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quinta-feira, 30 de julho de 2009

A GUERRA NEGRA - GENOCÍDIO DOS ABORÍGENES DA TASMÂNIA

Por Walter Passos, historiador e teólogo

Pseudônimo: Kefing Foluke.

E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Facebook: Walter Passos

Skype: lindoebano

Na história das civilizações pretas ainda se pauta os estudos na invasão do continente africano, desenvolvendo uma pedagogia histórica restritiva e de negação das migrações do primeiro povo pelo planeta.
No século XIX os ingleses invadiram o continente atualmente conhecido por Oceania e realizaram um dos mais violentos genocídios da história mundial, destruindo civilizações milenares em um projeto de apropriação territorial, expropriação de riquezas, extermínio dos habitantes e a conversão forçada ao cristianismo.
Temos que entender esse projeto devastador do colonizador inglês como um ato de racismo, mais uma vez o invasor branco, com a sua idéia deformada de supremacia racial consegue ter atitudes diferentes conforme os seus interesses. A Inglaterra traficou escravizados do continente africano e combateu o tráfico quando mudou o seu modo produtivo com a Revolução Industrial.
Uma das regiões mais afetadas foi a Tasmânia, ilha e estado australiano situado a 240 km da costa sudeste da Austrália.
Sua superfície é de 65 022 km² e ela contava, em 2002, com uma população de 474 000 habitantes.
A população da Tasmânia provavelmente ultrapassasse 5.000 pessoas com uma história de mais de 10.000 anos que fora maldosamente destruída por uma nação racista que se dizia pautada nos ensinamentos bíblicos. Os habitantes da Tasmânia não tiveram chances de sobrevivências e foram exterminados.
A invasão do Império Britânico resultou no genocídio de milhares de “aborígenes” que resistiram bravamente à invasão colonial, tendo como resultado a deportação à Ilha Flinders, onde a vida dura escravizada e doenças levaram a extinção do valoroso povo da Tasmânia que não se deixou abater.

Atualmente os descendentes de ingleses habitam a ilha e sorriem como se nada tivesse acontecido.

Flinders Island Lions Club

Guerra Negra é usada na historiografia para ressaltar o extermínio realizado pelos ingleses contra a população preta da Tasmânia, sendo de vital importância compreendermos que a guerra realmente começou quando os ingleses desembarcaram em 1803 na Tasmânia com o projeto de extermínio do povo local, apesar da historiografia branca datar de 1828 a 1832. Em 1º De dezembro de 1826, a Tasmanian Colonial Times, jornal de circulação da época, declarou:

“Não fazemos exibição enfática de Filantropia. Dizemos isto sem ressalvas, à autodefesa é a primeira lei da natureza. O Governo deverá retirar os nativos - Se não, eles serão caçados como animais selvagens e destruídos!”

Cartaz usado para enganar o povo preto

Em 1816 antes da Guerra Negra representando o tenente-governador Arthur com a "política de amizade e igualdade de justiça" para “assentados” e Aborígenes.

O Governo devidamente declarou lei marcial em novembro de 1828 e "Brancos foram autorizados a matar negros à vista" (que foi por isso que nenhum colono branco nunca foi condenado pela morte de um aborígene). A recompensa foi fixada de £ 5 por adultos, £ 2 por criança.
Prêmios foram dados a captura dos nativos e além da guerra muitos morreram ao contraírem a gripe dos invasores.
Uma das táticas dos invasores ingleses foi o uso de pastores para enganar e persuadir os habitantes, fato esse ainda muito forte nas comunidades africanas e afro-diásporicas. Na Tasmânia invadida quem se deu a esse papel foi o pastor George Augustus Robinson “Protetor de Aborígenes”, chamado a montar uma "missão amigável" para encontrar os 300 restantes nativos na Tasmânia. Iludiu os nativos levando-os a escravidão e a morte. Um dos grandes objetivos da igreja cristã foi a “purificação” do povo preto que conseguintemente levou a destruição.
Robinson recebeu em pagamento um total de 8.000 libras em seu papel como protetor de Aborígenes. Ele construiu uma pequena comunidade, que incluiu uma igreja e chamou a área de “Ponto de Civilização”. Muitos dos indígenas que viviam no porto tinha sido removido sob falsos pretextos a partir de seu verdadeiro lar na Tasmânia. O Ponto de civilização foi essencialmente uma fábrica que existia para transformar os chamados “selvagens” em cristãos. Entre os 300 nativos que foram atraídos para a ilha apenas 40 permaneceram por meados dos anos de 1840. A maioria tinha morrido devido a doenças e a exploração do pastor.
Uma das práticas dos britânicos foi o rapto das mulheres para serem usadas sexualmente e as crianças foram tratadas como escravizadas. A grande tática dos invasores foi à destruição da família preta.
Caçaram o povo preto por diversão, raptaram, violaram as mulheres criando harens, desenvolveram o instinto de perversidade com uma disciplina da escravatura – com castigos e flagelos: desde chicoteadas com couro de Canguru a mulheres e crianças arrastadas nas fendas das rochas até terem os seus miolos expostos. Os cristãos britânicos na Tasmânia serviam ao Satanás que tem prazer em tentar destruir o povo original, feito a imagem e semelhança de Yah.
Foi necessária a resistência, então o governo britânico declarou a “Guerra Negra” que durou de 1828 a 1832. Em 1830 eles criaram a linha preta que objetivava destruir os povos da Tasmânia.
Mannalargenna (1770-1835), um chefe-guerreiroTasmaniano, foi o chefe dos Ben Lomond (Plangermaireener).
Como líder do Plangermaireener, ele organizava ataques de guerrilhas contra soldados britânicos na Tasmânia durante o período conhecido como a Guerra Negra. Manalargena tinha sido capturado por George Augustus Robinson e acompanhou-o, juntamente com Truganini em sua "missão amigável" para mover o restante da população aborígine para a Ilha Flinders. Infelizmente eles acreditaram nos invasores e foram traídos como foi Ganga-Zumba no Quilombo dos Palmares e Preto Cosme na Balaiada.
Em 1859 os números eram estimados em cerca de uma dúzia, o último sobrevivente morreu em 1876.
Sobrevivente do genocídio inglês foi à grandiosa mulher preta Truganini (1812-1876), sendo a última do seu povo. Teve uma vida difícil apesar de ser filha de um mangana (Chefe), pois com a presença dos invasores ingleses, a sua mãe foi assassinada por baleeiros, e o seu primeiro noivo foi morto ao tentar resgatá-la de um rapto. As suas duas irmãs Lowhenunhue e Maggerleede, foram seqüestradas e levadas para a Ilha Kangaroo, na região sul da Austrália e vendidas como escravizadas.
Abaixo uma foto dos últimos aborígenes da Tasmânia. Truganini é a última à direita.

Os restos mortais do povo da Tasmânia foram vilipendiados e expostos em museus como troféus de guerra e outros serviram para os estudos dos genocidas.
Um grupo de mestiços atualmente se diz descendente de ingleses e mulheres raptadas aborígenes, fato este em discussão porque perderem o fenótipo e a linguagem ancestral.
As conquistas européias devem ser estudadas como a prática abominável de racismo e destruição. O olhar simplório de simples avanço tecnológico, ou de missões cristãs deve ser sempre questionado. Os povos pretos foram e são as grandes vítimas da tentativa das civilizações brancas de se portarem como os donos do planeta e de suas riquezas. O racismo é anti-evangelho e todo aquele que o pratica serve a Sinagoga de Satanás.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

AS NAÇÕES MAROONS DO SURINAME

Ndyuka ou Okanisi
O Suriname possui seis nações de maroons (quilombolas): Ndyuka ou Okanisi, Saamaka, Pamaka, Matawai, Aluku ou Boni e Kwiinti.
Todas as nações quilombolas partilham uma história de uma repressão brutal aos seus antepassados que foram seqüestrados de várias partes da África para trabalhar como escravizados nas plantações de açúcar, café e algodão no Suriname. Os antepassados recusaram o jugo da escravidão e fugiram para a floresta tropical sul-americana e travaram uma guerra de guerrilha prolongada e vitoriosa aos seus antigos opressores. No decorrer do século XVIII, os colonos holandeses foram forçados a assinar tratados de paz com os grupos Ndyuka (1760), o Saamaka (1762), o Matawai (1767) e os Aluku (1860). Outros grupos Maroon conseguiram também a sua liberdade.
A história das seis nações e sua resistência é bem diferente dos estudos dos quilombos no Brasil onde encontramos uma farta documentação de mocambos e quilombos destruídos praticamente em todo o território nacional, sendo o clássico mais conhecido e ponto de afirmação étnica de luta, os Palmares com Zumbi e seus quilombolas, o qual ainda não foi profundamente estudado apesar de existirem livros, filmes, trabalhos arqueológicos e um memorial.
Há um trabalho incipiente de milhares de quilombos existentes atualmente em território brasileiro com diferentes históricos: fugas de escravos, ex-senzalas, terras doadas ou compradas pós-abolição, posseiros, que leva a conceituações distintas, mas, nenhum deles deve ser comparado às nações maroons do Suriname.
As seis nações maroons tiveram o êxito que os Palmarinos não conseguiram. É uma história viva de lutas por liberdade, terra e africanidade iniciadas em 1670, há mais de 300 anos. É o grande patrimônio material e imaterial da resistência dos africanos na América – Africana, e deve ser fator primordial de apoio dos pan-africanistas em todo o planeta.
No vídeo abaixo retrata a nação Djuka na antiga Guiana Holandesa em 1933. As imagens falam mais altas que as palavras racistas do locutor:
DUTCH GUIANA - LAND OF THE DJUKA 1933

AS LÍNGUAS DOS MARRONS DO SURINAME
Um dos fatores mais lindos da resistência dos escravizados foi à manutenção da língua dos ancestrais e o mais surpreendente é o fato de que sistemas de escritas Africanos sobreviveram aos horrores da escravidão
A LINGUA DJUKA

Nação Igbo e Nação Ndjuka

A nação Ndjuka possui uma escrita própria baseada na língua da nação igbo, que contem 56 letras e foi criada por Afáka Atumisi em 1910 e que continua a ser utilizado no século 21 e 10% dos Ndjuka estão alfabetizados nesta escrita.
É de vital importância o histórico da formação dessa língua. Conta-se que 1908, Afáka Atumisi sonhou com um espírito que lhe disse que era o momento de ensinar aos Ndyuka uma forma de escrever. O espírito prometeu ensinar-lhe um ou dois sinais a cada noite quando o visitasse. E assim aconteceu. Afáka que não sabiam ler e nem escrever, aprendeu 56 sinais silábicos do seu conselheiro espiritual, cada um constituído por uma vogal ou uma consoante seguida por uma vogal.
Em 1910, quando ocorreu o aparecimento do cometa de Halley, Afáka sentiu-se convencido de que tinha sido dado um importante instrumento para a melhoria do destino da nação e começou a ensinar os sinais para o Ndyuka.
Todas as pessoas que aprenderam bem à escrita recebem o título de "bukuman". Afáka foi o primeiro ede-bukuman (chefe da associação de bukuman). Com a sua morte em oito de julho de 1918, Abena da aldeia Saaye, herdou o título e as responsabilidades. Antes de morrer, em 1960, Abena tinha formado o seu filho, Alufaisi Kasitioe, para usar a escrita. Alufaisi treinou André RM Pakosie sobre a maneira de ler e escrever. Em 1 º de julho de 1977, Alufaisi escolheu Pakosie como sucessor para o cargo de ede-bukuman. Quando Alufaisie morreu em 1993, Pakosie assumiu todas as responsabilidades relacionadas com a função de ede-bukuman. Ele lecionou a várias pessoas no Suriname e na Holanda o bom uso da escrita do Afáka. É a única escrita em uso na América - Africana que foi elaborada especificamente por um preto, sendo utilizada em sua grande parte no Suriname e também por maroons na Guiana Francesa.
Os saramakas também criaram um língua que é falada por 24.000 pessoas no Suriname e 2.000 na Guiana Francesa.
Surgiu a partir do contato entre os idiomas Inglês, holandês e línguas africanas (Kongo, Akan e Gbe) além de ter sido fortemente influenciada pelo Português falado pelos sefardins e seus escravizados que foram levados do Brasil. Os judeus sefardins foram grandes aliados dos holandeses e após a derrota destes se refugiaram no Guiana Holandesa onde continuaram como grandes proprietários de lavouras de cana-de-açúcar e de milhares de escravizados. Além disso, as palavras em Português compõem quase 40 por cento de seu vocabulário, incluindo alguns morfemas gramaticais. A língua sarmacaan e todas as línguas crioulas são uma afirmação da africanidade e resistência a língua do escravizador, pois quebra a ideologia do “totalmente domesticado”. Infelizmente alguns pretos e pretas se orgulham de falar e escrever a língua dos escravizadores (português, espanhol, inglês, francês, holandês) melhor do que eles.


A RESISTÊNCIA DA RELIGIÃO DOS ANCESTRAIS E A TENTATIVA DE EVANGELIZAÇÃO
Alabi viveu na segunda metade do século XVIII, foi chefe tribal dos quilombolas saramakas e o primeiro convertido ao cristianismo.
O registro escrito dos missionários que viveram nas aldeias saramakas se estende de 1765 a 1813 e constitui um relato pormenorizado de seu fracasso geral em ganhar almas de Satã, assim como um retrato tocante da resistência saramaka. Os textos foram escritos ao mesmo tempo para a congregação na Europa, enquanto registro inspirador dos sofrimentos e êxitos dos missionários, e como confissão pessoal a Deus, o forte sentido cuja imanência emerge de cada página. Esses textos dos morávios, ricos e teologicamente exóticos, colocam desafio sinalizador ao intérprete que busca compreender o encontro entre europeus e africanos deslocados na América colonial.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832004000100013&script=sci_arttext
As nações mantiveram a religião dos ancestrais apesar das inúmeras tentativas de evangelização da Igreja Moravia, fato este costumeiro de religiões brancas acharem que os povos pretos são adoradores de Satanás. Os moravios empreenderam diversas campanhas e conseguiu converter alguns lideres quilombolas. A questão das diversas igrejas cristãs e os quilombolas merece um artigo mais aprofundado.
A prática africana da religião das nações é uma preciosa forma de resistência, porque sabemos que toda evangelização é a destruição e satanização dos povos pretos. Atualmente cerca de 25 por cento são cristãos - principalmente da Igreja Moravia (alguns desde os meados do século 18), outros Católicos Romanos e, cada vez mais hoje, evangélicos de outras igrejas. A religião praticada pelas nações maroons é uma realaboração dos cultos ancestres africanos e uma reafirmação da africanidade. A base religiosa é de influência principalmente dos povos akan (Ashanti) (Gana), Ewe e Fons (Togo, Benin- antigo Daomé e Ocidente da Nigéria) e do estuário do rio Congo, a região do Lwango . A religião é conhecida por Winti e tem como base a adoração de um Deus Único Criador e Superior , cultos aos ancestrais e as forças da natureza.

Naks Wan Rutu Tapu Kromanti winti dance part2

Em 25 de fevereiro de 1980 o recém independente Suriname foi alvo de um golpe militar que se instalou no país até o início dos anos 90. Um dos principais líderes militares foi Desiré Delano Bouterse, o qual é acusado de diversos crimes e foi condenado na Holanda, o qual mantém um mandado internacional de prisão.
De (1986-1992) a nação saramanka e a nação djuka tiveram que reagir armados ao governo de Desiré Delano Bouterse e as forças do Exército , com uma organização de guerrilha liderada por Roony Brunswijk, ex-segurança do presidente Bouterse, que fundou o "Junglecommand" (Comando da Selva) que obteve um série de vitórias iniciais, a consequência foi uma violenta repressão das forças armadas, massacre, assassinatos, detenções e a fuga de mais de 10.000 quilombolas para a Guiana Francesa e locais escondidos em Paramaribo.
Atualmente a luta é das nações maroons no interior, são contra as poderosas madeireiras chinesas, mineradores de bauxita e de ouro, que representam interesses financeiros transnacionais.
Em 26 de junho de 2006 a Comissão Intermaricana de Direitos Humanos em conformidade com as disposições 50 e 61 da Convenção Americana apresentou um requerimento ao Tribunal da Justiça contra o estado do Suriname, conforme petição dos líderes dos doze clãs da nação Saramaka que alegaram violações do estado surinamês aos direitos a propriedade e a proteção judicial.

Saiba mais sobre a geografia, história das nações maroons no curso Geografia e História da América –Africana.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

SARAMAKAS - SAMARAKANS

Por Walter Passos, historiador, teólogo e membro da COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano
SURINAME
O Suriname encontra-se na parte norte da América do Sul, costa Atlântica a 2 ° -6 ° de latitude norte, 54 ° -58 ° de longitude Oeste (163.266 km²). Limita-se a leste com a Guiana Francesa, a oeste com a Guiana e ao sul com o Brasil. O interior está coberto de florestas e os rios convertem-se em um único acesso. O Suriname é extremamente diversificado etnicamente, linguisticamente, e religiosamente, os muçulmanos constituem 20% da população do Suriname, a percentagem mais elevada de muçulmanos em todos os países das Américas; a sua população estimada em cerca de 470.000 pessoas. “Consiste de aproximadamente 38 % de “Hindustanis” (descendentes de trabalhadores contratados que importou da Índia durante o final do século XIX), 31 % de “crioulos” (descendentes de escravizados africanos), 15 % de “javaneses” (descendentes dos indonésios importados como trabalhadores contratados no início do século XX), 10% de "quilombolas" (descendentes de escravizados africanos, que escaparam das plantações e formaram suas próprias comunidades no interior das florestas), e menor número de Portugueses judeus (sefardistas), chineses e libaneses. As primeiras populações do Suriname, cerca de 12.000 descendentes dos habitantes originais ameríndios ainda sobrevivem: Caribes e Arawaks na planície costeira; Trio, Wayana, Warrau, Wayarekule e algumas dezenas de Akurio no interior do país.
Quase toda a população vive ao longo da faixa costeira, a metade reside na capital, Paramaribo. Sendo o menor estado em território e população da América do Sul e tem como língua oficial o neerlandês, única no hemisfério ocidental e não faz parte dos Países Baixos.
A região havia sido observada pelos holandeses, mas a invasão das terras dessas populações pelos europeus foi em 1630, quando colonos Ingleses liderados pelo Capitão Marshall objetivaram fundar uma colônia. Tentaram desenvolver culturas de tabaco, mas o empreendimento fracassou financeiramente. Em 1650 Lord Willoughby governador de Barbados resolveu fundar uma colônia no Suriname.
Em 26 de fevereiro de 167O a região foi novamente invadida por sete navios holandeses liderados por Abraham Crijnssen e após três horas de lutas venceram e colocaram o nome da região de Forte Zelândia. Em 31 de julho de 1667, os Ingleses e os holandeses assinaram o Tratado de Breda, no qual, de momento, o status quo foi respeitado: os holandeses poderiam manter a ocupação britânica do Suriname e da ex-colônia holandesa New Amsterdam (moderna Nova York). A região invadida e nomeada pelos ingleses de Willoughbyland foi renomeada Guiana Holandesa. A França também ocupou a região a qual foi devolvida aos holandeses em 1816 após a derrota de Napoleão.
Em 1954, o Suriname adquire o autogoverno, e os Países Baixos mantiveram o controle da defesa e os negócios estrangeiros. Em 1973, o governo local, liderado pelo NPK (uma grande parte partido crioulo) iniciou negociações com o governo holandês sobre a independência, que foi concedida em 25 de novembro de 1975.
O CATIVEIRO E EXPLORAÇÃO DOS AFRICANOS
Os protestantes calvinistas holandeses traficaram 300.000 africanos, homens e mulheres da costa ocidental e de regiões centrais para as plantações de açúcar, café, cacau, algodão, extração de madeiras e diversos serviços de exploração. A apropriação da doutrina da predestinação dos verdadeiros hebreus foi dada nova ressignificação e simbolismos, sendo fundamental para os calvinistas holandeses e ingleses para a escravização e exploração e dos povos originais. Não somente entraram em guerra no Suriname, também na África do Sul onde criaram baseados na doutrina da predestinação o sistema do apartheid.

http://bibliodyssey.blogspot.com/2007/08/surinam-slave-trade.html
Poucos professores de história sentem-se preparados para discutir tão importante tema nas escolas e universidades. Recordo-me quando iniciei os estudos sobre as comunidades quilombolas no início da década de 80 do século passado no estado da Bahia e era censurado por militantes negros que não compreendiam a existência dessas comunidades, e hoje se arvoram em “doutores e doutoras de quilombos”, fui inúmeras vezes censurado por afirmar que milhares de quilombos ainda existiam em uma época que só se falava no quilombo de Palmares, e alguns historiadores pesquisavam resistência escravizada quilombola somente em arquivos. Tenho grandes agradecimentos ao Mario Maestri Filho, meu ex-professor de história, aos seus ensinamentos e compreensão ao ensinar-me que estudar história do Brasil sem entender escravidão não era possível, e ao pesquisador Guilherme que em 1981 me fez compreender que quilombos se estudam in loco, visitando as comunidades.
O estudo dos quilombolas ainda está em fase inicial, apesar de algumas regularizações de “terra de preto”, não há condições de estudos mais aprofundados no que tange a história, sobretudo iniciaram-se incipientes e recentes escavações arqueológicas em Palmares. Torna-se necessário a formação de arqueólogos pretos objetivando a pesquisa em comunidades quilombolas em toda a América-Africana. No geral poucos estudos lingüísticos estão sendo realizados nas comunidades em território brasileiro, as quais ainda sofrem um processo de discussões políticas e ataques da grande mídia, porque terra de pretos é um problema que afeta os interesses dos latifundiários.
Os pretos escravizados se rebelaram de diversas maneiras, e entre elas a formação de quilombos em toda a América-Africana, sendo este fato histórico essencial para a compreensão do escravismo e sua derrocada. Muitas designações foram dadas, no Suriname receberam o nome de “bush negroes” nas colônias inglesas, de “maroons”, cimarrons, em Cuba, de 'palenques'. Novos estudos são feitos dessas comunidades em diversos países, como na Jamaica, USA, Venezuela, Equador, Republica Dominicana, etc.
Na verdade, ainda a muito de se estudar este fenômeno em toda a América-Africana. No Brasil, estas comunidades eram chamadas de quilombos, mocambos, coitos, palmares, cafundós, terra de pretos, entre outras.
Uma das mais importantes comunidades de descendentes de escravizados fugidos é a dos Saramakas do Suriname que ainda hoje é atuante e ainda resiste, com uma identidade própria, um estado dentro do estado surinamês. Enfrentaram o estado em uma guerra violenta iniciada no ano de 1986, obrigando milhares de quilombolas a se refugiarem na Guina Francesa, e em pleno século 21 é considerado o maior quilombo sobrevivente da América-Africana.
Infelizmente pouco se fala dessa resistência do povo Saramaka nos meios populares e os militantes pretos a desconhecem em sua maioria, este é o assunto que compartilharei com as leitoras e leitores desse blogger, de antemão, será apenas um escurecimento das informações relegadas nos bancos de educação eurocentrados.
OS SARAMAKAS




Diversos grupos de escravizados fugidos do Suriname se organizaram em quilombos, e os ancestrais dos Saramaka foram africanos capturados e vendidos para a escravidão no final do século XVII e início do século XVII para trabalhar nas plantações de açúcar, madeira, e cafezais. Oriundos de vários povos Africanos e falando muitas línguas diferentes, fugiram para a densa floresta tropical, individualmente e em pequenos grupos e, por vezes em grandes grupos. Realizaram rebeliões por quase 100 anos lutando uma guerra de libertação. Um século antes da emancipação dos escravizados, o estado holandês foi obrigado a assinar um tratado com os saramakas e vivem como um estado dentro do Suriname.

A FAMÍLIA SARAMAKA
Acredito que a organização familiar é à base da manutenção da herança ancestral das pretas e dos pretos e os saramakas conseguiram manter a unidade familiar, apesar de terem se refugiado na floresta e convivido com os nativos, conseguiram preservar as suas tradições africanas. Evidente que as inferências ocorreram, mas não foram determinantes e não mudaram na continuidade da africanidade deste povo.
Entre eles os princípios da matrilinearidade são importantes e, pois determinam os bens materiais e espirituais, é importante entender que matrilinearidade não é matriarcalidade.
O casamento é precedido de permanentes agrados entre os homens e mulheres, apesar de que muitos homens tenham até sete esposas durante a vida com a prática da poligamia.
A fertilidade das mulheres celebrada, e a prática da amamentação das crianças se prolonga por um bom tempo, diferente dos padrões ocidentais.
As crianças têm uma educação matrilinear sendo orientados pela família materna e as jovens estão aptas ao casamento aos quinze anos de idade e os rapazes aos vinte anos.
Possuem uma economia baseada no extrativismo, na caça e na pesca, praticando também a agricultura com as culturas do arroz, mandioca, taro, quiabo, milho, plátanos, banana, cana de açúcar, e o amendoim. Cuidam também de plantas nativas como a fruta-pão, coco, laranja, mamão e abóbora. A caça e a pesca são partilhadas entre os parentes. Os homens constroem casas e canoas e esculpem uma vasta gama de objetos de madeira para uso doméstico, tais como cadeiras, pás, bandejas, utensílios para cozinhar, pentes e outros utensílios. As mulheres costuram e bordam as roupas e fazem panelas de cabaça e trabalham na cerâmica e na produção de cestas. Atualmente já lideram comunidades.



O trabalho assalariado fora das aldeias é de prática masculina como também as viagens para ganhar dinheiro no litoral do Suriname e da Guiana Francesa para fornecer as mercadorias ocidentais consideradas essenciais para a vida em suas casas e aldeias, tais como espingardas, pólvora, ferramentas, vasos, tecidos, espreguiçadeiras, sabão, querosene e rum. Durante a segunda metade do século XX, as pequenas lojas aparecerem em muitas aldeias, e peças de motores, rádios transistores, e gravadores . Hoje em dia, telefones celulares são onipresentes e a comunicação com Paramaribo, tanto por homens como por mulheres, tem aumentado bastante. E novas oportunidades econômicas na indústria de mineração do ouro - para os homens, a prostituição de mulheres - estão atualmente a ser explorada.
Pela importância deste fato histórico será dividido em duas partes, na segunda parte versaremos sobre as religiões e muitas formas de adivinhação para descobrir as causas das doenças ou infortúnio; rituais, incluindo a bela percussão e danças, a veneração dos ancestrais e a adoração do deus-serpente, os espíritos das florestas e rios; as crenças sobre várias almas; idéias sobre as maneiras que o conflito social pode causar a doença; os extensos ritos dos gêmeos; o culto secreto dos guerreiros, os funerais como o mais importante de todos os rituais.
A medicina africana atendia aos brancos e no século XVIII apesar da presença de oito médicos brancos na colônia, os escravizados desempenharam crucial papel com as suas ervas e curas, tanto entre os cristãos e os judeus. Também iremos escrever sobre a língua e a guerra dos Saramakas (OCORRIDA NO FINAL DA DÉCADA DE 80 DO SÉCULO PASSADO AOS ANOS 90).


terça-feira, 2 de junho de 2009

ESCRAVIDÃO, ALCOOLISMO E DESTRUIÇÃO DO POVO PRETO

Por Aidan Foluke, Enfermeira
MSN:vanessasoares13@hotmail.com
Skype: aidanfoluke

"Estarás perdido, tornando-te o ludíbrio e escárnio de todos os povos onde YAH te houver levado" Dt 28:37
Na história da escravidão as conseqüências do contato dos europeus invasores com os africanos foram devastadoras no âmbito da espiritualidade, do psicológico e da morfofisiologia. As patologias oriundas desse contato forçado suscitaram distúrbios homeostáticos que ainda hoje afetam os africanos na África e Afro-América. O desequilíbrio ecológico da destruição do habitat natural dos povos africanos, a mudança dietética, a negação da farmacopéia oral africana, os traumas da escravidão, o trabalho forçado e insalubre, habitações desprovidas do mínimo saneamento, a demonização cultural e a introdução do álcool da cana-de-açúcar e de outros elementos na dieta foram causas de proliferação de endemias nos escravizados e atualmente afetam os afro-diásporicos.
O uso da fermentação de cereais e frutas existe no histórico das populações africanas e muitos deles usados em rituais religiosos que sofreram transformações profundas com a introdução da fermentação da cana-de-açúcar no Brasil. Aliás, em muitos rituais afro-americanos são veneradas entidades que se embebedam com cachaça. Neste artigo vou discorrer sobre o vício do alcoolismo proveniente da escravidão e sua conseqüência na formação de patologias entre os descendentes de africanos, como um fato inteiramente novo de dominação e perda da identidade ancestral.
O alcoolismo afeta a espiritualidade e a psicomorfofisiologia do dependente. A mudança dietética foi fundamental para quebrar a resistência do organismo do escravizado proporcionando-lhe as adaptações desejadas do agressor-escravizador.
É lastimável o uso das bebidas fermentadas de cana-de-açúcar, a conhecida cachaça, pela maioria da população preta brasileira e se torna ainda mais estranho, quando após reuniões da juventude preta com propósitos libertários uma grande parcela continua coabitando com os vícios impostos pelos dominadores. Na escravidão a cachaça fazia parte da dieta para deixar o escravizado lerdo, abestalhado e de fácil dominação no aceitamento de trabalhos desumanos. Nos engenhos do nordeste era costume dar cachaça aos escravizados na primeira refeição do dia, a fim de que pudessem suportar melhor o trabalho árduo dos canaviais, prática de todo o escravismo no Brasil, que obrigava os escravizados a usarem a cachaça diversas vezes ao dia.
Na musicalidade brasileira inúmeras são as músicas relacionadas ao povo preto e a cachaça, entre estas umas das que mais chama a atenção no intuito discriminatório em todos os sentidos relacionados ao homem preto.

O grupo pernambucano “Quinta Ladeira” reforça o estigma da mulher preta como cachaceira:


Uma parte do álcool é absorvida pelo organismo através da parede do estômago. Outra parte é metabolizada pelas enzimas do fígado. Quando a pessoa bebe muito, o fígado começa a acumular gordura, tornando-se um "fígado gorduroso", cujo tecido se deteriora, levando à hepatite alcoólica ou cirrose, ascite (barriga d'água) e, até, à morte. Entre os homens pretos, a ocorrência de morte devido ao alcoolismo acontece duas vezes mais do que na população branca.
Uma das mais nefastas saídas dos traumas impostos na escravidão na população preta tem sido o refugio ao vício maléfico da aguardente, tornando o Brasil o maior consumidor de cachaça do mundo e levando dessa forma ao consumo recorde pelo povo preto. Baseado nisto, observa-se patologias que são facilmente encontradas em nossa população como: alterações no sangue - hepatite; ossos e articulações - degeneração dos ossos; lesão cerebral - síndrome de Wernicke-Korsakoff; câncer - na boca, esôfago, estômago, fígado; pulmão - pneumonia, tuberculose; epilepsia; síndrome fetal; coração - arritmias, cardiopatia, hipertensão e doença coronariana; fígado - cirrose hepática; transtornos sexuais - disfunção testicular e impotência; esôfago e estômago – corrosões que levam a gastrite, úlcera péptica, esofagite. E os mais diversos sintomas - dificuldade na fala e distúrbios da sensação; apatia e inércia geral; vômitos; incontinência urinária e fezes; inconsciência e anestesia. Além de todas essas patologias e sintomas podem-se citar os transtornos na personalidade dos seus consumidores, os quais são visíveis bem, como: a perda de eficiência, diminuição da atenção, julgamento e controle, instabilidade das emoções, menor inibição.

Fígado com cirrose hepática
As relações interpessoais de uma pessoa que bebe são modificadas, o caráter agressivo é predominante, principalmente nos homens pretos. Segundo especialistas, filhos de pais que consomem álcool em grandes quantidades desenvolvem a chamada síndrome do alcoolismo fetal, que se manifesta em atrasos no crescimento, tendência a ataques epilépticos, anormalidades faciais e problemas de aprendizagem e comportamento, retardamento mental.
Dois graves problemas do vício de álcool na mulher preta são a predisposição da Síndrome de Down - atraso mental em seus bebês e os grandes índices de aborto. Os danos são produzidos, porque a gestante elimina duas vezes mais rápido o álcool do seu sangue que o bebê, forçando-o a realizar uma tarefa para quais seus órgãos não estão preparados.
As mulheres pretas quando grávidas e são viciadas os seus fetos adquirirem defeitos que varia de leve a grave, os quais poderão ser evitados se elas aprenderem a se amar e ao seu povo preto.

É necessário que a mulher preta ame a si própria e ao seu povo preto
O uso do álcool tem aumentado o número de agressões na família, principalmente nas companheiras e nos filhos e filhas. Há inúmeros casos de mulheres pretas dominadas pelo vício da bebida abandonar e até mesmo mutilar as suas crianças. Nas nossas famílias temos históricos de familiares dependentes e sabemos quão mal faz ao equilíbrio familiar e da comunidade preta.
Muito dos delitos cometidos está na violência no transito. A quantidade de presos pretos que cometeram delitos após o uso do álcool, isto é, furtos, agressões, homicídios o fizeram depois de ingerirem bebidas. É necessário que os homens pretos se livrem da maldição da branquinha e da lourinha, as quais trazem males irremediáveis à família afro-diasporica e as mulheres pretas não concordem com a bebedeira de seus companheiros.

Há uma predisposição genética dos descendentes de escravizados a usarem a cachaça, isto explica o projeto do escravizador em longo prazo de dominar uma população através da bebida. Este é um fato que merece melhores discussões em reuniões da juventude preta. Imaginemos uma reunião da juventude com o tema: A dominação racial através da cachaça. Você participaria? Qual seria a sua opinião de acordo com os fatos e observando a sua árvore genealógica?

Quem sabe um dia iremos cantar: 
Na minha casa todo mundo é bamba
Ninguém bebe
E todo mundo samba. 
ACESSE PRETAS POESIAS:

domingo, 18 de janeiro de 2009

O GENOCÍDIO ESQUECIDO – A REVOLTA DOS HEREROS E NAMA NA NAMÍBIA

Por Walter Passos -Teólogo, Historiador
Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
O POVO HERERO
Provenientes da migração dos bantos da região oriental da África, o povo Herero instalou-se na Namíbia entre os séculos XVII e XVIII. Atualmente tem sua população estimada em 240 mil pessoas vivendo na Namíbia, Botsuana e Angola. O Ovaherero engloba vários subgrupos, incluindo o Ovahimba, o Ovatjimba o Ovambanderu e os vaKwandu, grupos em Angola incluem o vaKuvale, vaZemba, Hakawona, Tjavikwa e Tjimba (herero pobres) e Himba que regularmente atravessam fronteira da Namíbia com Angola quando migram com os seus rebanhos.
Durante o período colonial, os europeus tentaram defini-los como grupos étnicos distintos, mas as pessoas consideram-se todos Ovaherero. Apesar de divididos em diversos subgrupos, possuem o mesmo idioma herero, além de português em angola, inglês em Botsuana e inglês e africâner na Namíbia. Também, os antropólogos brancos a serviço do colonizador-racista tentaram dividi-los em seus estudos de antropologia dizendo que são de origens diferentes. Hábito dos brancos em dividir para governar ou exterminar.

O POVO NAMA OU NAMAQUA
Nama (em fontes mais antigas também chamados Namaqua) é um grupo étnico da África do Sul, Namíbia e Botsuana. Eles falam a língua Nama do Khoe-Kwadi (Khoisan central). Os Namas são o maior grupo de pessoas Khoikhoi, a maioria deles já desapareceram em grande parte como um grupo, exceto os Namas. Muitos vivem em Namaqualand.
Após a Conferência de Berlim, a Alemanha invadiu o continente africano e além de outras regiões anexou à Namíbia, enviando para a África invasores (colonos ou descobridores – denominações usadas pela historiografia branca) que pilharam as terras e riquezas da população nativa. Difundido a supremacia branca e comparando o povo herero a babuínos.

Babuínos

Os homens eram constantemente espancados até a morte e as mulheres vítimas de estupro e escravizadas sexuais dos colonos e soldados alemães.
Como conseqüência dessas violações em 12 de janeiro de 1904 o povo Herero resolveu resistir ao invasor-colonizador - racista alemão, liderados por Samuel Maharero. Conforme os historiadores essa guerra de libertação teve como conseqüência o primeiro genocídio do século do XX, impetrado pelo império alemão contra homens, mulheres e crianças originais: as populações Herero e Nama, habitantes na Namíbia.

Samuel Maharero
Líder guerreiro e chefe do povo Herero, ainda criança foi catequizado e frequentou escolas luteranas que o viam como um futuro pastor, ao crescer e tomar consciência da opressão, rebelou-se contra os invasores alemães e enfrentou as famigeradas tropas colonialistas. Teve que exilar-se em Botsuana onde continuou líder dos exilados herero vindo a falecer em 1923. É relembrando na Namíbia como herói em 26 de janeiro, dia dos hereros.
Hendrik Witbooi
Hendrik Witbooi tem o seu rosto estampado nas notas bancárias na Namíbia. Para seus seguidores ele era conhecido por seu nome de Nama Khaob! Nanseb/Gabemab, que significa "O capitão, que desaparece na grama”, uma referência à sua famosa habilidade como lutador de guerrilha. Nasceu em 1830 em uma família de líderes.
Hendrik Witbooi era um homem religioso. Mais tarde, durante a guerra com os alemães, em 1904-1905, Witbooi voltou ao seu povo com a convicção de que Deus o havia de guiá-los para lutar por sua liberdade contra os imperialistas.

Em Outubro de 1904, dez meses após os hereros estarem em guerra contra os alemães em sua totalidade, Hendrik Witbooi levou Namaland a aliança contra os alemães. No 28 de outubro de 1905 perto de Vaalgras, com 80 anos de idade lutou com os seus soldados e morreu no campo de batalha decorrente de um ferimento na coxa.


Cédula com a foto de Hendrik Witbooi

GENOCÍDIO PRATICADO PELOS ALEMÃES

Kaiser Wilhelm II
Com a mobilização do povo herero, o kaiser Wilhelm II enviou 14.000 mil soldados sob o comando do Tenente-General Lothar Von Trotha, conhecido pela brutalidade ao combater a revolta boxer na China e a violenta repressão aos povos pretos que ofereceram resistência à ocupação alemã na África Oriental (Ruanda, Burundi e Tanzânia), e ao chegar à Namíbia disse a sua finalidade:

- "Eu acredito que a tribo herero como tal deve ser exterminada."
E escreveu:
- "O exercício da violência e do terrorismo é a minha política. Eu vou destruir as tribos Africanas com fluxos de sangue e de dinheiro. Só após essa limpeza pode surgir algo novo, que permanecerá.”E em um comunicado ao povo Herero disse:
"Todos os herero devem deixar a terra. Se recusarem, então eu vou obrigá-los a fazê-lo com as grandes armas. Qualquer herero encontrado dentro de fronteiras alemãs, com ou sem uma arma, vai ser abatido. Não serão tomados prisioneiros. Essa é a minha decisão.”Inspirador e executor do massacre dos hereros na Namíbia o general Lothar Von Trotha seguiu um plano elaborado na Conferência de Berlim de 1885, onde os Hereros e Namas foram eliminados sistematicamente, já que o objetivo era apoderar-se de suas terras; para isso estabeleceram um campo de concentração, trabalhos forçados e execuções em massa.
Em contraste, uma carta do chefe herero Samuel Maharero ao seu povo logo após a eclosão da guerra estabelece que os ingleses, Boers, missionários e pessoas de outras tribos não viriam a ser prejudicados. A história tem demonstrado que ambas as instruções foram diligentemente realizadas.
Em uma batalha decisiva no Hamakari, perto Waterberg, em 11 de Agosto de 1904, as tropas de Von Trotha cercaram a nação herero em três lados e estes foram brutalmente derrotados. Em uma jogada cínica, ele deixou o caminho aberto apenas para a área do deserto do Kalahari. O plano de batalha para as pessoas que escaparam das balas do exército alemão deveriam morrer de sede e poços de 150 milhas (240 km) ao redor do deserto ou eram patrulhados ou envenenados, e aqueles hereros que vieram rastejando para fora do deserto, desesperados por água, foram mortos a baioneta. Isto os deixou com uma única opção: atravessar o deserto dentro de Botsuana, na realidade, marchar para a morte. Esta é, na verdade, como a maioria dos hereros foi exterminado.

Hereros no deserto famintos e sedentos após as tropas alemãs envenenarem os poços de água.
Devido a escassez de trabalho na colônia, o extermínio da campanha de Von Trotha foi finalmente parado por Berlim, e os hereros sobreviventes foram aprisionados em campos de concentração, obrigados ao trabalho escravizado, sobrecarregados, com fome, e expostos a doenças como a febre tifóide e a varíola, a maioria dos homens pereceu e as mulheres foram transformadas em escravas sexuais.
O resultado desta política foi que, a partir de 1904 para 1908, foram reduzidas a nação herero de 80.000 a 15.000 pessoas famintas e refugiadas em sua própria terra.

Guerreiros herero capturados por tropas alemãs
Após a guerra, todos os herero de idade superior a sete anos eram obrigados a vestir um disco metálico em torno de seus pescoços com seu número de registro, designando-os como mão-de-obra disponível.
O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO NA ILHA SHARK
A ilha de Shark foi o local usado de 1904 a 1907 que confinou membros das tribos Herero e Nama. Ao longo dos três anos foi o acampamento onde 3000 pessoas encontraram a morte. Para todos os efeitos, considera-se um acampamento de morte, tal como o seu único propósito era o de exterminar pessoas herero e Namaka.
O trabalho forçado do acampamento foi utilizado para construir Lüderitz e vias férreas. Outros campos existiam em regiões invadidas pela Alemanha, incluindo Swakopmund, Windhoek e Okahandja.

Campo de Concentração na Ilha Shark
EXPERIÊNCIAS GENÉTICAS
Foi no Campo de Concentração da Ilha de Shark que Eugen Fischer realizou as suas primeiras experiências "médicas" sobre raça, genética e eugenia, utilizando como cobaias tanto hereros como os mestiços descendentes dos estupros das mulheres herero. Sob sua supervisão, foram preservados corpos e cabeça que tinham sido enforcados e enviados à Alemanha para dissecção.
Fischer tornou-se diretor do Instituto Kaiser Wilhelm de Antropologia, Hereditariedade Humana e Eugenia. Foi co-autor do livro - Os Princípios da Hereditariedade, Raça e Higiene - que se tornou o livro padrão sobre o assunto na Alemanha.
Hitler nomeou Fischer como reitor da Universidade de Berlim, em 1933, onde lecionou medicina para médicos nazistas. Fischer é por vezes referido como o pai da moderna genética. Este homem foi um grande defensor do aborto e da esterilização dos não-brancos.

Foto de Eugen Fischer - Observe a foto de mulheres pretas nos seus estudos eugênicos.

“EU TAMBÉM VIAJO PARA O CÉU EM UMA CARROÇA."Em seu livro Heróis Herero, Jan-Bart Gewald descreve a morte de um dos líderes cristãos herero, testemunhado por um missionário alemão Friedrich Meier:
“Fraco de doença e de maus tratos, Kukuri foi transportado para a sua execução nas costas de um carro de boi. Ele não mostrou o menor vestígio de medo, mas, em vez disso olhou como se estivesse indo para um casamento! Em uma etapa da viagem, disse ao “Pastor” Meier: como Elias, também eu vou viajar para o céu em um vagão.
Quando eles chegaram o local ainda estava sendo preparado. Meier temia pela tranqüilidade de Kukuri e pediu que parasse de olhar para a forca. Ele respondeu:
- Por que não devo olhar para ela? Não é “a minha madeira" (a minha cruz)?
Os dois oraram e juntos cantaram um belo hino: Então tome minha mão e leva-me. Então Kukuri disse:
- Parece que você ainda teme que eu tenha medo, mas quando um pai chama seu filho, o filho tem medo de ir para ele? Dê a minha esposa, que está em Okahandja, a minha saudação e diga a ela que eu já morri na fé do Senhor Jesus Cristo, assim também diga aos meus filhos, pois você deve sempre vê-los.
Em seguida, disse:
- Senhor Jesus, me ajude.
Kukuri subiu a escada e a corda foi colocada em volta do seu pescoço. Como ele estava caindo, o nó escorregou, de forma que ele caiu no chão, inconsciente. Dois soldados o levantaram e, seguindo ordens, e realizaram disparos de arma de fogo, matando-o. Assim entrou Kukuri na presença do Senhor.
Ainda hoje muitos Hereros são membros da Igreja Luterana, defendendo esta ideologia, e comungando com os brancos que assassinaram seu povo na chamada “Guerra de Pacificação da Namíbia”.

"Irmãs" Luteranas na Namíbia.

Em Windhoek, a Christuskirche e o Reiterdenkmal, monumento que homenageia os soldados alemães que morreram na “pacificação” da Namíbia ao fundo uma igreja luterana.

CONCLUSÃO
A Alemanha compensou os Askenazis (descendentes dos kazars) que se dizem judeus após a 2ª guerra mundial em milhões de dólares e apoiou o mundo branco ocidental cedendo terras no Oriente Médio, para a criação do estado de Israel. Mas, até hoje o brutal genocídio dos povos Herero e Nama não foram compensados, os seus descendentes que perderam terras, gados, e potenciais recursos minerais que estão nas mãos dos descendentes de alemães, não receberam das autoridades alemãs nenhum pedido de desculpas e reparação. Apesar dos protestos e mobilizações das minorias étnicas Herero e Nama.
O povo preto não pode esquecer dos 105 anos da resistência dos Herero e Nama! E também do Genocídio impetrado pelos Alemães.
Viva a memória de Hendrick Vitbooi, Samuel Maharero, e dos 65.000 mil hereros (70% da população) e 10.000 Namas (50% da população) que foram dizimados pelas forças genocidas da Alemanha.
Genocide and the second Reich 7: Shark Island.

PRETAS POESIAS

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