sexta-feira, 8 de julho de 2016

ESCURECENDO A TEOLOGIA





Por Walter Passos,
Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Poeta


Toda religião tem um pensar teológico. Acredito que fazer teologia é explicitar o nosso compreender das divindades. O entendimento da comunidade e todos os conceitos não explicáveis tornam-se dogmas, proibidos de serem questionados ou modificados. Isso afeta a minha inteligência. Sou totalmente antidogmático. 
Desde a minha tenra infância tento entender os mistérios das religiões, os ensinamentos que aceitei e nunca os compreendi e muito menos os achei justos. Cresci preocupado com as coisas das divindades e por isso bem novo fui estudar teologia em Campinas-SP e na cidade do Rio de Janeiro. Tornei-me um defensor e propagador do calvinismo, aceitando inconteste os seus ensinamentos, especialmente da eleição, predestinação e soberania de Deus. 
Um dia, sempre tem um dia, cansei-me da igreja eurocêntrica e desisti de ser pastor presbiteriano. Não me tornei um ateu porque sou melaninado e todos os melaninados possuem o poder transcendental de contato com as forças espirituais. Somos os seres originais e possuímos como os antigos africanos esse dom proporcionado pela melanina e glândula pineal. Enxergamos através das estrelas como os Dogons do Mali. Olhamos através da sorte como os hebreus, povo africano. Por falar em hebreus continuo desafiando teólogos e historiadores que me digam um personagem branco do Tanach (Velho Testamento). Somos descendentes dos primeiros cientistas, dos inventores da matemática, da filosofia, da medicina e de todas as ciências. Inclusive da teologia, porque fomos criados a imagem e semelhança de Nzambi Mu Pungu, Olodumare ou YHWH. Depende da sua cultura, da sua nação e de milhares de nomes que a sociedades dão ao Eterno e Misericordioso.
As pessoas me perguntam: Qual é a sua religião? 
Respondo: - Nenhuma. 
Sou um hebreu-israelita com um pé no candomblé. 
Não entenda porque nem eu quero entender. Quero apenas viver sobre a proteção dos meus antepassados.
O fazer teológico é como se fosse uma conversa de crianças sobre assuntos de adultos. Parece não entenderem, elas entendem tudo, mas, não dão a importância que damos. Tudo é uma verdadeira brincadeira.
Eu escolhi uma pessoa para ser minha Yá, por enquanto. Yá na nação Ketu é mãe, a cuidadora e aconselhadora das nossas coisas espirituais, aquela que a gente senta e conversa os nossos segredos, aquela que joga os búzios e nos orienta como viver melhor com os nossos odus. Eu tenho uma mãe. Gosto muito dela, não sei se ela será a minha mãe espiritual, quem sabe. .Depende dos meus ancestrais. Mas, eu gosto dela. A Dadá, minha Yá, a minha gratidão.
Uma coisa eu não entendo no candomblé é o sincretismo com o catolicismo. Conheço muita gente que não concorda, mas, por hierarquia e respeito com as Yas não questionam. Eu questiono qualquer coisa que me incomode na teologia. Sou livre porque livres são os meus antepassados.
Não entendo gente de asè ir à igreja católica, assistir missa, pedir a benção de padre, se ajoelhar e implorar favores aos pés das imagens dos eguns brancos. Solicitar orientação à igreja católica que foi cúmplice e obteve lucros com a escravidão dos nossos antepassados. As mãos da igreja católica, os pés o corpo estão sujos dos sangues dos nossos ancestrais.
Um dia desses conversando com uma senhora de asè, ela me falou da Santíssima Trindade. Respondi que não acreditava. Ela olhou-me indignada e quis me explicar como caminhos dos orixás. Disse assim:
- Oxalá tem novo, tem velho, tem assim, tem acolá. Isso é igual à trindade.
Olhei para ela, ternamente perguntei:
Olorum pode nascer da barriga de uma mulher?
Ela indignada, asseverou:
- Não!
Continuei amorosamente:
Olorum não pode. Mas YHWH pode?
A trindade não é ensinamento dos hebreus e nem africano.
A trindade é uma invenção eurocêntrica.
Já se viu Nzambi Mu Pungu nascer da barriga de uma mulher..


CONVERSA DE PRETO - MODA AFROCENTRADA




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