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sábado, 26 de novembro de 2011

UMOJA KARAMU- RESIGNIFICAÇÃO AFRICANA



Por Malachiyah Ben Ysrayl.

Historiador e Hebreu-Israelita
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano

Facebook: Walter Passos


Hoje em dia, há diversos festejos afro-americanos, notadamente após a invasão empreendidada pelos colonizadores europeus na África. Os descendentes dos prisoneiros de guerra e outrora escravizados nas Américas elaboraram novas formas de afirmação, posturas, de resignificação e pertencimento às culturas ancestrais.

É bom ressaltar que não são festejos dos hebreu-israelitas: estes não comemoram as festas do cristianismo e do judaismo, mas, já que o nosso blogger tem como uma das metas a informação, vamos comentar sobre a festividade realizada pela Trinity United Church of Christ's localizada em Chicago - USA, que teve como um dos mais proeminentes pastores o Rev. Jeremiah Wright Alvesta, Jr. Ele, na eleição de Barack Obama por ter sido seu pastor e amigo, foi alvo de censura nos meios de comunicação em vista de seus sermões serem considerados radicais e racistas pelos moderados pretos , assim como a população branca dos USA.


A Trinity United Church of Christ's tem mais de 8.500 membros, e é dirigida, atualmente, pelo Pastor Otis Moss III e Mrs. Monica Brown Moss, conforme o boletim enviado para o e-mail do nosso blogger, apesar de nunca termos entrado em contato com essa denominação cristã.


Umoja Karamu que significa "festa da unidade" em Kiswahili, é celebrada no quarto domingo de novembro e foi iniciada pelo Dr. Edward Sims, Jr. Data estabelecida pelo Templo do Messias Negro, em Washington, DC. É uma festividade de solidariedade nas famílias pretas, retratando as suas lutas e relembrando unidade. Muitos pretos nos USA a festejam como alternativa ao feriado nacional do dia de ações de graça. Esta escolha teve início com os nacionalistas pretos que lutaram pelos direitos civis nas décadas de 1960 e 1970. Posteriormente, os historiadores da afrocentricidade passaram a defender a idéia de que o povo preto buscasse as festividades africanas e as resignificassem na diáspora. Umoja Karamu é uma festividade diferente da kwanzaa, tendo enorme repercussão nas igrejas cristãs pretas. O cerimonial é composto de narrativas, musicas e alimentos referentes a cada período da história preta.

O simbolismo da festividade abrange cinco períodos da história do povo preto, representados por cinco cores:
Antes da Escravidão cor Preta - as famílias na África, antes de escravidão na América.
Na Escravidão – cor Branca- a dispersão das famílias escravizadas na América.
Após a Emancipação cor Vermelha- as famílias libertas da escravidão.
Luta de Libertação cor Verde- as famílias lutando pela verdadeira libertação, a luta pelos direitos civis e direito a igualdade.

Olhando paro o futurocor laranja ou Ouro – as família antecipando um profícuo futuro.
Nestes dias a refeição começa com uma oração e libação (derramam uma bebida para homenagear os ancestrais) que é uma tradição Africana.

Os alimentos são importantes na alteridade e símbolos de pertencimento e representados em cinco cores :

Preta - feijão-fradinho, azeitonas pretas e feijão preto.
Branca- arroz, batata e mandioca.
Vermelha - suco de cereja, pimentões vermelhos e tomates.
Verde - verdes, aipo, alface.
Laranja ou Ouro - pão de milho, queijo e abóbora.

UMOJA KARAMU AND OTHER TRINITY UCC UPDATES



sábado, 6 de novembro de 2010

A SAGA DO REI ABUBAKARI II - AFRICANOS NA AMÉRICA ANTES DE COLOMBO






Por Walter Passos, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano


"As civilizações pretas foram as primeiras civilizações do mundo. O desenvolvimento da Europa esteve na retaguarda, pela última idade do Gelo, um assunto de uns cem mil anos"
Cheik Anta Diop


Os povos africanos migraram para civilizar o planeta antes que os habitantes da Europa estivessem em estágios de desenvolvimento científico. Da África, as populações humanas aprenderam a dar os primeiros passos civilizatórios e científicos.

Contudo, com o regime de escravidão os africanos e seus descendentes na América foram privados de importantes conhecimentos ancestrais, ao passo que conhecimentos pedagogias racistas baseadas na ausência da ancestralidade, na negação do nosso passado em África e no aprendizado forçado da história e ideologias européias, foram impostos como únicas e verdadeiras.

Nas escolas, ensina-se que a nossa história começa com o maldito tráfico negreiro. Somos adjetivados somente como descendentes de escravizados. Omite-se, ainda, a relatar que nossos ancestrais foram prisioneiros de guerra e covardemente seqüestrados com o apoio de duas grandes religiões o cristianismo e o islamismo.

É de suma importância que esta pedagogia seja reelaborada, e a história apresentada anterior às guerras dos invasores europeus em África.

Nessas importantes reelaborações da história mundial, antes da influência da pedagogia eurocêntrica, diversas mentiras, tidas como verdades, estão sendo desmitificadas. O historiador e dramaturgo Mali Gaoussou Diawara tem organizados diversos trabalhos que propiciam essa releitura.

Mali Gaossou Diawara, natural do Mali, nasceu em Ouelessebougou, a 80 km ao sul de Bamako, estudou o ensino primário e secundário no Mali, jornalismo e letras na extinta União Soviética e também o seu doutoramento (Ph. D) (Especialidade em Dramaturgia). Ele é o autor de trabalhos premiados, várias peças teatrais são apresentadas e estudaras em escolas e universidades, no Mali. Diawara é um Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito da França, Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito do Mali, vencedor do Prêmio UNESCO para a poesia e prêmio drama Cross-Africano.


Diawara afirma em seus escritos que os africanos “descobriram” a América quase dois séculos antes do desembarque fatídico do judeu Cristóvão Colombo. Em suas pesquisas, têm informado e explicado que o silêncio dos griots, os maiores historiadores da história oral africana, tem-se quebrado, paulatinamente, no intuito de divulgar a história de Abubukari II e sua saga pelo Oceano Atlântico.
Griots do Mali

Até então, a fascinante história de Abubakari II tem permanecido resguardada e esquecida, por ele ter renunciado ao trono do Império de Mali.

Seu sucessor, Kankan Mansa Musa, o décimo imperador Mansa, ou imperador do Mali durante seu auge no século XIV, entre os anos de 1312-1337, tornou-se famoso por ser um dos grandes benfeitores do conhecimento em Timbuktu.

Durante o período do reinado de Mansa Musa, houve um crescimento do nível de vida urbana nos grandes centros do Mali, especialmente em comparação com o relativo atraso da Europa. Musa fez do Mali um dos principais centros mundiais de conhecimento, estrutura urbana e riquezas.

Mansa Musa também ficou conhecido por sua peregrinação a Meca, onde constituiu uma caravana com mais de seis mil pessoas, incluindo mais de cem camelos carregados com mais de 300 kg de ouro cada.

Ao contrário de Mansa, Abubakari II possuía uma sede insaciável por conhecimento. Diawara o descreve como um monarca Africano que abdicou do trono em 1311 e partiu para descobrir se o Oceano Atlântico, era grande como o grande rio Níger. A meta do imperador malinês era descobrir se o oceano Atlântico tinha outra margem - como tinha o rio Níger, que cortava os seus domínios.

A saga de Abubakari II não foi aceita por seus conselheiros, que instruíram aos griots que não relatassem sobre esta grande proeza. Contudo, as pesquisas de Diawara têm trazido à tona uma riqueza de informações sobre grande parte da história do império de Mali, que foi deliberadamente ignorado pelos griots, tornando-se mais uma das provas incontestes do desenvolvimento cientifico africano.

Pesquisadores afirmam que a frota de Abubakari II era formada de 2.000 barcos carregados com homens, mulheres, alimentos para o gado e água potável, partindo do que é a costa de Gâmbia atual. O imperador Abubakari II deu-se todo o poder do ouro que possuía, em buscar o conhecimento e descoberta no Grande mar além do rio Níger, nunca mais voltando a sua terra natal e provavelmente se estabelecido com o seu povo nas Américas.

Abubakari II, também era conhececido como Mande Bukari, vivia próximo da mais completa universidade do mundo, a época, na cidade de TIMBIKUTU, sede da Universidade de Sankoré.

Timbikutu
De acordo com Mark Hyman, autor do livro - Blacks Before America-, Abubakari II estava interessado em histórias de estudiosos de um "mundo em forma de cabaça, o grande oceano a oeste e o novo mundo para além desse. Hyman afirma que os maleses entrevistaram navegadores e construtores do Egito e de cidades do Mediterrâneo, decidindo construir seus próprios navios na costa da Senegâmbia. Os preparativos para a viagem incluiu carpinteiros, ferreiros, navegadores, mercadores, artesãos, joalheiros, tecelões, mágicos, adivinhos, pensadores e o militares, e que todos os navios puxaram uma fonte de barco com os alimentos por dois anos, carne seca, grãos, frutas em conserva em potes de cerâmica, e de ouro para o comércio.

Diawara realiza em seu livro, Abubakari II, Explorador Mandingo (tradução livre de Abubakari II, Explorateur Mandingue), a síntese de mais de vinte anos de pesquisa sobre o imperador, que em 1312 renunciou voluntariamente ao poder de vasto império no Oeste Africano.

As pesquisas de Diawara, embasadas em provas arqueológicas, lingüísticas e na tradição oral dos griots, comprovam, mais uma vez, a presença Africana nas Américas antes da chegada dos invasores europeus.

Segundo Tiemoko Konate, um dos pesquisadores que trabalham com Diawara, a frota de Abubakari teria ancorado na costa do Brasil, no local hoje conhecido como a cidade do Recife, in verbis:

“Seu outro nome é Purnanbuco, o que acreditamos é que é uma aberração do Mande para os campos do rico ouro que representavam grande parte da riqueza do Império Mali, Boure Bambouk.”

Konate também cita testes, semelhantes aos descritos por Ivan Van Sertima, mostrando que as pontas de lanças de ouro encontradas por Colombo nas Américas, foram forjadas de ouro originalmente de Guiné no Oeste Africano.

Van Sertima descreveu como, de acordo com os próprios escritos de Colombo, as pessoas que viviam na ilha de Hispaniola (mais tarde, Haiti e República Dominicana) eram negras, corroborando com os estudos de Diawara, verbis:

"as pessoas de pele negra tinham vindo do comércio sul e sudeste em ouro lanças feitas de metal. Colombo enviou amostras destas lanças de volta à Espanha para ser testado, e foram considerados idênticos em suas proporções de ligas de ouro, prata e cobre, lanças, em seguida, sendo forjado no Africano da Guiné. Fernando, filho de Colombo, disse que seu pai havia lhe dito que tinha visto pessoas negras norte do que hoje é Honduras.”

Van Sertima, em seu trabalho mais famoso: They Came Before Columbus, dividiu a presença africana nas Américas em distintos períodos históricos, a saber:

Primeiro, entre 1200 e 800 a.C, quando os núbios e os egípcios chegaram ao Golfo do México e trouxeram a escrita e a construção de pirâmides.

Segundo, em 1310 d.C, quando a civilização mandinga se estabeleceu no México, Panamá, Equador, Colômbia, Peru e diversas ilhas do Caribe.

Comparação entre núbios e monumento dos Olmecas no México

Nesse sentido, alguns pesquisadores acreditam que a população Garifuna da América Central é descendente da expedição de Abubakari II.

Garifunas da América Central

As pesquisas afrocêntricas têm derrubados mitos, mentiras e desvirtuações da história da humanidade realizadas por estudiosos ocidentais e suas academias serviçais da manutenção da supremacia européia. Contudo, diante das incontestes provas arqueológicas e históricas evitam o debate e ficam enfezados (em fezes) quando os cientistas afrocêntricos descrevem os fatos livres da manipulação supremacistas europeus.

Imagem que simboliza a presença de africanos na América 500 anos antes dos Europeus

Recomenda-se que se leia o artigo - O Preto na América antes da Invasão Européia -, que contem outros estudos da presença africana na América desde tempos imemoriais.

Por fim, você já deve ter participado de encontros, seminários, cursos e reuniões e os descendentes de europeus sentem prazer em nos ensinar à história conforme a visão deles; não gostam de serem contestados, se sentem senhores do conhecimento, como os seus ancestrais se sentiam donos do escravizado. Apropriaram-se do conhecimento dos mestres como fizeram com os ensinamentos de KMT e introjeteram que o mundo deve ser estudado a partir do surgimento de suas civilizações na Europa. Não podemos mais aceitar esse disparate contra a inteligência e a memória da humanidade.

Shalom!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEDICINA E MULHERES NO ANTIGO EGITO - MERIT PTAH E PESESHET: AS PRIMEIRAS MÉDICAS DO PLANETA.




Por Walter Passos
, Historiador,Panafricanista,
Afrocentrista e Teólogo.
Pseudônimo: Kefing Foluke.
E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn:kefingfoluke1@hotmail.com

Skype: lindoebano


A civilização do antigo Egito (Kemet) não oprimia as mulheres como a civilização grega, erradamente considerada o berço da democracia pelo eurocentrismo, onde as mulheres não eram consideradas cidadãs. Em Kemet, as mulheres se tornaram proeminentes em diversas áreas do conhecimento. Elas eram especialistas em física, astronomia, matemática, arquitetura e demais ciências. Todas as profissões foram abertas às mulheres e aos homens, incluindo os serviços religiosos, administração, negócios e medicina, entre outros campos. Na medicina havia institutos médicos em Heliópolis e Sais, chamadas "peri-ankh" ou "casas da vida" as suas especialidades se destacaram na ginecologia e obstetrícia.

No antigo Egito, nas Escolas de Medicina, elas aprenderam a cuidar da gravidez (pré-natal), parto, fertilidade e contracepção, sendo assim, sabemos que eram médicas ginecologistas e obstetras. No bíblico livro de Êxodo há um relato do trabalho dessas médicas, no capitulo1: 15-22

"O faraó do Egito disse às parteiras dos hebreus, uma das quais se chamava Sifra e a outra Fúa: Quando ajudardes as mulheres dos hebreus a darem à luz, olhai o sexo da criança. Se for um menino matai-o. Se for uma menina deixai-a viver". As parteiras, porém, temiam a YHWH. Não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenara e deixaram os meninos viver. Então o faraó do Egito lhes convocou e lhes disse: "Por que fizestes isso e deixastes viver os meninos? As parteiras responderam ao Faraó: "As mulheres dos hebreus não são como as egípcias; são cheias de vida, antes de a parteira chegar já deram à luz". Deus tornou as parteiras eficazes e o povo se multiplicou e se tornou bem forte. Ora, como as parteiras temessem a YWHH e YHWH lhe houvesse dado uma descendência, o Faraó deu esta ordem a todo o seu povo: “Todo menino recém-nascido, jogai-o ao rio. Toda menina, deixai-a viver”.

Sifra e Fúa são citadas como as primeiras médicas do povo hebreu ainda no Egito, demonstrando que a ciência medica de Kemet foi cosmopolita.

O conhecimento químico dos médicos egípcios foi tão grande que alguns atribuem a origem da palavra "química" para "Kemet", o antigo nome do Egito. Drogas de fontes diferentes foram utilizadas. Minerais, como enxofre, antimônio e zinco foram utilizados principalmente nos olhos e pomadas da pele. Produtos de origem animal, como carne de boi e fígado, assim como mais de 160 plantas (muitos delas ainda em uso) foram utilizadas na forma de comprimidos, pós ou supositórios (retal e vaginal). Entre as plantas comuns utilizadas foram senna, plátano, óleo de rícino, goma arábica, hortelã e linhaça. A levedura foi utilizada para a indigestão e externamente para úlceras de perna. Os medicamentos mencionados no papiro Ebers, por exemplo, incluem o ópio, maconha, mirra, incenso, erva-doce, canela, Senna, tomilho, henna, zimbro, aloe, linhaça e mamona.

Quais as civilizações ocidentais antigas que podemos citar o desenvolvimento e a liberdade das mulheres? Você só pode falar de civilizações africanas.

No antigo Egito há mais de 100 documentos com imagens que aparecem nas paredes de tumbas e nos hieróglifos gravados em estelas, provas incontestes de que as mulheres egípcias se tornaram grandes professoras em escolas de formação médica.


A primeira mulher descrita como médica na história do planeta foi Merit Ptah. A imagem dela pode ser vista numa tumba na necrópole próxima a pirâmide de degraus de Saqqara. O filho dela que era um Alto Sacerdote, descreveu-a como "A Médica-Chefe". Merit Ptah Viveu no ano 2700 a.C logo depois do grande médico Imhotep.


Uma cratera de impacto sobre Vênus recebeu o nome Merit Ptah em homenagem a primeira médica da história da humanidade. Uma mulher preta e africana.


Um dos nomes mais conhecidos de médicas do antigo Egito foi o de Peseshet, descoberta a estela em 1930 nas escavações de Gizé, pelo professor Selim Hassan, a inscrição da estela, datada de cerca de 3100-2100 a.C., está escrito: Supervisora dos doutores ou Chefe dos doutores.

Não foi apenas uma médica em seu próprio direito, mas, também a supervisora e administradora de todo um corpo de médicos do sexo feminino. Exerceu a medicina quase 5.000 anos atrás e foi imortalizada por seu filho em seu túmulo como "A médica-chefe".

A dama Peseshet sabia tomar o pulso, examinar a retina e a pupila do olho, a cor e a textura da pele, avaliar a qualidade da circulação da “energia” dos vasos. Assim, ela podia fazer um diagnóstico e concluía com uma destas três frases: − Uma doença que conheço e tratarei. − Uma doença que conheço e tentarei tratar. − Uma doença que desconheço e não poderei tratar.

“Desde o início dos tempos, mulheres sábias colhiam ervas e faziam infusões, davam os cuidados do dia a dia que eram quase que toda a ajuda disponível para os doentes até dois séculos atrás. Elas banhavam os artríticos e manipulavam suas articulações, acompanhavam as mulheres grávidas e faziam seus partos. Uma vez que a maioria dos remédios era ineficaz há até cerca de cem anos, pode-se dizer que a maior parte da medicina prática estava na mão das mulheres.”

Peseshet tinha acesso a numerosos tratados médicos que proporcionavam observações classificadas com rigor, diagnósticos e prescrições. Havia aprendido a preparar poções, ungüentos e cataplasmas; utilizava fumigações medicinais e prescrevia dietas alimentares, de acordo com o transtorno da saúde. A ginecologia era uma de suas maiores especialidades. Aos remédios materiais, a dama Peseshet acrescentava a prática da magia, a faculdade de desviar o efeito da fatalidade.

Elaine Alves e Paulo Tubino (História da Mulher na Medicina)

LADY PESESHET!


No entanto, outra notável egípcia deixou sua marca no campo da obstetrícia e ginecologia no século II d.C, uma médica chamada Cleópatra, não confundir com a rainha egípcia, escreveu extensivamente sobre a gravidez, parto e de saúde da mulher. Seus escritos foram consultados e estudados há mais de 1000 anos.

“Desde o início dos tempos, mulheres sábias colhiam ervas e faziam infusões, davam os cuidados do dia a dia que eram quase que toda a ajuda disponível para os doentes até dois séculos atrás. Elas banhavam os artríticos e manipulavam suas articulações, acompanhavam as mulheres grávidas e faziam seus partos. Uma vez que a maioria dos remédios era ineficaz há até cerca de cem anos, pode-se dizer que a maior parte da medicina prática estava na mão das mulheres.”

Ian Carr (Women in Healing and the Medical Profession, 2004)

É deveras importante compreendermos as descobertas facilitadoras e revolucionárias para as vidas das mulheres neste século já eram praticadas em Kemet(Egito), os métodos contraceptivos eram usados por uma minoria das mulheres, as que se dedicavam a prostituição, as filhas solteiras e por prescrições médicas no caso de problemas psiquiátricos e da gestação pós-gravidez.

As egípcias conheciam testes de gravidez, um deles usava a cevada e um tipo de trigo, o emmer, em sacos de areia, os umedeciam durante alguns dias com a urina. Se a cevada crescesse seria um menino, se fosse o emmer (farro), seria uma menina, se não houvesse a germinação significava que não havia gravidez, e a ciência comprovou que a urina das mulheres que não estão grávidas impede que a cevada germine.



O Egito desenvolveu diversos métodos de controle de natalidade, um deles enumeramos como o precursor do diafragma feito de estrume de crocodilo e mel e uma ducha feitos de urina e alho. Abaixo outros contraceptivos usados pelas antigas mulheres do Egito:

DIU – As mulheres usavam a madeira da acácia para evitar a gravidez
PÍLULA- Usavam a romã que é rica em estrogênio.
TAMPÃO CONTRACEPTIVO - O "Papiro de Ebers" datado de 1550 a.C, é o primeiro manuscrito detalhando os meios de contracepção, indicando o uso da acácia, cabaça moída e misturada com mel sendo umedecida e colocada na vagina.
ESPERMICIDAS – Usavam diversos cremes misturados com diferentes tipos de óleos e mel
PRESERVATIVOS - Feitos de membranas de ovinos que protegiam contra as doenças infecciosas.

Possuíam tratamento para aumentar a fertilidade das mulheres, consistia que ficassem agachadas e eram tratadas com o vapor da mistura quente de incenso, óleo, tâmaras e cerveja. Para induzir ao parto colocavam no abdômen sal marinho e trigo emmer.

Existiam maternidades, chamadas casas de Parto, situadas ao lado dos templos, usadas especialmente pelas mulheres nobres. As diversas formas eram utilizadas, em pé, ajoelhadas, de cócoras, sentada sobre os calcanhares em tijolos ou sentada nas cadeiras de parto. Vede a gravura abaixo:

Há alguns recortes importantes que as médicas pretas do antigo Egito nos ensinam: Uma medicina holística, os métodos de cura natural, a importância das mulheres como exemplo histórico na igualdade de gênero e oportunidades que foram cerceadas nas civilizações ocidentais.

Notamos que houve um retrocesso na história da humanidade e as civilizações africanas primevas nos tem muito a ensinar de que as oportunidades e a igualdade são um exemplo que deve ser reconquistado por toda a humanidade.

Shalom!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

OS GREGOS E A FILOSOFIA PLAGIADA DOS AFRICANOS



Por Walter Passos,
historiador, panafricanista,
afrocentrista e teólogo
Pseudônimo: Kefing Foluke.E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Msn: kefingfoluke1@hotmail.com
Skype: lindoebano 

Facebook: Walter Passos


"As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram os que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos." Malcolm X


No Brasil, o ensino de filosofia é obrigatório nas escolas de ensino médio, e os docentes repetem todos os anos ensinamentos sem nenhuma reflexão aprofundada sobre o pensamento eurocêntrico. A filosofia grega é ensinada como a origem do pensamento reflexivo, intelectivo e criador humano. Como se o ato de pensar, criar tecnologias, realizar questionamentos acerca do cosmos, hermenêuticas da vida social humana, além de outras várias atitudes pensantes, iniciassem-se com os povos pagãos europeus. Estas afirmações corroboram com as imensuráveis falsidades históricas: as primeiras civilizações mundiais não foram africanas e os povos pretos desenvolveram o pensamento intelectivo após o contato com o invasor europeu.

O que é a filosofia? Sócrates, Platão e Aristóteles

Por que omitem que os europeus antes de invadirem a África já a conheciam e estudaram em suas escolas?

Quiçá, todo educador de filosofia deveria esforçar-se para, em nome do amor ao conhecimento, questionar a história eurocêntrica, tornando-se realmente, um educador-crítico das chamadas verdades estabelecidas, repassadas nos livros didáticos e nas academias. Os livros, as academias e os educadores são as maiores armas de manutenção da opressão mental e distorção histórica da origem do pensamento humano que paira na comunidade preta.

Em minha adolescência, aprendi nas aulas de filosofia no Colégio Arte e Instrução no bairro de Cascadura, cidade do Rio de Janeiro, de que os maiores pensadores da história humana foram os homens brancos: Sócrates, Platão e Aristóteles. Aprendi que o país o qual nós devemos a nossa Civilização, Filosofia, Artes e as Ciências, foi a Grécia. Que o homem mais sábio que o mundo já viu, foi o grego, Aristóteles. Que o maior matemático de todos os tempos, a pessoa que inventou o teorema do quadrado da hipotenusa, foi o grego Pitágoras.

Exformações continuaram com maior aprofundamento, repetidas nas aulas de filosofia no Seminário Presbiteriano de Campinas, no Seminário Batista do Rio de Janeiro e na faculdade de História. Temos teologias e teólogos pretos que baseiam as suas hermenêuticas na branquitude, graças ao bom aprendizado das filosofias ocidentais, e muitos se gabam de conhecer e repetir os grandes teólogos e filósofos da Escola Alemã. Na faculdade de história não foi diferente, formam-se historiadores, meros repetidores do pensamento europeu e de suas histórias dominadoras. Então, todo a exformação que eu aprendia devia ao esforço pensante das civilizações brancas, e nelas eu deveria me tornar informado e repassador das ditas verdades.

Acreditei que a civilização Greco-romana nos legou todas as boas exformações, as tinha como referências no aprendizado filosófico e pedagógico. Eu estava totalmente equivocado. Infelizmente, estas ideologias ainda são difundidas e ensinadas nas escolas sem um questionamento aprofundado.

Os estudantes acreditam nos educadores. Para o educando o educador conhece a verdade. Só que não sabem que eles assimilaram bem o conhecimento eurocêntrico, e estes donos da verdade, os iluminadores na educação, negam as condições de questionamentos das exformações ao iluminado, deixando-os sem condições de análise se são verdadeiros ou falsos os cruéis ensinamentos repassados.

Em contrapartida a África é negada, e quando é citada é relacionada com a selvageria, demonismo, canibalismo, pobreza, analfabetismo, fome, fonte de mão-de-obra escravizada, entre outras mazelas. Por que educadores especialmente os de origem africana são meros repetidores desses ensinamentos? Até que ponto os “conhecedores” de história da África questionam esses ensinamentos? Ou estes “doutores em África”, na verdade são lobos em vestes de cordeiros para continuar repetindo as exformações que serve a eurocentricidade, etnocentrismo e conseqüente racialização?

Ou são meros inocentes que falam em filosofia, pedagogia e história e não compreendem a própria essência das matérias que ousam ensinar? Ou tem meia culpa por repetir simplesmente o aprendizado de quatro anos de curso universitário, e de pós-graduações baseadas no pensamento homogênico ocidental branco? Qual a seriedade e ações que nós, os educadores afrocentristas, temos que ter em contatos com os estudantes do ensino médio e fundamental?

Já urge o tempo de desconstrução dos ensinamentos aparelhados e oferecer o contraponto a juventude preta, possibilitando-a realizar questionamentos mais diretos ao educador-serviçal e propagadores das “verdades” européias nas escolas e academias, convidando-os a debater, porque estão tão dominados pelo mal que não aceitam reestudar e se livrar da lavagem cerebral da academia branca os quais se tornaram os maiores defensores.

Quando escrevo este texto como toda amorosidade possível vem à mente um debate entre o Dr. Payson, professor universitário afro-americano, e Malcolm X, durante um programa de grande audiência de uma rede de TV americana:

Dr. Payson: - Por que ensina a supremacia negra? Por que ensina o ódio?

Malcolm X: - Um branco pergunta ao negro porque o odeio, é como o estuprador perguntar à violada: “Você me odeia?”. O Branco não está em posição moral para acusar o negro de nada.


Dr.Payson: - Mas é um negro que te faz a pergunta.


Malcolm X: - Quem chamaria você de negro com diploma de formação superior? E o que os brancos te chamam. É preciso entender o raciocínio, e para isso, é necessário saber que, historicamente, havia duas espécies de escravos: o negro da casa e o do campo. O negro da casa vivia junto do senhor, na senzala ou no sótão da casa grande. Vestia-se, comia bem e amava o senhor. Amava mais o senhor que o senhor o amava a ele. Se o senhor dizia: “Temos uma bela casa”. Ele respondia: “Pois temos”. Se a casa pegasse fogo, o negro da casa corria para apagar o fogo. Se o senhor adoecesse, dizia “estamos doentes”. Se um escravo do campo lhe dissesse: “vamos fugir desse senhor”, ele respondia: “existe uma coisa melhor do que o que temos aqui?”. “Não saio daqui.” O chamávamos de negro da casa. É o que lhe chamamos agora, porque ainda há muitos pretos de casa.”




THE HOUSE NEGRO AND THE FIELD NEGRO (2009 animation)



O maior desafio do educador preto é deixar de ser “preto da casa”. Sei quanto é difícil para o educador ter a baixo-estima construída em toda a vida educacional. Torna-se educador e ter a mente dominada e criar novos dominados sem permitir que descubram as mentiras proferidas através dos séculos, é continuar com a pedagogia da Casa-Grande mantendo os educandos assenzalados.

Devemos provocar no educando uma postura cética quanto à exclusividade européia na invenção de instituições e valores, permitindo que as exformações (formação vinda de fora) sejam questionadas possibilitando as novas informações (formação interior) sejam adquiridas.

A dominação do pensamento e a negação dos conhecimentos africanos tem sido a maior arma de propagação da superioridade branca, da manutenção do racismo, da racialização nas propostas educacionais. A tática usada é a negação das primeiras civilizações e desenvolvimento dos primeiros pensadores. Sempre explico aos estudantes como a “civilização européia” dá os primeiros sinais de conhecimento com os gregos, já no chamado período clássico em que aparecem no cenário histórico entre 2.000 e 1800 a.C., desenvolvendo um modo opressivo produtivo: a escravidão em uma sociedade de classes sociais, onde a democracia oprime as mulheres, os estrangeiros e todos aqueles não considerados cidadãos.

Antes deles não havia conhecimento, livros, sabedoria, tecnologia, medicina, mitologia, matemática, astronomia e outros conhecimentos? Como a historiografia é planejada e quais são os seus objetivos de poder?

Se a filosofia depende da história para explicar o desenvolvimento do pensamento da humanidade, o ato de negar as primeiras civilizações distorce o que chamamos de filosofia?

Os meus filhos(as) tiveram uma desconstrução necessária do que foi ensinado nas salas de aula. Meu filho caçula, com 11 anos de idade, recebe a exformação e eu levo ao questionamento para que adquira uma informação no seu ser, do seu passado e presente africano, porque a escola serve como descontruidora do passado glorioso dos seus ancestrais.

Os europeus através dos séculos têm usado a manipulação para omitir, mentir, dominar e excluir. O nosso grande desafio é perfazer os ensinamentos deformados sobre o conhecimento e desmascarar a falsidade ideológica de negação das primeiras civilizações pensantes do planeta: as civilizações africanas. Renomear a África como “O continente negro" foi um pretexto para “civilizar” (o que realmente significou: saquear, mutilar, escravizar e pilhar).

Não vou discutir e explicar a origem da palavra filosofia, todos sabemos da de origem grega Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria, que ama a sabedoria ), resumindo no que os estudantes aprendem: Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria tem amizade pelo saber, deseja saber. Assim a filosofia indica um estado de espírito da pessoa que ama, isto é, daquela que deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita. Estas “verdades” excluem os estudantes pretos.

Estas exformações fazem com que os estudantes pretos tentem se adequar as verdades eurocêntricas, como um peixe fora d’água, sem passado pensante, e contribui com a omissão dos estudantes não pretos sobre a real origem dos primeiros pensadores humanos.

É interessante ressaltar, a África é o berço da humanidade e os mais antigos fenômenos civilizatórios surgiram nesta parte do planeta, inclusive de lá ocorreram migrações em direção a diversas regiões no mundo. E no continente africano, especialmente nas civilizações de Kush-Núbia, detentores das primeiras escritas conhecidas, conhecimento matemático, astronomia, arquitetura e outras ciências ainda em fase de escavações, e Kemet (atual Egito), e outras civilizações de um continente riquíssimo em desenvolvimento humano e tecnológico deram os passos iniciais do que entendemos de filosofia. Há algumas perguntas que servem para começarmos o nosso debate afrocentrado:

- Quais informações que você tem da origem dos primeiros habitantes da Grécia?
- Você sabe que os primeiros habitantes da região da Grécia foram povos pretos?
- Por que todas as escolas de arquitetura em todas as universidades ocidentais até hoje iniciam os estudos de seus alunos com as pirâmides?

- Por que há semelhanças da mitologia grega com as mitologias africanas?

- Por que Cheik Anta Diop acusou de plágio, gigantes da filosofia grega e da matemática, como Arquimedes, Platão, Aristóteles, Thales, e outros?

- Você sabe que as provas documentais provam que as civilizações desenvolveram o que chamam de filosofia?

- Por que há uma tentativa desvelada de historiadores ocidentais de branquearem as civilizações africanas?

- Por que Sócrates foi morto?

Na próxima postagem entraremos nas provas documentais do plágio feito pelos gregos do conhecimento africano. Este texto foi uma pequena introdução.

Há um livro que você poderá ler agora e o ajudará a compreender estes atos de plágio dos gregos e com certeza teremos bons debates.

Acesse e leia: Stolen Legacy by George G. M. James [1954]



Se não ler em inglês: O LEGADO ROUBADO por George G. M. James (1954)


Cheick Anta Diop Falsification De L Histoire

Abraços afrocentrados,

Shalom de Yah.

ACESSE PRETAS POESIAS:

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

AS NAÇÕES ANTIGAS INCLUINDO OS HEBREUS ISRAELITAS - 2ª parte

Por Miryahm Ysrayl, Hebréia Israelita.
E-mail: hebreu@email.com

OS HEBREUS NEGROS
O alemão Herbert Wendt foi o autor do livro Es began in Babel - Die Entdeckung der Völker (Tudo começou na Babilônia - O descobrimento dos povos) na pág. 65 escreveu:

"Muitos dos historiadores, pesquisadores culturais e etnólogos não querem se dá ao fato de que os povos da África oriental que atualmente são na maioria pastores de rebanho e agricultores eram os representantes de uma das maiores e mais antigas culturas já vivida pela humanidade, eles procuram pelo berço natal dos egípcios na Ásia Ocidental, entre os Semitas ou entre a Índia. Mas não há menor prova que comprove isso. A linguagem dos egípcios era de origem hamitica ocidental e por toda a parte encontramos provas sejam pinturas, estatuetas, esqueletos e inúmeras gravuras em templos e catacumbas que comprovam que os egípcios eram uma raça típica africana que podemos comparar aos núbios e aos nilotes, com suas tonalidades de pele que variam entre marrom até o tipo mais escuro de pele assim como os agricultores sudaneses da Savana.

Os egípcios com toda a certeza eram uma raça africana que construíram um grande reino, um dos mais importantes reinos africano da história humana."
Pequena história sobre a negritude de Kemet ( Antigo Egito )

A história do povo hebreu israelita se deu quase que inteiramente dentro do território Hamita "africano" (Canaã,= Israel, Egito, Etiópia “...)” até a nossa chegada ao Hemisfério Ocidental que se deu através do tráfico negreiro transatlântico.
Originalmente todos os hamitas e semitas eram negros. Abraão era de origem semita, os três patriarcas foram Abraão, Isaque e Jacó. Jacó teve 12 filhos que mais tarde deu origem às doze tribos de Israel. Abrão tornou-se o pai não somente dos hebreus israelitas, mas também da nação Árabe. Agora pense, se a mãe e a avó da nação árabe eram mulheres egípcias hamitas negras e o pai dessa nação árabe era Abraão e Ismael (negros semitas). Para todos aqueles que não acreditam que os ancestrais árabes e hebreus eram negros fica a pergunta: Se sua avó, mãe, pai eram negros qual será então a cor dos seus descendentes? Todas as doze tribos de Israel eram negras. Flavius Joseph escreveu que Ismael casou-se com mulheres negras egípcias, seus descendentes habitaram a região que vai desde Eufrates até o Mar Vermelho na Península Árabe, hoje conhecida como Arábia.
Cuxe era o patriarca de todos os etíopes, árabes, indianos, os habitantes da região do Rio Nilo e as tribos da Babilônia. Os mapas da África durante a Idade Média mostram que este continente era conhecido como Etiópia. O historiador Flavius Joseph escreveu o seguinte:
- Ophren, o neto de Abraão através de Quetura, liderou uma expedição militar contra a Líbia e a capturou, desde então os seus descendentes colonizaram aquela região e em sua homenagem deu aquele lugar o nome de África que é derivado do nome (Afer; Ophren).
Na época do profeta Zephanias por volta de 630 a.C. a Etiópia e suas adjacências (Uganda e Kenia) estavam repletas de hebreus negros, o profeta diz em Sofonias 3:10:
- "Dalém dos rios da Etiópia, meus zelosos adoradores, que constituem a filha dos meus dispersos, me trarão sacrifício”.
Esse verso é uma indicação que os israelitas estavam se multiplicando entre os habitantes atrás do rio da Etiópia.
Durante o período de Pompeu até Julius Cesar é estimado que mais de 1.000.000 de hebreus fugiram de Israel para a África, para se livrar da perseguição romana e escravidão. Os mercados escravos estavam repletos de hebreus escravos
Deuteronômio 28:64:
- E YHWH vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até a outra; e ali servireis a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais; ao pau e à pedra.
Essa profecia e todas as outras concernentes em Deuteronômio 28 do verso 15 até o verso 68 afetaram os hebreus negros depois de eles terem desobedecido às leis do Criador. Várias nações transportaram os hebreus à escravidão. E os filhos de Israel foram levados cativos para todos os continentes. De fato havia hebreus negros espalhados por Dahomey *Benin* Hebreus do Egito e Etiópia. Hebreus do Tabiban Kamante e Wasambara, hebreus na África do norte, hebreus do império de Gana, o império mouro (Hanibal) hebreus espalhados por Angola, hebreus ashantes, hebreus Yoruba da Nigéria, Igbo, os hebreus de Uganda e vários outros grupos de hebreus negros espalhados por toda a terra.
É fato conhecido que hebreus estavam por toda a parte na África 1500 anos antes do Islamismo se expandir por lá e que por toda a parte onde os árabes estiveram os hebreus já tinham estado antes. Com o passar do tempo os hebreus em Portugal e os hebreus em possessão da colônia portuguesa ficaram conhecidos como hebreus portugueses, porque a maioria deles nasceu em Portugal e herdou a historia, cultura e a língua de Portugal. Os portugueses foram os primeiros europeus a comercializar na Costa Ocidental da África e estabelecerem colônias em larga escala. As ilhas canárias foram invadidas pelos portugueses em 1341. É certo que muitos dos hebreus de Portugal, São Tomé e Angola que se tornaram vítimas da inquisição e da perseguição portuguesa foram vendidos como escravos durante o tráfico negreiro.
Esse tráfico negreiro transatlântico durou mais de 400 anos e em algumas partes da América do Sul, não temos condições de informar quanto do hebrewismo sobreviveu entre as comunidades hebraicas que foram transportadas como escravizados para esta parte do Hemisfério, pois eles estavam em constantes perigos, mais que os outros negros que eram nativos àquelas regiões, existem milhões de hebreus negros que foram transportados para as Américas, de acordo com as profecias bíblicas os hebreus negros seriam levados cativos por toda a parte “Judá foi para o cativeiro por causa da idolatria e agora habita entre os gentios, lá eles não encontram paz, todos os seus perseguidores... Esta é apenas parte da nossa história em resumo nós os hebreus israelitas, não fazemos parte de nenhum movimento que surgiu recentemente, ou seja, não somos parte de nenhum movimento religioso novo, mas sim pertencemos ao povo historicamente falando um dos mais antigos das escrituras que é o povo de Israel e assim como está escrito em Jeremias 31:35-36 :
-"Assim diz YHWH, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; YHWH dos Exércitos é o seu nome.
“Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz YHWH, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre”.

The Slave Trade Story in Pictures

Portanto nós como nação nunca deixaremos de existir, pois se não as ordenanças do céu também não mais existiriam, a nossa história, cultura e herança foram abruptamente retirada de nós, mas assim como diz as escrituras em Jeremias 31:10:
“- Ouvi a palavra de YHWH, ó nações, e anunciai-a nas ilhas longínquas, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará como o pastor ao seu rebanho"

ISRAEL NAÇÃO OU RELIGIÃO?
Yah, o Altíssimo Criador de todas as coisas, formou os homens com a sua preciosa mão e as escrituras nos dizem que de todas as criações os homens foi a que Yah mais amou, e é lógico que todo e qualquer Criador deseja receber louvor e adoração da coisa criada, só que com os homens aconteceu diferente, eles não retribuíram o devido louvor e adoração ao seu Criador e ainda por cima se esquecerem Dele e começaram a formar para si deuses diversos estranhos para adorarem, logo após o dilúvio quando a terra estava começando a ser repopulada pelos filhos de Noé se levantou um rei deus sobre a terra e os homens começaram a adorar esse rei deus que se chamava Ninrode e se esqueceram do Altíssimo, devido a isso o Altíssimo dividiu a humanidade em 70 nações, e as espalhou pela face da terra, isso significa que no inicio éramos apenas uma única nação na face da terra, agora que Yah dividiu essa única nação em 70 nações distintas sobre a terra. Ele então formou outra nação bem especial que se originou a partir dum homem que buscava a sua face para adorá-lo e o servia constantemente, esse homem era Abraão, este era justo e correto e temente a Yah e a partir dele é que Yah formou uma nova nação a nação modelo que recebeu o nome de Israel, Israel foi formado para trazer essas 70 nações de volta para a adoração ao Altíssimo através do seu testemunho, as outras iam ver a diferença que faz servir ao Eterno e com isso iam se achegar a Israel para aprender como também adorar ao único e verdadeiro Altíssimo, visto que estas nações tinham se distanciado de Yah e então Yah declarou Israel como nação oficial a partir da sua saída do Egito quando através de Moises Ele nos deu suas leis, mandamentos, estatutos, juízes e nos ensinou a forma de como deveríamos cultuá-lo, para que fique bem claro, devo dizer que adorar ou cultuar a Yah não é preciso sermos parte de uma religião, o que precisamos é ter os nossos corações limpos e nos achegarmos a Ele de todo o nosso coração alma e em verdade, Yah determinou o modo de vida da nação israelita.
Se caso Israel tivesse obedecido desde o inicio e andado de acordo com as determinações do Altíssimo a nossa história hoje seria muito diferente, mas fato é que Israel não obedeceu completamente às escrituras várias vezes descrevem Israel como um povo de dura cerviz e que está sempre se voltando para as falsas adorações aos deuses da outras nações, por causa disso, fomos levados ao cativeiro alguma vezes, Yah sempre quis disciplinar o seu povo, mas quando o povo ia para o cativeiro ao invés de se arrepender e se voltar para o Altíssimo, eles acabavam se envolvendo com os deuses (religiões) das outras nações, Israel é um povo muito voltado para adoração, à maioria dos hebreus adora até o que nem conhece isto é fato comprovado, eles se sempre se voltavam a cultuar os deuses das outras nações.
Na antiguidade as nações da Babilônia (Etiópia), Egito Assíria etc. enfim as nações Américas e semíticas em geral viveram os seus tempos de apogeus de fama e glória por toda a terra, essas nações negras perderam o seu esplendor e gloria e agora estão vivendo apenas de monumentos em ruínas que lembram em parte a gloria por elas vividas, naquela época pouco ou quase nada se ouvia falar nas nações jafetistas somente após a idade média é que começou o período de glória das nações gentílicas (européias) essas por sua vez assumiram todos os deuses, forma de cultos das nações Hamitas em estado de decadência e agora estão cometendo os mesmos erros que levaram essas nações antigas a destruição, e mesmo apesar delas estarem vivendo atualmente o seu período de glória, as escrituras dizem em Mateus 24:15 que o reinado dos gentios durará até a volta do Messiyah Yahoshua, isto é todas as nações tiveram ou estão tendo o seu apogeu e tempo suficiente para se arrependerem.
Os egípcios antigos escravizaram Israel (escravizar Israel no sentido espiritual, pois significa fechar os olhos e tapar os ouvidos para não ouvir a voz de Yah, porque Israel é a nação portadora da palavra de Yah, escravizados = amordaçados, boca fechada) o mesmo aconteceu a nós no mundo (Egito) moderno eles nos escravizaram, ou seja, taparam as nossas bocas e nós tivemos que aceitar apenas ficar os ouvindo falarem, mas a grande verdade é Yah deu a essas nações tempo para se arrependerem, as escrituras dizem que bendita é a nação aonde Yah é o Altíssimo.
A nação de Israel representa a glória de Yah aqui na terra, Yah nos espalhou por entre as nações para sermos luz para essas nações mesmo apesar de que são poucos os hebreus israelitas que estão refletindo a glória de Yah no mundo, a maioria de nós perdeu a noção da identidade e assumiu a identidade das nações para aonde fomos levados. Mas mesmo assim os hebreus nunca deixaram de existir, Yah sempre tem um remanescente. Nesse exato momento Yah está despertando muitos dos israelitas da sonolência e do cativeiro espiritual, nossa prisão espiritual e cativeiro está sendo quebrada.
Genesis capitulo 10 dá as descrições das 70 nações que Yah formou, todos nós podemos traçar as nossas origens para uma dessas nações, ou que eu estou querendo explicar é que no inicio éramos apenas uma única nação, Yah nos dividiu em 70 nações, e mais tarde ele formou uma nação especial para trazer essas nações de volta a ele, na verdade essa é a nossa missão nós temos que trazer essas 70 nações de volta para a adoração do único e verdadeiro Criador, o Altíssimo de Israel que é YHWH Yah e então seremos novamente um único povo, ou seja, juntamente com os salvos dessas nações formaremos o povo de Yah.

Hebreus Israelitas na Alemanha

Todos estaremos adorando ao único e verdadeiro Criador, ninguém em nosso meio estará adorando a outros falsos deuses, foi por isso que Ele nos deu leis, mandamentos, estatutos e juízes e a forma do culto para que quando novamente formamos uma única nação todos nós seguiremos as mesmas leis, mandamentos, estatutos, juízos e a forma de culto, não seremos dois, três quatro ou cinqüenta nações, mas seres apenas uma.
Assim que comecei essa tese eu disse que todos nós originamos a partir de uma única família, a família de Noé, isto é a prova que somos todos irmãos, mas se pensarmos pelo lado da religião, então só teremos confusão (Babilônia), pois cada um vai seguir a sua e cada religião tem o seu próprio deus ou deuses, portanto, estude as escrituras e analise tudo o que você está fazendo ou seguindo, pois as religiões não vão te encaminhar ao único e verdadeiro criador, você não precisa de religião para servir ao Altíssimo, abra o seu coração e o próprio espírito de Yah vai te liderar nessa caminhada.
Desejo que todos tenham entendido qual é a missão de Israel aqui na terra, a cor da nossa pele não é o fator essencial, mas talvez sirva para identificação de quem são os verdadeiros sacerdotes responsáveis pela propagação da palavra nesses últimos dias, Yahoshua deu a ordem aos hebreus para irem por todo o mundo e anunciarem a palavra de Yah, em Atos 1:8:
“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”
A nossa mensagem para você ainda hoje é arrependa-se e volta para o teu Criador, o reino de Yah está próximo!
The Curses Part12


Leituras relacionadas às escrituras:
º From Babylon to Timbuktu (Da babilônia para Timbuctu) Rudolph Windsor
º Es began in Babel (Tudo começou na Babilônia - o descobrimento dos povos) Herbert Wendt

sábado, 19 de setembro de 2009

BRUXARIA BRANCA - A EXPRESSÃO DO MAL


Por Walter Passos, historiador e teólogo Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Skype: lindoebano

Facebook: Walter Passos

As crianças, independentes de cor epitelial e prática religiosa, têm receio e curiosidades em relação a bruxas e fadas. A didática através do lúdico as insere no mundo da fantasia criado pelos adultos, em uma realidade controversa e de explicações através das fábulas de problemas não resolvidos.
Todos os povos e civilizações sempre tiveram códigos de moralidade e de costumes, entretanto, o desconhecimento de outro grupo cultural cria falsas respostas através de ideologias discriminatórias. Os questionamentos de gerações afloram nos contos, nas mitologias do poder e de identidades dos grupos sociais, e nestas análises as respostas estão inacabadas, gerando conflitos, surgindo à necessidade didática de final feliz para o grupo social que idealiza a fábula, conforme as suas aspirações sociais e influências religiosas.
Neste sentido, os povos que sofreram invasões e foram escravizados encontram nas fábulas e mitos do invasor e escravizador referências deturpadas de si mesmo, pois são forçados a se encontrar no pertencimento do outro e, aprendem a desprezar os seus contos e mitos, seja por desconhecimento de sua história ou rejeição de sua ancestralidade.
Quando conhecemos o mundo, a mulher nos é apresentada como símbolo do amor materno, sabedoria, religiosidade, compreensão e poder. Para a criança o ato de “falar com a minha mãe!” tem um significado muito forte. O ato da comunicação torna-se instrumento de pertencimento com aquela que teve o poder da procriação e manutenção da vida.
Nas sociedades europeias e em seus contos a mulher é representada como detentora do poder mágico da bondade, como as fadas (a mulher submissa sempre atenta aos desejos do homem) bruxas e feiticeiras (simbolizada da perversão e maldade, questionadoras do patriarcado).
A maioria das crianças conhece o Conto Branca de Neve e os Sete Anões, da relação conflituosa, gerada pela disputa de beleza física, entre a protagonista com sua madrasta, uma rainha-bruxa. O clássico cinematográfico da Disney foi premiado com um Oscar especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. A história finaliza com a quebra do feitiço do sono eterno por um beijo do príncipe, que vive “feliz para sempre” com branca de Neve, a mais bela, notadamente por ser a mais branca, como o nome já sugere. Incrível que muitos aniversários de crianças, a idéia de ser uma princesa como a branca de neve e encontrar um príncipe encantado é um sonho de milhões de meninas pretas.


Branca de Neve e os Sete Anões - Filme Completo Parte Única



Estes estigmas são perpassados e formulam identidades que influenciam civilizações neste mundo globalizado, através dos diversos meios de comunicação e muitos o são adaptados conforme as concepções ocidentais.
Aparentemente essa idéia de fadas, bruxas e feiticeiras nada de mal trazem, porque no conceito da ideologia eurocêntrica a criança conhecerá o mundo e poderá trabalhar as diversas facetas de um diamante que está sendo lapidado para a vida toda.
Outro exemplo são os livros da escritora britânica J. K. Rowling da série Harry Potter com mais de 550 milhões de cópias vendidas - ocupam o quarto lugar no ranking dos livros mais vendidos da história da humanidade, além de se tornarem filmes campeões em bilheterias. Nestes a maioria das ações se passa na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwart onde ensinam a considerar os que não são bruxos de trouxas.
Inclusive a idéia de bruxas e fadas está dentro do cristianismo de forma explicita. Muitas igrejas cristãs recomendam o filme - As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa -, considerado conto de fadas cristão, adaptado do livro de Clive Staples Lewis, conhecido como C. S. Lewis. Foram vendidos mais de 200 milhões de cópias dos 38 livros deste autor irlandês e membro da Igreja Anglicana, os quais foram traduzidos para mais de 30 línguas. Lewis é considerado por muitos como o maior escritor cristão que o mundo já teve, e as suas obras são recomendadas por homens e mulheres formadoras de opiniões, citada por pregadores, estudadas em faculdades, nos seminários e nos institutos bíblicos. É comum ouvir em certos púlpitos mensagens onde Lewis é mais citado do que Yahoshua, e seus livros de referencial em lugar da Sagrada Bíblia.
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, tem uma interpretação sob o ponto de vista cristão, o Guarda-roupa representa o mundo espiritual, a Feiticeira Branca representa o inimigo das nossas almas (Satanás) e o Leão, representa Yahoshua, o Leão da Tribo de Judá, o Senhor de todos os homens. Após Aslam (o Leão) se entregar em favor de Edmundo (a redenção de Yahoshua, para cobrir seu erro arrependimento), ressuscita selando a vitória sobre o inimigo. Para uma grande maioria dos cristãos é uma maneira de evangelizar as crianças, e a bruxaria europeia é sagrada, não demoníaca. Demonizar bruxas, feiticeiras, magos, fadas, gnomos, druidas, e outras figuras brancas contidas nos contos europeus são um ato de rebeldia, racismo ou heresia.

Aslan and Jesus Christ's Crucifixion and Resurrection



Os conceitos do viver africano e afro-diásporico não deveriam ser baseados no pensamento ocidental eurocêntrico e suas experiências de fadas e bruxas, porque não trazem as realidades históricas e mitológicas africanas, e as crianças pretas introjeta falsas sonhos-realidades do mundo que só servem para baixar a autoestima. Os contos de fada numa visão junguiana são uma representação simbólica de problemas gerais humanos e suas soluções possíveis, só que os simbolismos eurocêntricos e suas respostas existências são diferentes e muito diferentes para nós.
Desde a nossa tenra infância aprendemos a respeitar e admirar as vovós, as tias e todas as senhoras da nossa convivência, porque as nossas mães nos informaram que as mesmas eram detentoras de ensinamentos antigos e inclusive conheciam os segredos de realizar um bom parto, rezar o corpo contra o mau-olhado e receitar remédios das folhas. Já tomamos muitos banhos de folha nas nossas vidas e já tivemos o corpo rezado por senhoras pretas. Nunca ouvi a minha mãe e minhas tias se referirem as idosas como bruxas ou feiticeiras. O nosso povo sempre respeitou os mais idosos, e ainda é educada a prática de pedir a benção aos mais antigos, forte lembrança de pessoas da minha geração que lêem este artigo.
O Povo preto é um povo que amava os idosos e os respeitavam pelo conhecimento do mundo. É gostoso ouvir em reuniões aqui em Salvador quando um idoso (a) recebe o respeito dos mais novos, demonstrando que a força da ancestralidade ainda não foi destruída por total pelas influências cristãs ocidentais.
São deprimentes as conceituações e divulgação do poder da mulher africana e afro-diásporica nos novos paradigmas criados pelo cristianismo: de detentoras do conhecimento ancestral para perversas feiticeiras e bruxas ocidentais. O que tem levado essas mudanças na criação de novos juízos de valor sobre o conhecimento das mulheres pretas?
Desde a chegada dos primeiros missionários na África começou a perseguição às detentoras do conhecimento, e inseriram nos seus discursos a mudança, outrora mulheres sábias foram consideradas “bruxas” e feiticeiras. A “bruxaria e feitiçaria” são conhecimentos ancestrais perpassados das diversas tradições, representando símbolos que proporcionam uma sensação de familiaridade e continuidade da experiência do viver das comunidades.
O filme Kiriku e a Feiticeira precisa de uma análise mais aprofundada sobre as relações de poder da mulher e feitiçaria sobre a ótica afrocentrada. A feiticeira Karaba no final segue a linha eurocêntrica de encantos e desencantos e casa-se com Kiruku e todos ficam em paz.
KIRIKU E A FEITICEIRA (PARTE 8/8)

As invasões europeias e seus modelos filosóficos afetaram profundamente as culturas ancestrais criando novas realidades socioeconômica e política, e os resultados desastrosos do colonialismo, capitalismo e modernidade corrompem o mundo invisível, desequilibrando processos naturais e espirituais do bom viver visível e outrora equilibrado. A antropologia, a filosofia, a sociologia e a história e seus conceitos eurocêntricos ainda tem discipulado entre as academias, africanos e afro-diásporico na defesa e propagação de suas análises, servindo como ciências não somente observadoras e críticas, mas decisórias para explicar modos e comportamentos de sociedades milenares com a ótica do invasor e colonizador.
As sociedades africanas e afro-diasporicas analisadas por xenófobos, individualistas que temem e não entendem o desconhecido e classifica-os como inferior, tornam-se necessário que usemos as nossas metodologias afrocentradas para darmos respostas as ciências que tenta nos destruir, deve ser por isso que tenho críticas às academias, porque não desejo e nem almejo os seus títulos de conhecimento eurocêntrico.
O conhecimento africano é baseado na solidariedade e os conflitos ocorridos possuem em seus mitos diferenças explicitas nas suas resoluções, os que visam o bem estar coletivo e não a individualidade. Quando se ensina as crianças acerca das yabás e das Yami Osorongá, através da oralidade da palavra verbalizada, entendem-se o seu poder de resolução dos problemas sociais, essas chamadas de “feiticeiras” que representam as forças da natureza e equilíbrio social diferem filosoficamente das malvadas bruxas e das “bondades das fadas”, apesar de que muitas das mitologias helênicas foram apropriadas do conhecimento africano, inclusive conceituações metafísicas já conhecidas e desenvolvidas no Vale do Nilo.
O empobrecimento dos africanos, as mudanças alimentares, o aumento das doenças, como o ebola e a AIDS, a destruição de áreas agrícolas e transformações no modo tradicional de cultivos, o desprezo pela solidariedade, a quebra da respeitabilidade pelos anciãos e anciãs, e a desconfiança do poder das mulheres, resulta na intensificação da procura de dinheiro, no desejo incontido de adquirir bens materiais, influenciadas pelas famosas teologias da prosperidade (ideologia capitalista travestida de religiosidade), fez com que as tradições sejam progressivamente desprezadas e ignoradas. Tornando os africanos e afro-diásporicos alvos mais fáceis de controle e dominação, porque quando duvidamos das nossas tradições e desprezamos a nossa ancestralidade estamos cometendo suicídio espiritual e físico, que amaldiçoa o legado ancestral e cria uma geração corrompida e envergonhada de ser o que é.
O entendimento do que chamo de choque cultural entre os africanos e os caucasianos, se dá em todos os sentidos da existência, porque as nossas tradições não separam o corpo em dicotomia e tricotomia, somos um ser integral conforme os escritos dos antigos hebreus. Com o advento da Cultura Helênica e sua apropriação e deformação do pensar africano, proporcionou a quebra da afrocentricidade e a divulgação filosófica da eurocentrismo.
A mudança no devir do ser preto especialmente pode tentar uma análise do mundo mágico branco e o mundo mágico preto. É um parâmetro inteligível do por que as mitologias são diferentes e as conceituações socio-religiosas são dispares, não sendo acentuada a bipolaridade do bem e do mal.
E conforme o Dr. LLAILA AFRIKA:

AFRICANOS:

  • Unificação do espírito, corpo e mente para o conhecimento.
  • Verdade e Mentira são diferentes
  • O Propósito do conhecimento e das ações é a justiça, a retidão e a precisão
  • Os Conhecimentos são conectados holisticamente.

CAUCASIANOS:

  • Fragmentação e Divisão para o conhecimento
  • Verdade e Mentira são as mesmas e corretas
  • O Propósito do conhecimento é o controle dos outros e o poder.
  • Os Conhecimentos são conectados por idéias fragmentadas.


Como vimos acima os modelos africanos e caucasianos são dispares em relação às vivências, retratam que os choques culturais deturparam violentamente a concepção de vida e relações com a natureza. Entender como o conhecimento ancestral das mulheres e o poder não somente simbólico como mágico foi afetado violentamente pela xenofobia européia, que pelo medo do diferente não compreendeu os conceitos e saberes não conhecidos, é uma caminho urgente dos praticantes da afrocentricidade, para reparar os males feitos as nossas crianças, criadas a imagem e semelhança das fadas e bruxas ocidentais.
As mulheres acusadas de bruxaria possuíam dentro do poder matriarcal e da construção matrilinear importância fundamental ainda existente e resistente dentro de muitos povos africanos que opõe a islamização e a cristianização.
As africanas são cosmopolitas como ainda são as mulheres pretas na América Africana e guardiãs do conhecimento. Na concepção europeia as mulheres sempre foram submissas, desprezadas e humilhadas, consideradas fontes de perversão e vitimas da inquisição, torturadas, queimadas e demonizadas. Consideradas objetos, propriedades do macho: bruxas as que resistem à opressão e fadas as que permitem os desejos masculinos. Por isso o surgimento do feminismo que é mais um ismo branco em contraposição a outra deformação, o machismo. Bem diferente dos conceitos afrocentrados de equilíbrio dos gêneros.
As mulheres pretas guardiãs do conhecimento foram primeiramente desacreditadas pelos missionários e pelo poder colonial, existem legislações em países africanos que as perseguem e as condenam, crianças e mulheres são assassinadas em diversos países pelo crime de bruxaria, acusadas por membros das comunidades, seguidores da falta de tolerância européia.
A perseguição as “Bruxas Africanas” pelo catolicismo e igrejas do protestantismo histórico tem se tornado mais violenta com a ascensão de cultos pentecostais e nopentencostais inclusive em uma disputa pelo poder. Estes grupos precisam mostrar poder diferente do maior poder que é o amor, criou no continente africano, a nova inquisição que parte para a destruição e morte de milhares de crianças e mulheres.
No Brasil a falta de respeitabilidade com as religiões de matriz africana por parte do cristianismo: católico, protestantismo histórico, pentecostais e neopentecostais, têm na gênese do racismo a vertente da idéia de religiões de bruxas e feiticeiras. Bruxalizar o conhecimento africano é a maneira mais eficaz de catequizar e converter milhões de africanos, escondendo séculos de opressão de bruxos cristãos e bruxas cristãos que trouxeram a desordem econômica e a escravidão.
A religião católica ainda tenta através da catequese, desestruturar tradições, como foi o caso da visita do papa Bento XVI em Angola quando apelou aos católicos à conversão dos adeptos da bruxaria ameaçados por “espíritos” e “poderes do mal” e afirmou que o Cristianismo era uma ponte entre as pessoas locais e os colonizadores portugueses.

PAPA BENTO XVI EM ANGOLA

Os europeus foram os grandes piratas na África e praticantes da xenofobia, com uma idéia de vida solitária e anti-solidária, divulgando o pessimismo, a individualidade e a ganância.
Entre todos esses fatores foi impossível para o europeu e o cristianismo se adequar a prática da solidariedade africana e tentaram destruí-la, necessitando, então, que o renascer africano e afro-diásporico tentassem recriar o pan-africanismo, porque deixou de acontecer por causa da divisão territorial, da escravização e colonização, resultando no continente africano transformações de xenofobia por xenofilia entre os primeiros seres humanos.
Na África e na Afro-América o medo dos conhecimentos ancestrais e as mudanças orquestradas determinando o diferente como inferior e demoníaco foram direcionados par abater a família, na representação feminina. “Bruxalizar” é quebrar o poder feminino, embrutecer os homens pretos, criar uma sociedade de órfãos, desagregando a família preta.
“Bruxalizar” tornou-se para os invasores cristãos e muçulmanos negar milhares de anos de conhecimento em todas as áreas da ciência.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A GUERRA NEGRA - GENOCÍDIO DOS ABORÍGENES DA TASMÂNIA

Por Walter Passos, historiador e teólogo

Pseudônimo: Kefing Foluke.

E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br
Facebook: Walter Passos

Skype: lindoebano

Na história das civilizações pretas ainda se pauta os estudos na invasão do continente africano, desenvolvendo uma pedagogia histórica restritiva e de negação das migrações do primeiro povo pelo planeta.
No século XIX os ingleses invadiram o continente atualmente conhecido por Oceania e realizaram um dos mais violentos genocídios da história mundial, destruindo civilizações milenares em um projeto de apropriação territorial, expropriação de riquezas, extermínio dos habitantes e a conversão forçada ao cristianismo.
Temos que entender esse projeto devastador do colonizador inglês como um ato de racismo, mais uma vez o invasor branco, com a sua idéia deformada de supremacia racial consegue ter atitudes diferentes conforme os seus interesses. A Inglaterra traficou escravizados do continente africano e combateu o tráfico quando mudou o seu modo produtivo com a Revolução Industrial.
Uma das regiões mais afetadas foi a Tasmânia, ilha e estado australiano situado a 240 km da costa sudeste da Austrália.
Sua superfície é de 65 022 km² e ela contava, em 2002, com uma população de 474 000 habitantes.
A população da Tasmânia provavelmente ultrapassasse 5.000 pessoas com uma história de mais de 10.000 anos que fora maldosamente destruída por uma nação racista que se dizia pautada nos ensinamentos bíblicos. Os habitantes da Tasmânia não tiveram chances de sobrevivências e foram exterminados.
A invasão do Império Britânico resultou no genocídio de milhares de “aborígenes” que resistiram bravamente à invasão colonial, tendo como resultado a deportação à Ilha Flinders, onde a vida dura escravizada e doenças levaram a extinção do valoroso povo da Tasmânia que não se deixou abater.

Atualmente os descendentes de ingleses habitam a ilha e sorriem como se nada tivesse acontecido.

Flinders Island Lions Club

Guerra Negra é usada na historiografia para ressaltar o extermínio realizado pelos ingleses contra a população preta da Tasmânia, sendo de vital importância compreendermos que a guerra realmente começou quando os ingleses desembarcaram em 1803 na Tasmânia com o projeto de extermínio do povo local, apesar da historiografia branca datar de 1828 a 1832. Em 1º De dezembro de 1826, a Tasmanian Colonial Times, jornal de circulação da época, declarou:

“Não fazemos exibição enfática de Filantropia. Dizemos isto sem ressalvas, à autodefesa é a primeira lei da natureza. O Governo deverá retirar os nativos - Se não, eles serão caçados como animais selvagens e destruídos!”

Cartaz usado para enganar o povo preto

Em 1816 antes da Guerra Negra representando o tenente-governador Arthur com a "política de amizade e igualdade de justiça" para “assentados” e Aborígenes.

O Governo devidamente declarou lei marcial em novembro de 1828 e "Brancos foram autorizados a matar negros à vista" (que foi por isso que nenhum colono branco nunca foi condenado pela morte de um aborígene). A recompensa foi fixada de £ 5 por adultos, £ 2 por criança.
Prêmios foram dados a captura dos nativos e além da guerra muitos morreram ao contraírem a gripe dos invasores.
Uma das táticas dos invasores ingleses foi o uso de pastores para enganar e persuadir os habitantes, fato esse ainda muito forte nas comunidades africanas e afro-diásporicas. Na Tasmânia invadida quem se deu a esse papel foi o pastor George Augustus Robinson “Protetor de Aborígenes”, chamado a montar uma "missão amigável" para encontrar os 300 restantes nativos na Tasmânia. Iludiu os nativos levando-os a escravidão e a morte. Um dos grandes objetivos da igreja cristã foi a “purificação” do povo preto que conseguintemente levou a destruição.
Robinson recebeu em pagamento um total de 8.000 libras em seu papel como protetor de Aborígenes. Ele construiu uma pequena comunidade, que incluiu uma igreja e chamou a área de “Ponto de Civilização”. Muitos dos indígenas que viviam no porto tinha sido removido sob falsos pretextos a partir de seu verdadeiro lar na Tasmânia. O Ponto de civilização foi essencialmente uma fábrica que existia para transformar os chamados “selvagens” em cristãos. Entre os 300 nativos que foram atraídos para a ilha apenas 40 permaneceram por meados dos anos de 1840. A maioria tinha morrido devido a doenças e a exploração do pastor.
Uma das práticas dos britânicos foi o rapto das mulheres para serem usadas sexualmente e as crianças foram tratadas como escravizadas. A grande tática dos invasores foi à destruição da família preta.
Caçaram o povo preto por diversão, raptaram, violaram as mulheres criando harens, desenvolveram o instinto de perversidade com uma disciplina da escravatura – com castigos e flagelos: desde chicoteadas com couro de Canguru a mulheres e crianças arrastadas nas fendas das rochas até terem os seus miolos expostos. Os cristãos britânicos na Tasmânia serviam ao Satanás que tem prazer em tentar destruir o povo original, feito a imagem e semelhança de Yah.
Foi necessária a resistência, então o governo britânico declarou a “Guerra Negra” que durou de 1828 a 1832. Em 1830 eles criaram a linha preta que objetivava destruir os povos da Tasmânia.
Mannalargenna (1770-1835), um chefe-guerreiroTasmaniano, foi o chefe dos Ben Lomond (Plangermaireener).
Como líder do Plangermaireener, ele organizava ataques de guerrilhas contra soldados britânicos na Tasmânia durante o período conhecido como a Guerra Negra. Manalargena tinha sido capturado por George Augustus Robinson e acompanhou-o, juntamente com Truganini em sua "missão amigável" para mover o restante da população aborígine para a Ilha Flinders. Infelizmente eles acreditaram nos invasores e foram traídos como foi Ganga-Zumba no Quilombo dos Palmares e Preto Cosme na Balaiada.
Em 1859 os números eram estimados em cerca de uma dúzia, o último sobrevivente morreu em 1876.
Sobrevivente do genocídio inglês foi à grandiosa mulher preta Truganini (1812-1876), sendo a última do seu povo. Teve uma vida difícil apesar de ser filha de um mangana (Chefe), pois com a presença dos invasores ingleses, a sua mãe foi assassinada por baleeiros, e o seu primeiro noivo foi morto ao tentar resgatá-la de um rapto. As suas duas irmãs Lowhenunhue e Maggerleede, foram seqüestradas e levadas para a Ilha Kangaroo, na região sul da Austrália e vendidas como escravizadas.
Abaixo uma foto dos últimos aborígenes da Tasmânia. Truganini é a última à direita.

Os restos mortais do povo da Tasmânia foram vilipendiados e expostos em museus como troféus de guerra e outros serviram para os estudos dos genocidas.
Um grupo de mestiços atualmente se diz descendente de ingleses e mulheres raptadas aborígenes, fato este em discussão porque perderem o fenótipo e a linguagem ancestral.
As conquistas européias devem ser estudadas como a prática abominável de racismo e destruição. O olhar simplório de simples avanço tecnológico, ou de missões cristãs deve ser sempre questionado. Os povos pretos foram e são as grandes vítimas da tentativa das civilizações brancas de se portarem como os donos do planeta e de suas riquezas. O racismo é anti-evangelho e todo aquele que o pratica serve a Sinagoga de Satanás.

PRETAS POESIAS

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