Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos@gmail.com
É fundamental nos estudos afrocêntricos compreender o continente africano e asiático como uma continuidade geográfica (de fato, até a construção do moderno Canal de Suez, em 1869) é indispensável para reafirmação da verdadeira história e dinâmicas sociais. Afirmar também que toda essa extensão geográfica constituía a dinâmica de populações preta: suas civilizações, relações comerciais, religiões, conflitos, e principalmente o reflexo do modo africano de viver em sociedade.
Esse artigo versará regiões e pessoas de origem africana, incontestavelmente pessoas pretas, que formaram incríveis civilizações por acinte omitidas pela história eurocêntrica, embranquecida.
O fato histórico a ser descrito ocorreu entre 485 a 465 a.C (antes do nascimento de Yeshua, o Messias) e têm encontrado no Livro de Esther alguns de seus principais personagens:
1-E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias,
2- Que, assentando-se o rei Assuero no trono do seu reino, que estava na fortaleza de Susã.
Xerxes I (خشایارشا) foi um rei persa (reinou de 485 a 465 a.C), da dinastia aquemênida. "Xerxes" é tentativa na língua grega de soletrar o nome persa Khshayarsha. Na Bíblia Xerxes I é conhecido como Assuero.
Xerxes I (Assuero) e Rodrigo Santoro No filme “300”, mais uma vez o cinema nega a negritude das personagens.
5- Havia então um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, homem benjamita,
6- Que fora transportado de Jerusalém, com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei de babilônia.
7- Este criara a Hadassa (que é Ester, filha de seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era jovem bela de presença e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha.
Então, temos duas personagens principais: Assuero e Hadassa, duas personagens negras atuando em uma cidade negra chamada Susã.
Antes de entrarmos no concurso de beleza negra iremos falar sobre as principais civilizações inseridas neste contexto histórico:
Os Elamitas
Gênesis 10:21-22 - A Sem, que foi o pai de todos os filhos de Eber e irmão mais velho de Jafé, a ele também nasceram filhos. Os filhos de Sem foram: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arão.
Elão foi uma das mais antigas civilizações da Terra e teve como berço as antigas civilizações de Khemt (Egito) e de Cush, da mesma forma que os sumérios tiveram.
Os Elamitas se originaram no Vale do Nilo e fizeram parte das migrações africanas das pessoas dessa área, cerca de 8000 a.C a 5000 a.C. O estabelecimento do reino de Elão localizou-se onde os habitantes eram em sua maioria puramente pretos (nos termos antropológicos Negroide-Astraloid), da mesma escala das pessoas pretas que habitam o Sri-Lanka e o sul da Índia. Alguns dizem serem os Elamitas cushitas puro-sangue.
São descritos também como pessoas baixas e robustas de epiderme marrom, cabelos e olhos crespos e pretos, que habitaram uma considerável parte do continente asiático em tempos antigos, como se pode observar nas imagens por eles desenhadas.
Depois na história entrem 750 d.C a 450 d.C os Assírios invadiram militarmente os Elamitas e o dominaram saqueando quase completamente a região da Babilônia.
Observem o detalhe do cabelo crespo, a barba e o nariz tipicamente com traços Cushitas, africanos.
OS HEBREUSNão há duvidas sobre a negritude dos verdadeiros hebreus, apesar de hoje habitarem a terra prometida, pessoas caucasianas que não são os verdadeiros descendentes de Abrão, Isaque e Jacó. São os Askenazis convertidos a tradição dos hebreus, e em breve faremos um artigo especial sobre esse fato.
A arqueologia, o Primeiro Testamento e os hebreus pretos espalhados no continente africano e americano nos dão as provas consistentes da aparência de Hadassa, a mulher preta que venceu o primeiro concurso de Beleza negra realizado na cidade Susã.
Os relatos sobre a vida de Moisés no Primeiro Testamento atestam a sua negritude.
Obeliscos encontrados em escavações, que atualmente estão no Museu britânico:
Hebreus no cativeiro - Olhem os detalhes são pessoas pretas
O CONCURSO DE BELEZA NEGRA
2-Então disseram os servos do rei, que lhe serviam: Busquem-se para o rei moças virgens e formosas.
3- E ponha o rei oficiais em todas as províncias do seu reino, que ajuntem a todas as moças virgens e formosas, na fortaleza de Susã, na casa das mulheres, aos cuidados de Hegai, camareiro do rei, guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus enfeites.
4- E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em lugar de Vasti. E isto pareceu bem aos olhos do rei, e ele assim fez.
O Império Persa possuía regiões que iam da Etiópia até a Índia, e de lá vieram dezenas de mulheres pretas, sendo escolhidas as mais belas e formosas, objetivando de se escolher a esposa do rei Assuero (Xerxes I). A beleza da mulher negra sempre foi ressaltada e louvada nos escritos da antiguidade, inclusive o preto Salomão, foi um admirador e apaixonado pelas mulheres originais - as mais belas do planeta. O seu amor pela Rainha Makeda ou Balkis do reino de Sabá, tornou-se a mais conhecida das histórias de amor da literatura mundial.
16- Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à sua casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
17- E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens; e pôs a coroa real na sua cabeça, e a fez rainha em lugar de Vasti.
18- Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; e deu alívio às províncias, e fez presentes segundo a generosidade do rei.
Entre dezenas de lindas jovens de diversas nações pretas, Hadassa (Ester) foi considerada a mais bela entre as belas e teve posteriormente um papel fundamental na preservação do seu povo, evitando que o mesmo fosse exterminado. Em outro artigo escreveremos da Negra Hadassa, amor ao seu povo e Purim.
The Elam Empire - Ancient history





É o primeiro CD Infantil com história e jogos interativos sobre História da África direcionado especificamente para as crianças e adolescentes. 
Nasceu em 16 de julho de 1862 em Holly Springs, Mississipi, filha do carpinteiro James Wells e de Elizabeth "Lizzie Bell" Warrenton Wells, escravizados libertos. Após a Guerra de Secessão, os seus pais e um irmão caçula morreram de febre amarela em uma epidemia que ocorreu no sul dos USA. Amigos e parentes decidiram que as seis crianças, filhos do casal, seriam criadas por tios e tias, causando a separação familiar. Ida desaprovou a idéia e retirou-se da escola, tornando-se professora para criar e sustentar os seus irmãos e manter a família unida. Retornou aos estudos não deixando de trabalhar, concluindo o ensino médio.

Os Brancos traziam seus familiares, inclusive crianças pequenas para assistir; os jornais anunciavam antecipadamente, as ferrovias realizavam excursões com grandes números de bilhetes vendidos, os linchamentos eram anunciados até nas igrejas brancas. Partes do corpo dos negros vitimados: dedos, orelhas, ou genitália eram adquiridos como lembranças. O linchamento tornou-se um lazer e uma maneira de impor o terror e controlar as aspirações da população preta, tentando demonstrar que após a escravidão o preto americano era um refém dentro dos USA e tinha que saber o seu lugar de cidadão e cidadã sem direitos.
A imagem abaixo é um exemplo do trabalho de Ida como jornalista e advogada em prol dos Direitos Humanos. Ela foi publicada em The Richmond Planet, em 26 agosto de 1893. 

Uma classe de rádio para os jovens no Projeto Habitação Ida B. Wells, 1942. 

Samuel Sharp nasceu na Jamaica em 1801 foi um homem letrado, estudioso e pastor da Igreja Batista. Ledor de diversos jornais ingleses observou que deveria implementar mudanças e liderar o seu povo e não confiar nos escravizadores. Ele passou a maior parte do seu tempo viajando para diversos estabelecimentos em St. James educando os escravizados sobre cristianismo e liberdade, formou uma sociedade secreta e se reunia a noite para planejar a luta pela emancipação; explicava o plano aos seus partidários escolhidos após as reuniões religiosas e os fazia beijar a Bíblia para mostrarem sua lealdade. Os participantes repassavam às outras paróquias, até que a idéia se espalhou ao longo de Saint James, Trelawny, Westmoreland, e até mesmo Saint Elizabeth e Manchester. Um orador de extrema sapiência que contagiava a platéia e usando palavras bíblicas afirmava que”
Em sua homenagem, também está o retrato na nota de cinqüenta dólares Jamaicanos.