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domingo, 5 de agosto de 2012

QUILOMBO E MATRIARCADO - RAINHA NGOLA NA REGIÃO AMAZÔNICA





Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano

Facebook: Walter Passos


Os estudos sobre o matriarcado deveriam pautar a historiografia brasileira, mas o poder patriarcal e androcêntrico nos estudos acadêmicos cerceam e omitem o matriarcalismo nas reconstruções de sociedades africanas no Brasil.

Quando falamos em quilombo, mocambo, cafundó, terra de preto e outras designações pelos quais os estudiosos adjetivam a resistência dos escravizados através da fuga e da formação de aldeamentos, é deveras importante entender a questão de poder e as relações sociais capazes de permitir por séculos que estas experiências se tornassem viáveis até os dias atuais.

O matriarcado esteve presente em todas as migrações voluntárias dos africanos pelo planeta. Trazida com os prisioneiros (as) das guerras travadas em Mãe áfrica (sociedades matriarcais) pelos cristãos europeus (sociedades patriarcais), esse modelo de organização será o tema que discutiremos em breve.

Os bantus (“humanos”, na linguagem do Kongo) que falam cerca de quatrocentos idiomas e habitam do oeste para leste o Gabão, Camarões e norte ao sul do Sudão até a Namíbia. Os vários grupos étnicos Bantus dominaram a metalurgia do ouro e do ferro, usando este último, produziram machados, espadas, enxadas e enxós. Além disso, as habitações têm uma arquitetura particular de cabanas circulares ou aldeias chamadas de Msonge. Tais avanços permitiram a colonização de seus territórios ao longo de um período de cerca de quatro mil anos. Muitos grupos étnicos bantus foram sequestrados para as Américas e trouxeram consigo as suas experiências matriarcais.

No seu último livro, que não viu impresso, Décio Freitas visitou uma das menos conhecidas revoltas populares da história brasileira, o movimento que nos livros escolares aprendemos com o nome de Cabanagem. Dizendo em palavras vagas, foi uma insurreição ocorrida principalmente em Belém, entre 1835 e 1840, e reprimida sangrentamente – teriam morrido no total umas 30 mil pessoas, cerca de 25% da população do Pará na época. Foi designada com esse nome por motivos triviais: é que de fato a maior parte dos envolvidos vivia em cabanas pobres, em malocas improvisadas, numa vida miserável que foi, sem dúvida, o combustível da revolta.No livro A Miserável Revolução das Classes Infames, Freitas relata sobre a existência de um quilombo matriarcal na floresta amazônica, liderado pela rainha NGola e outras guerreiras, informação obtida após a tradução de cartas de Jean-Jacques Berthier, um francês que aos 14 anos de idade teve que fugir da França para Guiana Francesa após ser assediado por um pedófilo que o condenou na Revolução francesa.

Fugindo das batalhas que assolaram o país depois da independência, ele foi parar num desses mocambos matriarcais – justamente o da rainha Ngola – e viveu lá entre 1824 e 1828. Sua carta enviada ao irmão Guillaume, em Nantes, na França, foi pesquisada pelo historiador Décio Freitas para o livro A Miserável Revolução das Classes Infames e mostra com riqueza de detalhes como era a vida nesse pedaço da África em plena floresta amazônica.

Berthier informa que eram quatro quilombos adjacentes com 300 moradores em cada um deles e um principal com uma média de 700 moradores, sendo um total de 1900 habitantes. Assevera de que o quilombo principal já tinha cinquenta anos de existência e a rainha que governava já era a terceira Ngola. Um detalhe chama a atenção da descrição da rainha. ela estava em uma cadeira de espaldar alto colocada em uma plataforma, via-se na altura do espaldar uma serpente de ouro encastoada.

No decorrer do relato sobre os mocambos o poder da rainha é demonstrado com castigos impostos aos homens que só podia conversar com ela prostados de joelhos, e quando falavam algo não consensual eram castigados com até três bastonadas na cabeça. Berthier ao ser recebido para solicitar asilo não se prostou sendo imediatamente castigado, e aprendeu a lição de respeito ao matriarcado, recebendo também uma bastonada e prostou-se. Asilo aceito e algumas condições foram expostos:

- Poderia viver na comunidade como irmão, mas, não era permitido relações sexuais com as mulheres pretas, nem se pagasse o dote. O motivo apresentado pela rainha era porque as mulheres eram poucas e necessárias para a reprodução da raça preta sem mistura de sangue branco ou indígena. Mas, poderia casar com uma mulher nativa e tornaria capitão das milícias nas lutas contra os brancos que não permitiam a liberdade dos pretos e eram pérfidos.

Interessante são os relatos do francês sobre o poder matriarcal que o deixou embasbacado

A RELAÇÃO CONJUGAL POLIANDRICA

As mulheres escolhiam os companheiros e eles passavam pelo teste da convivência por alguns meses, só assim ela analisava se ele era satisfatório. Se por acaso fosse aprovado tinha que pagar um dote requisitado pela noiva e ela declarava a todos da aldeia que ele era a partir daquele momento o seu marido. As mulheres podiam ter até cinco maridos, robustos e ágeis, escolhendo qual deles ela manteria relações sexuais e os mandava embora no momento que assim entendessem. Os maridos moravam em suas próprias cabanas e elas escolhiam entre eles um que era o responsável de supervisionar a família que poderia ter 20 filhos, este “privilegiado” morava em sua cabana. Outra atribuição masculina era carregar a esposa nas costas, quando ela não queria andar a pé.

Em Moçambique, existem ainda sociedades matriarcais e poliandricas, onde as mulheres têm voz mais ativa e poder. Estas sociedades remanescentes encontram-se no norte de Moçambique. Um amigo relatou que encontrou uma mulher que teve um marido, filhos e depois o deixou, e ela encontrou outro e outro e voltou a relacionar-se com o primeiro e tem um outro que vive em casa. Eles se coordenam e visitam aquela mulher sem conflitos com o atual, aquele que vive em casa é o atual marido, enquanto os outros são SOBRESSALENTES, como elas chamam.

ECONOMIA

A economia da comunidade baseava-se no trabalho masculino na agricultura, caça, pesca, tecelagem, olaria, serralheria, extrativismo e mineração de ouro vigiados por guerreiros da rainha. O ouro era utilizado para confecção de joias para a rainha e o restante para conseguir armas. Realizavam também trocas de gêneros com holandeses da Guiana. também vendiam tabaco e mandioca para as populações ribeirinhas e praticavam a pirataria: os soldados de Ngola atacavam canoas em rios distantes, roubando os viajantes – ou então saqueavam povoações de brancos.

FORÇA DE DEFESAEra composta de guerreiros de cabeça raspada e não trabalhavam para a suas esposas e tinham o privilegio de obedecer somente à rainha Ngola. Constantemente realizavam ataques de guerrilhas a povoações dos brancos para o saque.


RELIGIÃOMantinham as práticas das religiões ancestrais e conforme relato do Frances:

"Reverenciam ídolos com feições de homens, mulheres e feras, aos quais periodicamente fazem sacrifícios. Qualquer celebração religiosa deve ser autorizada pelo feiticeiro, que é também o curandeiro em suas doenças."


Notamos um desconhecimento completo da metafísica religiosa bantu por Berthier, embasado de preconceitos cristãos sobre o que não entendia.

LAZER
Dança e música usando os instrumentos “pungo” e marimba. O missivista demonstra perplexidade com as mulheres que passavam o tempo sentadas no chão conversando, cantando e fumando tabaco.

O machismo de Berthier não entendia o matriarcalismo e na sua visão androcentrica as mulheres deveriam servir aos homens.

EDUCAÇÃOA oralidade através de contadores de histórias.


Relata Freitas: "É uma pena que Berthier não se alongue mais na narrativa sobre a sua experiência no mocambo. Seria nada menos que sensacional se desse mais informações sobre aquela sociedade poliândrica, semelhante à de Palmares e às de algumas regiões da África. Mas não indica sequer aproximadamente a localização geográfica do mocambo, embora certas referências permitam supor uma região para os lados da Guiana Francesa.
O laconismo talvez se deva ao fato de ter jurado, com sangue, perante a rainha Ngola, guardar rigoroso segredo sobre o mocambo."


Concluo este artigo citando um provérbio que com certeza se aplicou a Berthier:

"O olho nunca se esquece do que o coração vê."
-
Provérbio bantu.


  Acesse:
 
Poemas de amor ao povo preto:


ACESSE PRETAS POESIAS:

quarta-feira, 25 de julho de 2012

MULHER PRETA E A SEXUALIDADE – AS RESPOSTAS DAS MULHERES


Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos


Neste artigo doze mulheres respondem sobre o que pensam acerca da sexualidade das mulheres pretas. No artigo anterior os homens expressaram as suas opiniões.

Para isso, escolhemos metodologicamente um questionário que busca gradativamente debater alguns pensamentos do senso comum até a reflexões sociológicas de como ocorre o desenvolver da sexualidade feminina.

Conforme utilizada anteriormente, a publicação dos nomes ou apelidos apenas ocorrerá por manifestação expressa do entrevistado, nos demais haverá o sigilo.

Inicialmente, o artigo não foi concebido para a realização de análises aprofundadas das respostas, o que permitirá a você, leitor (a), uma visão não lapidada dos pensamentos expressos pelas entrevistados, inclusive mantidos da mesma maneira como foram escritos.

1. VOCÊ CONCORDA QUE GENETICAMENTE A MULHER PRETA É MAIS “QUENTE SEXUALMENTE” QUE AS MULHERES BRANCAS?


Entrevistada 01: Não existe nenhum embasamento cientifico que ateste que a mulher negra tenham mais desejos sexuais que as mulheres brancas. O que se tem, é um cenário onde as mulheres brancas foram educadas para serem recatadas e inibidas nas questões sexuais o que difere e muito das mulheres negras que sempre foram vistas como objeto sexual. Outro fato, o condicionamento mental, propiciou ao longo da história a diferença entre o comportamento sexual da mulher negra e branca.

Entrevistada 02: Eu não concordo nem discordo, eu sou hetero e não sei da parte da mulher. Mas dos homens eu sou negróloga e sei que sou compatibilíssima sexualmente com negros e minha passarinha só bate asas para os de minha cor.

Entrevistada 03:
Acredito que as mulheres negras devido a sua ancestralidade sentem mais em paz e livres com seus corpos, salvo aquelas mulheres que sofrem a excisão do órgão feminino

Donna Liu:
Sim. Acredito pelo empirismo. Muitos amigos me dizem isso; só acredito também que é necessário haver uma pesquisa científica mais detalhada. Entretanto, devemos ter cuidado com essa afirmação, pois ela vem sendo alimentada desde a colonização, quando não tínhamos nem direito sobre os nossos próprios corpos. A ideia de exploração sexual ainda pode estar imputada nessa frase. Depende de como e quem a produz. Infelizmente muitos homens só assumem a mulher negra na hora do sexo.

Entrevistada 05:
Isso é mito, a cor da pele não está diretamente ligada ao desempenho sexual, mas ao preconceito decorrente da escravidão
Narinha Conceição: Não acredito que nós mulheres pretas somos mais quentes sexualmente.

Entrevistada 07:
Não, acho que isso não tem nada a ver.

Entrevistada 08:
Acho

Entrevistada 09:
Não... Chamamos mais atenção só isso.

Entrevistada 10
: Não creio que exista diferença

Mônica Franciso:
Não, infelizmente vivemos numa sociedade pós-colonial essa ideologia que a mulheres negras são sexualmente mais quentes que as brancas advém da necessidade de justificar os estupros cometidos contra as negras e indígenas na época da colonização e hoje é naturalizado dentro da cultura, na representação das mulheres pretas sempre retratadas como marginais e prostitutas. Daí a permanência no imaginário popular da mulher negra, mulata “tipo exportação” caçadora de brancos gringos que foge a realidade da maioria das mulheres negras contemporâneas.

Kcris Nigeria:
Sem nenhum preconceito com as mulheres brancas, mas os próprios homens deixa claro sua preferência com relação as mulheres negras na hora do sexo por trazerem uma libido muito mais aguçada, que com certeza estimula bastante na pratica os desejos masculino.

2. VOCÊ CONCORDA COM QUE SE O HOMEM É INFIEL, DEVE A MULHER TRAIR OU “PAGAR NA MESMA MOEDA”?

Entrevistada 01: Não há hierarquia entre homens e mulheres, todos tem desejos e podem no decorrer de uma relação estável admirar uma terceira pessoa e isso independe de provocação . Se o homem ou a mulher sente desejo por outra pessoa não vejo o porquê o outro fazer o mesmo. Ademais trair é transgredir a preceitos efetivamente nosso, é algo pessoal e subjetivo. Se o outro se sente ofendido e faz o mesmo, corre o risco de esta cometendo a efetiva traição a cometida contra a si mesmo.

Entrevistada 02:
Não. Homens saindo com muitas mulheres na nossa cultura é viril, mas mulheres fazendo o mesmo são vagabundas, por isso somos mais comedidas até porque se esse homem é tão fominha ele não gosta da esposa e se quiser ser livre para voar, não faz sentido ser casado.

Entrevistada 03:
Não, mas dá muito ódio muito grande, deixando uma cicatriz e vazio profundo que talvez se preencha com outro galanteio. Creio que seja uma traição emocional do ego.

Donna Liu:
Não. A vingança seja ela por qualquer motivo, não é saudável para se manter durabilidade de um relacionamento. Penso que devamos sim, discutir o conceito de fidelidade dentro da relação. Em que tipo de atitudes está presente essa fidelidade.

Entrevistada 05:
Durante algum tempo concordei com esse tipo de pensamento, hoje vejo que a valorização da mulher é algo urgente, não preciso trair para me sentir melhor, apenas ser eu mesma, reproduzir um comportamento negativo não me faz melhor do que quem me feriu.

Narinha Conceição:
Eu ñ sou a favor, temos q nos impor de uma outra forma.

Entrevistada 07:
Acho que não, se ela tiver preparada psicologicamente, deve encerrar ou repensar a relação.

Entrevistada 08:
Não

Entrevistada 09:
Não... já passou o tempo de olho por olho, dente por dente. Cada um faz o que tem vontade.

Entrevistada 10:
Acho que partir pra outra seria o ideal.

Mônica Franciso:
Não sei, a traição contém em si uma série de problemáticas maiores que o próprio ato sexual.

Kcris Nigeria:
NÃO. O homem por ser viril já possui essa característica de dominação sobre a mulher, é da natureza do homem ter mulheres, independente de quantas. A traição acontece decorrente de diversos fatores não necessariamente partindo da mesma.

3. COMO VOCÊ OBSERVA O COMPORTAMENTO SEXUAL DA MULHER PRETA?


Entrevistada 01:
As mulheres negras costumam ser mais desinibidas, mais livres e donas dos seus desejos !

Entrevistada 02:
eu não observo, eu só sei que somos chamada de barraqueiras, mas nosso sangue afro não nos permite engolir sapo.

Entrevistada 03: Depende, mas infelizmente a maioria se comporta deslealmente, atacando os companheiros das irmãs igualmente negras.

Donna Liu:
Não sei ao certo. Muitas irmãs ainda estão perdidas com esse conceito de liberdade sexual que envereda na luta do “feminismo branco”.

Entrevistada 05:
Acredito que deva ser mais complicado, para a mulher negra lidar com a sexualidade, pois a cor de sua pele está impregnada de estereótipos criados pelos brancos ao longo de vários anos.

Narinha Conceição: Eu vejo uma exacerbação no comportamento sexual de algumas mulheres pretas, decorrentes da sua socialização. Herança do colonialismo.

Entrevistada 07: Acho que isso é racismo puro, sexualizaram o corpo da negra, da "mulata" então nem se fala. Algumas infelizmente aderem a esse estereótipo para sobreviver. Não cabe a nós julgá-las.

Entrevistada 08: Caliente.

Entrevistada 09:
A mulher negra é vista como objeto de desejo, por suas curvas, e não pelo seu potencial, pelo sua inteligência...isso denigre nossa imagem, não somente um par de coxas roliças, temo muito mais que isso.

Entrevistada 10:
Não tenho como responder isto

Mônica Franciso:
Normal, embora sejamos estereotipadas o tempo todo ou somos as caçadoras de homens brancos ricos ou somos as fáceis em busca de sexo. A sexualidade é mais um fator cultural e social que relativo a etnia, carregar esse fardo do racismo junto com o sexismo é mais uma luta que travamos diariamente até a morte.

Kcris Nigeria:
Dotado de sensualidade, desde o falar, vestir-se e domínio da situação.

4. COMO VOCÊ ENTENDE QUE A MULHER PRETA LIDA COM SUA SEXUALIDADE?

Entrevistada 01:
Pelo condicionamento mental somado a falta de conhecimento, as mulheres negras são a escoria na sociedade pseud. Moralista que vivemos, pelo modo de andar, se vestir, pela exposição das relações etc.

Entrevistada 02:
com desconfiança dos homens. principalmente quando são bem sucedidas, aparece um monte de interessados para usufruir o que ela conseguiu com muita luta. Estamos calejadas.

Entrevistada 03:
Não sei, mas imagino que possa ser com poder.

Donna Liu:
Precisamos de orientação. Estamos perdidas num conceito de emancipação que exclui o sexo masculino das nossas discussões, quando isso pra mim, seria imprescindível.

Entrevistada 05:
Não respondeu

Narinha Conceição:
Lidamos de forma "vulgar", pois fomos socializadas para isso, e nos são inculcadas informações a todo momento de q somos unicamente objeto sexual

Entrevistada 07:
Acho que com muita naturalidade.

Entrevistada 08:
Acho que sem preconceitos

Entrevistada 09:
Eu quero ser vista pelo que sou e não se sou sensual ou não...

Entrevistada 10:
Observo que normalmente mulheres negras se vestem e possuem comportamentos mais sensual que a mulher branca.

Mônica Franciso:
Lida de acordo com o momento, com a situação em que está inserida e dos atravessamentos de religião, da cultura, do meio social e educação que possui.

Kcris Nigeria:
A mulher negra carrega toda uma herança genética e cultural, o que torna ela fascinante. Atualmente percebe-se que as mesmas encara a sexualidade com naturalidade, respeito e dignidade. Afinal de contas ela não deixa de ser uma MULHER por ser negra.

5. O CONCEITO DE LIBERDADE SEXUAL, QUE A MAIORIA DAS MULHERES PRETAS ALMEJA OU ENTENDE POSSUIR, UTILIZA A FIGURA MASCULINA COMO BASE?

Entrevistada 01: A liberdade sexual que as mulheres negras têm buscado em muito se assemelham a dos homens

Entrevistada 02
: Nossa liberdade sexual está exatamente no respeito ao próprio corpo e a não dependência do homem no convívio e sim a distancia. Não morar juntos, e se libertar de lavar cuecas, fazer prato,lavar, passar ,cozinhar e a noite ter que ter disposição para fazer um sexo gostoso, é surreal.

Entrevistada 03:
Sim, infelizmente.

Donna Liu:
Infelizmente não. Para que atinjamos a liberdade sexual o homem precisa entender o que queremos e se ele não está na base dessas discussões como ele poderá saber? Parece meio óbvio, mas não é o que acontece.

Entrevistada 05:
As mulheres em geral ainda se utilizam da figura masculina como padrão de comportamento, para se auto afirmarem, espero sinceramente que essa visão mude.

Narinha Conceição:
Acredito q sim

Entrevistada 07:
Sim, acredito que uma vida livre sexualmente, porém sempre fica o estigma de ser chamada de "puta", nós mulheres queremos ter a mesma liberdade sexual dos homens.

Entrevistada 08:
Não.

Entrevistada 09:
Não... ao meu entender isso só vai reiterar a maneira que os homens veem as negras...acho que a mulher em geral...não importa a etnia

Entrevistada 10:
Não concordo.

Mônica Franciso:
Que liberdade sexual? Esse é o mito da sociedade branca em que estamos inseridas, não existe para a mulher preta, pobre, vítima de racismo uma “liberdade sexual” em que ela pode ser dona de seu corpo.
Não somos livres para isso e nem temos liberdade, digo, como grupo de mulheres pretas envolvidas com a sobrevivência em busca de uma vida menos indigna para nossas futuras gerações.

Kcris Nigeria:
NÃO. A liberdade sexual que hoje a mulher negra possuir, esta diretamente ligada a ascensão que as mulheres como um todo conquistou. Independente da masculina. Não esquecendo, que mesmo dentro de toda mudança de conceitos sobre a sexualidade ainda hoje existem mulheres negras que vivem dentro de uma tradição familiar que não se permite uma plena liberdade sexual.

6. VOCÊ ENTENDE QUE O FEMINISMO INFLUENCIA AS MULHERES PRETAS NO VIVER DA SUA SEXUALIDADE?


Entrevistada 01: A luta por igualdade de Direitos entre homens e mulheres que fundamenta o feminismo sem dúvida influencia as mulheres negras no viver da sua sexualidade!

Entrevistada 02: Ensina as mulheres preta, que se viemos de uma luta constante, homem se não for parceiro é um parasita que nos atrasa a vida e nos limita no crescimento pessoal. Fazer sexo é uma necessidade e liberdade de ir e vir, sem ter que dar satisfação sem cobranças e viver uma vida plena, é qualidade de vida.

Entrevistada 03: Não pq o feminismo não trata da questão da mulher negra.

Donna Liu:
Não. Primeiro que pra mim o feminismo é utopia. Um amigo uma dia explanou para mim: “o sufixo ismo pressupõe dominação de um grupo em relação a outro não é”? Respondi: “é”! “Há dominação da mulher em relação ao homem”? Ele perguntou novamente, ao que respondi: “Não”. “Então não existe feminismo”, ele finalizou. E eu concordo plenamente. Haverá feminismo quando passarmos a receber remunerações maiores que a dos homens. E o equívoco da luta da mulher preta nesse contexto, se dá porque nós perdemos em três escalas: para o homem branco, o homem preto e a mulher branca.

Entrevistada 05:
Acho que a mídia influencia muito mais...

Narinha Conceição:
Eu entendo q sim, somo influenciadas nas nossas relações sexuais.

Entrevistada 07:
Sim, claro. O feminismo tem clara influência sobre o comportamento sexual das mulheres negras ou não, de uma forma ou de outra essas discussões chegam a todas nós, e daí um reposicionamento perante a opressão frente a sociedade machista.

Entrevistada 08:
Não.

Entrevistada 09:
Penso que não...

Entrevistada 10:
Sim .

Mônica Franciso:
Feminismo branco? Risos. A mulher preta consciente sabe que está fora dessa jogada e o feminismo negro vai na contramão disso, queremos ter direito a dignidade de criar nossas crianças pretas, de podermos ter um atendimento médico mais humanizado, ter uma representação social melhor. E outras demandas. Essas são ignoradas pelo feminismo branco e não me contempla como mulher preta.

Kcris Nigeria:
Pode até influenciar, acredito que por estarem, mas independentes e conquistando cada dia seu espaço, a maioria não se deixa influenciar totalmente pelo feminismo. Os conceitos mudarão.

E você, o que pensa? Comente, discuta, apresente novas ideias e participe! 

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domingo, 22 de julho de 2012

MULHER PRETA E A SEXUALIDADE


Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
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Este artigo surge em decorrência da boa aceitação do anterior: Amante do Meu Marido e a Outra do meu Namorado, que se propusera a coletar opiniões acerca dos homens pretos e as relações extraconjugais. Neste, resolvemos coletar as opiniões dos amigos e amigas sobre o que pensam acerca da sexualidade das mulheres pretas. Para isso, escolhemos metodologicamente um questionário que busca gradativamente debater alguns pensamentos do senso comum até a reflexões sociológicas de como ocorre o desenvolver da sexualidade feminina.

Assim, oito homens e onze mulheres se propuseram voluntariamente a responder as seis perguntas abaixo:

1. Você concorda que geneticamente a mulher preta é mais “quente sexualmente” que as mulheres brancas?

2. Você concorda com que se o homem é infiel, deve a mulher trair ou “pagar na mesma moeda”?

3. Como você observa o comportamento sexual da mulher preta?

4. Como você entende que a mulher preta lida com sua sexualidade?

5. O conceito de liberdade sexual, que a maioria das mulheres pretas almeja ou entende possuir, utiliza a figura masculina como base?

6. Você entende que o feminismo influencia as mulheres pretas no viver da sua sexualidade?


Conforme utilizada anteriormente, a publicação dos nomes ou apelidos apenas ocorrerá por manifestação expressa do entrevistado, nos demais haverá o sigilo.

Em que pese à enquete ter sido realizada aleatoriamente, notamos que no universo dos entrevistados possui uma pluralidade de pensamentos ainda maior, incluindo uma diferença estarrecedora nas concepções masculinas sobre a mulher e a sua sexualidade. Outro fator importante são as inúmeras restrições ao feminismo por parte dos homens entrevistados.

Inicialmente, o artigo não foi concebido para a realização de análises aprofundadas das respostas, o que permitirá a você, leitor (a), uma visão não lapidada dos pensamentos expressos pelos entrevistados, inclusive mantidos da mesma maneira como foram escritos.

Opcionalmente, as respostas serão postadas por gênero, sendo que neste primeiro artigo estou postando as respostas masculinas. Vamos a elas:

1. Você concorda que geneticamente a mulher preta é mais “quente sexualmente” que as mulheres brancas?

Entrevistado 01: Sim.

Entrevistado 02: Não concordo. Seria atribuir uma característica (mesmo positiva) a uma predeterminação RACIAL, quando considero que grande parte da manifestação sexual tem origem CULTURAL.

Marcos Ferr - Sim, concordo.

Entrevistado 04: Geneticamente sim isso é cientifico... Tanto que mulheres negras não fazem tratamento para engravidar, se for casada com homem negro. Mulheres negras tem a vagina mais apertada pela forte resistência muscular da vagina.

Rapper Marcelo Silles: Sim

Entrevistado 06: Não. As mulheres brancas são mais bonitas e mais quentes. Comprovo a minha ideia da seguinte forma. Quem imita quem, a branca imita a negra? A mulher negra imita a branca especialmente nos cabelos, ficam loiras, ruivas e passam produtos para alisar. Então eu prefiro logo a branca a uma negra mascarada de branca.

Selaisse: Essa coisa de achar que a mulher é "quente" por causa da etnia e um mito visto que a sexualidade pra mulher não é só relacionada ao prazer sexual, se fosse elas não hesitariam em um convite de um homem pra relação sexual, alias, elas nos chamariam o tempo todo pra fazer, e isso pode ser qualquer uma, branca, Negra, Asiática.

2. Você concorda com que se o homem é infiel, deve a mulher trair ou “pagar na mesma moeda”?

Entrevistado 01: Não.

Entrevistado 02: Não. Acredito que infidelidade implica desrespeito. Há casos de relacionamentos abertos, mas aí seria uma pluralidade CONSENSUAL de parceiros. Quando há traição, se não chegarem a um entendimento, cada um segue seu rumo...

Marcos Ferr: acho que não deve, 1 erro não se conserta com o outro.

Entrevistado 04: Homem infiel deve sim ser verdadeiro com a esposa e fazer um acordo como eu fiz...Se for transar com outra (o), use preservativo por respeito...Ser infiel tudo bem, pois a carne é fraca...Ignorância de transar sem proteção também é burrice.Qual homem não transa com outra, ou nunca transou?...Está para nascer.

Rapper Marcelo Silles: sim. também tem a questão do porque da traição, se é por insatisfação conjugal ou se é algo já embutido em si.

Entrevistado 06: Não. Os homens são fracos por natureza e as mulheres tem que entender a nossa fraqueza.

Selassie: acho meio hipocrisia julgar o "Homem sempre como infiel " hoje em dias a promiscuidade é de ambos os lados ,por acaso ja ouviram falar de hipergamia feminina ? toda as mulheres a possui, pois, onde eu trabalho as mulheres casadas são muitos hipergâmicas rsrs não estou usando o meu trabalho como exemplo, mas as mulheres biologicamente são hipergâmicas ,e muitas se deixam levar pelo extinto ,nos homem fomos feitos pra distribuir nosso genes a vida inteira estamos aptos a isso 24h por dia bem diferente da mulher ,o que faz nos freia são as leis morais da sociedade ,mas alguns estudos dizem que os homem estão mais interessados no relacionamento serio mais do que as mulheres.

3. Como você observa o comportamento sexual da mulher preta?


Entrevistado 01:
A mulher preta na minha concepção é uma mulher mais quente e ativa sexualmente, porém não é para ser tida como objeto sexual ou símbolo sexual.

Entrevistado 02: Só posso dizer as que conheço, em minha cidade... Acho normal, mas vejo até mesmo um comportamento mais pudico em relação às mulheres de outras etnias, de mesma faixa etária. Nunca me detive para saber o porquê desse comportamento.

Marcos Ferr: Não vejo diferença entre o comportamento sexual d mulheres por q possuem raças/cores diferentes, vejo diferentes comportamentos por educação e ambiente de convívio.

Entrevistado 04: Comportamento da Mulher Negra... A maioria reclama dos homens negros, mais com homens não negros fazem de tudo, transa com qualquer homem branco, e quer ser tratada por homem negro como princesa...

Rapper Marcelo Silles: bom eu observo de forma relativa, pois cada tem uma postura. não tem como definir em uma dimensão uniforme.

Entrevistado 06: Uma vergonha. Adoram namorar um branco desde a época da senzala. E dão uma de gostosa com os negros. Por isso prefiro as brancas que me tratam bem.

Selassie: o comportamento sexual delas funciona do meio que elas esta inserida ,se ela tiver no baile funk com umas amigas ela vai se comporta da mesma forma que qualquer funkeira se é que me entende ,se ela for evangélica ela vai se recata , então não tem como dizer que é diferente pois isso e mito.

4. Como você entende que a mulher preta lida com sua sexualidade?

Entrevistado 01: Normalmente, só que, às vezes, em uma minoria as pretas gostam de serem observadas ou vistas como símbolo sexual.

Entrevistado 02: Por pura coincidência, as mulheres pretas que conheço pertencem ou estão ligadas a alguma religião, em especial o cristianismo evangélico e o candomblé de nação ketu e angola. Acredito que sua sexualidade seja fortemente influenciada pela religiosidade. Pelo menos, quanto ao comportamento social.

Marcos Ferr: como disse anteriormente, acredito q as mulheres em geral lidam c/ a sexualidade d acordo c/ a educação q tiveram, modo de vida, ambiente de convívio, ñ por causa D SEREM NEGRAS,BRANCAS,ETC.

Entrevistado 04: Como ela lida com sua sexualidade: Penso que a maioria anda perdida com a sexualidade, pois existem no Brasil milhões de mulheres negras sem marido, com obesidade mórbida, dai ficará sim sem ninguém.

Rapper Marcelo Silles: bom entendo que muitas se colocam como indivíduo que obtém o desejo, o aroma do pecado. usam muito esse artifício. mas não deixa de ser uma qualidade e uma essência da mulher preta.

Entrevistado 06: A mulher negra tem uma sexualidade em crise, inveja das mulatas e das brancas que são mais bonitas e gostosas.

Selassie: isso vai muito do comportamento da pessoas, ja conheci negras que eram mais pré disposta a ter relação sexual abertamente e outras não , não ha como definir isso ,pois a mesma negra que era recatada pode mudar depois de uma decepção na relação amorosa

5. O conceito de liberdade sexual, que a maioria das mulheres pretas almeja ou entende possuir, utiliza a figura masculina como base?

Entrevistado 01: Sim, com base no contínuo sistema machista que mesmo com as conquistas femininas ainda impera

Entrevistado 02: Sim. O feminismo, de um modo geral, na busca de igualar os direitos entre homens e mulheres, acabou igualando os COMPORTAMENTOS. Claro que, olhando mais detidamente, percebo muitas mulheres pretas, principalmente mães solteiras, manterem um relacionamento afetivo independente, inclusive financeiramente, unicamente pelo prazer de se sentir livre em uma relação adulta e madura. Mas, majoritariamente, há o estereótipo do macho dominador e impositivo sim

Marcos Ferr: Não sei responder

Entrevistado 04: Penso que essa liberdade sexual seria sim com a figura masculino e espelhar no homem e ter o mesmo comportamento.

Rapper Marcelo Silles: Acredito que sim, pois utiliza o mesma para conquista e sedução, entendem o poder que tem.

Entrevistado 06: Sim. Não sabem o lugar delas, Homem é homem e mulher é mulher.

Selassie: por mais que não assumam elas estão a cada dia buscando parecer com homem, outro dia eu estava vendo aquela marcha das" vadias "as mulheres andando sem a camisa com peito de fora , depois fiquei sabendo que a ideia veio de uma das militantes que tinha lido um cartas de um rapaz dizendo que a mulher sente calor e por isso elas podiam andar sem camisa? pela mor de Ala ne .... então o comportamento delas atualmente tem o homem como modelo sim.

6. Você entende que o feminismo influencia as mulheres pretas no viver da sua sexualidade?

Entrevistado 01: Essa coisa de achar que a mulher é "quente" por causa da etnia e um mito visto que a sexualidade pra mulher não é só relacionada ao prazer sexual, se fosse elas não exitariam em um convite de um homem pra ralação sexual, alias elas nos chamariam o tempo todo pra fazer, e isso pode ser qualquer uma, branca, Negra, Asiática.

Entrevistado 02: Sim. Há outros fatores, mas o feminismo proporciona uma abertura de mente maior, mesmo quando não adequadamente articulado. É como se a ideologia mostrasse o caminho a percorrer, mas não ampara o caminhante no decorrer do caminho.

Marcos Ferr: entendo q o feminismo traz no mínimo uma reflexão sobre os direitos tolidos pela sociedade machista. Acredito q as mulheres tenham acesso a informações d modos e costumes mais liberais graças às feministas e seus movimentos.

Entrevistado 04: e muitas delas se revolta e se torna homoafetiva psicologicamente.

Rapper Marcelo Silles: Sim

Entrevistado 06: O feminismo é coisa de mulher branca e se tem negra feminista tá se parecendo mais uma vez com as brancas.

Selassie: aqui no face eu tive alguns discussões desagradáveis com algumas mulheres feminista, eu sempre apoiei o feminismo, antes de entra em conflito com algumas, depois desses debates fui procura analisar o que se passa dentro desse movimento e descobrir que feminismo não e bem o que parece ser pesquisado uma das coisas que descobri é que a maioria das feminista não está no movimento pra conquista mais espaço como eu imaginava, mas sim “ódio aos homens” lógico que elas não vão assumir, mas todas que debateram comigo tinha esse problema, o rancor de algum homem que não a tinha tratado bem, e começaram a reclamar de todos os homem” todos” são varias coisas que descobri que me fizeram abandonar esse movimento de vez! mas não vou perder meu tempo lutando contra, esse feminismo e usando sim pra sexualidade, pois elas querem a liberdade sexual que nos homem aparentamos ter, aparentar, pois não são todos homem que tem esse liberdade que muitas acham que nos temos, hoje elas conquistaram isso sim, qualquer mulher pode transar quando quiser como fazem ne rs , mas a liberdade que elas buscam , e não ter a moral ferida quando transar com uns 15 caras e sair mal falada ,pois ainda andamos em uma sociedade que neste caso concordo machista em oprimir o lado sexual das mulheres.

E você, o que pensa? Comente, discuta, apresente novas ideias e participe! 


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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A AMANTE DO MEU MARIDO E A OUTRA DO MEU NAMORADO - OS HOMENS PRETOS E AS RELAÇÕES EXTRACONJUGAIS


Por Malachiyah Ben Ysrayl - Historiador e Hebreu-Israelita

E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos


Se você puder responder as perguntas abaixo, ficarei agradecido, se não puder, agradeço também.

Você acha que existe uma prática poligâmica não oficial no Brasil? Se existir, essa prática pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais? Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?

Foram com respostas a essas perguntas que este texto foi produzido. Ressalto, de início, que este não está baseado em nenhuma metodologia de pesquisas acadêmicas. São apenas reflexões, logo, não possuem o objetivo de depreciar os homens pretos que nesta sociedade racista são considerados violentos e irresponsáveis ou defender a pratica da poligamia.

Antes, todavia, não podemos esquecer que somos descendentes de prisioneiros de guerras impetradas pelas civilizações brancas e cristãs em séculos anteriores que culminou na escravidão nas Américas. Como resultado, todas as nossas relações foram influenciadas pelas mazelas.

Destaca-se, também, que a prática poligâmica em território africano se acentuou em larga escala após a invasão e islamização das terras ancestres, que alterou o patriarcalismo criando novas concepções sociais de famílias.

Quando se fala em poligamia, imediatamente o território africano é citado, inclusive nos dias atuais. Jacob Zuma, presidente da África do Sul tem várias esposas e questionamentos são levantados dentro do seu próprio país.

Não vou me ater a conceituações de poligamia e patriarcalismo, o que me interessa é entender, sem as conceituações da academia, o que algumas pessoas pensam sobre este tipo de relacionamento. Diante disso, questionei a alguns amigos e amigas no Facebook. As respostas foram bem distintas e deixo-vos para tirar as próprias ilações, sem citar os nomes das pessoas que gentilmente responderam as minhas indagações. Outras, por diversos motivos não quiseram responder, as agradeço também.

Vejamos os parâmetros escolhidos aleatoriamente:

Perguntas:

1. Você acha que existe uma prática poligâmica não oficial no Brasil?
2. Se existir, essa prática pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais?
3. Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?

Dentre os entrevistados, que aceitaram responder às perguntas, apresentaram-se as seguintes tendências:

Mulheres:

19 mulheres, dessas:
07 entendem ser essa uma prática ancestral.
12 entendem ser essa prática irresponsável

Homens:

14 homens, desses:
06 entendem ser essa uma prática ancestral.
06 entendem ser essa prática irresponsável
02 não souberam responder

Resultado integrado:

Prática Ancestral: 12 pessoas
Prática irresponsável: 18 pessoas.
Não souberam responder: 02 pessoas.

Entre as respostas coletadas, alguns trechos foram selecionados, guardando a coerência do discurso apresentado, para ser interpretadas pelas leitoras e leitores que participaram do debate.

HOMENS PRETOS:

“Todo homem é predador e fraco espiritualmente. E aquele que diz o contrário, é um verdadeiro demagogo.”

“Na verdade, essa prática não passa de mera carência afetiva. Somos homens pra uma mulher só e sofremos muito com a ideia de perdê-las.”

“Debatemos muito que foi suscitado. E por este motivo, muitos valores se confundem. Mas, no Brasil, temos uma matriz judaico-cristã e, logo, as duas coisas se confundem. A responsabilidade conjugal é uma falha e tanto, penso eu, em um pais como o nosso, multicultural”

“Poderia ser herdado pelos ancestrais, mas acho que nos tempos de hoje as relações estão bem bagunçadas mesmo.”

“No meu curso de relações raciais, uma bióloga negra polemizou, dizendo que com o extermínio de homens pretos, será normal um dia, a mulher preta admitir que divida homem.
Daqui a pouco será o meio de sobrevivência do grupo negro, primeiro tem mais mulher que homem no Brasil e os pretos são os que mais morrem”.
“vejo como fato natural, não só do homem negro, talvez seja a influência herdada, o desejo de sexo diversificado, talvez isto.”

“Outra questão por mim observada aqui onde passo, é que as mulheres negras entrevistadas não gostariam de ter filhos com pais negros, sentem-se constrangidas em ter filhos de cor preta, alegação para o preconceito por elas vivido.

Fiz algumas observações a respeito do assunto com jovens negros (as) e pude observar que as opiniões são as mesmas. Meninas pretas admiram jovens brancos, mas não um só, admiram mais de um garoto e em muitos casos acabam ficando com mais de um, o jovem preto tem a mesmo opinião, mas escolhe apenas uma branca”

“A poligamia e o patriarcalismo apenas se parecem, mas são muito diferentes. A poligamia não herda tradição familiar, no patriarcalismo tradição em primeiro lugar (entendendo-se tradição como núcleo familiar).”

“O que temos na sociedade ocidental é poligamia e nas sociedades africanas patriarcalismo. O homem ocidental é incapaz de manter um núcleo familiar. O africano é pai desde os primórdios do mundo, é pai por natureza, está nos genes.

O europeu destrói a família, o africano constrói a família.

Esta ideia que o africano é polígamo é uma tática para diminuir a população negra.

Veja: todos os grandes patriarcas eram negros. Não conheço nenhum patriarca branco.”

“Não acredito que exista essa prática não - Existe uma cultura de que homem preto não pode ser fiel "dada a sua natureza" - e isso é pura balela - Somos fiéis sim - até porque somos religiosos demais. Antigamente era socialmente impossível ao negro ter uma família só porque ele não conseguia dar conta nem dele daí uma mulher aqui pra ajudar; outra ali pra emprestar o do cigarro, e por aí vai. Homem é homem independentemente da cor em qualquer lugar.”

“Estou há alguns anos fora do Brasil, no entanto, posso te falar algumas coisas daqui da África Austral:
A poligamia é muito praticada aqui ainda hoje. E, sim, é uma cultura herdada dos ancestrais.
Com o aumento das missões católicas e evangélicas, isso tem diminuído um pouco, mas existem lugares em Mozambique, por exemplo, que se o homem não tem três esposas, ele não tem boca para opinar na aldeia, queria dizer, ele ainda não tem boca.”

“Então... sobre existir, certamente existe. Mas, não de uma forma conversada, discutida. Via de regra, velada. O que acarreta inúmeros problemas.
Sobre ser herdada de nossos antepassados, não creio.
Não defendo necessariamente a monogamia estética, ornamental. Mas, mesmo sabendo das múltiplas possibilidades relacionamentais em Afrika, pensar em recriá-las/vivenciá-las aqui, fazendo uma transposição anacrônica do que nos convém,seria muito conveniente. Vivendo em uma realidade de masmorra, como essa quem que estamos inseridos, me parece meio fantasioso, pensar em pescar somente alguns elementos. A cura da doença que a branquitude nos criou tem de ser completa não esporádica... com micro elementos. Por isso, mesmo tendo críticas à imposição monogâmica ornamental, que reside na maioria das relações, com exceção de algumas, penso que poligamia, mesmo num contexto de centralização e empoderamento das famílias, da comunidade, vislumbrado e possibilitado em algumas estruturas policonjugais (diferente de poligâmicas), não é algo pensado de fato. Via de regra, é só uma postura de se relacionar multiplamente, e descompromissadamente.”
“A mulher preta aceita a poligamia e sabe que o homem preto tá na moda. Elas sabem que se não tratar os homens bem, as brancas estão atrás de nós.”
“Acho que existe sim, é extrema e é uma falta de responsabilidade, respeito em todos os sentidos...
Isso falta de responsabilidade e respeito na relação conjugal...
Conheço pelo facebook um advogado branco homosexual que diz ter relação sexual somente com homens Negros, casados e solteiros, que fala que a coisa mais fácil é conseguir um homem Negro para se relacionar.

Diretor Pedagógico do curso de inglês com Cultura Negra Ebony English (www.ebonyenglish.com.br):
“Poligamia diz respeito à relação seres vivos preservam mais de um vínculo sexual no ato ou época de reprodução. Nos humanos, a poligamia é vínculo matrimonial
entre mais de duas pessoas.
É preciso fazer uma distinção entre o entendimento da poligamia enquanto fenômeno biológico manifesto e praticado entre várias espécies de seres vivos e a poligamia enquadrada por preceitos morais diversos e que tendem a colocar "poligamia" e "amantismo" na mesma vala comum.
Algumas civilizações aprovam e dão suporte ao ato da poligamia, enquanto relacionamento institucionalizado.
Em algumas localidades do leste europeu e do Oriente Médio há também registro da
união matrimonial com mais de 3 membros em uma mesma família.
Há indícios de que a religião Mórmon pratica a poligamia desde a sua fundação oficial pelo "profeta" Joseph Smith, em 1820.
Do ponto de vista científico, creio ser razoável a presunção de que quando a espécie Homo Sapiens partiu do leste Africano para povoar os demais continentes, o fez em ondas migratórias distintas, em grupos relativamente homogêneos e pequenos. A sobrevivência destes grupos dependia de um mínimo de articulação e noções de
liderança para as manobras de caça, pesca, abrigo... e sexo! Neste sentido,
eventualmente o líder do bando teria "privilégios sexuais", para o caso de uma das membros do sexo feminino adoecer ou morrer ao longo do deslocamento migratório.
Dado ao estado evolutivo embrionário daqueles primeiros seres humanos, nem
mesmo o ato sexual incestuoso poderia ser desconsiderado.
Com o surgimento e o aprimoramento das regras de convivência em civilizações estabelecidas (resultantes da fixação de populações humanas em determinadas coordenadas geográficas), a instituição "matrimônio" foi se redesenhando, com o
acréscimo de dogmas e tabus de ordem espiritual, moral e religiosa que acabaram
por abolir, estigmatizar e na maioria dos casos condenar severamente a prática da
poligamia.
As civilizações modernas, notadamente a grande maioria das culturas cristãs-
ocidentais condenam a prática da poligamia.
Há uma corrente científica que defende a tese de que o fator "domínio genético" (no
sexo masculino de uma grande parte dos seres sexualmente reprodutivos) é ainda c
um traço característico do nosso Complexo-R [a região mais velha e mais primitiva de nossa massa cinzenta; o centro de agressão/sobrevivência de nossa existência], e que ele seria o responsável pelo impulso nos seres vivos do sexo masculino a garantir a sobrevivência de sua espécie através da multiplicação em massa de sua prole e, por extensão, de sua carga genética, a qual tenderia a se sobrepor sobre "os
outros reprodutores concorrentes".
Não existe correspondência entre etnia e poligamia. A formação da assim chamada "civilização brasileira" se deu em circunstâncias específicas. Os europeus
aqui chegaram e uma das primeiras providências dos colonizadores recém-chegados foi estuprar um grande número de índias virgens, não havendo qualquer freio em seus arroubos sexuais, mesmo para aqueles colonizadores que aqui desembarcassem já casados e com família constituída.
As próximas vítimas (por mais de 300 anos) foram às mulheres negras, que eram estupradas já na África, e também durante "a grande travessia" e ao desembarcarem em solo brasileiro. Há registro de jesuítas que eram donos de africanas escravizadas e que eram mantidas apenas para a satisfação de práticas sexuais escusas:
Os homens africanos escravizados só tinham duas funções em território brasileiro:
trabalhar e reproduzir até morrer. O vínculo matrimonial era desencorajado e mesmo que esses ocorressem os senhores latifundiários continuavam a subverter (sexualmente, vale lembrar) os laços precários de vida conjugal dos escravizados e seus descendentes de forma sistemática.
A análise a ser feita é: o que veio primeiro, a poligamia enquanto estratégia de sobrevivência ou as regras que se esforçam em tornar a estratégia inapropriada para o convívio em sociedade?
A discussão estimula a discussão em várias abordagens e espero que as reflexões acima venham a contribuir com a discussão.”

MULHERES PRETAS:

“Minha pergunta é: os homens pretos daqui praticam a poligamia ou o adultério? Ou poligamia e adultério são a mesma coisa?”

“Eu penso que a poligamia praticada pelos homens pretos é resultado de uma herança machista, que está presente em quase todas as culturas. E que continua incentivando este tipo de comportamento onde os homens justificam seu comportamento pernicioso pelo simples fato de serem homens.”

“Primeiro tendo a acreditar que algumas tribos africanas tinham a pratica da poligamia, mas num outro contexto. Onde as relações sociais se davam de outra forma.
Em relação à segunda pergunta acredito que seja um misto de baixa autoestima, conjugada com a imagem machista e super sexualizada do homem preto.
Mas não acredito que na sociedade atual não da pra encarar a poligamia como uma postura vantajosa. Somente do ponto de vista da variabilidade de parceiras. Não posso conceber que se prefira isso à construção de uma família, por mais que questione o modelo de família branca. Acho que essa postura reflete a autodestruição e auto-sabotagem que permeiam a construção da psique masculina negra.”

“Considero falta de responsabilidade....gostei da ideia podemos discutir mais, gosto disso....Considero safadeza.”

“Não creio que exista poligamia não oficial no Brasil. Parece-me que para ser considerado polígamo o homem deveria ter responsabilidades com as duas mulheres, algum laço para além das relações sexuais. Acredito que temos sim, um afrouxamento do comprometimento nas relações. Não creio que nossa ancestralidade interfira neste aspecto.”

“Acho que esta no caráter da pessoa, visto que traição não esta no DNA e sim no comportamento de cada um. Me fiz entender?”

“Sim, existe. Porém não se trata de uma herança dos ancestrais, creio que seja uma irresponsabilidade na relação conjugal, se valer na herança ancestral é muito fácil para justificar o mau caratismo e a falta de respeito e consciência. Mas, não é verdade que se herda mau caratismo e canalhice.”

“É fácil por culpa nos defeitos nos nossos ancestrais pretos isso está bem arraigado na nossa cultura preconceituosa e racista.
Não acredito, principalmente porque as relações atuais não são baseadas em comprometimento e sim em instantaneidade.
Penso que na década passada o adultério era moda, assim como na década de 80 a moda era o consumo de drogas; atualmente creio que com tanta liberdade e independência entre mulheres e homens, que o compromisso casamento é uma decisão muito pensada.
Se existir está pratica pelos homens pretos foi herdada dos ancestrais?
Sinceramente vejo muito mais homens brancos com práticas poligâmicas do que homens negros; afinal quantos negros existem no Brasil com esse poder financeiro?
Ou uma falta de responsabilidade na relação conjugal?
Creio que atualmente exista muito medo do comprometimento devido a diversos fatores:
1. Muitas mulheres no mercado.
2. Masculinidade questionável/flexível.
3. Homens imaturos e mulheres controladoras
4. Falta de exemplos consistentes dentro de casa
5. Idealizações utópicas
6. Troca de valores. Formar uma família não é mais um valor dentro da sociedade.”

“Pelo que tenho estudado algumas praticas que nossa sociedade cultiva advém de uma carga de característica que foi transmitida hereditariamente."

Dentre as respostas, uma foi selecionada, de maneira exemplificativa, para que fossem tecidos alguns comentários que se julgaram pertinentes.

Uma irmã disse:

“Com certeza é cultural como também uma questão de sobrevivência e mantenedora de muitas sociedades africanas. É um meio de repor as grandes perdas de óbito infanto-juvenil.
Isso é ainda mais comum no nordeste. Que Rio de Janeiro e São Paulo há muitos nordestinos e seus conceitos também influenciam essas cidades na formação da população
As separações são comuns quando a mulher cobra muita fidelidade, muitas sabem e aceitam por questões de dependerem de seus esposos dependência do esposo ou mesmo gostarem deles para não perdê-lo se sujeitam.”

Comentários:

Notei que os pareceres são bem distintos. Entre eles, a resposta acima atribui ao fato do homem preto possuir várias mulheres ser advindo de uma diferenciação regional, entre pretos nordestinos, muitos deles imigrantes que foram para o sudeste, e pretos sulistas.
Salvo melhor juízo, não conheço pesquisas estatísticas ou sociológicas que corroborem com a ideia apresentada. Neste caso, cabe a pergunta: será que os homens pretos cariocas, mineiros, capixabas e paulistas são diferentes nas suas atitudes com as mulheres pretas? Ou tal opinião retrata uma manifestação racista introjetada no ideário popular, inclusive reproduzida por militantes do Movimento Preto Organizado?

Estudos sociológicos (GUIMARÃES: 2009) apontam que ocorreu uma “mutação” do racismo contra pretos para racismo contra nordestinos, nos dizeres do autor: “Dito de outro modo, “baianos” e “nordestinos” passaram a ser, neste contexto, uma codificação neutra para os “pretos”, “mulatos” ou “pardos” das classes subalternas, transformados, assim, nos alvos principais do “novo racismo” brasileiros”.

Logo, não está descartada a possibilidade daquele comentário ter sido fruto de um racismo intrínseco, afinal será que o homem preto do sudeste não tem outras relações afetivas sendo casado ou namorando?

CONCLUSÃO

E vocês, leitoras e leitores, o que pensam desse assunto? Será que as relações extraconjugais do homem preto são fruto de uma herança genética ou, como alegado pela maioria dos entrevistados, fruto de uma prática irresponsável? Comentem.

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domingo, 13 de maio de 2012

A MULHER PRETA E O DESAFIO DA MATERNIDADE EM UMA SOCIEDADE RACISTA



Por Walter Passos
Historiador
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano
Facebook: Walter Passos

Os desafios das nossas ancestrais pretas se tornaram dores inextinguíveis com o surgimento do tráfico transatlântico e o sequestro de crianças, adolescentes e adultos. A separação causou sofrimento em milhões de mães africanas, este inimaginável aos nossos pensamentos, e a tristeza pairou em todo o período do sequestro, porque a separação do ventre materno: África: significou a separação de mães amorosas e filhos amados.

Para a mulher preta escravizada nas Américas à maternidade trouxe desafios outrora desconhecidos em terras africanas, afastadas dos rituais religiosos do nascimento e de iniciação em muitas sociedades, abalou o processo identitário, especialmente nos nascimento de gêmeos.

A mulher preta no Brasil Colônia e Império enfrentou desafios em uma nova sociedade, onde os ritos de nascimentos são ignorados, e a maternidade em muitos casos é decorrente do estupro, de nascimento de filhos considerados ilegítimos pelos progenitores; senhores de engenhos e seus filhos e em muitos casos os chamados “filhos de padres”. Propagando uma nova realidade nas relações de maternidade e da escravidão: a crise da mestiçagem e a negação cultural da ancestralidade materna e da própria genitora, casos estes relatados em diversos exemplos na literatura brasileira.

Na escravidão, a função materna da escravizada vai se adequar aos desejos de lucro do senhor de engenho. A gravidez tinha concepções diferentes para muitos senhores de engenho, eram novas bocas a alimentar no processo produtivo, ou uma necessidade de aumentar a renda, sendo assim muitos senhores engravidam as escravizadas, e vendem os bebes considerados por eles, apenas uma mercadoria.

Ocorreu no Brasil, houve uma quebra da ancestralidade e de conceitos maternos africanos com a resistência na prática de aborto e do infanticídio, mais uma vez, a escravidão desfigurou o papel da maternidade, abalando estruturas milenarmente construídas de gestação e criação em território africano.

Nesse ínterim, cria-se no Brasil um elaborado mito de maternidade: a Mãe Preta, uma mulher feliz que amamentava os filhos de senhores e foi ativa participante de um país sem racismo e poucos conflitos. A Mãe Preta da democracia racial de Gilberto Freire e seguidores.

Na realidade, a Mãe-preta foi uma mulher infeliz é obrigada a amamentar os filhos dos seus algozes, enquanto os seus filhos foram vendidos e os que ficaram sofriam de inanição, por pouco leito materno. Muitas escravizadas, as chamadas amas de leite forneceram lucros às boas famílias católicas ao terem os seus peitos alugados para amamentação de crianças brancas.

Abaixo: Fernando Simões Barbosa com ama–de–leite – Euge

Mauricio – Recife, c.1860–1869. Crédito: Fundação Joaquim Nabuco, e Monumento a mãe-preta na matriz da Fraternidade Eclética Universal.

Uma realidade nova se propagou: a função de ser mãe solteira em uma sociedade patriarcal e racista. A dificuldade em criar os seus filhos obrigou as mulheres pretas a deixarem os seus bebes enjeitados nas Santas Casas a Roda dos Expostos.

A pobreza extrema que foi jogada a população preta no Brasil reforça os laços do chamado compadrio, onde muitas crianças foram entregues a parentes, pessoas estranhas e as chamadas comadres endinheiradas ou de melhor situação financeira criando uma rede de exploração de crianças que em muitos casos serviram como serviçais nas residências de famílias mais abastadas. As mulheres pretas não foram culpadas dessas atitudes.

Com o advento da abolição da escravatura a mulher preta traz consigo os traumas da escravidão e novos desafios teve que enfrentar, por causa da maioria das famílias desestruturadas. Além da pobreza, aprender a vencer desafios e preconceitos em uma sociedade judaico-cristã: Mulher preta, pobre e mãe-solteira.

2PAC - DEAR MAMA (LIVE) - LEGENDADO


A mulher preta é uma heroína na sociedade racista, não só como provedora de muitos lares, mas, como sustentáculo das tradições ancestrais. Quando os seus filhos e filhas começam a enfrentar as discriminações por causa da cor da pele, a mãe é o apoio e a orientação para a preservação da autoestima. E ela que suporta e procura os meios de combater a discriminação, é o verdadeiro amor que sofre com as tristezas e exulta com as vitórias.

O desafio da maternidade ainda é para muitas mulheres pretas questões de profundas análises, porque só elas sabem, os grandes desafios que vão enfrentar para o sustento e a educação dos seus filhos e filhas.

Felizmente, as mulheres pretas apesar das dificuldades herdadas da escravidão dos nossos ancestrais e dos novos desafios após a abolição da escravatura, tem mantido as nossas tradições e formando gerações de pretas e pretos orgulhosos de terem o prazer de chamar uma mulher preta de: mãe.


SIZZLA - THANK YOU MAMA


Shalom!

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terça-feira, 1 de maio de 2012

BECCA – A REVELAÇÃO MUSICAL DE GANA - NÃO A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


Por Malachiyah Ben Ysrayl.
Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebanoLinkFacebook: Walter Passos

Rebecca Akosua Acheampomaa Acheampong, conhecida popularmente como Becca, é um dos mais novos multitalentos de Gana e de toda a África. Nascida em 15 de agosto de 1984, em Kumasi na região de Ashanti, Gana, África Ocidental.

É a quinta filha de uma família de nove irmãos, estudou na Inglaterra na London’s Croydon College, especializando-se em cuidado e educação infantil, retornando em seguida para Gana para aplicar seu aprendizado. Becca além de ser um afro pop, também é uma talentosa atriz, com um dos salários mais alto da África.

Vencedora de vários prêmios, ela tornou-se uma das vozes mais audíveis sobre os problemas que envolvem crianças carentes de Gana, participando de projetos sociais de apoio às crianças portadoras do vírus HIV e que estão em prisão. Becca tem sido aclamada pela crítica, não apenas por militar contra os problemas sociais de seu país, mas especialmente por suas lutas pelos direitos e especificidades das mulheres africanas. Em African Woman, Becca demonstra a sua sensibilidade e homenageia a força, caráter e a coragem da mulher africana. Assista esse belo clipe abaixo:

'AFRICAN WOMAN' - BECCA


SCORNED, um importante filme dirigido e produzido pela cineasta Shirley Frimpong Manso, retrata a violência domestica.



Na canção DAA KE DAA, Becca relata a violência doméstica, sendo o clipe com cenas do filme acima, vale a pena conferir:

DAA KE DAA





GMA 2011 - BECCA PERFORMS AFRICAN WOMAN
NO JUBILEU DE GANA:


África, celeiro inesgotável de musicalidade, força e beleza, conjugando em Becca uma das mais belas vozes, tanto por sua grande versatilidade vocal, movimentos dinâmicos e carisma, quanto pela defesa das crianças e mulheres africanas.

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PRETAS POESIAS

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