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sábado, 28 de julho de 2012

KENNETH BANCROFT CLARK – A PSICOLOGIA REVELANDO O RACISMO




Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita

Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Quando eu ministrava aulas nas 5ª e 6ª séries do ensino fundamental, dançava reggae e cantava com os estudantes para a descontração deles, porque naquela idade eles são bem ativos, sendo necessários estes intervalos em plena aula para que possam balançar o corpo em um espaço que mais parece uma prisão. Em uma escola de maioria de pretos e pretas, o reggae era uma maneira de expressar a africanidade, balançar o corpo e fazê-los sorrir. Os outros docentes não aprovavam o minha didática porque acreditavam no silêncio monástico europeu que está embasada a educação nos bairros pretos.


Um dia resolvi inovar e levei “Lola” uma boneca preta da minha filha Vanessa para uma turma de 5ª série. Coloquei a boneca na mesa e a reação dos estudantes foi de estranheza. Perguntei a uma estudante, na época com 11 anos de idade, se ela desejava carregá-la e a mesma recusou, porque era uma boneca turututu.

A menina da época já é uma mulher e mãe de família e sempre quando a vejo, pergunto:

- E a boneca?

E ela sorri.

Foi um momento especial de reflexão, porque apesar de conhecerem o reggae e músicas de blocos afros de Salvador, os estudantes consideraram a boneca feia. Aproveitei a oportunidade e comecei a conversar sobre identidade e discriminação racial, resultando em um trabalho maravilhoso.

Atualmente em redes sociais ex-estudantes me adicionam relembrando das minhas aulas e agradecendo por terem se aceitado como pretas e pretos. Esta é a minha maior recompensa como educador.

Infelizmente, todas as crianças pretas conhecem a discriminação racial e que em muitos casos inicia-se no seio familiar com as próprias mães e irmãs quando ensinam que elas têm os cabelo ruins ou duros, e precisam melhorar as aparências, criando no psique das criança um questionamento acerca da sua beleza e autoestima, culminando na negação da sua africanidade.

Nestes últimos dias foram relatados atos de discriminação racial com crianças, e comentado pela mídia. O caso da menina de quatro anos de idade adjetivada de preta e horrorosa por uma avó de um menino com a qual a criança havia dançado quadrilha junina. O outro fato denunciado nas redes sociais foi sobre o personagem Cirilo, e a internauta Sara Santos descreveu:

Cirillo da Novela:
- O garotinho negro que
se apaixona pela garota branca e é rejeitado (garota essa que odeia os pobres) Sofre feito um "cão", vive em conflitos por conta da cor e rejeição. Em uma cena da novela diz: se eu fosse branco minha vida ia ser melhor... frases desse tipo.

Psicologicamente as crianças são as maiores vítimas do racismo. Nos USA, um proeminente psicólogo comprovou que o racismo leva as crianças a uma baixa autoestima e sobre o seu trabalho teço alguns comentários:

Kenneth Bancroft Clark nasceu no na Zona do Canal do Panamá em 1914, filho de Arthur Bancroft Clark e Miriam Hanson Clark. A sua mãe trabalhava como costureira e almejava para os filhos uma vida de melhor oportunidades e planejou ir para os USA, o que gerou discordância com o seu marido, ocorrendo à separação do casal. Ela voltou aos USA e foi residir no Harlem, e Kenneth frequentou a escola publica, quando chegou ao nono ano um conselheiro sugeriu que ele fosse estudar em uma escola profissional, e quando a sua mãe soube disso foi à escola e disse que não voltou para Nova York para o seu filho trabalhar em uma fábrica. Grande exemplo de mulher preta que criou os seus filhos sozinha e lutou para que o seu filho se tornasse um grande homem. O seus estudos futuros foram na George Washington High School, e após a conclusão do curso foi para Universidade de Howard (Universidade Preta), e almejava estudar economia, mudando de ideia após assistir uma aula de psicologia que o ajudou a entender melhor o racismo, e convenceu também a Mamie Phipps estudante de física e matemática, sua futura esposa, a estudarem psicologia.

Os dois estudaram os efeitos do racismo sobre a identidade e a autoestima de crianças em idade escolar em uma época de segregação nas escolas e vigor do Jim Crown http://cnncba.blogspot.com.br/2007/11/rosa-parks-mulher-que-transformou-uma.html (artigo escrito em 2007 por Ulisses Passos, a época estudante de Direito, atualmente advogado).

Foram fazer o doutoramento na Universidade de Columbia e continuar o trabalho sobre os efeitos psicológicos do racismo.

Realizou projetos importantes na área de psicologia e educação, ministrou aulas no Hampton Institute na faculdade de New York. Foi também Nomeado professor visitante em Harvard, Columbia e da Universidade da Califórnia, Berkeley, escolhido membro do conselho de curadores da Universidade de Chicago e na Universidade de Howard, e vencedor de inúmeros prêmios, incluindo em 1961 a Medalha NAACP Spingarn. Clark também foi instrumental no estabelecimento do Metropolitan Applied Research Center e do Centro Conjunto de Estudos Políticos, instituições dedicadas a fazer pesquisa em ciências sociais relevantes para o movimento dos direitos civis e para o processo de mudança social. Foi o primeiro preto a ser eleito presidente da American Psychological Association.
Os seus principals livros foram: Prejudice and Your Child (1955), The Negro Student at Integrated Colleges (1963), Dark Ghetto (1965), A Relevant War Against Poverty (1968), A Possible Reality (1972), Pathos of Power (1975).

Clique e leia o livro: The negro Student at integrad Colleges.

O reconhecimento do seu trabalho começou em 1946, ao fundar o Centro de Desenvolvimento Infantil Northside. Um dos seus trabalhos mais importantes foi a análise da patologia do racismo e os danos psicológicos, formulando uma pesquisa
intitulada Teste de Auto-Percepção com crianças mostrando quatro bonecos idênticos, sedo dois brancos e dois pretos, convidando as crianças para escolher os melhores, o que era bom e o que era ruim e com qual elas preferiam brincar. Estes testes foram aplicados em diversas regiões dos USA e o resultado foi a comprovação de que o racismo afetava as crianças pretas, porque a maioria preferia as bonecas brancas e rejeitava as bonecas pretas. A conclusão foi de que o racismo afetava o desenvolvimento psicológico, a personalidade, elas tinham a baixa autoestima e uma negação da ancestralidade africana. O belo e o bom era o branco, o feio e o ruim era o preto. Grande desafio que a comunidade preta teve que enfrentar para criar mecanismos que garantissem o amor a africanidade das crianças.
Brancos e Negros - Psicologia


Este trabalho teve um reconhecimento memorável pelas organizações pretas como a NAACP (Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor) após a apresentação de um relatório para Casa Branca sobre os problemas da juventude minoritária em 1950. Os estudos deram subsídios para a NAACP enfrentar a segregação nas escolas estadunidenses, que em 1954 caso em que o Tribunal de Justiça declarou as leis estaduais que estabelecem diferentes escolas públicas para estudantes negros e brancos inconstitucionais. Clark e seus colegas argumentaram que a segregação tende a criar nos sentimentos negros filhos de inferioridade, auto-rejeição, e perda da autoestima, que afetou negativamente o capacidade de aprender.

A vida de Kenneth Bancroft Clark além das atividades acadêmicas foi de participação ativa nas lutas pelos direitos civis, inclusive teve encontros com Malcom X e Martin Luther King.

Malcolm X - Interview with Kenneth Clark - Part 3


Martin Luther King, PBS interview with Kenneth B. Clark, 1963



“De acordo com Tomes Dr. Henry, diretor-executivo da American Psychological Association (APA), o legado de Clark é considerado como os dos gigantes da psicologia: Sigmund Freud, Pavlov Ivan e BF Skinner.

No fim de sua carreira, Clark admitiu que ficou decepcionado com a persistência da segregação de fato a educação e inferior para muitos negros. Quando fui visitá-lo em meados dos anos 1970 que procuram ideias para o estudo de comunidades negras na Grã-Bretanha, ele confidenciou que ele havia subestimado a gravidade do racismo. Era uma ilusão acreditar que a maioria dos brancos estavam procurando uma maneira de sair do pântano da segregação, disse ele.”
Thomas L. Blair

Faleceu em Hastings-on-Hudson, Nova York em maio de 2005 e deixou um legado importante nos estudos da psicologia e na luta contra o racismo.


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sexta-feira, 8 de junho de 2012

JOHN CHILEMBWE – UM PASTOR BATISTA CONTRA O RACISMO E O COLONIALISMO


Por Malachiyah Ben Ysrayl.
Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

O Malawi ocupa uma pequena região do sudoeste do continente africano, limita-se ao norte com Tanzânia, ao leste e ao sul com Moçambique e ao oeste com a Zâmbia. O seu nome se deve ao lago Malaui ou Nyasa, que ocupa um sexto do seu território.

A capital do Malawi é a cidade de Lilongwe, localizada no centro do país, o maior centro comercial é a cidade de Blantyre - Escócia, nome dado em homenagem à terra natal do explorador e pastor presbiteriano David Livingstone, que muito contribuiu com as suas viagens de “evangelização” para a colonização da África.

LAGO MALAWI


Os Chewas constituem 90% da população da região central, a tribo Nianja predomina no sul e a Tumbuka no norte. Além disso, um número significativo de Tongas vive no Norte; Ngonis - um ramo dos Zulus que vieram de África do Sul, no início dos anos 1800 - vivem abaixo do norte e regiões menores centrais, e os Yao, que são na sua maioria muçulmanos, predominam na região Sul do país e vivem em uma faixa larga a partir de Blantyre e Zomba ao norte do Lago Malawi e no leste da fronteira com o Moçambique. Bantus de outras tribos vieram de Moçambique como refugiados.


JOHN CHILEMBWE E A REVOLTA DOS BATISTAS

Neste país, provavelmente na região Chiradzulu de Niassalândia, nasceu John Chilembwe, por volta de 1871. Seu pai era um Yao e sua mãe era uma escravizada Mang'anja (grupo étnico tradicional da área, vítima da escravidão pelos árabes e dos Yao que eram comerciantes de escravizados).

Os Yao são originais do norte de Moçambique e migraram por causa da fome em seu país e auxiliaram como intermediários para os árabes. Chilembwe é uma mistura dos dois grupos étnicos, representa a situação de ambos. Ele cresceu sob a atmosfera de insegurança predominante das regiões Sul de Niassa. Quando os britânicos colonizaram a área em 1891, nomeando de Niassalândia, eles estabeleceram um governo e missões, e procurou controlar os povos nativos da região.

John Chilembwe, um homem alto, asmático, era o cozinheiro da família do missionário batista Joseph Booth e cuidava da sua filha, tornando-se seu amigo, como consequência foi batizado na fé batista em 17 de julho de 1893 por Joseph Booth, que havia fundado a Missão Zembesi Industrial de cunho fundamentalista como uma alternativa para as mais antigas missões presbiterianas da Escócia que exploravam a população nativa. Booth criticava as missões presbiterianas e pregava uma igreja igualitária, ideia radical e que agradou ao novo convertido. Booth pregava:

"Sinceramente agora, não é uma imagem maravilhosa de ver homens elegantemente vestidos ... pregando um evangelho de autonegação aos homens e escravas .... Eu nunca me senti tão completamente envergonhado .... Devemos ... obedecer ao ensino [o] [do Evangelho]. ".

Em 1897, John viaja com a família Booth para os EUA onde frequentou o Virginia Theological College, um seminário teológico preto, e teve contato com os ensinamentos do branco abolicionista John Brown e dos pan-africanistas Booker T. Washington, Marcus Garvey e outros pretos na América. Estes ensinamentos foram determinantes para as futuras decisões a serem tomadas.

Foi diplomado por esta faculdade teológica preta e ordenado pastor batista pela National American Baptist Convention, retornou a Niassalândia e fundou a Missão Providência industrial, criando sete escolas africanas independentes, que em 1912 tinha 1000 alunos e 800 estudantes adultos. Construiu uma igreja de tijolos bem arquitetada, e em um trabalho pan-africano plantaram lavouras de algodão, café e chá.

O esforço educacional do Pastor John Chilembwe na propagação da paz e do bem-estar da população, combatendo o alcoolismo, a necessidade do trabalho e do aprendizado, a censura veemente contra a prática de homicídios, roubos e todo o tipo de crimes, o fez um homem respeitado e admirado pelo seu povo.

John Chilembwe com sua mulher, Ida, e sua filha, Emma, em uma fotografia, provavelmente entre 1910 e 1914.

A crueldade e o racismo dos brancos colonizadores o obrigaram a tomar uma decisão: Ficar omisso concordando e participando da opressão e pregando uma vida futura no céu para os membros da sua igreja ou agir em combate ao racismo. Optou por uma teologia libertária e se envolveu diretamente no sofrimento dos seus paroquianos, decisão esta tomada décadas posteriores por diversos pastores batistas que não se calaram com o sofrimento do seu povo, um dos maiores exemplos foi o de Martim Luther King.

No período anterior a 1915 a fome atingiu a região e muitos imigrantes moçambicanos vieram para a região e concomitantemente grileiros brancos começaram a se apossar das terras mais férteis e iniciaram uma cobrança exorbitante aos moradores, obrigando aos homens a migrarem para cidades distantes.

Além disso, William Jervis Livingstone, um gerente de fazenda local, tratava seus trabalhadores (muitos deles paroquianos de Chilembwe) asperamente e incendiou igrejas rurais de Chilembwe, que reclamava em voz alta sobre o racismo.

Mas a sua profunda alienação seguiu do surto da I Guerra Mundial na Europa, bem como o recrutamento, que Chilembwe lamentou, dos homens de Niassa para as batalhas contra os alemães na vizinha Tanzânia. "Entendemos que fomos convidados para derramar nosso sangue inocente na guerra deste mundo .... [Mas] haverá quaisquer boas perspectivas para os nativos ... após a guerra?" Chilembwe perguntou. "Estamos impostos a mais do que qualquer outra nacionalidade sob o sol." O restante de sua carta aberta, assinada "em nome de seus compatriotas", foi um protesto forte contra o descaso aos africanos.

Um mês depois, em janeiro de 1915, Chilembwe decidiu "dar um golpe e morrer, pois o nosso sangue vai certamente significar algo no passado." Esta era a única maneira, ele declarou, "para mostrar ao homem branco, que o tratamento que estão dispensando aos nossos homens e mulheres era péssimo e nós estamos determinados a atacar primeiro e dar o último golpe, e, em seguida, todos morrem pela forte tempestade de exército dos homens brancos." Ele falou a seus 200 seguidores da inspiração de John Brown, e advertiu-lhes para não roubar nem para molestar as mulheres brancas. Em 23 de janeiro, em diferentes ataques, seus homens decapitaram Livingstone, mataram outros dois homens brancos e vários africanos , poupando um número de mulheres brancas e crianças, saquearam uma loja de munição em uma cidade grande próxima, e se retiraram para orar. Quando os ataques não conseguiram despertar o apoio local, Chilembwe fugiu em direção a Moçambique. Desarmado, vestindo um casaco azul escuro, uma camisa de pijama listrado sobre uma camisa de cor, e calças de flanela cinza, ele foi morto em 03 de fevereiro por funcionários coloniais.

Chilembwe é reverenciado como um herói moderno em Malawi, que alcançou a independência em 1964. Ele foi o primeiro a expor os principios do inconformismo colonial e o primeiro a quebrar a crença generalizada que "os nativos estavam felizes" sob a dominação estrangeira. um precursor e mártir do nacionalismo do Malawi.

Ele é relembrado no Malwi no dia 15 de janeiro como um heroi nacional.

"É muito tarde agora para falar do que pode ou não pode ter sido. Tudo o que seja pelas razões nós somos convidados a participar na guerra, a verdade é, somos convidados a morrer para Niassalândia. Nós deixamos tudo para a consideração do Governo, esperamos na misericórdia de Deus Todo-Poderoso, que algumas coisas do dia vão dar certo e que o Governo vai reconhecer a nossa indispensabilidade, e que a justiça prevalecerá."

JOHN Chilembwe
Em nome de seus compatriotas
Niassalândia tempos No.48, 26 de novembro de 1914

LOUIS ARMSTRONG -GO DOWN MOSES


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sábado, 6 de novembro de 2010

A SAGA DO REI ABUBAKARI II - AFRICANOS NA AMÉRICA ANTES DE COLOMBO






Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano


"As civilizações pretas foram as primeiras civilizações do mundo. O desenvolvimento da Europa esteve na retaguarda, pela última idade do Gelo, um assunto de uns cem mil anos"
Cheik Anta Diop


Os povos africanos migraram para civilizar o planeta antes que os habitantes da Europa estivessem em estágios de desenvolvimento científico. Da África, as populações humanas aprenderam a dar os primeiros passos civilizatórios e científicos.

Contudo, com o regime de escravidão os africanos e seus descendentes na América foram privados de importantes conhecimentos ancestrais, ao passo que conhecimentos pedagogias racistas baseadas na ausência da ancestralidade, na negação do nosso passado em África e no aprendizado forçado da história e ideologias européias, foram impostos como únicas e verdadeiras.

Nas escolas, ensina-se que a nossa história começa com o maldito tráfico negreiro. Somos adjetivados somente como descendentes de escravizados. Omite-se, ainda, a relatar que nossos ancestrais foram prisioneiros de guerra e covardemente seqüestrados com o apoio de duas grandes religiões o cristianismo e o islamismo.

É de suma importância que esta pedagogia seja reelaborada, e a história apresentada anterior às guerras dos invasores europeus em África.

Nessas importantes reelaborações da história mundial, antes da influência da pedagogia eurocêntrica, diversas mentiras, tidas como verdades, estão sendo desmitificadas. O historiador e dramaturgo Mali Gaoussou Diawara tem organizados diversos trabalhos que propiciam essa releitura.

Mali Gaossou Diawara, natural do Mali, nasceu em Ouelessebougou, a 80 km ao sul de Bamako, estudou o ensino primário e secundário no Mali, jornalismo e letras na extinta União Soviética e também o seu doutoramento (Ph. D) (Especialidade em Dramaturgia). Ele é o autor de trabalhos premiados, várias peças teatrais são apresentadas e estudaras em escolas e universidades, no Mali. Diawara é um Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito da França, Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito do Mali, vencedor do Prêmio UNESCO para a poesia e prêmio drama Cross-Africano.


Diawara afirma em seus escritos que os africanos “descobriram” a América quase dois séculos antes do desembarque fatídico do judeu Cristóvão Colombo. Em suas pesquisas, têm informado e explicado que o silêncio dos griots, os maiores historiadores da história oral africana, tem-se quebrado, paulatinamente, no intuito de divulgar a história de Abubukari II e sua saga pelo Oceano Atlântico.
Griots do Mali

Até então, a fascinante história de Abubakari II tem permanecido resguardada e esquecida, por ele ter renunciado ao trono do Império de Mali.

Seu sucessor, Kankan Mansa Musa, o décimo imperador Mansa, ou imperador do Mali durante seu auge no século XIV, entre os anos de 1312-1337, tornou-se famoso por ser um dos grandes benfeitores do conhecimento em Timbuktu.

Durante o período do reinado de Mansa Musa, houve um crescimento do nível de vida urbana nos grandes centros do Mali, especialmente em comparação com o relativo atraso da Europa. Musa fez do Mali um dos principais centros mundiais de conhecimento, estrutura urbana e riquezas.

Mansa Musa também ficou conhecido por sua peregrinação a Meca, onde constituiu uma caravana com mais de seis mil pessoas, incluindo mais de cem camelos carregados com mais de 300 kg de ouro cada.

Ao contrário de Mansa, Abubakari II possuía uma sede insaciável por conhecimento. Diawara o descreve como um monarca Africano que abdicou do trono em 1311 e partiu para descobrir se o Oceano Atlântico, era grande como o grande rio Níger. A meta do imperador malinês era descobrir se o oceano Atlântico tinha outra margem - como tinha o rio Níger, que cortava os seus domínios.

A saga de Abubakari II não foi aceita por seus conselheiros, que instruíram aos griots que não relatassem sobre esta grande proeza. Contudo, as pesquisas de Diawara têm trazido à tona uma riqueza de informações sobre grande parte da história do império de Mali, que foi deliberadamente ignorado pelos griots, tornando-se mais uma das provas incontestes do desenvolvimento cientifico africano.

Pesquisadores afirmam que a frota de Abubakari II era formada de 2.000 barcos carregados com homens, mulheres, alimentos para o gado e água potável, partindo do que é a costa de Gâmbia atual. O imperador Abubakari II deu-se todo o poder do ouro que possuía, em buscar o conhecimento e descoberta no Grande mar além do rio Níger, nunca mais voltando a sua terra natal e provavelmente se estabelecido com o seu povo nas Américas.

Abubakari II, também era conhececido como Mande Bukari, vivia próximo da mais completa universidade do mundo, a época, na cidade de TIMBIKUTU, sede da Universidade de Sankoré.

Timbikutu
De acordo com Mark Hyman, autor do livro - Blacks Before America-, Abubakari II estava interessado em histórias de estudiosos de um "mundo em forma de cabaça, o grande oceano a oeste e o novo mundo para além desse. Hyman afirma que os maleses entrevistaram navegadores e construtores do Egito e de cidades do Mediterrâneo, decidindo construir seus próprios navios na costa da Senegâmbia. Os preparativos para a viagem incluiu carpinteiros, ferreiros, navegadores, mercadores, artesãos, joalheiros, tecelões, mágicos, adivinhos, pensadores e o militares, e que todos os navios puxaram uma fonte de barco com os alimentos por dois anos, carne seca, grãos, frutas em conserva em potes de cerâmica, e de ouro para o comércio.

Diawara realiza em seu livro, Abubakari II, Explorador Mandingo (tradução livre de Abubakari II, Explorateur Mandingue), a síntese de mais de vinte anos de pesquisa sobre o imperador, que em 1312 renunciou voluntariamente ao poder de vasto império no Oeste Africano.

As pesquisas de Diawara, embasadas em provas arqueológicas, lingüísticas e na tradição oral dos griots, comprovam, mais uma vez, a presença Africana nas Américas antes da chegada dos invasores europeus.

Segundo Tiemoko Konate, um dos pesquisadores que trabalham com Diawara, a frota de Abubakari teria ancorado na costa do Brasil, no local hoje conhecido como a cidade do Recife, in verbis:

“Seu outro nome é Purnanbuco, o que acreditamos é que é uma aberração do Mande para os campos do rico ouro que representavam grande parte da riqueza do Império Mali, Boure Bambouk.”

Konate também cita testes, semelhantes aos descritos por Ivan Van Sertima, mostrando que as pontas de lanças de ouro encontradas por Colombo nas Américas, foram forjadas de ouro originalmente de Guiné no Oeste Africano.

Van Sertima descreveu como, de acordo com os próprios escritos de Colombo, as pessoas que viviam na ilha de Hispaniola (mais tarde, Haiti e República Dominicana) eram negras, corroborando com os estudos de Diawara, verbis:

"as pessoas de pele negra tinham vindo do comércio sul e sudeste em ouro lanças feitas de metal. Colombo enviou amostras destas lanças de volta à Espanha para ser testado, e foram considerados idênticos em suas proporções de ligas de ouro, prata e cobre, lanças, em seguida, sendo forjado no Africano da Guiné. Fernando, filho de Colombo, disse que seu pai havia lhe dito que tinha visto pessoas negras norte do que hoje é Honduras.”

Van Sertima, em seu trabalho mais famoso: They Came Before Columbus, dividiu a presença africana nas Américas em distintos períodos históricos, a saber:

Primeiro, entre 1200 e 800 a.C, quando os núbios e os egípcios chegaram ao Golfo do México e trouxeram a escrita e a construção de pirâmides.

Segundo, em 1310 d.C, quando a civilização mandinga se estabeleceu no México, Panamá, Equador, Colômbia, Peru e diversas ilhas do Caribe.

Comparação entre núbios e monumento dos Olmecas no México

Nesse sentido, alguns pesquisadores acreditam que a população Garifuna da América Central é descendente da expedição de Abubakari II.

Garifunas da América Central

As pesquisas afrocêntricas têm derrubados mitos, mentiras e desvirtuações da história da humanidade realizadas por estudiosos ocidentais e suas academias serviçais da manutenção da supremacia européia. Contudo, diante das incontestes provas arqueológicas e históricas evitam o debate e ficam enfezados (em fezes) quando os cientistas afrocêntricos descrevem os fatos livres da manipulação supremacistas europeus.

Imagem que simboliza a presença de africanos na América 500 anos antes dos Europeus

Recomenda-se que se leia o artigo - O Preto na América antes da Invasão Européia -, que contem outros estudos da presença africana na América desde tempos imemoriais.

Por fim, você já deve ter participado de encontros, seminários, cursos e reuniões e os descendentes de europeus sentem prazer em nos ensinar à história conforme a visão deles; não gostam de serem contestados, se sentem senhores do conhecimento, como os seus ancestrais se sentiam donos do escravizado. Apropriaram-se do conhecimento dos mestres como fizeram com os ensinamentos de KMT e introjeteram que o mundo deve ser estudado a partir do surgimento de suas civilizações na Europa. Não podemos mais aceitar esse disparate contra a inteligência e a memória da humanidade.

Shalom!

sábado, 16 de janeiro de 2010

HAITI - O PACTO COM O DIABO


Por Walter Passos
, historiador, panafricanista, afrocentrista, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion).
Pseudônimo: Kefing Foluke.

E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Msn: kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano


O terremoto que abalou o Haiti arrasou uma nação predominantemente africana nas Américas, a qual serve de exemplo para todos os africanos que foram colonizados ou escravizados, pela fragilidade econômica e tecnológica de seus países. Presidente do Haiti vê destruição similar a dias de guerra

“Autoridades do Haiti, a nação mais pobre do Ocidente, dizem acreditar que o número de mortos possa chegar a 200 mil mortos, enquanto três quartos da capital precisarão ser reconstruídos. Préval, de 66 anos, que como muitos compatriotas pareceu atordoado com a enormidade da catástrofe, afirmou que não dormiu por dois dias após o terremoto. Ele prefere não dizer quantas pessoas podem ter morrido na tragédia. Questionado sobre quais itens são prioridade - se comida, água, comunicações ou polícia nas ruas -, ele disse: "Todos, meu amigo. Todos.”
http://br.noticias.yahoo.com/s/16012010/48/manchetes-presidente-haiti-ve-destruicao-similar.html

Haiti earthquake aftermath


O histórico de resistência às civilizações cristãs é um marco na história da população preta mundial. O Haiti representa o não a escravidão e a exploração e, por isso juntamente com o Zimbábue na África são “maus exemplos” a dominação econômica, cultural e racial cristã e branca ocidental. Por isso estão no patamar dos países mais pobres do planeta.
A mídia eurocêntrica em um momento tão grave e de solidariedade ainda ataca o Haiti, tire suas próprias conclusões assistindo Arnaldo Jabor falando sobre a situação . Lamentável!!!

Arnaldo Jabor fala sobre a situação do Haiti - 13/01/10


Sobre o movimento de resistência e libertação no Haiti leia o nosso artigo: A REVOLTA DE ZAMBA BOUKMAN: O OGAN QUILOMBOLA

Em 1988, estive na cidade Colón no Panamá em um encontro de Teologia e conheci três pessoas bem interessantes, uma jovem preta dominicana e dois haitianos, sendo um deles, católico e outro praticante de religião de matriz africana. A dominicana falava bem o português porque tinha passado um período em São Paulo e tentava me convencer que eu não era negro, eu era diferente dos haitianos, eles eram negros e nós, a dominicana, os negros de outros países e eu não éramos negros. A discriminação dos dominicanos contra os haitianos é um fato ainda não digerido por mim, como o colonizador conseguiu nos dividir de uma forma tão violenta, africanos seqüestrados.
O haitiano católico também discriminava o outro haitiano por dizer ser o mesmo de origem bantu e afirmar que os negros que praticavam o “vodu bantu” eram os mais ignorantes de todo o Haiti. O que muitos chamam de vodu ou vodu haitiano é uma versão de cerca de tradições religiosas do que é agora o Benin, Togo, Nigéria e Congo. Há uma elite formada de pessoas mais claras, os mestiços e brancos, demonstrando um muro racial dentro da comunidade haitiana. Inclusive a declaração do cônsul geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, gerou protestos de diversas organizações:

DESGRAÇA NO HAITI ESTÁ SENDO BOA PARA NÓS AQUI E FOI CULPA DA MACUMBA, DIZ CÔNSUL NO BRASIL

Estes fatos nos trazem a reflexão do racismo e intolerância com o povo haitiano, vítima de um desastre natural ocorrido, o qual não sabe das conseqüências trágicas que ainda ocorrerão no nível de endemias, e outras mazelas.Além disso, líderes religiosos aproveitam o desastre para divulgar ideologias racistas contra o povo preto no planeta, como se eles não fossem descendentes diretos dos algozes da população haitiana e de toda população outrora escravizada, onde seus ancestres através da guerra fizeram prisioneiros, para serem vítimas da exploração econômica nas Américas e herdeira da pobreza, da intolerância e de todas outras formas de violência, até os dias atuais:


O evangélico americano Pat Robertson, que anima um programa de TV, lançou uma polêmica nos Estados Unidos ao explicar que o terremoto que arrasou Porto Príncipe seria a consequência de um "pacto com o Diabo" selado pelos haitianos há dois séculos para se livrar dos franceses. "Eles se reuniram e selaram um pacto com o Diabo. Disseram a ele: 'serviremos a você se nos livrar dos franceses'. A história é verdadeira. E o Diabo respondeu: 'está certo'", relatou Pat Robertson, 80 anos, que foi candidato às primárias republicanas para a eleição presidencial de 1988. "Desde então, eles são vítimas de uma série de maldições", afirmou o evangélico, comparando a situação no Haiti com a do país vizinho, a República Dominicana, relativamente próspera.”

Declaração do Pastor Pat Robertson sobre pacto demoníaco feito pelo Haiti:

O tele-evangelista Pat Robertson exprime a idéia da maioria dos protestantes históricos no Brasil: Batistas, Presbiterianos, Metodistas, Anglicanos, Luteranos, das igrejas pentecostais e neopentecostais. Ele fala diretamente ao subconsciente de milhões de “evangélicos” que entendem que a prosperidade financeira é uma benção de Deus, por isso, o crescimento da Teologia da Prosperidade.

Pat Robertson é herdeiro do preconceito de uma sociedade sulista norte-americana que linchava e enforcava negros e descaradamente iam para as igrejas batistas, presbiterianas, anglicanas, pentecostais e outras aos sábados e domingos louvar e cantar ao Deus Cristão. Destas igrejas que vieram os missionários para o Brasil “evangelizar” e alienar os negros, que se tornaram os que mais odeiam a sua ancestralidade africana e se tornaram pessoas sem identidade, os quais se espelham na identidade do opressor cristão branco que os evangelizou. Pat Robertson e as igrejas que fazem missão no Haiti continuam a agredir e disseminar como lobos vestidos de ovelhas o racismo anti-preto. Os batistas brasileiros reforçam a idéia de Pat Robertson, neste artigo:

Batistas: Por um novo Haiti Por Marcia Pinheiro

“Desde 2008 os batistas brasileiros estão presentes no Haiti através de missionários da própria terra, conveniados com Missões Mundiais. Atualmente são 11 obreiros que trabalham na plantação de igrejas, evangelização, formação de liderança e em projetos sociais. Eles trabalham para mostrar o amor e a misericórdia do verdadeiro Deus àquela população que, em sua maioria, vive na mais profunda pobreza material, mergulhada na idolatria e feitiçaria, e escravizada pela prática do vodu.”

http://www.vigiai.net/news.php?readmore=788

Inclusive é engraçado a IURD falar aos quatro ventos de tanto poder que possui que os seus pastores e familiares no Haiti não foram atingidos pelo terremoto e nem o templo destruído. O Poder está na IURD. Imagine o resultado como mensagem poderosa a milhões de pretos que seguem essa igreja e demonizam os africanos e afro-diásporicos?

DEUS GUARDA, OS QUE GUARDAM A SUA PALAVRA !

“Os pastores e membros da Igreja Universal do Reino de Deus no Haiti não foram atingidos pelo terremoto que abalou a capital do país, o Universal.org apurou hoje. Os pastores Pedro e Marciano, encarregados do trabalho da Igreja no Haiti, confirmaram que todos os pastores e suas famílias estão bem, e até agora não houve registro de vítimas entre os membros da igreja. O edifício da IURD sofreu poucos danos, apenas uma parede rachada.”
http://www.movimentouniversal.com.br/terremoto-no-haiti-nao-atinge-membros-da-iurd%E2%80%8F/

O que está acontecendo na Comunidade Estudantes da Bíblia:
estudantesdebiblia@yahoogrupos.com.br


Ai de Ti, Haiti!


"Deus é soberano e justo, perdoa quem Ele quer perdoar e castiga quem Ele quer castigar (Romanos 9:15-16). E quem somos nós para censurarmos o que Ele faz ou deixa de fazer? (Romanos 9:20).

O mundo inteiro está sob a Sua ira santa e se Ele ainda não descarregou os Seus castigos sobre o Brasil, por causa da idolatria, da imoralidade e da incredulidade que tem grassado aqui (inclusive em algumas igrejas ditas evangélicas), é porque tem sido misericordioso demais com este país.

Lamento e até tenho chorado, emocionada, ao ver as manchetes que a TV tem apresentado sobre a enorme catástrofe que se abateu sobre o Haiti, mas os crentes bíblicos já podiam esperar que isto acontecesse, a qualquer momento, pois além da situação geográfica muito perigosa, o país tem se dedicado à prática do voodoo, há mais de 200 anos. Isto significa que Satanás e não o Senhor Jesus Cristo é o “deus” adorado naquele país pobre e atrasado.

Cada vez que eu lia um texto escrito por missionários batistas americanos, mostrando a adoração que o povo daquele país tem feito aos demônios, ficava me indagando até quando Deus iria suportar tanta iniquidade religiosa, antes de despejar a Sua ira sobre aquele povo infeliz. Deus é tão bondoso e paciente que suportou tudo, por muitas décadas, e somente agora resolveu agir. Isto porque, provavelmente, o Seu Filho está preste a regressar à Terra e o Pai está começando a purificar o que há de pior na mesma.

Nós, os crentes, devemos nos acautelar e seguir os mandamentos de Sua Palavra, pela qual seremos julgados, pois, conforme lemos na 1 Pedro 4:17, “Já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus”... E, com tantos crentes rebolando dentro das igrejas “animadas”, nesta cidade serrana, poderemos ser os primeiros a sentir o peso do castigo divino.

Certa vez, um engenheiro me contou que Teresópolis foi construída sobre um pântano (não sei se é verdade) e que, um dia, todo o seu chão de concreto poderá explodir, se forem dadas descargas sanitárias de uma só vez. Isto me deixou apavorada!

Voltando ao assunto do Haiti, vejamos abaixo as colocações de um irmão (batista) muito sábio e querido, moysesmagno@ hotmail.com sobre o assunto:

1. O Haiti foi dedicado ao "voodoo", em 1791.

2. O "voodoo" é uma mistura de espiritismo africano e bruxaria.
3. O presidente Jean-Bertrand Aristide, em 1991, REDEDICOU o país ao "voodoo". Ele foi deposto, logo após.

4. 75% dos haitianos professam o "voodoo" , junto com os católicos romanos.
5. A padroeira dos romanistas é a "sra. do perpétuo socorro" (Vade retro!).
6. Os evangélicos,com aproximadamente 20% de presença,são,até ,perseguidos por pregarem a Verdade.

"Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança" (Salmo 33.12).

"Não erreis: deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6.7).

Mary Schultze, 16/01/2010 – www.maryschultze.com "

É deveras interessante o artigo escrito pelo Pastor metodista Zé Do Egito que em um trecho diz:

“Concluo, dizendo que: Minha leitura bíblica me diz que o demônio escraviza, mostrando-me que, ele veio para roubar, matar e destruir. Com base nesse meu pensar eu gostaria de lembrar ao Cônsul, ao Pat Robertson e a outros que pensem iguais a eles, que, quem praticou roubos, morticínios e destruições de culturas e civilizações inteiras com maior eficácia e freqüência foram os chamados colonizadores europeus.

Além desse lembrete, deixo as seguintes indagações:

Se o diabo veio para roubar, matar e destruir: qual o espírito que movia a cristandade nas Cruzadas, inquisições, colonizações e outas atitudes que mataram a milhares de pessoas?

Sendo assim, quem mais se aproxima mais de ligações com o diabo? Os dominados, ou seus dominadores?”

http://brasilmetodista.ning.com/profiles/blogs/indagacoes-de-um

A ajuda humanitária dos países ocidentais não é 0,1% do que foi e é subtraído dos países africanos na invasão, colonização, escravidão, neo-colonialismo e atual exploração da África e nem da apropriação da mão-de-obra escravizada que passaram os africanos no Haiti e nas Américas.

Estamos caminhando para a grande festa brasileira do carnaval daqui a alguns dias e torna-se necessário que as “lideranças do Movimento Negro” possam mobilizar as organizações em uma grande campanha pan-africana de solidariedade aos nossos irmãos haitianos. Já há organizações que estão se mobilizando. As grandes escolas de samba que gastam milhões para se apresentarem deveriam abrir os seus barracões para receberem pelo menos um litro de água potável, neste momento de sofrimento, desespero, sede, fome e luto dos nossos irmãos e irmãs haitianos.

Os negros do cristianismo que ofertam milhões de reais diariamente e mensalmente nas igrejas católicas e evangélicas possam doar em suas igrejas, pelo menos uma garrafa de água mineral. Não são somente nossos irmãos por serem seres humanos. São nossos irmãos e irmãs por serem oriundos da Mãe-Africa.

Milhares de mortos estão ainda nas ruas de Porto Príncipe e você o que estás fazendo para ajudar os sobreviventes haitianos?



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

OS GRANDES MONUMENTOS DO ZIMBABWE


Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano


Agradecemos aos nossos leitores por mais de 110 mil visitas oriundas de 111 países e continuem acessando e emitindo as suas opiniões e sugerindo temas para serem discutidos. Também iremos aceitar artigos comprometidos com a questão panfricanistas a afrocentristas, basta entrar em contato com a direção do CNNC/BA, se for aprovado serão publicados.

O Zimbábue está localizado na África Austral com uma Área de 390.759 km². A população do Zimbábue, em 2005, foi estimada pela Organização das Nações Unidas em1 3.031.000, o que a colocou como número 67 na população entre as 193 nações do mundo. A prevalência de HIV / SIDA tem tido um impacto significativo sobre a população do Zimbábue. As Nações Unidas estimaram que 33,9% dos adultos entre as idades de 15-49 estavam vivendo com HIV / AIDS em 2001. A epidemia de AIDS tem elevadas causas de mortalidade na população e alta também as taxas de mortalidade infantil e baixa expectativa de vida, conseqüente da exploração invasora britânica.

O nome original é Dzimbabew: DZIMBA= Casa, IBWE= Pedra, significa Casa de Pedra. A origem desta nação remonta ao século XIV, quando uma tribo Bantu fixou-se no local. Ali se desenvolvia a civilização dos Makaranga à qual se integraram os nativos locais, o povo Chona. Mais tarde foi chamado Império do Monomotapa, ou, ainda, Mwanamutapa. No Congresso de Berlim (entre novembro de 1884 a fevereiro de 1885), a Inglaterra recebeu a região como protetorado, e para homenagear a si próprio, Rhodes a batizou de Rodésia. Depois o território foi dividido em duas áreas: a Rodésia do Norte e a Rodésia do Sul. A Rodésia do Norte conquistou a independência e rebatizou-se de Zâmbia, mas, na Rodésia do Sul os colonos brancos apropriaram-se da região implantando o sistema de apartheid, semelhante ao da África do Sul e foram derrotados pelo valoroso povo que consegui a independência em 1980, tomando então o nome de Zimbábue e a capital é a cidade de Harare.

Em 1980, Robert Mugabe, o líder nacionalista negro, foi eleito. Em 1987 foi estabelecido um regime presidencial, sendo Mugabe escolhido chefe de Estado. O Zimbábue é um país que sofre ataques diretos da mídia ocidental que tentam isolá-lo internacionalmente por causa da expulsão dos fazendeiros brancos após a independência e as terras distribuídas para os fazendeiros negros por Robert Mugabe.
A civilização do Grande Zimbábue foi uma das mais importantes do mundo e deve fazer parte dos estudos africanos e ensinados as nossas crianças e adolescentes. Os primeiros invasores a chegarem a esta região ficaram abismados com esta poderosa civilização no interior da África Austral. Um dos primeiros europeus a visitar a Grande Zimbábue foi um geólogo alemão Carl Mauch, em 1871. Como outros antes dele, Mauch se recusou a acreditar que os africanos poderiam ter construído uma rede tão extensa de monumentos feitos de pedra de granito. Assim, afirmou que os grandes monumentos de Zimbábue foram criados por personagens bíblicos do Norte: "Eu não acho que estou muito errado se supor que a ruína do morro é uma cópia do Templo de Salomão no Monte Moriá e no edifício a cópia de uma planície do palácio onde a rainha de Sabá viveu durante sua visita a Salomão”. Mauch afirmou ainda que somente civilizados (brancos) poderiam ter construído os monumentos. Interessante que a historiografia da época e ainda hoje acreditam que Makeda a rainha de Sabá e os hebreus foram brancos.
Há um grupo de hebreus que vivem no Zimabaue há muito tempo em Rusape, e possui reivindicações antigas e contemporâneas. De acordo com a tradição da comunidade, do povo banto, que a história tem provado não eram os moradores originais da África Austral, mas migrou do norte, eram realmente hebreus. A comunidade se compara favoravelmente com símbolos tradicionais banto, mas, ritos funerários, os padrões de circuncisão, os costumes matrimoniais e as práticas agrícolas, aos dos antigos israelitas. Eles estão convencidos de que são descendentes de uma tribo dos verdadeiros hebreus.

History project - Great Zimbabwe


Outros europeus especularam que os a civilização do Zimbábue foi construída por chineses, portugueses, árabes, persas ou outras civilizações consideradas superiores aos africanos nativos. E muitos afirmaram que as construções foram realizadas por uma raça branca perdida, há 1100 a.C ou por seres de outros planetas ou até pelo próprio diabo.
Cecil Rhodes e Richard Hall, e outros britânicos continuaram mentindo sobre os monumentos, removendo e destruindo uma importante parte do sitio arqueológico.
Em 1905, o arqueólogo britânico David Randall-MacIver estudou os monumentos, e ele se tornou o primeiro pesquisador europeu do sitio a afirmar que as habitações eram "inquestionavelmente Africanas em cada detalhe." Após a afirmação MacIver, foi considerado autor de uma blasfêmia para os imperialistas britânicos, e os arqueólogos foram banidos do site do Zimbábue por quase 25 anos.
A arquitetura do Grande Zimbábue foi uma das mais desenvolvidas do planeta, são quinhentas impressionantes estruturas. A maioria delas tem a forma cônica. O lugar apresenta uma extensão de aproximadamente 385 km², no mais alto planalto da África Austral. Estas belíssimas construções foram feitas de pedra, divididas e separadas em blocos e colocadas juntas com algum desconhecido método e sem usar argamassa. É considerado o mais importante de toda a África só sendo superado pelo sitio do Vale do Nilo com as suas pirâmides. Na região foram encontrados fósseis que datam de 500 mil anos antes de Cristo e se desenvolveu uma das culturas mais avançadas do continente, comparável à de Khemth, Kusch, Mali, Axum e à da Abissínia, nos tempos da Rainha de Sabá.

Na cidadela, haviam sido encontrados alguns pássaros de pedra sabão, colocados em cinco pesados pedestais de pedra. Um número de achados que nos remetem a antiga civilização Egípcia e a América Pré-Colombiana.
Tem sido teorizado que as construções vieram do norte da África, mas não contém inscrições, que possa solucionar uma mínima parte do grande mistério que ronda as ruínas.

Contudo, muitos artefatos foram desenterrados como jóias e braceletes da Arábia, objetos trabalhados na Índia. Distinguem-se três importantes construções: um templo oval cercado por uma muralha de 2,5 km com 9m de altura e 4,5m de largura; no interior da muralha erguem-se duas torres, a maior, com 10m de altura; e mais, uma fortaleza e casas. A pesquisa arqueológica e histórica também encontrou objetos de ouro, cobre bronze, jóias, marfim e gemas preciosas, alguns destes, oriundos da Índia e da China, esculturas de pedra e desenhos
O arqueólogo e jornalista francês Robert Charroux disse: "No meio das ruínas, mas em bom estado de preservação, nós encontramos, como em Machu Picchu, no Peru, altas torres ovais como silos, sem fendas nas paredes, só poderiam ser habitadas por homens voadores. Machu Picchu é conhecido como: o domicílio dos homens voadores."
Os complexos do vale são dominados pelo Huru Imba. A altura da parede principal do Huru Imba é de cerca de 32 pés, que é de 800 metros de comprimento, e utiliza uma surpreendente 15.000 toneladas de blocos de granito. Os blocos impressionantes foram construídos sem argamassa. A construção deste complexo teve habilidade, determinação e indústria, e assim o Huru Imba demonstra um elevado nível de concretização administrativa e social, reunindo pedreiros e outros trabalhadores em grande escala.
A extensa rede de negócios feitos no Grande Zimbábue uma das regiões comerciais mais importantes do continente africano. Os itens de negociação principais foram de ouro, ferro, cobre estanho, gado, e também conchas de búzios. Encontraram vidros da Síria, uma moeda cunhada em Kilwa, Tanzânia e persa e cerâmica chinesa a partir do 13-14 º séculos. O Grande Zimbábue foi um importante centro comercial e político. Além de estar no coração de uma rede comercial extensa. O local foi o centro de um poderoso reino político, que estava sob um governante central cerca de 350 anos (1100-1450 dC). Muitos escritores ocidentais têm tentado reduzir a importância do Grande Zimbábue criando especulações absurdas por não aceitarem que as civilizações pretas foram às matrizes de todo o conhecimento humano e civilizatório.
Os exploradores-invasores europeus saquearam e roubaram grande parte da riqueza. O sitio arqueológico está muito violado, sendo destruído e artefatos levado para vários museus em toda a Europa, América e África do Sul.
Atualmente mais de 20.000 turistas visitam o sitio todos os anos e continuam a causar danos às ruínas, enquanto esses turistas violam as paredes para encontrar emoções e lembranças. Hábito dos ocidentais de destruir os sítios arqueológicos do povo preto.

Grande Zimbábue foi utilizado e construído como um centro religioso e um lugar de onde eles adoraram Mwari, o criador de toda a vida, bem como o sustentador de todas as coisas e tem o status de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1986. As construções do Grande Zimbábue comprovam o desenvolvimento tecnológico das primeiras civilizações do planeta que surgiram no continente africano. A historiografia ocidental tenta a todo o custo esconder a verdadeira história da África e nesse mês de novembro, infelizmente, muitos professores vão trabalhar o chamado folclore e perdem uma grande oportunidade de falar para os estudantes que são descendentes de civilizações aguerridas e desenvolvidas que foram os primeiros habitantes do planeta e conhecedores de toda a ciência. Ter consciência negra é conhecer o seu passado histórico para poder desenvolver o seu presente com orgulho de ser afro-diásporico.

Zimbabwe - The Great Zimbabwe Ruins

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O PRETO NA AMÉRICA ANTES DA INVASÃO EUROPÉIA

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano


CONSIDERAÇÕES INICIAIS: A TENTATIVA DA NEGAÇÃO DA HISTÓRIA PRETA
Diversas descobertas arqueológicas continuam sendo feitas comprovando o único caminho para entender as civilizações ancestrais: a afrocentricidade. Historiadores, antropólogos, lingüistas, arqueólogos, biólogos e outras áreas do conhecimento tentaram esconder durante séculos e acobertar achados históricos que comprovam a presença africana em todo o planeta - a conexão preta na civilização mundial.
São vãs as tentativas de embranquecer Khemet, Mesopotâmia (Terra dos Etíopes), os chamados aborígenes e outras populações da Oceania, o Vale do Indo, as primeiras populações pretas na China e do Japão, na Tailândia, os primeiros habitantes da Grécia e de toda a Europa, a Espanha Mourisca, a população preta inicial das Américas, e especialmente os verdadeiros hebreus que são os pretos cativos que vieram para as Américas conforme a releitura de Deuteronômio 28 e de toda a história bíblica. Se você se interessa por esta verdade escondida, escreva para hebreuspretos@gmail.com
Para Hegel, a África era a parte do continente situado ao sul do Saara e habitado pelos pretos. Ele considerava o norte da África como parte da Europa, continente de história, e o Egito, em seu pensamento, era isolado como um grade sítio de cultura oriental. A partir dessa distinção, percebemos que para Hegel, os pretos constituem um grupo humano sem qualquer forma de história, porque seu continente, a África, “é o país da infância que para além do dia da história consciente, é envelopado pela cor negra da noite.”. Ainda segundo ele, os pretos não têm nem história empírica, o que significa que eles não têm nem civilização e nem cultura. De outra parte, eles não têm história de pensamento, o que testemunha sua incapacidade para pensar e da existência de pensamento na África.
Fico deveras pensativo quando intelectuais pretos conhecem de cor as escolas racistas não as compreendendo assim, e tentam procurar saídas para o nosso povo baseados em ideologias discriminatórias.
Os defensores da incoerência histórica baseadas no eurocentrismo não conseguem se manter de pé, por causa das provas incontestes, e os ataques aos historiadores pretos afrocentrados não estão mais surtindo efeito. Está sendo desmantelada a grande mentira eurocêntrica criada na invasão do continente africano e americano através da escravidão e colonização: O POVO PRETO NÃO TEM HISTÓRIA. A máxima na história das civilizações do planeta atualmente é: O POVO PRETO É O INÍCIO E CONTINUIDADE DE TODA A HISTÓRIA.
Todas as concepções filosóficas e políticas estruturadas na base do eurocentrismo, rotuladas de direitas ou esquerdas combatem a afrocentricidade, seja marxista, weberiana, não importa.
O europeu e seus descendentes acreditam que são superiores e se apropriaram de riquezas artísticas, de tesouros ancestrais, maculando a verdade, e expondo as suas prendas de guerra em museus: Museu do Louvre, Museu do Homem e, recentemente, o Museu do Quai Branly, tornando-se provas incontestes da apropriação de uma parte da história africana e afro-diásporica. As concepções formuladas no pensamento europeu não compreendem e não aceitam a história baseada nas sociedades africanas e suas migrações pelo planeta.

Estátua de Imhotep no Museu do Louvre

Muitos com a concepção eurocêntrica começam a mudar de opiniões porque não podem violar os fatos e infelizmente muitas pessoas pretas que nada sabem sobre a ciência da história e da afrocentricidade andam se autotitulando de “afrocêntricos”, sendo meros eurocêntricos maquilados de pretos, mas, deve ter cuidado para não servirem de repetidores da história eurocêntrica e de suas táticas da pós-modernidade, outra invenção eurocêntrica que em breve será discutida neste blogger pelo Griot Ademário ou por mim.
Sobre a população preta inicial das Américas antes da invasão dos europeus é mister que a História das Américas seja enriquecida com uma nova matéria: Geografia e História da América-Africana. Os chamados “detentores de conhecimentos” que repassam informações européias as nossas crianças e adolescentes, obrigados pelas leis que tentam normatizar fora da afrocentricidade à história dos povos africanos e afro-diásporicos, repito com a visão do europeu, libertem-se da escravidão mental e aproveitem a oportunidade de conhecer a face preta da história americana. Geografia e História da América - Africana será um dos cursos que a nossa equipe de História afrocentrada disponibilizarará em breve. Por mais informações entre em contato com historiafrocentrada@gmail.com

LUZIA E O HOMEM DA LAGOA SANTA
Lembro-me da saudosa Maria Beatriz do Nascimento (Bia) lá pelo final da década de 70 no Grupo de Trabalhos André Rebouças da UFF (Universidade Federal Fluminense quando conversávamos e afirmava que os povos pretos habitaram as Américas antes dos chamados ameríndios e da invasão branca européia.
Um dos achados arqueológicos pela missão arqueológica franco-brasileira considerado um dos fósseis mais antigos da América de 11.500 a 12 mil anos encontrado em escavações na Lapa Vermelha, uma gruta na região metropolitana de Belo Horizonte - Minas Gerais refere-se ao crânio de uma mulher com idade entre 20 e 25 anos . Os traços lembram os atuais aborígenes da Austrália e os pretos africanos - com o nariz largo, e bochechas e queixos salientes que foi chamada de Luzia, apelidado pelo bioarqueólogo Walter Alves Neves, do Instituto de Biociências da USP. Ele se inspirou em Lucy, a célebre fóssil de Australopithecus afarensis de 3,5 milhões de anos achado na Tanzânia em 1974. As pesquisas na Lagoa Santa foram feitas pelo pioneiro das descobertas dessas ossadas humanas, o naturalista dinamarquês Peter Lund que se radicou em Lagoa Santa na década de 1830. Ele encontrou grande número de fósseis humanos e de animais pré-históricos já extintos nas cavernas da região. O maciço calcário do carste de Lagoa Santa favorece a fossilização das ossadas.
Segundo a arqueóloga Rosângela Albano, que dirige o Centro de Arqueologia Annette Laming Emperaire (é o nome da arqueóloga francesa que coordenou junto com André Prous a missão franco-brasileira que descobriu o crânio de Luzia, em 1975), Lund descobriu cerca de 70 ossadas humanas, a maioria das quais enviadas para o museu de Copenhague. Naquele século, muitas outras ossadas foram encontradas por pesquisadores brasileiros e de outros países.
A presença das populações pretas na América é bem difusa em diversas regiões e hoje começaremos uma discussão simplória sobre a mais conhecida que a cada momento
OS OLMECAS

Estátua Olmeca

O conhecimento da civilização Olmeca é iniciante, quando falamos das civilizações nas Américas o conteúdo é sobre os Maias, Astecas e Incas, e pronto. Explicou-se e exformou o que chamam das civilizações “pré-colombianas”. Sendo assim, os Olmecas será a primeira civilização que iremos comentar , e de antemão, saibam que estamos falando de uma civilização preta, considerada pela arqueologia como mais antiga que a civilização dos Maias. Os Olmecas deram um xeque-mate nos defensores do eurocentricismo que se apegam a qualquer centelha que possa surgir objetivando negar a migração dos povos africanos há milhares de anos.
Continua na segunda-feira dia 15/06 neste blogger.

sábado, 15 de novembro de 2008

RELAÇÕES INTER-RACIAIS - A FALSA DEMOCRACIA RACIAL

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Por Jose Raimundo. Pan-africanista, Afrocentrado. Membro da Igreja Pan-Africanista Tzion. Pseudônimo: Thembi Sekou Okwui. E-mail: soulafrica@hotmail.com


As relações inter-raciais são constantemente discutidas e rediscutidas nos países de formação escravacrota, sendo motivos de grandes polêmicas e embates. Já fizeram parte de dispositivos de leis em diversos países escravizadores, como a Inglaterra, e até há pouco tempo nos USA, como o sistema legislativo Jim Crow, que proibia a união inter-racial prevendo o julgamento dos infratores e sua condenação.
Clique aqui e leia mais sobre as leis do Jim Crow
Até mesmo em âmbito religioso as proibições foram bem explicitas como orientações de igrejas brancas, como no caso dos adventistas, quando Ellen G. White escreveu: “Mas há uma objeção ao casamento da raça branca com a preta. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer à sua prole aquilo que a coloca em desvantagem; não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitariam a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança para toda a vida.”(Ellen Gould White, Mensagens Escolhidas - vol.2; Editora Casa Publicadora, Sto. André - SP; 1985 - pág. 343 e 344).
Ellen White continua: "Em resposta a indagações quanto à conveniência de casamento entre jovens cristãos de raças branca e preta, direi que nos princípios de minha obra esta pergunta me foi apresentada, e o esclarecimento que me foi dado da parte do Senhor foi que esse passo não deveria ser dado...Nenhuma animação deve ser dada a casamentos dessa espécie entre nosso povo..." (Ellen Gould White op.cit.).
Se por um lado, em diversas sociedades e organizações religiosas houve proibições nas relações inter-raciais, em outras, como a arquitetura racial do Brasil, isso foi bem difundida e elaborada como sistema de dominação e manipulação.
Gilberto Freire no seu livro Casa Grande e Senzala e Sobrados Mocambos demonstra com uma sagacidade perversa a falsa formação do Brasil baseados em relações de senhores brancos com escravizadas pretas, o qual ainda hoje tem servido como parâmetros e defesas de um país miscigenado, reforçado também pelos escritos de Darcy Ribeiro, no seu socialismo moreno.
No Orkut, site de relacionamento de maior acesso no Brasil, encontramos dezenas de comunidades exaltando os relacionamentos inter-raciais e citamos algumas:
O Amor Não Tem Cor
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=15109546
Amor Interacial
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=11849495
Relacionamento Interracial
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=2389862
No entanto, a miscigenação no Brasil não dever ser vista sob a ótica pacífica e amorosa de uma pura e simples integração racial, construída pelos pensadores acima referidos e difundida pelas escolas, universidades, igrejas, mídia e outros intelectuais brancos. Na verdade, a miscigenação tem que ser vista sob a ótica da exploração sexual de homens e mulheres negras, para atender o desejo da elite branca de fazer deste país uma nação “quase” européia.

No Livro Rediscutindo a mestiçagem no Brasil – Identidade nacional versus Identidade negra, Kabengele Munanga explica como a mestiçagem serviu como mecanismo de aniquilação da identidade negra, servindo ao propósito do racismo para desmobilizar, criar falácias de igualdade racial e inserir na mente da população negra o desejo de branqueamento.
Acreditamos que a mestiçagem foi um plano elaborado para enfraquecimento e dominação dos africanos no Brasil, pois com a existência de mestiços, há uma população em crise, sem identidade definida, que opta em se manter ao lado do projeto de sociedade do opressor, trazendo conseqüências psicológicas danosas a sua existência, como aborda a grande pensadora negra Neusa Santos em seu livro “Torna-se Negro”, pag. 7,:
“Os esforços para curar a “ferida” vão então suceder-se numa escalada patética e dolorosamente inútil. Primeiro tenta-se metamorfosear o corpo presente, atual, de modo penoso e caricato. São os “pregadores de roupa” destinados a afilar o nariz ou os produtos químicos usados para alisar o “cabelo ruim”. Em seguida, vêm as tentativas de aniquilar, no futuro, o corpo rebelde à mutação, no presente. São as uniões sexuais com o branco e a procriação do filho mulato. O filho mulato e o neto talvez branco representam uma louca vingança, suicida e homicida, contra um corpo e uma “raça” que, obstinadamente, recusam o ideal branco assumido pelo negro. “
O sociólogo Roquildes Ogunbá, militante do movimento negro, assevera na comunidade do orkut MULHER NEGRA & HOMEM NEGRO:
"A miscigenação está na ordem do dia: brancas com negros e brancos com negras. A idéia de mistura tem sido manipulada pela mídia, imprensa, tv, rádio etc, como uma prova de que não existe racismo e nem discriminação racial. Muitos negros e negras têm pego carona em tal discurso e afirmam que quando rola o amor é o que vale. Sendo assim, temos assistido a cada dia um número "privilegiado" de casais que têm se unido para "clarear" as futuras gerações. Este fato tem contribuído para desaparecimento da família negra e modificado certos valores entre negras e negros."
Ultimamente a juventude preta militante tem discutido em alguns fóruns sobre relacionamentos, e recusado participar destas relações inter-raciais como forma de afirmação e prática de vida africana. Exemplo disso na Bahia o Grupo Mídia Étnica criou o dia: Beije sua preta ou seu preto.

- Quase duas décadas depois, o Instituto de Mídia Étnica está reativando essa campanha, denunciando o estereotipo de casais negros nos meios de comunicação, criticando a nossa invisibilidade nas propagandas e criando elementos para elevação da auto-estima de homens e mulheres pret@.
Participe de nosso “beijaço”: dia 12 de junho às 17h30 no Passeio Público.

Os jovens do CNNC/BA e da Igreja Preta (COPTAZION) se orgulham pelas suas namoradas e namorados pretos.
Kefing Foluke no livro Afro-Reflexões, também discorreu sobre a temática:
“O homem e a mulher negra precisam se reencontrar fora da senzala e reconstruir no útero do ser negro um novo relacionamento de respeito e amorosidade, lembrando sempre que somos frutos de um amor depreciativo formulado nas senzalas da escravidão. Não estamos mais abandonados e jogados na fétida senzala de amores depreciativos, por isso não devemos ter medo de amar. O amor deve ter início na auto-afirmação do ser negro, assim redescobriremos à vontade de sentir profundamente a intensidade de um beijo bem gostoso entre uma negra e um negro.”
Segundo o membro da Igreja Preta - COPATZION-(Comunidade Pan-africanista de Tzion) José Raimundo, ativista pan-africanista, ratificando o posicionamento do CNNC, acrescenta que essa falsa democracia racial no Brasil é tão forte que influenciou as relações afetivas no próprio movimento negro; exemplo disso é que um dos maiores expoentes do Movimento Negro, o nonagenário Abdias do Nascimento, apesar de tentado desconstruir o mito da democracia racial, possuí em sua prática afetiva um relacionamento com uma mulher branca, sendo um dos grandes vacilos que marcará a sua trajetória.Pois num país que tem como sistema de dominação uma política intensa de mistura entre raças, a ação mais enérgica e reacionária que um militante do movimento negro pode ter é manter relacionamentos com pessoas de sua própria espécie, ou seja, pretas. Isso, aliás, não é só reacionário, num país como o Brasil, isso chega ser uma arma revolucionária contra a dominação racial.
Por fim, que nós pretas e pretos saíamos da escravidão mental que nos aprisiona, abandonemos a contemplação daqueles que descendem dos escravizadores, não nos permitamos vivenciar a “Síndrome de Estocolmo” e busquemos o amor entre as pessoas africanas: o amor preto. Pois, para preservação da nossa história, cultura, valores e legados é necessário preservarmos a integridade do nosso povo através da reconstituição / reconstrução de famílias pretas. É necessário dizermos não a miscigenação racial.

Richie Stephens - where is the love

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