas africanas assim o faço e o farei. Mas, conforme o desejo de algumas pessoas, os protestantes pretos devem ficar calados quando levantam as suas vozes para denunciar que as igrejas usurpadoras do Cristianismo de matriz africana os oprimem e alienam milhões de pretas e pretos nesse país, e acredito que temos que buscar apoio na irmandade preta na diáspora porque entendem e combatem o racismo.
Um debate onde somente as nações de candomblé falem não representa os cristãos protestantes pretos , acredito que também não representa os muçulmanos e nem os católicos pretos.
Como Presidente Nacional do CNNC recomendo que só participemos de debates sobre religiosidade se for de cunho panafricanista, onde todos os pretos tenham direito de fala. Temos que ouvir os protestantes, católicos, muçulmanos, umbandistas, candomblecistas e questionar que essas religiões estão propondo na luta libertária do nosso povo, no sentido prático de elaborações de propostas reais de ajuda mutua e caminhada de libertação, não sendo assim, o CONNEB não terá representatividade da maioria do povo preto neste país. O CONNEB não é uma instituição religiosa que defende uma ou aquela religião. O CONNEB acredito quer a representação dos diversos falares religiosos pretos brasileiros, se assim não o for, recomendo que o CNNC não faça mais parte da Executiva do CONNEB , deixando livremente aos seus membros a participação na construção do Congresso, se assim o desejarem.
O homem branco tentou nos calar e não permitiremos que irmãos e irmãs pretas que dizem “representar” os sábios sacerdotes e sábias sacerdotisas nos amordacem. Aprenderemos a andar como um só povo ou continuaremos dominados. Basta a Intolerância religiosa seja de quem quer que seja.

domingo, 23 de setembro de 2007

LEI 10.639: CANDOMBLÉ E PROFESSORES EVANGÉLICOS

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente do CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos.
Pseudônimo: Kefing Foluke.

LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:
"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
§ 3o (VETADO)"
"Art. 79-A. (VETADO)"
"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque



No ano passado ministrando um pequeno curso na Igreja Batista de São Cristovão em Salvador-Bahia uma professora preta disse- me que sentia dificuldades em trabalhar a lei 10.639 em sala de aula, porque não concordava em falar de candomblé para os seus alunos sendo ela evangélica. Senti naquele momento a dificuldade que passam milhares de educadores evangélicos pretos ao se deparar com uma novidade em suas vidas: África. As religiões de origem africana como o candomblé possuem um grande respeito pela natureza e isso deve ser ensinado.
Em verdade o desconhecimento do continente Africano e sua pluralidade geo-histórica têm levado a imensas dificuldades no que tange ao desconhecimento das diversas matrizes também religiosas que ali se originaram, e temos que ensinar que a África-Mãe é a matriz de todas as ciências, filosofias e tecnologias primevas, sendo assim, defendo o afrocentrismo como o pilar do estudo da humanidade.
Em abril desse ano convidei o professor Ademário Brito para me acompanhar em um tema inédito o qual eu acreditava desde o momento que comecei a estudar a Bíblia e suas civilizações do Primeiro Testamento: O Cristianismo de Matriz Africana.
Com o desafio aceito, pela primeira vez no Brasil, afirmamos e comprovamos essa verdade que está mudando o foque de discursos de diversos pastores que atualmente assumem a nossa concepção, afirmando que a matriz do cristianismo é a África e futuramente acredito que o equívoco de grupos pretos cristãos de realizar encontros sem nexo, como: A Presença negra na Bíblia, não mais ocorrerão. Em breve haverá cursos sobre a presença caucasiana na Bíblia.
Tenho observado os diversos cursos patrocinados por faculdades e “detentores” do saber sobre a África que são seguidores de candomblé ou admiradores. O que vemos mais são pessoas sem autoridade falarem de África resumindo-a ao Golfo de Benin, Angola e Congo, excluindo Moçambique e todo o continente africano, se tem estudado uma África “iorubizada”, em uma crescente “iorobofolia” baseada nos estudos de brancos que escreveram e retrataram em diversos livros e álbuns povos do Golfo de Benin, que possuem uma grande importância na nossa comunidade preta, mas, não são os representantes de todas as culturas africanas, ao seu lado há muitas civilizações que devem ser repassadas.
Os professores evangélicos pretos têm um conhecimento embranquecido das faculdades e um ensinamento religioso branqueado nas igrejas, fazendo com que se sintam constrangidos a falar de África e concomitantemente explicarem vodun, inquice e orixá. O interessante que a demonização em direção a África passa despercebida e como se fosse “natural”. Professores evangélicos pretos falam dos deuses copiados do continente africano pelos gregos e romanos e assimilaram um grande demônio caucasiano que é o Papai Noel e ensinam nas escolas e igrejas e colocam a sua imagem nas suas árvores natalinas.
O candomblé é uma religião demonizada pela sua origem africana, o espiritismo que lida somente com os mortos, nem é citado. O espiritismo é de origem européia.
A lei 10.639 é uma grande oportunidade para o professor evangélico preto falar das civilizações africanas antigas e mostrar como a Bíblia é um livro escrito para as civilizações pretas e por mulheres e homens pretos. Falando nisso, eu continuo desafiando teólogos e historiadores para citar os grandes eventos do Primeiro Testamento que não sejam na África e sua continuidade no que os brancos denominaram Ásia. É necessário um estudo aprofundado da Bíblia para entender a apropriação e embranquecimento dos personagens bíblicos pelos europeus.
A grande questão é que os seguidores de candomblé citam sem nenhum constrangimento e nem questionam a fé de Martin Luther King, Nelson Mandela, Desmond Tutu, Steve Biko, Angela Davis, Marcus Garvey, Winnie Mandela, WEB Dubois, Franz Fanon, os Panteras Negras, o coroinha Francisco, conhecido como Zumbi dos Palmares, João Cândido, Solano Trindade, o muçulmano Malcolm X e tantos homens e mulheres pretas. Os professores (as) evangélicos pretos têm uma grande oportunidade de falarem dessas personagens em salas de aula.
O CNNC/Bahia no próximo mês de outubro estará oferecendo um curso sobre Afrocentrismo, Pan-Africanismo e Cristianismo de Matriz Africana para professores, estudantes universitários e militantes pretos, que será ministrado pelo professor Ademário Brito e por mim, sendo uma grande oportunidade para educadores evangélicos que sentem dificuldades em trabalhar esse tema em sala de aula.
Os interessados devem entrar em contato imediato com cristaosnegros@yahoo.com.br para ter acesso ao único curso sobre a África, Pan-Africanismo e Cristianismo de Matriz Africana.
O Curso também pode ser ministrado em outros Estados, em Igrejas, Seminários, Organizações do Movimento Negro e Grupos de Professores.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

OS HEBREUS PRETOS



Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente do CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke.

Os relatos sobre os hebreus são encontrados no Primeiro Testamento, escritos por eles mesmos. A história e arqueologia datam no aparecimento dos hebreus, entre 1950-1500 a.C. O fundador chamava-se Abraão, da cidade de Aram, filho de Terá, nascido em Ur da Caldeia. Todos nós sabemos que os povos da Mesopotâmia foram pretos de origem Cushita, conforme atestam as provas arqueológicas e lingüísticas. Sendo assim, Abraão foi um homem preto porque nesse período não havia civilizações brancas na Mesopotâmia, e seu pai , Terá, era um preto caldeu. No período da vida de Abraão e de sua saída de lá, a Mesopotâmia estava em guerra, sendo um período de migração. Os primeiros hebreus foram nômades e se estabelece­ram no delta fértil do Nilo, no final do Reino Médio do Egito..
Segundo Moacyr J. Scliar, que escreveu “Da Bíblia à Psicanálise: saúde, doença e medicina na cultura judaica” - Também não há unanimidade, entre os historiadores e arqueólogos, quanto à origem dos judeus. Poderiam ser originários da Mesopotâmia, a região entre os rios Tigres e Eufrates; ou poderiam ser nômades, que, vindos do desertos da península arábica, estabeleceram-se, no período neolítico, na região conhecida como Canaã; pode­riam ser um grupo originário dos próprios canaanitas, uma seita religiosa dissidente (Cantor, 1996, p. XV).
FALASHA (BETA YISRAEL DA ETIOPIA)
Falasha significa “exilado”, e na língua etíope significa “um desconhecido”. Os judeus negros são chamados de falashas em sentido pejorativo. Na Etiópia, se dizem descender de uma das dez tribos perdidas de Israel. São conhecidos também por "Kaila" nas regiões de Walkait e em Tchelga são conhecidos como "Fogara" ou por "Fenjas".
Há algumas tradições sobre a origem do Beta (casa) Israel, de que eles são descendentes de um grupo da tribo de Dã, dispersos na primeira diáspora. Guardam a tradição de que são descendentes de judeus que foram expulsos na época da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C.; outra que são descendentes de um grupo que veio de Jerusalém acompanhando a Rainha de Sabá, e outra que foram convertidos ao Judaísmo no primeiro século.
Os falashas mantêm diversas tradições judaicas: guardam o sábado, não comem carne de porco, acreditam em encantos e possuem amuletos.
Foram reconhecidos como judeus, primeiramente, pelo principal Rabbi Sefardin em 1973, e então pelo principal Rabbi Ashkenazi em 1975.Em 1985 o serviço secreto israelense Mossad, juntamente com a CIA, implantaram por 03 anos a Operação Moisés, que tentou tirar da Etiópia 14 mil judeus negros.
O sucesso não foi o esperado porque somente oito mil falashas fo­ram retirados através do Sudão e levados a Israel de barco. Muitos adoeceram e retomaram a Etiópia. A Operação Moisés teve falha. Em 1991, as Forças de Defesa de Israel retiraram da Etiópia 14.200 falashas e os conduziram para Israel, essa foi a Operação Salomão. Foram enviados a Adis-Abeba 35 aviões militares e civis com tropas especiais e comandantes acostumados em guerras, para protegerem a retirada dos falashas. Estão em Israel se adaptou a vida do país, convivendo com a discriminação racial.

LEMBAS

Os cientistas afirmam que o ancestral comum dos Lembas viveu entre 2.000 e 3.100 anos, época que coincide com a vida de Arão, o irmão de Moisés. O chefe da equipe, que fez o exame de DNA, foi o geneticista inglês David Goldstein, da Universidade de Oxford, em 1999. Os lembas são cohanitas, descendentes dos sacerdotes do templo de Israel. Uma tradição afirma que eles são descendentes de Arão, irmão de Moises. Atualmente, no Judaísmo, os cohanitas possuem privilégios e obrigações.
Aproximadamente há 2.500 anos, um grupo de judeus deixou a Palestina e se estabeleceu no Yemen. Foram conduzidos pela casa de Buba. No Yemen eles construíram uma cidade chamada Ba-Sanaa, que significa “pessoas de Sanaa”. E sobre o domínio da casa Hamsi atravessaram o mar vermelho foram para a África e se dividiram em dois grupos. Um grupo ficou na Etiópia, outro grupo foi mais ao sul e se estabeleceu em uma região hoje conhecida com Tanzânia. E no Quênia construíram a Segunda cidade de Sanaa. Prosperaram e tiveram um grande aumento populacional e daí saiu um pequeno grupo que se estabeleceu em Malalavi e no Quênia. Ainda estão nesses países e são conhecidos como Ba-Mwenye (Senhores da Terra). Outro grupo, os da liderança da casa de Bakali, estabeleceram-se em Moçambique e construíram o terceiro Sanaa chamado de Ba-Sanaa. Após isso, uma parte do grupo, sob a liderança de Seremani, estabeleceu-se em Chiaramba, que hoje é Zimbábue e são conhecidos como B-lemba–­Lemba; outro grupo foi mais para o sul na região da África do Sul e estão em Venda, Louis, Trichadt, Pietrsburg e Tzaneen (pesquisa o mapa da África do Sul). O interessante é que foi feito um exame de DNA em um clã particular dos Lembas, especificamente no clã de Buba, e 53% dos homens possuem assinatura original do DNA realizada em 1999 pelo geneticista inglês David Gold Stein, da Universidade de Oxford, quem comprovou que os Lembas tem como ancestral comum Cohin. Sendo assim, eles são descendentes de Arão, irmão de Moisés, e os cohanitas eram os mais importantes sacerdotes hebreus, que cuidavam do templo e eram auxiliados pelos Levitas.
Os Lembras acreditam que há somente um Deus, e este é conhecido como Nwali. Guardam o sábado, ensinam as crianças a honrar seus pais e as suas mães, praticam a circuncisão, não comem carne de porco ou nenhum animal proibido do Antigo Testamento, não misturam leite e carne nas suas refeições, lavam sempre as mãos antes que segurem o alimento ou utensílios na cozinha e sempre agradecem a Nwali. Usam o calendário lunar, os rituais de sepultamento, as cabeças devem sempre estar em direção ao norte, para lembrar de onde vieram, e colocam uma estrela de Davi na tumba. Casam sempre dentro do grupo, têm que aprender as leis religiosas e dietéticas. Se alguma mulher quer se casar com algum lemba tem que raspar a cabeça. Deve aprender todos os costumes lemba. Eles estão construindo o templo e estudando hebraico, aprendendo sobre o Tora, sendo auxiliados por rabinos israelitas.
As provas genéticas, históricas, genealógicas, lingüísticas e arqueológicas a­testam que os hebreus antigos foram negros. E muitos desses remanescentes dos antigos hebreus que ficaram no continente africano na época de Moisés retornaram, em diversos períodos, por migrações, ao continente africano. Tiveram membros escravizados depois de milhares de anos pelos colonialistas europeus. Sabemos hoje que, dos grupos étnicos seqüestrados para o Brasil, vieram descendentes de hebreus pretos, especialmente do tráfico feito pelo Oceano Indico, da região hoje conhecida por Moçambique. Entre esses grupos podemos destacar os Chonas, Tichongas e outros. Isso significa que judeus negros foram escravizados e que há descendentes dos primeiros hebreus em terras afro-americanas.
Nas religiões de matriz africana, de tradição bantos no Brasil, uma das principais divindades ancestrais é denominado LEMBA ou LEMBARANGAGA ou GUARATINHANHA que é o Senhor da Vida ou o Senhor da Boa Vida ou o Senhor da Argila, porque, segundo a tradição, criava os seres humanos.

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias